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Nesta terça-feira (8) faz 43 anos desde que o primeiro CD foi anunciado pela Philips. A invenção revolucionou a indústria fonográfica e foi um sucesso durante as décadas de 1980 e 1990. O LeiaJá preparou um conteúdo especial sobre sua criação: 

 A holandesa Philips, em 1974, pretendia criar um disco óptico de áudio com som superior ao vinil, em um formato menor, de até 20 cm. Três anos depois, a companhia estabeleceu seus laboratórios exclusivamente para a confecção de CD's. O primeiro modelo tinha 8,5 cm de diâmetro.  

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 A Sony também trabalhava na tecnologia, com foco na codificação e leitura, tendo feito algumas demonstrações em 1976. Porém, só em 1979 um protótipo foi anunciado pela Philips. Com o anúncio do protótipo, a Sony e Philips se juntaram em uma força tarefa para a realização do projeto.  

 Com a junção das empresas, o projeto foi acelerado e, em 1982,a versão final foi lançada, com os atuais 12 cm. O tamanho foi determinado para que a mídia pudesse comportar a nona sinfonia de Bethoven, supostamente a favorita do vice-presidente da Sony na época, Norio Ohga 

Entretanto, um fato curioso é que antes da decisão do tamanho, a empresa japonesa encomendou uma pesquisa sobre o tamanho médio dos bolsos de cidadãos da América, Ásia e Europa, para ter certeza que o CD seria facilmente transportado.  

O sucesso do CD foi tanto que anos depois a Sony lançava o "Discman", um player portátil de CD. Em 1986, a produção de CD 's havia superado a marca de 45 milhões de unidades, chegando a 300 milhões em 1992.  

Apesar do sucesso, no início dos anos 2000 o formato começou a ser descontinuado, isso por conta da chegada da internet e o avanço dos drivers portáteis de memória. Com isso, as vendas dos discos começaram a diminuir radicalmente. As lojas de departamentos diminuíram os locais de vendas de CD's e hoje em dia é raro achar o formato. 

 

Graças ao streaming, o mercado fonográfico brasileiro cresceu 17,9% em 2017 na comparação com 2016. Foi um resultado bem superior ao da média mundial - que subiu 8,1%, também na esteira dos serviços de transmissão digital de música. No caso brasileiro, foi uma recuperação de receitas depois de uma década ruim e de dois anos consecutivos no negativo: em 2016, estas haviam caído 3%; em 2015, 1,7%.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 24, pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) e a Pró-Música Brasil - Produtores Fonográficos Associados, e mostram que a maior adesão a plataformas como Spotify, Apple Music e Deezer fez com que o avanço do streaming no Brasil fosse de 64% ano passado; no mundo (onde os assinantes já somam 176 milhões de pessoas), foi de 41,1%.

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Já os CDs seguem em declínio, muito por conta do fechamento das lojas. As vendas físicas tiveram decréscimo na média mundial de 5,4%, enquanto no Brasil, onde o varejo encolheu ainda mais, a queda verificada foi mais de dez vezes maior, de 56%. Os downloads digitais estão virando coisa do passado: a queda no mercado global foi de 20,5% ante 2016; no País, de 31%.

O mercado brasileiro de música gravada passou a ocupar o nono lugar no planeta, segundo a IFPI, depois dos Estados Unidos, Japão, Alemanha, Inglaterra, França, Coreia do Sul, Canadá e Austrália, e à frente da China - os serviços foram descobertos pelos chineses mais tarde, com a abertura para o Ocidente.

A América Latina foi a região com maior crescimento: 17,7%, quando na América do Norte o mercado se expandiu 12,8%, na Ásia/Austrália/Oceania, 5,4%, e na Europa, 4,3%.

O mercado digital nacional já é responsável por 92% do total do faturamento combinado (físico e digital juntos). Os números são de um Brasil que saiu da recessão no primeiro trimestre de 2017. Em 2018, deverão melhorar, acredita Paulo Rosa, presidente da Pró-Música Brasil, levando em consideração a expansão dos smartphones, hoje em 177 milhões de aparelhos (além de 28 milhões de tablets). Ainda há muito espaço para crescimento das plataformas nas regiões mais pobres do Brasil, analisa o mercado.

"O streaming é protagonista e está crescendo de forma consistente. Há dez anos, a gente não tinha a menor ideia de que estaria com essa configuração hoje no mercado. Em 2016, tivemos um recuo de 3% causado por uma pequena variação na execução pública e pelo declínio das vendas físicas", explica Rosa. As receitas totais resultam da soma das vendas digitais e físicas, dos rendimentos advindos de execuções públicas e de direitos de sincronização.

Rosa também aponta que o número de assinaturas de serviços de streaming no Brasil ainda é muito pequeno frente ao potencial dos consumidores. "A expectativa é crescer dois dígitos por alguns anos. O primeiro grande operador, a Apple, começou aqui em 2011, e ainda não era streaming, mas download. O Spotify foi em 2014. É tudo muito recente", ele sublinha.

O fato de as assinaturas terem valores acessíveis deve ajudar na continuidade do boom do streaming. A indústria já sabe também que mesmo na crise o público não deixa de comprar música - as pessoas só escolhem meios mais baratos de consumir o que desejam ouvir.

"O mercado brasileiro pode e vai crescer ainda mais, esta é a sua vocação. O acesso fácil aos serviços de assinatura, que são 90% do crescimento no streaming, transformou a pirataria em algo inútil e em desuso acelerado", avalia Marcelo Castello Branco, diretor da União Brasileira de Compositores (UBC) e ex-executivo de gravadoras.

Ele lembra que o crescimento ainda está muito concentrado no Sudeste do Brasil e tende a se alargar pelo Norte e o Nordeste. "Podemos voltar ao quinto ou sexto lugar no mundo em poucos anos, consagrando a nova música brasileira, já adepta do jogo digital e de suas métricas, e ter novos alcances globais. Existe toda uma nova geração de artistas que já nasceu vivendo e aprendendo a jogar o jogo digital".

O top 10 do streaming no País tem apenas um estrangeiro - o primeiro colocado é o britânico Ed Sheeran, com a chiclete The shape of you. Em seguida na lista vêm Alok (Hear me now), Henrique & Juliano (Vidinha de balada), Matheus & Kauan (Te assumi pro Brasil) e Anitta e Pabllo Vittar (Sua cara).

No rol dos 20 primeiros, Anitta aparece com cinco músicas - além de Sua cara, estão Você partiu meu coração, com Nego do Borel e Wesley Safadão, Loka, com Simone e Simaria, e Paradinha. Simone e Simaria, com três (as outras foram Raspão e Regime fechado). Pabllo, com duas (a outra foi K.O.), assim como Wesley Safadão (entrou também Ar condicionado no 15).

O cantor é um assassino, o baixista, um ex-ladrão e, junto com outros presidiários, eles integram a "Zomba Prison Project", uma banda muito particular formada em uma prisão do Malaui que surpreendeu ao obter uma indicação ao Grammy 2016.

"Ainda não estamos acreditando. Não pensávamos que um grupo de prisioneiros pudesse ser indicado" ao prêmio mais importante da indústria fonográfica americana, explica o baixista Stefano Nyerenda, de 34 anos, que cumpre pena de 10 anos por roubo.

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O cantor Elias Chimenya foi condenado por assassinato e as letras das músicas são escritas por Thomas Binamo, um guarda prisional.

O primeiro disco do grupo, "I have no everything here" (Aqui não tenho tudo) foi lançado em janeiro do ano passado e foi indicado ao prêmio de melhor álbum do ano na categoria World Music.

"Quando ouvi a notícia, pensei: 'mas o que é um Grammy?'", lembra o encarregado dos prisioneiros do Malaui, Little Dinizulu Mtengano. Em seguida, correu para a prisão de alta segurança de Zomba, no sul do país, para dar a notícia aos detentos.

Os membros do grupo ficaram surpresos. "Estou muito feliz, é bom para o ânimo dos prisioneiros", explica Dinizulu Mtengano à AFP.

O impulsionador do projeto é um produtor americano Ian Brennan. Em 2013, passou duas semanas nesta prisão, trabalhando com 60 detidos e guardas para, ao final, selecionar 16 músicos para compor o álbum.

O resultado é um disco com 20 canções, a maioria em chewa, principal idioma local, gravados dentro da prisão em um estúdio improvisado situado ao lado de uma carpintaria barulhenta.

Algumas das músicas foram inspiradas na própria vida dos prisioneiros, com títulos como "I kill no more" (Eu não mato mais) e "Prison of Sinners" (Prisão de pecadores).

"A música me ajuda a relaxar e a aceitar a situação", afirma Elias Chimenya, de 46 anos, autor e intérprete de "Jealous Neighbour" (Vizinho ciumento).

"Espero que não morram na prisão", afirma este prisioneiro, condenado à prisão perpétua por um assassinato que cometeu nos anos 1980. "Eu gostaria de sair e começar uma carreira musical", desabafa de sua cela nesta prisão superlotada, onde vivem quatro mil detidos, apesar da capacidade para apenas 300.

Baldes para fazer música

A prisão já contava com um grupo de músicos formado apenas por homens. Mas o álbum indicado ao Grammy inclui também mulheres, que diante da falta de instrumentos usam o que têm em mãos, como baldes e tubos.

"Quando os prisioneiros chegam aqui não sabem nada" de música, explica Thomas Binamo, o guarda que também escreveu as letras de algumas canções.

"Ensinamos a cantar, a tocar o teclado, a percussão e a guitarra até que se tornem músicos; a música pode aliviá-los", assegura.

O produtor Ian Brennan, que trabalhou em muitas prisões dos Estados Unidos, disse estar surpreso porque em Zomba "não há limites estritos entre detidos e guardas".

Também repudia as críticas pela voz dada aos criminosos. "Alguns detidos foram declarados inocentes e logo liberados. Mas alguns que trabalham no álbum estão aqui para o resto de suas vidas", explica.

Os músicos detentos receberam uma pequena quantia para gravar o álbum e dividem o lucro das vendas.

"A indicação ao Grammy é motivadora e nos tornou conhecidos no Malaui e lá fora", comemora Thomas Binamo, autor da letra de "Please, don't kill my child" (Por favor, não mate meu filho).

"Levar o prêmio seria a cereja do bolo", afirma, enquanto os membros da banda, com seus uniformes brancos da prisão, ensaiam uma nova canção em um estúdio iluminado com uma única lâmpada.

Agora será preciso esperar até 15 de fevereiro para conhecer o veredicto dos Grammy em Los Angeles, uma cerimônia na qual os presos não poderão assistir, mas que talvez conte com a presença de alguns outros membros do grupo em liberdade.

O hábito de ouvir música em "streaming" (execução online) está ganhando espaço em todo o mundo, mas a indústria fonográfica, em plena crise, não para de se questionar: será esta uma oportunidade de se recuperar ou o tiro de misericórdia?

Durante muitos anos, a indústria fonográfica esperou que os "downloads" compensassem a queda de vendas de CDs. No entanto, o volume de músicas baixadas diminuiu no ano passado nos Estados Unidos, pela primeira vez desde a criação do iTunes em 2003.

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Depois de dez anos de crise profunda, a indústria fonográfica está se reestruturando em torno do "streaming", que permite ouvir uma música sem baixá-la, por meio da assinatura de um site ou em um portal gratuito, financiado com publicidade.

Segundo a imprensa, a fabricante sul-coreana de eletrônicos Samsung estaria disposta a investir no site francês de música em "streaming" Deezer.

Já seu concorrente Qobuz, também francês, se estabeleceu recentemente em oito países europeus. E nos Estados Unidos, os cofundadores da fabricante de fones de ouvido Beats by Dre acabam de lançar um serviço dedicado a recomendar músicas.

Na Suécia, país pioneiro e lar do aplicativo Spotify, o "streaming" catapultou as vendas da indústria de música gravada, em alta de 5% em 2013 pelo terceiro ano consecutivo. Mas essa tendência não se repetiu em outros países, como a França.

"Este é um mercado que vai se desenvolver porque vai se segmentar segundo a qualidade do som, a recomendação, os gostos musicais, a categoria sócio-profissional do público... Eu acho que a assinatura pode começar muito abaixo e crescer muito mais do que hoje em dia", declarou à AFP o presidente da Qobuz, Yves Riesel.

O problema é que ouvir música em "streaming" rende às casas fonográficas muito menos dinheiro do que os "downloads".

Da parte dos artistas, entre eles as bandas de rock Radiohead e Pink Floyd, cada vez são mais os que se queixam dos escassos ganhos dos músicos, especialmente os estreantes, que não podem contar com um nível elevado de royalties.

Recentemente, frente à dimensão da polêmica, o Spotify revelou o valor que paga aos artistas por cada reprodução de sua peça: em média, US$ 0,007.

"Se as pessoas se limitam a ouvir canções que já conhecem nos sites de 'streaming', não haverá dinheiro para financiar a criação. Temos a responsabilidade comum [com os artistas e as casas fonográficas] de fazer nossos usuários descobrirem novos artistas", argumentou recentemente o presidente do Deezer, Axel Dauchez.

"O 'streaming' está apenas em 5% de seu potencial. Quando tiver alcançado um volume significativo em termos de usuários, os rendimentos serão mais expressivos. É preciso pensar no longo prazo. E não esquecer que antes do 'streaming', o que havia era a pirataria", explicou Eddy Maroun, presidente do serviço libanês Anghami.

Para Yves Riesel, da Qobuz, "o futuro é uma combinação de 'downloads' e 'streaming'".

"Após um acordo com [a dupla francesa] Daft Punk, o iTunes disponibilizou a execução gratuita do último álbum antes de seu lançamento, incentivando as pessoas a encomendá-lo e isso funcionou de forma extraordinária. Os ganhos desse álbum não têm nada a ver como os que haveria se o Daft Punk o tivesse oferecido no Spotify", explicou Riesel.

As vendas de CDs nos Estados Unidos caíram no primeiro semestre, após terem um crescimento no ano passado. Enquanto isso, os downloads pagos de música subiram.

As informações, divulgadas pela empresa de pesquisa Nielsen, afirmam que nos EUA foram vendidos 150,5 milhões de CDs no primeiro semestre, 3% a menos que no mesmo período de 2011. Já as vendas de músicas pela internet tiveram alta de 6% e somaram 698 milhões.

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Os números da indústria fonográfica em geral, considerando downloads de música e CDs físicos e digitais, mostram uma alta de 4% no primeiro semestre para 853,2 milhões de unidades.

"Embora as vendas do varejo continuem enfrentando dificuldades diante das tendências do mercado, as vendas digitais devem ter mais um ano de recorde", previu o vice-presidente-sênior de desenvolvimento da Nielsen, David Bakula.

A música "Somebody that I used to know", do cantor australiano Gotye, com a participação da neozelandesa Kimbra, foi a quye teve mais downloads pagos: 5,5 milhões.

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