Tópicos | Vila Esperança

Os 65 anos vividos por Raquel Dalzy foram em Vila Esperança, localizada na Zona Norte do Recife. Da casa onde morava com o marido e uma neta, só restam as lembranças e resquícios de demolição. A mesa que sempre esteve presente nos encontros da família, agora, está coberta por um lençol e ocupa um pequeno espaço no terraço da casa alugada de forma emergencial no mesmo local por R$ 700.

Ela e a família precisaram desapropriar a antiga residência. “Todos os dias, tinham oficiais de Justiça na porta da minha casa. Sempre tinha gente lembrando que a gente tinha que sair. Fiquei mal, tive ansiedade. Não conseguia escutar uma sirene de polícia, porque me dava logo dor de barriga”, relembra. [FOTOS] O sonho do imóvel próprio com piscina foi desfeito. “Foram anos para deixar a casa do jeito que a gente queria, mas só precisou de dias para ser destruído”, disse ao LeiaJá.

##RECOMENDA##

Agora, a moradora mais antiga de Vila Esperança assiste a sua história sendo atravessada pelo avanço da Ponte Monteiro-Iputinga. Dona Raquel, como é conhecida na localidade, é uma das moradoras que tem o título de posse, mas isso não a isentou da saída da moradia. A atual residência é menor e alugada em caráter temporário, pois, Dona Raquel aguarda desde setembro a indenização, que será destinada a um novo imóvel.

Para a reportagem, ela desabafa que o valor indenizatório ofertado pela Prefeitura do Recife, através da Autarquia de Urbanização do Recife (URB), é menor do que a antiga moradia valia. “A minha casa foi avaliada em R$ 800 mil, mas só vão me pagar R$ 340 mil. Onde é que eu vou encontrar algo parecido ao que eu tinha com esse valor?”

Dona Raquel em um dos cômodos da casa desocupada. Foto: Júlio Gomes/LeiaJá

As lembranças da casa própria com piscina estão na parede do imóvel alugado. Foto: Júlio Gomes/LeiaJá

Givanilda Lopes, de 56 anos, ou Gil, como é conhecida em Vila Esperança, ainda permanece na casa que mora há mais de três décadas, mas com incerteza de até quando permanecerá no local com dois filhos, sendo um pessoa com deficiência, e um sobrinho. “São cinco moradias no mesmo terreno da família. O que eu recebi foi um valor muito baixo, que vai ser dividido com o restante dos familiares. Eu tô (sic) sofrendo para comprar uma moradia, porque eu só encontro lixo (...) Essa questão de Vila mexeu com todo mundo. Eu tô (sic) a base de remédio”, conta à reportagem. Gil relata que todos os dias, havia oficiais de Justiça “na porta de casa”.

“Um chegou [oficial de Justiça] a pedir para a gente sair, esperar o pagamento da indenização fora. Como eu ia (sic) sair, se não tenho onde morar? não tenho renda, não posso morar com o meu filho em qualquer lugar, em qualquer condição. Eu tô na rua, porque não tenho onde morar. Mas, eu vou morrer lutando pela minha casa”, diz enquanto chora.

Gil mostra a documentação referente à negociação com a Prefeitura do Recife/URB. Foto: Júlio Gomes/LeiaJá

Em Vila Esperança não há vestígios de Natal ou de festa de Ano Novo. À medida que as casas são demolidas, a ponte avança e tapumes metálicos formam um grande cercado. “A sensação é de prisão. Eu sei que a nossa situação não vai mudar, a gente vai ter que sair. Mas, tudo que a gente está falando serve para outras pessoas que podem passar pela mesma coisa. Já chorei muito, agora, só quero que isso tudo acabe”, desabafa Dona Raquel.

Tapumes metálicos formam uma grande cerca na localidade. Foto: Júlio Gomes/LeiaJá

Casa demolida em Vila Esperança. Foto: Elaine Guimarães/LeiaJá

Na Zona Sul do Recife, na Comunidade do Bode, no Pina, Claudia Souza ainda processa o fato de não ter sido contemplada com um apartamento no Conjunto Encanta Moça, que foi entregue na última semana após uma espera de 10 anos. A atual residência de Claudia é um primeiro andar, com dois quartos, sala com dois ambientes e uma varanda, onde se tem uma vista de parte da comunidade em que ela vive desde criança. “Por mim, eu não queria sair. Olha, a minha casa, o tamanho dela. A vista privilegiada”, enfatiza.

A saída de Claudia e família não tem uma data definida, mas está prevista para 2024. Ano em que iniciará uma nova etapa do projeto de urbanização das margens do bairro do Pina. A iniciativa, de acordo com a Prefeitura do Recife, inclui a realocação dos moradores de palafitas para conjuntos habitacionais, criação de Unidades de Beneficiamento de Pescados (UBPs), um Mercado do Peixe, pista de cooper, praça, ciclovia, parque infantil, áreas para piquenique, academia, quiosques e Via Parque.

Sem uma moradia no habitacional e sem o título de posse, restou a Claudia, que depende da atividade marisqueira, o auxílio moradia, que segundo ela, é no valor de R$ 300. “O mínimo de preço que a gente vai encontrar uma casa por aqui vai ser R$ 600, R$ 700. Sair do meu território, onde eu nasci e fui criada, não é uma opção. Eu vivo de catar sururu, marisco…se eu sair daqui, como vou sobreviver?” A Comunidade do Bode é uma das primeiras comunidades pesqueiras do Brasil. Para ela, 2024 já vai iniciar com buscas de uma nova residência que caiba no orçamento da família. “Desde que começou essa história, eu não consigo dormir direito, nem me alimentar bem. São dias e noites só chorando. O Natal, eu passei chorando porque não aguento mais pensar onde eu vou viver, onde vou morar”.

Claudia Souza na sala de casa. Foto: Elaine Guimarães/LeiaJá

Assim como Claudia Souza, Amanda Maria da Silva, de 27 anos, também não foi contemplada com um apartamento no habitacional Encanta Moça. Ao LeiaJá, ela, que é mãe de quatro filhos, conta que por problemas na documentação não pôde ter acesso à nova moradia. Com a informação que receberá uma indenização, mas sem data e valor definidos, Amanda deixará de ter residência própria para custear um aluguel. “É difícil. Você sair do que é seu para pagar aluguel. Mas, enquanto eles não chegarem aqui, eu vou ficar na [minha] casa”. 

Amanda, de 27 anos, mora com os quatro filhos e aguarda idenização. Foto: Elaine Guimarães/LeiaJá

Edilene Simão, que também compartilha da mesma angústida de Claudia e Amanda, ressalta à reportagem que, assim como Vila Esperança, a localidade onde mora também é uma Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) do Recife. A lei consolidada há quase 30 anos protege os local por reconhecê-lo como um território popular, com incentivo de promoção de regularização fundiária das moradias. 

"A notícia do projeto de requilificação chegou para mim da pior maneira possível", lembra Edilene. "Veio uma equipe com asistente social, geógrafo, bióloga, que disse que a saída dos moradores era por conta do rio e minha mãe tinha acabado de operar os olhos, somos vizinhas. Ela chorou tanto, que teve um derrame no olho e a cirurgia precisou ser remarcada. Aqui, são três casas: uma da minha irmão, outra da minha mãe e a minha. Tenho duas filhas, a vida toda da minha mãe foi aqui, a minha também. A gente se sente humilhado, perdido, porque, em um primeiro momento, é bem desesperador". 

Edilene, que é advogada tenta buscar meios para manter o imóvel, não apenas a dela, mas de outros moradores da área. "Eu comecei a provocar o Ministério Púbico e Defensoria Pública". Ao LeiaJá, ela salienta que nunca congitou sair do Pina. "Era algo que nunca pensei, de jeito nenhum. Quando eu trouxe esse assunto para uma das minhas filhas, ela entrou em desespero porque os vínculos dela estão aqui, a história dela está aqui. Ela mora aqui há 11 anos e a história dela está toda aqui". À reportagem, Edilene conta que a casa da mãe possui três quartos e questiona onde é que elas irão encotrar algo semelhante com uma faixa razoável de preço."Para a gente foi uma violência muita grande. A proposta que eles fizeram [prefeitura] foi a pior possível". 

Nesta manhã (24), moradores da comunidade Vila Esperança protestam na Avenida 17 de Agosto, em frente à Praça do Monteiro, na Zona Norte do Recife. O ato é contra as desapropriações anunciadas pela Prefeitura do Recife para a conclusão das obras da Ponte Engenheiro Jaime Gusmão.

LeiaJá também: PE: Vila Esperança resiste à ameaça da Ponte do Monteiro

##RECOMENDA##

Famílias que moram na comunidade há mais de 30 anos obstruíram os dois sentidos da via com pneus e entulhos para reclamar do valor irrisório das indenizações oferecidas pelo município. Elas cobram uma restituição baseada na estimativa imobiliária do bairro.

Através da Autarquia de Urbanização (URB), a Prefeitura do Recife informa que a nova ligação entre os bairros do Monteiro e Iputinga, na Zona Oeste, está 80% concluída e deve beneficiar diretamente cerca de 60 mil pessoas.

O Corpo de Bombeiros enviou uma viatura de combate a incêndio e a avenida foi desobstruída por volta das 7h40.

Moradores da Vila Esperança não desistiram dos seus lares e lutam contra as ordens de desapropriação da Prefeitura do Recife. Entre os bairros de Apipucos e Casa Forte, área nobre da Zona Norte da cidade, a comunidade resiste há décadas à especulação imobiliária e, desde 2012, é ameaçada pela gestão municipal a cada nova etapa da construção da Ponte do Monteiro. 

Ocupada por cerca de 300 famílias de baixa renda, a Vila Esperança é uma das 74 Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) do Recife. A lei consolidada há quase 30 anos protege a localidade por reconhecê-la como um território popular e, inclusive, incentiva o Poder Público a promover a regularização fundiária das moradias. 

##RECOMENDA##

[@#galeria#@]

A Prefeitura do Recife, através da Autarquia de Urbanização do Recife (URB), contrariou os dispositivos da ZEIS e distribuiu 53 cartas de negociação para pressionar pela retirada das famílias da Rua Ilha do Temporal. As desapropriações foram motivadas pelo argumento da construção da Ponte Engenheiro Jaime Gusmão, mas os moradores da Vila Esperança apontam um movimento de gentrificação. 

LeiaJá também: Ponte do Monteiro deve se tornar realidade em 24 meses

"Eles querem tirar essa comunidade daqui porque a especulação imobiliária daqui é demais. É uma área nobre, né? Aí todo mundo só imagina isso", denunciou Carlos Iraquitan, que descreveu o espaço como um “oásis” entre os bairros com o m² mais caro do Recife. 

Carlos Iraquitan acredita que toda comunidade será desapropriada em poucos anos. Júlio Gomes/LeiaJá Imagens

Mais de 30 dos seus 50 anos foram na Vila Esperança, lugar onde Carlos escolheu para criar seus dois filhos, hoje com 25 e 24 anos. "Aqui é um local centralizado. Meus filhos estudaram aqui em cima, é perto de hospital, de clínica, de shopping, de tudo. Aí vai mandar [a gente] não se sabe para onde e o dinheiro não vai dar para comprar outro", lamentou. 

Os moradores ainda estavam preocupados em sobreviver à pandemia quando a ponte começou a avançar nas duas margens do Rio Capibaribe. As obras começaram a avançar em 2021, com a publicação do decreto de desapropriação 34.603 para que a previsão de entrega em junho de 2024 tentasse ser cumprida.

O interesse, na visão dos moradores, seria adiantar o término da ponte para que ela possa protagonizar os materiais de campanha de reeleição do prefeito João Campos (PSB) como a primeira ponte entregue na capital em quase 20 anos. 

Dona Maria José conta que investiu em melhorias na casa antes da ordem de saída. Júlio Gomes/LeiaJá Imagens

Dona Maria José Pereira, de 73, estabeleceu morada na comunidade quando ela ainda era formada por barracos de tábua, há mais de 30 anos. Sem forças para resistir às investidas da URB, ela aceitou negociar a indenização, mas, assim como os vizinhos, reclama da proposta irrisória oferecida pelo município. 

“A gente não pode sair sem ter um dinheirinho para comprar a casa. Onde é que a gente vai morar sem ter casa? Ficar pagando aluguel é muito ruim e o valor que eles querem dar não dá para comprar uma casinha”, afirmou. 

Helena Vicente aponta que a Prefeitura não se propôs ao diálogo. Júlio Gomes/LeiaJá Imagens

Helena Vicente, 1ª titular da Comissões de Urbanização e Legalização (Comul) Vila Esperança, mobiliza os moradores a defender a permanência da comunidade. “Muitos já negociaram por se sentirem cansados da luta. Essa obra já tirou uma leva de pessoas em 2012, então, muita gente que eu conversei disse: 'ah, a gente não tem força para eles não'. Mesmo sabendo do direito que têm, essas pessoas não reagiram. Elas querem que aconteça, mas têm medo de lutar e de resistir”, expôs. 

Carlos descreveu a estratégia da URB para fechar os valores com os moradores antes da judicialização. "O dinheiro para todo mundo é muito pouco, não dá para comprar nem um barraco em outro lugar [...] eles dão a primeira proposta, se tu não aceitar, quando vai para a justiça, cai mais ainda [o valor]. Minha mãe pegou logo na primeira, mas pegou chorando", apontou. “A [casa] da minha mãe foi indenizado muito pouco porque a casa da minha mãe era bastante grande. Tinha mais de 80m² e deram o valor só de 79 mil a minha mãe", continuou. 

Destroços deixados na comunidade após demolição. Júlio Gomes/LeiaJá Imagens

Desde o reinício das obras, os habitantes da Vila Esperança alegam sofrer ameaças de funcionários da Prefeitura. "Se não negociar, vai ser pior para vocês"; "Vocês não são donos disso aqui"; "O trator vai passar", são os comentários que se espalham pelos becos da comunidade após a saída de um representante. 

'Ultimamente estamos recebendo muita visita [da prefeitura] e elas dizem: 'o pessoal que tá na justiça, a gente vai vir com o trator amanhã'. Mesmo sem a gente ter sido intimado ainda", reclamou Helena.  

Quando um morador cede à desocupação, a casa é rapidamente derrubada, o que repercute em uma nova forma de intimidação. Mesmo com os chamados, os destroços não são recolhidos e as tralhas acumuladas passam a atrair ratos e escorpiões. "Acho que para manter essa insalubridade que vai gerando o desejo de deixar o local", observou a líder comunitária. 

Casa pixada pela Prefeitura para indicar saída dos ocupantes. Júlio Gomes/LeiaJá Imagens

Para "abrir passagem para novos caminhos", como divulga a Prefeitura, as casas selecionadas para vir ao chão foram pichadas pela própria URB em agosto de 2021, antes mesmo da convocatória que abriu as negociações. 

Sem autorização dos ocupantes, portas e paredes foram demarcadas por spray de tinta. "Eles mediram tudinho e ficou por isso mesmo. Disse que depois voltava para resolver, até agora. Eu tô sem saber de nada, só sei que tá marcado", afirmou Maria da Luz de Aquino, que está há 30 dos seus 73 anos na Vila Esperança. 

Dona Maria da Luz apresenta um cenário de incerteza quanto ao futuro. Júlio Gomes/LeiaJá Imagens

A Ponte do Monteiro será o primeiro dispositivo do sistema viário planejado para a região. Seu projeto foi apresentado aos moradores da Vila Esperança em setembro de 2021, com a primeira leva de desapropriações no mês seguinte e, só em abril de 2022, foi anunciada a expansão da construção com um anel viário para cumprir a promessa de encurtar a distância entre as zonas Norte e Oeste. 

"Em 10 anos vão tirar tudinho daqui", afirma Carlos. “Tem moradores que não acreditam que vai sair tudo, mesmo a gente mostrando esse ofício. Essas pessoas estão tranquilas porque acreditam que vão ficar", complementou Helena. 

Em um primeiro momento, 17 famílias resistiram e foram processadas em ações movidas pelo município. A maioria desistiu no meio do caminho e, hoje, restam oito processos. A Justiça suspendeu a emissão de posse em apenas dois deles e pediu que uma nova perícia recalculasse o valor da indenização dos imóveis. 

Para quem não aceitou os preços baixos propostos pela URB, foi oferecido o remanejamento para um conjunto habitacional há cerca de 200 metros da comunidade. Contudo, nenhum dos dois blocos prometidos começou a ser construído.

Placa da Prefeitura do Recife informa que a obra foi orçada em mais de R$ 40 milhões. Júlio Gomes/LeiaJá Imagens

Por meio de nota, a Autarquia de Urbanização do Recife (URB) reforça que cerca de 80% da Ponte do Monteiro está pronta e aponta que a nova ligação viária com o bairro da Iputinga vai beneficiar diretamente 60 mil pessoas. 

A Prefeitura do Recife informa que a construção de 75 apartamentos para os moradores afetados pela ponte ainda não foi iniciada. Sem data para o início da obra, a gestão indicou que ela deva começar nas próximas semanas.  

O habitacional Vila Esperança será dividido em dois blocos, um com 40 unidades e o outro com 35, contando com jardim, horta comunitária, playground e uma creche. O plano da Prefeitura é entregar apartamentos com cerca de 40 m² para famílias que deixaram suas casas com mais de 100m². As obras vão custar em torno de R$ 13 milhões.  

A ponte deve ser entregue em meados do primeiro semestre do próximo ano. Júlio Gomes/LeiaJá Imagens

O município também rebateu as reclamações sobre as baixas propostas de indenização e ressaltou que o valor depende das benfeitorias feitas pelos moradores no terreno e não do m² cobrado pelos imóveis da região.

"A URB esclarece que cada imóvel é avaliado individualmente e recebe um valor que varia de acordo com questões como existência de documentação legal, área construída e benfeitorias realizadas pelos moradores. Os valores oferecidos são baseados em tabela atualizada anualmente e validada pelos órgãos de controle, como Tribunal de Contas do Estado e Caixa Econômica Federal”, resumiu. “Todos já foram negociados, incluindo 12 que foram objeto de negociação judicial, e 50 foram pagos", frisou a Prefeitura.

As pichações nos imóveis correspondem ao "procedimento padrão", disse a gestão, que ainda afirmou que as tralhas das casas demolidas só serão retiradas à medidas que as obras avancem.

Um protesto interdita a BR-101, no bairro do Ibura, Zona Sul no Recife, na altura da empresa KarneKeijo. Os manifestantes são moradores de comunidade localizada em terreno ao lado da KarneKeijo, alvo de reintegração de posse na quinta-feira (26).

Segundo as informações recebidas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), os dois sentidos da via estão sendo bloqueados. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o grupo invadiu o terreno, que é particular. 

##RECOMENDA##

O Governo do Estado se posicionou quanto à situação dos moradores da Vila Esperança, na comunidade do Passarinho, que receberam um mandado de reintegração de posse previsto para o próximo dia 9 de novembro. O secretário-executivo da Casa Civil, Ivan Rodrigues, afirmou que a reunião da manhã desta segunda (29) foi produtiva, após os moradores protestarem em frente ao Palácio do Campo das Princesas.

“A ideia agora é que se faça um levantamento topográfico no local, cadastrar os moradores e verificar a legitimidade da propriedade do terreno”, disse o representante do Governo. Segundo Ivan Rodrigues, a saída da população da comunidade seria “desastrosa”, do ponto de vista social. O secretário manterá contato com os representantes da comunidade, que ficaram incumbidos de auxiliar no levantamento e evitar que novos moradores levantem casas no local. 

##RECOMENDA##

No último levantamento feito pelo Estado, a ocupação levantada no terreno de uma antiga granja tinha mais de 700 famílias. Atualmente, os moradores garantem que mais de 4 mil famílias moram no local e há quem contabilize mais de 25 mil pessoas na localidade. Segundo Gaudino Oliveira, representante da população de Passarinho, nem os moradores, nem o proprietário consegue delimitar a extensão das terras. 

Após a reunião com a Secretaria da Casa Civil, um grupo dos moradores se encaminhou ao Ministério Público de Pernambuco para exigir um posicionamento do órgão sobre o assunto, já que diversos documentos foram enviados pelos moradores da comunidade. 

Com informações de Jorge Cosme

Os moradores da Vila Esperança, na comunidade do Passarinho, Zona Norte do Recife, voltaram a se mobilizar nesta segunda-feira (29). Um grupo está em frente ao Palácio do Campo das Princesas para cobrar do Governo do Estado uma resposta sobre a reintegração de posse, programada para ocorrer no dia 9 de novembro.

De acordo com Ednaldo Gomes, um dos moradores da Vila Esperaça, uma comissão com quatro pessoas entrou no Palácio para conversar com representantes do governo. “Caso esse problema não seja resolvido não vamos parar por aqui. Moradia é um direito do cidadão”, afirmou.

##RECOMENDA##

Na última segunda-feira (22), cerca de 50 moradores colocaram fogo na BR-101, no sentido Abreu e Lima, para cobrar uma negociação com o Judiciário para mudanças no mandado de reintegração de posse do terreno. Na ocaisão, uma comissão seguiu para a Defensoria Pública.

Entenda o caso – No início do mês de setembro, a Justiça expediu o mandado de reintegração de posse do terreno pertencente à empresa Indústria e Comércio de Pré-moldados do Nordeste LTDA, localizado em terreno na comunidade Vila Esperança.

No dia 19 de setembro, representantes da comunidade se reuniram com a Secretaria de Desenvolvimento e Direitos Humanos do Estado e Prefeitura do Recife para explicar a situação dos moradores. Se a reintegração ocorrer, 25 mil pessoas podem perder os imóveis, onde afirmam morar há mais de 30 anos.

[@#galeria#@]

Em janeiro de 2012, a desocupação da comunidade Pinheirinho, no município paulista de São José dos Campos, foi marcada pela violência policial e aproximadamente 1.500 famílias foram expulsas das casas onde viviam há quase dez anos. O caso ganhou repercussão nacional. Uma reintegração de posse semelhante está prestes a ocorrer no Recife; moradores da Vila Esperança, na comunidade do Passarinho, zona norte da capital pernambucana, podem estar próximos de perderem sua morada.

##RECOMENDA##

A Justiça expediu, no início do mês de setembro, o mandado de reintegração do terreno que pertence à empresa Indústria e Comércio de Pré-moldados do Nordeste LTDA. De acordo com os moradores da comunidade, o local era uma antiga granja que estava abandonada há vários anos, antes da ocupação. Há quem aponte o surgimento das casas há dez anos, mas populares garantem que tem gente que mora na comunidade por mais de três décadas. 

Nesta sexta-feira (19), uma comissão dos moradores da Vila Esperança se reuniu com a Secretaria de Desenvolvimento e Direitos Humanos do Estado e representantes da Prefeitura do Recife. Segundo Raimundo Manoel de Lira, um dos integrantes da comissão dos moradores, o encontro serviu para explicar aos órgãos públicos a situação dos moradores. “Ficou claro que é possível derrubar a liminar que exige a reintegração de posse. Infelizmente, o juiz José Júnior Florentino, da 12ª Vara Cível, não está a par da gravidade das coisas, até porque ele avaliou a partir de uma foto que só mostra três casas no mato. Vamos procurá-lo para mostrar a realidade”, disse.

Segundo o morador, o proprietário afirma que o terreno tem 33 hectares. Advogada representante dos moradores, Mariana Vidal explicou o modo como a situação está sendo tratada de uma forma política. “O proprietário disse que tem interesse em vender o terreno. A pedido dos moradores se estabeleceu um prazo de 60 dias para a reintegração, que está para acontecer no dia 9 de novembro. Pedimos um novo prazo, mas eles disseram que só aumentam o prazo caso consigamos um indicativo de que o Estado comprará o terreno para regularizar a situação”, detalhou ela. 

Em meio ao impasse, surgem confusões quanto ao verdadeiro número de moradores do local, além da incerteza sobre qual é a extensão do terreno que deve ser reintegrado. Levantou-se um número de quatro mil pessoas na comunidade localizada em Passarinho, mas alguns residentes garantem que existem cerca de 25 mil pessoas na área contestada no processo. Apesar de se tratar de uma invasão, o Estado liberou a instalação de reservatório de água da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) que custou R$ 2 milhões. Ainda que de forma precária, o transporte público também chega ao local. 

Incerteza deixa moradores intranquilos

Na Vila Esperança, o sentimento que dá nome à comunidade é o alicerce para os moradores. Tentam acreditar numa solução diferente da reintegração, da demolição das casas, da mudança de vida que, para todos, seria um complicado desafio. Para Arleide Cláudio Gomes, a notícia da reintegração chegou como uma bomba. “A maioria aqui não tem para onde ir. Vivemos aqui porque não temos condições. Se pedissem a reintegração enquanto só existiam barracos, era compreensível, mas agora, depois do nosso suor para construir as casas, não dá”. 

Uma reunião na igreja da comunidade está marcada para o dia 8 de outubro, quando representantes do Estado, inclusive da Polícia Militar (PM), prometem dialogar com os moradores sobre a possível reintegração. Segundo a ONG Action Aid, ligada às reivindicações dos residentes, a própria PM emitiu um parecer ao juiz José Júnior Florentino questionando a necessidade da reintegração de posse, já que o impacto social seria enorme. 

Ali próximo, a poucas ruelas da comunidade ameaçada, um conjunto habitacional está sendo construído. Segundo os moradores, houve atraso nas obras devido à troca das construtoras envolvidas e a obra já se arrasta há quatro anos. Porém, os prédios são destinados a pessoas dos bairros da bacia do Beberibe. Aos moradores da Vila Esperança, nenhum sinal de solução. No momento, convivem com o medo da chegada dos tratores e dos policiais militares. 

Especial - No último dia 11, o LeiaJá publicou reportagem especial sobre as invasões no Recife. São ocupações que crescem e se tornam comunidades. São vários os exemplos na capital pernambucana, a mesma que se orgulha pelos novos empreendimentos e pelo alto padrão de vida. 

Leianas redes sociaisAcompanhe-nos!

Facebook

Carregando