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Não são apenas as ações da Petrobras que sofrem com a crise da estatal. Em Frankfurt, um dos principais mercados secundários de dívida corporativa, títulos da Petrobras amargam forte queda nos últimos meses. Bônus que eram negociados com ágio estão cada vez menos atrativos e já são trocados por menos de 90% do valor. O Petrobras Global 09/40, por exemplo, já chegou a valer 130% do valor de face e tem sido vendido a 89,5%.

A Petrobras foi uma das empresas que mais aproveitaram a onda de crédito fácil e barato após o estouro da crise em 2008. Nesse período, a empresa tomou dezenas bilhões de dólares em empréstimos com a emissão de títulos de dívida e em operações bancárias. Sua dívida saltou de US$ 27,3 bilhões no fim de 2008 para US$ 139,7 bilhões em junho de 2014 - aumento em dólar de 411%. Por isso, ganhou dos analistas o título de empresa mais endividada do mundo.

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Os títulos de dívida da empresa estão com os credores que, se quiserem, podem vendê-los para receber antecipadamente. A venda dos chamados "bonds" é a solução para quem emprestou dinheiro e está inseguro com as perspectivas da companhia.

Lançado em 30 de outubro de 2009 para captar 1,5 bilhão no mercado, o bônus Petrobras Global 09/40 é um bom exemplo do fenômeno. O título oferece juro de 6,875% ao ano até janeiro de 2040 e, desde o lançamento há cinco anos, era negociado com ágio, segundo a Bolsa de Frankfurt. Isso quer dizer que investidores interessados no juro topavam pagar mais para ficar com pelo menos uma parte da remuneração.

No auge da procura, em outubro de 2012, o título da Petrobras chegou a ser negociado a 130,31% do valor de face. Com esse preço, passou a oferecer retorno ao investidor - o chamado yield - de 4,83% ou um terço a menos que o juro original. Mesmo assim, ainda era um bom negócio diante da taxa perto de zero na Europa e nos EUA. No ano passado, a procura era um pouco menos aquecida, mas ainda existia ágio e o papel era trocado por 112,2% do valor em setembro. Nas semanas seguintes, porém, com a Operação Lava Jato, os preços começaram a cair.

Com o Petrobras Global 09/40, o fundo do poço foi em 3 de fevereiro, quando o papel foi negociado na mínima histórica a 81,11% do valor - ou seja, o juro embutido chegou a 8,94%, cerca de um terço acima do original. O juro maior é uma tentativa de atrair um interessado e passar a dívida adiante. Além desse bônus de 2040, há pelo menos mais duas dezenas de títulos da Petrobras com vencimento diferente negociados no mercado de dívida da Alemanha. Todos passam por fenômeno idêntico. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O leilão de transmissão de energia realizado nesta sexta-feira, 10, na BM&FBovespa foi concluído com um deságio médio de 11,96%, levando em consideração os seis lotes leiloados dos dez que foram ofertados. A Receita Anual Permitida (RAP) desses empreendimentos soma R$ 398,145 milhões, pelas propostas feitas pelos vencedores. Mesmo sem conseguir leiloar quatro lotes, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) considerou o resultado do certame satisfatório.

Segundo o diretor da agência Julião Silveira Coelho, a ausência de propostas para dois dos lotes já era esperada. Um deles é o lote D, composto por uma pequena linha de transmissão, de apenas 69 quilômetros de extensão, a ser construída em Goiás, e para a qual era estimada uma RAP de R$ 2,522 milhões. "Havia problemas de escala no Lote D", disse Coelho, indicando que o empreendimento pode voltar a ser ofertado, como parte de um lote maior.

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Os demais três lotes sem interessados têm empreendimentos em território paulista: o lote E, composto de uma linha de transmissão de 399 quilômetros até o Paraná, e o lote F, com uma linha de 241 quilômetros e uma subestação, e o lote J, com uma linha de 207 quilômetros e duas subestações. Juntos, esses lotes somam mais de R$ 130 milhões de RAP máxima.

Julião considerou que entre as alternativas para aumentar a atratividade desses lotes estaria o aumento da RAP máxima permitida ou a ampliação do prazo, o que deve ser estudado pela agência.

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