Tópicos | Angra 3

Mais uma vez, o início da operação da usina nuclear Angra 3, no Rio de Janeiro, foi adiado. Segundo apresentação do Eletrobras Day, que está sendo realizado nesta quarta-feira (12) em São Paulo, o novo prazo é junho de 2029, prorrogando por mais um ano a expectativa da entrada da unidade, que será a terceira usina nuclear do País, com capacidade instalada de 1,4 gigawatts (GW).

Segundo a Eletrobras, que apesar de privatizada continuou sócia da Eletronuclear, controladora de Angra 3, o orçamento será concluído este mês e até março de 2024 será definido o novo preço da usina, quando será feita a seleção da empresa para a finalização da obra que será iniciada em maio de 2025.

##RECOMENDA##

As obras de Angra 3 começaram em 1984 e foram interrompidas em vários governos, sendo a última vez em 2015 por indícios de corrupção nas contratações, com 70% da obra pronta. No ano passado, a Eletronuclear começou as obras civis, o chamado caminho crítico. A preparação para o reinício da concretagem se iniciou em fevereiro deste ano, com a assinatura de contrato com o consórcio Agis, composto pelas empresas Ferreira Guedes, Matricial e ADtranz. Nos últimos meses, o canteiro de obras foi preparado.

Ainda segundo a Eletrobras, estão em discussão com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a modelagem do Capex e funding de recursos para a conclusão do empreendimento; a estratégia para minimizar o impacto de variações cambiais; e uma tarifa de equilíbrio.

O Eletrobras Day é um evento fechado para acionistas selecionados pela empresa. A apresentação foi arquivada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A Polícia Federal (PF) informou que já cumpriu seis mandados de prisão temporária (quatro no Rio de Janeiro e dois em São Paulo) dos 12 expedidos na Operação Fiat Lux, que apura um suposto esquema de fraudes e pagamento de propina na Eletronuclear. Há ainda 18 mandados de busca e apreensão sendo cumpridos no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro.

A Operação Fiat Lux (segundo a PF uma expressão latina que pode ser traduzida por faça-se luz ou que haja luz) é desdobramento das operações Radioatividade, Pripyat, Irmandade e Descontaminação, que apuram desvios de recursos em contratos da Eletronuclear no âmbito da Lava Jato. 

##RECOMENDA##

O MPF informou que entre os investigados estão um ex-ministro, um ex-deputado federal, empresários e ex-executivos da estatal, além de pessoas que contribuíram para lavagem de ativos. A Lava Jato pediu também o sequestro dos bens dos envolvidos e de suas empresas pelos danos materiais e morais causados no valor de R$ 207,8 milhões.

Delações

De acordo com o MPF, as investigações que levaram à Fiat Lux tiveram como base as informações de delações premiadas de empresários presos na Operação Blackout, realizada em 2017 pela força-tarefa da Lava Jato no Paraná. Com isso, foi elucidado o pagamento de vantagens indevidas em, pelo menos, seis contratos firmados pela Eletronuclear.

“Os recursos eram desviados por meio de subcontratação fictícia de empresas de serviços e offshores, que por sua vez distribuíam os valores entre os investigados”, informou o MPF.

Ainda conforme o MPF, a exigência de propina teve início logo após a posse de Othon Pinheiro na presidência da Eletronuclear como contrapartida à celebração de novos contratos e ao pagamento de valores em aberto de contratos que se encontravam em vigor. O esquema se estendeu para fora do país com empresas sediadas no Canadá, na França e Dinamarca. Por isso, o órgão pediu a cooperação internacional e vai compartilhar o material da investigação com o Ministério Público destes países.

Empreiteiras

O MPF informou que o desmembramento da denúncia oferecida a partir da Operação Radioatividade trouxe parte das investigações da Lava Jato para o Rio de Janeiro. Na etapa, foram apurados os envolvimentos em prática ilícitas, de, pelo menos, duas grandes empreiteiras, a Andrade Gutierrez e a Engevix, que ocorreriam em decorrência da execução de contratos e de aditivos celebrados com a Eletronuclear para a construção da Usina Nuclear Angra 3.

A Operação Prypiat, que foi deflagrada pela força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro, aprofundou as investigações sobre os contratos com a Flexsystem Engenharia, Flexsystem Sistemas e VW Refrigeração. A Operação Irmandade focou no núcleo financeiro operacional do esquema. A colaboração de executivos da Andrade Gutierrez ajudou a demonstrar a forma de geração do caixa 2 da empresa para realização dos pagamentos de propina em espécie para funcionários da Eletronuclear.

Na avaliação do MPF, esse esquema de lavagem de dinheiro era similar ao investigado pela Operação Fiat Lux e se sustentava na celebração de contratos fictícios e expedição de notas fiscais falsas com várias empresas.

“Após celebração de acordo de colaboração premiada com um dos envolvidos e o aprofundamento das investigações, foi identificado sofisticado esquema criminoso para pagamento de propina na contratação das empresas Argeplan, AF Consult Ltd e Engevix para a execução do contrato de projeto de engenharia eletromecânico 01, da usina nuclear de Angra 3. Com isso, a Operação Descontaminação revelou a participação de políticos do MDB no desvio de recursos da Eletrobras, por meio da indicação das empresas que deveriam ser contratadas”, indicou o MPF.

Eletrobras

A Eletrobras divulgou nota informando aos acionistas e ao mercado em geral que tomou conhecimento, pela imprensa, que a força-tarefa da Operação Lava Jata da Polícia Federal iniciou nesta quinta-feira, a Operação Fiat Lux que envolve supostas fraudes na controlada Eletrobras Eletronuclear.

“A Companhia está acompanhando o assunto e manterá o mercado informado”, disse a empresa no comunicado.

Com obras paralisadas há quatro anos, a usina nuclear de Angra 3 foi incluída no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) da Presidência da República, órgão responsável pelas concessões e privatizações. Por meio de um decreto, o governo criou um comitê que terá como responsabilidade propor um modelo jurídico e operacional para o empreendimento.

O governo já deixou claro que será preciso encontrar um sócio privado para concluir a usina, que já consumiu R$ 7 bilhões e deve demandar, pelo menos, outros R$ 15 bilhões. Sozinha, a Eletronuclear, subsidiária da Eletrobrás, não tem condições de tocar a obra.

##RECOMENDA##

As propostas em análise para Angra 3 são o modelo de sociedade, com participação minoritária da Eletronuclear, e a contratação de uma construtora, que seria paga com recursos oriundo da venda da energia da usina.

No ano passado, o então Ministério da Fazenda (hoje Ministério da Economia) deixou claro que tinha dúvidas sobre os impactos para o consumidor e até mesmo sobre a pertinência de retomar ou não as obras da usina nuclear. Sobre o modelo societário, a área dizia que ela tinha "risco fiscal significativo" e "premissas improváveis".

O decreto publicado ontem diz que o comitê interministerial terá 180 dias para concluir os trabalhos, prorrogáveis por igual período. A proposta final será submetida ao Conselho do PPI, formada por ministros e pelos bancos públicos. Caixa e BNDES financiaram a obra e têm interesse direto em sua conclusão, projetada para 2026. Os bancos só aceitam dar um "waiver" (perdão) para a dívida após a publicação do edital - o que deve ocorrer apenas em 2020.

Projeto do período militar, Angra 3 começou a ser construída em 1984. Suas obras prosseguiram até 1986, quando foram paralisadas devido a dificuldades políticas e econômicas, após a explosão do reator da usina de Chernobyl, na Ucrânia. O projeto foi retomado em 2009, com custo estimado de R$ 8,3 bilhões e inauguração prevista para 2014.

Investigações realizadas pela Polícia Federal descobriram desvios de recursos na obra e resultaram na prisão de executivos da Eletronuclear. Em março, o ex-ministro de Minas e Energia Moreira Franco e o ex-presidente Michel Temer também foram presos, sob suspeita de que teriam recebido propina durante o início da construção da usina. Ambos foram soltos dias depois. (COLABOROU SANDRA MANFRINI)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) afirmou que a decisão de concluir ou não a construção da usina nuclear de Angra 3 tem caráter essencialmente político, mas que o País possui uma série de fontes de energia com tarifas bem inferiores à que o governo pretende cobrar pela conclusão e operação da usina, que está com as obras paralisadas há mais de três anos no Rio de Janeiro.

Os técnicos calcularam os efeitos que a construção da usina teria no bolso do consumidor, caso seja aplicado o aumento da tarifa de Angra 3 aprovado em outubro pelo governo. Se o valor da energia saltar de R$ 240/MWh para R$ 480/MWh, como quer o governo atual, a conta de luz subiria imediatamente 1,35%.

##RECOMENDA##

A indefinição sobre o futuro de Angra 3, que está com 58% de sua estrutura concluída, é uma das heranças deixadas pelo governo Temer. O custo bilionário para concluir ou desmontar a usina levou o Tribunal de Contas da União (TCU) a abrir uma auditoria na Aneel para apurar a situação do empreendimento controlado pela Eletronuclear, estatal do grupo Eletrobrás.

Em respostas encaminhadas pela Aneel ao TCU, técnicos da agência argumentaram que o País possui hoje uma série de fontes de energia que está sendo contratada em leilão em valores muito inferiores à nova tarifa de R$ 480 o megawatt-hora (MWh) fixada em outubro pelo governo para concluir a usina. "Pontuamos que os últimos leilões realizados demonstram a existência de ofertas de outras fontes de geração de energia com preços inferiores em quantidade compatível com Usina de Angra 3".

Política

A Aneel, no entanto, alegou que não cabe à agência opinar sobre a necessidade ou não de concluir a planta nuclear, item que foi questionado pelo TCU. "A essencialidade da usina nuclear de Angra 3, a nosso ver, envolve aspectos relacionados não somente ao setor elétrico, mas também questões afetas ao setor nuclear brasileiro, portanto, deve ser avaliada no âmbito de uma política pública", diz a agência.

Bolsonaro tem sinalizado que tem a intenção de concluir a usina. A ideia também é defendida por integrantes da cúpula de transição do governo, que veem na área nuclear uma tecnologia estratégica para o País. Angra 3 já consumiu ao menos R$ 8 bilhões dos cofres públicos. Como informou o jornal O Estado de S. Paulo em junho do ano passado, o custo de conclusão da planta nuclear já foi estimado em R$ 17 bilhões. Por outro lado, desistir dela custaria R$ 12 bilhões.

Projeto do período militar, Angra 3 começou a ser erguida em 1984. Suas obras prosseguiram até 1986. O projeto ficou paralisado por 25 anos, até ser retomado em 2009 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e parou de novo por causa de denúncias da Lava Jato. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou investigação envolvendo o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Raimundo Carreiro. Fachin atendeu pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que não identificou elementos contra Carreiro em apuração que tramita no STF.

Carreiro era alvo de investigação na qual o ministro Aroldo Cedraz, do TCU, foi denunciado no início do mês por tráfico de influência, por supostamente ter negociado e recebido R$ 2,2 milhões da empresa UTC Engenharia, para influenciar o julgamento de processos referentes a contratos da usina de Angra 3 enquanto tramitavam no tribunal de contas.

##RECOMENDA##

Na mesma ocasião, a PGR também denunciou o advogado Tiago Cedraz, filho do ministro, e mais duas pessoas.

Em decisão assinada nesta quarta-feira, 24, Fachin ressaltou que a Justiça é obrigada a arquivar investigações quando o pedido é feito pela PGR, salvo em casos de atipicidade de conduta e extinção da punibilidade.

"In casu, o pronunciamento da titular da ação penal, diante do lastro empírico existente nos autos, é pela inexistência de justa causa à continuidade dos atos de persecução em desfavor do Ministro Raimundo Carreiro", observou o relator da Lava Jato na Suprema Corte.

Denúncia

A UTC era parte de um consórcio de sete construtoras que disputava contratos em valores totais de R$ 3,2 bilhões em Angra 3, que eventualmente passaram pela análise do TCU. Nesse contexto, o dono da empreiteira, Ricardo Pessoa, descrito pela procuradoria como líder do esquema, contratou Tiago Cedraz para, junto com o ministro Aroldo Cedraz, interceder em benefício dos interesses do consórcio, em ao menos dois processos, de acordo com a PGR.

O objetivo final era evitar que o TCU impedisse a contratação ou fizesse exigências onerosas às empresas contratadas. A delação de Ricardo Pessoa corroborou a denúncia.

Alvo do Tribunal de Contas da União (TCU), que pode declarar sua inidoneidade em breve, a construtora Andrade Gutierrez afirma que não mudará de posição em relação ao processo que apura irregularidades na construção de Angra 3 e seguirá contestando indicações de que houve sobrepreço nas obras civis da usina.

A empreiteira confessou ao Ministério Público Federal e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que houve pagamento de propina e formação de cartel na licitação para a montagem da usina nuclear. Insiste, porém, que o contrato das obras civis - fruto de outra licitação - não foi inflado.

##RECOMENDA##

A área técnica do TCU discorda. E há avaliação na corte que, diante das evidências levantadas, ao não confessar o sobrepreço nas obras, a Andrade mostra que não quer colaborar e, sim, escapar de pagar novos valores à União. Se o entendimento prevalecer, a corte pode declarar a inidoneidade da Andrade e impor pagamento de até R$ 1,4 bilhão, conforme reportagem publicada nesta quinta-feira, 1, pelo Estado.

A Andrade diz que não confessará irregularidade que não cometeu. E sustenta que está sendo ameaçada pelo TCU, que impõe como condição para que escape da inidoneidade a admissão de culpa no caso. "Queremos que haja a apuração isenta sobre sobrepreço para que possamos nos defender no TCU e, se necessário, na Justiça. Não posso abrir mão desse direito. É isso que o TCU está exigindo", diz André Moragas, diretor de comunicação da Andrade.

A empreiteira diz que enviou documento ao Ministério Público reforçando sua determinação em colaborar, atendendo pedido do próprio TCU. O processo sobre as obras de Angra 3 é relatado no TCU pelo ministro Bruno Dantas, que deve levar o processo à apreciação da corte nos próximos meses. Procurado, ele não comentou.

Caso seja declarada inidônea, a Andrade ficará proibida de disputar contratos públicos por cinco anos. A empreiteira diz que hoje quase todos seus contratos no Brasil já são com clientes privados e que pretende deixar o negócio público. Argumenta, contudo, que a medida causaria grave dano à sua imagem e, consequentemente, ao negócio. Segundo a companhia, a simples sinalização de que a medida será adotada a prejudica em negociações com bancos e com possíveis clientes.

A Andrade Gutierrez entrou com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar parar o processo do TCU, mas a presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, negou o pedido. O caso ainda será apreciado pela corte. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Raimundo Carreiro, apresentou documentação ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), na qual apresenta justificativas para a origem de R$ 568 mil depositados em sua conta bancária de 2012 a 2014. No relatório final de inquérito que apura a participação do ministro em suposto esquema de corrupção nas obras da usina de Angra 3, a Polícia Federal sustentou que os recursos são de fonte desconhecida.

Nos documentos, Carreiro informou que todas as suas transações foram realizadas com o Banco do Brasil, tendo os créditos sido feitos por inquilinos, pelo Senado, pelo TCU e por várias pessoas físicas. "A maior parte dos valores refere-se a aluguéis de imóveis comerciais e residenciais, conforme consta na declaração do Imposto de Renda de Pessoas Físicas", disse a assessoria do ministro, em nota. Os contratos de locação foram anexados à papelada enviada ao Supremo e à PGR.

##RECOMENDA##

O ministro alega que há pagamentos feitos pelo TCU, mas que constam do relatório como sendo do Senado, Casa pela qual Carreiro se aposentou antes de assumir o cargo na corte; e valores estornados da conta. Há ainda, segundo ele, depósitos de R$ 60 a R$ 300 feitos por 26 pessoas físicas, para que fossem compradas e distribuídas cestas básicas a pessoas carentes na época do Natal e do Ano Novo.

No relatório sobre a investigação, divulgado em julho pelo jornal O Estado de S. Paulo, a PF concluiu que as provas colhidas corroboram declarações de delatores da Lava Jato, segundo os quais o advogado Tiago Cedraz, filho do também ministro do TCU Aroldo Cedraz, praticava tráfico de influência na corte. O dono da UTC, Ricardo Pessoa, disse ter pago R$ 1 milhão a Tiago para influenciar decisão favorável ao consórcio integrado pela empreiteira, que disputava o contrato das obras de Angra 3. Ele afirmou que o valor, possivelmente, tinha Carreiro como destinatário. Carreiro, Aroldo e Tiago Cedraz negam envolvimento em quaisquer irregularidades. As conclusões da PF foram enviadas à PGR, que decidirá se denuncia ou não os implicados no relatório.

No documento em que questiona o relatório, Carreiro rebateu a acusação de que agiu para "proteger ou defender interesses de empreiteiras". Em 2012, ele foi relator de auditoria que tratou de supostas irregularidades na licitação para a montagem eletromecânica da usina. Votou para que a concorrência seguisse adiante, o que beneficiou o consórcio da UTC.

"O acórdão relativo a esse processo foi aprovado por unanimidade pelo plenário do TCU, com o endosso do Ministério Público de Contas, o que evidencia sua isenção na conclusão do voto. O ministro declara que as investigações sobre a licitação da usina foram motivadas por declarações vagas de terceiros, baseadas em suposições e sem a apresentação de nenhuma prova", diz a nota de Carreiro. A defesa do presidente do TCU requereu ao Supremo que seja reconhecida "a improcedência das imputações a ele dirigidas" no relatório da PF. Sustentou que os autos "não trazem nenhuma prova de materialidade nem indício" de que o ministro "tenha participado de tratativas ou condutas ilícitas com vistas a beneficiar quem quer que seja".

O advogado Tiago Cedraz, filho do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Aroldo Cedraz, pediu ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o arquivamento de inquérito que apura o envolvimento dele, do pai e do atual presidente da corte, Raimundo Carreiro, suspeitos de esquema de corrupção para favorecer empreiteiras nas obras da usina de Angra 3.

Numa petição enviada a Janot, a defesa do advogado sustenta que a Polícia Federal cometeu equívocos e extrapolou limites de investigação ao elaborar relatório conclusivo sobre o caso. Para a PF, "restou demonstrada participação ativa" de Tiago e dos ministros "na solicitação de vantagens indevidas em decorrência da atuação" em processos de interesse da UTC Engenharia, uma das empreiteiras responsáveis pela montagem da usina. As conclusões foram noticiadas pelo jornal O Estado de S. Paulo em 19 de julho. Na ocasião, Tiago não se pronunciou.

##RECOMENDA##

A Procuradoria-Geral da República (PGR) decidirá se denuncia ou não os implicados na investigação. O órgão não se pronunciou sobre o andamento do inquérito. Procurada desde a sexta-feira, a Polícia Federal não se manifestou.

No documento enviado a Janot, o advogado contesta análise de telefonemas entre os investigados, feita pela PF. Os investigadores consideraram o intenso fluxo de comunicações, especialmente em dias relevantes da tramitação do processo de Angra 3, um indício da atuação "clandestina" de Tiago nos gabinetes dos ministros do TCU.

O relatório policial diz que, entre 2012 e 2014, houve 14.321 ligações entre terminais vinculados a Tiago e seu escritório e os do pai e de seu gabinete. O advogado alega que um número fixo considerado pelos investigadores como dele é, na verdade, o da residência do pai. Dois celulares atribuídos a Aroldo Cedraz teriam sido contratados por meio de um plano familiar e seriam de uso da mulher e da filha do ministro.

O advogado alega também que a PF afirma ser do gabinete de Carreiro uma linha que, na verdade, era do gabinete de Aroldo Cedraz. Por conta disso, teria concluído de forma errônea que Carreiro fez várias ligações para ele próprio, para o pai e para Luciano Araújo, primo de Tiago que é suspeito de recolher a propina da UTC. As ligações usadas como prova, segundo a defesa, são contatos telefônicos entre dois parentes próximos e suas famílias.

O advogado afirma no documento que a quebra dos sigilos bancário e fiscal dele e do pai não apontou irregularidades, mas, mesmo assim, a PF levantou "falsas suspeitas". Ao se referir a Aroldo Cedraz, reclama ainda que atribuir conduta ilícita a "magistrado de conduta ilibada" é "abuso de autoridade".

A PF apontou "indícios de manipulação" no processo de Angra 3, entre eles o fato de Aroldo Cedraz ter pedido vista do caso de Angra 3 quando o sistema do TCU já registrava que ele estava impedido para atuar. A defesa de Tiago argumenta que o pedido foi por "engano" e que os autos foram devolvidos no dia seguinte ao gabinete de Carreiro, que era o relator.

'Contradições'

A defesa do advogado explora ainda o que chama de "contradições" dos depoimentos dos delatores que o acusaram. O dono da UTC, Ricardo Pessoa, disse ter pago R$ 1 milhão a Tiago para fazer o processo de Angra 3 "fluir". O repasse teria sido feito em janeiro de 2014. O processo, no entanto, foi julgado 14 meses antes no TCU, em novembro de 2012.

No relatório, a PF diz que o fato de o suposto pagamento "ter ocorrido" depois do julgamento não apresenta "maior relevância", pois o crime de corrupção não se consuma apenas quando há recebimento de valores, "bastando a solicitação indevida" desses valores.

Tiago também questiona diferentes versões dadas por delatores quanto à suposta entrega da propina. Num depoimento, Pessoa disse ter pago o valor diretamente ao advogado, em espécie. Em outro, explicou que o primo dele, Luciano Araújo, foi buscá-lo na UTC. O doleiro Alberto Youssef, colaborador que foi preso e condenado na Lava Jato, contou que um de seus entregadores levou a quantia ao escritório de Tiago. Depois disso, numa nova oitiva, o dono da UTC afirmou que pode ter se confundido, "sendo possível" que a entrega tenha sido feita pelo doleiro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A força-tarefa da Lava Jato no Rio denunciou nesta quarta-feira, 22, cinco ex-executivos da Eletronuclear, já presos preventivamente, e dois sócios da VW Refrigeração pela suposta lavagem de R$ 2,38 milhões. O caso é um desdobramento da Operação Pripyat, deflagrada no ano passado, para aprofundar as investigações de corrupção e lavagem de dinheiro na construção usina de Angra 3.

Os sete denunciados são acusados de movimentar e dissimular a origem de recursos destinados às obras da usina. O MPF diz que foram feitos pelo menos 27 saques não identificados e depósitos entre 2010 e 2016 na conta dos executivos. Ele já tinham sido denunciados anteriormente por corrupção e lavagem de dinheiro. A nova denúncia ocorre com os desdobramentos das investigações.

##RECOMENDA##

Inicialmente, o MPF acreditava que o esquema de lavagem de dinheiro entre a construtora Andrade Gutierrez e a VW atendia apenas ao ex-superintendente de construção da Eletronuclear José Eduardo Costa Mattos. Mas agora os procuradores dizem que a ação ilegal também beneficiava os ex-dirigentes Edmo Negrini (Administração e Finanças), Luiz Soares (diretor técnico), Luiz Messias (Superintendência de Gerenciamento de Empreendimentos) e Pérsio José Gomes Jordani (Planejamento, Gestão e Meio Ambiente).

Além deles, foram acusados os empresários Marco Aurélio Barreto e Marco Aurélio Vianna, sócios da VW Refrigeração. A empresa que teria ainda como "sócio oculto" Costa Mattos, diz o MPF. Os sete já tinham sido denunciados na primeira fase da Pripyat acusados de receberem propina da Andrade Gutierrez.

Defesas

O advogado de Messias, Paulo Freitas Ribeiro, afirmou que ainda não teve acesso à denúncia. Ressaltou que seu cliente sempre negou qualquer irregularidade. O advogado de Pérsio Jordani, Andre Perecmanis, informou que seu cliente nunca teve nenhuma relação com a VW. Disse que apresentará nos próximos dias um laudo que aponta a regularidade nas movimentações financeiras dele.

A defesa de Amorim Soares e Costa Mattos não retornou as ligações. A reportagem não localizou os advogados de Edno Negrini, Marco Aurélio Barreto e Marco Aurélio Vianna. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A Justiça Federal do Rio de Janeiro ouve nesta segunda-feira, 17, depoimentos de cinco testemunhas na Operação Pripyat, desdobramento da Operação Lava Jato que investiga indícios de corrupção nas obras de construção da usina nuclear de Angra 3.

Todas as testemunhas são consideradas colaboradores com as investigações: Fernando Carlos de Carvalho Júnior, Fernando Antônio Faria Vasconcellos, Lauro Antônio Tiradentes de Oliveira Júnior, Elmio Rosa Vieira e Clorivaldo Bisinoto.

##RECOMENDA##

Na quarta-feira, dia 19, serão ouvidos como testemunhas convocadas pela acusação Ronaldo Ferreira da Silva, João Campos Júnior, Jorge Luiz Guerra e Carlos Roberto da Silva.

Na sexta, dia 21, a Justiça toma o depoimento de Rafael Carneiro Di Bello, Verônica Hartmann, Lucélia Marília Bella Pacheco e Marco Ferreira Gomes, também testemunhas da acusação.

Mais depoimentos estão marcados para a semana que vem, entre eles o de Flávio David Barra, ex-executivo da construtora Andrade Gutierrez, como colaborador.

A Andrade Gutierrez fechou este ano acordo de leniência com o Ministério Público Federal que previa pagamento de uma indenização de R$ 1 bilhão. A Justiça também homologou delação premiada de 11 ex-executivos da construtora, incluindo depoimentos como colaboradores do ex-presidente Otávio Marques de Azevedo e de Flávio Barra.

Ao menos dois executivos da Andrade Gutierrez, delatores da Operação Lava Jato, apontaram propina aos senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Edison Lobão (PMDB-MA). O ex-diretor da empreiteira Clóvis Primo declarou que "com relação aos pagamentos de propinas ajustados com o PMDB", foram feitos repasses correspondentes a 0,5% dos valores das obras da Usina de Angra 3 a Romero Jucá e 0,5% a Lobão.

O senador por Roraima foi ministro do Planejamento, no governo do presidente em exercício Michel Temer (PMDB) por 12 dias. A divulgação de suas conversas com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado levou à queda de Jucá. No diálogo, o senador peemedebista propõe um "pacto" para acabar com a Lava Jato.

##RECOMENDA##

Um dos anexos da delação de Clóvis Primo traz um capítulo intitulado "pagamento de propinas". Anexo é termo preliminar aos depoimentos frente o Ministério Público Federal.

"Com relação aos pagamentos de propinas ajustados com o PMDB, o colaborador esclarecerá que não foram diretamente ajustados ou realizados por ele, mas mediante pagamentos a intermediários indicados pelo então Ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, realizados em espécie, correspondentes a 0,5% dos valores das obras; e mediante contratos com empresas indicadas pelo senador Romero Jucá que realizavam os repasses a este, também correspondentes a 0,5% dos valores das obras", aponta o anexo.

Clóvis Primo relatou sobre "pagamentos de propinas ajustados com o PT" que não foram diretamente negociados ou realizados por ele, mas sim feitos por meio de "doações ao diretório nacional do partido, tendo sido a interlocução feita por outros executivos da AG".

A Andrade Gutierrez tem 11 executivos como delatores na Lava Jato. O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou no início de abril, 34 termos de colaboração. A empreiteira, que também fechou acordo de leniência, vai pagar multa de R$ 1 bilhão.

O ex-diretor do grupo Flávio Gomes Machado Filho declarou que a partir do momento em que o contrato de Angra 3 entrou em execução, "o assunto passou a ser tratado pela diretoria responsável pelo tema na AG, e a partir daí houve demandas do PMDB e do PT para pagamento de percentuais vinculados ao valor da obra".

"O colaborador relatará que chegou a fazer um pagamento dirigido a Edison Lobão, entregue a um intermediário por ele indicado, em data e local que detalhará posteriormente. E também que foram efetuados pagamentos dirigidos a Romero Jucá, através de canais por este indicados, que serão detalhados e comprovados posteriormente", informa o anexo.

Um terceiro dirigente ligado à empreiteira, o ex-presidente da Andrade Gutierrez Energia Flávio David Barra, relatou que entrou no projeto um pouco antes da licitação da parte de montagem da obra de Angra 3.

"O colaborador também confirmará a existência de doações de campanha vinculadas a percentuais de obra para o PT (representado por João Vaccari, então tesoureiro do partido) e pagamentos para o PMDB, na pessoa de Edison Lobão", afirma o documento.

Defesa

Por meio de nota, o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, que defende Romero Jucá e Edison Lobão, afirmou que "todas estas delações não apresentam nenhum rastro de qualquer prova. São acusações desprovidas de qualquer valor".

O ex-presidente da Andrade Gutierrez Rogério Nora de Sá afirmou à Justiça Federal, no Rio, que o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, durante sua gestão à frente da presidência da Eletronuclear, pediu "contribuição política" para o PT e para o PMDB e "contribuição científica". Segundo Rogério Nora, que é um dos 11 delatores da empreiteira, na Operação Lava Jato, Othon Luiz pediu 1% para seus "projetos futuros".

O ex-presidente da Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras, é acusado de ter recebido propina da Andrade Gutierrez e da Engevix sobre contratos de obras da Usina de Angra 3. Othon Luiz teria recebido valores por meio de empresas intermediárias, segundo o Ministério Público Federal. O almirante é acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, obstrução da justiça e organização criminosa.

##RECOMENDA##

"Em seu interrogatório, Rogério Nora, réu colaborador, confirmou que, na condição de presidente da construtora Andrade Gutierrez, quando houve a decisão pela retomada da obra de Angra 3, teve contato com Othon Luiz que indagou se a empreiteira concordava que, para que esses contratos tivessem sequência, fosse realizada uma "contribuição política" para o PT e para o PMDB. Em sequência, Othon Luiz colocou que ele, em razão de ser um cientista, gostaria que a Andrade Gutierrez contribuísse com ele com 1% sobre o valor das obras para que ele pudesse atender aos seus projetos futuros", informa o Ministério Público Federal nas alegações finais entregues à Justiça na sexta-feira, dia 3.

"Rogério disse ter concordado com o pedido, sendo definido que, quando os contratos passassem a ter eficácia, haveria o pagamento da "contribuição política" e da "contribuição científica" para Othon Luiz", diz o depoimento.

O executivo ligado à Andrade Gutierrez citou uma reunião ocorrida em São Paulo na sede da empreiteira com Othon Luiz. Segundo Rogério Nora, foi estabelecido por ele que, a partir daquele momento, outro executivo da Andrade Gutierrez Clóvis Primo, "que estava presente na ocasião, era quem cuidaria desses assuntos".

"Rogério Nora ainda mencionou reunião anterior realizada com Othon Luiz no Rio de Janeiro em que ele, referindo-se à retomada da obra, estabeleceu a necessidade de pagamento de colaboração no patamar de 1% para o desenvolvimento de projeto de turbinas, tendo o executivo da Andrade Gutierrez anuído imediatamente ao pleito", aponta a Procuradoria.

"Indagado a respeito do benefício que a Andrade Gutierrez esperava ter ao realizar os pagamentos de propina para Othon Luiz, Rogério Nora respondeu que não esperava benefício em relação à lucratividade da obra, mas sim que a empresa não fosse prejudicada ou sofresse algum tipo de represália que atrapalhasse o seu andamento. Ao final, esclareceu não ter participado de qualquer situação ilícita envolvendo a licitação para a montagem eletromecânica."

A Procuradoria sustenta que Othon "era o principal mentor do esquema e beneficiário dos recursos de propina que foram por longos períodos canalizadas para sua empresa Aratec pelas empreiteiras Engevix e Andrade Gutierrez".

Os investigadores afirmam que o almirante "determinou a abertura de contas bancárias das offshores Hydropower Enterprise Limited para lavar parte dos ativos sujos oriundos dos crimes praticados em detrimento da Eletronuclear".

O Ministério Público Federal pediu, na sexta-feira, a condenação do ex-presidente da Eletronuclear. O processo é derivado da Operação Lava Jato e corre na 7ª Vara Criminal do Rio. O processo ainda pede a condenação de outras 13 pessoas por desvios superiores a R$ 4,4 milhões, além do bloqueio e restituição do valor.

O PT, o PMDB e o ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva negam taxativamente recebimento de propinas. O espaço está aberto para manifestação.

O ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que a Polícia Federal colha o depoimento do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz, em um inquérito que investiga o filho dele, o advogado Tiago Cedraz, e membros do PMDB por corrupção na construção da Usina de Angra 3.

Teori atendeu a um pedido da Polícia Federal com o aval do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O ministro estendeu por mais 60 dias o prazo para a continuidade das investigações e autorizou oitivas também com Tiago, Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear, e Andre Serwy, apontado como operador do senador Edison Lobão (PMDB-MA) no esquema.

##RECOMENDA##

Além de Tiago, o inquérito inclui Lobão e outros dois senadores do PMDB - o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e o senador Romero Jucá (RR) - além do ministro do TCU Raimundo Carreiro. O grupo é investigado com base na delação do dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, que teria relatado pagamentos mensais a Tiago em troca de influência e informações sobre o TCU.

Pessoa disse ter negociado pagamento de R$ 1 milhão com o advogado para liberação, pelo Tribunal de Contas, das obras da usina de Angra 3 - que teve a UTC entre as empreiteiras que formavam consórcio contratado para execução do projeto. O processo foi relatado pelo ministro Raimundo Carreiro no TCU. Edison Lobão, então ministro de Minas e Energia, teria articulado os repasses ao PMDB em troca do negócio da usina de Angra 3, sob responsabilidade da Eletronuclear.

Os investigados negam as acusações e rechaçam as informações contidas no depoimento de Pessoa.

O presidente da Eletronuclear, Pedro Figueiredo, disse ter apresentado um plano de retomada das obras da usina nuclear Angra 3 ao Ministério de Minas e Energia. O plano inclui três fatores que devem ser cumpridos antes que a construção seja reiniciada. Os contratos que estão sendo alvo de investigação na Justiça, após delações na Operação Lava Jato, serão suspensos e novas concorrências serão lançadas para substituí-los.

Além disso, a Eletronuclear pretende concluir investigação interna sobre as denúncias de superfaturamento e desvio de recursos e revê, especialmente, o orçamento para a montagem da usina, segundo Figueiredo.

##RECOMENDA##

Ele garante, no entanto, que está mantido o cronograma que prevê o início da operação em 2020. "Esse modelo de construção de usina em 20 anos está esgotado", disse ele, em seminário da Fundação Getulio Vargas (FGV), onde defendeu a abertura do setor para a iniciativa privada.

O empresário Carlos Gallo, dono da CG Consultoria, admitiu nesta quarta-feira, 27, ter atuado como intermediário para que o ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva, investigado por um esquema de corrupção nas obras da usina de Angra 3, recebesse dinheiro da construtora Andrade Gutierrez quando já estava à frente da estatal. Em audiência aberta na 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, Gallo admitiu que a CG recebeu quase R$ 3 milhões por meio de três contratos com a empreiteira, dinheiro que foi repassado à Aratec Engenharia, empresa de Othon.

"O Dr. Othon, em 2008, me solicitou... ele disse que tinha feito um serviço para a Andrade Gutierrez na área de energia, anterior a ele como presidente da Eletronuclear. Como ele foi nomeado presidente, esse serviço não havia sido efetivamente cobrado, e ele, até para ajudar em negócios futuros (ele era obcecado por um projeto de turbinas), ele precisava receber da Andrade Gutierrez. Ele perguntou se eu poderia, através da minha empresa, receber esse dinheiro para ele", contou Gallo.

##RECOMENDA##

O executivo disse ainda que aceitou o negócio em função da amizade com Othon, quem conhecia havia 10 anos, e da qualificação profissional do almirante. Afirmou ainda que não se sentiu enganado, mas tampouco teria admitido o negócio se soubesse que o dinheiro era fruto de propina.

"Ele alegou que, como era presidente da Eletronuclear, não queria fazer direto para a empresa que ele tinha com a filha (Ana Cristina Toniolo, também investigada na ação). Eu levantei esse problema (de ocultação de recursos), questionei. Mas ele disse 'nunca envolveria minha filha se eu não estivesse bem seguro sobre esse serviço'", acrescentou Gallo.

Havia ainda a expectativa de que a CG Consultoria atuasse em serviços de projeto e execução na concepção das turbinas idealizadas por Othon. Essa perspectiva também pesou para que o executivo aceitasse o negócio.

A CG Consultoria é uma das empresas acusadas de receber dinheiro de propina de empreiteiras que operavam na obra de Angra 3 por meio de contratos de fachada. Esses recursos teriam sido repassados posteriormente a Othon por meio de pagamentos à empresa Aratec Engenharia. As outras duas são a JNobre e a Deutschebras. Seus sócios também vão depor à Justiça nesta quarta.

A JNobre Engenharia, inclusive, entrou no círculo por intermediação de Gallo. Foi ele quem apresentou Othon ao sócio da empresa, Josué Augusto Nobre, também réu no processo.

"Eu disse 'Othon, eu gostaria de parar com esse tipo de coisa, isso está me atrapalhando'. Ele perguntou se conhecia alguém para fazer esse tipo de serviço. Falei com o Josué, expliquei, e disse que eu ficaria responsável pelo projeto das turbinas e que ele participaria junto", afirmou Gallo.

Ao todo, a CG Consultoria recebeu R$ 2,93 milhões da Andrade Gutierrez, em valores brutos. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), R$ 2,045 milhões foram repassados à Aratec. A diferença corresponde a impostos pagos e a despesas operacionais, alegou o executivo.

Os contratos com a Andrade Gutierrez foram firmados entre Gallo e Olavinho Mendes, funcionário da empreiteira. Em depoimento na última segunda-feira, 25, Mendes, que firmou acordo de delação premiada, afirmou que forjava objetos para que os contratos fictícios parecessem reais. "Ele me passou os termos do contrato e os elementos para eu discutir um estudo em cima daquilo. Olavinho passou o que precisava para caracterizar o contrato", disse Gallo.

Na Aratec, o contato de Gallo era Ana Cristina Toniolo, filha de Othon e sócia na empresa do pai. Segundo o executivo, o objeto do contrato era decidido em comum acordo. "Eram serviços (para Aratec) que eu combinei com a Ana Cristina", afirmou o executivo da CG.

A advogada Ana Beatriz Saguas, que defende Ana Cristina, afirmou que o depoimento confirma que a filha de Othon apenas secretariava o pai. "Ela não teve participação ativa, sequer imaginava", disse.

O ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o compartilhamento com o Tribunal de Contas da União (TCU) de documentos que integram a investigação sobre irregularidades na retomada das obras da usina nuclear de Angra 3.

O inquérito tramita na Corte desde junho e tem no rol de investigados o ministro do TCU Raimundo Carreiro e o filho do presidente da Corte de Contas, Aroldo Cedraz, o advogado Tiago Cedraz.

##RECOMENDA##

Além dos dois, estão na mira da investigação o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e os senadores peemedebistas Romero Jucá (RR) e Edison Lobão (MA). Zavascki autorizou o envio de cópia eletrônica da investigação ao TCU.

A delação do dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, serviu como subsídio para abrir a investigação. O empreiteiro relatou pagamentos mensais a Tiago Cedraz em troca de influência e informações sobre o Tribunal de Contas da União.

Ricardo Pessoa falou ainda em pagamento de R$ 1 milhão para liberação, pelo TCU, das obras da usina de Angra 3. O relator do processo no TCU era Carreiro. A UTC fez parte do consórcio de empreiteiras contratado para executar o projeto.

Edison Lobão, então ministro de Minas e Energia, teria articulado recebimento de dinheiro em troca do negócio da usina de Angra 3. Segundo relato de Pessoa, houve negociação de R$ 1 milhão para intermediação de Lobão no negócio.

O executivo Flávio Barra, da Andrade Gutierrez Energia, disse em depoimento à Justiça Federal no Paraná que Pessoa informou às empreiteiras integrantes do consórcio vencedor da obra que o peemedebista havia solicitado contribuição eleitoral para o partido.

A Justiça Federal do Rio de Janeiro acatou a decisão do Supremo Tribunal Federal e vai responder pelo julgamento de um suposto esquema de corrupção na construção da usina nuclear Angra 3, obra conduzida pela Eletronuclear, do grupo Eletrobrás.

O juiz fluminense Marcelo da Costa Bretas, da 7ª Vara Criminal, ratificou, na semana passada, os atos e decisões do juiz que tomava conta do caso anteriormente, Sérgio Moro, de Curitiba (PR). O esquema estava sendo investigado na Operação Lava Jato e julgado pela Justiça do Paraná. Mas o ministro Teori Zavascki, do STF, considerou que o processo deveria ser transferido para o Rio, onde ocorre a obra.

##RECOMENDA##

A última peça do processo na Justiça do Rio, um termo de acautelamento com data da última quinta-feira, diz respeito "ao recebimento de uma mídia (cd com dados do processo) entregue pela 13ª Federal Criminal de Curitiba". Em comunicado, a Justiça Federal do Rio informa que "não há caso novo no processo".

A única decisão até agora foi a de transferir os acusados de Curitiba para o Rio. O presidente afastado da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, deverá ser levado ao Presídio Militar do 1.º Distrito Naval, por ser almirante reformado.

As obras em Angra 3 foram reiniciadas em 2009, após 25 anos de paralisação do projeto. A projeção é de gastos de R$ 15 bilhões, mais que o dobro do orçamento inicial. A usina nuclear deve ser concluída em 2018. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A Eletronuclear pediu à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para elevar a tarifa de energia da usina em 80,26% e adiar a data de entrada em operação de Angra 3 em três anos. Durante reunião a manhã desta terça-feira (29), a diretoria da agência decidiu encaminhar a solicitação ao Ministério de Minas e Energia (MME).

Segundo o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, o órgão regulador não tem competência para julgar o caso, por tratar-se de uma usina nuclear. Nesse caso, a atribuição é do Ministério de Minas e Energia. A empresa pertence ao Grupo Eletrobras.

##RECOMENDA##

"Os critérios para estabelecimento do preço do contrato não são de conhecimento da Aneel e, portanto, existem assimetrias de informações que impedem a avaliação dos argumentos trazidos pela Eletronuclear para justificar o pleito de aumento do preço", informou a Aneel. "Não há delegação expressa do MME para que a Aneel proceda à instrução processual a respeito da Eletronuclear", acrescentou o órgão regulador.

Em seu pedido, a Eletronuclear alega dificuldades como demora em obter o licenciamento ambiental, desmobilização do canteiro de obras pela construtora, atraso na licitação para contratação de equipamentos devido a recursos judiciais, atraso na fabricação de equipamentos e indefinição e dificuldades para contratação de financiamento e prestação de garantias pela União.

Por essas razões, a empresa quer que a data de entrada em operação comercial da usina passe de 1º de dezembro de 2015 para 31 de dezembro de 2018. Para manter o equilíbrio econômico-financeiro do contrato, a companhia quer que o preço da energia aumente 80,26%, de R$ 148,65 por megawatt-hora (MWh) para R$ 267,95 por MWh, e que o período de contratação dessa energia passe de 35 anos para 40 anos. A usina terá potência de 1.405 MW.

Embora a diretoria Aneel não tenha tomado nenhuma decisão a respeito do assunto, análise feita pela área técnica da agência indica que as informações apresentadas pela Eletronuclear são insuficientes para aceitar o pedido. A área técnica argumenta que a Eletronuclear demorou 34 meses para obter as licenças necessárias ao início das obras, mas não apresentou justificativas para essa demora.

A empresa também cita que a construtora Andrade Gutierrez desmobilizou dois mil funcionários do canteiro de obras alegando desequilíbrio econômico-financeiro do contrato. Os técnicos, no entanto, sustentam que a gestão de contratos é parte inerente ao risco do negócio e deve ser administrado pelo empreendedor.

A Eletronuclear, cujo presidente licenciado - almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva - foi preso na Operação Lava Jato, tem um débito de cerca de R$ 65 milhões com o consórcio Angramon, responsável pela construção de Angra 3. Formado pelas empreiteiras Andrade Gutierrez, UTC, Odebrecht, Camargo Corrêa, EBE, Techint Engenharia e Queiroz Galvão o consórcio está sob investigação da Operação Lava Jato pelo suposto pagamento de propinas a Orhon Luiz e outros agentes públicos para obtenção de vantagens na licitação para a construção da usina.

A informação sobre o débito da Eletronuclear junto ao consórcio foi revelada pelo engenheiro Ricardo Ourique Marques, diretor geral da Techint Engenharia e Construção, em depoimento à Polícia Federal prestado nesta terça-feira, 28.

##RECOMENDA##

Angra 3 se arrasta há mais de 30 anos. Atualmente está orçada em R$ 15 bilhões. Marques foi um dos alvos de mandados de condução coercitiva expedidos pelo juiz federal Sérgio Moro, que dirige as ações da Lava jato, quando foi deflagrada a 16ª fase da operação, Radioatividade.

À Polícia Federal, Marques informou que a dívida era o motivo pelo qual a Techint estaria se desligando do consórcio. A notificação para a saída da empresa será encaminhada à estatal nesta sexta-feira, 31. Segundo ele, o desligamento é previsto no contrato e se justifica pelo inadimplento de mais de 120 dias.

Reunião

O engenheiro foi questionado pela PF se, na condição de representante da Techint, participou da reunião realizada no dia 26 de agosto de 2014 entre as empresas membros do consórcio. Segundo delatores da Java Jato, foi neste encontro que o consórcio definiu o pagamento de propinas para o presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva e ao PMDB.

Othon Pinheiro foi preso temporariamente nesta terça, 28, na 16ª etapa da operação, sob a suspeita de ter recebido R$ 30 milhões em propinas - valor equivalente a 1% dos contratos da estatal com as empresas consorciadas.

Marques afirmou à Polícia Federal que participou de uma reunião com empresas do consórcio "no ano passado", mas disse não se recordar a data exata. Ele declarou que "desconhece e não participou de reunião para fixação de valores e repasses que cada empresa do consórcio Angramon iria destinar para Othon Luiz Pinheiro".

A Eletronuclear ainda não se manifestou sobre o débito de R$ 65 milhões, apontado pelo diretor da Techint Engenharia Ricardo Ourique Marques.

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Raimundo Carreiro decidiu retirar da pauta de hoje o processo que trata da construção da usina nuclear de Angra 3. O empreendimento da Eletronuclear está no centro das investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Carreiro disse que chegou a pautar o processo na sexta-feira para a audiência de hoje, mas que "em face dos acontecimentos", decidiu retirar o processo de pauta "em busca de mais subsídios".

##RECOMENDA##

O processo trata especificamente da construção civil de Angra 3, o qual envolve diretamente a contratação da construtora Andrade Gutierrez. Ontem, o presidente licenciado da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, foi preso pela PF. A operação também prendeu o diretor da Andrade Gutierrez na área de energia, Flavio David Barra.

Raimundo Carreiro é suspeito de ter beneficiado o trâmite de processos relacionados à Angra 3 no TCU, conforme declarações dada pelo presidente da construtora UTC, Ricardo Pessoa. O ministro do TCU nega as acusações.

Carreiro não citou quando o processo deve retornar à pauta da corte de contas. Angra 3 tem sido auditada pelo tribunal desde a retomada de suas obras em 2009. Auditorias já realizadas demonstraram descompasso entre as fases de obras e de desembolsos envolvendo a usina, por conta de dificuldades de licenciamento.

Páginas

Leianas redes sociaisAcompanhe-nos!

Facebook

Carregando