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A força-tarefa da Operação Lava Jato investiga um repasse de R$ 148,5 mil de empresa do marqueteiro João Santana à produtora Like Filmes. Os investigadores suspeitam que a Like seja a mesma NDEC, ligada aos empresários Armando Peralta e Giovani Favieri, pivôs do empréstimo de R$ 12 milhões tomado pelo PT no Banco Schahin, por meio do pecuarista José Carlos Bumlai.

A Like Filmes, uma produtora de vídeos, aparece na quebra de sigilo de uma das empresas de Santana - preso desde 23 de março, em Curitiba. A Like recebeu R$ 148,5 mil em 2014, ano em que o marqueteiro tinha como principal campanha eleitoral a da presidente Dilma Rousseff.

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Em 2006, o Ministério Público Federal da Bahia chegou a abrir investigação por pagamento suspeito entre a NDEC, ligada aos dois empresários, e à agência Santana e Associados Marketing e Propaganda. Agora, a força-tarefa investiga se a Like foi utilizada pela NDEC, cujo nome fantasia é Vídeo Brasil Central (VBC), para receber novos repasses indevidos.

Os pagamentos de produtoras da campanha de 2014 estão sob a análise do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As descobertas da Lava Jato, que agora retomará as apurações que envolvem João Santana e a Operação Acarajé, podem ajudar o órgão. Peralta e Favieri atuaram nas campanhas de Marta Suplicy (PMDB-SP) ao governo de São Paulo, em 1998, e à Prefeitura da capital paulista, em 2000.

Em depoimento à Polícia Federal, Bumlai disse que a operação de empréstimo no Banco Schahin a pedido do PT foi acertada com Peralta e Favieri. A Lava Jato considera ter provas de que a dívida foi paga com contrato da Petrobras dirigido ao Grupo Schahin, para operação de um navio-sonda, no valor de US$ 1,6 bilhão.

No registro da Junta Comercial de São Paulo, a Like e a filial da VBC em São Paulo estão ativas no mesmo endereço e têm o mesmo capital social (R$ 50 mil). Segundo os documentos, a Like está em nome de Claudinei Eufrásio Barbosa e Orlando Rocha, ligados a Peralta e a Favieri.

Defesas

Procurados, Armando Peralta e Giovani Favieri não foram localizados. Em conversa anterior, Favieri negou que a Like seja a NDEC e disse que não há vínculo com o PT. A Like Filmes foi procurada no telefone fornecido no seu site, sem sucesso. O e-mail da produtora está desativado. A Polis Propaganda, de João Santana, informou que "não comenta esse tipo de especulação". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A força-tarefa da Lava Jato afirmou, em nota, que a Operação Carbono 14, deflagrada nesta sexta-feira, 1, investiga o esquema de lavagem de capitais de cerca de R$ 6 milhões 'provenientes do crime de gestão fraudulenta do Banco Schahin, cujo prejuízo foi posteriormente suportado pela Petrobras'. Segundo a Procuradoria da República, durante as investigações da Lava Jato, constatou-se que o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contraiu um empréstimo fraudulento junto ao Banco Schahin em outubro de 2004 no montante de R$ 12 milhões.

"O mútuo, na realidade, tinha por finalidade a "quitação" de dívidas do Partido dos Trabalhadores (PT) e foi pago por intermédio da contratação fraudulenta da Schahin como operadora do navio-sonda Vitória 10.000, pela Petrobras, em 2009, ao custo de US$ 1,6 bilhão. Esses fatos já haviam sido objeto de acusação formal, sendo agora foco de uma nova frente investigatória", sustenta a força-tarefa em nota.

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As medidas estão sendo cumpridas em São Paulo, Carapicuíba, Osasco e Santo André. Segundo a Polícia Federal, os fatos investigados nesta fase apuram crimes de extorsão, falsidade ideológica, fraude, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

"A partir de diligências, descobriu-se que, do valor total emprestado de R$ 12 milhões a Bumlai, pelo menos R$ 6 milhões tiveram como destino o empresário do município de Santo André (SP), Ronan Maria Pinto. Como ressaltou a decisão que decretou as medidas cautelares, "a fiar-se no depoimento dos colaboradores e do confesso José Carlos Bumlai, os valores foram pagos a Ronan Maria Pinto por solicitação do Partido dos Trabalhadores". Para fazer os recursos chegarem ao destinatário final, foi arquitetado um esquema de lavagem de capitais, envolvendo Ronan, pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores e terceiros envolvidos na operacionalização da lavagem do dinheiro proveniente do crime contra o sistema financeiro nacional", aponta a força-tarefa da Lava Jato.

Segundo a Procuradoria, há evidências que apontam que o PT influiu diretamente junto ao Banco Schahin na liberação do empréstimo fraudulento. Para chegar ao destinatário final Ronan Maria Pinto, os investigados teriam se utilizado de diversos estratagemas para ocultar a proveniência ilícita dos valores e a identidade do destinatário final do dinheiro obtido na instituição financeira.

"Em suma, há provas que apontam para o fato de que a operacionalização do esquema se deu, inicialmente, por intermédio da transferência dos valores de Bumlai para o Frigorífico Bertin, que, por sua vez, repassou a quantia de aproximadamente R$ 6 milhões a um empresário do Rio de Janeiro envolvido no esquema".

"Há evidências de que este empresário carioca realizou transferências diretas para a Expresso Nova Santo André, empresa de ônibus controlada por Ronan Maria Pinto, além de outras pessoas físicas e jurídicas indicadas pelo empresário para recebimento de valores. Dentre as pessoas indicadas para recebimento dos valores por Ronan, estava o então acionista controlador do Jornal Diário do Grande ABC, que recebeu R$ 210.000 em 9/11/2004. Na época, o controle acionário do periódico estava sendo vendido a Ronan Maria Pinto em parcelas de R$ 210.000. Suspeita-se que uma parte das ações foi adquirida com o dinheiro proveniente do Banco Schahin. Uma das estratégias usadas para conferir aparência legítima às transferências espúrias dos valores foi a realização de um contrato de mútuo simulado, o qual havia sido apreendido em fase anterior da Operação Lava Jato."

A força-tarefa sustenta que outras pessoas possivelmente envolvidas na negociação para a concessão do empréstimo fraudulento pelo Banco Schahin também são alvo da operação realizada hoje. Segundo os investigadores, identificou-se que um dos envolvidos recebeu recursos de pessoas e empresas que mantinham contratos com a Petrobras e que já foram condenadas no âmbito da Operação Lava Jato.

"Esses pagamentos ocorreram ao menos até o ano de 2012. As pessoas cuja prisão foi determinada já tiveram prévio envolvimento com crimes de corrupção", aponta a Procuradoria.

Cinquenta policiais federais estão cumprindo 12 ordens judiciais, sendo 8 mandados de busca e apreensão, 2 de prisão temporária e 2 de condução coercitiva - quando o investigado é levado para depor e liberado. Os presos serão levados para Curitiba, sede da Lava Jato.

O nome da operação, Carbono 14, segundo a PF, faz referência a procedimentos 'utilizados pela ciência para a datação de itens e a investigação de fatos antigos'.

Em depoimento de mais de 6 horas à Polícia Federal, o empresário e pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, confessou a farsa dos embriões na operação fraudulenta para quitar o empréstimo de R$ 12 milhões com o Banco Schahin destinado ao PT. "Confessa que nunca houve a entrega de quaisquer embriões para as fazendas do Grupo Schahin", declarou Bumlai nesta segunda-feira, 14.

O amigo de Lula está preso em Curitiba desde 24 de novembro, quando foi capturado na Operação Passe Livre, desdobramento da Lava Jato. Bumlai é o protagonista de uma transação financeira que se transformou em um pesadelo para o PT. Em troca da concessão dos R$ 12 milhões, o Grupo Schahin ganhou um contrato de US$ 1,6 bilhão para operar o navio-sonda Vitoria 10000, da Petrobrás. Segundo Bumlai, o dinheiro foi repassado para o PT.

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O amigo de Lula havia declarado em um primeiro momento que uma operação de dação de "embriões de gado de elite" para agropecuárias do Grupo Schahin foi a saída para quitação formal do empréstimo de R$ 12 milhões realizado em 2004.

No depoimento desta segunda, ele revelou a farsa. "Acreditava que com a assinatura do contrato (com a Petrobrás) a Schahin quitaria sua dívida; que, passado mais um tempo, o interrogando foi procurado por um advogado da Schahin, cujo nome não se lembra, para articular uma forma de quitar a dívida; que o advogado esclareceu que havia necessidade em se simular uma operação que envolvesse bens móveis; que os únicos bens móveis que o interrogando poderia fornecer seriam embriões bovinos", declarou.

"Toda a materialização da operação de venda de embriões foi executada pela Schahin, competindo ao interrogando apenas a emissão das notas fiscais, por causa da localidade dos embriões - Campo Grande/MS; que a operação envolvendo os embriões não demandava o pagamento de ICMS; que dentre os papéis produzidos para a quitação da dívida, recorda-se da existência de um instrumento de confissão de dívida de cerca de sessenta milhões de reais; que tal documento causou estranheza ao interrogando; que este documento foi encaminhado pelo advogado da Schahin ao advogado do interrogando que não tinha ciência de que toda a operação de quitação do empréstimo era simulada."

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), usou mais uma vez sua conta no Twitter para rebater denúncias contra ele publicadas na imprensa. O peemedebista negou que esteja "perseguindo" Milton Schahin, presidente do grupo Schahin, citado na Operação Lava Jato, como traz reportagem do jornal O Globo neste domingo. Cunha anunciou que vai processar o empresário, a quem chamou de "pilantra".

O texto de O Globo traz entrevista na qual Schahin diz que o peemedebista vem patrocinando esquema de perseguição às suas empresas na Câmara. Levantamento feito pela reportagem cita que, desde 2008, foram apresentadas 33 propostas contra o grupo na Casa, como pedido de esclarecimentos sobre a venda do banco Schahin para o BMG e investigação de contratos de subsidiárias do grupo com a Petrobras. Os pedidos teriam sido feitos por parlamentares ligados à Cunha.

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"Em primeiro lugar é óbvio que desminto qualquer atitude sobre essa empresa, aliás suspeita de muitas irregularidades", escreveu Cunha no Twitter. O peemedebista ressaltou ainda que "nunca" morou em apartamento que não tivesse sido ocupado por meio de "locação devidamente paga". Neste caso, ele rebate informação divulgada pela reportagem de que teria morado em um flat em Brasília do empresário Lúcio Funaro, acusado de comandar a perseguição contra Schahin.

"Nunca pedi a ninguém para perseguir quem quer que seja", rebateu Cunha. Para o peemedebista, a matéria tenta transformar "bandido em herói". "Ao invés de o jornal colocar as suspeições existentes sobre a empresa, coloca a briga de negócios como ponto de denúncia", criticou.

O presidente da Câmara disse ainda esperar que as autoridades investiguem a empresa. "É óbvio que vou processar esse pilantra (Schahin) que tenta me envolver em seus problemas", completou.

Enquanto deputados da CPI da Petrobras ouviam membros da família Schahin repetindo que não contribuiriam com a comissão, o presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB), firmou um acordo de compartilhamento de informações com a comissão especial da estatal que acompanha as investigações independentes envolvendo o esquema de corrupção na companhia.

Motta recebeu a ex-ministra Ellen Gracie Northflet e Andreas Pohlman, que compõem a comissão da Petrobras, e o diretor de governança da estatal, João Elek. "Ficamos satisfeitos com o encontro pois reforça o respeito que a comissão e a Petrobras têm pela condução dos trabalhos da CPI, que está comprometida em aprofundar as investigações e solicitar a punição dos verdadeiros culpados por desviar o dinheiro do povo brasileiro", disse o peemedebista.

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De volta às oitivas, o presidente da comissão acaba de concluir o depoimento de Pedro Henrique Schahin, que se manteve em silêncio. O último a falar aos deputados é Milton Toufic Schahin, que também informou que permanecerá calado diante de todas as perguntas dos deputados.

Com um habeas corpus preventivo concedido pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), o empresário Carlos Eduardo Schahin anunciou que ficará em silêncio na CPI da Petrobras, mas ao contrário de outros depoentes, não foi dispensado de depor na tarde desta quarta-feira, 27. Acompanhado de advogados, o empresário já está há mais de meia hora ouvindo perguntas dos deputados e repetindo que não vai responder a nenhuma delas.

Além de Carlos Eduardo, o habeas corpus é extensivo a toda família convocada para depor hoje. Aguardam para depor na condição de testemunhas Salin Toufic Schahin, Rubens Toufic Schahin, Pedro Henrique Schahin e Milton Toufic Schahin.

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Ontem o ministro determinou que os Schahin e todos os sócios e diretores do grupo "tenham assegurado o direito de exercerem a prerrogativa constitucional contra a autoincriminação e de serem acompanhados por seus advogados, assim como se comunicarem com eles durante o depoimento". Mello negou o pedido para que eles não assinassem o termo de compromisso de dizer a verdade à CPI, mas assegurou aos advogados de defesa o direito de ter acesso aos documentos da comissão.

O presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB), entendeu que a decisão judicial permitia que os empresários ficassem em silêncio apenas diante de questões cujas respostas pudessem autoincriminá-los e decidiu submeter Carlos Eduardo a todas as perguntas de Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), da subrelatoria que investiga gestão temerária e superfaturamento no afretamento de sondas. "Por orientação dos nossos advogados, vou ficar em silêncio", repete Carlos Eduardo Schahin. O empresário continua depondo na CPI e respondendo com a mesma frase a todos os membros da CPI.

Motta, que ontem dispensou de imediato os investigados João Ricardo Auler (Camargo Corrêa) e José Aldemário Pinheiro Filho (OAS) após anunciarem que exerceriam o direito constitucional de ficar calados em todos os questionamentos, explicou que adotou procedimento diferente hoje porque avalia que, como testemunhas, eles poderiam contribuir como as demais testemunhas que depuseram na CPI. O peemedebista citou como exemplo o depoimento do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Netto, que tinha um habeas corpus semelhante, mas acabou falando aos parlamentares. "Não posso dar o mesmo tratamento dos investigados porque são diferentes. As testemunhas têm obrigação de falar a verdade, é outro tratamento. O tratamento tem de ser diferente porque são diferentes", argumentou.

Recuperação judicial

 

O Grupo Schahin, que passa por dificuldades financeiras, entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça paulista para 28 de suas empresas, que abrangem as áreas de Engenharia e de Óleo e Gás. O grupo está reestruturando uma dívida de R$ 6,5 bilhões, engrossando a lista de empresas envolvidas na Lava Jato que foram à Justiça para tentar se recuperar.

Na reestruturação foram demitidos 2.500 trabalhadores. Dentre os motivos apresentados para o pedido de recuperação estão a queda do preço do petróleo no mercado internacional e as investigações sobre o esquema de corrupção na Petrobras, que esgotaram as fontes de crédito para o setor.

A Petrobras rescindiu contratos para arrendamento (afretamento) e serviços de operação e manutenção de cinco navios sondas do grupo. Os contratos fechados em sua maioria entre 2006 e 2008 somavam cerca de R$ 15 bilhões na cotação atual do dólar. A estatal ainda quer cobrar multa de 10% sobre o valor total, por causa das paralisações das sondas ocorridas em abril.

Novos depoimentos

José Ricardo Nogueira Breghirolli e Mateus Coutinho de Sá Oliveira, da OAS, são os convocados da oitiva de quinta-feira, 28, e já avisaram à comissão que também devem permanecer calados. Seria ouvido nesta quinta-feira Erton Medeiros Fonseca, da Galvão Engenharia, mas a CPI decidiu - por sugestão do juiz Sérgio Moro - priorizar a oitiva de Dario de Queiroz Galvão, deixando o depoimento de Fonseca para outro momento.

O tão aguardado depoimento de Ricardo Pessoa, da UTC, também foi adiado para depois do dia 15 de junho, a tempo de ser concluído o processo de delação premiada e o empreiteiro vir à comissão com a obrigação de falar o que sabe.

A sentença arbitral que condenava as construtoras Schahin e EIT pelos prejuízos com o desmoronamento da barragem da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Apertadinho, em Rondônia, voltou a ter validade. Na quinta-feira, o Tribunal de Justiça do Ceará derrubou a decisão liminar que impedia a continuidade do processo arbitral, que corre fora do Poder Judiciário.

O caso pode elevar substancialmente o passivo de R$ 6,5 bilhões que está hoje listado na recuperação judicial do grupo Schahin. Se na apuração dos prejuízos causados pelo rompimento da barragem forem considerados todo os pedidos feitos pela Centrais Elétricas Belém (Cebel) e o que cobram os fundos de pensão, credores do negócio, as construtoras terão de desembolsar R$ 1 bilhão. A maior parte da responsabilidade é da Schahin, que comandava o consórcio construtor e como está em recuperação judicial esse passivo terá de ser negociado nesse processo.

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A decisão do desembargador Emanuel Leite Albuquerque, do Ceará, foi calcada no fato de a sentença arbitral ainda não ser definitiva. Isso porque tanto a Cebel quanto as construtoras estão questionando alguns pontos. Os árbitros precisam responder a esses questionamentos, ou até rever alguma posição, para então tomar a decisão a ser considerada como final. Apenas depois disso, segundo o desembargador, é possível tentar pedir a anulação da sentença na Justiça comum.

Segundo o advogado da Cebel, Wolf Ejzenberg, os efeitos do processo arbitral foram restabelecidos, mas o caso ainda será analisado pela turma de desembargadores que podem confirmar ou não a decisão.

As medidas judiciais são apenas liminares. Mas as duas construtoras estão tentando anular toda a sentença arbitral na Justiça por a considerarem abusiva e nula em alguns pontos. Estão usando a Justiça do Ceará porque é onde corre a recuperação judicial da EIT.

Apertadinho

A decisão da Câmara Arbitral foi tomada em fevereiro do ano passado e favorece a Cebel, empresa ligada a Lúcio Bolonha Funaro, que foi testemunha-chave no processo do mensalão. Funaro diz ser apenas assessor da empresa, mas as construtoras dizem que ele é sócio oculto e seria diretamente beneficiado com a decisão. Os juízes arbitrais entenderam que, pelo contrato da obra, a responsabilidade por eventuais acidentes cabia às construtoras.

Pelas contas apresentadas quando ocorreu o início do processo arbitral, há cinco anos, os prejuízos chegariam a R$ 500 milhões. A estimativa de R$ 1 bilhão seria por conta de correção e perdas por lucros cessantes apuradas durante esses anos. Na Justiça de São Paulo, os fundos de pensão dos funcionários da Petrobrás, Celesc e Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro alegam que têm a receber, com correção e multas, cerca de R$ 570 milhões. Os fundos compraram Cédulas de Crédito Bancário do financiamento concedido para a obra, que na época era de R$ 150 milhões.

A decisão do juízo de Jaguaruana levava em conta que se a EIT tivesse de pagar sua parte na sentença arbitral, seria levada imediatamente à falência. A construtora pertence à família Pinto Rôla, tradicional no Estado do Ceará. Fatura entre R$ 700 milhões e R$ 1 bilhão por ano, mas teve de pedir recuperação judicial, há três anos, pois não conseguia pagar uma dívida de R$ 300 milhões. Agora, sua sócia, a Schahin também está em recuperação. Ambas são citadas na Operação Lava Jato.

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