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Os deputados pernambucanos Antônio Moraes (PP-PE), Diogo Moraes (PSB-PE) e Izaías Regis (PSDB-PE) se comprometeram a destinar, juntos, R$ 400 mil em emendas para reforma da Casa do Rei do Baião, última residência de Luiz Gonzaga, que integra o acervo do Parque Aza Branca, em Exu, no sertão do Araripe de Pernambuco. O compromisso foi assumido pelos parlamentares em reunião com o sanfoneiro Jaiminho de Exu e com Junior Parente, presidente da ONG Parque Aza Branca, gestora do equipamento cultural, na manhã desta quarta-feira (25), na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). 

No encontro, o deputado Antônio Moraes disse que já articulou uma proposta de reforma com a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), que se dispôs a conduzir os reparos. Atualmente, a casa de Luiz Gonzaga apresenta problemas estruturais que dificultam a visitação de turistas e põem em risco móveis, fotografias, objetos, dentre outros itens que perteceram ao artista, eleito, em 2002, o Pernambucano do Século XX.

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"O deputado Antônio Moraes criou uma frente parlamentar em defesa da reforma da Casa do Rei do Baião, além de ter se comprometido a destinar R$ 150 mil em emendas para o projeto. Além dele, o deputado Diogo Moraes se comprometeu a colocar R$ 100 mil em emendas e o deputado Izaías Regis, mais R$ 150 mil", celebrou Junior Parente.

Sobre o Parque Aza Branca

Administrado pela ONG homônima, criada por amigos de Gonzaga, o Parque Aza Branca recebe, em média, 60 mil visitantes por ano, sediando a Festa do Gonzagão, tradicionalmente realizada nos meses de agosto e dezembro. Em sua atual estrutura, o equipamento compreende uma área de 15 mil metros quadrados, em que estão alocados o Museu do Gonzagão, a Casa de Januário, a Casa do Rei do Baião, o Palco Principal, o Palco Gonzaguinha, o Palco do Pé de Juazeiro, o Mausoléu (onde foi sepultado o artista), loja, lanchonete e pousada, construída pelo próprio Gonzaga para receber os amigos.

Há ainda uma réplica da casa de reboco onde Gonzagão nasceu e um viveiro de asas-brancas. No acervo do Museu, estão conservados objetos pessoais, certificados, títulos, medalhas, troféus e prêmios que Gonzaga recebeu ao longo da carreira. Além disso, há ainda sanfonas que o acompanharam em momentos marcantes, como a que foi utilizada em apresentação durante a visita do Papa João Paulo II, em Fortaleza, em 1980, último instrumento que empunhou antes de morrer.

A Casa do Rei do Baião reúne louças, porta-retratos, cama e guarda-roupas originais, assim como toda a decoração. No primeiro cômodo, a sala em que o músico assistia televisão. Em um pequeno oratório, a fé era devotada às imagens de Padre Cícero e Frei Damião. Nas paredes, estão eternizadas fotos de viagens, shows e campanhas publicitárias. No primeiro andar, o quarto do artista também é mantido do jeito que foi deixado por ele.

A escultura Bailarina, concebida no ano de 1920 pelo escultor ítalo-brasileiro Victor Brecheret, foi restaurada e colocada de volta no local onde estava durante a invasão da Câmara dos Deputados por radicais defensores de um golpe de Estado.

A escultura foi separada da base e jogada no chão, mas já se encontra em perfeito estado no saguão de entrada da Câmara, sob a escada que leva para o Salão Verde, podendo ser vista por todos que entram na Casa pela Chapelaria. 

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Trabalhada em bronze fundido, com dimensões de 70x60x30 cm, a obra refere-se à delicadeza e a sutileza das bailarinas e dos artistas. Na década de 1920, Brecheret morava em Paris (França) e trabalhava com artistas como Antoine Bourdelle, buscando representar a beleza do mundo no mundo das artes.

A obra foi doada à Câmara dos Deputados em 2015 por Sandra Brecheret Pellegrini, filha de Victor.   

*Da Agência Câmara de Notícias

Após dez anos de negociações, o restauro do Copan está mais perto de começar e, enfim, viabilizar a retirada da tela que esconde grande parte da icônica fachada. O projeto apresentado por uma empresa contratada pelo condomínio foi parcialmente aprovado e chamado de "excelente" pelos órgãos municipais de patrimônio, com a versão final a ser entregue ainda neste ano.

Criado por Oscar Niemeyer, com colaboração de Carlos Lemos, o edifício completa 70 anos de início da construção no ano que vem. Ao longo dos anos 2000, tem convivido com problemas de manutenção da fachada, como infiltrações, queda de pastilhas, descaracterização, desprendimento de concreto e até exposição da armadura, o que foi constatado em laudos e denunciado a órgãos de patrimônio.

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Embora o novo projeto tenha sido bem recebido no Departamento de Patrimônio Histórico (DPH) e no Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), o síndico do Copan é cauteloso ao falar sobre a situação. Responsável pelo condomínio desde 1993, Affonso Celso Prazeres de Oliveira diz ainda procurar parcerias para a obra, por ter apenas uma parte dos milhões de reais do custeio. Ainda não há data de início.

Os órgãos de patrimônio municipais têm destacado, contudo, que ao menos as medidas mais emergenciais precisam ser iniciadas logo. Em reunião do Conpresp em agosto, foi ressaltado um trecho do projeto. "Embora o levantamento não aponte riscos estruturais para o edifício, em alguns pontos, como nos pilares da fachada sul e escadas de serviço, é possível verificar pontos críticos, com alto grau de deterioração do concreto e suas armaduras, que necessitam de tratamento urgente".

Na ocasião, a proposta foi aprovada de forma unânime, com a exigência de apresentação dos relatórios das etapas das obras emergenciais. O arquiteto Valdir Arruda, do DPH, chegou a explicar que propostas de anos atrás não foram acatadas por envolverem materiais muito distantes do original, como pastilhas de vidro brilhosas. Além disso, abrangiam apenas a fachada voltada à Avenida Ipiranga, enquanto a nova é para toda a área externa.

Em novembro de 2019, o conselho havia acertado a entrega do projeto em março do ano seguinte - mas com a pandemia o prazo não foi cumprido. Embora seja um dos trabalhos mais conhecidos de Niemeyer, o edifício é tombado apenas no âmbito municipal (desde 2012) e não há processo de preservação em estudo nas esferas estadual e federal (de acordo com a Secretaria da Cultura e o Iphan). Portanto, do ponto de vista de patrimônio (o que não inclui outras permissões para obras), o restauro só depende de liberação do Conpresp e do DPH.

Patologias. Um diagnóstico feito em 2019 identificou patologias variadas no conjunto. Dentre elas, "intervenções errôneas" que descaracterizam a fachada, corrosão da armadura, fissuras, infiltrações, colônias biológicas e desagregação de concreto, dentre outras.

"A maior parte dos problemas é fruto da idade da edificação, falta de manutenção e algumas possíveis falhas executivas (...). A presença da umidade é um fator que acaba por agravar as manifestações patológicas, ampliando o ciclo de degradação". E a progressiva queda do revestimento, "que funcionava como barreira protetora ao concreto, permite a entrada de umidade", diz o levantamento.

Com base no material e em avaliações próprias, o Instituto Pedra elaborou o projeto de restauro com medidas separadas entre urgências (a fim de garantir a segurança do edifício e dos moradores, funcionários e frequentadores) e de médio e longo prazo. Entre as de aplicação imediata estão a recuperação dos revestimentos da fachada e a impermeabilização da marquise. O projeto também sugere a retomada do monitoramento anual das fundações. Isso porque o diagnóstico apontou que as fissuras na fachada principal possivelmente decorrem do já conhecido afundamento do edifício (problema identificado ainda durante a construção).

A médio prazo, o Copan precisará lidar com a descaracterização cometida pelos proprietários dos apartamentos, que trocaram vidros por materiais completamente diferentes (coloridos ou foscos), retiraram cobogós, criaram janelas inexistentes, instalaram ar-condicionado sobre os brises e até fecharam áreas abertas com tijolos. Todas as intervenções terão de ser revertidas mais adiante. Outra indicação é a remoção das grades que envolvem a escada externa que dá acesso ao terraço. A indicação é a troca por uma estrutura com fechamento transparente, a fim de facilitar a visualização do projeto original.

Arquiteta-coordenadora no Instituto Pedra, Mariana Victor lembra que o projeto tem o objetivo de ser "conservativo", a resolver o que precisa ser consertado. A fase atual dos trabalhos, diz, é de desenhos técnicos, quantificação de serviços e orçamento. A estimativa é de que as obras emergenciais levem de um ano e meio a dois anos, a depender da capacidade de investimento do condomínio. Segundo a arquiteta, o edifício poderá funcionar normalmente durante os trabalhos.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A primeira profissão de José Érico Serafim, de 33 anos, foi pintor. Sobrevivia com a realização de outros bicos, mas a pintura lhe fascinava mais. A profissão foi interrompida quando ele acertou dois tiros em um adolescente de 13 anos em Olinda, Região Metropolitana do Recife (RMR), em 2014 e foi preso e condenado por tentativa de homicídio. A pintura voltou para a sua vida agora e ele a enxerga como um caminho para parar de cometer erros e organizar sua vida e a de sua mãe. 

Serafim é integrante do projeto Pinte Seu Patrimônio, uma parceria entre o Governo de Pernambuco e a Prefeitura de Olinda, que busca manter preservado o Sítio Histórico da cidade. No projeto, o morador é responsável por adquirir os materiais para a reforma de seu imóvel, enquanto o Governo do Estado oferece a mão de obra carcerária por meio do Patronato Penitenciário e da Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres), e a prefeitura, o apoio técnico. O projeto foi um dos vencedores da 32ª edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2019.

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“Hoje eu me sinto uma pessoa melhor”, diz Serafim. Ele mora em uma palafita com a mãe em Olinda e sonha em construir uma casa de tijolo para os dois após conseguir a liberdade. 

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Para os moradores, a vantagem é a economia e a preservação de seu bem. Eles não gastam com a contratação de mão de obra especializada, que seria necessária para esse tipo de recuperação.

Já os reeducandos recebem capacitação e uma chance de se integrarem ao mercado de trabalho. Segundo a secretária executiva de Patrimônio de Olinda, Ana Cláudia Fonseca, diversas vezes os moradores contrataram os reeducandos para serviços extras. “O projeto oferece uma inclusão social dos reeducandos. Eles estão vivenciando o dia a dia do Sítio Histórico”, destaca a secretária.

O detento Roberto da Silva, 52, trabalhava como servente de pedreiro e foi preso por roubo. Desde 2018 usa tornozeleira eletrônica e dorme em sua casa no bairro de Casa Amarela, Zona Norte do Recife. “Não tenho mais idade para estar dentro do sistema penitenciário. Minha rotina lá era de aperreio e estresse. Minha família sofria humilhação na fila, humilhação dos agentes penitenciários”, recorda ele enquanto faz a decapagem de um casarão na Rua de São Bento, onde funciona o Olinda Sorvetes e Sucos. Roberto espera poder continuar com o serviço de restauro.

A pintura não é feita com tinta acrílica tradicional, que, nas casas de alvenaria antiga, gera bolhas na parede e pode danificar a estrutura. O material utilizado no Pinte Seu Patrimônio é cal, por permitir que a parede respire. 

O morador do Sítio Histórico interessado em inscrever seu imóvel deve comparecer à Secretaria de Patrimônio. Ele precisa estar com o IPTU em dia e não ter nenhum processo de dano ao patrimônio não resolvido. A secretaria fica localizada na Rua de São Bento, 160, bairro do Varadouro.

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O monumento que homenageia o percussionista Naná Vasconcelos, localizado na praça do Marco Zero, Centro do Recife, foi restaurada após dois meses à espera de reformas. No final de 2017, a estátua foi alvo de vandalismo e teve o berimbau roubado, Após denúncia da viúva do músico, Patrícia Vasconcelos, a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) se comprometeu a restaurá-la.

O conserto foi concluído na última terça-feira (30) e o custo total foi de R$ 9.800. O serviço foi realizado pelo artesão Demétrio Albuquerque e contou com a troca de peças, reforço na estrutura e um novo berimbau. O monumento, inaugurado em fevereiro de 2017, tem 4,5 de altura e compõe o Circuito da Poesia ao lado de nomes como Clarice Lispector, Chico Science, Manuel Bandeira e Capiba, entre outros.

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Londres amanheceu com um som ambiente diferente nesta segunda-feira (21). O badalar do sino do Big Ben, situado na região central da cidade, foi silenciado pelos próximos quatros anos para a restauração do relógio mais famoso do mundo.

Durante este período, as peças do Big Ben vão ser desmontadas, limpas e restauradas. Os ponteiros também serão trocados, além da instalação de um elevador para servir como alternativa aos 334 degraus que levam ao topo da torre.

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A tradicional Luz de Ayrton, acendida no alto do Big Ben sempre que há uma sessão no Parlamento britânico, também será apagada, fato que não ocorre desde a 2ª Guerra Mundial.

Até 2021, as badaladas serão ouvidas somente em eventos especiais, como no Ano Novo. Steve Jaggs, responsável pela torre, comentou que o projeto de restauração é importante para o Big Ben. "Esse programa essencial de trabalhos protegerá o relógio a longo prazo, assim como protegerá e preservará sua casa, a Torre Elizabeth", comentou.

No entanto, muitos britânicos foram contra a paralisação, tanto que a primeira-ministra Theresa May pediu ao Parlamento para revisar a medida de silenciar o relógio pelos próximos quatro anos.

Em 157 anos de funcionamento, o Big Ben calou-se em pouquíssimas ocasiões. A mais longa delas foi em 1976, quando ficou nove meses sem funcionar devido a graves danos no mecanismo do relógios. 

Entre as tradicionais ruelas do bairro da Boa Vista, uma tentativa de resgate e preservação da história recifense. O antigo casarão Villa Ritinha, fundado em 1835, está em processo de recuperação após anos e anos em completa degradação. Localizado na Rua da Soledade, o imóvel é um incrível exemplar da arquitetura portuguesa do século XX e, pelas mãos do alemão Klaus Meyer, tenta dar nova vida a uma região marcada pelo desprezo público e pela violência.

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Originalmente, o Villa Ritinha pertencia a um barão de açúcar português, respeitado maçom que utilizava o imóvel para reuniões da sociedade. O palácio compreendia todo o quarteirão (hoje, dividido em cinco imóveis) e foi a primeira residência privada a receber luz elétrica na capital pernambucana, segundo informa Klaus. Em 1918, passou por uma modificação e mais tarde transformou-se no primeiro hotel de luxo do Recife. Ao longo dos anos, o imóvel se tornou uma pensão e posteriormente um bordel. "A funcionária faleceu e a casa ficou só, abandonada. Depois a família proprietária decidiu vender e eu descobri na internet", afirma Meyer. 

Sem qualquer investimento público, o proprietário banca sozinho o total restauro do casarão. "Já gastei uma fortuna: eu comprava facilmente duas coberturas ou mais, em Boa Viagem, com o dinheiro gasto na Villa Ritinha. E ainda falta cerca de R$ 2 milhões para o completo restauro". Os altos valores são compreensíveis pois fachadas, obras de artes e até mesmo o salão de espelhos estão sendo reproduzidos fielmente, como no projeto original da mansão. "O cupim estava a comer tudo. O que não foi estragado, roubaram para vender. Inclusive uma banheira de cobre, vinda da Inglaterra, foi vendido a preço de sucata". 

Hoje, o local se tornou a Casa Cultural Villa Ritinha, um café-bistrô destinado à arte em suas várias expressões: exposições, apresentações musicais, concertos e cursos. Klaus tem o objetivo de adquirir as casas ao lado para fazer a ampliação do local, tal qual ele era na sua fundação. "Estudei arte e design e me parte o coração quando passo por aqui e vejo essas casas antigas, lindíssimas, se estragando completamente de cima para baixo. Ninguém dá valor. As pessoas não notam, deixam desaparecer e depois toda a gente chora. A Boa Vista para mim é uma área fantástica, de construções lindas", declara o alemão. 

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Meyer lembra que este tipo de descaso público não é exclusividade brasileira e lembra que o Harlem, em Nova Iorque, era tão desprezado ou pior quanto a Boa Vista, mas depois de vontade política e investimentos se transformou num reduto de cultura e arte na cidade norte-americana. 

O LeiaJá entrou em contato com a Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Planejamento Urbano. Em nota, o órgão informou que o "desafio maior da gestão pública é oferecer alternativas que gerem o incentivo necessário aos proprietários de imóveis que estejam inseridos em zonas especiais". De acordo com a Secretaria, a responsabilidade da preservação do imóvel "é sempre do proprietário, que pode ser privado ou público". 

O órgão ainda citou as câmaras técnicas do Conselho da Cidade, "instrumentos urbanísticos específicos que beneficiarão as zonas de preservação da cidade: Outorga Onerosa, Transferência do Direito de Construir, IPTU Progressivo e Parcelamento, Edificação e Utilização Compulsória". Tais instrumentos fazem parte da revisão do Plano Diretor. 

Enquanto muito se promete, pouco se vê na prática e a cidade perece. "Recife foi famosa no mundo inteiro como a Veneza da América Latina e não por menos. As imagens do início da fotografia mostram: Recife era simplesmente fantástica. Mas hoje está muito, muito mal tratada. Hoje, Recife para mim é como a face de uma menina muito bonita que quando abre a boca faltam os dentes", lamenta Klaus.

As obras de restauro na Igreja de Nossa Senhora da Candelária, em Itu, interior de São Paulo, revelaram pinturas feitas há mais de duzentos anos com uma técnica incomum no barroco brasileiro. Além do douramento tradicional, os autores usaram delicadas folhas de prata para compor as obras. Construída em 1780, a Candelária é considerada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) a maior igreja barroca do Estado de São Paulo.

De acordo com o restaurador Julio Moraes, contratado pelo Iphan para a obra, a quantidade de prata usada no altar-mor não se encontra em outro lugar do País. Segundo ele, a remoção das camadas de repintura mostrou que a capela-mor tem a totalidade das suas superfícies intensamente policromadas e douradas, um luxo raro nas igrejas coloniais paulistas. O trabalho em prata, no entanto, ainda era desconhecido e enriquece o conjunto.

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O achado chamou a atenção do historiador Carlos Gutierrez Cerqueira, pesquisador do Iphan, que esteve na cidade para estudar a obra. Ele identificou na capela-mor a assinatura de Mathias Teixeira da Silva, nome até então desconhecido, e a data de 1788. De acordo com Cerqueira, o altar-mor e dois grandes altares laterais são, provavelmente, de Bartolomeu Teixeira Guimarães, que trabalhou com José Patrício da Silva Manso, autor da pintura do forro e mestre de Padre Jesuíno de Monte Carmelo, expoente da arte sacra paulista.

Nas paredes laterais do altar-mor, que estavam pintadas de branco, foram encontradas pinturas em tons de azul, com cenas do Velho Testamento, feitas por Mathias Teixeira, emoldurando as já conhecidas telas de Padre Jesuíno. Para o historiador do Iphan, as pinturas e douração de Silva Manso sobre os entalhes em madeira de Guimarães elevam a arte de Bartolomeu ao patamar do que se produzia, na mesma época, em Portugal. As obras se tornaram visíveis com a retirada dos andaimes e tapumes no último fim de semana.

Os restauradores já haviam descoberto várias pranchas policromadas provenientes de um forro, provavelmente pintadas por Jesuíno - nesse caso, as pinturas eram originais, não haviam sido cobertas por outras tintas. "Além de todos os benefícios de uma restauração desta amplitude, também se configura um panorama até então desconhecido, com Itu como importante centro de produção artística no século 18, e revelam-se obras inéditas que vêm reconstruir a história colonial do Estado de São Paulo", registrou o Iphan sobre os achados.

O restauro é realizado com apoio da Lei Rouanet, com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e da prefeitura de Itu.

Símbolos da história de Pernambuco e alvos constantes de vandalismo, as estátuas de personalidades importantes do Recife e de Pernambuco começaram a ser restauradas pela Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) na última semana de setembro. Ao todo, serão revitalizados os 12 monumentos do Circuito da Poesia, conjunto de estátuas de poetas pernambucanos inaugurado em 2007 pela Prefeitura do Recife (PCR). 

As restaurações estão sendo feitas pelo artista plástico Demétrio Albuquerque, arquiteto pernambucano autor das esculturas. O investimento na revitalização das estátuas foi de R$ 114,7 mil e a previsão de conclusão é de 60 dias. 

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Entre as estátuas do Circuito a serem restauradas estão a do poeta Ascenso Ferreira, no Cais da Alfândega, e a de Luiz Gonzaga, na Praça Mauá, entre a Estação de Metrô e a Casa da Cultura. Os monumentos sofreram com a depredação de vândalos em abril e maio deste ano, mas, apesar de terem sido restaurados em pouco tempo, as imagens vêm sofrendo com desgastes naturais. 

As primeiras estátuas a receberem restauros foram a dos poetas Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto, localizadas na Rua da Aurora. Ainda estão previstos reparos nas imagens de Carlos Pena Filho, na Praça do Diário; Clarice Lispector, na Praça Maciel Pinheiro; Antônio Maria, na Rua do Bom Jesus; Chico Science, na Rua da Moeda; Joaquim Cardozo, na Ponte Maurício de Nassau; Solano Trindade, no Pátio de São Pedro; Capiba, na Rua do Sol; e Mário Mota, no Pátio do Sebo. 

Segundo a Emlurb, cerca de R$ 2 milhões por ano são destinados à recuperação de monumentos, pontes e edificações públicas que foram pichadas ou danificadas. Aproximadamente 15 pessoas - entre elas pintores e restauradores - do órgão fazem parte do setor de manutenção de monumentos.

O Canteiro Escola do projeto de restauro do Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo de Pernambuco, iniciou suas aulas. O curso irá capacitar jovens em situação de risco social para trabalharem nas obras de restauro do próprio Palácio. 

As aulas são realizadas das 9h às 13h. Trinta alunos participam do curso, que terá duração de 12 semanas. O Canteiro Escola trará para os participantes a possibilidade de reingressar no mercado de trabalho de maneira mais qualificada e com condições de repassar conhecimentos adquiridos a outros companheiros de trabalho, de forma a possibilitar uma continuidade da prática restaurativa.

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O curso é dividido em dois blocos, sendo um conceitual e outro prático. Conhecimentos técnicos mais adequados, manuseio correto de ferramentas e equipamentos serão ensinados durante as aulas, que buscam despertar nos jovens maior sensibilidade nas obras de restauro e o conhecimento do patrimônio da cidade.

Durante as aulas práticas os participantes serão orientados a realizar os trabalhos de restauração arquitetônica envolvendo limpeza, fixação consolidação, reprodução de modelos e de ornamentação aplicada (elementos de estuque), envolvendo o fabrico de formas, fundição, tudo dentro das diretrizes internacionais que regem uma obra de restauração da dimensão do conjunto arquitetônico do Palácio das Princesas.

O projeto de restauro do conjunto arquitetônico do Campo das Princesas é uma realização do Governo de Pernambuco e da Velatura Restaurações, com o apoio de diversas empresas e instituições. 

A Igreja do Carmo de Olinda, primeira da Ordem dos Carmelitas erguida na América Latina, reabre as portas aos fiéis neste sábado (4). Após 17 anos fechada para obras de reforma e reparo, a igreja será entregue hoje à noite, às 19h30. No domingo (5), às 8h, haverá a Missa de Rededicação da Igreja. 

A restauração completa começou em 1995 e recebeu recursos da ordem de R$ 6 milhões do governo federal por meio do Ministério da Cultura (Minc) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em programas como o Pronac, Monumenta e PAC Cidades Históricas, além da parceria da Prefeitura de Olinda e da Ordem do Carmo. 

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A reforma permitiu, além do resgate às características históricas e arquitetônicas do prédio, a adequação à acessibilidade. Agora, cadeirantes terão uma rampa de acesso que vai do estacionamento localizado no Parque do Carmo até a Igreja, além de banheiros adequados para portadores de necessidades especiais.

Histórico - A Igreja de Nossa Senhora do Carmo do Antigo Convento de Santo Antônio do Carmo de Olinda é tombada pelo IPHAN desde 1938. A Ordem dos Carmelitas se instalou em Olinda, na ermida de Santo Antônio e São Gonçalo, por volta de 1580, quando teve início a construção da igreja.

Quando Olinda foi destruída pelos holandeses, em novembro 1631, a igreja e o convento sofreram sérios danos. A partir de 1654, com a expulsão dos invasores, os frades voltaram ao convento em ruínas e deram início à reconstrução. Em 1704, começaram as obras internas e foi erguido o cruzeiro na frente do templo. A torre do lado sul foi concluída em 1726.

A igreja foi fechada em 1820 com a transferência do padre prior para Recife, o que provocou o abandono do convento. Outro grande golpe veio em meados do século XIX quando as fachadas Leste e Norte do convento ruíram, abrindo espaço para a ação de vândalos e saqueadores. Foi em 1897 que o frei Mariano do Monte Carmelo Gordon fez obras de restauração na capela-mor e mandou camarim com suas arcadas, pilastras e abóbada e nos anos de 1966 e 1968, foram realizados restauros já pelo Iphan (na época, SPHAN), que devolveram à igreja seu traçado primitivo.

*Com informações da assessoria

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