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João Guimarães Rosa (1908-1967) nasceu no dia 27 de junho, há 114 anos em Cordisburgo, Minas Gerais. Escritor, médico e diplomata, ocupou a Cadeira número 2 da Academia Brasileira de Letras e quase foi indicado ao Prêmio Nobel de Literatura. Considerado um dos maiores nomes do Modernismo, Guimarães Rosa legou à literatura brasileira muito neologismo e regionalismo - a linguagem popular de sua terra natal está sempre presente em seus livros. "Grande Sertão: Veredas" é sua obra definitiva, mas há outras obras valiosas que merecem ser conhecidas.  

Primeiras Estórias (1962)

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Composto de 21 contos ambientados na zona rural, trata de temas como a busca pela felicidade, autoconhecimento e “as maneiras de se conviver com a inevitável finitude da vida”. Um dos capítulos mais famosos do livro “A Terceira Margem do Rio”, foi adaptado para o cinema por Nelson Pereira dos Santos em 1994. Pedro Bial também fez um filme baseado em cinco contos da obra intitulado “Outras Histórias” em 1999.

Sagarana (1946)

Obra de estreia de Guimarães Rosa. Possui nove contos ambientados no Estado de Minas Gerais. A maior parte do livro é narrada em terceira pessoa - seja por humanos ou animais, característica inovadora na época. Embora foque no ambiente sertanejo, também aborda  temas universais como amor, traição, saúde, religião, morte e etc. 

Grande Sertão: Veredas (1956)

Em 1952, Guimarães realizou uma longa viagem ao Mato Grosso. Lá ele conheceu os cenários, personagens e histórias que mais tarde iria recriar em “Grande Sertão: Veredas”, seu primeiro e único romance, tornando-se um de seus livros mais famosos, e uma das obras mais importantes da literatura brasileira. Em 1956, venceu o Prêmio Machado de Assis, do Instituto Nacional do Livro.

Possui duas adaptações: um filme (1965) estrelado por Milton Gonçalves e uma minissérie na TV Globo (1985), protagonizada por Bruna Lombardi, Tony Ramos e Tarcísio Meira .

No próximo dia 28, em São Paulo, Beth Goulart lançará o livro Viver é uma arte: transformando a dor em palavras. A obra da atriz é uma homenagem à mãe, Nicette Bruno, morta em 2020, vítima da Covid-19. De acordo com Beth, o projeto seria desenvolvido juntamente com Nicette.

Os leitores irão conferir, em sua primeira etapa, relatos de amor da família e também da arte de Paulo Goulart e Nicette Bruno. Na sequência, a narração de Beth passa pela experiência de não estar mais ao lado da mãe, assim como ter que lidar com a dor da perda.

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"Aprendemos agora a conviver com sua ausência. Isso nos obriga a olhar para nós mesmos e descobrir nossa força. Quem somos nós, diante da vida, do mundo e de nós mesmos. Agora temos que assumir nossa voz, nossas vontades, nossa coragem e insegurança muitas vezes, nossa sabedoria ou dúvida, nossa própria autoridade", reflete a também diretora.

Beth enfatiza: "Estou aprendendo a ser mãe de mim mesma, me ninar nas noites sem sono, me acalmar nas adversidades, me alegrar quando recebo carinho e afeto, me preparar para servir cada vez mais e melhor ao todo que pertencemos". O livro em homenagem à Nicette Bruno tem prefácio de Nélida Piñon e posfácio da atriz Fernanda Montenegro.

Confira a capa do livro:

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Joaquem Maria Machado de Assis (1839-1808) nasceu no dia 21 de junho, há 183 anos, no Rio de Janeiro, mais precisamente no Morro do Livramento , em uma família humilde - o pai era pintor de paredes e a mãe, lavadeira. Machado é conhecido como "bruxo do Cosme Velho", um epíteto que ganhou força no meio literário quando Carlos Drummond de Andrade publicou o poema: "A um bruxo, com amor", no qual o poeta fez referência à casa da rua Cosme Velho, situada no bairro de mesmo nome, no Rio de Janeiro, onde morou Machado de Assis

Grande nome do movimento Realismo, trabalhou também como jornalista e  produziu romances, crônicas, poesia, contos, teatro e é considerado o maior escritor brasileiro do século XIX. Confira uma lista com alguns dos principais livros de Machado:

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Dom Casmurro

Narrado em primeira pessoa por Bento Santiago, o protagonista conta sobre suas memórias desde a infância até a vida adulta. O foco da narrativa é a ida de “Bentinho” para o seminário católico e sua paixão pela jovem Capitu. Dominado pelo ciúme, ele acredita que a esposa o traiu com o seu melhor amigo, Escobar - o que até hoje segue sendo um dos maiores enigmas da literatura brasileira.

O romance foi adaptado pela TV Glogo e originou a série Capitu (2008), diririgda por Luiz Fernando Carvalho

A Mão e a Luva

A Mão e a Luva conta a história de Guiomar, uma moça ambiciosa que deseja ascender socialmente. Três rapazes pedem a mão dela em casamento, Estevão, Jorge, e Luis Alves. O primeiro a ama, o segundo nutre certa paixão, e o terceiro vê a oportunidade de um matrimônio bem-sucedido. Influenciada pela madrinha baronesa e a empregada, Senhora Oswald - Guiomar terá que escolher entre o amor e a ambição.

Memórias Póstumas de Brás Cubas

Narrado em primeira pessoa, o livro começa com a dedicatória “Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver, dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas”. O protagonista conta sua sobre sua vida, desde o nascimento até a morte. Brás Cubas estudou em Coimbra, teve duas grandes paixões e dedicava seus dias a desfrutar dos privilégios de ter nascido em uma família rica. Em 2001, a obra ganhou um filme estrelado por Reginaldo Faria, Sônia Braga e Otávio Muller.

Contos Fluminenses

Foi o primeiro livro de contos publicado por Machado de Assis, em 1870. Sete histórias compõem o volume, todas se passam na cidade do Rio de Janeiro. A mais popular delas é “Miss Dollar”, as outras são: “Luís Soares”, “A mulher de preto”, “O segredo de Augusta”, “Confissões de uma viúva moça”, “Linha reta e linha curva” e “Frei Simão”.

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A procura por livros não acabou, apesar de muitas livrarias terem fechado durante a pandemia da covid-19 no Brasil. Isolados por pouco mais de um ano, os brasileiros tiveram que reestruturar seus hábitos e a leitura tornou-se parte da rotina de muitos deles. As tags booktok e bookgram ganharam força nas redes sociais, principalmente entre os mais jovens, que tiveram um incentivo para começar a ler.

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Há quem acredite que as redes sociais afastam as pessoas de atividades saudáveis, como ler e passear ao ar livre. Mas com o uso apropriado, as ferramentas digitais revolucionam e contribuem para o estímulo à leitura e à criatividade de jovens e adultos.

Durante a pandemia, o TikTok teve seu momento de ascensão no Brasil e no mundo. A rede social que é famosa por seus "challenges" vai muito além das dancinhas do momento; o Tiktok é composto por nichos dos mais variados gostos. Booktok é uma comunidade do aplicativo voltada para os leitores, onde os usuários podem compartilhar suas experiências literárias e provocar o interesse de outras pessoas.

Atualmente a tag #booktok conta com cerca de 51,1 bilhões de visualizações em todo o mundo; no Brasil os números ultrapassam os 3 bilhões. Os vídeos da rede social fizeram sucesso por usarem a linguagem do público jovem sobre um assunto que é visto como obrigação acadêmica. Além dos usuários fazerem lives para os seguidores lerem ao mesmo tempo, durante um período de isolamento social.

A estudante Maria Clara Pitangui, 18 anos, conta que voltou a ler durante a pandemia após ver vídeos no TikTok em que os usuários contavam histórias como se tivessem acontecido com eles e no final revelavam que era de determinado livro. “Eles te instigam a ler o livro”, falou.

É o caso também de Bianca Santos, estudante do ensino médio. Aos 18 anos, Bianca acompanha as principais tags literárias do Instagram e do TikTok. "Eu sempre via trechos de alguns livros lá e acabei me interessando por um em específico e depois comecei a ler vários", conta. Desde o início da pandemia, a estudante estima que leu mais de 60 livros e afirma que o hábito a ajudou a escrever melhor.

Foi por meio dessas tags que influenciadores e livrarias encontraram uma forma de criar e divulgar conteúdo literário e continuar trabalhando, apesar da pandemia. A jornalista paraense Thamyris Jucá, 34 anos, revela que produzir conteúdo literário lhe traz grande satisfação. "O meu projeto surgiu durante a pandemia e digo com segurança: foi a salvação da minha saúde mental", conta a jornalista. Suas páginas no TikTok e no Instagram (@thammyreads) têm mais de mil seguidores. Thamyris divulga suas resenhas literárias, unboxings e tour por livrarias.

Fora do Tiktok, a comunidade de leitores também está em alta no bookgram, na rede vizinha. Kamila Monteiro, 28 anos, é criadora de conteúdo há cinco anos. Em 2017 a estudante de Pedagogia decidiu criar um perfil no Instagram (@kamonmila) para ter contato e troca com outros leitores, e desde então segue produzindo conteúdos literários para 10 mil seguidores. Kamila está tentando profissionalizar o perfil. Ela posta dicas, curiosidades e resenhas literárias em parceria com editoras e autores.

A influencer relata que se sente pressionada pela exigência de constância da plataforma. O algoritmo não perdoa. Alguns dias sem conteúdo já significa baixo engajamento e os criadores de conteúdo precisam de bons números. Kamila conta que já consegue lidar bem com isso e hoje respeita o tempo que precisa ficar sem criar novos posts, apesar do reflexo nos números. “A saúde mental precisa vir primeiro, principalmente porque ainda não tiro remuneração do meu perfil”, disse.

A estudante conta que a leitura sempre esteve presente na sua vida e em muitos momentos os livros foram seus melhores amigos. “É algo fundamental pra mim, me ajuda a ter novas percepções, entender outros pontos de vista, ser mais tolerante, enxergar o outro com um olhar diferente”, diz.

Kamila defende a importância das redes sociais no incentivo à leitura. Para ela, durante a pandemia, muitas pessoas se sentiram acolhidas e resgataram o hábito pela facilidade da abordagem utilizada pelos internautas. “A escola empreende a literatura enquanto instrumento de prova, e não por prazer ou hábito. Sempre terá aqueles que não gostem, isso é normal. Mas impor uma leitura de avaliação afasta ainda mais os jovens, e nas redes o processo é o inverso”, afirma.

Wattpad e os estigmas da leitura

Afinal, só é leitor de verdade quem lê os clássicos da literatura? Thamyris Jucá diz que não. Ela acredita que esse pensamento afasta os leitores e cria uma barreira. "Todo mundo tem capacidade de ser leitor e pode ler o que quiser, sem julgamentos, sem pressões. O importante é adquirir o hábito e investir nele um pouco a cada dia", disse a jornalista.

Mas ainda há uma dose de preconceito em relação às fanfics, histórias criadas de fãs para fãs de algum universo, literário ou não. A linguagem mais atual e mais simples dos contos acaba gerando interesse nos jovens pela leitura. Foi o caso de Kamila Santos, estudante de 18 anos. Ela diz que muitos livros publicados como fanfics acabam sendo vendidos por editoras depois, como "Crepúsculo", da autora Stephenie Meyer. "Eu acho que quando a gente tem uma média de leitura de apenas 2 livros por ano, acaba que qualquer incentivo é válido", disse a estudante, quando perguntada sobre a visão de que fanfic não é leitura de verdade.

A fanfic é considerada gênero textual digital e é tema de debate em muitos trabalhos acadêmicos e entre professores de língua portuguesa. Em sua defesa de mestrado no Instituto de Letras da Universidade Federal Fluminense (UFF), Adriana Campos diz que é fundamental que o aluno entenda as variações dos textos falado e escrito. Em seu trabalho publicado na internet, Adriana diz que a fanfic "trata-se de um fenômeno contemporâneo, com adesão do público jovem nos meios digitais, permitindo interatividade e incentivando a criatividade do autor", e que por isso serviria de relevante ferramenta de ensino.

E para ajudar nesse incentivo, o Wattpad conta com milhares de livros publicados por autores independentes. Foi nessa comunidade que Maria Cristina Freire, recepcionista de um hospital em São Paulo, conheceu Jahmilly, estudante de Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal do Pará (UFPA). Tudo começou em 2017, quando uma autora que Cristina acompanhava migrou para o site e um grupo de leitura foi criado para discutir a obra. Cristina conta que havia perdido a vontade de ler, mas que a comunidade do Wattpad reacendeu esse hábito, além de ter feito novas amizades. Apesar de não lerem mais fanfics como antes, as amigas concordam que foi o que expandiu o gosto literário delas.

Falta de representatividade nacional

Apesar das redes sociais terem alavancado o mercado dos livros, ainda há poucas obras brasileiras na roda. A maior parte dos livros indicados são estrangeiros, como os da autora queridinha do TikTok, Colleen Hoover. A empreendedora Caroline dos Santos Lima, 23 anos, é uma leitora voraz e diz que os livros indicados nas tags são muito repetitivos. "Tem tantos livros nacionais incríveis que não tem tanta visibilidade. Claro que é legal ler os livros do hype, mas também é bom sair um pouco deles e explorar, tem tanta opção", conta.

Na lista dos 25 best-sellers mais vendidos no Brasil em 2021, divulgada pela Amazon, apenas quatro livros são nacionais, apesar de ocuparem posições elevadas. Em primeiro lugar, "Torto Arado", do escritor e geógrafo Itamar Vieira Junior, também é divulgado nas redes sociais, e retrata a vida no sertão baiano, a partir da história de duas irmãs. Em 2020, a posição foi ocupada pelo "Pequeno Manual Antirracista", da filósofa Djamila Ribeiro.

Jahmilly discorda da afirmação de que livros estrangeiros são mais interessantes e diz "tem muito livro bom nacional que acaba não tendo reconhecimento e os da gringa tomam esse título". A estudante Kamila Macedo, 18 anos, afirma que não vê muitas editoras investindo em livros nacionais. “Normalmente a gente encontra mais autores independentes, então, para um público maior, fora das redes sociais, acaba sendo bem mais complicado saber mais sobre esses livros". E acrescenta: "Eu acho que crescemos com a ideia de sempre esperar o melhor de outros países, e isso não se trata apenas de livros, mas de diversas coisas se tratando de arte".

Mas, afinal, por que o brasileiro lê pouco?

Segundo dados da pesquisa “Retratos da leitura no Brasil”, divulgada em 2020, o Brasil perdeu cerca de 4,6 milhões de leitores entre 2015 e 2019. A pesquisa, realizada pelo Instituto Pró-Livro em parceria com o Itaú Cultural, revela que a média de livros lidos inteiros por ano é de 2,5 livros por pessoa. A pesquisa também aponta que o número de não leitores diminui de acordo com a renda familiar e com a classe social.

Para a pedagoga Ingrid Louzeiro, os brasileiros não leem porque não têm incentivo desde criança. Ocorreu com Jahmilly. A estudante conta que não teve incentivo em casa e foi na internet que descobriu a paixão pela literatura. Jahmilly lembra de quando começou a ler. Apesar de gostar de livros físicos, não tinha como comprar muitas unidade. Na internet ela conheceu comunidades de leitores que compartilham livros digitais e pôde expandir seus gostos. “Comecei a ler pela internet, em blogs e wattpad, depois entrei em grupos e segui perfis nas redes sociais sobre o assunto”, contou.

Segundo Kamila Monteiro, a falta de incentivo e de metodologia eficaz e apropriada dentro das escolas é determinante para o baixo índice de leitura do país. “Dois tempos de literatura no ensino médio não incentivam de fato a leitura, e também o preço dos livros não colabora. Livros são artigos de luxo, há uma ideia de que leitura, cultura e educação são privilégios e não direitos”, afirma.

Para a Ingrid, é preciso ter projetos educacionais dentro e fora das escolas que incentivem e estimulem a leitura desde cedo nos brasileiros. Kamila defende a necessidade de políticas públicas por parte do governo e uma revisão de como a literatura e a leitura são inseridas nas escolas. “Não dá pra achar que apenas os bookstans (fãs que acompanham determinada saga ou autor de livros) conseguem de fato converter leitores”, finalizou.

Por Álvaro Frota e Jéssica Quaresma (sob a supervisão do editor prof. Antonio Carlos Pimentel).

 

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Embora possa ser desenvolvida de maneiras diferentes, a escrita permite que a imaginação das pessoas seja estimulada e que grandes histórias sejam contadas, inclusive no universo das fanfics. Com origem no termo inglês fanfiction, fanfic significa “ficção de fã”. Como o nome diz, as histórias são criadas por fãs e são inspiradas em tramas e/ou personagens que já existem, artistas, entre outros.

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Atualmente, esse estilo de literatura tem crescido cada vez mais, principalmente na internet, graças às plataformas criadas para a leitura de fanfics e por causa das redes sociais. A estudante de Letras e escritora Daniela Alves, de 29 anos, conheceu as fanfics de modo inusitado, enquanto pesquisava sobre a banda sul-coreana BTS, e começou a escrevê-las em 2017.

Na época, Daniela percebeu que a maioria das fanfics possuía a mesma temática e o conteúdo era bom, mas notou também a falta de contextualização dos personagens e do ambiente. Por esse motivo, a escritora quis escrever algo parecido, porém de forma leve e mais próxima da realidade. “Outra motivação foi o fato de não encontrar fanfics que tinham Belém como cenário e, claro, a minha recente paixão pelo BTS”, conta.

Daniela escreve fanfics de romance com um pouco de ação e erotismo, e afirma que ama escrever sobre os cenários, porque, além de descrevê-los, gosta de fazer com que o leitor consiga se imaginar nos lugares. Apesar de não ler mais, a escritora relata que encontrou uma autora de fanfictions do BTS que aborda temas relevantes sobre autocuidado e tem buscado a reconexão com o mundo das fanfics.

Além do grupo de k-pop, as maiores inspirações de Daniela eram Belém, as frutas e comidas típicas da cidade. Ela revela que o seu desejo era atravessar fronteiras e mostrar a capital paraense a partir de uma perspectiva romântica e real do que temos. “Atualmente, o que me inspira são os meus pensamentos agitados que a cada instante querem falar”, diz.

A escritora acredita na contribuição das fanfics para a formação de novos autores e leitores, e destaca que existem escritores maravilhosos que abordam a depressão, preconceito, desigualdade social e outros temas importantes que precisam de visibilidade e aceitação maiores.

Além disso, Daniela relata que existe um preconceito em relação ao gênero pelo fato de autores de fanfics usarem artistas (rosto e corpo) como base para os personagens, desqualificando a criatividade dos escritores. “Muitos jovens estão ali, produzindo e consumindo histórias incríveis. Temos que incentivar ainda mais essa leitura, mostrar os vários gêneros textuais e literários que existem e visibilizar essas mentes criativas em ascensão”, afirma.

Daniela encoraja a expressão da criatividade e dos sentimentos daqueles que pensam e têm vontade de escrever fanfics. “Não escreva pensando ou se preocupando com o que as outras pessoas irão falar ou pensar de ruim sobre sua história, pois isso pode travar o seu processo criativo. Veja a escrita como algo leve e que vá satisfazer sua paixão”, incentiva a escritora.

A estudante de Publicidade e Propaganda Vitória Gonçalves, de 21 anos, escreve fanfics desde 2017 e o que a motivou foi o gosto pela leitura. Além disso, ela conta que costumava imaginar histórias e a partir disso começou escrever as ideias que tinha no papel. 

Vitória relata que gosta de todas as partes do processo de escrita, principalmente da criação de uma história, e que se empolga bastante com as ideias. A escritora também consome fanfics e relembra que leu muito durante a pandemia. Além disso, ela fala sobre suas inspirações. “As ideias surgem de repente na minha mente, mas às vezes me inspiro em filmes, livros, séries e letras de músicas para escrever uma fanfic”, revela.

A escritora acredita que as fanfics possuem grande relevância e que podem estimular o surgimento de novos autores e leitores no mundo literário. “A escritora Anna Todd, por exemplo, começou a sua carreira em 2013, publicando uma fanfic do cantor Harry Styles no Wattpad, que é uma plataforma exclusiva para quem gosta de ler e escrever fanfics. E atualmente é uma autora de grande sucesso”, exemplifica.

Vitória também incentiva os que têm vontade de se aventurar com a criação de fanfics porque ela estimula a criatividade, ajuda a aprimorar a habilidade da escrita e melhora o humor, e os reforça a acreditarem no seu potencial. “Eu acredito que todos nós temos capacidade de criar uma história e que a imaginação faz parte da nossa essência”, afirma.

A partir dos enredos nos quais pensava e gostava, a estudante de Jornalismo Gabrielle Almeida, 19 anos, começou a escrever fanfictions em 2016. A escritora revela que gosta de todas as etapas do processo de escrita de uma história, mas principalmente do desenvolvimento dos personagens. “Eu gosto de pensar o que vai acontecer com cada personagem”, destaca.

Além de escrever fanfics de romance, Gabrielle conta que lê histórias do mesmo gênero e também gosta de ler fantasia. Assim como Vitória Gonçalves, a escritora também busca inspirações nos livros, filmes e músicas, e afirma a contribuição das fanfictions para a literatura.

“A princípio, quando começamos a escrever uma história, eu diria que é mais como um hobby, mas a partir do momento em que vemos que gostamos de escrever, por que não investir nisso? Inclusive muitas autoras de fanfics estão investindo em ter seus livros físicos”, aponta Gabrielle.

A escritora deixa um recado para aqueles que pretendem investir na criação dessas histórias: “Apenas faça. Se você tem um bom plot (enredo), apenas escreva. Acho que escrever fanfics é uma forma de ter uma melhora gramatical e ter mais criatividade”.

Conheça os perfis das autoras:

Daniela Alves – Instagram: @danyalvessz

Vitória Gonçalves – Instagram: @citedbts / Wattpad: @citedbts

Por Isabella Cordeiro, com apoio de Even Oliveira (sob a supervisão do editor prof. Antonio Carlos Pimentel).

 

Em junho, é comemorado o Mês do Orgulho LGBT+. Segundo o IBGE, no Brasil cerca de 2,9 milhões pessoas com 18 anos ou mais se declaram como gays, lésbicas ou bissexuais. Para comemorar, o Leia Já separou uma lista de livros LGBTQIA+, veja:

Membro do trio clássico da sociologia, ao lado de Durkheim e Marx, Weber foi crucial para o desenvolvimento da teoria social. A leitura do alemão Max Weber (1864-1920), cuja morte completou 102 anos ontem, não é simples, pois sua obra abarca temas diversos. Desde análises de estruturas agrárias do Império Romano ao protestantismo irradiando em organizações culturais, penetrando em diferentes formas de manifestações culturais.

Partindo da premissa que as ideias determinam também as condições sociais e econômicas, a contribuição de Weber é fundamental para a compreensão do que é o capitalismo, sendo esse mais do que uma estrutura econômica, mas um novo tipo de sociedade. Sociedade essa que se destaca por sua administração burocrática e uma racionalização perversa de todos os setores da vida.

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Na matéria de hoje, separamos cinco leituras essenciais para a compreensão da obra de Max Weber, confira: 

História agrária romana

Ao analisar as relações agrárias no Império Romano, Weber se ocupa de suas implicações jurídicas: formas de assentamento, proteção da propriedade da terra, divisão da posse e contatos firmados entre produtores e proprietários. O livro ajuda a entender as posteriores formas de transição das reformas agrárias europeias.

A ética protestante e o espírito do capitalismo

Weber estuda o impacto do protestantismo e do catolicismo na economia. Para o protestantismo, os homens são predestinados, mas só alguns vão para o céu. Por isso, cada homem se vê obrigado a encontrar algum alívio psicológico que lhe permita acreditar que é um dos escolhidos. Esse alívio era dado pela glorificação de Deus por meio do esforço produtivo. Ao contrário do catolicismo, que submete o homem à vida monástica, para o protestantismo a salvação depende do trabalho, que legitima a riqueza daí advinda. O espírito do capitalismo é a consequência não intencional do ascetismo protestante.

A política como vocação

É uma conferência de 1919, quando a política nacional socialista já começava a afrontar a liberdade de pensamento. Weber vê o Estado moderno como exercício do monopólio legítimo da violência e mostra como a ação política às vezes se desconecta de seu sentido original.

Economia e sociedade  (capítulos relativos à sociologia jurídica)

Obra póstuma e densa. Weber analisa a passagem, no Ocidente, de um sistema social em que as normas eram impostas pela Igreja para um tipo de sociedade laica. Duas indagações são centrais nesses capítulos. De onde o direito extrai a sua obrigatoriedade? Quais são os fundamentos de validade da ordem jurídica?

Economia e sociedade (capítulos relativos à sociologia política)

Um dos destaques da análise é a burocracia, vista como forma de domínio. Ela atingiu seu mais alto grau de racionalidade no Estado moderno, graças à divisão de funções, seleção meritocrática de pessoal e ordem hierárquica. Segundo Weber, a burocracia impessoal permitiu ao capitalismo se desenvolver, mas fugiu ao controle.

Por Matheus de Maio

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Trazendo registros da observação do mundo ao seu redor, a doutora e mestra em Antropologia Marcilene Silva da Costa lança o seu livro de estreia no mundo da poesia, nesta quarta-feira (15). “Amazina, poemas de chuva”, publicado pela Editora Folheando, carrega o olhar da autora sobre os modos de existência das populações periféricas da Amazônia brasileira.

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Marcilene começou a organizar a obra durante a primeira onda da pandemia da covid-19, época em que morava em Toulouse, na França. Longe da família e com as fronteiras fechadas, a antropóloga retomou a forma de escrita que mais a agrada – a poesia. “Sentia urgência de registrar a forma como observava o mundo. A obra representa eu me assumir como escritora e perder a vergonha de mostrar meus textos”, revela.

Também pesquisadora, natural de Santa Isabel do Pará, Marcilene explica que a obra apresenta as populações amazônicas de maneira humanizada e que abordá-las é um jeito de mostrar a pluralidade delas, a partir da perspectiva de uma autora que nasceu no interior. Marcilene conta que também desejava mostrar personagens e enredos que conheceu na infância através de histórias que sua mãe contava.

Marcilene diz que a poética de "Amazina" tem origem africana e celebra a vida e a beleza presente em cada um de nós. Segundo ela, o escritor congolês Jean Kabuta realizou um estudo comparativo de literaturas orais e identificou uma narrativa descritiva de experiências de vida como forma autêntica de conhecimento, que consiste na interação entre escrita e oralidade. 

“A prática inspirou bastante minha escrita, visto que o autor me tocou muito quando afirmou que devemos criar poesias confiando em nós mesmos e também nas pessoas que nos rodeiam sem competições sociais”, complementa Marcilene.

A autora relata que a parte do processo de produção do livro da qual mais gostou foi repassar os poemas que escreveu para o computador. Marcilene trabalha escrevendo as ideias e o tema dos poemas nos vários cadernos de anotações que possui. “Também gostei muito do momento de retorno da leitura dos textos. Eu decidi trabalhar com leitoras beta (leitor beta é a pessoa que lê um livro em primeira mão, antes da publicação). Escolhi quatro mulheres para lerem e criticarem a obra antes da produção final”, conta.

Marcilene também revela o que espera a partir do lançamento do seu livro e quais resultados pretende que ele atinja. “Que mais autoras com fenótipo semelhante ao meu e de origem das classes populares escrevam e publiquem livros”, finaliza.

Sobre a autora

Marcilene Silva da Costa é natural de Santa Isabel do Pará, uma cidadezinha na qual o improvável e fictício são vividos e celebrados no cotidiano. Gosta de lidar e brincar com palavras. Acredita e trabalha pela democratização da leitura e escrita como direito fundamental para populações marginalizadas. Pesquisa e ensina sobre racismo, opressões interseccionais e descolonização do pensamento. Doutora em Antropologia pela Universidade de Toulouse, França, e mestra em Antropologia pela Universidade Federal do Pará, Brasil, é do Norte e está no Norte. Atualmente, mora em Montreal, Canadá.

Serviço

Lanlamento de "Amazina, poemas de chuva".

Data: 15 de junho de 2022.

Hora: 19 horas.

Local: Sede da Academia Izabelense de Letras, Colégio Antônio Lemos.

Endereço: Avenida Antônio Lemos, Santa Isabel do Pará, 68790-000.

Compre o livro aqui: Editora Folheando.

Contato e informações:

 E-mail: ezili.marci@gmail.com

Instagram: @marciezili (https://www.instagram.com/marciezili/?hl=fr)

 

Fernando Pessoa (1888-1935) nasceu em 13 de junho de 1888, no Largo de São Carlos, na cidade de Lisboa, em Portugal. Filho de Joaquim de Seabra Pessoa e Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa. O escritor passou a maior parte de sua infância em Durban, colônia britânica localizada na África do Sul, onde seu padrasto era cônsul português.

O pai de Fernando morreu de tuberculose quando ele ainda tinha cinco anos de idade. Conforme biografias e estudos sobre a vida do autor, Pessoa era tímido, mas inteligente, bom aluno e dono de grande imaginação. Começou a escrever poemas ainda quando criança, seu primeiro escrito data de 1895, aos sete anos de idade.

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Pessoa ingressou no curso de graduação em Letras, em Lisboa. Anos depois viria a abandonar o curso, pois preferia estudar por conta própria na Biblioteca Nacional. Ainda jovem, cerca de 22 anos, Pessoa já escrevia em Português, Inglês e Francês, produzindo obras em prosa e poesia. Começou a atuar como crítico literário e redator em revistas, tendo chegado ao cargo de diretor em algumas delas.

Fernando Pessoa é considerado um modernista, sendo ele um dos escritores que iniciaram o movimento em Portugal, junto a nomes como Almada Negreiros, Mário de Sá-Carneiro, Luís de Montalvor, Ronald de Carvalho e outros. Ajudou a fundar a revista Orfheu, mídia responsável por divulgar ideias modernistas em Portugal e, posteriormente, no Brasil.

Uma das características principais na obra e poesia de Fernando Pessoa é o uso da heteronímia, recurso usado por escritores ao escreverem textos assinando com outros nomes. Essa ferramenta permite ao autor desdobrar características do “eu”, como a personalidade, identidade, sinceridade, fingimento e outros.

Os heterônimos de Pessoa apresentavam personalidades próprias: características físicas, atividades específicas, visões políticas e religiosas particulares. Tal multiplicidade de visões de mundo tornou a obra de Pessoa universal, se relacionando em um nível representacional com diferentes formas de se enxergar o mundo. Três deles eram mais usados pelo poeta: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos

Por Matheus de Maio

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O romance “A dama das camélias" é, sem dúvida, uma das mais belas e comoventes narrativas da literatura. Seja pelo seu enredo dramático, seja pelas descrições e riqueza de detalhes (tanto de paisagens quanto de sentimentos), tal obra encontrou lugar no cânone literário. O texto de Dumas Filho, que narra a saga de amor trágico vivida pelos personagens, é um dos mais aclamados ao redor do mundo. Como uma obra tão ovacionada poderia ter alguma alteração?

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Em “Sob o olhar de Camille”, a escritora paraense Caroline Lucena não propõe mudanças no presente ou no passado da narrativa, mas coloca a visão de Marguerite Gautier sobre todos os acontecimentos como foco da trama. Releitura que evidencia o feminino acima de tudo, o projeto surgiu como um anseio da autora em responder ao final da cortesã no clássico original.

“Marguerite será vista não como sublime, vaporosa, diáfana e tantas outras definições líricas surreais (diferindo-se ainda por seu sacrifício outorgado), mas tal uma moça legítima, que sofreu como muitas e amou como poucas, que errou na justa medida de sua conversão, que possuiu uma história além daquela entrelaçada ao sobrenome Duval, que possuiria um futuro, acaso lhe houvessem permitido viver. Licença poética? Deveras”, explica a autora.

No mundo literário, Caroline produz os chamados “dramas de época”, textos com ambientação histórica diferenciada, em cada página revelando o caráter atemporal de emoções. “Sob o olhar de Camille” é a releitura da obra-prima de Alexandre Dumas Filho e traz o sagrado coração da mulher como protagonista. O livro está disponível em pré-venda no site da Editora Voz de Mulher.

Sobre a autora

Nascida em Belém do Pará, Caroline Lucena aprendeu ainda na infância a brincar e compor narrativas, encontrando nas palavras a personificação da vida. Formada em Psicologia pela UNAMA - Universidade da Amazônia, divide o amor de sua profissão com o universo das artes. Dentre ficção de época, crônicas e experiências líricas, atualmente possui quatro romances ("Olympic", "Preços e paixões", "Cartas no assoalho" e "A última pétala de Bougival"), duas coletâneas ("15 ensaios sobre o amor" e "Aforismos & reminiscências") e oito textos publicados em antologias, além de um projeto fotográfico na revista Toró Editorial e no mural colaborativo Voz & Verso.

Por Matheus Mascarenhas, especialmente para o LeiaJá.

 Às 19h desta quarta-feira (8), as escritoras Tereza Sá (BA) e Ezter Liu (PE) e as fotógrafas Raíça Bomfim (BA) e Mariana Souto (PE) participam de um debate sobre a resistência das mulheres no campo da artes, em especial, da literatura. O encontro acontecerá de forma virtual e será transmitido ao vivo no canal do Youtube da coletânea literária Profundanças, cuja terceira edição chega ao segundo mês de circulação.

Para receber certificado, o público participante deverá se inscrever no evento através do site www.profundancas.com. A programação do Profundanças 3 inclui ainda, das 14h às 17h do sábado (11), uma oficina ministrada por Liu, voltada para mulheres cis e trans interessadas em produzir poesia. A atividade dispõe de 40 vagas e será realizada através da plataforma online Zoom.

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“Espero instigar essas mulheres a produzirem o seu conteúdo, a escantearem as suas impostoras, a se colocarem no mundo através da palavra. Fazer esse encontro feminino e feminista, com ares de revolução, para mim é incrível”, conta Ezter.

Sobre Profundanças e a Circulação

A circulação celebra oito anos do circuito editorial Profundanças, um projeto literário e fotográfico independente criado na Bahia em 2014 pela professora e poeta baiana, Daniela Galdino, e que em três antologias elaboradas de forma completamente colaborativa, já publicou poemas de 51 escritoras, da Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte e São Paulo. No início de maio, foi lançado o site www.profundancas.com, onde é possível baixar todos os livros gratuitamente, conhecer mais sobre as escritoras de Profundanças e ainda consultar as críticas acadêmicas que abordam a antologia.

Para este ano de 2022, após aprovação pelo Fundo de Cultura da Bahia, o projeto realiza entre maio e agosto a Circulação Profundanças: Mulheres em Diálogo, a fim de mobilizar o público por meio de plataformas virtuais, promovendo diálogos sobre mulher, literatura, resistência e mercado editorial, além da dimensão formativa do projeto que são as oficinas. Ao todo, são quatro rodas de conversa e quatro oficinas, uma a cada mês.

O projeto Circulação Profundanças - Mulheres em Diálogo busca trazer o público para mais perto da proposta da antologia Profundanças. Foi contemplado pelo Edital Setorial de Literatura 2019 e tem apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda, Fundação Cultural do Estado da Bahia e Secretaria de Cultura da Bahia. A produção é da Voo Audiovisual. Mais informações podem ser acessadas nas redes sociais em @profundancas.

SERVIÇO:

Dia 08 de junho, às 19h, no Youtube.com/profundancas

Roda de Conversa “Mulheres em Profundanças”, pautando a resistência de mulheres no campo das artes.

Dia 11 de junho, às 14h, no Zoom: Oficina gratuita “Criação poética para mulheres”, com a pernambucana Ezter Liu.

Por Camily Maciel

A primeira edição da Feira do Livro, na Praça Charles Miller, em frente ao Estádio do Pacaembu, em São Paulo, terá Mia Couto, Djamila Ribeiro, Ailton Krenak e Drauzio Varella entre os convidados da mesa literária. O evento, gratuito, ocorre entre os dias 8 e 12 de junho e é inspirado nos modelos de feiras de rua comuns em cidades como Lisboa e Madrid, nas quais os livros são expostos em parques e praças abertos à circulação do público.

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A intenção, segundo os organizadores, é propor novas possibilidades de ocupar o espaço público e histórico de São Paulo. A Feira vai ocupar uma área que geralmente é destinada de forma exclusiva ao estacionamento de carros, e as editoras e livrarias poderão dispor seus lançamentos e acervos em tendas espalhadas pela área, que estará fechada para o trânsito. Ao todo, são 120 editoras e livrarias e mais de 55 convidados das mesas literárias. Além do escritor moçambicano Mia Couto, a angolana Yara Nakahanda Monteiro, o francês Bill François e a espanhola María Dueñas são os convidados internacionais do evento. 

A abertura oficial será às 15 horas da quarta-feira (8) e terá a apresentação de um slam de poesias, seguido de uma mesa literária com Lilia Schwarcz e Mia Couto. As mesas e debates vão se dividir entre o palco da Praça, ao ar livre, e o Auditório Armando Nogueira, no Museu do Futebol. Temas como urbanismo, direitos humanos, ciência e política serão discutidos ao longo dos cinco dias. No domingo (12), no Dia dos Namorados, o amor será o foco da conversa entre a cantora Letícia Letrux e o escritor e pesquisador Renato Noguera.

Após dois anos sem o maior evento literário da América Latina, a cidade de São Paulo se prepara para receber a 26ª edição da Bienal Internacional do Livro. A CBL organiza o evento desde 1970 e este reencontro, pós-pandemia, acontece entre os dias 2 a 10 de julho no Expo Center Norte, em São Paulo. A venda de ingressos já se iniciou e podem ser adquiridos pelo site.

Os valores do ingresso estão entre 15 e 30 reais, com o menor valor sendo meia entrada. Comprando o seu ingresso até 30/06, você garante o benefício de resgatar cashback na bienal do livro. O ingresso é válido para apenas um dia do evento, porém, não precisa escolher o dia no ato da compra.

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A programação cultural do evento será dividida em seis partes:

Arena Cultural: Os visitantes terão a oportunidade de ter contato com autores de best-sellers, nacionais e internacionais, em bate-papos e palestras exclusivas;

Cozinhando com Palavras: O espaço proporcionará aos visitantes contato próximo com palestrantes, chefs, jornalistas e autores ligados ao ramo gastronômico. Além de palestras e mesas de autógrafos, os participantes ainda terão a possibilidade de assistir chefs fazendo receitas e degustá-las ao final de cada apresentação;

Espaço Infantil: O Espaço Infantil terá um programa educativo, com narração de histórias, breves oficinas temáticas e atividades de curta duração. Toda a programação será voltada para público geral. Porém, haverá repertório específico para o público escolar de todas as faixas etárias, assim como atividades para famílias;

Salão de Ideias: Com curadoria CBL e Sesc São Paulo, o espaço trará grandes nomes para gerar discussões atuais sobre questões de relevância social e cultural;

BiblioSesc (Praça da Palavra e Praça de Histórias): Com curadoria do Sesc, os espaços foram especialmente pensados para valorizar o livro e incentivar a leitura com espetáculos de música, literatura e contação de histórias. O espaço contará também com intervenções artísticas;

Espaço Cordel e Repente: O espaço contará com uma extensa programação com debates, palestras, shows, contação de histórias e apresentações artísticas relevantes ao tema. “Como se faz cordel”, “Como se faz xilogravura” e “Ilustração com referências na xilogravura";

Além disso, o evento contará com cerca de 170 expositores, com as principais editoras e livrarias presentes. Entre os destaques estão a Panini, Geek Point, Ciranda Cultural, The Gift Box, Comix, Companhia das Letras, A Grande Livraria, Amazon e muito mais.

A roda de conversa promovida pela Casa das Artes, na última terça-feira (24), por meio da Fundação Cultural do Pará, contou com a presença do escritor Denilson Monteiro, que esteve em Belém com o objetivo de concluir pesquisas e entrevistas para o novo livro que está escrevendo, "Ruy Barata, uma biografia”. Denilson é paraense e vive no Rio de Janeiro. O trabalho está sendo produzido desde 2020.

“Esse livro estava previsto fazer parte das programações centenárias do Ruy Barata, em 2020. Agora já tem boa parte escrita, eu precisei vir aqui pra Belém porque não teria sentido terminar o livro sem passar pelos locais por onde ele passou e visitou”, ressalta o escritor.

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Em sua obra, Denilson vai abordar os primeiros anos da vida de Ruy Barata, o convívio com a elite de Belém, sua vida em família, o interesse pela política como oposição à ditadura Vargas no Estado Novo e a seu interventor no Pará, Magalhães Barata, a eleição e mandato como deputado federal, a perseguição e as prisões durante a ditadura militar. Também fala de poesias e da parceria musical com o filho, Paulo André Barata, que resultou em várias composições de sucesso.

Ruy Barata nasceu em Santarém, Pará, em 25 de junho de 1920 e morreu em 23 de abril de 1990, em São Paulo. Mudou-se para Belém aos 10 anos, para estudar. Foi professor de Literatura da Universidade Federal do Pará (UFPA), historiador, advogado, político, jornalista e poeta. Iniciou a faculdade de Direito em 1938 e, por influência do pai, Alarico Barata, aos 26 anos entrou na política. Sua trajetória política é refletida em diversos poemas e estudos, como “Me trae una Cuba Livre/Porque Cubra libre está”.

Seu primeiro livro de poemas foi publicado em 1943, chamado de “Abismo dos Medos”, com apoio do poeta e romancista paraense Dalcídio Jurandir. Casou-se com Norma Barata, com quem teve sete filhos. Entre eles, Paulo André Barata, seu parceiro em várias canções, como “Pauapixuna”, “Esse Rio é Minha Rua” e “Foi Assim”. Essas se tornaram clássicos da MPB e foram interpretadas por vários cantores paraenses, como Fafá de Belém, que levou a obra do artista para todo o país.

Suas ricas obras inspiram e se encontram presentes até hoje nas mais variadas manifestações culturais. Em dezembro de 2020, comemorando o centenário do poeta, o Governo do Pará criou o “Ano Cultural Ruy Barata”, que compreende todas as manifestações culturais promovidas no Estado do Pará neste ano. Um ano antes, em 2019, Denilson foi convidado e iniciou sua pesquisa e escrita sobre o poeta.

O escritor conta que Ruy Barata era contra a exploração do homem e preocupado com as injustiças sociais e causas ambientais, especialmente na Amazônia. “Era um homem que, muito tempo antes de se falar, de se ter essa coisa da ecologia, já tinha uma preocupação com a devastação da Amazônia e, por conta disso, já era chamado de comunista mesmo antes de ser. Depois, ele, realmente, entrou para o Partido Comunista Brasileiro – PCB – e foi perseguido pela ditadura cívico-militar, foi impedido de fazer uma das coisas que ele mais gostava na vida, que era lecionar”, relata.

Denilson também ressalta sobre a vida boêmia do poeta e sua capacidade de envolver-se com os que estavam ao seu redor, independentemente da faixa etária, tratando todos de igual para igual. “Ele era uma figura muito importante, tanto que você vê busto e estátua pela cidade; terminal hidroviário com o nome dele. Ele tinha uma letra dele dizendo: ‘Eu sou de um país que se chama Pará’. Ele tinha orgulho de ser paraense”, diz.

Denilson Monteiro nasceu em 1967, em Belém. É autor das obras “A bossa do lobo: Ronaldo Bôscoli” (2011), biografia do jornalista e compositor Ronaldo Bôscoli; “Divino Cartola: uma vida em verde e rosa” (2013), fotobiografia do compositor Cartola; e “Chacrinha: A Biografia” (2014).

Por Amanda Martins, Juliana Maia, Lívia Ximenes e Clóvis de Senna (sob a supervisão do editor prof. Antonio Carlos Pimentel).

 

Nesta quarta-feira (25) é celebrado mundialmente o Dia do Orgulho Nerd, também conhecido como Dia da Toalha. Ao redor do mundo, essa data é usada para realizar atividades temáticas e recreativas envolvendo seus personagens e histórias favoritas, seja em filmes, quadrinhos etc. Mas, você sabe de onde vem esta data?

Existem dois motivos principais para o dia 25 de maio ser escolhido como o Dia do Orgulho Nerd pela comunidade. O primeiro é o livro “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, lançado em 1979, primeiro livro da série escrita por Douglas Adams e um marco na cultura nerd. No livro, acompanhamos a história da exploração espacial e extraterrestre do humano Arthur Dent.

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A toalha, no universo do Guia, é descrita como um dos objetos mais úteis em viagens intergaláticas, contando com funções além das óbvias. Pelo aspecto inusitado, a toalha tornou-se um símbolo para os amantes da obra. Logo após o falecimento de Douglas Adams, em 2001, os fãs saíram com toalhas na rua para homenageá-lo, isso aconteceu em 25 de maio. A partir deste dia a data ficou conhecida como Dia da Toalha.

Outro motivo da data está relacionado a Star Wars. Star Wars: Uma Nova Esperança, o primeiro filme da franquia de George Lucas, que estreou nos cinemas em 25 de maio de 1977. Assim, a data tornou-se importante para diversos amantes da cultura nerd.

Por Matheus de Maio

Honoré de Balzac (1799-1850), prolífico autor francês fundador do Realismo na literatura, nasceu no dia 20 de maio de 1799 em Tours, na França. Aos oito anos de idade, foi enviado para o Oratorian College de Verdôme, uma escola antiga que contava com disciplina severa e condições primitivas de aprendizado. Seu refúgio se tornou a literatura, porém, a leitura excessiva provocou em Balzac algum tipo de doença nervosa. Em 1913, após seu problema de saúde, a família de Honoré se mudou para Paris, onde o jovem completou seus estudos secundários em 1819.

Formado em Direito, Balzac recusou-se a entrar na profissão jurídica desapontando seus pais. Seu real sonho era seguir uma carreira literária, publicando obras. Seu pai lhe forneceu uma pequena mesada durante dois anos, com a condição de que ele teria de produzir uma obra-prima ou abandonar suas ambições.

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Balzac tornou-se editor, e em 1825 lançou as primeiras edições das obras Molière e La Fontaine, que não venderam muito bem. Obstinado, Honoré adquiriu um negócio de impressão com dinheiro que tomou emprestado, além de uma fundição de tipos (para a fabricação dos moldes de letras). Os empreendimentos de Balzac não foram bem sucedidos e sua breve carreira comercial terminou em 1828, deixando o autor com diversas dívidas.

Para apreciar e conhecer mais sobre o legado de Balzac, para a literatura mundial, confira a lista a seguir, com cinco indicações das principais obras do autor:

A mulher de trinta anos

A mulher de trinta anos foi escrito entre 1829 e 1842 e conta a história de uma mulher pressionada a se casar que, no entanto, num momento decisivo da vida chega a conhecer a liberdade, o que para o caso significa ter um amante. Uma  ligação que Balzac aplaude, mas que a sociedade pune. A obra retrata o ponto de vista do autor sobre a condição das mulheres casadas com homens, ele também critica que as mulheres casadas só conhecem os defeitos a meio das suas vidas de casais.

A Missa do Ateu é uma pequena história publicada em 1836. É um dos Scènes de la vie privée em A comédia humana. O personagem principal, Desplein, é um cirurgião de sucesso e um ateu. Seu antigo assistente e amigo é o Dr. Horace Bianchon. Um dia, Bianchon vê Desplein entrar na igreja de Saint-Sulpice e o segue. Ele vê Desplein sozinho assistindo a uma missa.

A duquesa de Langeais

A duquesa de Langeais é um romance escrito no ano 1834 que qual descreve o colapso virtual do mundo aristocrático francês, incapaz de superar a derrota infligida tanto pela Revolução como pelo desenvolvimento das próprias classes sociais e sua reordenação lógica, apesar da tão apregoada Restauração. A duquesa de Langeais, é uma mulher bela e fascinante cortejada por toda a sociedade parisiense. Está ambientada numa atmosfera de intensa frivolidade e amores trágicos. Neste ambiente, o nobre general Montrivau, homem duro, cativo na África, célebre por sua coragem pessoal, se apaixona pela duquesa Langeais, cujo casamento de conveniência impede que seu amor seja consumado.

O coronel Chabert

O coronel Chabert é um romance de 1832. Ela está incluída na série de romances de Balzac (ou Roman-fleuve) conhecida como A Comédia Humana, que representa e paródia a sociedade francesa no período da Restauração (1815-1830) e da Monarquia de julho (1830-1848). O Coronel Chabert se casa com Rose Chapotel, uma prostituta. O coronel torna-se então um oficial de cavalaria francês muito estimado por Napoleão Bonaparte. Após ter sido gravemente ferido na Batalha de Eylau (1807), Chabert é registrado como morto e enterrado com outras baixas francesas.

Pai Goriot

Pai Goriot é um romance de 1835  incluído na seção Scènes de la vie privée de seu romance sequencial “A comédia humana”. Situado em Paris em 1819, segue as vidas interligadas de três personagens: o velho que adora Goriot, um misterioso criminoso ocultista chamado Vautrin, e um ingênuo estudante de direito chamado Eugène de Rastignac.

Matheus de Maio

Nove de maio ficou marcado na história como o dia em que a Alemanha Ocidental ingressou na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) durante a Guerra Fria. Este período de tensão emergiu após a Segunda Guerra Mundial, quando americanos e russos, aliados e vencedores da Segunda Guerra (1939-1945), disputavam no xadrez da geopolítica a influência global de suas ideologias. Conheça cinco recomendações de leituras para você "mergulhar" neste período:

Guerra fria história e historiografia - Sidnei José Munhoz

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Guerra Fria: História e Historiografia promove uma reflexão acerca do conflito "Guerra Fria", evidenciando as relações de poder e seus desdobramentos que caracterizaram a política internacional no período de 1947 a 1991. Aborda diferentes debates relacionados às origens, ao desenvolvimento e ao desfecho do conflito a partir de um balanço de ampla produção historiográfica. O livro foi estruturado de forma a combinar a apresentação de reflexões teóricas adensadas e oferecer uma narrativa histórica dos eventos que conformaram a emergência, o desenrolar e o crepúsculo da Guerra Fria. A obra contempla o exame de temas relacionados à Segunda Guerra Mundial que influenciaram a emergência de conflitos entre os aliados, a Doutrina da Contenção, o Plano Marshall, a formação dos blocos capitalista e soviético, a intensificação e a mundialização dos conflitos, bem como a multiplicidade de diferentes aspectos que deram origem à conformação da Guerra Fria.

"Os últimos soldados da Guerra Fria: A história dos agentes secretos infiltrados por Cuba em organizações de extrema direita dos Estados Unidos" - Fernando Morais

No início da década de 1990, Cuba criou a Rede Vespa, um grupo ( 12 homens e duas mulheres) que se infiltrou nos Estados Unidos e cujo objetivo era espionar alguns dos 47 grupos anticastristas sediados na Flórida. O motivo dessa operação era colher informações com o intuito de evitar ataques terroristas ao território cubano. De fato, algumas dessas organizações ditas "humanitárias" se dedicavam a atividades como jogar pragas nas lavouras cubanas, interferir nas transmissões da torre de controle do aeroporto de Havana e, quando Cuba se voltou para o turismo, depois do colapso da União Soviética, sequestrar aviões que transportavam turistas, executar atentados a bomba em seus melhores hotéis e até disparar rajadas de metralhadoras contra navios de passageiros em suas águas territoriais e contra turistas estrangeiros em suas praias.

"Guerra Fria: Um Guia Para Entender Tudo Sobre O Conflito Mais Tenso Do Séc. XX" - Guilherme Hiancki Monteiro

O conflito entre superpotências que nós conhecemos como Guerra Fria representou para a humanidade aquele que pode ser considerado o momento mais tenso de toda a sua trajetória em toda a sua história. Como chegamos a essa situação? Quais foram os seus principais motivadores? Como o nosso mundo atual foi forjado pelo conflito mais perigoso de todos os tempos? Estas são as questões que o autor propõe durante o corpo do texto.

"Era dos extremos (O breve século XX)" - Eric Hobsbawm

Eric Hobsbawm, um dos maiores historiadores da atualidade, dá seu testemunho sobre o século XX: "Meu tempo de vida coincide com a maior parte da época de que trata este livro", diz ele na abertura, "por isso até agora me abstive de falar sobre ele". Na obra ele passeia sobre os principais acontecimentos do século até a queda do Muro de Berlim (que para ele, encerra o século passado antecipadamente) e abandona seu silêncio voluntário para contar, em linguagem simples e envolvente, a história da "era das ilusões perdidas".

"O espião e o traidor: O caso de espionagem que acelerou o fim da Guerra Fria" - Ben Macintyre

Seguindo os passos do pai e do irmão, Oleg Gordievsky se tornou oficial da KGB após frequentar as melhores instituições soviéticas. Porém, ao contrário deles, nutria uma secreta aversão pelo regime da URSS. Ele resolveu assumir seu primeiro posto da inteligência russa em 1966. Em 1974, tornou-se agente duplo do MI6, o serviço de inteligência britânico, e dez anos depois era o homem mais importante da União Soviética em Londres. Gordievsky ajudou o Ocidente a virar o jogo contra a KGB na Guerra Fria, expondo espiões russos, fornecendo informações de extrema relevância e frustrando incontáveis planos de espionagem. Ele foi fundamental para distensionar a relação com a liderança soviética, que estava cada vez mais paranoica com a possibilidade de um ataque nuclear dos Estados Unidos.

O MI6 tentou ao máximo proteger seu espião, nunca revelando o nome de Oleg para seus colegas da CIA. Só que a agência americana estava determinada a descobrir a identidade da fonte britânica privilegiada. Essa obsessão acabou condenando Gordievsky: o homem designado para identificá-lo era ninguém menos que Aldrich Ames, que se tornaria famoso por espionar secretamente para os soviéticos.

O poeta pernambucano Miró da Muribeca precisou ser internado em um hospital do Recife, nesta sexta (06), por conta de complicações em seu estado de saúde. Uma campanha que visa levantar fundos para custear o tratamento do escritor está disponível em suas redes sociais. 

Miró vinha se tratando em virtude do alcoolismo desde o início deste ano. Nesta sexta (06), uma postagem em seu perfil oficial no Instagram informou aos fãs sobre a nova internação. Em entrevista ao LeiaJá, Wellington de Melo, escritor e amigo do poeta, informou que ele está passando por exames na emergência de um hospital no Recife, "por conta de algumas comorbidades que possui", e aguarda por um encaminhamento.

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Enquanto isso, o poeta conta com a solidariedade do público. "Como ele não tem condições de trabalho ultimamente, os fãs e apoiadores podem ajudá-lo", disse Wellington. Um número de PIX foi disponibilizado e também é possível colaborar com a doação de luvas descartáveis, máscaras e álcool 70%. As informações estão no perfil oficial de Miró no Instagram. Já as doações em dinheiro podem ser feitas através do PIX: 341.126.264-87 - João Flávio Cordeiro da Silva.

 

Nesta sexta, 5 de maio, é celebrado o Dia da Língua Portuguesa. Que tal celebrar o quinto idioma mais falado no planeta, por cerca de 300 milhões de pessoas em todos os continentes e prestigiar a produção de autores nacionais, de difentes escolas estéticas e épocas? O Leia Já separou uma lista de livros para comemorar a data:

Primeiras Estórias- Guimarães Rosa

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Publicado em 1962, é composto por 21 contos ambientados numa zona rural não-específica. As narrativas curtas falam de temas diversos, como a busca pela felicidade, autoconhecimento e “as maneiras de se conviver com a inevitável finitude da vida”. Em 1994, um dos capítulos mais famosos do livro “A Terceira Margem do Rio”, foi adaptado para o cinema por Nelson Pereira dos Santos.  Em 1999, Pedro Bial também fez um filme inspirado em 5 contos da obra intitulado “Outras Histórias”.

Triste fim de Policarpo Quaresma – Lima Barreto

Policarpo Quaresma é um funcionário público, fluente em tupi-guarani e estudioso da cultura indígena. Ele acredita que o tupi-guarani deveria ser considerado a língua oficial do Brasil e quer provar para todos o seu ponto de vista. Publicado em 1915, o romance é considerado pré-modernista pelas características do nacionalismo. Além disso, a obra possui um filme “Policarpo Quaresma, Herói do Brasil”, lançado em 1998.

Ideias para adiar o fim do mundo – Ailton Krenak

Adaptação de duas conferências e uma entrevista realizadas em Portugal, entre 2017 e 2019. O autor é considerado um dos maiores pensadores indígenas. Nascido no Vale do Rio Doce, ficou conhecido por discursar na Assembleia Constituinte em 1987, quando pintou o rosto com a tinta preta de jenipapo na luta pelos direitos indígenas. No livro, ele critica o afastamento da humanidade da natureza e diz que ideia de adiar o fim do mundo é “sempre poder contar mais uma história”

Um solitário à espreita: Crônicas – Milton Hatum

Publicado em 2013, nesta obra o autor três vezes ganhador do Prêmio Jabuti expõe suas opiniões e visão de mundo sobre o futuro da literatura, os difíceis anos vividos sob o regime militar e a mudança de realidade das cidades grandes.

Por Maria Eduarda Veloso

 

 O Dia da Literatura Brasileira é uma homenagem e incentivo à leitura no país, comemorado anualmente no dia 1 de maio. No Brasil, a porcentagem de escritoras mulheres ainda é pequena se comparada aos escritores homens. Por isso, cada conquista feminina importa. Como a da escritora e jornalista, Karla Maria, que ganhou o Prêmio Guarulhos de Literatura em primeiro lugar na categoria “Livro do Ano” e em segundo lugar como “Escritora do Ano”, com sua obra “O Peso do Jumbo”. 

O livro apura histórias de dentro e fora dos presídios de São Paulo e Rio Grande do Sul, revela a humanidade e a falta dela no sistema que aprisiona sem expectativa de ressocialização e de combate ao crime. “Mulheres de chapinha no cabelo e havaianas nos pés dividem espaço com crianças e suas sacolas na fila na porta de um presídio masculino. Elas carregam alimentos, histórias e pecados alheios. É o peso do jumbo”, começa a sinopse do livro. 

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“Falamos de uma sociedade totalmente desigual (...) e hoje, em 2022 eu penso que,  nossa, eu escreveria isso diferente, escreveria melhor (...) eu nunca vou alcançar a perfeição da pesquisa e do meu texto”, afirma a jornalista e escritora Karla Maria sobre o processo de escrever o livro. 

Karla Maria participou da Feira Literária que ocorreu na Universidade Guarulhos, em 28 de abril, juntamente com outros escritores como Alex Francisco e Luciene Muller. No evento, houve a exposição dos livros de cada autor e uma palestra.  

Por Camily Maciel

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