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Dividida entre dar aulas de inglês e a família, a professora Aída Medeiros, de 72 anos, viu o sonho de fazer intercâmbio ser adiado. Apenas com os filhos crescidos e a vida estável, ela teve uma oportunidade de estudar na Inglaterra e aperfeiçoar o inglês.

Sempre muito descolada, a professora não quis tratamento diferenciado. Em meio aos jovens, ela aproveitou tudo que podia e devia em terras inglesas. "Foi uma experiência única. Conheci muitos lugares e criei laços fortes com a família com a qual morei. Os mais jovens do grupo olhavam para mim com estranheza, mas não me importava. Tirei bastante foto, aproveitei o máximo que pude e fiz amizades maravilhosas", conta.

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Foram quatro semanas de troca cultural, conhecimento e novas experiências. Apoiada pela família, ela não encontrou entraves para realizar o desejo antigo. “A pessoa com essa idade não pode ter medo. É uma idade maravilhosa, pois é um momento que você pode fazer tudo! E estudar nessa idade é maravilhoso”.

No entanto, a professora conta que ao chegar a Inglaterra, ainda no aeroporto, protagonizou uma cena desconfortável, mas que não tirou o entusiasmo do intercâmbio. “Ao chegar, a gente passou pelos guardas para apresentar passaportes e justificar a nossa permanência no país. Um deles me olhou e não acreditou que eu estava lá para estudar. As pessoas ainda alimentam certos estereótipos com relação à melhor idade”, comenta.

De volta ao Brasil, Aída trouxe na bagagem, além de todo conhecimento adquirido, a saudade dos laços criados e a vontade de retornar ao país que a acolheu tão bem. “A gente é tomado por um sentimento de saudade. Foram tantas coisas boas vivenciadas, uma cultura diferente e a gente tenta colocar todo aprendizado em prática aqui. O mundo é muito grande e, depois da viagem, a gente passa a enxergá-lo de forma diferente”.

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Essa nova visão de mundo é o que pretende a psicóloga Iracema de Alcântara, de 59 anos. A alguns meses de iniciar o intercâmbio, ela salienta que tomar a decisão de estudar fora veio depois de anos dedicados aos cuidados com tias e ao trabalho. Além disso, conta que foi necessário organizar as finanças para concretizar a vontade. “Passei muito tempo com essa vontade guardada. Não podia me ausentar, porque cuidava das minhas tias. Após a morte delas, não pude mais adiar. Não tenho filhos e também não sou casada, isso facilitou a minha ida”.

Ela chama atenção para os benefícios do intercâmbio na terceira idade, que vão desde a possibilidade de experimentar algo novo até o exercício da memória. “Essa prática é muito interessante, muitos psicólogos e psiquiatras apontam para a necessidade do conhecimento e do estudo na terceira idade. Isso faz com que a gente exercite a memória e evite a perda dela”, explica.

A viagem está marcada para abril de 2018, mas Iracema não esconde a expectativa e entusiasmo. Ela enxerga o intercâmbio como uma possibilidade de acesso a novas culturas e aprendizagem de uma língua estrangeira. “Eu sempre quis aprender inglês, nunca fiz curso, mas, apenas estudei durante a escola. Agora, vou estudar e aprender de fato a língua.”

Perfil e Valores

A procura por intercâmbio 50+ ou 60+ tem crescido bastante. O agente de viagens Markinhos Ribeiro, da Cultura & Companhia, revela que as pessoas que procuram por esse serviço já atingiram uma estabilidade financeira, os filhos já estão crescidos ou são recém-aposentados. Além disso, ele aponta que o destino mais procurado é a Inglaterra. Markinhos ainda conta que o público feminino é maioria nas viagens.

“De uns tempos para cá, a procura pelo intercâmbio por pessoa da melhor idade cresceu muito. Além do estudo, há também a parte turística e todas as atividades propostas para esse público são adaptadas as necessidades dele”, relata ao LeiaJá.

O tempo de permanência nos países varia entre 2 e 4 semanas. Markinhos comenta que a empresa oferece pacotes diferentes. “Damos a opção das pessoas ficarem em casa de família, hotéis ou pousada. A maioria escolhe casa de família, pois querem viver a experiência de fato e vivenciar o dia a dia de um nativo”.

No entanto, o intercâmbio ainda é um serviço que foge da realidade financeira de muitas pessoas. Por isso, é necessário organizar os gastos e ter uma poupança destinada para isso. Markinhos Ribeiro fala que os valores variam entre 1800 e 1900 dólares, preço que não inclui passagens aéreas, taxas e outros serviços. 

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