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O reverendo Amilton Gomes de Paula chorou durante depoimento na CPI da Covid e pediu desculpas ao Brasil por ter participado da tentativa de venda de vacinas ao Ministério da Saúde. O referendo declarou que o fez "não agradou primeiramente aos olhos de Deus", e que ele se arrependia "de ter estado nessa operação das vacinas".

"Eu tenho culpa, sim. E hoje de madrugada antes de vir pra cá eu dobrei os meus joelhos, orei, e aí eu peço desculpa ao Brasil. E o que eu cometi não agradou primeiramente aos olhos de Deus", disse, e emendou: "Esse erro que eu cometi é um erro que se eu pudesse voltar atrás eu voltaria. Eu peço perdão a todos os senadores, a todos os deputados, e o que eu puder fazer pra melhorar a vida de alguém... Pra quem me conhece como pastor e está me assistindo e está dizendo 'esse eu conheço". Jamais fraudei ou tirei algo de alguém, estou aqui para contribuir com o Brasil sempre".

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O reverendo chegou à comissão após ser apontado por representantes da Davati Medical Supply como um "intermediador" entre o governo federal e a empresa, que ofertava vacinas. A Davati é investigada pela CPI da Covid após o policial militar Luiz Paulo Dominghetti, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, dizer que o então diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, cobrou propina de US$ 1 por dose da vacina AstraZeneca para fechar contrato com a empresa.

'Dúvida cruel'

Marcos Rogério (DEM-RO), que é presbítero da Assembleia de Deus, tentou isentar o reverendo de responsabilidade e afirmou que Amilton poderia ter sido induzido por sua boa fé. "Eu não fiz essa ponderação com relação a Dominghetti e com relação a Cristiano" ", falando sobre dois representantes da Davati que prestaram depoimento à CPI "porque ali me pareceu absolutamente se tratar de dois trambiqueiros, mas em relação a vossa excelência não quero fazer essa presunção, eu quero crer na sua boa-fé, e que vossa senhoria tenha sido vítima dessa situação toda".

"De que paraquedas o senhor caiu nessa mediação. Estou numa dúvida cruel, eu não sei se vossa senhoria foi enganado, ludibriado, ou se vossa senhoria, com todo respeito, é parte de uma tríade de golpistas. Eu lamento muito ter que fazer isso aqui, porque eu defendo o governo, mas não defendo qualquer prática que passe parte de alguma suspeita de irregularidade."

Na retomada dos depoimentos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia do Senado, nesta terça-feira (3), o reverendo Amílton Gomes de Paula foi o primeiro a ser ouvido. A CPI investiga se ele teria tentado intermediar a aquisição de vacinas contra a covid-19 pelo governo brasileiro por meio da empresa Davati Medical Supply. Aos senadores, ele negou conhecer pessoas ou ter influência para intermediar a negociação. O reverendo disse que, por meio de e-mails enviados por ele à pasta, conseguiu três reuniões com a cúpula do ministério.

As audiências ocorreram nos dias 22 de fevereiro e 2 e 12 de março deste ano. “Eu não tinha contatos. Os contatos que eu tinha eram sempre de forma formal, eletrônica”, garantiu.

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Fundador da Secretaria Nacional de Assuntos Religiosos (Senah), uma organização sem fins lucrativos (ONG), Amilton de Paula afirmou que sua atuação se limitou a indicar para o Ministério da Saúde alguém que teria imunizantes. Ele disse também que foi usado pela Davati Medical Supply, empresa investigada pela comissão por suas tratativas sobre vacinas com o governo federal.

O reverendo explicou que foi procurado pelo policial militar Luiz Paulo Dominghetti, suposto negociante de vacinas, no dia 16 de fevereiro, e que na ocasião Dominghetti teria comentado sobre a entrega de 400 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeca em até oito dias, por US$ 3,97 a dose. “Entendemos que fomos usados de maneira ardilosa para fins espúrios e que desconhecemos. Vimos um trabalho de mais de 22 anos de uma ONG, entidade séria, voltada para ações humanitárias, educacionais, jogado na lama, trazendo prejuízo na sua credibilidade e atingindo seus integrantes nas relações profissionais e familiares”, avaliou.

Sobre a primeira audiência no Ministério da Saúde, no dia 22 de fevereiro, às 12h50, Amilton de Paula disse que encaminhou um e-mail ao Ministério da Saúde solicitando um encontro para o mesmo dia, às 16h30. O assunto seria a compra das vacinas e o reverendo foi atendido prontamente. “O senhor mandou e-mail às 12h, apontou o horário que queria ser recebido e no mesmo dia isso ocorreu. Queria essa eficiência do governo também com a Pfizer. O que nos espanta é que farmacêuticas de todo o mundo não tiveram esse tipo de tratamento”, disse o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues ( Rede-AP).

O presidente do colegiado, senador Omar Aziz (MDB-AM), também disse não acreditar na versão. Aziz comentou que se ele levasse uma comitiva de prefeitos de qualquer lugar do país ao ministério teria dificuldade para ter um espaço na agenda, principalmente numa época de pandemia.

Ao reafirmar por diversas vezes que não tinha contatos no governo federal, o reverendo explicou porque acha que foi atendido prontamente com o pedido de audiência. “Fui lá como embaixador mundial da paz”, disse. “Imagino que por causa da escassez [de vacinas] que estávamos vivendo, fomos recebidos”, acrescentou.

No dia 12 de março, data que teria tido a última reunião no Ministério da Saúde, o encontro foi com o então secretário-executivo da pasta, coronel Élcio Franco. No encontro, houve a apresentação da oferta de 400 milhões de doses de vacina da Astrazeneca. “A reunião foi muito rápida”, destacou Amilton.

Quebras de sigilo

Nesta nova etapa da comissão deve aprofundar as investigações sobre negociações de vacinas envolvendo intermediários sem o aval de fabricantes estrangeiros. Na primeira parte da reunião de hoje, durante votação de requerimentos, 129 dos 135 requerimentos que estavam na pauta foram aprovados. Um deles foi a quebra de sigilo da empresa VTCLog, atual encarregada da logística para a entrega de vacinas.

Outro aprovado é o que quebra os sigilos telefônico, fiscal, bancário e telemático do líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR). Barros foi citado no depoimento dos irmãos Luís Ricardo, servidor do Ministério da Saúde, e Luís Miranda, deputado federal (DEM-DF), como envolvido em um suposto esquema de corrupção na compra da vacina Covaxin. Luís Miranda também teve os sigilos quebrados.

Ainda entre os requerimentos aprovados há um pedido de afastamento de Mayra Pinheiro do cargo de secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, além da nova convocação do ex-secretário executivo da pasta Élcio Franco.

 

Negando ter contatos no Ministério da Saúde, o reverendo Amilton Gomes de Paula disse que enviou e-mail à Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, para marcar reunião no dia 22 de fevereiro, às 16h30, com vistas à “apresentação e possível negociação da vacina AstraZeneca”.

O reverendo afirmou que foi recebido na data pelo então diretor de Imunização e Doenças Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde do ministério Lauricio Monteiro Cruz.

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Os senadores Renan Calheiros (MDB-AL) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) questionaram a facilidade e a rapidez com que Amilton de Paula foi recebido, diante do fato de não ter contatos no ministério.

"O senhor mandou o e-mail às 12h, apontou o horário a ser recebido [16h30] e houve a reunião. Queria essa eficiência do serviço público para a Pfizer", afirmou o senador Randolfe.

Após Renan e Randolfe perguntarem ao reverendo Amilton o que explicaria o seu prestígio por ter sido recebido no Ministério  da Saúde no mesmo dia em que encaminhou e-mail, enquanto laboratórios eram ignorados pelo governo, o religioso afirmou que foi pela "urgência da demanda e escassez" de vacinas. Amilton negou conhecer alguém na pasta.

Reverendo diz desconhecer oferta de propina para vacinas

Ao senador Eduardo Braga (MDB-AM), o reverendo Amilton disse desconhecer a denúncia do pedido de propina de US$ 1 por dose da vacina AstraZeneca, como afirmou à CPI o policial Dominguetti Pereira, representante da empresa Davati, à CPI.

O reverendo disse ainda que conversou duas vezes com o CEO da Davati, Herman Cadenas, que teria lhe garantido que tinha vacinas para serem comercializadas.

Braga destacou que, em recente entrevista televisiva, Cadenas assegurou que tinha prioridade de alocação e não vacinas propriamente.

*Da Agência Senado

Com foco nas investigações sobre denúncias de possíveis irregularidades e propinas na aquisição de vacinas contra a Covid-19, a CPI da Pandemia retoma os trabalhos na próxima semana com depoimentos do reverendo Amilton Gomes de Paula, do sócio da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, e de Túlio Silveira, representante da empresa. 

O cronograma para a volta do recesso foi definido pela cúpula da CPI. O primeiro a ser ouvido será o reverendo Amilton, na terça-feira (3). Ele é apontado por representantes da Davati Medical Supply como um "intermediador" entre o governo federal e empresas que ofertavam vacinas.

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O reverendo, que é presidente de uma ONG, a Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), recebeu em fevereiro autorização do Ministério da Saúde para negociar 400 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19.

Já na quarta-feira (4), a expectativa é ouvir Francisco Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos, e responsável por negociar a vacina Covaxin, produzida pelo laboratório indiano Barath Biotech. A defesa de Maximiano acionou o Supremo Tribunal Federal para pedir que o empresário seja autorizado a faltar ao depoimento na CPI. Segundo os advogados, ele viajou para a Índia. Vice-presidente da comissão, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que pedirá a prisão preventiva dele caso não retorne da Índia para prestar depoimento. 

"Nós recebemos a notícia que o senhor Francisco Maximiano se evadiu para a Índia e pretende não ser ouvido pela CPI na quarta-feira. Eu quero recomendar ao senhor Francisco Maximiano: volte e compareça à CPI de imediato no dia que seu depoimento está marcado. Evadir-se do país quando tem uma investigação em curso é crime. E nós não titubearemos em pedir a sua prisão preventiva", disse Randolfe.

Na sequência, a CPI pretende ouvir Túlio Silveira, advogado da Precisa. O depoimento está previsto para quinta-feira (5). O colegiado também votará requerimentos na terça-feira (3) com pedidos de convocações, quebras de sigilos, informações e audiências públicas que devem orientar a atuação do colegiado até o dia 5 de novembro — prazo final prorrogado da comissão de inquérito. Segundo Randolfe, a cúpula da CPI pedirá o bloqueio de bens de duas empresas de Francisco Maximiano: a Precisa Medicamentos e a Global.

Documentos

Mesmo sem depoimentos durante o recesso, a CPI não parou. Senadores aproveitaram o tempo para analisar junto com suas equipes os documentos recebidos pelo colegiado.

"Neste tempo, nossas equipes ficaram analisando documentos, cruzando sigilos fiscais, sigilos bancários e recebendo outros documentos que são objeto das nossas investigações", apontou o senador. 

As informações serão utilizadas durante as oitivas para questionar os depoentes e ajudarão na elaboração do relatório final. 

*Da Agência Senado

A CPI da Pandemia ouvirá na quarta-feira (14) o reverendo Amílton Gomes de Paula, a partir das 9h. O religioso recebeu em fevereiro autorização do Ministério da Saúde para negociar 400 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19, representando o governo brasileiro.

A convocação atende pedido do vice-presidente do colegiado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). O senador lembra que o caso veio à tona no início de julho, quando o Jornal Nacional, da Rede Globo, mostrou e-mails em que o diretor de Imunização do Ministério da Saúde, Laurício Cruz, autorizava o reverendo a negociar a compra de vacinas AstraZeneca em nome do governo. 

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O reverendo, que é presidente de uma ONG, a Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), deveria intermediar o imunizante com a empresa Davati Medical Supply.

Nos e-mails, Cruz afirmou ao reverendo que os processos de aquisição de vacinas pelo Ministério da Saúde eram direcionados pela Secretaria-Executiva da pasta. 

De acordo com Randolfe, em 4 de março, o próprio reverendo Amilton postou fotos de uma reunião no ministério da qual participou. Cruz aparece em uma das fotos. Na postagem, Amilton confirmou a participação em "articulação para a consecução de uma grande quantidade de imunizantes".  

Em outro e-mail, Cruz confirmou para o presidente da Davati nos EUA, Herman Cardenas, que o reverendo Amilton intermediaria as negociações. 

Superfaturamento

Randolfe reforça que Lauricio Cruz, que é médico veterinário, foi nomeado para o Ministério da Saúde pelo ex-ministro Eduardo Pazuello. O valor das vacinas negociado nos e-mails era de US$ 17,50 a dose, três vezes mais do que o Ministério da Saúde pagou em janeiro a um laboratório indiano.

O valor também é muito maior do que o mencionado pelo policial militar Luiz Paulo Dominghetti, que se identificou como intermediário entre a Davati e o Ministério da Saúde, na mesma negociação dos 400 milhões de doses. Dominghetti disse à CPI que a vacina custaria US$ 3,50 a dose.

*Da Agência Senado

Com depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid marcado para esta quarta-feira (14), o reverendo Amilton Gomes de Paula apresentou nesta segunda, 12, à presidência do colegiado um atestado médico informando da "impossibilidade momentânea" de comparecer ao Senado.

O religioso é presidente da Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah) e, segundo o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), negociou a contratação de 400 milhões de doses da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca em nome do governo brasileiro com o aval do ex-diretor do Departamento de Imunização do Ministério da Saúde, Laurício Monteiro Cruz.

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O comando da CPI ainda não informou se irá aceitar o atestado do reverendo e mudar o cronograma de oitivas planejadas para esta semana.

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