Brasil rejeita extradição de espião russo para os EUA

Segundo o ministro da Justiça Flávio Dino, ele seguirá preso no Brasil

qui, 27/07/2023 - 20:05

O Ministério da Justiça do brasil negou um pedido dos Estados Unidos para extraditar o espião russo Serguei Vladimirovich Cherkasov, preso em 4 abril de 2022, após ser deportado da Holanda com um passaporte falso brasileiro. O Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional considerou ‘improcedente’ a solicitação americana, feita em abril, por entender que Cherkasov já é alvo de pedido de extradição homologado pelo Supremo Tribunal Federal, só que para a Rússia.

A extradição de Cherkasov para seu país de origem foi homologada pelo STF em 17 de março. No entanto, a execução do pedido está suspensa em razão de uma previsão da Lei de Migração - quando o extraditando estiver sendo investigado no Brasil por crime punível com prisão, a entrega voluntária só pode ser executada após a conclusão do processo. Segundo o ministro da Justiça Flávio Dino, ele seguirá preso no Brasil.

Traficante

A entrega do espião russo foi autorizada pelo ministro Edson Fachin. Ele condicionou a extradição à conclusão de um inquérito da Polícia Federal em São Paulo que mira atos de espionagem no Brasil atribuídos a Cherkasov, além de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

O espião russo foi condenado a 15 anos de prisão por uso de passaporte e documentos falsos, em junho, pela Justiça Federal em São Paulo. O pedido de extradição dos EUA foi apresentado em 25 de abril.

Cherkasov atuou durante anos como espião do serviço de inteligência militar da Rússia, o GRU, nos Estados Unidos, fingindo ser um estudante brasileiro. No entanto, antes da solicitação do governo americano, a Rússia já havia pedido a entrega do acusado. Moscou alega que ele é um traficante de drogas condenado que fugiu para não cumprir sua pena em território russo.

Cherkasov vivia como "Victor Muller Ferreira" no interior paulista. Ele usou identidade falsa brasileira para entrar na Universidade John Hopkins, nos EUA. Depois, conseguiu cargo no Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, na Holanda, mas foi foi descoberto e deportado para o Brasil.

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