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O dramaturgo e criador do Teatro Oficina, Zé Celso Martinez, morreu na manhã desta quinta-feira (6), em São Paulo, aos 86 anos. O diretor estava internado após sofrer queimaduras em um incêndio em seu apartamento, ocorrido na última terça-feira (3). Zé Celso teve o estado de saúde agravado na quarta-feira (5), quando desenvolveu um quadro de insuficiência renal.

No momento do incêndio, ele estava dormindo. Informações preliminares apontam que a causa do acidente teria sido por causa de um aquecedor que estava no quarto do dramaturgo. Na ocasião, Zé Celso foi encaminhado para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), onde foi entubado após ter queimaduras em 60% do corpo.

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Além do diretor, estavam no imóvel no momento do incêndio o marido Marcelo Drummond, e os atores Victor Rosa e Ricardo Bittencourt. Os três não sofreram queimaduras, mas precisaram de atendimento médico por inalar fumaça. O 36º DP da Polícia Civil investiga as causas do incêndio.

Após a extinção do Ministério da Cultura, membros da classe artística e cultural se reuniram na noite desta terça, 17, no Teatro Oficina, para uma mobilização contra o fim do MinC. Mais cedo, diversos artistas ocuparam a sede da Funarte - Fundação Nacional das Artes, em São Paulo. O encontro no Oficina contou a presença do diretor do espaço, José Celso Martinez Corrêa, além do ator Pascoal da Conceição, a professora e filosofa Marilena Chauí, o cantor Edgar Scandurra (da banda Ira!), e Fernando Anitelli, do grupo musical O Teatro Mágico.

Sob os gritos de "Fora, Temer" e "Cultura no poder", artistas defenderam o restabelecimento da pasta, agora fundida ao Ministério da Educação. Após as primeiras manifestações, o governo interino de Michel Temer criou uma secretaria nacional de cultura, medida insuficiente, segundo os artistas. "A cultura é a infraestrutura da vida, inspirou os direitos humanos, a luta pela igualdade da mulher e das etnias", disse Zé Celso. "Ela tem sido muito massacrada pela economia e temos que levar a sério porque isso também ameaça tantos outros ministérios. Diante de um governo ilegítimo, só poderemos legitimá-lo com eleições diretas", defendeu.

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Scandurra criticou um recente vídeo em que o deputado Marco Feliciano pedia aos artistas que deixassem de procurar o MinC e passassem ao Ministério do Trabalho. "Esse cara não merece nosso respeito. Estou à disposição, ofereço minhas mãos e forças para essa nossa luta."

Anitelli disse que o fim do MinC se deu pelo histórico de alianças equivocadas entre certa parcela da esquerda. "A conta chegou! Agora precisamos olhar para o que é comum entre nós. Essa luta tem que ser pedagógica, lado a lado para reconstruirmos esse novo caminho. Seja no teatro, na música ou em qualquer arte, precisamos colocar a nossa indignação. Onde sobra intolerância, falta inteligência", comentou.

Para Marilena Chauí, a perda da pasta atinge a essência da criação artística. "A cultura é a capacidade de criação simbólica e de relação com o ausente. É por meio da memória que resgata o passado, é por meio da esperança que vislumbramos o futuro de um país. Esse governo não pode suprimir a cultura, que é a essência de todos nós. Isso se refere a toda a sociedade brasileira", afirmou.

Ex-secretário municipal da Cultura de São Paulo, o vereador Nabil Bonduki disse que a intenção de reduzir a pasta atinge a capacidade de reação da sociedade. "A cultura é articuladora da crítica e tudo que esse governo quer é extinguir", disse. A cineasta Eliane Caffé atentou que é preciso colocar nomes nos atores do cenário político. "É um golpe e só quando nomeamos é que a história vai caminhar."

Ao longo da última semana, artistas realizaram atos na sedes do MinC em Belo Horizonte, nos prédios do Iphan em Curitiba, Ceará, Rio Grande do Norte e, no Rio de Janeiro, também foram ocupados por artistas. Ainda estão previstas manifestações em Salvador. Em São Paulo, os manifestantes seguiram para a sede da Funarte, que segue ocupada com debates e encontros programados para o longo da semana.

O projeto arquitetônico do Teatro Oficina foi eleito o melhor do mundo pelo "The Observer". Projetado em 1991 pela arquiteta italiana Lina Bo Bardi fica localizado na Bela Vista.

Com sua estrutura horizontal, o teatro se distingue das construções teatrais clássicas em círculo. Nesse espaço, a plateia se senta no alto e de frente para uma parede envidraçada de 150 m².

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De acordo com o jornal, "o teatro construído para servir as performances orgásticas do criador do teatro, Zé Celso, que afirmou que a ideia para o plano aberto veio quando, em uma viagem de ácido e fugindo da polícia, ele encontrou-se preso contra uma parede sólida."

Confira a lista dos demais escolhidos:

2. Epidaurus (Grécia)

Projetado por Polykleitos em 4 A.C

3. Grosses Schauspielhaus (Berlim)

Projetado por Hans Poelzig em 1919

4. National Theatre (Londres)

Projetado por Denys Lasdun em 1976

5. Teatro Scientifico (Mantua)

Projetado por Antonio Bibiena em 1769

6. Hackney Empire (Londres)

Projetado por Frank Matcham em 1901

7. Metropol theatre (Tarragona)

Projetado por Josep Maria Jujol em 1908

8. Teatro del Mondo (Veneza)

Projetado por Aldo Rossi em 1979

9. Castle theatre (República Tcheca)

Projetado por Cesky Krumlov entre 1682 e 1766

10. Radio City Music Hall (Nova York)

Projetado por Edward Durell Stone e Donald Deskey em 1932

Nos anos 1980, garotos como Tadeu Jungle e Fernando Meirelles buscavam um modelo alternativo de televisão, experimentando novas linguagens e meios de expressão. O Sesc Pompeia abrigou suas primeiras experiências em vídeo. Um festival que dava seus primeiros passos, em 1983, registrou esse processo embrionário de programas fora do circuito comercial e pioneiras peças de videoarte. Esse festival, Videobrasil, criado há 30 anos por Solange Farkas, acompanhou não só a evolução dos citados realizadores como trouxe ao Brasil, pela primeira vez, videomakers respeitados como Nam June Paik, Bill Viola e Gary Hill, além do cineasta Peter Greenaway e o artista sul-africano William Kentridge. Para comemorar seu aniversário, o Videobrasil promove, nesta quarta-feira, 16, e amanhã, 17, no Sesc Pompeia, zona oeste de São Paulo, dois encontros para debater a linguagem do vídeo realizado no Brasil justamente nessa época.

O evento integra a programação do 18º Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil, que vai inaugurar em novembro, no mesmo Sesc Pompeia, mostras com veteranos e realizadores da novíssima geração. Nesta quarta (16), às 20 horas, Tadeu Jungle conversa com o diretor de teatro José Celso Martinez Correa e os videomakers pioneiros Walter Silveira e Pedro Vieira sobre as experiência dos Teatro Oficina e da produtora TVDO. Amanhã, o cineasta Fernando Meirelles, diretor do filme Cidade de Deus, discute com Marcelo Tas, Marcelo Machado e Goulart de Andrade a contribuição do vídeo para o desenvolvimento das novas mídias.

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O seminário do Videobrasil conta como esses realizadores apostaram na experimentação quando a videoarte ainda nem existia com esse nome e enfrentava a ação da Censura, como lembra a criadora do festival, inicialmente realizado em parceria com o Museu da Imagem e do Som (MIS) e há 18 anos transformado numa mostra mais abrangente com o apoio do Sesc. "Lembro de oficiais de Justiça entrando no MIS e dos processos que respondemos por causa de vídeos, não tanto por seu conteúdo político, mas por cenas de nudez, consumo de drogas e outros temas presentes nas produções dos anos 1980".

Curiosamente, a política marca algumas das 90 obras selecionadas para a mostra Panoramas do Sul, entre elas o vídeo Sitiado, do chileno Carlos Gusmán, de 26 anos, que trata dos anos de ditadura em seu país. Esse, porém, não é o tema dominante na mostra que será aberta em novembro e vai trazer nomes de jovens realizadores apontados por Solange Farkas como apostas do Videobrasil - três deles na faixa dos 30 anos, Bakary Diallo, do Mali, o israelense Dor Guez e o africano Emikal Eyonghakpe, da República dos Camarões.

A mostra chama-se Panoramas do Sul porque essa foi uma aposta - acertada - da criadora do Videobrasil. Até o sétimo festival não havia efetivamente a preocupação de exibir uma visão panorâmica do que estava sendo produzido na zona sul do globo. Os realizadores do Hemisfério Norte eram privilegiados no festival. Foi em 1990, ao visitar uma exposição de Nam June Paik no Pompidou, que a curadora teve seu momento epifânico.

VIDEOBRASIL - SEMINÁRIO - Sesc Pompeia. Teatro. R. Clélia, 93, 3871-7700. 4ª e 5ª, 20 h. Grátis - retirar ingressos 1 h antes - http://site.videobrasil.org.br/

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

José Celso Martinez Corrêa prepara um novo espetáculo sobre Cacilda Becker. O diretor do teatro Oficina planeja lançar no segundo semestre de 2013 a montagem: Rito Estúdio Cacilda - Glória no TBC. A peça deve reviver os anos de ouro de Cacilda no Teatro Brasileiro de Comédia e o grande investimento em cultura, por parte da burguesia paulista, que havia no período. Essa é a terceira parte de uma tetralogia sobre a atriz programada pelo encenador. Em 1998, ele lançou Cacilda!, obra de grande repercussão, que tinha Bete Coelho como protagonista. Em 2009, ocorreu a estreia da segunda parte: Estrela Brazyleira a Vagar - Cacilda!!

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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O Teatro Oficina convoca interessados em participarem do projeto Universidade Antropófaga. Os candidatos selecionados integrarão a equipe de vídeo e cinema de "Acordes", montagem baseada na peça de Bertolt Brecht e Paul Hindemith, com estreia prevista para o dia 8 de novembro.

Os interessados devem encaminhar, até o dia 1º de outubro, o material solicitado no site do grupo para o e-mail acordes@teatroficina.com.br. Os candidatos podem também comparecer ao Oficina, na Rua Major Diogo, 561, ou acompanhar a transmissão ao vivo de um dos ensaios. Os horários são: de segunda a sábado, sempre das 21h às 21h30 e das 22h às 22h30.

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As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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