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Um juiz de Los Angeles rejeitou nesta quarta-feira a ação de assédio sexual movida pela atriz Ashley Judd contra o ex-produtor de Hollywood e magnata Harvey Weinstein.

O juiz Philip Gutiérrez decidiu que a atriz pode prosseguir com seu processo por difamação, mas que a denúncia de assédio sexual não se enquadra na legislação da Califórnia.

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Judd acusa o outrora influente produtor - denunciado por abuso sexual por centenas de mulheres - de ter arruinado sua carreira devido a sua negativa de ceder ao assédio.

Segundo a ação, Weinstein convenceu o diretor Peter Jackson a não chamar a atriz para o elenco de "O Senhor dos Anéis", assegurando que era "um pesadelo" trabalhar com ela.

O juiz Gutiérrez esclareceu que o assédio é caracterizado em uma relação de trabalho já constituída, o que não foi o caso.

Weinstein pediu em julho o arquivamento do processo afirmando que entre os dois havia um "pacto sexual", no qual "ela deixaria ser tocada se ganhasse um prêmio da Academia por um de seus filmes'".

Judd alegou que o "pacto" remontava há 20 anos, quando o produtor a convidou para seu quarto em um hotel de Beverly Hills e a convidou para vê-lo tomar um banho. O acordo teria sido um artifício para escapar do assédio.

O diretor Peter Jackson confirmou, em dezembro de 2017, que Weinstein fez comentários na década de 1990 para desprestigiar atrizes que depois o acusaram de assédio ou abuso sexual.

Depois que Rashida Jones saiu da Toy Story 4 da Pixar em 2017, ela notou que o estúdio, após 25 anos nos negócios, não havia feito nenhum longa dirigido por uma mulher, considerando isso "uma cultura em que as mulheres e as pessoas de cor não têm uma igual voz criativa".

Então, quando o cofundador e CEO da Pixar, John Lasseter, pediu demissão, reconhecendo "erros" no seu comportamento com os empregados, ele foi mais do que outra vítima na longa lista de poderosos da indústria cinematográfica derrubados pelo movimento #MeToo. Ele era um símbolo de uma cultura de Hollywood que está morrendo - ou pelo menos sob ataque.

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"Essas empresas gigantes precisam de uma transformação", diz Jones. "Acho que as pessoas estão começando a reconhecer isso. Para mim é uma vitória."

Desde que as acusações de agressão sexual vieram à tona contra Harvey Weinstein, Hollywood tem feito um exame de consciência. O caso Weinstein, com os de Kevin Spacey, de Les Moonves da CBS, Roy Price da Amazon Studios e muitos outros, expuseram a dolorosa realidade para muitas mulheres em uma indústria em que a desigualdade de gênero é sistemática e generalizada.

O movimento #MeToo foi bem além do cinema, mas Hollywood continua sendo o marco zero em uma erupção cultural que começou há 12 meses com as revelações sobre Weinstein, publicadas pelo New York Times e The New Yorker. Em entrevistas com atrizes, cineastas, produtores e outros, a Associated Press buscou avaliar se existe uma diferença palpável em relação ao ano anterior. "Definitivamente, houve uma mudança sísmica", diz Carey Mulligan, a atriz britânica. "Se eu estiver andando pela rua e alguém disser ou fizer algo que esteja fora dos limites do adequado eu me sentirei muito mais fortalecida para dizer a eles f..., enquanto antes eu provavelmente não o faria."

Mulligan, que interpretou uma ativista dos direitos femininos no início do século 21 em As Sufragistas (2015), e tem-se manifestado sobre as disparidades salariais de Hollywood, diz que em cada trabalho que teve no último ano houve um código de conduta bem nítido no set.

Pesquisadores da Iniciativa de Inclusão Annenberg, da Universidade do Sul da Califórnia, ainda não encontraram diferença na representação feminina na tela, por trás das câmeras ou na sala dos conselhos. Novos dados após o fim do ano darão um retrato mais claro de 2018, mas os 20 anos anteriores mostraram uma mudança quase nula. Pelo menos de forma pontual, os estúdios e as empresas de produção estão agressivamente em busca de mais cineastas do sexo feminino. Salma Hayek disse que sua produtora tem tido dificuldades para contratar roteiristas e diretoras. Elas já estão todas ocupadas.

"Todo mundo está em busca de conteúdo feminino", diz Jones, cujo documentário Quincy foi lançado recentemente pela Netflix. "Estão começando a entender que o conteúdo criado e sob os cuidados de mulheres e pessoas de cor é altamente sub-representado no setor. "E todo mundo está tentando consertar isso."

Medir a mudança cultural em uma vasta indústria de US$ 50 bilhões é difícil. Tapetes vermelhos, festivais de cinema, prêmios têm um tom diferente no pós-Weinstein. Embora "o que você está usando" tenha retornado ao léxico do tapete vermelho um ano depois que as mulheres se vestiram de preto no Golden Globe, o protesto crepitou em muitos dos mais efusivos eventos do calendário cinematográfico, do Oscar ao Festival de Cannes. Mas há alguns limites ao que tais demonstrações podem conquistar.

"É ótimo quando você está no tapete vermelho e as pessoas falam sobre agressão sexual", diz a atriz Viola Davis. "Meu medo é que as pessoas sintam que o foco da agressão sexual esteja apenas com as atrizes de Hollywood e executivos de estúdio como Weinstein."

Ela teme que o movimento se torne limitado a "denunciar homens, levando-os aos tribunais da opinião pública e apenas destruindo suas carreiras. É muito maior que isso: uma em cada quatro mulheres - e há estatísticas que mencionam uma em três - que serão agredidas sexualmente até os 18 anos".

Como muitas revoluções anteriores, o #MeToo tem tentado codificar as mudanças permanentes. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas expulsou não só Weinstein, como Bill Cosby e Roman Polanski.

Ao mesmo tempo, proliferaram os adendos contratuais sobre inclusão, para ter diversidade em elencos e equipes. No mês passado, a Warner Bros. tornou-se o primeiro dos grandes estúdios a comprometer-se com isso. Em uma tentativa de abolir o "teste do sofá" cultura que Weinstein supostamente explorou, o Screen Actors Guild criou diretrizes instruindo produtores e executivos de abster-se de realizar reuniões profissionais em quartos de hotel e residências.

"As pessoas falam há décadas sobre o quão terrível é o ‘teste do sofá’. Mesmo com todos sabendo disso, ele continuava a ser realizado. Não havia nada de concreto, escrito e dizendo ser inaceitável", diz Gabriele Carteris, presidente da SAG-Federação Americana de Artistas de Rádio e TV. "Colocar isso em uma diretriz foi uma força para os membros porque todos nós passamos pela situação."

As diretrizes serão publicadas em breve, para estabelecer normas quanto a nudez no set, por exemplo. "Nosso trabalho é muito íntimo. É diferente de ser um advogado ou um médico ou um dentista", diz Carteris. "Mas há regras para os trabalhadores neste país, e é realmente importante definir que regras são essas."

Kirsten Schaffer, diretora executiva do grupo de defesa Women in Film, garante que o caminho para acabar com o assédio é a paridade. "Quanto mais mulheres em posições de liderança, menos provável o incidente de assédio. Temos muito trabalho à frente", diz Schaffer. "Estamos vivendo em uma sociedade sexista e racista há centenas de milhares de anos. Não vamos desfazer isso em um ano." (Tradução de Claudia Bozzo)

 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A atriz italiana Asia Argento, figura importante do movimento #MeToo depois de acusar o produtor Harvey Weinstein, aceitou pagar 380.000 dólares a um jovem que disse ter sido atacado sexualmente por ela, informa o jornal The New York Times.

O pagamento foi feito ao ator e músico Jimmy Bennett, que denunciou ter sido agredido sexualmente por Argento em 2013 em um hotel da Califórnia, segundo o jornal, que cita documentos de uma fonte não identificada.

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Bennett tinha 17 anos no momento do suposto incidente com a atriz, que na época tinha 37. A idade legal de consentimento para uma relação sexual na Califórnia é 18 anos. Hoje Bennet e Argento têm respectivamente 22 e 42 anos.

Os advogados de Bennett descreveram o encontro no hotel como uma "agressão sexual" que foi traumática para seu cliente e ameaçou sua saúde mental.

No comunicado de intenção de processo contra Argento, os advogados de Bennet pediram uma indenização de 3,8 milhões de dólares por considerarem que ela "infligiu de forma intencional um sofrimento emocional e perdas de salário após uma agressão sexual", indicou o jornal.

Asia Argento se tornou uma das vozes mais poderosas do movimento #MeToo depois de acusar Weinstein de estupro em um hotel durante o Festival de Cannes de 1997, quando ela tinha 21 anos.

Na cerimônia de encerramento do Festival de Cannes deste ano, a atriz afirmou ao público: "As coisas mudaram. Não vamos permitir que vocês se livrem disso".

O NYT afirma que tentou diversas vezes, sem sucesso, obter um comentário sobre o assunto de Asia Argento ou de seus representantes.

As condições do acordo com Bennet, que incluíam um calendário de pagamentos, foram finalizadas em abril deste ano, de acordo com os documentos consultados pelo jornal.

Na documentação, a advogada de Asia Argento, Carrie Goldberg, chama o pagamento de "ajuda a Bennet".

A denúncia de Bennet foi feita um mês depois das acusações de Asia Argento contra Harvey Weinstein se tornarem públicas, segundo o New York Times. O advogado do jovem indicou que seu cliente recordou o episódio quando viu a atriz apresentar-se como uma vítima de agressão sexual, completa o jornal.

Harvey Weinstein pediu nesta sexta-feira (3) a uma corte de Nova York que desconsidere todas as acusações de agressão sexual e estupro contra ele, ao revelar dezenas de emails "quentes" enviados por sua principal acusadora durante anos.

O célebre advogado Ben Brafman apresentou à justiça dezenas de emails enviados a Weinstein por uma mulher que o acusa de estuprá-la em 2013, escritos pouco depois da suposta agressão e ao longo de quatro anos.

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Na sua opinião, revelam "uma relação íntima, consensual, de longa data" entre ambos e "corroboram a inocência factual de Weinstein neste caso".

O magnata de 66 anos garante ser inocente das seis acusações por suposto estupro desta mulher, e por obrigar outras duas mulheres a praticar sexo oral em 2004 e 2006.

A moção de 159 páginas apresentada por seu advogado cita fragmentos de dezenas de emails enviados pela mulher que denunciou o estupro, e ressalta como falha que esta informação não tenha sido divulgada pela procuradoria ao grande juri que decidiu que havia provas suficientes para levar Weinstein a julgamento.

Os emails enviados pela acusadora a Weinstein nas semanas, meses e anos após o suposto estupro de março de 2013 "razoavelmente podem ser interpretados pelo grande júri como bastante mais consistentes com uma relação contínua cálida, amistosa", afirma Brafman.

"Weinstein nega categoricamente ter tido relações sexuais não consensuais com qualquer pessoa, e especificamente com as três acusadoras na acusação pendente", assegura seu advogado.

"A acusação contra Weinstein deve ser desestimada em sua etapa anterior ao julgamento porque é legalmente frágil", estima na moção.

Se o estupro for descartado, o caso perde força. As acusações de felação forçada datam de há 12 e 14 anos, e uma das acusadoras não lembra a data exata, somente que ocorreu entre junho setembro de 2004.

- "Te amo" -

"Te amo, sempre amei. Mas odeio me sentir como um flerte", escreveu a acusadora ao produtor de cinema em fevereiro de 2017, quase quatro anos depois do suposto estupro.

Poucas semanas depois da agressão denunciada, de março de 2013, escreveu: "Eu estava esperando ter algum tempo em particular com você para falar sobre a direção que minha vida está indo e me aproximar, porque um momento se passou".

"Você é quem faz com que pareça bom, com seu sorriso e seus lindos olhos!", lhe escreveu alguns meses depois.

As mensagens parecem coordenar encontros entre a acusadora e Weinstein, detalham planos de apresentar o produtor à sua mãe, descrevem a doença de seu pai e apelam ao produtor quando a acusadora precisa de ajuda para conseguir emprego, segundo Brafman.

O advogado acusa o procurador de Manhattan Cyrus Vance de ceder a fortes pressões e de se apressar em acusar Weinstein, depois de ser duramente criticado porque não o processou quando uma atriz denunciou seus assédios em 2015.

O gabinete de Vance não quis comentar a informação nesta sexta-feira.

Se Weinstein for julgado e considerado culpado pelas seis acusações, ele poderá ser condenado a prisão perpétua.

A carreira do produtor de cinema implodiu em outubro passado, quando mais de uma centena de mulheres, incluindo estrelas como Angelina Jolie e Ashley Judd, contaram que foram assediadas ou abusadas sexualmente pelo produtor, até então considerado um dos mais prestigiados de Hollywood.

As supostas agressões aconteceram ao longo de várias décadas.

As revelações sobre Weinstein levaram ao surgimento do movimento #MeToo contra o assédio e a agressão sexual, que derrubou dezenas de homens poderosos em todos os setores e hoje continua sacudindo os Estados Unidos.

Weinstein, que tem cinco filhos de dois casamentos se separou de sua última esposa depois de uma onda de denúncias, se encontra em liberdade sob fiança depois pagar um milhão de dólares. Sua próxima audiência judicial está prevista para 20 de setembro.

Harvey Weinstein se declarou, nesta terça-feira (5), inocente das acusações de estupro e agressão sexual em um tribunal de Manhattan, no início de uma batalha judicial emblemática para o movimento #MeToo, que sonha em vê-lo atrás das grades.

"Inocente", sussurrou o ex-todo-poderoso produtor de Hollywood ante o juiz que leu a ata de acusação, em uma corte repleta de advogados e jornalistas. Várias vezes repetiu simplesmente "sim" enquanto o juiz recordou os detalhes de sua liberdade condicional.

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Foi o seu advogado Ben Brafman que mais falou na audiência. "Não importa quão repreensível seja o crime, presume-se que Weinstein é inocente. Também é repreensível acusá-lo falsamente de estupro", disse Brafman. "Vamos lutar contra isso na corte".

Weinstein foi acusado em 25 de maio de um crime por supostamente ter obrigado uma jovem a praticar nele sexo oral em 2004, nos escritórios do estúdio Miramax, e de outros dois crimes pelo suposto estupro de outra jovem em 2013. Poderia passar até 25 anos na prisão.

Apesar de apenas duas mulheres serem mencionadas na acusação no âmbito penal, mais de 100 afirmaram, desde outubro passado, terem sido assediadas sexualmente por Weinstein ao largo de várias décadas. Isso converteu o antes produtor cinema e televisão no catalisador do movimento #MeToo e num dos piores predadores sexuais da história recente dos Estados Unidos.

A Promotoria não divulgou a identidade das querelantes.

Segundo Brafman, o processo por estupro envolve uma mulher que durante uma década manteve uma relação consentida com Weinstein, mas esta informação não foi confirmada.

A acusação de sexo oral forçado foi feita por Lucia Evans, uma consultora de marketing que, em 2004, queria ser atriz e em outubro contou sua história à revista The New Yorker.

O seu relato é similar a muitos outros testemunhos de atrizes famosas como Ashley Judd e Gwyneth Paltrow, e principalmente de jovens desconhecidas que esperavam virar estrelas.

Evans relatou que Weinstein prometeu a ela um papel em seu programa de aspirantes a modelo "Project Runway", antes de ser obrigada a fazer sexo oral com ele. Depois o produtor continuou como se nada tivesse acontecido.

Weisntein deverá se apresentar novamente ante o tribunal em 20 de setembro.

- Solução imprevisível -

Já condenado pela opinião pública, será possível evitar que Weinstein, de 66 anos e pai de cinco filhos, vá para a prisão?

"É difícil prever o resultado", afirma Suzanne Goldberg, professora de Direito da Universidade de Columbia, "em parte porque "não houve muitos processos por agressões sexuais contra pessoas conhecidas, o que diz muito sobre o ceticismo que prevalece sobre as mulheres que acusam homens poderosos".

O movimento #MeToo quebrou o status quo favorável aos homens, como mostrou a recente condenação do comediante de televisão Bill Cosby por uma agressão sexual de 2004, em um segundo julgamento.

Mas o promotor deverá "provar 'para além de uma dúvida razoável' que Weinstein cometeu delitos em relação a essas duas mulheres em particular", ressalta.

No entanto, ninguém acredita que as acusações não darão em nada. O promotor de Manhattan, Cyrus Vance, tomou todas as precauções para verificar as provas e a credibilidade das querelantes, disseram vários advogados consultados pela AFP.

Para Michael Weinstein (sem parentesco com Harvey), advogado nova-iorquino e ex-procurador federal, Brafman tentará provar que "as relações foram consentidas" naquele momento, embora depois, com a chegada do #MeToo, as acusadoras "já não tenham essa lembrança".

- Número de mulheres -

Como foi para Cosby, a batalha principal gira em torno de outras potenciais vítimas de Weinstein, que a acusação pode chamar ao banco das testemunhas.

Algumas dessas testemunhas podem ser suficientes para convencer o júri de que o produtor tinha uma tendência sistemática de abusar de mulheres, destacou Michael Weinstein.

Bennett Gershman, professor de Direito da Universidade de Pace, está seguro de que o produtor, "o mais desonrado dos predadores sexuais", terminará nos próximos meses negociando um acordo para declarar-se culpado, evitando assim um julgamento e obtendo um redução de sua pena.

Por melhor que Brafman seja, "até mesmo o melhor advogado não pode fazer mágica", declarou Gershman. "Nenhum júri terá simpatia por Weinstein".

Ironicamente, o diretor americano Brian de Palma disse recentemente ao jornal francês Le Parisien que planeja abordar a história de Weinstein, como um filme de terror e com um protagonista similar.

Segundo informações da imprensa, Weinstein passou meses em tratamento por vício em sexo depois que sua esposa estilista, Georgina Chapman, o abandonou.

Ele está livre após pagar uma fiança de um milhão de dólares em espécie. Também deve usar um dispositivo de monitoramento com GPS e seus deslocamentos estão restritos aos estados de Nova York e Connecticut.

À espera da resolução da batalha judicial, o caso outorgará munições a mais de 10 mulheres que processam Weinstein na justiça civil.

Como ilustrou o caso O.J. Simpson, um veredicto de culpa é mais fácil de ser obtido no âmbito civil do que no penal. Por isso, mesmo que escape de uma pena maior de prisão, Weinstein parece condenado à desgraça.

Harvey Weinstein vai se declarar nesta terça-feira inocente das acusações de estupro e agressão sexual que pesam contra ele, no início de uma batalha judicial emblemática para o movimento #MeToo, que sonha em vê-lo atrás das grades.

O megaprodutor de Hollywood foi acusado em 25 de maio de ter obrigado uma jovem a praticar nele sexo oral em 2004 e de também ter estuprado outra mulher em 2013, um delito que pode condená-lo a 25 anos de prisão.

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Apesar de apenas duas mulheres serem mencionadas na acusação no âmbito penal, mais de cem afirmara, desde outubro passado, terem sido assediadas sexualmente por Weinstein ao largo de várias décadas.

Isso converteu o antes todo-poderoso produtor cinema e televisão no catalisador do movimento #MeToo e num dos piores predadores sexuais da história recente dos Estados Unidos.

Segundo o advogado de Weinstein, Ben Brafman, o processo por estupro envolve uma mulher - não identificada pela promotoria - que durante uma década manteve uma relação consentida com Weinstein, mas esta informação não foi confirmada.

A acusação de sexo oral forçado foi feita por Lucia Evans, uma consultora de marketing que, em 2004, queria ser atriz. O relato de sua história à revista The New Yorker em outubro passado é similar a muitos outros testemunhos de atrizes famosas como Ashley Judd ou Gwyneth Paltrow, e principalmente jovens desconhecidas que esperavam virar estrelas.

Evans relatou que Weinstein prometeu a ele um papel em seu programa de aspirantes a modelo "Project Runway", antes de ser obrigada a fazer sexo oral com ele.

- Diferente de Strauss-Kahn -

Já condenado pela opinião pública, será possível evitar que Weinstein, de 66 anos e pai de cinco filhos, vá para a prisão?

"É difícil prever o resultado", afirma Suzanne Goldberg, professora de Direito da Universidade de Columbia, "em parte porque não houve muitos processos por agressões sexuais contra pessoas conhecidas. O que diz muito sobre o ceticismo que prevalece sobre as mulheres que acusam homens poderosos".

O movimento #MeToo quebrou o status quo favorável aos homens, como mostrou a recente condenação do comediante de televisão Bill Cosby por uma agressão sexual de 2004.

"Mas o promotor poderá provar mais além de uma dúvida razoável que Weinstein cometeu os delitos em relação a essas duas mulheres em particular", ressalta.

No entanto, ninguém acredita que as acusações não darão em nada, como no caso de Dominique Strauss-Kahn, acusado de ter agredido sexualmente uma camareira em seu hotel de Nova York, em 2011. O mesmo Ben Brafman, uma eminência do Direito, que defendeu o ex-diretor-gerente do FMI, vai enfrentar de novo o promotor de Manhattan, Cyrus Vance, no caso Weinstein.

O abandono das acusações contra Strauss-Kahn aconteceu quando a credibilidade da acusadora foi comprometida, o que representou um tapa na cara de Vance. Dessa vez, o promotor tomou todas as precauções para verificar provas e reputação das autoras do processo, segundo advogados consultados pela AFP.

- Número de mulheres -

Como foi para Cosby, a batalha principal gira em torno de outras potenciais vítimas de Weinstein, que a acusação pode chamar ao banco das testemunhas.

Algumas dessas testemunhas podem ser suficiente para convencer o júri de que o produtor tinha uma tendência sistemática de abusar de mulheres, segundo explica o advogado Michael Weinstein, sem parentesco com o réu.

Bennett Gershman, professor de Direito da Universidade de Pace, está seguro de que o produtor, "o mais desonrado dos predadores sexuais", terminará nos próximos meses negociando um acordo para declarar-se culpado, evitando assim um julgamento e obtendo um redução de sua pena.

O certo é que o caso dará mais munição para que outras mulheres processem Weinstein na justiça civil.

Como ilustrou o caso O.J. Simpson, um veredicto de culpa é mais fácil de ser obtido no âmbito civil do que no penal. Por isso, mesmo que escape de uma pena maior de prisão, Weinstein parece condenado à desgraça.

O Festival de Cinema de Cannes, com Godard como atração principal 50 anos depois de Maio de 68, começa na terça-feira (8) sua 71ª edição aberto às novidade, mas também ciente da questão das mulheres após o escândalo Weinstein.

A disputa pela Palma de Ouro terá veteranos como o franco-suíço Jean-Luc Godard e o americano Spike Lee, de volta 27 anos depois de "Febre da Selva".

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Na ausência de um grande contingente de estrelas americanas - com apenas dois filmes, "BlacKKKlansman" de Spike Lee e "Under the Silver Lake" de David Robert Mitchell, e sem os filmes hollywoodianos de Xavier Dolan e Jacques Audiard - a competição será particularmente marcada por uma forte presença da Ásia e do Oriente Médio.

O casal Javier Bardem e Penélope Cruz vão abrir as festividades na terça-feira com o thriller psicológico "Everybody Knows" ("Todos lo saben"), novo filme do diretor iraniano Asghar Farhadi, filmado em espanhol.

O diretor, que já esteve em Cannes com "O Passado" e "O Apartamento", conta a história de uma mulher que retorna com seus filhos para sua cidade natal na Espanha, mas terá sua vida bagunçada por eventos inesperados.

Dos 21 cineastas em competição, dez estão competindo pela primeira vez, incluindo o japonês Ryusuke Hamaguchi, a libanesa Nadine Labaki, o egípcio Abu Bakr Shawky - com seu primeiro filme "Yomeddine" -, os franceses Eva Husson e Yann Gonzalez ou ainda o iraniano Jafar Panahi e o russo Kirill Serebrennikov, cineastas sob vigilância em seu país.

Ambos proibidos de viajar, esses diretores não vão estar presentes na Croisette, apesar dos esforços do Festival.

Entre os regulares, Jean-Luc Godard, de 87 anos, competirá pela sétima vez com "Le Livre d'image", quatro anos depois de receber o Prêmio do Júri por "Adeus à Linguagem".

Já presente no cartaz de promoção deste 71º Festival - um beijo entre Jean-Paul Belmondo e Anna Karina em "O Demônio das Onze Horas" - o filho da Nouvelle Vague, um mito da 7ª arte, poderia aborrecer a Croisette, tendo faltado em 2014.

Sua sombra, no entanto, deve pairar sobre as festividades em Cannes, 50 anos após o festival interrompido de maio de 68, que ele ajudou ativamente a parar com um pequeno grupo de cineastas.

O chinês Jia Zhangke e o japonês Hirokazu Kore-Eda vão competir pela quinta vez com respectivamente "Ash is purest white" e "Shoplifter", e o italiano Matteo Garrone pela quarta vez com "Dogman" sobre o assassinato em 1988 na Itália de um ex-boxeador que virou líder de gangue.

Outro retorno, dos franceses Stéphane Brizé e Christophe Honore, ambos em competição pela segunda vez com "En guerre" para Brizé, com Vincent Lindon, e "Plaire, aimer et courir vite" para Honore, história de amor homossexual nos anos 90.

Três mulheres - Eva Husson, Nadine Labaki e Alice Rohrwacher - vão competir pela Palma de Ouro, em uma edição em que o espaço das mulheres será cuidadosamente analisado, sete meses após o terremoto Weinstein.

O júri será presidido pela atriz australiana Cate Blanchett, uma feminista engajada que se tornou nos últimos meses uma figura na luta contra o assédio sexual através do movimento "Time's Up".

A atriz francesa Léa Seydoux, uma das acusadoras de Weinstein, é membro do júri, majoritariamente feminino.

A jornalista francesa Sandra Muller, que vive nos Estados Unidos e criou a hashtag #Balancetonporc após o escândalo Weinstein, foi processada na Justiça por difamação pelo homem que ela acusou em particular no Twitter, anunciou a própria ativista nesta quinta-feira (18).

"Eric Brion, que nomeou como o autor de palavras degradantes das quais fui alvo (...) finalmente mudou de estratégia e decidiu, contra toda decência, me levar aos tribunais", disse a jornalista em um comunicado postado em sua página no Facebook, informando que recebeu uma intimação por difamação.

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Brion, cujo nome revelou em um tuíte em 13 de outubro, pede 50.000 euros por perdas e danos, publicações judiciais e 10.000 euros de gastos de advogado.

"Para esta citação, quiseram fazer eu me calar", acrescenta a jornalista. "Irei até o final desse confronto com a ajuda do advogado e espero que este julgamento seja uma verdadeira ocasião para estabelecer um verdadeiro debate sobre os meios para lutar contra o assédio sexual", assegura.

Ainda não se marcou a data da audiência.

Em um artigo publicado no jornal francês Le Monde, no dia 31 de dezembro, Eric Brion, consultor e ex-diretor-geral da rede de televisão Equidia, dizia "reiterar suas desculpas" a Muller, reconhecendo que "suas palavras (contra ela) estavam fora de lugar". As mesmas foram pronunciadas "durante um coquetel 'muito regado' e tarde da noite", acrescenta.

Ele, contudo, nega que haja uma relação entre "seu comportamento e o caso referente a Harvey Weinstein, acusado de estupro e assédio sexual por várias mulheres".

O sindicato dos produtores cinematográficos dos Estados Unidos expulsou nesta segunda-feira Harvey Weinstein, afirmando que o assédio sexual não será mais tolerado na organização.

A decisão é anunciada quatro semanas após o escândalo deflagrado pelo jornal New York Times e a revista The New Yorker com denúncias de assédio sexual contra mais de 60 mulheres, incluindo as atrizes Gwyneth Paltrow, Angelina Jolie e Mira Sorvino.

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"Diante da conduta amplamente informada do senhor Weinstien - alimentada por novas informações - a junta nacional do sindicato dos produtores aprovou, por unanimidade, impor a proibição vitalícia ao senhor Weinstein, expulsando-o de manera definitiva".

"Este passo sem precedentes é um reflexo da seriedade com a qual o sindicato recebe as numerosas denúncias de décadas de má conduta do senhor Weinstein. O assédio sexual não pode mais ser tolerado em nossa indústria ou dentro do sindicato".

Nesta segunda-feira, The New York Times revelou que Hope Exiner d'Amore acusou Weinstein de estuprá-la em um hotel na década de 1970, e citou outro caso, o de Cynthia Burr, forçada a fazer sexo oral em um corredor.

Uma terceira denúncia veio de Ashley Matthau, uma dançarina que atuou em filmes Weinstein e afirma que foi jogada em uma cama pelo produtor em 2004, que se masturbou sobre ela.

O diretor de cinema americano Oliver Stone disse nesta sexta-feira que Harvey Weinstein, o produtor de Hollywood acusado de abusos sexuais e estupro, é "condenado por um sistema de justiceiros".

"Eu sou da teoria de que é para esperar até que isso vá a julgamento", disse aos jornalistas na Coreia do Sul, explicando que a indústria cinematográfica e o público condenavam prematuramente Weinstein.

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"Se ele infringiu a lei isso virá à tona. Para mim um homem não deveria ser condenado por um sistema de justiceiros", acrescentou Stone, que preside o júri do festival internacional de cinema desta cidade sul-coreana.

Hollywood está cheio de "histórias de terror", mas as acusações contra Weinstein, que abarcam várias décadas, são por enquanto rumores, na opinião de Stone.

"Não é fácil o que ele está passando. Durante esse período era um rival e eu não o conhecia de verdade. Ouvi histórias de terror sobre todo mundo nesta indústria, ou seja, não vou comentar fofocas", acrescentou.

Weinstein, um dos produtores mais influentes de Hollywood, caiu em desgraça desde que o jornal The New York Times publicou em 5 de outubro uma reportagem explosiva sobre seus sucessivos assédios e abusos sexuais a dezenas de mulheres, na maioria jovens atrizes e assistentes.

Harvey Weinstein, de 65 anos, que está sendo investigado pela polícia em Nova York e no Reino Unido, foi acusado na quinta-feira de um quarta estupro.

Desde que o escândalo veio à tona, várias atrizes, entre elas Mira Sorvino, Rosana Arquette, Gwyneth Paltrow, Angelina Jolie e Léa Seydoux, disseram ter sido objeto de insistentes insinuações sexuais do produtor.

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