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Nesta quarta-feira, 26 de julho, é comemorado o Dia dos Avós. A data foi escolhida por ser dia de Santa Ana e São Joaquim, respectivamente mãe e pai de Maria e, portanto, avós de Jesus Cristo, segundo a tradição católica. O primeiro país a instituir a comemoração do Dia dos Avós nesta data foi Portugal, a partir de 2003, após uma campanha que se tornou famosa em todo o país: uma senhora avó de seis netos, Ana Elisa Couto (1926-2007), liderou um movimento pela criação de uma data que homenageasse os avós. Em 2003 foi oficializado o 26 de julho.

No Brasil, a data foi adotada popularmente, até como forma de incrementar o comércio. Não é um feriado nacional, mas apenas naqueles municípios que têm algum dos dois santos como padroeiros, como Sumaré, no interior de São Paulo.

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Em 2021, o papa Francisco incluiu o Dia dos Avós e das Pessoas Idosas no calendário da Igreja Católica, mas ficou estabelecido que seria comemorado em data variável, perto do dia 26 de julho - em 2021 foi festejado no dia 25, em 2022 no dia 24 e neste ano a comemoração aconteceu no último domingo, dia 23.

A cada ano a Igreja Católica lança um tema a ser debatido durante as atividades religiosas desse dia. Em 2023 o tema foi "De geração em geração, a sua misericórdia".

A tradição católica narra que, no século I a.C., Ana e seu marido, Joaquim, moravam em Nazaré e não tinham filhos, mas pediam que Deus lhes enviasse uma criança. Então, um anjo apareceu e avisou que Ana, embora supostamente estéril, estava grávida.

Essa criança, uma menina, foi batizada como Maria. Ana teria morrido quando Maria tinha só três anos. Segundo a crença cristã, ainda na adolescência, Maria foi escolhida para ser mãe de Jesus Cristo.

Ana e Joaquim foram canonizados no século XVI pelo papa Gregório VII. O dia 26 de julho foi oficializada como data de ambos pelo papa Paulo VI.

Os cientistas dizem que demonstraram o que muitas pessoas que tiveram a sorte de crescer com suas avós sempre souberam: as mães de nossos pais têm fortes instintos parentais e são predispostas a se preocupar, profundamente, com seus netos.

Um novo estudo divulgado na Royal Society B na terça-feira (16) é o primeiro a fornecer uma visão neural deste precioso vínculo intergeracional.

Usando imagens de ressonância magnética funcional, os pesquisadores da Emory University, no estado americano da Geórgia, escanearam os cérebros de 50 avós expostas a imagens de seus netos, que tinham entre três e 12 anos de idade.

Como forma de controle, também viram fotos de crianças desconhecidas, de um pai adulto do mesmo sexo que seus netos e de um adulto desconhecido.

"As áreas do cérebro que estão envolvidas na empatia emocional foram capturadas, e também as áreas do cérebro que estão envolvidas na simulação e na preparação de movimentos motores", disse à AFP James Rilling, antropólogo e neurocientista que liderou o estudo.

"Quando veem as fotos dos netos, elas sentem realmente o que o neto está sentindo. Então, quando a criança está expressando alegria, elas sentem aquela alegria. Quando a criança está expressando sofrimento, elas sentem esse sofrimento", acrescentou.

As mesmas regiões motoras do cérebro também são ativadas nos cérebros das mães, e acredita-se que estejam relacionadas ao instinto de segurar, ou de se aproximar, e interagir com uma criança.

Já quando as avós viam imagens de seus filhos adultos, houve uma ativação mais forte de regiões cerebrais relacionadas à empatia cognitiva - que busca entender o que uma pessoa está pensando, ou sentindo, e por que, sem muito envolvimento emocional.

Isso, de acordo com Rilling, pode estar relacionado à aparência fofa das crianças, que os mais jovens de muitas espécies compartilham para ativar respostas de cuidado.

- Primeiro do tipo -

Ao contrário de outros primatas, os humanos são "criadores cooperativos", o que significa que as mães recebem ajuda para criar seus filhos.

Rilling, que já havia conduzido estudos semelhantes sobre pais, quis voltar sua atenção para as avós para explorar uma teoria antropológica conhecida como a "hipótese da avó".

Essa hipótese estabelece que a razão evolutiva, pela qual as mulheres humanas tendem a viver uma vida longa - muito além de seus próprios anos reprodutivos -, é para fornecer bem-estar para seus filhos e netos.

Evidências que sustentam essa hipótese foram encontradas em sociedades que incluem os Hadza, um grupo de caçadores-coletores do norte da Tanzânia. Nele, as avós alimentavam seus netos com tubérculos nutritivos.

O efeito também foi observado em outras espécies, como elefantes ou orcas, que, como os humanos - mas ao contrário da grande maioria dos mamíferos -, também passam pela menopausa.

"Esta é realmente a primeira olhada no cérebro da avó", disse Rilling, explicando que os estudos com varreduras cerebrais em pessoas mais velhas geralmente se concentram na investigação de doenças como Alzheimer.

As avós, da região de Atlanta, na Geórgia, e de origens econômicas e raciais diversas, também preencheram uma série de questionários.

E as avós que relataram maior desejo de se envolver nos cuidados tiveram maior atividade nas regiões cerebrais de interesse.

Finalmente, ao comparar este novo estudo com os resultados de seu trabalho anterior com os pais, Rilling descobriu que, em geral, as avós ativavam regiões relacionadas à empatia emocional e à motivação de forma mais intensa.

A cientista garantiu, no entanto, que essa descoberta é apenas uma média e não se aplica, necessariamente, a todos os indivíduos.

Rilling também entrevistou cada uma das participantes para ter uma ideia dos desafios e recompensas de ser avó.

"De forma consistente, o desafio que mais surgiu foi a divergência de opiniões com os pais sobre a forma de criar os netos, seus valores e a luta constante em seu manter afastada sobre essas questões", disse.

Pelo contrário, e "com isso a gente brinca, mas muitas delas falaram como se pode retribuir aos netos, porque não é um trabalho de tempo integral".

Muitas avós sentiram que podiam estar mais presentes agora que estão aliviadas da pressão, em termos de tempo e de finanças, que sentiam quando estavam criando seus próprios filhos.

"Muitas delas disseram que gostavam mais de ser avós do que de serem mães", completou.

Uma menina de 10 anos foi resgatada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-101, no Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife (RMR), na noite da terça-feira (20). A criança havia fugido de casa e tentava chegar na casa da avó, que fica a cerca de 6 km do local onde ela foi localizada.

Por volta das 18h30, uma motorista ligou para a PRF e informou ter avistado uma menina sozinha na BR-101, chorando e assustada. Uma equipe da PRF foi ao local e localizou a menina com a motorista no acostamento da rodovia.

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A criança relatou que havia fugido de casa após "ter feito malcriação". A equipe seguiu com a criança por uma estrada de terra e, quando se aproximou da casa dos avós, um motociclista disse que a família havia saído à procura da menina. O motociclista guiou a PRF até o local onde mãe e avós da criança estavam, finalizando a ocorrência.

O cantor e compositor Lucas Lucco revelou no seu perfil do Twitter que os seus avós testaram positivo para Covid-19. Ele informou na plataforma que Joaquim e Julia Lucco estão internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital por conta do avanço da doença.

No desabafo, Lucas pediu aos fãs orações. "Esses dias estão complicados. Peço orações pelo meu vô Joaquim e minha vó Julia. Estão na UTI com complicações da Covid-19 e eu estou orando muito pra que melhorem logo'', escreveu ele na rede social.

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Em seguida à mensagem, o artista colecionou comentários bem carinhosos dos seguidores. "Deus vai curar eles. Fica bem, tá? Eles te amam e estarão logo com você e a família toda. Vai ver só. Deus está com eles, sempre", disse uma pessoa na postagem.

Veja:

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Israel bombardeou cerca de 50 alvos na Síria em 2020, de acordo com um relatório anual divulgado nesta quinta-feira (31) pelas Forças Armadas do país, que raramente comentam sobre suas operações no país vizinho.

No relatório, o exército israelense indica que "aproximadamente 50 alvos foram bombardeados na frente síria", sem dar mais detalhes. Israel realizou centenas de ataques na Síria desde o início da guerra em 2011, contra tropas do governo, forças aliadas iranianas e combatentes do movimento xiita libanês Hezbollah.

O Estado hebreu desaprova a presença de forças iranianas nos arredores de seu território, já que a República Islâmica é um de seus principais inimigos.

Os últimos ataques atribuídos a Israel na Síria ocorreram na quarta-feira. De acordo com a agência oficial síria Sana, um soldado sírio foi morto e vários outros ficaram feridos no ataque contra uma posição militar perto de Damasco.

“Não comentamos as informações da mídia estrangeira”, respondeu o exército israelense, que raramente confirma os detalhes de suas operações na Síria, conforme relatado de ONGs e da imprensa.

Consultada pela AFP, uma porta-voz militar disse que os números apresentados no relatório correspondem a 20 de dezembro. O documento também indica que aeronaves israelenses fizeram 1.400 excursões "operacionais" em 2020, sem dar mais detalhes.

Em relação à Faixa de Gaza, 176 foguetes foram disparados deste enclave palestino controlado pelo movimento islâmico Hamas contra o território israelense, dos quais 80 foram interceptados pelo sistema de defesa antimísseis e 90 caíram em terrenos baldios, de acordo com o relatório do exército.

Hamas e Israel travaram três guerras desde 2008. Na terça-feira, o Hamas e outros grupos armados realizaram exercícios militares conjuntos na Faixa de Gaza para homenagear o aniversário da guerra de 2008 com Israel, na qual 1.440 palestinos e 13 israelenses morreram.

Nesta era de novas tecnologias, todos os chineses estão colados no telefone celular. Todos? Não, muitos idosos não sabem usar a Internet e, por isso, o Estado passou a oferecer aulas de atualização digital.

Aos 70 anos, Li Changming acaba de comprar um celular. Para saber como usá-lo, participa de um curso organizado pelas autoridades de seu bairro em Chengdu, uma metrópole no sudoeste da China.

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"Ainda não entendo todas as funções, mas quero entender", disse à AFP, acrescentando que "nunca é tarde para aprender".

Na frente dele, uma professora mostra como fechar um aplicativo.

Saber usar um celular se tornou algo vital na China, um país onde o comércio eletrônico ganha espaço (24,3% do total, no terceiro trimestre), e o dinheiro em espécie está em vias de extinção.

Daí o interesse das autoridades para que toda população se familiarize com o comércio on-line. Os aplicativos de pagamento dos gigantes WeChat e Alibaba estão em todas as lojas, mesmo nas menores. E, nos mercados, é normal pagar por uma alface digitalizando o código QR do vendedor.

- Questão de sobrevivência -

"Não dá para viver sem celular", afirma Meng Li, uma mulher de 60 anos de Chengdu que fez o curso e acaba de fazer sua primeira compra on-line.

Com essa formação digital, o governo também pretende impulsionar o consumo e estimular a terceira idade a comprar.

Na China, em 2025, haverá 300 milhões de aposentados, praticamente a população dos Estados Unidos, e seu poder aquisitivo representará mais de 750 bilhões de dólares, segundo a Daxue Consulting.

Embora 98% das áreas rurais estejam atualmente conectadas ao 4G, quase um terço da população não tem acesso à Internet, ou seja, 460 milhões de habitantes.

Por este motivo, o governo decidiu, em novembro, "fortalecer as competências dos idosos" no setor digital, por meio destes treinamentos.

O novo coronavírus, que atingiu o gigante asiático em cheio no início do ano, expôs a urgência de conectar mais pessoas.

Quando a população de Wuhan (centro), onde o vírus foi detectado em dezembro passado, ficou confinada durante semanas, os residentes que conseguiam fazer seus pedidos a distância tiveram muito menos problemas para se abastecer.

Mais de 36 milhões de pessoas acessaram a Internet pela primeira vez entre março e junho.

Desde a epidemia, na China, mesmo que seja apenas para circular é necessário ter algum conhecimento tecnológicos: muitos locais públicos e meios de transporte exigem que seja exibido um aplicativo que avalie os riscos epidemiológicos de cada pessoa, com base nos contatos que ela teve.

Na proa da canoa, o menino Francisco Uruma olhava para o pai e para o avô, que, em concentração, buscavam o pirarucu nas águas do rio, no Alto Solimões. Era mais do que uma pesca. Da mesma forma, o caminho pela mata para buscar açaí era mais gostoso até que a pequena fruta. O que importavam mesmo eram as histórias ao longo dos caminhos. Uruma de 40 anos de idade, é cacique da Aldeia Tururucari-Uka, do povo da etnia Omágua-Kambeba. Eles vivem em terra na área rural de Manacapuru (AM) desde 2004. O cacique já tem três netos (que vivem em outra aldeia, a sete horas de barco) e espera ser para eles o que os ancestrais representaram na sua vida. Domingo, o pai, de 82 anos, ainda trabalha e gosta de contar histórias. Até pelos exemplos que teve, o cacique orienta que toda a comunidade mantenha contato permanente com os mais velhos para que as tradições e os saberes não se percam. Neste domingo (26), porém, Dia dos Avós, vai ser mais um dia em que os mais velhos serão ouvidos, mas com distância.

“Como a aldeia é em círculo, conversamos aos gritos, cada um da sua casa”. Todos de máscara. A aldeia tem 60 pessoas. Nas conversas, os mais velhos contam histórias de superação e de lendas que revigoram a raiz da comunidade. Falam também que é necessário se proteger e se isolar, caso o vírus contamine alguém. No único caso positivo confirmado, a doença não evoluiu. “Precisamos cuidar dos mais velhos que estão conosco”.

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Para Uruma, que também tem curso de coaching, é preciso que os mais jovens, também em situações como essa, tenham atenção e respeito cada vez que os mais velhos falam. Estar com os netos é mostrar união, dedicação, passar conhecimentos vividos e mostrar que ser avô indígena também faz parte da sabedoria milenar”, diz o jovem avô cacique, que é pedagogo e agente de saúde. Em tempos de pandemia, ele organizou o povo para não receber visitantes. Nem mesmo a família. A saudade dos netos é uma parte dolorosa dessa história. A aldeia que recebia grupos de turistas teve que se fechar para se proteger. Assim, nem mesmo os familiares que vivem em outras regiões podem entrar. “A gente se fala por telefone e mensagens”.

Ouvir os idosos

A geógrafa Márcia Kambeba, que é mestre e pesquisadora sobre a identidade de sua etnia, ratifica que os avós na aldeia ocupam espaço destacado. “Quando criança, nós somos orientados a ouvir as narrativas dos nossos avós. Os avós são fundamentais na construção do ser-pessoa. É normal na aldeia a gente se reunir ao redor da cadeira de um idoso. Enquanto ele fala, todos têm que ouvir em silêncio. Nós somos treinados a ouvir”, afirma.

Ela lembra que a família a estimulava a visitar casas dos mais velhos para ouvir, a cada dia, uma história diferente. “É preciso prestar atenção em cada detalhe falado. Assim, fui aprendendo sobre o rio, sobre a mata e a espiritualidade. Isso contribui para crescermos num ambiente saudável. Os idosos são o eixo de transmissão dos saberes de um povo”. Como pilar de vida, Márcia destaca que a avó, Assunta, falecida em 2001, foi referência fundamental de vida para ela.

“Deitada em uma rede com fibra de tucum, ela contava sobre as dificuldades que eu iria enfrentar”. E apontou os caminhos. A avó falava de natureza à literatura. Hoje, Márcia, que também é escritora, leva poesia a asilos em grandes cidades. “O lugar do idoso não é no quarto do fundo da casa. Eles são nossos troncos velhos e não podem ser silenciados nem ficar à margem de uma família. Há jovens que não querem mais ouvir narrativas. Isso entristece os mais velhos”.

Transmissão da cultura e saberes

O agricultor Simplício Arcanjo Rodrigues, de 59 anos, um dos fundadores da Coordenação Nacional de Articulação de Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), vive na comunidade de Rio das Rãs, em Bom Jesus da Lapa (BA), onde vivem pelo menos 800 famílias e mais de duas mil pessoas. Ele é avô de quatro netos. Todos estão longe: três, a 150 km de distância, em outra comunidade na Bahia, e uma caçula em São Paulo. A pandemia adiou os encontros que costumavam ser frequentes nas férias.

Ele entende que um dever de avô é garantir a transmissão da cultura e dos valores de luta do povo dele. Rodrigues reconhece que a invasão de outras influências acabam afastando os jovens mesmo das comunidades centenárias. “O que eu passo para eles é a cultura afro-brasileira, e os valores de respeito à família e a história do povo negro aqui no país. Conhecimento representa empoderamento”. Escravidão, mortes, fugas e preconceito fazem parte das discussões na comunidade.

Ele testemunha uma conquista local que foi direito à terra onde a comunidade vive. A vitória na justiça, mediante laudo antropológico, completou 14 anos, mesmo havendo registro da presença de quilombolas no local há mais de dois séculos. “Foi muita luta porque havia disputa dessa área por outros grupos”. Essa história é uma das preferidas dos mais jovens. Tanto que ele faz questão de visitar as três escolas da comunidade quilombola para repetir a história do lugar. Por isso, ele se considera um avô também para a comunidade. “Nossos ancestrais morreram na esperança que a gente melhorasse a situação. A história não pode morrer na gente”. E não morre. Há um cemitério nas proximidades da comunidade. E ele considera isso importante para “lembrar de onde viemos”. "Os mortos carregaram os vivos. São nos nossos ancestrais que nós buscamos força e resistência”.

Mesmo com as influências de fora, afinal uma comunidade “não é uma bolha”, Simplício Arcanjo testemunha que tradições são mantidas, como pedir as bênçãos aos mais velhos e as festas religiosas em várias denominações. “Uma das coisas que a gente combinou por aqui é que um deveria respeitar a religião do outro”. São os mais velhos que devem passar isso para os mais jovens. “Aí tanto faz se é neto de sangue ou não”. Simplício sabe que, quando há eventos turísticos na região, que atraem brasileiros e até estrangeiros, os mais jovens conseguem explicar de onde vieram.

Mesmo de longe, a pequena Emanuele, de sete anos, neta de Simplício, diz que tem muito orgulho do que representa o avô para a comunidade. “Ele é um homem batalhador. Ele é muito bom”. A esposa de Simplício, Paulina Souza Rodrigues, de 59, professora de escola da comunidade, sente muito a falta da neta e está angustiada porque sabe que dificilmente terá a visita da neta no final do ano. “Temos nos falado sempre. Ela diz que está com muita saudade. A neta não desgruda dos avós nas férias. Quando ela vem, não para de brincar. Vai no rio comigo e pede para a gente contar histórias. Agora, está sendo por telefone”. Paulina considera que o papel dos avós está sendo desafiador porque as crianças estão encantadas pelas novidades tecnológicas e nem sempre eles nos escutam.

Quem celebra ter escutado a avó é a professora de português Rosângela do Socorro Ramos, de 52 anos, que nasceu e foi criada na comunidade quilombola de Curiaú, em área rural de Macapá (AP). Hoje, a docente mora na cidade em função do trabalho, mas ela recorda que foi Maria Jovina Ramos (já falecida), que não pôde estudar, que estimulou que ela fosse fazer faculdade na Universidade Federal do Pará. Na formatura, em 1991, a avó esbanjava orgulho da neta. “Minha avó me mostrou uma visão muito além do tempo dela. Mais do que escolaridade, ela e outras mulheres de minha comunidade fizeram questão de passar para a gente que as mulheres deveriam estudar e ocupar espaço”.

Rosângela é professora em área urbana, mas sempre volta à comunidade. Um dos compromissos é com a Associação das Mulheres Mãe Venina do Quilombo do Curiaú. A missão do grupo é promover discussões com mulheres de várias faixas etárias sobre independência feminina. “Mesmo com tantas influências que os mais jovens recebem de fora, as avós que criaram muitas pessoas na comunidade querem ser ouvidas”. Entre as mensagens, o estímulo ao estudo e ao trabalho para que não fiquem confinadas em uma perspectiva doméstica. “A associação foi criada por inspiração de mulheres como a minha avó”. E de outras mulheres, como a professora Celeste Silva, de 75 anos, 30 netos e 15 bisnetos. “Os dias são difíceis com as novas gerações, mas nós precisamos continuar ensinando o respeito, independentemente de ser família ou não. Aqui na comunidade quilombola, tentamos trazer essas conversas sempre. Nesse momento, ficamos mais distantes por causa do vírus”.

Em grandes cidades

A aposentada Antônia Braz da Silva, de 74 anos, mora na zona leste de São Paulo desde a infância, quando os pais deixaram o distrito de Pedra Tapada, na cidade de Limoeiro (PE), para começar tudo de novo na capital econômica do país. Avó de sete netos e viúva, ela mora sozinha e tem se sentido angustiada e “presa” com a pandemia. A comunicação passou a ser apenas por videoconferência.

“Não sei quando os verei de perto de novo e quando virão aqui (três dos quatro filhos não vivem mais em São Paulo)”. Mesmo acostumada com a distância, ela se sentiu agora mais isolada. Sente falta, por exemplo, da possibilidade da presença e de contar histórias da família. “Quando eles eram menores, faziam mais perguntas e ouviam mais. Hoje, já são adultos e têm menos tempo”. Ficou mais satisfeita no ano passado, quando precisou fazer uma cirurgia, e os netos passaram a perguntar mais sobre ela. Durante a quarentena, vibra com cada ligação que recebe.

Cada ligação também tem um sabor especial para a enfermeira Eleuza Martinelli, em Brasília. Só que, no caso dela, ser avó é uma novidade que surgiu durante a pandemia. “Sempre sonhei em me tornar avó e em julho de 2019 recebi a notícia de que este sonho iria se realizar. Tudo muito escolhido e preparado para recebermos a Rafaela. Minha primeira neta”. A menina nasceu em Goiânia (GO), em 26 de fevereiro, data em que foi registrado o primeiro caso de covid-19 no país.

“Não imaginávamos que a doença iria trazer tantos transtornos e mudar muitos nossos planos. A alegria era muito grande. Uma mistura de sentimentos de avó e de mãe que é indescritível. Porém a pandemia mudou nossos planos e achamos melhor nos distanciar”. A partir daí, as conversas, orientações e carinhos tornaram-se virtuais, mesmo que tão reais. “Trocas de mensagens e chamadas de vídeos viraram rotinas. Neste domingo (26), ela faz 5 meses e está cada dia mais esperta”. Não era de longe como Eleuza e o marido, Jaime, esperavam passar o dia dos avós, mas...“Falo todos os dias com minha filha Mariana, recebemos vídeos e fotos de cada novidade. Sempre reinventando uma nova forma de compensar o contato físico. Aprendemos uma nova maneira de amar que transcende todas as barreiras que a pandemia trouxe”.

A comerciante Graça Carvalho, de 61 anos, avó de três netos, mora em Parnamirim (RN), na Grande Natal, e optou por ficar longe para se proteger e também à mãe dela, Maria, de 95 anos. Está passando um tempo na casa da família, em Santana do Matos, a 200 km da capital potiguar. Graça foi avó pela terceira vez durante a pandemia. Ana Letícia completou um mês de vida. “O que a gente deseja para os netos é amor, proteção. Nesse momento, a forma de fazer isso é todo mundo se cuidar ficando longe”.

O cuidado com os idosos

Avós têm razão em estar em alerta e serem cuidadosos, mas a contaminação não significa uma sentença de morte, segundo o médico Thiago Rodrigues, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, no Distrito Federal. Ele testemunha que a possibilidade da infecção tem elevado a tensão entre os mais velhos, mas é necessário, sobretudo, fazer a prevenção adequada. “Nesse momento, guardar distanciamento é importante. Os idosos são elos mais fracos e vulneráveis. Nesse Dia dos Avós, a celebração tem que ser com distanciamento dos mais jovens”. O médico explica que o organismo dos idosos é mais suscetível principalmente por causa da pneumonia que o vírus pode provocar.

“A pneumonia viral acaba inflamando o nosso pulmão e diminui a capacidade de oxigenação do nosso sangue. Nos idosos, pelo processo de envelhecimento natural, eles estão mais vulneráveis às doenças crônicas que afetam o organismo de forma sistêmica. Quem tem alguma comorbidade acaba tendo uma descompensação das doenças que já possuía”, explica. Além da preocupação com o distanciamento, o médico indica que é necessária também atenção com o estado emocional dos mais velhos. “O distanciamento físico não deve significar isolamento de carinho. Um reflexo positivo desse momento tem sido uma preocupação das pessoas se conectarem mais. Uma condição de muitos idosos em momento de não-pandemia já era o de isolamento e eram colocados à margem. Nesse momento, os jovens também estão experimentando isso e percebem também que existe solidão. Uma ligação nesse Dia dos Avós é um gesto importante nesse contexto. Após a pandemia, imagino que pode haver um renascimento do desejo de abraçar e de estar mais perto dos idosos”.

No outro lado desse abraço, pode estar a criança. Presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade de Pediatria de São Paulo, o médico Marco Aurélio Sáfadi, explica que as complicações com crianças e bebês são muito raras. “Não quer dizer que não exista risco. A maioria das crianças que tem a doença passa de uma forma tranquila. Temos dúvidas sobre o papel das crianças na transmissão do vírus. Dados preliminares indicam que os principais transmissores são adultos jovens. Mas é necessária muita cautela e especial cuidado em caso de convivência entre crianças e avós”. O médico recomenda que as crianças, de todas as idades, devem utilizar máscara para proteção dos mais velhos. No aspecto emocional, ele considera que, em uma situação de pós-pandemia, os mais novos terão condições de se readaptar à realidade. “Elas têm uma capacidade de superar o que ocorreu. Mas devemos considerar os contextos sociais de muitas famílias em situação de precariedade”.

A psicóloga Daniela Taborianski Lima, que atua em Bauru (SP), concorda que as crianças têm uma compreensão maior e capacidade de readaptação que os adultos desconhecem. Mesmo diante da distância dos avós, há um lugar reconhecido pelos menores. “Os avós trazem um modelo de amorosidade, que representa segurança. Tanto é assim que, em momentos de dificuldade e dor, costumamos recordar da experiência com eles e elas”. A psicóloga recomenda que os adultos devam conversar abertamente sobre a situação com os menores, explicando que essa situação é temporária e que, por isso, se deu o isolamento. Da mesma forma, ela salienta que, tanto para crianças como para os idosos, momentos como esse podem requerer acompanhamento profissional de forma que as pessoas sejam cuidadas emocionalmente. Inclusive, Daniela Lima experimenta aos 40 anos a experiência de ser avó. “Está sendo uma experiência enriquecedora e amorosa com minha pequena Alice, de dois anos”.

"Amorosidade também é ensinado"

Seja nas comunidades centenárias, em área rural, sob o movimento da natureza, ou apreendido nas correrias das vidas urbanas, chamar vó e vô costuma aliviar o dia. “Amorosidade também é ensinado”, explica a psicóloga. Amor para ensinar a pescar, lutar e traduzir os “mistérios da vida”. Por enquanto, de longe. “Em breve vamos nos encontrar em um novo normal. A vida vai seguir e em cada etapa vamos reinventar uma forma de viver intensamente esse amor que até então eu desconhecia”, diz a avó Eleuza Martinelle, em Brasília. “Eu não sei se tenho tanto a ensinar. Mas sei falar do passado”, como diz o avô Simplício Rodrigues, em comunidade quilombola na Bahia. Avós são feitos desse saber vivo, de uma saudade em andamento, e desse lugar-amor multiplicado.

As autoridades da Suíça informaram nesta quarta-feira (29) que as crianças menores de 10 anos de idade poderão abraçar novamente os avós.

De acordo com o chefe do departamento de doenças infecciosas do Ministério da Saúde local, Daniel Koch, as diretrizes sobre o tema foram revisadas com especialistas de universidades das cidades de Zurique, Berna e Genebra.

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"As crianças pequenas não estão infectadas e não transmitem o vírus. Eles simplesmente não têm receptores para pegar a doença", declarou Koch. No entanto, Koch aconselhou que os pequenos façam apenas "um breve contato com os netos", sem reuniões familiares.

Entretanto, nem todos os especialistas compartilham dessa medida. Segundo o virologista alemão Christian Drosten, não há dados suficientes para provar que crianças pequenas não podem transmitir a Covid-19.

Segundo dados da universidade Johns Hopkins, a Suíça possui 29.407 casos do novo coronavírus e quase 1,7 mil mortes.

Da Ansa

Paula Lavigne recorreu ao Instagram, na última quarta-feira (8), para anunciar uma  notícia: ela e Caetano Veloso serão avós.

Muito feliz, a empresária publicou uma foto recebendo um beijo do cantor e anunciou que Tom Veloso, filho dos dois, está esperando um bebê com a esposa Jasmine.

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"É com muita alegria que comunico que a família Lavigne-Veloso vai crescer!", escreveu ela ao compartilhar a imagem.

O FBI prendeu nesta quarta-feira (7) no aeroporto de Miami, nos Estados Unidos, os avós maternos de um menino que está no centro de uma disputa judicial de guarda entre o pai americano e a mãe brasileira, que também envolve os governos dos dois países. O casal é acusado de participar de conspiração para o sequestro de menor, crime punível com até 8 anos de prisão.

Carlos e Jemima Guimarães foram detidos pela manhã. Sua filha, Marcelle, é mãe de um menino de 8 anos levado de maneira definitiva ao Brasil em 2013 sem o consentimento do pai, Christopher Brann. Desde aquela época, ele trava uma batalha judicial contra a família da mãe no Texas, onde vive, e no Brasil.

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Na segunda-feira (5), o casal Guimarães terá audiência perante um juiz, que decidirá se eles permanecerão detidos ou serão soltos mediante fiança. "Lamento muito que chegamos a esse ponto. Tudo o que eu quero é que meu filho tenha igual acesso a ambos os seus pais", disse Brann em nota. "Se ele voltar imediatamente para Houston (no Texas), estou preparado para pedir que a procuradoria seja leniente no tratamento dos casos de Carlos e Jemima." Guimarães é presidente de uma trading de commodities com sede em Londres.

Marcela Fragoso, advogada de Marcelle, disse que é um "absurdo" os Estados Unidos deterem os pais de sua cliente. Segundo ela, a Convenção de Haia sobre Aspectos Civis da Abdução Internacional de Crianças determina que o Brasil tem jurisdição para decidir o destino do garoto. Marcela destacou que o Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1) confirmou julgamento de primeira instância que deu vitória à mãe e determinou que a criança fique no Brasil.

O advogado de Brann, Sergio Botinha, já recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão. Botinha ressaltou que a ação no Brasil tem natureza cível, distinta do processo criminal que levou à prisão do casal Guimarães. Na ação cível, Brann tem apoio do governo brasileiro, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), que se manifestou a seu favor.

Atrito

A situação de crianças nascidas nos EUA e levadas ao Brasil sem o consentimento do pai ou da mãe americanos é um dos pontos de atrito da relação bilateral. Em relatório sobre o ano de 2016, o Departamento de Estado Americano afirmou que o Brasil não cumpre as obrigações previstas na convenção, em razão de decisões judiciais contrárias à aplicação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Uma das líderes do grupo das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, anunciou nessa quarta-feira (5) que o neto 121 foi encontrado. A notícia já havia sido veiculada pela imprensa argentina, mas a confirmação foi feita apenas ontem, durante entrevista. A informação é da Agência Ansa.

Segundo De Carlotto, o homem de 40 anos é filho de Ana María Lanzillotto e de Domingo "El Gringo" Menna, ambos membros do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT) e do Exército Revolucionário do Povo (ERP), que foram sequestrados pelos membros da ditadura em julho de 1976.
 
A denúncia sobre o sequestro de Lanzillotto foi feita por uma irmã dela, Irma Ferrara de Menna, que foi para o exílio no México em 1982. Na época, ela afirmou que sua irmã estava "grávida de oito meses e em perfeito estado de saúde".

O homem é ainda sobrinho de Alba Lanzilotto, a única integrante da comissão diretora das "Avós" que tinha apenas o sobrinho - e não um neto - desaparecido. Segundo estimativa do grupo, há cerca de 150 argentinos que foram retirados de suas famílias - que lutavam contra a ditadura - ainda bebês e que cresceram sob identidades diferentes.

A polícia prendeu nesta quinta-feira o avicultor Elthon da Silva dos Anjos, de 22 anos, acusado de matar os avós e uma tia a facadas, no bairro rural de Gramadinho, em Porto Feliz (SP). O rapaz , que morava com os avós, disse à polícia que cometeu os crimes porque a avó ameaçava denunciá-lo à mãe. Ele é usuário de cocaína. Na noite de terça-feira, depois de uma discussão, Elthon matou a avó Margarida Monteiro de Oliveira, de 60 anos, o avô Adelino de Oliveira, de 65, e a tia, Sirlene Aparecida de Oliveira, 35 anos.

"Ele nos contou que matou primeiro a avó e que decidiu matar as outras vítimas porque elas acordaram e o viram cometendo o crime e tentaram impedi-lo", contou o delegado de Porto Feliz André Marinho Bonan. Segundo ele, o acusado disse estar sob efeito de drogas. "Num dos corpos foram mais de 10 golpes", disse. Os corpos foram encontrados no dia seguinte por uma sobrinha que foi até a casa porque ninguém atendia ao telefone. "A sobrinha percebeu que Elthon não estava e o carro do avô, um Fiat Pálio, não estava na garagem", disse Bonan. "Foi nossa primeira suspeita", disse.

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As suspeitas aumentaram depois que Elthon voltou à residência dos avós, na tarde de quarta-feira, sem o carro, contando que havia sido sequestrado. Ao levar a polícia para um suposto cativeiro, caiu em contradição e na manhã desta quinta-feira, após interrogatório, confessou o crime. "Ele contou que retirou R$ 100 da bolsa da avó e foi até a cidade de Itu comprar mais drogas, mas chegando lá, bateu o carro numa motocicleta e voltou a Porto Feliz, onde inventou essa história", contou o delegado.

Segundo o delegado, Elthon morava em Monte Mor e havia retornado recentemente a Porto Feliz, sua cidade, indo morar numa edícula, nos fundos da casa dos avós. Segundo Bonan, o rapaz teve prisão temporária decretada de 30 dias pela Justiça e vai responder por triplo homicídio. O delegado disse que, por enquanto, não suspeita da participação de um segundo criminoso. "O depoimento dele nos convenceu e não conseguimos provas disso (de outro criminoso). Ele agiu sob efeito do entorpecente e como era um idoso e uma mulher, teve forças para praticar o crime sozinho", disse. Mas, segundo ele, só vai descartar totalmente a hipótese depois que fizer a reconstituição, marcada para a próxima terça-feira.

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