Crise, Juros e Consumo

Djalma Guimarães, | ter, 16/06/2015 - 07:56
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O desempenho das vendas do comércio no primeiro trimestre de 2015 é uma amostra de que a combinação de ajuste na economia e crise política tem deixado os consumidores cada vez mais cautelosos.

Não é por acaso que os consumidores estão pensando duas vezes antes de ir às compras. Além da inflação que corroí o rendimento das famílias há alguns meses, temos agora uma soma perversa de elevação no desemprego, diminuição da renda das famílias, queda na confiança do consumidor e sem falar na mudança na política monetária, com a elevação das taxas de juros.

Recente pesquisa da ANEFAC mostra que a taxa média de juros de algumas das modalidades de crédito mais populares da economia cresceu 0,89% de março para abril deste ano.

 

Março 2015

Abril 2015

Variação

%

Variação - Pontos percentuais

Taxa ao mês

Taxa ao ano

Taxa ao mês

Taxa ao ano

Juros do comércio

5,14%

82,48%

5,16%

82,90%

0,39%

0,02

Cartão de crédito

12,02%

290,43%

12,14%

295,48%

1,00%

0,12

Cheque especial

9,64%

201,74%

9,74%

205,06%

1,04%

0,1

CDC – Bancos – Fin. veículos

2,01%

26,97%

2,03%

27,27%

1,00%

0,02

Empréstimo pessoal - Bancos

3,94%

59,00%

4,00%

60,10%

1,52%

0,06

Emp. pessoal - Financeiras

7,52%

138,71%

7,54%

139,24%

0,27%

0,02

Taxa média

6,71%

118,00%

6,77%

119,48%

0,89%

0,06

 

O consumidor brasileiro poderá pagar mais de dois veículos ao financiar um em quatro anos, uma dívida no cartão de crédito pode triplicar em 12 meses. Logo, deve-se ser cauteloso nas compras a prazo.

Temores no mercado de trabalho, menor poder de compra e produtos mais caros em virtude da elevação nas taxas de juros tem puxado para baixo as vendas no varejo no Brasil, que acumula uma queda no índice de vendas do comércio de -0,73%, se olharmos apenas para o Estado de Pernambuco percebemos uma retração maior no período, -2,41%,

 

Na região Nordeste a cautela dos consumidores deve ser redobrada, pois o desemprego nas principais capitais da região, Salvador e Recife estão acima da média nacional, bem como a queda na renda das famílias 1,96% em doze meses, que supera a queda na renda nacional de 0,03% no mesmo período.

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