Tópicos | Crimes políticos

Os membros da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara realizam, nesta quinta-feira (16) a partir das 9h, sessão pública para ouvir os ex-presos políticos Edival Nunes da Silva “Cajá” e José Nivaldo Jr. A audiência pretende esclarecer as circunstâncias das mortes dos militantes Amaro Luís de Carvalho “Capivara”, 40 anos; Manoel Aleixo da Silva, 41; Emanuel Bezerra dos Santos, 30; Manoel Lisboa de Moura, 29 e o desaparecimento de Amaro Félix Pereira, 43. 

Os relatores destes casos são: Socorro Ferraz, Henrique Mariano, Humberto Vieira de Mello e Áureo Bradley. A reunião é presidida pelo coordenador, Fernando Coelho. O evento é aberto ao público e acontece na sede da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Pernambuco (Adufepe), no campus UFPE, Cidade Universitária.

“Dos depoimentos ouvidos até agora há muitas contradições sobre os episódios de morte e sumiço destes integrantes do PCR (Partido Comunista Revolucionário). Por exemplo: Claudio Guerra, quando ouvido nesta Comissão, declarou ter vindo a Pernambuco para matar Manoel Aleixo e descreve esta circunstância. A narrativa está em desacordo com o inquérito instaurado pela própria polícia e com testemunho de companheiros de Aleixo, que o viram na prisão”, contou a relatora do caso, Socorro Ferraz.

Os membros da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara realizam nesta quinta-feira (11), a partir das 9h, uma sessão pública com objetivo de apurar as circunstâncias das mortes de três militantes da Ação Libertadora Nacional (ALN).

A atenção dos membros da comissão nessa audiência pública estará voltada para Antônio Bem Cardoso, 32 anos, João Mendes de Araújo, 29 anos, agricultor e Luís José da Cunha, 30 anos. O evento é aberto ao público e acontece no auditório do Museu do Estado de Pernambuco, Recife.

Membros da comissão, os relatores destes casos são: Manoel Moraes, Nadja Brayner e Humberto Vieira de Mello. A reunião é presidida pelo coordenador, Fernando Coelho.


Durante a sessão pública, serão ouvidos Maria do Amparo Almeida Araújo (ex-militante ALN) e Ivan Seixas (ex-preso político e assessor da Comissão da Verdade Rubens Paiva da Assembleia Legislativa de São Paulo).

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“Dar sumiço ao corpo era apenas uma das maneiras de esconder a verdade”. Esse foi um trecho da declaração do coordenador da Comissão da Verdade Dom Helder Câmara (CEMVDHC), Fernando Coelho, emitida durante a coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (13). O evento ocorreu na Sede da Secretaria Executiva de Justiça e Direitos Humanos e na ocasião foram reveladas informações sobre o local de sepultamento e atestado de óbito de Anatália Melo Alves. Ela pertencia ao Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e morreu em 1973.

Depois de 40 anos após o falecimento de Anatália Melo, a CEMVDHC mostrou fatos até então desconhecidos tanto pela sociedade, quanto pelos familiares da vítima. “Este foi um importantíssimo passo para que, mais na frente, a CEMVDHC possa comprovar que Anatália foi assassinada, vítima de tortura. Dar sumiço ao corpo era apenas uma das maneiras de esconder a verdade. O atestado aponta como causa da morte asfixia por enforcamento. Trata-se de uma expressão ambígua que permite interpretação equivocada do que de fato aconteceu. Agora, a partir destas pistas, estamos mais próximos de esclarecer este caso”, disse Fernando Coelho.

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De acordo com o marido de Anatália Alves que também esteve presente na coletiva dessa quinta-feira, Luiz Alves Neto a companheira foi algemada, submetida a torturas violentíssimas, que teriam sido praticadas por quatro agentes. “Eu ouvia os gemidos dela gritando por mim. Eu só podia dizer: canalhas! Bandidos! E chorar. Um companheiro me disse que Anatália havia sido estuprada por “Miranda” e mais quatro agentes”. Ele disse ainda que antes do ocorrido chegou a ouvir uma pancadaria, mas não sabia de que se tratava. “Fui chamado por um policial para ver a minha companheira morta. Toda a imprensa estava lá. Denunciei que a repressão matou a minha mulher. O corpo estava estendido no chão”, relembrou Alves.

Caso Anatália – Ela pertenceu ao Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e morreu aos 28 anos de idade, no dia 22 de janeiro de 1973. O corpo foi encontrado parcialmente carbonizado na cela do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS - Recife/PE). Ela teria sido vítima de torturas físicas e psicológicas (Prontuário DOPS – PE, nº 19845). A primeira versão apontada foi de suicídio. No ofício n0 21, dirigido à Diretoria do Instituto de Polícia Técnica, assinado pelo delegado de Segurança Social, Redivaldo Oliveira Acioly, a motivação: “...suicidado-se, usando para isto, um pedaço de couro, em forma de “tira”, além de haver ateado fogo em suas vestes. Solicito as providências necessárias no sentido de ser procedida a perícia no local”, diz o documento.

Apesar da causa da morte ter sido declarada na época como suicídio, a Comissão da Verdade Dom Hélder Câmara descobriu através de laudo pericial que não havia objetos que pudessem provocar fogo na cela, nem tão pouco o pedaço de couro que dizem que ela usou para se amarra tinha o tamanho suficiente para que ela cometesse o ato suicida.

Também foram relatados pela CEMVDHC que o corpo de Anatália Melo foi enterrado no cemitério de Santo Amaro, e após dois anos os restos mortais foi entregue a família numa urna lacrada e que jamais deveria ser aberto. O que a comissão quer descobrir agora, é quem exonerou os restos mortais da vítima, qual cova ela estava enterrada e se o material entregue aos parentes é mesmo dela, por isso, farão um exame de DNA.

Outra análise que será feito pela Comissão da Verdade é em relação aos documentos sobre a morte da comunista divulgados na época, como o atestado de obtido, por exemplo.

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