Tópicos | gás veicular

[@#galeria#@]

Com o mercado aquecido pela fuga dos consumidores das bombas de combustíveis, empresas especializadas na instalação do kit de Gás Natural Veicular (GNV) estão satisfeitas com a chegada de novos clientes nesta que é considerada a terceira guinada das conversões para o equipamento. O crescimento dá uma injeção de otimismo ao setor após 2021 fechar com a disparada de 108% em instalações, quando cerca de 12.861 automóveis foram equipados.  

##RECOMENDA##

“Agora a procura triplicou. Novas pessoas passaram a usar por questão de economia. Com a gasolina a quase R$ 8, a tendência é de subir mais”, propôs o representante técnico da Recife Car GNV, Márcio Lima. 

Com 18 anos de experiência, ele comemora o entusiasmo dos novos adeptos em um atual cenário em que a desconfiança deu lugar ao interesse pelo mercado GNV. “Antigamente eram dois carros, três. Atualmente é uma média cinco carros por dia”, destacou. 

Terceira guinada do mercado GNV

O representante da Pernambuco Gás GNV, Felipe Costa, registrou um aumento de 50% na procura e relacionou a popularização do uso do equipamento com a chegada dos aplicativos de transporte e a greve dos caminhoneiros. 

"No passado a gente tinha GNV como um combustível prioritário para taxi e aquelas kombis que faziam transporte público. Aí tivemos a chegada dos aplicativos e uma alta no uso do GNV, porque quanto mais o motorista economiza, mais ele tem lucro", assegurou. Atualmente, mais de 81 mil automóveis estão homologados em Pernambuco pelo Detran. 

Sistema a gás instalado no motor do veículo. Júlio Gomes/LeiaJá Imagens

Sobre a economia, o preço do m³ de GNV por R$ 3,95 atrai quem paga em torno de R$ 7,20 no litro de gasolina. Vale frisar que, mesmo com a conversão, abastecer com gasolina ainda é necessário dar a partida do motor.

--> Procedimentos para instalar GNV e gastar menos gasolina

Felipe apresentou números atrativos aos motoristas e garantiu que o retorno pode ser imediato aos que percorrem distâncias maiores. “O parâmetro de medição é de um para um. Um litro de gasolina te dá 10 km de autonomia, aí você tem um m³ de gás que te dá 13 km. Isso a gente chama de economia por autonomia e também tem a economia por valor em bomba. Globalizando as duas, você tem até 65% de economia”, calculou Felipe. "Na BR, ele pode fazer de 14 km até 15 km", acrescentou Márcio. 

Cilindros de GNV. Júlio Gomes/LeiaJá Imagens

Investimento no veículo

O que antes era considerado um obstáculo na hora de revender o carro, hoje ganhou espaço nas locadoras, que recorrerem à instalação para reduzir o gasto dos clientes. Os profissionais explicam que a tecnologia dos kits gás não causa problemas no motor, desde que haja manutenção regular contra vazamentos.  

Antes da conversão, é necessário passar por vistorias do Detran e Inmetro e pedir autorização para a troca. Os serviços custam em média R$ 100.  

Empresas regularizadas certificam a segurança e vendem kits de R$ 4 mil a R$ 9 mil. A variação se dá pelo tamanho do cilindro, que podem chegar até 25 m³, e da geração do sistema, que pode ser de mecanismo aspirado, injetado ou de injeção direta. A escolha da geração se dá pelas especificações do veículo como o sistema de injeção eletrônica e a funcionalidade turbo.  

O padrão de comercialização do gás natural veicular (GNV), em todo o país, vai mudar do atual metro cúbico (m³), para massa, isto é, será vendido em quilograma.

Com o objetivo de receber sugestões e contribuições da sociedade para a proposta que vai regulamentar a mudança, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) abriu, na última segunda-feira (16), consulta pública. As contribuições podem ser enviadas até o dia 13 de fevereiro, no site do Inmetro.

##RECOMENDA##

Falando hoje (18) à Agência Brasil, o chefe da Divisão de Supervisão em Metrologia Legal do Inmetro, Maurício Condessa, disse que a mudança no padrão de medição baseia-se em estudo de técnicos do próprio órgão. “A mudança é crucial e tem que acontecer. É importante para trazer para a sociedade uma melhor qualidade nesse controle e mais segurança na medição”.

Condessa esclareceu que a mudança está alinhada com padrões da Organização Internacional de Metrologia Legal e deverá ocorrer no primeiro semestre de 2020, com prazo de adaptação de dois anos para que revendedores e distribuidoras de combustíveis façam os ajustes necessários em seus instrumentos. “O investimento é do mercado”, destacou. Não haverá mudança no kit para o consumidor.

Atualmente, o gás para uso automotivo vendido nos postos de combustíveis é medido em massa no dispenser (bomba) de GNV e passa por uma conversão, por meio de um fator chamado densidade, para ser apresentado em volume e, dessa forma, poder chegar até o cilindro dos automóveis. Maurício Condessa informou que o gás natural vendido no Brasil é uma mistura de gases de várias jazidas, incluindo o pré-sal e jazidas da Venezuela e Bolívia, principalmente. “Isso acaba fazendo com que ele não tenha uma densidade linear”. Para o consumidor, essa densidade variável acarreta em perdas no abastecimento.

Os valores de densidade são fornecidos pelas distribuidoras com defasagem de um mês e são inseridos manualmente nas bombas o que, segundo o Inmetro, favorece erros na medição e possibilidade de fraudes. “Esse fator de densidade pode ser colocado pelo próprio dono do estabelecimento comercial e isso possibilita que fraudes acabem acontecendo”. O estudo feito pelo Inmetro detectou erros de até 20% no volume que deveria estar sendo realmente entregue em alguns postos.

Condessa explica que, com a mudança, o consumidor terá certeza de que a medição, que passará a ser feita em massa, não estará sujeita a imprevisibilidades. Ele disse ainda que o gás liquefeito de petróleo (GLP), adquirido em bujões pela população, já é comercializado em massa. Por isso, assegurou que não vai ser difícil pra os brasileiros se acostumarem ao novo padrão de comercialização do GNV.

Os 1.759 postos de GNV do país terão as bombas ajustadas, com densidade 1, e lacradas pelo Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), órgão delegado do Inmetro responsável pela fiscalização metrológica.

Maurício Condessa garantiu que a alteração no padrão de venda do combustível não vai acarretar em aumento do preço do produto, porque um quilograma de GNV chega a conter até 30% mais de gás (em massa) em relação ao metro cúbico: 1 quilo (kg) equivale aproximadamente a 1,3 m³. Ou seja, o consumidor precisará de menos unidades comercializadas (1,3 kg para cada m³) para encher o tanque do veículo.

“O preço final não muda para o consumidor”, tranquilizou o chefe do Departamento de Supervisão em Metrologia Legal do Inmetro. Ele disse, por exemplo, que o consumidor que gasta R$ 48 para encher o cilindro de 15 metros cúbicos ao preço de R$ R$ 3,20 o m³, gastará o mesmo valor para encher o tanque de 11,5 quilogramas ao preço de R$ 4,16 por quilograma. “Ele (consumidor) vai receber a mesma coisa e não vai pagar mais. O que ele vai ter é mais previsibilidade sobre o que está recebendo, com a certeza de que aquela densidade, naquele momento, está sendo de fato comunicada para aquele instrumento”.

Segundo Condessa, a economia do GNV para o consumidor vai continuar com o novo padrão. “Os mesmos reais que ele gasta agora vai continuar gastando”.

Ao final da consulta pública, será realizada uma reunião presencial do Comitê Técnico de Metrologia Legal em que as partes interessadas do setor de combustíveis serão convidadas, para consolidar o texto final do regulamento.

Leianas redes sociaisAcompanhe-nos!

Facebook

Carregando