Tópicos | Alesp

Quando a deputada estadual Isa Penna (PSOL) conversou com o blog, em março, logo após o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) sugerir uma punição atenuada ao deputado Fernando Cury (Cidadania) pela importunação sexual contra ela, a parlamentar classificou a decisão como "inaceitável".

Na ocasião, o colegiado aprovou a proposta de suspensão do mandato por 119 dias - e não seis meses, como sugeriu o relator do caso, Emidio de Souza (PT). Na prática, o resultado permitia que a estrutura do gabinete de Cury continuasse funcionando apesar do afastamento. Isso porque, quando a suspensão é decretada por menos de quatro meses, não há necessidade de convocação do suplente.

##RECOMENDA##

Levada ao plenário, a proposta caiu por unanimidade. Na última quinta-feira, 1º, os 86 deputados presentes na sessão votaram para aumentar de 119 para 180 dias o prazo de suspensão. Com a reviravolta, Isa mudou o tom e comemorou a decisão que, em sua visão, "abre precedente inédito no Brasil".

"A vitória de ontem é, em primeiro lugar, um marco para as mulheres como um todo, que em seus ambientes de trabalho vão poder usar esse caso como precedente", disse em entrevista ao Estadão.

Por meio de nota, o deputado Fernando Cury disse que recebeu "com serenidade e de forma respeitosa a decisão do plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo, determinada pelos colegas deputados". Em depoimento ao Conselho de Ética, Cury chegou a pedir desculpas à colega de parlamento "por qualquer tipo de constrangimento e por qualquer tipo de ofensa" que ele tenha causado. De acordo com o deputado, o abraço foi "um gesto de gentileza" por interromper a conversa dela com o presidente da Casa, Cauê Macris (PSDB).

Advogados ouvidos pelo blog se dividiram entre os mais otimistas, que endossaram a posição da deputada e avaliaram como correta a punição, e entre os que esperavam uma resposta ainda mais dura, como a cassação definitiva do mandato.

Para a advogada Vânia Wongtschowski, sócia do WZ Advogados, que lidera o projeto pro bono WZ Social voltado à assistência de mulheres vulneráveis vitimadas pela violência, a punição foi "muito branda perto do absurdo da conduta" dele.

"É verdade que a punição - por menor que seja - somente foi obtida graças à importante mobilização da sociedade civil e da campanha que angariou mais de 42 mil assinaturas. Porém, a perda do mandato por seis meses deixa um gosto amargo na boca, pois a punição que ele merecia era a cassação", opina. "As mulheres não querem prêmio de consolação. Querem que a sociedade como um todo se sensibilize e dê a punição correta para esse tipo de agressão", acrescenta.

Já a advogada criminalista Mayra Maloffre Ribeiro Carrillo, sócia do Damiani Sociedade de Advogados, avalia que a decisão é um importante avanço em uma sociedade ainda machista. "Os deputados decidiram com acerto e proporcionalidade frente à conduta indecorosa, machista e violadora da liberdade sexual. Além da referida sanção, o deputado Fernando Cury ainda poderá ser processado e condenado pelo crime de importunação sexual previsto no artigo 215-A do Código Penal", afirma.

O advogado criminalista e constitucionalista Adib Abdouni considera "exemplar e alvissareira" a suspensão pela Assembleia Legislativa de São Paulo. Para o especialista, a segunda etapa para a responsabilização do deputado deve seguir na Justiça.

"É necessário dar prosseguimento à persecução penal inaugurada contra o deputado, no âmbito da competência originária criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, em razão dos fatos que, em tese, constituem crime contra a liberdade sexual da deputada estadual, posto que a legislação penal brasileira dispõe dos mecanismos hábeis a sancionar aqueles que ultrapassem a barreira da mera inconveniência e avancem o sinal mediante o cometimento de ilícitos penais, especialmente contra a dignidade sexual alheia", explica.

A advogada Marina Veras, coordenadora do WZ Social, do WZ Advogados, lembra a importância da decisão em razão do cargo ocupado pela deputada Isa Penna. "Em um país em que a participação das mulheres na política ainda é muito baixa perto do tamanho do eleitorado feminino, é essencial que haja punições a condutas como a do deputado, para que se fortaleça ainda mais a ideia de que a mulher pode - e deve - ocupar todos os espaços políticos sem ter medo de ser importunada", diz.

Para Renato de Mello Almada, especialista em Direito Civil e sócio de Chiarottino e Nicoletti Advogados, a Alesp "deu uma demonstração de maturidade, sensibilidade e, acima de tudo, de justiça, que deve servir de exemplo a todos".

A pedido do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Carlão Pignatari (PSDB), a sessão extraordinária desta quinta-feira (1º), que daria continuidade à análise da punição ao deputada Fernando Cury (Cidadania) no caso de assédio contra a deputada Isa Penna (PSOL), ocorrido em dezembro passado, no Plenário da Assembleia, foi encerrada para que o debate sobre o caso seja retomado pelo Colégio de Líderes da Casa, que estava reunido antes do início da sessão.

"Essa discussão que nós estamos fazendo aqui não vai levar a nada", disse o presidente da Alesp, ao defender o encerramento da sessão, que durou cerca de meia hora. "Eu gostaria de pedir a todos vocês que a gente aceite que se levante essa sessão e voltemos lá no Colégio de Líderes", pediu. O tucano convocou uma nova sessão plenária para o início da tarde.

##RECOMENDA##

Antes de a sessão ser suspensa, a deputada Isa Penna disse ter "muita esperança" na discussão de hoje de que será aprovado "o que é correto". A defesa da parlamentar é pela cassação do mandato de Cury. Isa, no entanto, reconheceu que tal penalidade não teria apoio da maioria dos parlamentares. Por isso, segundo a deputada, a aprovação do afastamento de Cury por seis meses já significaria um avanço "tímido" do caso.

"É importante não aprovar aquele relatório aprovado no Conselho de Ética", defendeu Isa. O parecer do colegiado, aprovado em 5 de março, prevê o afastamento de Cury por 119 dias, de modo que seu gabinete continue em funcionamento e o suplente não precise ser convocado. "Se os deputados aprovarem o afastamento de seis meses, na minha opinião, é um tímido passo", avaliou a deputada do PSOL. "Minha defesa e a minha luta continuará sendo pela cassação", ressaltou.

Saída política

Antes do fim da sessão, Pignatari insistiu no argumento sobre a necessidade de buscar uma "saída política" para o assunto, já que, segundo ele, uma saída jurídica, por meio da apresentação de emenda pela cassação de Cury não é possível. "A nossa sociedade hoje quer a cassação do deputado. Isso é muito claro", disse o presidente da Casa, que considerou a situação "muito difícil, tanto para um quanto para outro".

A sessão de hoje era uma continuação das discussões iniciadas na quarta-feira, 31. O adiamento da decisão sobre o caso Cury, que Pignatari desejava encerrar ontem mesmo, pode ser considerado como a primeira derrota do novo presidente da Alesp. O tucano abriu o plenário virtual decidido a pautar o projeto de resolução aprovado pelo Conselho de Ética sem qualquer tipo de modificação.

Questionado por diversas vezes sobre a possibilidade de apresentação de emendas, o presidente se mantinha irredutível ao negar cada "questão de ordem" apresentada ao longo do dia pelos deputados. A mudança se deu já no fim da tarde mediante a disposição de deputados da oposição e situação em permanecer obstruindo o processo de votação.

Além de Barros Munhoz (PSDB), Carlos Giannazi (PSOL) e Campos Machado (Avante), passaram a defender a inclusão de emendas a deputada Janaína Paschoal (PSL), que chegou a pedir a cassação de Cury, Gil Diniz e diversos representantes do PT, além da própria Isa Penna.

A decisão sobre a punição ao deputado estadual Fernando Cury (Cidadania) no caso de assédio contra a colega Isa Penna (PSOL) ocorrido em dezembro passado, no Plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), pode chegar a um desfecho nesta quinta-feira (1º), durante sessão extraordinária na Casa. A sessão de hoje é uma continuação da iniciada ontem, que teve mais de sete horas de duração.

Nesta quarta, após o presidente da Casa impedir o Plenário da Alesp de votar a cassação - e não apenas a suspensão - do mandato de Cury, o presidente da Assembleia, deputado Carlão Pignatari (PSDB), buscou, ao convocar para esta manhã uma reunião do Conselho de Líderes para chegar a uma "saída política" para o caso.

##RECOMENDA##

Na abertura da sessão pela manhã, a deputada Isa Penna disse ter "muita esperança" na discussão de hoje de que será aprovado "o que é correto". A defesa da parlamentar é pela cassação do mandato de Cury.

O recuo de Pignatari para uma possível mudança na pena de 119 dias estabelecida pelo Conselho de Ética da Casa se deu após pressão de parlamentares de vários partidos. Além da cassação, deputados propuseram votar a pena de seis meses, sugerida inicialmente pelo deputado Emídio de Souza (PT), relator do caso no Conselho de Ética.

O adiamento da decisão sobre o caso Cury, que Pignatari desejava encerrar na quarta, pode ser considerado como a primeira derrota do novo presidente da Alesp. Eleito com o apoio de 65 dos 94 parlamentares, o tucano abriu o Plenário virtual decidido a pautar o projeto de resolução aprovado pelo Conselho de Ética sem qualquer tipo de modificação.

Aliado do governador João Doria (PSDB), o deputado estadual tucano Carlão Pignatari foi eleito presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) com 65 dos 94 votos. Ele derrotou os candidatos Sergio Victor (Novo), que teve 5 votos, Major Mecca (PSL), que obteve 16 apoios, e Carlos Gianazzi (PSOL), que recebeu 4 votos.

Antes líder do governo na Alesp, Pignatari era o favorito da disputa e sua eleição mantém o alinhamento da Casa com o Palácio dos Bandeirantes - essencial para o momento enfrentado por Doria, alvo de críticas pela adoção de medidas impopulares para conter o novo coronavírus. Os candidatos da oposição pregavam a necessidade de a Assembleia adotar uma postura mais independente do governo do Estado.

##RECOMENDA##

O deputado tucano responde a ao menos quatro processos na Justiça por improbidade administrativa e, em dois deles, já foi condenado à perda do mandato e dos direitos políticos. Ele recorreu das sentenças e, num processo em que o desfecho estava prestes a retirá-lo do cargo, negociou um acordo com o Ministério Público de São Paulo.

A negociação em torno da eleição de Pignatari contou apoio do PT e do DEM, que ficarão com a primeira e a segunda secretarias, respectivamente. Luiz Fernando (PT) foi eleito o primeiro secretário com 60 votos contra 24 para Coronel Telhada (PP). Rogério Nogueira (DEM) deve ser eleito segundo secretário. Só os três primeiros cargos da Mesa Diretora - presidência, primeira secretaria e segunda secretaria - são responsáveis pela nomeação direta de mais de 150 vagas. Considerando toda a estrutura abaixo da Mesa, o número chega a 536.

Do lado de fora do Palácio 9 de Julho, manifestantes bolsonaristas protestavam contra Doria e a favor da intervenção militar. Diversos dos manifestantes não usavam máscaras ou adotaram medidas de distanciamento.

Ao depor no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), o deputado estadual Fernando Cury (Cidadania), acusado pela deputada Isa Penna (PSOL) de importunação sexual, disse que o abraço que deu na colega "foi um gesto de gentileza", e pediu desculpas "por qualquer tipo de constrangimento e ofensa". Na sessão, Isa Penna afirmou que foi "revitimizada".

O Conselho de Ética avalia se houve quebra de decoro parlamentar quando Cury, durante uma sessão plenária, abraçou Isa Penna por trás, tocando região próxima aos seios da deputada, que reagiu. A cena foi filmada pelas câmeras da Casa.

##RECOMENDA##

"O abraço que eu dei na deputada Isa Penna foi um gesto de gentileza porque eu iria interromper a conversa que ela estava tendo." Na ocasião, Isa Penna falava com o presidente da Alesp, Cauê Macris (PSDB).

"Eu queria aqui, mediante esse Conselho, fazer o que eu já fiz, no dia do fato ocorrido (...), queria mais uma vez pedir desculpas para a deputada Isa Penna por qualquer tipo de constrangimento e por qualquer tipo de ofensa que eu tenha causado naquela noite e naquela madrugada, em função desse evento", afirmou. Ele estendeu o pedido de desculpas ao Conselho e a todos os deputados.

Cury concordou que sua ação constrangeu Isa e disse que vai rever seu jeito de abraçar as pessoas. "Esse episódio me traz muito aprendizado, e a partir de hoje, inclusive, eu preciso rever esse comportamento, porque muitas das pessoas se sentem constrangidas com isso", disse o parlamentar. "Quer dizer que esse meu jeito hoje não é tolerado por grande parte das pessoas, que possam se sentir constrangidas e ofendidas através desse gesto, através desse carinho, através de um abraço, através de um beijo."

Grande parte do tempo da sessão foi usada para depoimentos solicitados pela defesa de Cury - mulheres que não estavam presentes no dia do episódio defenderam a índole de Cury. Algumas delas afirmaram que Isa havia "interpretado mal" os acontecimentos.

Foram ouvidas sete mulheres, além de um perito contratado pela equipe de Cury, que disse não ser possível afirmar que o parlamentar tenha tocado os seios da colega. A deputada Erica Malunguinho e o deputado Barros Munhoz (PSDB) solicitaram que o Conselho chame um perito próprio.

Na oitiva, após discussão, Isa Penna acusou o advogado de Cury de se aproveitar de questões regimentais para silenciar a sua fala, e afirmou que estava sendo "revitimizada".

O deputado estadual Fernando Cury (Cidadania) depõe nesta quarta-feira, 24, ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) sobre o caso em que é acusado de assediar sua colega, a parlamentar Isa Penna (PSOL). A oitiva foi solicitada pela defesa do parlamentar.

Em dezembro de 2020, o deputado colocou a mão na lateral dos seios de Penna, episódio que foi transmitido ao vivo pela TV Alesp. Formalmente, ele responde na Assembleia por quebra de decoro, um processo em que a punição mais severa seria cassação do mandato. No entanto, parlamentares articulam uma saída consensual sobre punição que será aplicada: a tendência é determinar a suspensão temporária do mandato.

##RECOMENDA##

O Estadão apurou que o deputado Campos Machado (Avante), membro do Conselho de Ética e um dos parlamentares mais influentes na Casa, é quem tem conduzido essa articulação. Pessoas no entorno de Penna admitem que, embora ainda trabalhem pela cassação de Cury, veem esse desfecho como improvável.

No caso de suspensão de Cury, ainda há uma discordância em relação ao tempo que deverá durar o castigo. Se a punição superar 120 dias, será nomeado o suplente do parlamentar, que pode trocar as nomeações de seu gabinete. Já uma suspensão de duração inferior equivaleria a uma licença. Nas duas hipóteses, ele pode ficar sem receber o salário.

Ao Estadão, o relator do processo, Emídio de Souza (PT), afirmou que não participa das articulações e lembrou que ainda há mais etapas no processo. "Vou ouvir (o Cury) e depois, baseado no que tem, na defesa, elaboro o relatório", explicou. Ainda não há prazo para a entrega do relatório, que terá que ser votado pelo Conselho e, depois, pelo plenário da Assembleia.

Além de Cury, serão ouvidos nesta quarta-feira um perito e oito testemunhas mulheres arroladas pela defesa para, segundo a peça entregue pelos advogados do deputado, fornecer prova "de seu passado sempre respeitoso". Isa Penna também terá o direito de se manifestar na sessão, caso queira.

Também deverá ser juntada uma segunda representação contra Cury acerca do mesmo episódio formulada pelas deputadas que integram a Procuradoria Especial da Mulher na Alesp. A segunda representação é assinada pelas deputadas Maria Izabel Noronha (PT) - procuradora especial -, Marcia Lia (PT) e Marina Helou (Rede), procuradoras adjuntas. Elas defendem que o parlamentar sofra consequências mais severas.

"A punição é fundamental. Lutar por uma punição exemplar neste caso é lutar contra a violência de gênero e garantir que todas as mulheres possam ser respeitadas em todos os espaços, inclusive na política", argumentou Helou ao Estadão.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu inquérito para apurar se a deputada estadual paulista Letícia Aguiar (PSL) operou um esquema de "rachadinhas", "funcionários fantasmas" e "laranjas" em seu gabinete na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). As suspeitas de irregularidades vieram à tona no final do ano passado, quando o órgão recebeu uma denúncia de desvios de salários envolvendo cinco funcionários em cargos comissionados. Na ocasião, um pedido formal de esclarecimentos foi enviado ao gabinete da deputada.

Com base nas informações prestadas e nos dados colhidos em uma análise preliminar do caso, o promotor Paulo Destro, da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de São Paulo, decidiu instaurar uma investigação na quarta-feira (10).

##RECOMENDA##

A hipótese é a de que funcionários em exercício nos cargos de auxiliar, secretário e assessor parlamentar, incluindo o então chefe de gabinete da deputada, se descompatibilizaram para disputar as eleições municipais e foram substituídos por indicados sem experiência nas funções - três deles com idades entre 63 e 72 anos, diz o MP.

Os sucessores estariam repassando parte dos salários, que somados chegavam a R$ 38 mil mensais, enquanto trabalhariam como "cabos eleitorais" dos antigos funcionários durante o expediente. "Atendendo, possivelmente, os interesses pessoais da parlamentar", registra o promotor.

O chefe de gabinete, Anderson Senna (PSL), deixou o cargo para disputar a prefeitura de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, cidade natal da deputada. Outros dois funcionários, Carlos Alberto Favaro e Aurinho da Zona Sul, tentaram se eleger vereadores no município e um último, Lino de Jacareí, tentou vaga na Câmara Municipal de Jacareí, na mesma região. Todos foram lançados pelo PSL e acabaram derrotados nas urnas. Passada a eleição, três deles voltaram, ainda no início de dezembro, aos cargos, como informa no site da Assembleia Legislativa de São Paulo.

Na portaria que instaurou o inquérito, Paulo Destro determinou que o presidente da Alesp, Cauê Macris (PSDB), apresente em até 15 dias a identificação e qualificação dos funcionários que passaram pelo gabinete da deputada desde o início da legislatura, a folha de frequência dos cinco empregados no período eleitoral e informações sobre suas atribuições.

Defesa

A reportagem entrou em contato com o gabinete da deputada e aguarda resposta. No final do ano passado, quando a denúncia foi tornada pública, ela enviou a seguinte nota:

"A parlamentar desenvolve um trabalho honesto, transparente e é totalmente contrária à quaisquer práticas ilegais, sejam das chamadas 'rachadinhas', atos de corrupção ou denunciação caluniosa.

Qualquer acusação sobre esse fato é totalmente infundada e sem lastro probatório. Todos os seus assessores são funcionários que efetivamente trabalham e estão presentes diariamente exercendo suas funções, seja no gabinete central na Assembleia Legislativa ou no gabinete regional em São José dos Campos.

Frise-se, mais uma vez, que a Deputada Leticia Aguiar repudia toda e qualquer ilicitude dentro de seu gabinete, priorizando a honestidade do seu mandato e honrando cada voto e pessoa que confiou essa missão a ela."

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) decidiu, na manhã desta quarta-feira (10), abrir processo de cassação do deputado estadual Fernando Cury (Cidadania), por importunação sexual. O parlamentar foi flagrado pelas câmeras da Alesp no dia 1º de dezembro colocando a mão na lateral dos seios da deputada Isa Penna (PSOL), que o acusa de assédio sexual.

A decisão se deu por unanimidade. Todos os dez deputados que compõem o colegiado votaram pela abertura do processo que pode levar o parlamentar a perder o mandato. Mas, apesar de o grupo ter decidido prosseguir com a denúncia, Fernando Cury segue sua atuação parlamentar como deputado, sem qualquer tipo de punição ou restrição até que o processo seja encerrado pelo mesmo conselho. A partir de agora, testemunhas serão convocadas por ambos os lados ainda dentro do grupo, que terá de apresentar e votar um relatório final a ser posteriormente encaminhado ao plenário da Alesp.

##RECOMENDA##

Antes da votação ser iniciada, o advogado Roberto Delmanto, que representa Fernando Cury, solicitou ao conselho que considerasse a deputada Erica Malunguinho (PSOL) impedida de votar por ela já ter se manifestado favorável sobre o processo de cassação em suas redes sociais. "É a mesma coisa que um juiz afirmar que o réu é culpado antes de seu julgamento", disse Delmanto.

A presidente do conselho, Maria Lucia Amary (PSDB), colocou o pedido da defesa em votação e Erica teve então seu direito de manifestação garantido pelos colegas também por unanimidade. Na abertura da sessão, o mesmo pedido de impedimento havia sido feito em relação ao deputado Alex de Madureira (PSD) e também não foi acolhido.

Dois dias depois de o deputado estadual Fernando Cury (Cidadania) entregar a sua defesa prévia no caso de importunação sexual que corre na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa decide, nesta quarta-feira (10), se abre um processo de cassação. Em dezembro, o deputado colocou a mão na lateral dos seios da parlamentar Isa Penna (PSOL), episódio que foi transmitido ao vivo pela TV Alesp.

No documento, Cury pede que os deputados do PSOL Carlos Giannazi, Erica Malunguinho e Monica Seixas sejam considerados parciais e não participem da deliberação do conselho - formalmente, o deputado do Cidadania responde na Assembleia por quebra de decoro.

##RECOMENDA##

A defesa de Cury argumenta que, como Giannazi, Erica e Seixas foram arrolados como testemunhas na representação que Isa Penna enviou ao Ministério Público - medida que pode levar Cury a responder a um processo penal -, eles não poderiam participar da avaliação na Alesp sobre suspensão ou perda de mandato.

Ao Estadão, Monica, que assina com Isa Penna a representação ao Conselho, classificou a defesa prévia de Cury como "um ato desesperado". "Ele tenta se defender a partir da imposição de ritos do código penal ao regimento interno da Casa. Mas a Alesp tem o seu rito estipulado, tem dispositivos que estão assegurados. Não vejo como ele possa ter sucesso fora dos ritos regimentais da Casa", disse a deputada.

A defesa de Cury alega ainda que pessoas interessadas no desfecho a favor de Isa Penna, "por pertencer ao mesmo partido político", não podem avaliar o caso.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Indiciado no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) após ser acusado de importunação sexual pela deputada Isa Penna (PSOL), em sua defesa prévia, o deputado Fernando Cury (Cidadania) negou que apalpou o seio da colega de Casa. A suspeita foi flagrada pela câmera da Alesp durante a votação do orçamento do estado, no dia 16 de dezembro do ano passado.

Além do processo que corre na Alesp, Cury enfrenta denúncias dentro do próprio partido e no Ministério Público de São Paulo. Na defesa apresentada nessa segunda-feira (8), o advogado Roberto Delmanto Jr. sugere que o gesto de assédio foi um 'rápido e superficial abraço' e que o deputado 'jamais teve uma única queixa de desrespeito às mulheres, mas sim elogios".

##RECOMENDA##

---> Vídeo flagra deputado apalpando seios de deputada na Alesp

No documento de 32 páginas, Delmanto Jr. tentou distanciar o caso dos altos índices de violência contra a mulher no Brasil. "Não estará em julgamento, aqui, o machismo da sociedade brasileira [...] muito menos se pode conceber o deputado Fernando Cury como se ele 'personificasse' ou 'encarnasse' os homens machistas de nosso país, buscando, nele, expiar culpas que não são deles", aponta.

O suspeito ainda verifica que há contradição no discurso de Penna ao anexar parte de uma entrevista da deputada a qual afirma "não ter dito que seu seio foi apalpado". No mesmo material, Isa diz ter sido assediada e que "quem vir o vídeo pode tirar suas próprias conclusões", pontua O Globo.

A defesa ainda pede que três testemunhas de acusação sejam consideradas suspeitas por imparcialidade. São elas: Carlos Gianazzi, Mônica Seixas e Erica Malunguinho, todos do PSOL. Em contraposição, Isa Penna pede a suspeição do deputado Alex Madureira (PSD), que conversava com Cury antes do suposto assédio.

Para tentar provar seu respeito às mulheres, Cury arrolou oito testemunhas femininas. Agora, a presidente do Conselho de Ética da Alesp, Maria Lúcia Amary (PSDB), deve marcar uma reunião para indicar o relator do caso. O indicado terá 15 dias para apresentar o parecer.

Posteriormente, um colegiado composto por nove parlamentares vai decidir se absolve, adverte, suspende ou se o mandato de Cury será cassado. A decisão depende do aceno de pelo menos cinco membros.

LeiaJá também:

--> Isa Penna pede sessão para Alesp analisar assédio

--> Juíza suspende processo do Cidadania contra Fernando Cury

--> Autorizada investigação criminal contra Fernando Cury

A ex-deputada federal Cristiane Brasil foi exonerada, segundo consta em Diário Oficial do Estado desta sexta-feira (29), do cargo de assistente parlamentar, o qual ocupava na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) desde o dia 21.

A nomeação da ex-deputada caiu sob escrutínio público após ela ter sido presa preventivamente por um mês durante campanha eleitoral em setembro do último ano. Cristiane é filha do presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, e ocupava há nove dias a assessoria do gabinete de representação do partido na Casa.

##RECOMENDA##

As relações entre a direção nacional da sigla e a estadual estavam estremecidas desde que a direção nacional passou ao apoio incondicional da agenda bolsonarista, segundo apontam integrantes, o que desagradou alguns pedetistas paulistas em ocasiões como, por exemplo, a eleição municipal de São Paulo. O desgaste levou à saída do deputado estadual Campos Machado, um dos nomes tradicionais do partido em São Paulo - ex-líder da sigla na Alesp e ex-presidente estadual da legenda -, atualmente filiado ao Avante.

No último dia 19, Cristiane compartilhou pelo Twitter mensagem na qual disse que iria ajudar o atual líder na Alesp, o deputado estadual Douglas Garcia, e o presidente estadual, Chico Galindo, "a reestruturar o partido em São Paulo, dando assistência aos prefeitos e vereadores do partido".

A deputada estadual Isa Penna (PSOL) protocolou um ofício solicitando à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) informações sobre o SOS Violência Contra a Mulher. Como o Estadão revelou no dia 17 deste mês, o órgão virou um "serviço fantasma" dentro da Casa e, apesar de constar no organograma oficial, não funciona há quase sete anos e é desconhecido dos próprios parlamentares.

No documento, protocolado dia 19, Isa solicita dados referentes à designação de servidores ao SOS, às ações de combate à violência contra a mulher realizadas e ao orçamento do programa. Os ofícios foram encaminhados ao secretário-geral de Administração da Alesp e também à presidente interina da Comissão de Direitos Humanos, a deputada Adriana Borgo (PROS), responsável pela coordenação do SOS.

##RECOMENDA##

Segundo a deputada, com a resposta ao ofício, o gabinete vai avaliar qual medida tomar. Ela afirmou, no entanto, que vai exigir a volta do funcionamento do SOS. Criado em 2013 com o intuito de combater e denunciar casos de agressão de gênero em São Paulo, o SOS Violência Contra a Mulher ficou esvaziado a partir de 2015. Além de receber e encaminhar denúncias de violência a órgãos competentes, o serviço criado pelo ex-deputado petista Adriano Diogo tem entre suas atribuições a implementação de ações para o combate à violência contra mulheres; a promoção de seminários, audiências e eventos; e a oferta de orientação psicológica e jurídica gratuita às vítimas.

Assédio

Ao Estadão, Isa afirmou que não vê como "coincidência" o fato de estar lutando por justiça na Alesp em um caso de assédio ao mesmo tempo em que precisa pedir informações sobre um órgão que, em tese, deveria estar prestando socorro às mulheres. "Isso é sintomático. É como a sociedade e a política ignoram e deslegitimam o que nós passamos todos os dias, seja dentro de casa, no trabalho ou dentro de um transporte. As políticas públicas deveriam fazer muito mais pelas mulheres, as instituições deveriam dar exemplo de como se comportar com celeridade em um caso de assédio, e também não extinguir um órgão sem prestar contas", afirmou ela.

Em dezembro do ano passado, o deputado Fernando Cury (Cidadania) foi flagrado colocando a mão na lateral dos seios da parlamentar do PSOL. Na Alesp, o caso deve ser julgado pelo Conselho de Ética apenas com a volta das atividades na Casa, mas a deputada tenta reunir o apoio de outros deputados para convocar uma sessão extraordinária e antecipar a análise.

Já a investigação criminal foi autorizada no dia 19 pelo desembargador João Carlos Saletti, do Tribunal de Justiça de São Paulo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Considerado favorito entre os colegas para assumir a presidência da Assembleia Legislativa de São Paulo, em março, o deputado estadual Carlão Pignatari (PSDB) responde a pelo menos quatro processos na Justiça por improbidade administrativa e, em dois deles, já foi condenado à perda do mandato e dos direitos políticos. Ele recorreu das sentenças e, num processo em que o desfecho estava prestes a retirá-lo do cargo, negociou um acordo com o Ministério Público de São Paulo.

O caso teve início quando Pignatari era prefeito de Votuporanga (2000-2008), e sua gestão deixou de cumprir uma ordem judicial que o obrigava a comprar remédio para um morador da cidade. O medicamento não foi adquirido e, três meses depois, a pessoa morreu. Seus netos pediram indenização por danos morais, e a Justiça condenou o município a pagar R$ 50 mil à família.

##RECOMENDA##

A Promotoria de Justiça de Votuporanga entrou com uma ação contra Pignatari por improbidade, na qual alega que houve dano ao erário e que ele teve responsabilidade no caso. Já deputado, ele foi absolvido em primeira instância pelo juiz Sergio Martins Barbatto Júnior, da 5ª Vara de Votuporanga, por falta de provas.

No ano seguinte, um acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo condenou Pignatari a pagar a indenização com juros, além de determinar a perda do cargo público e dos direitos políticos por cinco anos. Os promotores alegaram que não produziram provas porque consideravam que a responsabilidade do então prefeito já estava comprovada, tese acatada pelo TJ.

Em agosto do ano passado, os advogados do deputado fecharam um acordo com a Promotoria de Votuporanga: ele aceitou pagar a indenização e as custas processuais e evitou a cassação de seus direitos políticos. Pignatari foi a primeira pessoa em São Paulo a fechar um acordo de não persecução civil aprovado pelo Conselho Superior do MP-SP. Esse tipo de acordo foi criado com o pacote anticrime, em 2019.

Outra condenação de Pignatari ocorreu em 2015, no caso que ficou conhecido como escândalo dos sanguessugas, envolvendo irregularidades na compra de ambulâncias. Ele foi denunciado na Justiça Federal por ter assinado dois convênios entre Votuporanga e a União, nos quais o Ministério Público Federal apontou direcionamento de licitações para beneficiar firmas de um grupo empresarial.

A sentença também prevê a perda de mandato, mas o caso tramita há mais de quatro anos em segunda instância, e o Ministério Público Federal pede que a Justiça mantenha a condenação e uma multa de R$ 259,2 mil.

O deputado ainda responde a dois processos por improbidade relacionados à Operação Fratelli, deflagrada em 2013 pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado do MP-SP. Ele é acusado de participar de supostas fraudes em licitações praticadas por empresas no caso que ficou conhecido como "Máfia do Asfalto".

Supremo

O MP diz que a prefeitura de Votuporanga, em conluio com empresas, teria simulado concorrências para direcionar o resultado. As ações ficaram suspensas durante anos, até que o Supremo Tribunal Federal julgou procedente um Habeas Corpus derrubando provas derivadas de interceptações telefônicas. Uma das ações aguarda a sentença do juiz, e a outra ainda não foi aceita pela Justiça.

Em 2020, Pignatari foi investigado em outro inquérito do MP, após o Estadão revelar que uma lei de sua autoria beneficiava uma empresa da qual é sócio. Tal lei praticamente impediu o governo paulista de vender um produto hospitalar para entidades filantrópicas, excluindo o principal concorrente da companhia na qual o deputado tinha participação. Esse inquérito foi arquivado após a promotoria considerar que não havia provas de que Pignatari teria se beneficiado.

Procurado pela reportagem, Pignatari informou, por meio de nota, que não foi intimado pessoalmente sobre a compra do remédio em Votuporanga, "daí a absolvição" em primeira instância. Com o acordo, "mesmo sem admitir culpa ou dolo na omissão", ele ressarciu os danos que o município "possa ter sofrido, visando a extinção da ação". Em relação ao caso das ambulâncias, o deputado alegou que ele próprio registrou boletim de ocorrência "contra atos dos representantes" das empresas envolvidas. "Fosse conivente com toda a situação que rendeu equivocada condenação, teria agido dessa forma?", afirmou em nota. Sobre os dois outros processos, Pignatari disse esperar que sejam julgados improcedentes, já que não houve irregularidades nas licitações.

Líder do governo Doria, o parlamentar tem evitado falar sobre a eleição da Mesa Diretora, mas seu nome é citado como o mais forte entre os 94 deputados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O Cidadania recorreu, nessa quinta-feira (21), da decisão que suspendeu o procedimento ético-disciplinar a que o deputado estadual Fernando Cury responde internamente no partido por importunação sexual contra a deputada Isa Penna (PSOL). A legenda contesta a alegação de "cerceamento de defesa" e defende que todos os procedimentos previstos no regramento partidário foram adotados. O partido defende que o parlamentar teve "prazo para apresentar a defesa, direito a depoimento oral, do qual abriu mão, e que a oitiva de testemunhas, uma alternativa à sustentação oral, foi dispensada porque nenhuma das pessoas indicadas pela defesa presenciou as cenas filmadas na Assembleia".

"Foi oportunizado ao Sr. Fernando Cury efetivo acesso à ampla defesa e ao contraditório, mesmo sendo a fase no Conselho de Ética eminentemente investigativa. Fato este incontroversamente comprovado pelas três manifestações feitas por sua defesa nesta fase investigativa do processo administrativo - sem olvidar que a própria defesa do autor afirma ter orientado ao mesmo para não comparecer diante do Conselho de Ética do Partido", apontam os advogados do partido na petição endereçada à juíza Thaissa Guimarães, da 20ª Vara Cível de Brasília.

##RECOMENDA##

A magistrada deferiu a liminar no último dia 12 que suspendeu o processo interno do Cidadania contra Cury. Ela acolheu parcialmente um pedido da defesa do parlamentar, que questionava a competência do Conselho de Ética Nacional da legenda para analisar o caso.

No recurso à Justiça Federal do DF, o partido aponta que o ato que ensejou o processo ético-disciplinar foi flagrado pelas câmeras da Assembleia Legislativa de São Paulo, sendo que o vídeo foi amplamente divulgado. Nessa linha, os advogados da legenda argumentam que "considerando a gravidade dos fatos e a inegável repercussão negativa para o partido", a análise do caso pelo Conselho de Ética nacional "garante máxima isenção à apuração".

A contestação apresentada à juíza Thaissa Guimarães pede a extinção da ação movida por Cury por se tratar de matéria a ser decidida em âmbito partidário e pedem a condenação do deputado por litigância de má-fé.

O parecer do Conselho de Ética do Cidadania foi pela expulsão de Fernando Cury. Ao Estadão, o advogado do parlamentar, Roberto Delmanto Junior, afirmou que dá como certa a medida. Para ele, o partido tenta "defenestrar" Fernando Cury o quanto antes.

Além de ser analisada internamente em seu partido, a conduta de Cury também vai ser discutida no âmbito da Assembleia Legislativa de São Paulo. No último dia 11 Isa Penna formalizou um pedido para que a casa convoque uma sessão extraordinária ainda neste mês para julgar o caso. Quatro dias depois, o desembargador João Carlos Saletti, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), ainda autorizou a abertura de investigação criminal contra Fernando Cury.

*Foto: Alesp

O desembargador João Carlos Saletti, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), autorizou a abertura de investigação criminal do deputado estadual Fernando Cury (Cidadania), que apalpou o corpo de Isa Penna (PSOL), também parlamentar da Assembleia Legislativa de São Paulo. Saletti determinou que a presidência da Casa legislativa entregue à Justiça as filmagens que mostram o deputado assediando a colega de legislatura.

Além disso, foi solicitado que os deputados Cauê Macris, Carlos Eduardo Pignatari, Alex de Madureira, Barba, Gilmaci dos Santos Barbosa, Roberto Morais, Carlos Gianazzi, Ricardo Melão, André Prado e as deputadas Erika Malunguinho e Professora Bebel prestem depoimento, na condição de testemunhas do fato. A decisão acolhe o pedido realizado pela Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo.

##RECOMENDA##

A reportagem busca contato com a defesa de Fernando Cury. O espaço está aberto para manifestações do parlamentar.

A juíza Thaissa de Moura Guimarães, da 20ª Vara Cível de Brasília, deferiu liminar, nessa terça-feira (12), determinando a suspensão do processo ético-disciplinar que o Cidadania abriu contra o deputado estadual paulista Fernando Cury por assédio à deputada Isa Penna (PSOL). A magistrada acolheu parcialmente um pedido da defesa do parlamentar, que questionava a competência do Conselho de Ética Nacional da legenda para analisar o caso.

A decisão foi proferida após o advogado de Cury, Roberto Delmanto Junior, encaminhar uma petição à Justiça Federal de Brasília apontando que a deliberação do Diretório Nacional do Cidadania sobre o processo ético-disciplinar contra o deputado está prevista para esta quarta-feira (13). Nessa linha, a defesa pediu reconsideração de uma decisão anterior que havia negado a suspensão do processo.

##RECOMENDA##

Ao analisar o pedido liminar novamente, Thaissa ponderou que após novas informações serem juntadas aos autos, houve a comprovação de algumas alegações da defesa de Cury: a de que o procedimento contra o parlamentar teve início no Diretório Nacional do Partido e a de que não houve na representação detalhamento da conduta praticada pelo deputado, "limitando-se o ofício a mencionar termos genéricos tais como 'lamentáveis fatos' e 'conduta absolutamente incompatível com os princípios do partido".

"Há que se registrar que, embora o vídeo aparentemente deixe claro a conduta à qual se refere o procedimento ético, estando em causa a perda da função de líder do partido na Assembleia Legislativa de São Paulo, deve haver pormenorização da conduta para ensejar oportunidade de defesa e contraditório ao Requerente, princípios constitucionais que também devem ser observados em procedimentos administrativos", registra a decisão.

A Comissão de Ética do Cidadania havia informado ao juízo que a representação contra Cury foi subscrita pelo presidente do Diretório Nacional, Roberto Freire e o presidente Regional do Cidadania de São Paulo, deputado federal, Arnaldo Jardim: "de ofício, ambos dirigentes determinaram a abertura do procedimento junto à Comissão de Ética Nacional, sendo assim, vencido o que reza o Código de Ética Partidário".

No entanto, a magistrada considerou que o Código de ética do Cidadania estabelece que a "competência para receber a representação cabe à Comissão Executiva Regional se o denunciado for um dos seus membros, deputado estadual, prefeito, vice-prefeito, secretário de Estado ou equivalente, governador ou vice-governador".

Ao suspender o processo ético-disciplinar contra Cury, Thaissa registrou ainda que a manutenção do procedimento na Comissão Executiva Nacional "também repercutiria no direito do parlamentar de recorrer à Comissão hierarquicamente Superior, o que poderá ensejar a nulidade do procedimento pela afronta aos princípios ampla defesa e do duplo grau de jurisdição".

No último domingo, 10, o Conselho de Ética do Cidadania emitiu relatório recomendando a expulsão de Fernando Cury. Em nota, a relatora do procedimento , Mariete de Paiva Souza indicou que o comportamento do deputado é "descabido" e "rasteiro". "Na direção totalmente oposta dos fatos ocorridos está o Cidadania, que tem em seu programa o compromisso assumido com as bandeiras feministas contra a violência e a exclusão. Por isso, nada menos que sermos exemplares", defendeu Mariete.

Ao Estadão, o advogado Roberto Delmanto Junior afirmou que dá como certa a expulsão do parlamentar do Cidadania. Para ele, o partido tenta "defenestrar" Fernando Cury o quanto antes. "Que processo é esse que tem prazo de 15 dias úteis? Nunca vi isso na minha vida. É um processo só para cumprir tabela", sustenta. "Isso tudo é um simulacro, um teatro, um mise-en-scène. É uma encenação de um processo, um processo fake".

Além de ser analisada internamente em seu partido, a conduta de Cury também vai ser discutida no âmbito da Assembleia Legislativa de São Paulo. Na semana passada, Isa Penna formalizou um pedido para que a casa convoque uma sessão extraordinária ainda neste mês para julgar o caso.

A parlamentar considerou a decisão da juíza Thaissa de Moura Guimarães "importante" porque "a busca por celeridade (para julgamento do caso) não é por nenhum tipo de excepcionalidade ou conduta diferenciada". "Queremos sim a Justiça. Assédio é crime. Não podemos deixar que num momento como esse, numa casa legislativa, a democracia seja ferida".

A deputada estadual Isa Penna (PSOL) apresentou na semana passada um requerimento em que solicita a convocação de uma sessão extraordinária na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), ainda neste mês, para analisar o caso de assédio envolvendo o deputado Fernando Cury (Cidadania). Em dezembro do ano passado, durante uma sessão, Cury foi flagrado colocando a mão na lateral dos seios da parlamentar.

Neste domingo (10) o Conselho de Ética do Cidadania emitiu um relatório em que recomenda a expulsão de Cury do partido. A decisão final cabe ao diretório nacional do partido.

##RECOMENDA##

Em dezembro, a Procuradoria da Alesp afirmou que o Conselho de Ética só poderia se reunir durante o recesso se a maioria absoluta dos deputados da Casa (48) e o presidente Cauê Macris (PSDB) entendessem que o julgamento é "urgente" e de "interesse público".

Até agora, Isa tem o apoio de 18 deputados para antecipar a análise do caso. Entre os que concordaram estão Janaína Paschoal (PSL), Leci Brandão (PCdoB), Delegada Graciela (PL) e Major Mecca (PSL). Além dos 18 deputados, devem assinar a requisição toda a bancada do PT - composta por dez parlamentares.

Procurado nesta segunda, 11, Cury afirmou que não iria comentar.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O Conselho de Ética do Cidadania emitiu relatório neste domingo, 10, recomendando a expulsão do deputado estadual Fernando Cury (SP), que apalpou a colega Isa Penna (PSOL-SP) em sessão da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em dezembro. A decisão final sobre expulsá-lo ou não agora cabe ao diretório nacional do partido.

Segundo nota emitida neste domingo pelo Cidadania, o comportamento de Cury é "descabido" e "rasteiro", nas palavras da relatora do procedimento no Conselho de Ética da legenda, Mariete de Paiva Souza. "Na direção totalmente oposta dos fatos ocorridos está o Cidadania, que tem em seu programa o compromisso assumido com as bandeiras feministas contra a violência e a exclusão. Por isso, nada menos que sermos exemplares", defendeu Mariete.

##RECOMENDA##

Procurado pelo Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, disse que ainda não tinha conhecimento da decisão do Conselho de Ética. "Você me surpreendeu. Vou tomar conhecimento e encaminhar para o diretório nacional. E aí discutir quando convocar a reunião para a deliberação", afirmou à reportagem.

Freire não quis antecipar seu voto, mas garantiu que "não haverá delongas" para o Cidadania bater o martelo sobre o caso.

Fernando Cury foi flagrado apalpando Isa Penna em plenário, que registrou um boletim de ocorrência contra o deputado estadual por assédio sexual. Ele, que encostou as mãos na lateral do corpo da colega, chamou o ato de "abraço" e se recusou a fazer sua sustentação oral no Conselho de Ética do Cidadania em audiência da última quinta-feira, 7.

Tomam posse nesta segunda-feira (4) como deputados estaduais da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) os suplentes Edson Giriboni (PV) e Murilo Felix (PODE). Cada um assume os mandatos deixados pelos ex-deputados Ed Thomas (PSB) e Aprígio (PODE), que foram eleitos, respectivamente, para as prefeituras de Presidente Prudente e Taboão da Serra.

Com a mudança, passa para dois o número de representantes do PV na Casa. Já a bancada do PSB passa a ter seis integrantes.

##RECOMENDA##

Quando chegou no Plenário da Assembleia de São Paulo (Alesp), na última quarta-feira (16), Isa Penna (PSOL) se deparou com parlamentares comentando sobre um vídeo em que aparece dançando funk. Dias atrás, o deputado Douglas Garcia (PTB) havia postado a gravação em seu Twitter, dizendo, em tom de ironia, que era "exemplo de decoro parlamentar".

A situação levou a deputada a comentar com o presidente da Casa, Cauê Macris (PSDB), o quanto era difícil ser mulher naquele ambiente. Era uma conversa informal, quase um desabafo. Foi quando Fernando Cury (Cidadania) se aproximou da parlamentar e, por trás, colocou a mão na lateral dos seus seios. "Pensar no toque dele é absolutamente nojento, me dá uma sensação de arrepio", lembrou ela em entrevista ao Estadão.

##RECOMENDA##

O episódio ganhou repercussão no dia seguinte, após a exibição do vídeo no plenário da Casa e transmissão ao vivo no canal do Youtube da Alesp. No mesmo dia, Isa denunciou o caso ao Conselho de Ética da Assembleia e registrou um boletim de ocorrência eletrônico na Polícia Civil. A presidente e única mulher do Conselho, Maria Lúcia Amary (PSDB), disse que as imagens de Cury mostram um comportamento "visivelmente inadequado" e que contrariam "todas as normas" da Casa. "A cena causou bastante constrangimento. São imagens muito fortes para um parlamento. Fiquei muito incomodada, como mulher e como política", afirmou a deputada.

Em entrevista, Isa Penna contou que nunca havia sofrido assédio sexual. Mas foram vários os comentários machistas que já ouviu na Alesp, onde exerce o seu primeiro mandato como deputada estadual. Sobre o pedido de desculpas de Cury em Plenário, disse que não aceita até que ele reconheça o assédio. O parlamentar alega não ter feito nada de errado. Abaixo, confira os principais trechos da entrevista:

O que a senhora e o presidente da Casa, Cauê Macris, estavam conversando no momento?

 

Era uma conversa tranquila, dessas que temos sempre em Plenário, e eu disse para o Cauê (Macris) que era difícil ser mulher ali. Ele respondeu que era mais difícil porque eu era feminista, no sentido de que eu sofria porque eu luto. Mas é o contrário: todas as mulheres sofrem com o assédio. Mas nós, feministas, sofremos menos, pois entendemos que é um problema coletivo e não somos culpadas.

O que a senhora sentiu no momento em que o deputado Fernando Cury se aproximou?

 

Ele estava tentando me encoxar e passar a mão na lateral do peito. Depois que eu vi o vídeo, tive outra dimensão do negócio. Mas ali, na Assembleia, eu senti ele muito próximo. Assim que virei, senti, sim, um cheiro de álcool. Antes de se aproximar, ele estava fazendo comentários sexualizados ao meu respeito. Sem dúvida nenhuma. Estava bêbado, e a bebida te dá coragem para fazer o que você fala e acredita. Foi aí que ele se mostrou, e eu fiquei chocada. Pensar no toque dele é absolutamente nojento. Me dá uma sensação de arrepio.

Foi a primeira vez que a senhora foi vítima de assédio sexual? Já passou por outras violências na vida política?

 

Na primeira semana como suplente na Câmara Municipal, eu sofri uma violência. O vereador Camilo Cristófaro me chamou de "vagabunda, terrorista". Mas tiveram outros casos. Uma vez fui pedir a assinatura de um parlamentar para uma moção, ou algo assim, e ele disse que o faria se pudesse assinar pegando na minha mão. Também já tiraram foto da minha bunda e ameaçaram expor a foto, que era simplesmente eu abaixada, pegando uma assinatura com o Toninho.

Na Alesp, casos como esses acontecem com frequência?

 

Sim, todos os dias. Fui pedir o voto de um deputado para o projeto de lei Dossiê Mulher Paulista, mas ao perceber que ele estava me olhando, acabei desistindo. Até que ele veio e perguntou: ‘Você não vai pedir meu voto?’. Aí, em uma saia justa, eu perguntei se ele conhecia o projeto e pedi para votar. Até que ele diz: ‘Qual é o seu preço?’. Eu respondi que há coisas na vida que não têm preço. Mas ele voltou: ‘Tudo na vida tem o seu preço’.

Você ainda foi educada na resposta…

 

Não é questão de ser educada, é sobrevivência. Caso contrário, no dia seguinte, esse cara vai pegar no seu pé. Até medo a gente tem. Eu sei com quem estou lidando, não sou amadora.

A senhora e outras deputadas já levaram para o conhecimento da presidência da Casa reclamações relativas ao comportamento dos parlamentares com as mulheres?

 

A gente já fez falas sobre isso. A deputada Monica (da Bancada Ativista) vive pedindo respeito como líder de bancada na Assembleia. Não é uma questão de levantar, é uma questão do presidente Cauê, até agora, em um caso que foi público, filmado e na frente dele, não ter se manifestado.

O Cauê Macris nunca se pronunciou sobre essas violências e comportamentos desrespeitosos com as mulheres? Ele foi omisso?

 

Não é que ele foi omisso. Ele reproduz o machismo. Por exemplo, quando ele interrompe o nosso microfone - é muito mais fácil ele fazer isso com uma mulher do que com um homem.

A senhora considerou o pedido de desculpas do deputado Fernando Cury?

 

Eu não aceito as desculpas dele. Primeiro, porque ele se esquiva da responsabilidade dele. Do necessário reconhecimento da prática que teve, consciente ou não. Se não for capaz de reconhecer, precisa ser cassado.

O que a senhora espera do Conselho de Ética?

 

Acho que o deputado tem que ser cassado. A gente assume um risco quando entra na política. E os parlamentares precisam começar a aprender isso: que temos mais responsabilidades do que as pessoas quando viramos uma autoridade pública.

Páginas

Leianas redes sociaisAcompanhe-nos!

Facebook

Carregando