O acaso transformou Juliana Pilão em jogadora de vôlei

Há 15 anos a atleta defende as cores do Sport Club do Recife no voleibol

por Natália Santos seg, 22/12/2014 - 13:21

“O começo não foi programado, muito menos planejado”. Juliana Elias resume bem a história. Quando tinha 17 anos, estudava em um colégio estadual e tinha o sonho de ser professora de educação física. Nunca passou pela cabeça se tornar uma atleta, mas assim quis o destino. Com dificuldades em uma matéria na escola, fechou um acordo com a professora de educação física. “Ela me disse que, caso eu participasse da uma peneira que estava tendo no Sport, ela me tirava das aulas e me deixava com mais tempo pra estudar. Mesmo sem querer, concordei e fui fazer o teste”, conta Juliana, que viu a vida mudar após participar da da seleção.

"Na época, nem sabia jogar vôlei. Gostava mesmo era de jogar futebol e brincar de queimado na rua”. No momento em que passou pelo teste físico, a superioridade foi comprovada. Enquanto as outras jovens que participavam da peneira conseguiam arremessar as bolas em, no máximo, 10 metros, Juliana alcançou uma distância de 20 metros, impressionando o treinador que realizara o teste. “Ele percebeu a força que eu tinha”, disse. Foi aí que surgiu o apelido “mão de pilão”, por conta da força que atingia no saque.

A partir daí surgiu o amor pelo voleibol. Assim que iniciou na escolinha, Jaqueline e Dani Lins – hoje, atletas da seleção brasileira de vôlei -, ainda treinavam no Leão da Ilha. Ver as jogadoras atuando despertou um grande sonho em Juliana Pilão. “Decidi que queria estar ali também, que queria jogar ao lado das meninas e defender as cores do Sport por onde eu fosse. As meninas que treinavam comigo riam quando eu falava isso e foi daí que tirei forças para me dedicar ainda mais”.

Motivada, a atleta começou a treinar mais e chegou a pedir ao treinador para ficar praticando mais algumas horas depois que o treinamento terminasse. Toda esta preparação lhe rendeu o resultado esperado. Em três meses, conquistou espaço na equipe juvenil do Leão. Seguia com a equipe nos campeonatos, até então, ficando no banco de reservas. Entrava apenas para fazer algumas funções. Mas o esforço foi compensado. “Depois de algum tempo, conquistei minha vaga de titular. Comecei a me destacar e sempre busquei e quis mais. Até que virei capitã do Sport. Cheguei a ser bicampeã juvenil”, relembra a jogadora de vôlei.

“Nada nunca veio de graça pra mim, por isso que sempre me emociono quando paro um pouco pra falar da minha trajetória. Sempre tive que correr atrás dos meus objetivos”. Pilão se fez uma promessa: colocou na cabeça que um dia jogaria uma superliga de vôlei. “Teve gente dizendo que eu não sairia nem de Pernambuco”, comenta sorrindo. O resultado é que, além de disputar a superliga, Juliana Elias Pilão ainda foi convocada para a seleção brasileira universitária e chegou a disputar o campeonato mundial em 2009. “Foi uma sensação maravilhosa. Sempre parava pra pensar: olha onde eu estou, olha onde eu cheguei”.

De jogadora a técnica de voleibol

Como ocorreu no início da carreira, virar treinadora também não estava nos planos de Juliana, mas aconteceu. “Sempre quis ser professora de educação física, mas nunca pensei que viraria técnica de vôlei”. Mas quis o destino, mais uma vez, que fosse assim.   

Em 2009, por curiosidade, começou a ajudar o professor Carlão nas escolinhas de vôlei do Sport. A única coisa que ganhava com a ajuda era experiência, coisa que Pilão considera muito importante. O professor precisou deixar a escolinha para assumir outro emprego e Juliana que, até então estava ali por curiosidade, assumiu o lugar do técnico. De lá para cá, se ausentou do comando da escolinha e das quadras por apenas um ano, quando teve problemas com antigos dirigentes do clube. Fato que Juliana não gosta de lembrar. Fica feliz mesmo é em falar do retorno: “Voltar para as quadras e treinar novamente as meninas foi a melhor coisa da minha vida”.

Foi necessário um recomeço. As escolinhas de vôlei do Sport já não estavam tão fortes quanto eram. “Gosto de desafios e decidi que passaria por cima desse”. Juliana Pilão, então, reabriu a escolinha e começou a preparar as meninas para disputar o Campeonato Pernambucano de vôlei. A atleta, que adora desafios, levou as jovens aspirantes a jogadoras ao primeiro lugar, conquistando os títulos do Pernambucano Mirim e Sub-15 de forma invicta em 2012.

 

Tetracampeã da Copa do Nordeste pelo Sport, Pilão sonha agora em voltar a jogar. “Não jogo por equipe nenhuma há um ano e meio. Parei por falta de investimento e patrocinador. O clube tem feito um grande investimento, mas para trazer reforços e disputar uma superliga, tem que ter verba e um projeto financeiro bom”, explica. Sempre sorridente e fazendo questão de reafirmar o amor que tem pelo esporte que mudou sua vida, Pilão reitera as maiores metas que deseja alcançar quando 2015 chegar: “Quero mesmo é continuar revelando atletas e voltar a disputar campeonatos pelo Sport”. Estes são os desafios que empurram Juliana Pilão em busca dos sonhos.

 

 

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