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Berlim celebra neste domingo (12) o 70º aniversário do fim do bloqueio da cidade pela União Soviética, um importante episódio da Guerra Fria, com o seu herói da época, um dos primeiros pilotos que abasteceram a população do oeste da cidade com doces e provisões.

"Os heróis da ponte aérea de Berlim não eram as pessoas que traziam comida, mas as pessoas em solo, que se defendiam", conta Gail Halvorsen, de 98 anos.

Cinquenta mil pessoas são esperadas para assistir as comemorações no antigo aeroporto de Tempelhof, agora transformado em parque urbano, palco de uma operação aérea sem precedentes de 15 meses efetuada pelos Aliados.

Filmes serão exibidos, incluindo gravações originais da época, em telões e haverá shows, como da United States Air Forces in Europe Band e da cantora Susan Wheeler Martosko.

Mas, sem dúvida, a estrela deste dia será a ex-piloto da força área americana Gail Halvorsen, apelidado de "Tio que bate asas" ou "chocolate voador" pela população local.

Entre junho de 1948 e setembro de 1949, ele participou da famosa "Operação Víveres", a ponte aérea de Berlim.

Milhares de aeronaves, principalmente britânicas e americanas, atenderam às necessidades dos mais de dois milhões de habitantes de Berlim Ocidental, submetidos ao bloqueio terrestre e marítimo soviético.

Com essa medida, a URSS pretendia assumir o controle dessa parte da cidade, administrada pelos aliados, e assim dominar toda a Alemanha Oriental.

Paraquedas com caramelos

Desde então, Halvorsen se tornou uma figura emblemática do imaginário de Berlim, já que foi um dos primeiros pilotos dos "Rosinenbomber", os bombardeiros de uvas passas.

Esse foi o apelido dado aos aviões militares dos aliados que lançavam doces para as crianças em pequenos paraquedas carregados com caramelos, uvas passas e chicletes.

Na época, Gail Halvorsen explicou a algumas crianças perto do aeroporto que iria inclinar as asas de seu avião quando sobrevoasse a cidade, e que assim elas saberiam que ele jogaria comida. Isso lhe valeu o apelido de "Tio que bate asas".

No final, ele fez escola. Os paraquedas, originalmente feitos com lenços ou mangas de camisa, foram aperfeiçoados e os lançamentos aumentaram graças ao entusiasmo midiático gerado pela operação nos Estados Unidos.

O ex-piloto americano de 98 anos, vestido com seu uniforme militar da época voltou no sábado a Tempelhof para uma primeira cerimônia em sua homenagem e visitou um campo de beisebol que leva seu nome, localizado no antigo aeroporto.

Ele cumprimentou os berlinenses da época. "Foram os pilares do confronto com a União Soviética", disse, acompanhado por suas filhas Denise Williams e Marilyn Sorensen.

"Melhor embaixador"

O veterano, que foi promovido a coronel e que na década de 1970 retornou a Berlim como comandante do aeroporto de Tempelhof, autografou fotos e distribuiu doces para as crianças.

"Peço aos jovens que mantenham a mente aberta para saber que alguns líderes conduzirão as pessoas livres na direção errada", alertou Halvorsen.

"A liberdade é importante e às vezes você tem que lutar por ela", acrescentou.

Ele continua sendo uma figura muito popular entre os berlinenses que viveram naquela época, como Mercedes Wild, de 78 anos, que tinha sete anos quando escreveu ao piloto para se queixar que ainda não tinha conseguido pegar nenhum paraquedas com doces.

Para sua surpresa, ela recebeu uma carta do aviador, acompanhada de chicletes e de um pirulito, no que foi o início de uma longa amizade entre as duas famílias.

"Ele se tornou uma figura paterna para mim [...] É o melhor embaixador que poderíamos ter para valorizar a amizade entre alemães e americanos", explicou.

No total, 277.000 voos contribuíram com cerca de dois milhões de toneladas de produtos básicos. Os pilotos teriam viajado 175 milhões de quilômetros e 78 pessoas perderam a vida. No final, o bloqueio foi levantado, sem condições.

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