Tópicos | O Evangelho Segundo Jesus Rainha do Céu

A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) finalmente divulgou o local da realização da apresentação gratuita e inserida na grade de atrações do Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), da peça de teatro “O Evangelho Segundo Jesus Cristo Rainha do Céu”, na tarde desta sexta-feira (27). O espetáculo será realizado às 21h na Rua Celso Galvão, nº 01, no bairro de Heliópolis. 

Desde o anúncio da realização do espetáculo teatral, diversas polêmicas cercaram o festival devido a protestos de pessoas que acusavam o monólogo de ser desrespeitoso ao cristianismo.

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Entre os opositores declarados do espetáculo, estão: o atual prefeito de Garanhuns, Izaías Régis (PTB), que proibiu a abertura do Centro Cultural de Garanhuns à peça, e o Bispo Diocesano Dom Paulo Jackson, que emitiu uma nota oficial declarando que a Igreja Catedral fosse utilizada pelo FIG. 

As apresentações independentes organizadas através de financiamento coletivo e com venda de ingressos já esgotada e o local só será divulgado para o público pagante no momento da retirada dos bilhetes. 

Os interessados em assistir à montagem gratuita promovida pela Fundarpe após uma decisão judicial do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) em uma ação iniciada pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) deverão retirar o ingresso gratuitamente a partir das 20h desta sexta-feira (27), portanto uma hora antes da apresentação, no local da montagem da peça. Cada pessoa só poderá retirar um ingresso e a indicação indicativa do espetáculo é de 18 anos.

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Circulam nas redes socias fotos de camisas com os dizeres "Deus me fez homem" e "Deus me fez mulher". A peça seria uma reação a chegada da montagem "O Evangelho Segundo - Jesus Rainha do Céu", que tem uma atriz trans no papel de Jesus, a cidade de Garanhuns, no Agreste pernambucano. 

De acordo com informações, as blusas estão sendo distribuídas no município. Em fotos enviadas ao LeiaJá, as peças levam nas costas, os nomes empresário Álvaro Fernandes e tem apoio do prefeito de São João, Genaldi Zumba. Em entrevista ao Portal, na última quarta-feira (25), Izaías Régis (PTB), gestor de Garanhuns, comentou sobre as peças. Confira as imagens: 

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O LeiaJá entrou em contato com Genaldi Zumba e Álvaro Fernandes, mas até o fechamento da matéria não houve retorno.

O Prefeito de Garanhuns, Izaías Régis (PTB), declarou em entrevista ao LeiaJá que mesmo diante da decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), que determina a reinserção da peça O Evangelho Segundo Jesus Rainha do Céu na programação oficial do Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), não irá ceder o espaço do Centro Cultural de Garanhuns à Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) para a encenação do espetáculo. 

A única exceção aberta por ele foi o caso de ser obrigado por força de decisão judicial. Ele afirma que sua gestão não tem nenhuma participação na montagem da programação do FIG e, portanto, não teria relação com a decisão em questão.

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“A Prefeitura não tem a ver com a decisão do TJ porque a grade do festival é da Fundarpe e do governo do estado, que chega aqui e coloca simplesmente um pacote, bota o que quer na grade do Festival de Inverno, não pergunta à Prefeitura, não pergunta à sociedade, não participamos em nada”, disse o prefeito. 

No entanto, de acordo com informações fornecidas pela assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) na tarde desta quarta-feira (25), “O juiz Enéas Oliveira da Rocha, da Vara da Fazenda Pública de Garanhuns, está preparando a intimação para o oficial de justiça intimar as partes, a Prefeitura do Município de Garanhuns e a Subprocuradoria do Estado”.

Antes do cancelamento da peça, Izaías já havia declarado que não cederia o Centro Cultural, local escolhido pelo Estado para a realização do espetáculo, e agora reafirmou seu posicionamento diante dos novos fatos a respeito do caso. 

“Eu continuo dizendo, o nosso Centro Cultural não está a disposição da Fundarpe. Se quiser fazer onde ia ser antes, eu não vou permitir, o nosso Centro Cultural vai ser fechado (...) mas Justiça é Justiça, se eu for obrigado eu vou fazer [o que for determinado]”, afirmou o prefeito. 

O prefeito ainda se queixa de uma suposta falta de transparência por parte do Governo do Estado no que diz respeito ao conteúdo da programação do festival. “A Fundarpe errou quando não comunicou o que seria esse evento”, afirmou ele, que também questionou a decisão do TJPE, que além de determinar a reinserção da peça instituiu uma multa em caso de descumprimento. 

“Eu não sei se a Justiça acertou. O estado não está garantido a segurança da gente, é assalto todo dia, quanto mais num negócio desse! Tem que pensar em tudo isso”, afirmou o prefeito, que também conta que já houve protestos promovidos por grupos de jovens contrários à peça e que supostamente há um empresário na cidade confeccionando camisas com os dizeres “Deus me fez homem” e “Deus me fez mulher”. Apesar de ter feito um “alerta” sobre a possibilidade de conflitos na cidade devido à encenação do espetáculo, o prefeito afirma que “não estou incitando nada, graças a Deus eu sou da paz”.

Izaías afirmou que o seu posicionamento se deve ao fato de que ele foi eleito para representar a população e que a maior parte da cidade não quer que a peça seja encenada lá. “Somos uma cidade do interior do nordeste, temos que admitir que somos conservadores não estamos acostumados ainda com isso (...) a família cristã de Garanhuns, da qual eu sou representante mor, pede a mim que não permita”, diz ele. 

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O Prefeito de Garanhuns, Izaías Régis (PTB), fez duras críticas à cantora baiana Daniela Mercury, em entrevista concedida ao LeiaJá, pelas críticas que ela fez à tentativa de proibição da peça "O Evangelho Segundo Jesus Rainha do Céu", vista pela artista como uma forma de censura baseada em preconceito contra pessoas trans. 

Izaías afirmou que ficou muito triste. “O que Daniela Mercury fez com minha cidade não foi uma coisa normal para uma pessoa que tem sensibilidade e família”.

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O prefeito continuou, afirmando que a cantora utilizou o telão do palco para exibir uma foto que mostrava “ela e a namorada dela uma em cima da outra”, em uma atitude que, para ele, é desrespeitosa. Izaías Régis também fez queixas quanto à linguagem utilizada pela cantora, que na visão dele é "inadequada".

“Eu não tenho nada contra pessoas trans e LGBT, não sou homofóbico, agora eu acho que o limite de respeito tem que existir, não pode incentivar as crianças e adolescentes”, afirmou Izaías, que também afirmou que as atitudes tomadas por ele foram motivadas porque “a família cristã de Garanhuns, da qual eu sou representante mor, pede a mim que não permita a peça no centro cultural e não vou permitir”. 

Apesar das críticas, o prefeito admitiu também que não estava presente no momento da apresentação de Daniela no Festival de Inverno. “O que Daniela disse repercutiu na cidade de uma maneira, eu não assisti o show dela, eu estava no Recife, mas eu vi nas redes sociais. Pelo amor de Deus, ela faltou com o respeito, ela foi aplaudida e vaiada”, afirmou.

Durante seu show no palco principal do Festival de Inverno de Garanhuns, Daniela afirmou que fica chocada com a proibição de uma apresentação teatral e que “nossa constituição não é a bíblia” em uma clara crítica à atitude do prefeito de não ceder um espaço público para a realização da peça.

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 O Ministério Público do Estado de Pernambuco (MPPE), através da 2º PJ de Defesa da Cidadania, expediu recomendação direcionada ao Governo do Estado e ao Município de Garanhuns, para que a peça 'O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu', que traz uma atriz trans no papel de Jesus, seja reinserida na programação do 28º Festival de Inverno de Garanhuns (FIG). O documento, publicado no Diário Oficial do órgão, aponta divergência entre a temática do evento, 'Um Viva a Liberdade', e o caso de censura à manifestação artística.

Além disso, o MPPE ressaltou a liberdade de expressão, tomando como base a Constituição Federal. “É dever do Ministério Público a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis, conforme o artigo 127 da Constituição Federal de 1988”, diz parte do documento.

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Além da reinclusão da montagem na grade do festival, o MPPE recomenda que a Secretaria de Cultura e a Fundarpe promovam diálogo com os responsáveis pela peça, no prazo de dez dias, e cabendo ao Governo do estado e Prefeitura de Garanhuns a promoção de programas ou projetos nas escolas, faculdades e universidades que reforcem a formação humanista e democrática.

No dia 29 de junho, o prefeito de Garanhuns, Izaías Régis (PTB), se pronunciou contrário à apresentação de 'O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu' durante o Festival de Inverno. Mesmo com garantias da manutenção da peça no FIG dadas pelo Secretário de Cultura, Marcelino Granja, diante da pressão, o evento foi cancelado.

Diante do imbróglio, um grupo de artistas e produtores culturais iniciaram uma mobilização por meio das redes sociais e financiamento coletivo online, que ultrapassou a meta em menos de 30 horas de campanha. O espetáculo já tem data marcada, dia 28 de julho. Por questões de segurança, não será previamente divulgado o local da apresentação.

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A vereadora do Recife Aimée Carvalho (PSB) condenou, nesta segunda-feira (18), a peça de teatro "O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu", na qual Jesus Cristo é retratado em uma mulher transexual. A apresentação foi proibida de ser encenada no Sesc de Jundiaí, em São Paulo, no fim de semana

"Não hesitaremos em acionar a Justiça caso esta apresentação tente vir ao Recife", afirmou a pessebista. "A promoção deste material é uma afronta não somente aos cristãos, protestantes e católicos brasileiros, mas a todos os que prezam pelo cumprimento da Lei", acrescentou. 

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Segundo Aimée, o Código Penal Brasileiro afirma, em seu artigo 208, que “escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso” é crime passível de pena de detenção, de um mês a um ano, ou multa. "Esta apresentação representa, sem dúvidas, o vilipêndio da fé", disparou.

“Estamos vivendo tempos difíceis, onde a intolerância tem atingido níveis preocupantes sob pretextos cada vez mais discutíveis”, disse, lembrando da exposição do Santander que gerou polêmicas. A vereadora classificou ainda a apresentação teatral como “desrespeitosa, desnecessária, de péssimo gosto e de baixíssimo nível intelectual”. 

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