Tópicos | Fernando Cury

O ex-deputado estadual Fernando Cury foi condenado pela Justiça de São Paulo por ter importunado sexualmente a colega Isa Penna em 2020, durante uma votação na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A decisão é da juíza Danielle Galhano Pereira da Silva, da 18ª Vara Criminal Central de São Paulo.  Cury foi condenado a 1 ano, 2 meses e 12 dias de reclusão em regime aberto, que foi substituída por multa de 20 salários mínimos e prestação de serviços à comunidade pelo mesmo período.

O Código Penal define importunação sexual como o ato de “praticar contra alguém, e sem a sua anuência, ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro”. A pena prevista é de reclusão de um a cinco anos. 

##RECOMENDA##

“O depoimento da vítima foi corroborado pelo relato das testemunhas que estavam no local dos fatos e presenciaram a conduta do acusado, além das imagens feitas, as quais não deixam dúvidas de que ele importunou sexualmente a vítima, para atender sua lascívia, a abraçando por trás, encostando na vítima sem o seu consentimento, colocando a mão em seus seios, ainda que levemente e rápido. Não se extrai dos autos qualquer motivo para que a vítima se dispusesse a alterar a verdade, até mesmo porque há imagens que comprovam a narrativa apresentada por ela, inexistente qualquer razão para que buscasse deliberadamente prejudicar o acusado”, escreveu a juíza em sua sentença. Cabe recurso da decisão. 

A Agência Brasil tentou contato com as defesas de Isa Penna e de Fernando Cury, mas não obteve sucesso até este momento.

O caso Imagens gravadas pela própria Alesp na época mostraram que Isa Penna conversava com o então presidente da Casa, deputado Cauê Macris, quando Fernando Cury se aproximou dela por trás, tocando o seu corpo. Na ocasião, a então deputada chegou a registrar boletim de ocorrência e a denunciar Cury no Conselho de Ética da Assembleia.

Por causa desse episódio Cury acabou sendo expulso do Cidadania, partido ao qual era filiado.

A Executiva Estadual do Cidadania expulsou na noite desta segunda-feira (22) o deputado estadual Fernando Cury do quadro de filiados do partido. A decisão foi tomada por recomendação do Conselho de Ética da sigla e é embasada no caso de importunação sexual contra a também deputada estadual Isa Penna (PSOL), ocorrido há quase um ano.

Em 21 de dezembro de 2020, as câmeras do circuito interno da Assembleia Legislativa de São Paulo flagraram o parlamentar colocando as mãos nos seios da colega que, por estar de costas pra ele, não pôde impedir. Punido internamente na Casa, Cury ficou suspenso de suas atividades parlamentares por 180 dias.

##RECOMENDA##

A decisão interna do partido foi tomada com ampla vantagem, mas demorou quase dez meses para alcançar consenso. Assinado por Alisson Luiz Micoski, titular do Conselho de Ética do Cidadania, o parecer pela expulsão foi divulgado no dia 10 de janeiro. Nesta noite, com o quórum necessário para o prosseguimento da reunião, o documento foi aprovado com 27 votos favoráveis à expulsão e apenas três contrários. Cury segue como deputado até o fim de seu mandato ou de outra decisão diferente da Alesp. A expulsão do partido não implica em nenhum tipo de cassação.

Cury ainda responde pela acusação de importunação sexual apresentada pelo Ministério Público de São Paulo. Ele já é réu no processo, que aguarda as considerações da defesa. O parlamentar alega que sua aproximação se deu como um gesto de gentileza mal interpretado e chamou o toque nos seios da parlamentar de "abraço". A reportagem tenta conta com ambos nesta noite.

O Ministério Público de São Paulo promoveu o arquivamento do inquérito aberto para investigar se o deputado estadual Fernando Cury (Cidadania) continuava exercendo o mandato mesmo após ter sido afastado do cargo por 180 dias por importunação sexual contra a também deputada Isa Penna (PSOL). A medida foi comunicada ao Tribunal de Justiça do Estado.

O procurador Mario Antonio de Campos Tebet concluiu que o deputado afastado não cometeu infração. Em sua avaliação, a participação em eventos de cunho político-partidário não é suficiente para caracterizar ato inerente ao ofício de parlamentar.

##RECOMENDA##

"A análise dos fatos que constituem objeto da representação, em cotejo com o material probatório que a instruiu, nos leva à segura conclusão de que os mesmos não guardam correspondência com qualquer delito descrito como infração penal pelo ordenamento jurídico pátrio", diz um trecho do ofício encaminhado à Justiça.

A investigação foi aberta depois que deputadas do PSOL entraram com uma representação no Ministério Público. As parlamentares enviaram publicações nas redes sociais mostrando que Cury estaria se reunindo com autoridades públicas em uma iniciativa batizada de ‘Caravana 2021’.

Ao instaurar o inquérito, o MP apontou que o deputado afastado participou, por exemplo, de atividades virtuais com lideranças locais e anunciou a entrega de recursos para obras de infraestrutura e serviços de recape. "Consta que outros perfis públicos nas redes sociais, de aliados políticos de Fernando Cury, também estão divulgando informações de que representando ainda está atuando como estivesse em pleno exercício do cargo", diz um trecho da portaria que formalizou a apuração.

Ao final das investigações, após ouvir a Assembleia Legislativa de São Paulo e o próprio Cury, a Procuradoria considerou que a atuação é regular. Desde que foi afastado temporariamente do cargo, em abril, ele está proibido de exercer atividades relacionadas à natureza legislativa, como participação em sessões plenárias, reuniões de comissões e apresentação de proposituras. "Não há notícia do descumprimento dessas determinações", escreveu o procurador ao promover o arquivamento.

COM A PALAVRA, FERNANDO CURY

"As caravanas são símbolo do trabalho e da história de Fernando Cury, antes mesmo dele ter mandato. Foi por meio delas que, nos anos anteriores, ele rodou mais de 400 cidades do estado de São Paulo, levando conquistas que transformaram a vida das pessoas de diversas regiões. Quanto às entregas da última caravana, tratam-se de demandas voluntárias que ele buscou (junto ao Governo do Estado de São Paulo) no final de 2020 e início de 2021, antes de seu afastamento.

Fernando trabalha há quase 10 anos como liderança de várias regiões no estado e tem inúmeras responsabilidades com a população. As entregas foram absolutamente legais, todos os movimentos de Cury, como cidadão e político, especialmente neste momento tão difícil para o Brasil, passam por averiguação jurídica.

Antes de seu afastamento, deixou emendas impositivas, ainda do orçamento 2020, que serão entregues pelo governo em um futuro próximo e serão conquistas importantes para as regiões nas áreas de saúde, infraestrutura, entre outras. Apesar de estar afastado, ele tem um trabalho sério e pretende honrar essa história.

Em nenhum momento o deputado afastado Fernando Cury exerceu o cargo de Deputado (o que é impossível por estar afastado, sem gabinete, sem salário e sem poder de fazer propostas legislativas ou votar projetos) nas caravanas, agindo exclusivamente como Cidadão engajado por mudanças que luta por todo estado de São Paulo.

Fernando aceita e respeita a decisão de seu afastamento do cargo público, permanecendo sem salário e sem gabinete. Como cidadão, segue com engajamento nas diversas regiões onde sempre procurou ajudar as pessoas. Esse assunto já está resolvido, inclusive com o pedido de arquivamento pelo Ministério Público.

A respeito do que foi dito no pedido de arquivamento do processo de atuação irregular do mandato de Fernando Cury pelo Ministério Público, reforçamos o reconhecimento de que a justiça foi feita. O MP entendeu que, a partir de 9 de abril de 2021, quando Fernando teve seu mandato suspenso, ele não exerceu qualquer atividade relacionada à natureza legislativa.

Sabemos que os danos são irreparáveis quando uma acusação é feita sem fundamento. Por isso, reiteramos que Cury continuou afastado durante o período determinado pela justiça, agindo de acordo com o que foi determinado judicialmente. Além disso, sabe-se que a participação ou, até mesmo, a realização de eventos de cunho políticos/ partidários não são suficientes para caracterizar um ato inerente ao ofício de parlamentar, e reforçada pela própria Alesp. Desse modo, Fernando Cury se manteve afastado de seu cargo público, agindo como cidadão engajado e que quer o bem da região de Botucatu e demais regiões em que atua.

E, por fim, em relação à perseguição online a Fernando, ela ocorre modo a parecer que há uma grande necessidade da exploração de uma pauta que já foi debatida e sanada, Cury acredita e luta pela sua inocência, mas sabe que a justiça da redes sociais serve pra acabar com reputações construídas durante uma vida."

COM A PALAVRA, ISA PENNA

"Acreditamos que o MP está trabalhando em todas as denúncias do caso e que ele é extenso e complicado, ninguém até então nunca foi punido por assédio sexual antes de Cury em nenhuma assembleia legislativa do País, entendemos as derrotas e também as vitórias, hoje o mesmo MP solicitou um impedimento para que Cury não assuma o CONDECA. A sociedade, o MP e todas nós mulheres estamos aprendendo com esse caso. Fato é que assediadores não ficarão mais impunes."

O padre José Afonso Lobato (PV), de 61 anos, deixou a sua paróquia em Pindamonhangaba, no interior paulista, nesta sexta-feira (9), e foi dirigindo até a capital para tomar posse na Assembleia Legislativa de São Paulo. Ele é o suplente do deputado estadual Fernando Cury (Cidadania), afastado do cargo por 180 como punição por ter apalpado o seio da colega Isa Penna (PSOL) no plenário em dezembro do ano passado. Resultado brando, segundo Lobato.

"Ficou barato para ele o afastamento de 180 dias. Tenho cuidado ao dizer isso porque sou parte interessada, mas a pena deveria ser maior", afirmou. O padre disse ainda que Cury foi extremamente infeliz ao cometer o que considerou "um crime" contra a deputada do PSOL.

##RECOMENDA##

O caso segue em investigação na Justiça. O procurador-geral de São Paulo, Mario Luiz Sarrubbo já ofereceu denúncia contra Cury. Segundo Sarrubbo, o deputado "agiu com clara intenção de satisfazer sua lascívia, praticando atos que transcenderam o mero carinho ou gentileza, até porque não tinha nenhuma amizade, proximidade ou intimidade com a vítima, violando assim, também, o seu dever funcional de exercer o mandato com dignidade", diz um trecho da denúncia, por ato libidinoso sem consentimento, cuja pena é de até cinco anos de reclusão.

Para Lobato, a Casa errou na avaliação do caso. "Houve um acordão no Conselho de Ética, mas depois voltaram ao parecer do Emídio (Souza, PT, relator do caso). Tanta discussão e desgaste para voltarem aonde começou. Se tivessem acolhido o parecer do relator, teriam matado essa questão no conselho. Ele (Cury) expôs a Assembleia", afirmou.

Afonso Lobato disse ainda que não sabe se vai manter parte da equipe do antecessor. "Preciso de gente que saiba o trâmite da Casa nesse mandato curto." Com a pena ampliada para 180 dias, o deputado do Cidadania perde direito a salário e manutenção das atividades do gabinete no período da suspensão.

Prioridades

Aliado e amigo do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que começou a carreira como vereador na mesma cidade, Lobato mora na vizinha Taubaté, onde disputou duas vezes, sem sucesso, o cargo de prefeito. Na Alesp, no entanto, o religioso já cumpriu quatro mandatos consecutivos e, atualmente, é suplente de Cury.

Filiado ao PV, Lobato volta ao Parlamento com um discurso moderado em relação ao Palácio dos Bandeirantes e decidido a usar cada segundo do "mandato-tampão" para atender demandas do Vale do Paraíba. Entre elas está a abertura de um laboratório médico de especialidades em Taubaté , que, segundo ele, "está pronto, mas não inauguram", além da ampliação de leitos na região.

"O Vale do Paraíba tem pouca representatividade. Estou levando uma demanda. Se encontrar acolhida no governo, vamos trabalhar juntos. Se não, vou batendo até ser acolhida. Não vou com rótulo de situação nem oposição. Vou representar minha região". Em 2018, Lobato apoiou a candidatura de Márcio França (PSB) contra João Doria (PSDB), que venceu a eleição.

Quando a deputada estadual Isa Penna (PSOL) conversou com o blog, em março, logo após o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) sugerir uma punição atenuada ao deputado Fernando Cury (Cidadania) pela importunação sexual contra ela, a parlamentar classificou a decisão como "inaceitável".

Na ocasião, o colegiado aprovou a proposta de suspensão do mandato por 119 dias - e não seis meses, como sugeriu o relator do caso, Emidio de Souza (PT). Na prática, o resultado permitia que a estrutura do gabinete de Cury continuasse funcionando apesar do afastamento. Isso porque, quando a suspensão é decretada por menos de quatro meses, não há necessidade de convocação do suplente.

##RECOMENDA##

Levada ao plenário, a proposta caiu por unanimidade. Na última quinta-feira, 1º, os 86 deputados presentes na sessão votaram para aumentar de 119 para 180 dias o prazo de suspensão. Com a reviravolta, Isa mudou o tom e comemorou a decisão que, em sua visão, "abre precedente inédito no Brasil".

"A vitória de ontem é, em primeiro lugar, um marco para as mulheres como um todo, que em seus ambientes de trabalho vão poder usar esse caso como precedente", disse em entrevista ao Estadão.

Por meio de nota, o deputado Fernando Cury disse que recebeu "com serenidade e de forma respeitosa a decisão do plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo, determinada pelos colegas deputados". Em depoimento ao Conselho de Ética, Cury chegou a pedir desculpas à colega de parlamento "por qualquer tipo de constrangimento e por qualquer tipo de ofensa" que ele tenha causado. De acordo com o deputado, o abraço foi "um gesto de gentileza" por interromper a conversa dela com o presidente da Casa, Cauê Macris (PSDB).

Advogados ouvidos pelo blog se dividiram entre os mais otimistas, que endossaram a posição da deputada e avaliaram como correta a punição, e entre os que esperavam uma resposta ainda mais dura, como a cassação definitiva do mandato.

Para a advogada Vânia Wongtschowski, sócia do WZ Advogados, que lidera o projeto pro bono WZ Social voltado à assistência de mulheres vulneráveis vitimadas pela violência, a punição foi "muito branda perto do absurdo da conduta" dele.

"É verdade que a punição - por menor que seja - somente foi obtida graças à importante mobilização da sociedade civil e da campanha que angariou mais de 42 mil assinaturas. Porém, a perda do mandato por seis meses deixa um gosto amargo na boca, pois a punição que ele merecia era a cassação", opina. "As mulheres não querem prêmio de consolação. Querem que a sociedade como um todo se sensibilize e dê a punição correta para esse tipo de agressão", acrescenta.

Já a advogada criminalista Mayra Maloffre Ribeiro Carrillo, sócia do Damiani Sociedade de Advogados, avalia que a decisão é um importante avanço em uma sociedade ainda machista. "Os deputados decidiram com acerto e proporcionalidade frente à conduta indecorosa, machista e violadora da liberdade sexual. Além da referida sanção, o deputado Fernando Cury ainda poderá ser processado e condenado pelo crime de importunação sexual previsto no artigo 215-A do Código Penal", afirma.

O advogado criminalista e constitucionalista Adib Abdouni considera "exemplar e alvissareira" a suspensão pela Assembleia Legislativa de São Paulo. Para o especialista, a segunda etapa para a responsabilização do deputado deve seguir na Justiça.

"É necessário dar prosseguimento à persecução penal inaugurada contra o deputado, no âmbito da competência originária criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, em razão dos fatos que, em tese, constituem crime contra a liberdade sexual da deputada estadual, posto que a legislação penal brasileira dispõe dos mecanismos hábeis a sancionar aqueles que ultrapassem a barreira da mera inconveniência e avancem o sinal mediante o cometimento de ilícitos penais, especialmente contra a dignidade sexual alheia", explica.

A advogada Marina Veras, coordenadora do WZ Social, do WZ Advogados, lembra a importância da decisão em razão do cargo ocupado pela deputada Isa Penna. "Em um país em que a participação das mulheres na política ainda é muito baixa perto do tamanho do eleitorado feminino, é essencial que haja punições a condutas como a do deputado, para que se fortaleça ainda mais a ideia de que a mulher pode - e deve - ocupar todos os espaços políticos sem ter medo de ser importunada", diz.

Para Renato de Mello Almada, especialista em Direito Civil e sócio de Chiarottino e Nicoletti Advogados, a Alesp "deu uma demonstração de maturidade, sensibilidade e, acima de tudo, de justiça, que deve servir de exemplo a todos".

A pedido do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Carlão Pignatari (PSDB), a sessão extraordinária desta quinta-feira (1º), que daria continuidade à análise da punição ao deputada Fernando Cury (Cidadania) no caso de assédio contra a deputada Isa Penna (PSOL), ocorrido em dezembro passado, no Plenário da Assembleia, foi encerrada para que o debate sobre o caso seja retomado pelo Colégio de Líderes da Casa, que estava reunido antes do início da sessão.

"Essa discussão que nós estamos fazendo aqui não vai levar a nada", disse o presidente da Alesp, ao defender o encerramento da sessão, que durou cerca de meia hora. "Eu gostaria de pedir a todos vocês que a gente aceite que se levante essa sessão e voltemos lá no Colégio de Líderes", pediu. O tucano convocou uma nova sessão plenária para o início da tarde.

##RECOMENDA##

Antes de a sessão ser suspensa, a deputada Isa Penna disse ter "muita esperança" na discussão de hoje de que será aprovado "o que é correto". A defesa da parlamentar é pela cassação do mandato de Cury. Isa, no entanto, reconheceu que tal penalidade não teria apoio da maioria dos parlamentares. Por isso, segundo a deputada, a aprovação do afastamento de Cury por seis meses já significaria um avanço "tímido" do caso.

"É importante não aprovar aquele relatório aprovado no Conselho de Ética", defendeu Isa. O parecer do colegiado, aprovado em 5 de março, prevê o afastamento de Cury por 119 dias, de modo que seu gabinete continue em funcionamento e o suplente não precise ser convocado. "Se os deputados aprovarem o afastamento de seis meses, na minha opinião, é um tímido passo", avaliou a deputada do PSOL. "Minha defesa e a minha luta continuará sendo pela cassação", ressaltou.

Saída política

Antes do fim da sessão, Pignatari insistiu no argumento sobre a necessidade de buscar uma "saída política" para o assunto, já que, segundo ele, uma saída jurídica, por meio da apresentação de emenda pela cassação de Cury não é possível. "A nossa sociedade hoje quer a cassação do deputado. Isso é muito claro", disse o presidente da Casa, que considerou a situação "muito difícil, tanto para um quanto para outro".

A sessão de hoje era uma continuação das discussões iniciadas na quarta-feira, 31. O adiamento da decisão sobre o caso Cury, que Pignatari desejava encerrar ontem mesmo, pode ser considerado como a primeira derrota do novo presidente da Alesp. O tucano abriu o plenário virtual decidido a pautar o projeto de resolução aprovado pelo Conselho de Ética sem qualquer tipo de modificação.

Questionado por diversas vezes sobre a possibilidade de apresentação de emendas, o presidente se mantinha irredutível ao negar cada "questão de ordem" apresentada ao longo do dia pelos deputados. A mudança se deu já no fim da tarde mediante a disposição de deputados da oposição e situação em permanecer obstruindo o processo de votação.

Além de Barros Munhoz (PSDB), Carlos Giannazi (PSOL) e Campos Machado (Avante), passaram a defender a inclusão de emendas a deputada Janaína Paschoal (PSL), que chegou a pedir a cassação de Cury, Gil Diniz e diversos representantes do PT, além da própria Isa Penna.

A decisão sobre a punição ao deputado estadual Fernando Cury (Cidadania) no caso de assédio contra a colega Isa Penna (PSOL) ocorrido em dezembro passado, no Plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), pode chegar a um desfecho nesta quinta-feira (1º), durante sessão extraordinária na Casa. A sessão de hoje é uma continuação da iniciada ontem, que teve mais de sete horas de duração.

Nesta quarta, após o presidente da Casa impedir o Plenário da Alesp de votar a cassação - e não apenas a suspensão - do mandato de Cury, o presidente da Assembleia, deputado Carlão Pignatari (PSDB), buscou, ao convocar para esta manhã uma reunião do Conselho de Líderes para chegar a uma "saída política" para o caso.

##RECOMENDA##

Na abertura da sessão pela manhã, a deputada Isa Penna disse ter "muita esperança" na discussão de hoje de que será aprovado "o que é correto". A defesa da parlamentar é pela cassação do mandato de Cury.

O recuo de Pignatari para uma possível mudança na pena de 119 dias estabelecida pelo Conselho de Ética da Casa se deu após pressão de parlamentares de vários partidos. Além da cassação, deputados propuseram votar a pena de seis meses, sugerida inicialmente pelo deputado Emídio de Souza (PT), relator do caso no Conselho de Ética.

O adiamento da decisão sobre o caso Cury, que Pignatari desejava encerrar na quarta, pode ser considerado como a primeira derrota do novo presidente da Alesp. Eleito com o apoio de 65 dos 94 parlamentares, o tucano abriu o Plenário virtual decidido a pautar o projeto de resolução aprovado pelo Conselho de Ética sem qualquer tipo de modificação.

Ao depor no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), o deputado estadual Fernando Cury (Cidadania), acusado pela deputada Isa Penna (PSOL) de importunação sexual, disse que o abraço que deu na colega "foi um gesto de gentileza", e pediu desculpas "por qualquer tipo de constrangimento e ofensa". Na sessão, Isa Penna afirmou que foi "revitimizada".

O Conselho de Ética avalia se houve quebra de decoro parlamentar quando Cury, durante uma sessão plenária, abraçou Isa Penna por trás, tocando região próxima aos seios da deputada, que reagiu. A cena foi filmada pelas câmeras da Casa.

##RECOMENDA##

"O abraço que eu dei na deputada Isa Penna foi um gesto de gentileza porque eu iria interromper a conversa que ela estava tendo." Na ocasião, Isa Penna falava com o presidente da Alesp, Cauê Macris (PSDB).

"Eu queria aqui, mediante esse Conselho, fazer o que eu já fiz, no dia do fato ocorrido (...), queria mais uma vez pedir desculpas para a deputada Isa Penna por qualquer tipo de constrangimento e por qualquer tipo de ofensa que eu tenha causado naquela noite e naquela madrugada, em função desse evento", afirmou. Ele estendeu o pedido de desculpas ao Conselho e a todos os deputados.

Cury concordou que sua ação constrangeu Isa e disse que vai rever seu jeito de abraçar as pessoas. "Esse episódio me traz muito aprendizado, e a partir de hoje, inclusive, eu preciso rever esse comportamento, porque muitas das pessoas se sentem constrangidas com isso", disse o parlamentar. "Quer dizer que esse meu jeito hoje não é tolerado por grande parte das pessoas, que possam se sentir constrangidas e ofendidas através desse gesto, através desse carinho, através de um abraço, através de um beijo."

Grande parte do tempo da sessão foi usada para depoimentos solicitados pela defesa de Cury - mulheres que não estavam presentes no dia do episódio defenderam a índole de Cury. Algumas delas afirmaram que Isa havia "interpretado mal" os acontecimentos.

Foram ouvidas sete mulheres, além de um perito contratado pela equipe de Cury, que disse não ser possível afirmar que o parlamentar tenha tocado os seios da colega. A deputada Erica Malunguinho e o deputado Barros Munhoz (PSDB) solicitaram que o Conselho chame um perito próprio.

Na oitiva, após discussão, Isa Penna acusou o advogado de Cury de se aproveitar de questões regimentais para silenciar a sua fala, e afirmou que estava sendo "revitimizada".

O deputado estadual Fernando Cury (Cidadania) depõe nesta quarta-feira, 24, ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) sobre o caso em que é acusado de assediar sua colega, a parlamentar Isa Penna (PSOL). A oitiva foi solicitada pela defesa do parlamentar.

Em dezembro de 2020, o deputado colocou a mão na lateral dos seios de Penna, episódio que foi transmitido ao vivo pela TV Alesp. Formalmente, ele responde na Assembleia por quebra de decoro, um processo em que a punição mais severa seria cassação do mandato. No entanto, parlamentares articulam uma saída consensual sobre punição que será aplicada: a tendência é determinar a suspensão temporária do mandato.

##RECOMENDA##

O Estadão apurou que o deputado Campos Machado (Avante), membro do Conselho de Ética e um dos parlamentares mais influentes na Casa, é quem tem conduzido essa articulação. Pessoas no entorno de Penna admitem que, embora ainda trabalhem pela cassação de Cury, veem esse desfecho como improvável.

No caso de suspensão de Cury, ainda há uma discordância em relação ao tempo que deverá durar o castigo. Se a punição superar 120 dias, será nomeado o suplente do parlamentar, que pode trocar as nomeações de seu gabinete. Já uma suspensão de duração inferior equivaleria a uma licença. Nas duas hipóteses, ele pode ficar sem receber o salário.

Ao Estadão, o relator do processo, Emídio de Souza (PT), afirmou que não participa das articulações e lembrou que ainda há mais etapas no processo. "Vou ouvir (o Cury) e depois, baseado no que tem, na defesa, elaboro o relatório", explicou. Ainda não há prazo para a entrega do relatório, que terá que ser votado pelo Conselho e, depois, pelo plenário da Assembleia.

Além de Cury, serão ouvidos nesta quarta-feira um perito e oito testemunhas mulheres arroladas pela defesa para, segundo a peça entregue pelos advogados do deputado, fornecer prova "de seu passado sempre respeitoso". Isa Penna também terá o direito de se manifestar na sessão, caso queira.

Também deverá ser juntada uma segunda representação contra Cury acerca do mesmo episódio formulada pelas deputadas que integram a Procuradoria Especial da Mulher na Alesp. A segunda representação é assinada pelas deputadas Maria Izabel Noronha (PT) - procuradora especial -, Marcia Lia (PT) e Marina Helou (Rede), procuradoras adjuntas. Elas defendem que o parlamentar sofra consequências mais severas.

"A punição é fundamental. Lutar por uma punição exemplar neste caso é lutar contra a violência de gênero e garantir que todas as mulheres possam ser respeitadas em todos os espaços, inclusive na política", argumentou Helou ao Estadão.

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) decidiu, na manhã desta quarta-feira (10), abrir processo de cassação do deputado estadual Fernando Cury (Cidadania), por importunação sexual. O parlamentar foi flagrado pelas câmeras da Alesp no dia 1º de dezembro colocando a mão na lateral dos seios da deputada Isa Penna (PSOL), que o acusa de assédio sexual.

A decisão se deu por unanimidade. Todos os dez deputados que compõem o colegiado votaram pela abertura do processo que pode levar o parlamentar a perder o mandato. Mas, apesar de o grupo ter decidido prosseguir com a denúncia, Fernando Cury segue sua atuação parlamentar como deputado, sem qualquer tipo de punição ou restrição até que o processo seja encerrado pelo mesmo conselho. A partir de agora, testemunhas serão convocadas por ambos os lados ainda dentro do grupo, que terá de apresentar e votar um relatório final a ser posteriormente encaminhado ao plenário da Alesp.

##RECOMENDA##

Antes da votação ser iniciada, o advogado Roberto Delmanto, que representa Fernando Cury, solicitou ao conselho que considerasse a deputada Erica Malunguinho (PSOL) impedida de votar por ela já ter se manifestado favorável sobre o processo de cassação em suas redes sociais. "É a mesma coisa que um juiz afirmar que o réu é culpado antes de seu julgamento", disse Delmanto.

A presidente do conselho, Maria Lucia Amary (PSDB), colocou o pedido da defesa em votação e Erica teve então seu direito de manifestação garantido pelos colegas também por unanimidade. Na abertura da sessão, o mesmo pedido de impedimento havia sido feito em relação ao deputado Alex de Madureira (PSD) e também não foi acolhido.

Dois dias depois de o deputado estadual Fernando Cury (Cidadania) entregar a sua defesa prévia no caso de importunação sexual que corre na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa decide, nesta quarta-feira (10), se abre um processo de cassação. Em dezembro, o deputado colocou a mão na lateral dos seios da parlamentar Isa Penna (PSOL), episódio que foi transmitido ao vivo pela TV Alesp.

No documento, Cury pede que os deputados do PSOL Carlos Giannazi, Erica Malunguinho e Monica Seixas sejam considerados parciais e não participem da deliberação do conselho - formalmente, o deputado do Cidadania responde na Assembleia por quebra de decoro.

##RECOMENDA##

A defesa de Cury argumenta que, como Giannazi, Erica e Seixas foram arrolados como testemunhas na representação que Isa Penna enviou ao Ministério Público - medida que pode levar Cury a responder a um processo penal -, eles não poderiam participar da avaliação na Alesp sobre suspensão ou perda de mandato.

Ao Estadão, Monica, que assina com Isa Penna a representação ao Conselho, classificou a defesa prévia de Cury como "um ato desesperado". "Ele tenta se defender a partir da imposição de ritos do código penal ao regimento interno da Casa. Mas a Alesp tem o seu rito estipulado, tem dispositivos que estão assegurados. Não vejo como ele possa ter sucesso fora dos ritos regimentais da Casa", disse a deputada.

A defesa de Cury alega ainda que pessoas interessadas no desfecho a favor de Isa Penna, "por pertencer ao mesmo partido político", não podem avaliar o caso.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Indiciado no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) após ser acusado de importunação sexual pela deputada Isa Penna (PSOL), em sua defesa prévia, o deputado Fernando Cury (Cidadania) negou que apalpou o seio da colega de Casa. A suspeita foi flagrada pela câmera da Alesp durante a votação do orçamento do estado, no dia 16 de dezembro do ano passado.

Além do processo que corre na Alesp, Cury enfrenta denúncias dentro do próprio partido e no Ministério Público de São Paulo. Na defesa apresentada nessa segunda-feira (8), o advogado Roberto Delmanto Jr. sugere que o gesto de assédio foi um 'rápido e superficial abraço' e que o deputado 'jamais teve uma única queixa de desrespeito às mulheres, mas sim elogios".

##RECOMENDA##

---> Vídeo flagra deputado apalpando seios de deputada na Alesp

No documento de 32 páginas, Delmanto Jr. tentou distanciar o caso dos altos índices de violência contra a mulher no Brasil. "Não estará em julgamento, aqui, o machismo da sociedade brasileira [...] muito menos se pode conceber o deputado Fernando Cury como se ele 'personificasse' ou 'encarnasse' os homens machistas de nosso país, buscando, nele, expiar culpas que não são deles", aponta.

O suspeito ainda verifica que há contradição no discurso de Penna ao anexar parte de uma entrevista da deputada a qual afirma "não ter dito que seu seio foi apalpado". No mesmo material, Isa diz ter sido assediada e que "quem vir o vídeo pode tirar suas próprias conclusões", pontua O Globo.

A defesa ainda pede que três testemunhas de acusação sejam consideradas suspeitas por imparcialidade. São elas: Carlos Gianazzi, Mônica Seixas e Erica Malunguinho, todos do PSOL. Em contraposição, Isa Penna pede a suspeição do deputado Alex Madureira (PSD), que conversava com Cury antes do suposto assédio.

Para tentar provar seu respeito às mulheres, Cury arrolou oito testemunhas femininas. Agora, a presidente do Conselho de Ética da Alesp, Maria Lúcia Amary (PSDB), deve marcar uma reunião para indicar o relator do caso. O indicado terá 15 dias para apresentar o parecer.

Posteriormente, um colegiado composto por nove parlamentares vai decidir se absolve, adverte, suspende ou se o mandato de Cury será cassado. A decisão depende do aceno de pelo menos cinco membros.

LeiaJá também:

--> Isa Penna pede sessão para Alesp analisar assédio

--> Juíza suspende processo do Cidadania contra Fernando Cury

--> Autorizada investigação criminal contra Fernando Cury

A deputada estadual Isa Penna (PSOL) protocolou um ofício solicitando à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) informações sobre o SOS Violência Contra a Mulher. Como o Estadão revelou no dia 17 deste mês, o órgão virou um "serviço fantasma" dentro da Casa e, apesar de constar no organograma oficial, não funciona há quase sete anos e é desconhecido dos próprios parlamentares.

No documento, protocolado dia 19, Isa solicita dados referentes à designação de servidores ao SOS, às ações de combate à violência contra a mulher realizadas e ao orçamento do programa. Os ofícios foram encaminhados ao secretário-geral de Administração da Alesp e também à presidente interina da Comissão de Direitos Humanos, a deputada Adriana Borgo (PROS), responsável pela coordenação do SOS.

##RECOMENDA##

Segundo a deputada, com a resposta ao ofício, o gabinete vai avaliar qual medida tomar. Ela afirmou, no entanto, que vai exigir a volta do funcionamento do SOS. Criado em 2013 com o intuito de combater e denunciar casos de agressão de gênero em São Paulo, o SOS Violência Contra a Mulher ficou esvaziado a partir de 2015. Além de receber e encaminhar denúncias de violência a órgãos competentes, o serviço criado pelo ex-deputado petista Adriano Diogo tem entre suas atribuições a implementação de ações para o combate à violência contra mulheres; a promoção de seminários, audiências e eventos; e a oferta de orientação psicológica e jurídica gratuita às vítimas.

Assédio

Ao Estadão, Isa afirmou que não vê como "coincidência" o fato de estar lutando por justiça na Alesp em um caso de assédio ao mesmo tempo em que precisa pedir informações sobre um órgão que, em tese, deveria estar prestando socorro às mulheres. "Isso é sintomático. É como a sociedade e a política ignoram e deslegitimam o que nós passamos todos os dias, seja dentro de casa, no trabalho ou dentro de um transporte. As políticas públicas deveriam fazer muito mais pelas mulheres, as instituições deveriam dar exemplo de como se comportar com celeridade em um caso de assédio, e também não extinguir um órgão sem prestar contas", afirmou ela.

Em dezembro do ano passado, o deputado Fernando Cury (Cidadania) foi flagrado colocando a mão na lateral dos seios da parlamentar do PSOL. Na Alesp, o caso deve ser julgado pelo Conselho de Ética apenas com a volta das atividades na Casa, mas a deputada tenta reunir o apoio de outros deputados para convocar uma sessão extraordinária e antecipar a análise.

Já a investigação criminal foi autorizada no dia 19 pelo desembargador João Carlos Saletti, do Tribunal de Justiça de São Paulo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O Cidadania recorreu, nessa quinta-feira (21), da decisão que suspendeu o procedimento ético-disciplinar a que o deputado estadual Fernando Cury responde internamente no partido por importunação sexual contra a deputada Isa Penna (PSOL). A legenda contesta a alegação de "cerceamento de defesa" e defende que todos os procedimentos previstos no regramento partidário foram adotados. O partido defende que o parlamentar teve "prazo para apresentar a defesa, direito a depoimento oral, do qual abriu mão, e que a oitiva de testemunhas, uma alternativa à sustentação oral, foi dispensada porque nenhuma das pessoas indicadas pela defesa presenciou as cenas filmadas na Assembleia".

"Foi oportunizado ao Sr. Fernando Cury efetivo acesso à ampla defesa e ao contraditório, mesmo sendo a fase no Conselho de Ética eminentemente investigativa. Fato este incontroversamente comprovado pelas três manifestações feitas por sua defesa nesta fase investigativa do processo administrativo - sem olvidar que a própria defesa do autor afirma ter orientado ao mesmo para não comparecer diante do Conselho de Ética do Partido", apontam os advogados do partido na petição endereçada à juíza Thaissa Guimarães, da 20ª Vara Cível de Brasília.

##RECOMENDA##

A magistrada deferiu a liminar no último dia 12 que suspendeu o processo interno do Cidadania contra Cury. Ela acolheu parcialmente um pedido da defesa do parlamentar, que questionava a competência do Conselho de Ética Nacional da legenda para analisar o caso.

No recurso à Justiça Federal do DF, o partido aponta que o ato que ensejou o processo ético-disciplinar foi flagrado pelas câmeras da Assembleia Legislativa de São Paulo, sendo que o vídeo foi amplamente divulgado. Nessa linha, os advogados da legenda argumentam que "considerando a gravidade dos fatos e a inegável repercussão negativa para o partido", a análise do caso pelo Conselho de Ética nacional "garante máxima isenção à apuração".

A contestação apresentada à juíza Thaissa Guimarães pede a extinção da ação movida por Cury por se tratar de matéria a ser decidida em âmbito partidário e pedem a condenação do deputado por litigância de má-fé.

O parecer do Conselho de Ética do Cidadania foi pela expulsão de Fernando Cury. Ao Estadão, o advogado do parlamentar, Roberto Delmanto Junior, afirmou que dá como certa a medida. Para ele, o partido tenta "defenestrar" Fernando Cury o quanto antes.

Além de ser analisada internamente em seu partido, a conduta de Cury também vai ser discutida no âmbito da Assembleia Legislativa de São Paulo. No último dia 11 Isa Penna formalizou um pedido para que a casa convoque uma sessão extraordinária ainda neste mês para julgar o caso. Quatro dias depois, o desembargador João Carlos Saletti, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), ainda autorizou a abertura de investigação criminal contra Fernando Cury.

*Foto: Alesp

O desembargador João Carlos Saletti, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), autorizou a abertura de investigação criminal do deputado estadual Fernando Cury (Cidadania), que apalpou o corpo de Isa Penna (PSOL), também parlamentar da Assembleia Legislativa de São Paulo. Saletti determinou que a presidência da Casa legislativa entregue à Justiça as filmagens que mostram o deputado assediando a colega de legislatura.

Além disso, foi solicitado que os deputados Cauê Macris, Carlos Eduardo Pignatari, Alex de Madureira, Barba, Gilmaci dos Santos Barbosa, Roberto Morais, Carlos Gianazzi, Ricardo Melão, André Prado e as deputadas Erika Malunguinho e Professora Bebel prestem depoimento, na condição de testemunhas do fato. A decisão acolhe o pedido realizado pela Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo.

##RECOMENDA##

A reportagem busca contato com a defesa de Fernando Cury. O espaço está aberto para manifestações do parlamentar.

A juíza Thaissa de Moura Guimarães, da 20ª Vara Cível de Brasília, deferiu liminar, nessa terça-feira (12), determinando a suspensão do processo ético-disciplinar que o Cidadania abriu contra o deputado estadual paulista Fernando Cury por assédio à deputada Isa Penna (PSOL). A magistrada acolheu parcialmente um pedido da defesa do parlamentar, que questionava a competência do Conselho de Ética Nacional da legenda para analisar o caso.

A decisão foi proferida após o advogado de Cury, Roberto Delmanto Junior, encaminhar uma petição à Justiça Federal de Brasília apontando que a deliberação do Diretório Nacional do Cidadania sobre o processo ético-disciplinar contra o deputado está prevista para esta quarta-feira (13). Nessa linha, a defesa pediu reconsideração de uma decisão anterior que havia negado a suspensão do processo.

##RECOMENDA##

Ao analisar o pedido liminar novamente, Thaissa ponderou que após novas informações serem juntadas aos autos, houve a comprovação de algumas alegações da defesa de Cury: a de que o procedimento contra o parlamentar teve início no Diretório Nacional do Partido e a de que não houve na representação detalhamento da conduta praticada pelo deputado, "limitando-se o ofício a mencionar termos genéricos tais como 'lamentáveis fatos' e 'conduta absolutamente incompatível com os princípios do partido".

"Há que se registrar que, embora o vídeo aparentemente deixe claro a conduta à qual se refere o procedimento ético, estando em causa a perda da função de líder do partido na Assembleia Legislativa de São Paulo, deve haver pormenorização da conduta para ensejar oportunidade de defesa e contraditório ao Requerente, princípios constitucionais que também devem ser observados em procedimentos administrativos", registra a decisão.

A Comissão de Ética do Cidadania havia informado ao juízo que a representação contra Cury foi subscrita pelo presidente do Diretório Nacional, Roberto Freire e o presidente Regional do Cidadania de São Paulo, deputado federal, Arnaldo Jardim: "de ofício, ambos dirigentes determinaram a abertura do procedimento junto à Comissão de Ética Nacional, sendo assim, vencido o que reza o Código de Ética Partidário".

No entanto, a magistrada considerou que o Código de ética do Cidadania estabelece que a "competência para receber a representação cabe à Comissão Executiva Regional se o denunciado for um dos seus membros, deputado estadual, prefeito, vice-prefeito, secretário de Estado ou equivalente, governador ou vice-governador".

Ao suspender o processo ético-disciplinar contra Cury, Thaissa registrou ainda que a manutenção do procedimento na Comissão Executiva Nacional "também repercutiria no direito do parlamentar de recorrer à Comissão hierarquicamente Superior, o que poderá ensejar a nulidade do procedimento pela afronta aos princípios ampla defesa e do duplo grau de jurisdição".

No último domingo, 10, o Conselho de Ética do Cidadania emitiu relatório recomendando a expulsão de Fernando Cury. Em nota, a relatora do procedimento , Mariete de Paiva Souza indicou que o comportamento do deputado é "descabido" e "rasteiro". "Na direção totalmente oposta dos fatos ocorridos está o Cidadania, que tem em seu programa o compromisso assumido com as bandeiras feministas contra a violência e a exclusão. Por isso, nada menos que sermos exemplares", defendeu Mariete.

Ao Estadão, o advogado Roberto Delmanto Junior afirmou que dá como certa a expulsão do parlamentar do Cidadania. Para ele, o partido tenta "defenestrar" Fernando Cury o quanto antes. "Que processo é esse que tem prazo de 15 dias úteis? Nunca vi isso na minha vida. É um processo só para cumprir tabela", sustenta. "Isso tudo é um simulacro, um teatro, um mise-en-scène. É uma encenação de um processo, um processo fake".

Além de ser analisada internamente em seu partido, a conduta de Cury também vai ser discutida no âmbito da Assembleia Legislativa de São Paulo. Na semana passada, Isa Penna formalizou um pedido para que a casa convoque uma sessão extraordinária ainda neste mês para julgar o caso.

A parlamentar considerou a decisão da juíza Thaissa de Moura Guimarães "importante" porque "a busca por celeridade (para julgamento do caso) não é por nenhum tipo de excepcionalidade ou conduta diferenciada". "Queremos sim a Justiça. Assédio é crime. Não podemos deixar que num momento como esse, numa casa legislativa, a democracia seja ferida".

A deputada estadual Isa Penna (PSOL) apresentou na semana passada um requerimento em que solicita a convocação de uma sessão extraordinária na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), ainda neste mês, para analisar o caso de assédio envolvendo o deputado Fernando Cury (Cidadania). Em dezembro do ano passado, durante uma sessão, Cury foi flagrado colocando a mão na lateral dos seios da parlamentar.

Neste domingo (10) o Conselho de Ética do Cidadania emitiu um relatório em que recomenda a expulsão de Cury do partido. A decisão final cabe ao diretório nacional do partido.

##RECOMENDA##

Em dezembro, a Procuradoria da Alesp afirmou que o Conselho de Ética só poderia se reunir durante o recesso se a maioria absoluta dos deputados da Casa (48) e o presidente Cauê Macris (PSDB) entendessem que o julgamento é "urgente" e de "interesse público".

Até agora, Isa tem o apoio de 18 deputados para antecipar a análise do caso. Entre os que concordaram estão Janaína Paschoal (PSL), Leci Brandão (PCdoB), Delegada Graciela (PL) e Major Mecca (PSL). Além dos 18 deputados, devem assinar a requisição toda a bancada do PT - composta por dez parlamentares.

Procurado nesta segunda, 11, Cury afirmou que não iria comentar.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O Conselho de Ética do Cidadania emitiu relatório neste domingo, 10, recomendando a expulsão do deputado estadual Fernando Cury (SP), que apalpou a colega Isa Penna (PSOL-SP) em sessão da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em dezembro. A decisão final sobre expulsá-lo ou não agora cabe ao diretório nacional do partido.

Segundo nota emitida neste domingo pelo Cidadania, o comportamento de Cury é "descabido" e "rasteiro", nas palavras da relatora do procedimento no Conselho de Ética da legenda, Mariete de Paiva Souza. "Na direção totalmente oposta dos fatos ocorridos está o Cidadania, que tem em seu programa o compromisso assumido com as bandeiras feministas contra a violência e a exclusão. Por isso, nada menos que sermos exemplares", defendeu Mariete.

##RECOMENDA##

Procurado pelo Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, disse que ainda não tinha conhecimento da decisão do Conselho de Ética. "Você me surpreendeu. Vou tomar conhecimento e encaminhar para o diretório nacional. E aí discutir quando convocar a reunião para a deliberação", afirmou à reportagem.

Freire não quis antecipar seu voto, mas garantiu que "não haverá delongas" para o Cidadania bater o martelo sobre o caso.

Fernando Cury foi flagrado apalpando Isa Penna em plenário, que registrou um boletim de ocorrência contra o deputado estadual por assédio sexual. Ele, que encostou as mãos na lateral do corpo da colega, chamou o ato de "abraço" e se recusou a fazer sua sustentação oral no Conselho de Ética do Cidadania em audiência da última quinta-feira, 7.

O Cidadania anunciou nesta sexta-feira (18) o afastamento de Fernando Cury, acusado de assédio sexual contra a deputada Isa Penna (PSOL) durante uma sessão na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Segundo documento assinado pelo presidente nacional do partido, Roberto Freire, Cury ficará afastado até a conclusão do procedimento disciplinar no âmbito partidário.

"O Deputado Estadual Fernando Cury fica liminarmente afastado de todas as funções diretivas partidárias, em todas as instâncias, bem como de todas as funções exercidas em nome do Cidadania, inclusive junto à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo", diz o documento.

##RECOMENDA##

O vídeo do episódio foi transmitido ao vivo pelo canal da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) no YouTube. Nele, a parlamentar aparece conversando com o presidente da Casa, Cauê Macris (PSDB), quando Cury se aproxima da Mesa Diretora e se posiciona atrás da deputada, colocando a mão na lateral de seus seios. Em seguida, Isa empurra o deputado para afastá-lo de seu corpo.

A deputada registrou um boletim de ocorrência contra o parlamentar por assédio sexual e vai entrar com representação.

A deputada estadual Isa Penna (PSOL) disse que se sente "enojada" pelo assédio que sofreu na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e declarou, em entrevista à CNN Brasil, que episódios como esse são "cotidianos" no Parlamento. Um vídeo da sessão plenária da última quarta-feira (16), mostra a parlamentar conversando com o presidente da Casa, Cauê Macris (PSDB), quando o deputado Fernando Cury (Cidadania) se aproxima da Mesa Diretora e se posiciona atrás da deputada, colocando a mão na lateral de seus seios.

A deputada disse que o assédio é uma "constante" nos espaços políticos de poder. "Esses homens têm uma vivência de como se fossem deuses, autoridades inatingíveis pelo povo", declarou. Ao contrário do que argumenta o parlamentar, ela disse que não considera o ato um abraço e que sequer sabia o nome de Cury. "Não foi um abraço porque eu senti a mão dele. Ele pegou no peito."

##RECOMENDA##

A deputada registrou um boletim de ocorrência contra Cury e também entrou com uma representação. No entanto, ela diz não esperar muito da Alesp. "Nunca vi um deputado sequer sofrer uma sanção", contou Isa, que já foi vítima de assédio outras vezes. "O espaço do parlamento é um espaço absolutamente violento. O assédio cotidiano", afirmou.

Após a repercussão do caso, o Cidadania, partido de Cury, afirmou que acionará o Conselho de Ética da legenda para apurar o caso e cobrou "as devidas explicações do parlamentar". A nota foi assinada pelos presidentes estadual e nacional da legenda, Arnaldo Jardim e Roberto Freire, respectivamente.

Fernando Cury afirmou durante a sessão, dessa quinta-feira (17), que está "constrangido" e "triste" e se desculpou pelo que chamou de "abraço". "Gostaria de frisar que não houve, de forma alguma, tentativa de assédio, de importunação sexual ou qualquer outra coisa", afirmou. "Eu nunca ia fazer isso na frente de 100 deputados".

Páginas

Leianas redes sociaisAcompanhe-nos!

Facebook

Carregando