Tópicos | machos

As fêmeas de uma espécie de macaco estimulam os machos a lutar contra grupos rivais, recompensam os corajosos e agridem os prudentes, afirma um estudo científico divulgado nesta quarta-feira (23).

"É a primeira vez que se demonstra que outra espécie, além dos seres humanos, é capaz de utilizar táticas de manipulação, como a punição ou a recompensa, para incitar a participação em batalhas entre diferentes grupos", afirmou à AFP Jean Arseneau, especialista em primatas da Universidade de Zurique.

Os símios estudados, a espécie Chlorocebus aethiops pygerythrus, vivem na África.

Uma equipe de cientistas examinou durante dois anos um grupo que vive em uma reserva na África do Sul. Os resultados das observações foram publicados na revista Proceedings of the Royal Society B.

Estes animais vivem em grupo e as fêmeas participam nas batalhas quando os alimentos da comunidade estão em jogo. Os machos são mais numerosos e têm caninos maiores, o que faz de sua presença algo valioso nas batalhas.

O sucesso em um combate garante o controle sobre o território e fontes de alimentos, algo muito importante para as fêmeas, que são responsáveis pelos mais novos. Mas por que os machos arriscariam o envolvimento em uma batalha de potencial risco elevado apenas por um pouco de atenção feminina? Tudo diz respeito a sexo, acreditam os cientistas.

"Ser punido pode degradar as relações sociais com as fêmeas do grupo, destacaram os cientistas no estudo. "Do outro lado, ser recompensado pode reforçar os laços e mostrar às fêmeas do grupo que o macho objeto das atenções é socialmente aceitável", completam.

As fêmeas gritavam e se aproximavam de modo ameaçador dos machos que haviam permanecido à margem da luta. Às vezes inclusive os perseguiam e agrediam fisicamente. Antes de atacar um macho, que contam com a vantagem de ter um peso maior, as fêmeas formavam uma "coalizão" de dois ou mais indivíduos para evitar riscos, explicou Jean Arseneau.

E a estratégia era eficaz, já que os premiados "continuavam ajudando nas batalhas seguintes" e os castigados se uniam aos combates. "As fêmeas usavam as táticas de manipulação quando havia comida de interesse em jogo, já que precisam de alimentos para criar a prole", disse o cientista.

Para os machos entrava em jogo uma estratégia reprodutiva.

Um grupo de jovens mosquitos machos vive tranquilamente em um laboratório nos arredores de Viena, totalmente inconscientes do destino que lhes espera: serão esterilizados em massa com o uso de radiação para diminuir a quantidade de insetos que transmitem doenças como o vírus do zika.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), mas conhecida por seu papel na diplomacia internacional, é o organismo que trabalha nesta técnica de esterilização de insetos em seu laboratório da localidade de Seibersdorf, 35 quilômetros ao sul de Viena.

A ideia parece simples. Os machos esterilizados, mas ainda ávidos de sexo, são soltos em zonas específicas com a missão de seduzir as fêmeas. A cópula, infértil, leva então a um processo natural de extinção.

Contudo, a implementação do plano é mais complexa, já que requer primeiro isolar os machos das fêmeas, para poder esterilizá-los com o uso da radiação quando estão em um estado larvário. Para consegui-lo, os especialistas da AIEA trabalham em um processo há vários anos utilizando cobalto 60 ou raios X. "É como uma forma de planejamento familiar para insetos", explicou Jorge Heindrich, chefe da divisão para o controle de insetos parasitas do organismo, que lidera um grupo de cientistas de vários países.

Esta técnica permitiu erradicar insetos como a mosca da fruta em algumas regiões da Argentina e da África do Sul e a mosca do melão em Okinawa, no Japão. O vírus do zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, que também contagia a dengue e a chikungunya, está agora no alvo destes esterilizadores de insetos.

Uma mudança na escala - Milhares de mosquitos zumbem em caixas quadradas cobertas por um isolante, sob uma luz neon amplificada. O calor lembra as zonas tropicais e o odor do cultivo de insetos é nauseante. Quando um dos insetos sobrevoa a sala e zumbe perto dos jornalistas que visitam o laboratório, um pânico irracional se apodera dos presentes.

O zika, descoberto em Uganda em 1947, provoca sintomas leves como febre, dor de cabeça e articular e erupções. Mas suspeita-se que em grávidas pode causar microcefalia, uma doença congênita que provoca danos neurológicos irreparáveis no desenvolvimento do bebê.

Com mais de 1,5 milhões de doentes no Brasil, a América do Sul é a região do mundo mais afetada pelo zika. O vírus é transmitido pelas fêmeas. "São elas que necessitam de sangue para alimentar seus ovos. Os machos se alimentam do açúcar das flores e de néctar", explica Rosemary Lees, uma das pesquisadoras.

Segundo conta, uma das principais dificuldades é separar as fêmeas dos machos. Atrás da especialista há caixas etiquetadas com mosquitos provenientes de Brasil, Indonésia e Tailândia.

Competir com os machos selvagens - Um dos problemas possíveis na aplicação é que os machos "tratados" não sejam suficientemente fortes para competir com os insetos selvagens. Mas no terreno, este desafio toma outra dimensão. "Temos demonstrado que a técnica é eficaz em pequena escala: podemos atuar na periferia de uma cidade, quiçá até em uma localidade de 250.000 pessoas. Agora temos que ampliar a escala" para estes mosquitos, declarou a entomologista.

Atualmente, há dois experimentos em desenvolvimento. Um no Sudão, em uma região agrícola afetada endemicamente pela malária, e outro na ilha francesa de La Reunión, após a forte epidemia de chikungunya entre 2005 e 2006. Lançado em 2009, o projeto de La Reunión está em sua fase piloto, e a produção em série de mosquitos estéreis ainda não começou.

Uma vez que esteja finalizado o estudo ecológico da biologia específica do mosquito, ainda é necessário que "os Estados tenham a vontade de produzir insetos modificados, investir nas instalações e ter uma fonte de raios eficaz", explica Marc Vreysen, chefe do laboratório especializado em insetos nocivos de uma divisão mista da AIEA e da FAO.

Esta técnica é eficaz sobretudo combinada com outros métodos, incluindo a utilização de inseticida para reduzir a população de mosquitos. Em fevereiro, será realizada uma reunião no Brasil com estados-membros da AIEA, especificamente países da América Latina, para estudar as possíveis aplicações do processo para lutar contra o vírus do zika.

Leianas redes sociaisAcompanhe-nos!

Facebook

Carregando