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Escolhido para representar o Brasil na corrida pelo Oscar de melhor filme estrangeiro, o filme O Som ao Redor irá receber R$ 284 mil da Ancine (Agência Nacional do Cinema) e do Ministério da Cultura para sua campanha de divulgação internacional. O subsídio destinado ao longa do cineasta Kleber Mendonça Filho é dividido entre R$ 150 mil (do Programa de Apoio ao Oscar da Ancine) e R$ 134 mil (da Secretaria de Audiovisual do ministério). A indicação foi realizada após um processo seletivo feito pelo Ministério da Cultura.

A campanha é parte fundamental da estratégia para conseguir uma indicação ao Oscar, especialmente para exibir o filme ao maior número de votantes possíveis. O Programa de Apoio ao Oscar da Ancine foi criado em 2008, para apoiar a introdução dos filmes brasileiros nos mercados estrangeiros.

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O filme, vencedor de diversos festivais no Brasil e na Europa, retrata a vida numa rua de classe média na zona sul do Recife, que toma um rumo inesperado após a chegada de uma milícia, que traz tranquilidade para alguns e tensão para outros. O elenco conta com Irandhir Santos, Gustavo Jahn e Maeve Jinkings.

 

As redes sociais estão repercutindo com força uma polêmica entre o diretor-executivo da Globo Filmes, Cadu Rodrigues, e o cineasta e crítico de cinema Kléber Mendonça Filho, diretor do longa-metragem O som ao redor. São muitos os posicionamentos, compartilhamentos e comentários a favor de um lado e outro, inflamando o embate.

Tudo começou com uma declaração de Kléber em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, na qual afirmou: "Se meu vizinho lançar o vídeo do churrasco dele no esquema da Globo Filmes, ele fará 200 mil espectadores no primeiro final de semana", fazendo uma crítica à discrepância entre a megaestrutura e aporte financeiro dos filmes da Globo e as produções ditas independentes, como as dele próprio. Para Kléber, a distribuidora faz mal à cultura cinematográfica brasileira e pasteuriza a fruição de filmes pelo público que muitas vezes "não sabe nem exatamente o porquê de ter ido ver aquilo".

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As declarações do cineata pernambucano causaram uma reação forte do diretor-executivo da Globo Filmes, Cadu Rodrigues. Ele lançou um desafio público a Kléber: "produzir e dirigir um filme e fazer 200 mil espectadores com todo o apoio da Globo Filmes! Se fizer, nada do nosso trabalho será cobrado do filme dele", disparou Rodrigues, completando que "Se não fizer os 200 mil, assume publicamente que, como diretor, ele talvez seja um bom crítico".

As farpas não pararam por aí. Kléber respondeu ao desafio afirmando que "O valor de um filme, ou de um artista, não deveria residir única e exclusivamente nos número$", e foi além nas críticas iniciais, ao escrever no facebook que "O sistema Globo Filmes faz mal à idéia de cultura no Brasil, atrofia o conceito de diversidade no cinema brasileiro e adestra um público cada vez mais dopado para reagir a um cinema institucional e morto". O pernambucano ainda resolveu lançar um desafio em resposta ao representante da Globo: que a disribuidora use seu alcance e poder para investir em cineastas e projetos novos, que não se resumam a bilheterias expressivas.

Todo o debate personificado pelo diretor-executivo e pelo cineasta traz uma discussão mais profunda e, certamente mais importante do que os egos e pessoas envolvidos. A polêmica trouxe à tona um tema exaustivamente citado e debatido entre os envolvidos com o cinema brasileiro, quiçá mundial. O suposto antagonismo entre o "cinema de arte", feito em sua maioria por produtores independentes ou de pequeno e médio porte, e os "blockbusters", focados no retorno financeiro e número de espectadores.

A indústria cinematográfica é a que mais movimenta dinheiro no mundo das artes. A onipresença de Hollywood atesta o poder e a influência que essa indústria tem. Neste embate do cinema brasileiro, explicitam-se os dois lados da produção audiovisual do país e, algo raro, chocam-se as duas vertentes de forma clara, em vez dos muxoxos geralmente proferidos pelos cineastas que não contam com a estrutura de distribuição e propaganda de uma Globo Filmes, bem como da ignorância solene da distribuidora para com produções que não atendem o seu perfil.

Importante ressaltar que ambos têm algo em comum, inescapável nos dias de hoje no Brasil: o aporte de dinheiro público. Sem ele, nem um nem outro estaria onde está. Se cinema é só negócio, o que aconteceu com a "sétima arte"? E se é só arte, como viabilizá-lo financeiramente?

Ao levantar o desafio, o gerente-executivo da Globo Filmes, Cadu Rodrigues, deixou claro qual a régua com que mede os filmes e cinestas. E deu um belo tiro no pé, ao dar uma publicidade gratuita ao filme de Kléber Mendonça Filho, certamente proporcional ao tamanho da própria distribuidora. Já Kléber, em seu contra-desafio, deixou claro que não é a megaestrutura da Globo em si o problema. Afinal, que cineasta não gostaria de ter seu filmes exibidos em centenas de salas em todo o Brasil e com uma intensa campanha publicitária?

Vencedor do Prêmio da Juventude em no Festival de Cannes em 2012, Holy Motors chega ao Recife e estreia nesta sexta (22) no Cinema da Fundação. O filme, que já foi apresentado anteriormente na cidade durante o Vivo Open Air, conta com participações de Kylie Minogue e Eva Mendes.

Dirigido por Leos Carax, a história gira em torno de Oscar (Denis Lavant), que viaja por Paris em uma luxuosa limusine comandada pela loira Céline (Édith Scob). Oscar assume os papéis de chefe, assassino, mendigo, monstro, pai e outros, sempre mergulhando profundamente neles. A película mostra que em nossas vidas nós assumimos diferentes papéis, no dia-a-dia, e como lidamos com eles.

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Completando a programação do Cinema da Fundação temos A M O R. Ele recebeu cinco indicações ao Oscar 2013 (incluindo o de melhor filme) e entra para a sua quarta semana de exibição no Recife. Já o pernambucano O Som ao Redor que já está a sete semanas nas telas da Fundaj. Confira a programação abaixo:

 

Serviço:

Cinema da Fundação Joaquim Nabuco (Rua Henrique Dias, 609 - Recife)

R$ 8,00 (inteira)  R$ 4,00  (meia) (Terça-feira com valor promocional R$ 4 para todos)

3073 6689

 

Holy Motors

Ter: 15h40

Quar: 18h10

Qui: 16h, 18h10

Sex: 18h10, 20h20

Sáb e Dom: 20h20

 

A M O R

Ter: 20h20

Quar: 15h40

Qui: 20h20

Sex: 15h40

Sáb e Dom: 15h20, 17h50 (somente aos domingos)

 

O Som ao Redor

Ter: 17h50

Quar: 17h50

Sáb: 20h20

O Som ao Redor, longa-metragem de Kléber Mendonça Filho, é um dos selecionados do 40º Festival de Gramado, que teve início na última sexta-feira (10) e segue até o próximo sábado (18). A exibição do filme pernambucano - que acumula prêmios conquistados nos festivais New Horizons, na Polônia, Tiger Competition, em Roterdã e CPH PIX, na Dinamarca - acontece nesta quinta-feira (16).

O Festival, um dos mais tradicionais do Brasil, correu o risco de não acontecer este ano devido a problemas financeiros. A troca de curadoria, antes sob o comando da dupla carioca Sérgio Sanz e José Carlos Avellar marca uma nova fase na história do festival. Quem assume a direção a partir desta edição é o ator José Wilker e os críticos Rubens Ewald Filho, de São Paulo e Marcos Santuário do Rio Grande do Sul.  

O 40º Festival de Gramado começou com a primeira exibição nacional de 360, novo filme do cineasta Fernando Meirelles (Cidade de Deus e Ensaio sobre a cegueira) e Eu Não Tenho a Menor Ideia do que Eu To Fazendo Com a Minha Vida, de Matheus Souza.

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No encontro com a imprensa durante o Festival, Fernando Meirelles confirmou seu próximo longa: Nemesis, sobre a tumultuada relação entre Aristóteles Onassi e Bobby Kennedy, com roteiro de Bráulio Mantovani. O filme é a relização de uma vontade antiga do diretor: “Antes de voltar a fazer cinema no Brasil, meu maior desejo é fazer um filme em que eu esteja envolvido desde o início. E esse é o caso. Depois, volto às minhas raízes”, declarou. Há 16 anos, Fernando Meirelles não participa do Festival. A estreia nacional de 360 acontece no dia 17 de agosto.

A mostra competitiva de longas-metragens - que teve início desde o último sábado (11) - são duas, uma brasileira e uma latina. Na categoria Internacional, foram selecionados longas do Chile, Argentina, Cuba e Uruguai.

Já a mostra de curtas-metragens gaúchos, grande novidade desta edição, aconteceu no último sábado e já teve a premiação divulgada no último domingo (12). Em sua 40ª edição, o Festival presta homenagens às atrizes Betty Faria e Eva Wilma, ao cineasta argentino Juan José Campanella (diretor do longa O segredo dos seus olhos) e a Arnaldo Jabor, vencedor do primeiro Festival de Gramado com o filme Toda nudez será castigada, de 1973. Para conferir a programação completa, acesse o site do Festival.

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