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Depois de quase nove horas de julgamento, Paulo César de Oliveira Silva, acusado de matar Remís Carla Costa, foi condenado nesta terça-feira (9), a 18 anos e três meses de prisão, que será cumprido inicialmente em regime fechado. 

Ele foi condenado por homicídio triplamente qualificado, sendo as qualificadoras feminicídio, motivo fútil, e com uso de recurso que impossibilitou ou dificultou a defesa da vítima. Paulo também foi condenado por ocultação de cadáver.

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O julgamento, realizado no Fórum Thomaz de Aquino, localizado no bairro de Santo Amaro, área central do Recife, foi presidido pela juíza Fernanda Moura. 

Ao todo, foram ouvidas três testemunhas arroladas pelo Ministério Público. Por meio da defesa, o réu manifestou o direito de ficar em silêncio durante o interrogatório. Paulo César foi levado para o Complexo do Curado, onde já estava preso preventivamente.

Morte de Remís

Remís desapareceu no dia 17 de dezembro, quando deveria ter voltado de um fim de semana na casa de Paulo César de Oliveira Silva, na época com 25 anos. Seis dias após o desaparecimento, o corpo foi encontrado próximo à casa do companheiro, no bairro da Várzea. Ele fugiu e só foi localizado uma semana depois em Vicência, na Mata Norte de Pernambuco.

A promotora do caso Remís explicou que o ex-namorado acusado de feminicídio impedia que a estudante, morta em 2017 aos 24 anos, tivesse vida social. Após quatro anos preso por confessar o crime, Paulo César é julgado nesta terça-feira (9), no Fórum Thomaz de Aquino, área Central do Recife.

Para a representante do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Eliane Gaia, antes de asfixiar durante uma discussão e ocultar o corpo da vítima, o acusado mantinha Remís Carla em violência física, psicológica e patrimonial, quando quebrou celulares e computadores dela para impedir que tivesse contato com outras pessoas.

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"Iremos comprovar a personalidade do acusado, um homem extremamente dominador, controlador, agressivo, que não admitia que a vítima tivesse uma vida livre, que tivesse amigos, que tivesse sucesso profissional", descreveu a promotora, que vai pedir sentença máxima contra o réu confesso

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Familiares da vítima relatam que Paulo César aparentava ser uma pessoa carinhosa com a jovem e mantinha um bom relacionamento com os parentes da namorada. Para a acusação, esse é mais um dos traços de criminosos que praticam feminicídio.

"O feminicida normalmente tem essa característica de ser muito dissimulado, mas para a vítima, ele controlava, ele prendia, ele não dava chance da vítima ser a pessoa que ela era. Ela queria estudar, trabalhar, ter amigos, ela queria ter uma vida social e ele não concedia”, reforçou Eliane.

Morta aos 24 anos, meses antes de se formar como pedagoga pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Remís Carla Costa recebeu diploma In Memorian e teve um dos laboratórios do campus Recife batizado com seu nome. Nesta terça-feira (9), cerca de quatro anos após o assassinato, o ex-namorado e acusado de feminicídio será julgado por júri popular.

Natural de uma família humilde, o pai da vítima Carlos Costa lembra do esforço da filha pela formação e se mostrou surpreso pela forma brutal que ela foi morta às vésperas do Natal de 2017.

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O reitor da UFPE, Alfredo Gomes, foi ao Fórum Thomaz de Aquino, área Central do Recife, para acompanhar o julgamento e prestar solidariedade à família. "Nós esperamos que seja devidamente justiçada. Que a pessoa que cometeu o crime seja devidamente julgada e punida pelo que fez", reforçou.

Assassinada em novembro de 2017, a estudante teria se formado em junho do ano seguinte e, em maio de 2018, recebeu Diploma Especial de Graduação In Memoriam do departamento de Pedagogia da instituição. Remís também foi homenageada ao dar nome a um dos laboratórios da UFPE. 

Na época, Alfredo era diretor do Centro de Educação e recorda o sentimento de tristeza nos corredores com a morte da aluna. "Nós ficamos realmente muito abalados com o assassinato dela. A universidade fez todos os esforços para apoiar a família e dar maior assistência possível, e também para apoiar no sentido que o julgamento viesse a ser realizado com maior celeridade possível", comentou. 

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O acusado

O réu é Paulo César Oliveira da Silva, que na época tinha 25 anos, e teria enforcado a estudante durante uma briga. Ele é acusado de ocultar o corpo a cerca de 400 metros de casa, no bairro da Várzea, na Zona Norte da capital.

Após o crime, Paulo César fugiu para o município de Vicência, na Mata Norte de Pernambuco, mas foi capturado e preso há quatro anos.

Com informações de Vitória Silva

Está marcado para a manhã desta terça-feira (9), o julgamento de Paulo César de Oliveira Silva, acusado de matar por asfixia a ex-companheira Remís Carla Costa, há quase quatro anos. O crime de feminicídio será julgado pela juíza Fernanda Moura Carvalho, às 9h, no plenário da 3ª Vara do Tribunal do Júri do Recife, localizado no Fórum Thomaz de Aquino, na região central da capital. De acordo com o Tribunal de Justiça de Pernambuco, há cinco testemunhas intimadas pelo Ministério Público do Estado (MPPE) e que deverão ser ouvidas em plenário.

A pedagoga foi morta por César durante uma briga do casal. Remís desapareceu no dia 17 de dezembro de 2017, quando deveria ter voltado de um fim de semana na casa do namorado, com quem já não tinha uma relação saudável. Seis dias depois, em 23 de dezembro, seu corpo foi encontrado próximo à casa do réu, no loteamento Nova Morada, no bairro da Várzea, Zona Oeste do Recife.

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No mesmo ano, cerca de um mês antes do crime, a vítima chegou a denunciar o companheiro à Delegacia da Mulher, mas foi aconselhada a desistir pelos próprios agentes, segundo relatou ao LeiaJá a amiga da vítima, Jéssika Alves, que a acompanhou à unidade de polícia. À época, Remís Carla prestou queixa por injúria, ameaça, lesão corporal, cárcere privado e danos em 23 de novembro, o dia seguinte após o companheiro ter quebrado o seu celular durante uma briga. Depois da solicitação da estudante, foi emitida uma medida de afastamento pela Justiça.

O caso

Remís Carla Costa morreu asfixiada, aos 24 anos, por volta das 16h de 17 de dezembro de 2017. O autor do crime foi seu então namorado, Paulo César, um ajudante de pedreiro, à época com 25 anos, morador do bairro da Várzea, na Zona Oeste da capital pernambucana. Após constatar a morte da namorada, Paulo fugiu.

Seis dias depois, no sábado de 23 de novembro, o corpo de Remís foi localizado a cerca de 400 metros da casa do acusado. Em uma semana, Paulo foi encontrado pela Polícia Civil em Vicência, cidade na Zona da Mata Norte. Paulo César foi preso e aguarda julgamento, marcado para 9 de novembro de 2021. Em depoimento, que se iniciou com contradições, o homem admitiu que matou a namorada porque ela queria levar seu aparelho telefônico para casa, após Paulo ter quebrado o celular dela no dia 22 de novembro daquele ano, o que motivou as primeiras denúncias por agressão.

Em maio de 2018, Remís Carla Costa recebeu um Diploma Especial de Graduação In Memoriam do departamento de Pedagogia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A vítima teria se formado cerca de um mês depois, em junho.

O ex-deputado federal Paulo Rubem Santiago (PSOL) disparou críticas contra a atuação do governador Paulo Câmara (PSB) no comando da gestão estadual. Sob a ótica do psolista, Câmara não age para reverter, por exemplo, o quadro de violência em Pernambuco, e que “só faz previsões de que tudo vai melhorar amanhã”. 

Para justificar à crítica, Paulo Rubem fez um paralelo com o feminicídio da estudante de pedagogia da Universidade Federal de Pernambuco, Remís Carla - morta por asfixia pelo namorado Paulo César e enterrada em um terreno próximo à casa dele -  e destacou a omissão do Estado no caso.  

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“Não, não estou culpando o governo diretamente pela morte de Remis, já que o homicida foi o namorado dela, mas é evidente que Pernambuco está sem rumo e que nenhuma campanha pública consistente esse governo tem sido capaz de fazer, sequer uma ação articulada entre os poderes de estado e o Ministério Público para se construir um combate conjunto à violência”, declarou. 

Paulo Rubem também não poupou a figura política do governador. “Paulo Câmara é o retrato ambulante da fraude política e eleitoral, seja pelo escândalo do desvio de verbas a serem usadas depois das enchente na mata sul, seja pelo abandono dos mais pobres no campo por causa de total ausência de ações preventivas de convívio com a seca, sem falar na (in)segurança absoluta no estado, com a explosão dos homicídios. Uma vergonha”, alfinetou.

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Na noite de véspera de Natal, neste domingo (24), o governador de Pernambuco Paulo Câmara enviou uma mensagem de solidariedade à família da da estudante de Pedagogia Remís Carla Costa, encontrada morta em um terreno no bairro da Caxangá no início da tarde deste sábado (23). 

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O gestor estadual participava com a família da tradicional Missa do Galo, na área central do Recife, e lamentou o caso de feminicídio em Pernambuco. Apesar da grande repercussão do crime em toda imprensa e a comoção regional de amigos, familiares e sociedade civil,  durante a entrevista, Câmara chegou a trocar o nome da vítima, Remís, por "Mirtes". 

"A gente tem que lamentar fatos que continuam ocorrendo  em nosso Estado.  Vamos trabalhar muito para que a justiça seja feita e casos como esse não se repitam", disse.

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Entenda

Desde o último domingo (17) a estudante de pedagogia, Remís Carla Costa, de 24 anos, estava desaparecida. Ela havia ido passar o final de semana na casa do namorado, no condomínio Nova Morada, Zona Oeste do Recife, e desde então não foi mais vista. 

Na tarde de ontem (23), após perícia em terreno perto da residência de Paulo César Oliveira, namorado da vítima, a polícia encontrou o corpo da jovem. O autor do feminicídio está preso e, neste domingo (24), o corpo de Remís foi enterrado no Cemitério Morada da Paz, em Paulista. 

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