Tópicos | patrimônio

De 77 políticos que figuram como investigados na Lava Jato e se candidataram neste ano, 21 - pouco mais de um quarto - registraram redução do valor de seus bens em relação a eleições anteriores. Levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo nos dados fornecidos pelos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que, daquele total, oito informaram queda de mais da metade das cifras declaradas.

Na outra ponta, 44 políticos declararam aumento de patrimônio - quase a metade apresentou valores nominais pelo menos 50% maiores. Em 12 casos, não houve variação. Para a Receita, movimentações significativas no patrimônio podem ser indícios de irregularidades.

##RECOMENDA##

Foram considerados apenas valores nominais. Segundo analistas, não é possível corrigir declarações de bens com base na inflação, pois a valorização ou desvalorização de um imóvel, por exemplo, não seguem a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

As explicações para ampliação ou queda nos valores declarados incluem crise econômica, recebimento de herança, venda de imóveis, divórcio e dívida por empréstimo bancário.

Investigado na Lava Jato por suposto repasse de R$ 200 mil da Odebrecht na eleição de 2010, o deputado Heráclito Fortes (DEM-PI) citou a venda de um avião para justificar a redução no patrimônio, que caiu de R$ 5,16 milhões, em 2014, para R$ 1,55 milhão declarado em 2018.

"Diminuiu porque nunca roubei", afirmou o parlamentar. A aeronave King AIR C9-GT, ano 2007, que constava na última candidatura, com o valor de R$ 3,78 milhões, foi retirada.

O deputado disse que ficou com metade do valor e que tudo foi informado à Receita. "Nunca fui questionado." A investigação aberta inicialmente no Supremo Tribunal Federal foi enviada à Justiça Federal do Piauí. O deputado alega inocência.

'Crise'

O senador Valdir Raupp (MDB-RO), réu na Lava Jato, é outro que declarou patrimônio menor neste ano. Ele tinha R$ 728,6 mil em 2010, a última vez que disputou eleição, e agora informou ter R$ 264,9 mil. O motivo, segundo ele, foi a crise. "Da mesma forma como a crise econômica atingiu milhares de brasileiros, o senador sofreu prejuízos financeiros motivando redução do seu patrimônio", disse sua a assessoria.

A maior queda foi a do senador Benedito de Lira (PP-AL). Ele declarou R$ 723,2 mil em 2014, quando concorreu ao governo de Alagoas, e agora disse ter R$ 76,6 mil. Ele tenta se reeleger ao Senado. O parlamentar teve bens bloqueados em uma ação de improbidade ligada à Lava Jato e está recorrendo no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região.

No Supremo, Lira foi alvo de duas denúncias na Lava Jato, uma arquivada e a outra - a do "quadrilhão do PP" - ainda não julgada. "Esse é um assunto que eu não vou discutir, porque a minha declaração de Imposto de Renda está na Receita", afirmou Lira à reportagem, desligando o telefone em seguida.

No sentido inverso está o senador e presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), também denunciado no "quadrilhão do PP". Seu patrimônio cresceu mais de 1.000% em oito anos, em valores nominais. Saiu de R$ 1,9 milhão, em 2010, para R$ 23,3 milhões neste ano, quando tentará a reeleição. A justificativa é uma herança deixada pelo pai, além de negócios "bem-sucedidos" não especificados.

Outros candidatos que informaram à Justiça Eleitoral patrimônios menores foram o líder do governo no Senado e presidente do MDB, Romero Jucá (RR), em 68%, o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (MDB-AL), em 14%, o governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), em 24%, e o senador Humberto Costa (PT-PE), em 41% - todos tentam reeleição.

Jucá disse que não comentaria sua declaração, apresentada, segundo ele, conforme exigência da lei. Costa afirmou que sua variação patrimonial se deve à separação conjugal e à venda de um veículo. Disse ainda que não houve transferência, doação ou venda de bens para familiares e que o fato de ser investigado não teve impacto na gestão de patrimônio.

Receita

O subsecretário de Fiscalização da Receita, Iágaro Jung Martins, afirmou que o aumento de patrimônio sem que haja uma renda para suportar aquela variação pode atrair a atenção do órgão. "Temos uma equipe de auditores para detecção de fraudes de agentes públicos. Esses auditores se debruçam para analisar a variação patrimonial e, quando há indício de que a origem do recurso que deu suporte à variação patrimonial não é recurso lícito, a Receita autua também", disse.

A Receita já autuou 67 pessoas investigadas na Lava Jato após identificar algum indício de irregularidade. Em termos de valores, elas respondem a um total de R$ 257.322.393,57 em ações autuadas na Receita até 12 de junho. O órgão não informa os nomes das pessoas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou um patrimônio de R$ 7.987.921,57 no registro de sua candidatura à Presidência da República. Entre os bens declarados pela legenda, o bem do petista com o maior valor é referente a um plano de previdência privada equivalente a R$ 6,3 milhões.

Em junho, como informou a Coluna do Estadão, o ex-presidente informou ao Judiciário que os bens dele e da ex-primeira-dama Marisa Letícia somavam R$ 12,3 milhões. Na última eleição que concorreu, em 2006, Lula declarou ter R$ 839.033,52 em bens. Naquele ano, o petista foi reeleito para o cargo de presidente da República.

##RECOMENDA##

O ex-prefeito Fernando Haddad, registrado como vice na chapa e possível substituto de Lula em caso de sua candidatura ser barrada, declarou um patrimônio no valor de R$ 428,451 mil. Em 2016, quando tentou a reeleição para a Prefeitura de São Paulo, o valor informado havia sido maior, de R$ 451.938,07. A chapa registrada recebeu o nome de "O povo feliz de novo".

O presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio no valor de R$ 2.286.779,48. A declaração de bens dos candidatos dos presidenciáveis pode ser encontrada no site do tribunal.

De acordo com o declarado, o maior bem de Bolsonaro é uma casa no valor de R$ 603.803,54, em seguida de uma caderneta de poupança com R$ 481.836,05. Bolsonaro também declarou uma outra casa no valor de R$ 400 mil reais. Fora essas duas, ele também é proprietário de mais três outras moradias que somadas valem mais de R$ 378 mil reais.

##RECOMENDA##

Bolsonaro também disse possuir quatro veículos, mas não é necessário especificar no site qual marca e se é, por exemplo, um carro ou um caminhão. Um custaria R$ 141 mil, outro R$ 89 mil e mais dois no valor de R$ 50 mil, cada. Ele ainda declarou investimento em renda fixa, ações e outra caderneta de poupança. O valor dos bens do presidenciável declarados neste ano subiu 10,2% em relação a 2014. Foram, ao todo, R$ 212 mil a mais nos últimos quatro anos.

Até agora quem mais surpreendeu ao declarar seus bens foi o candidato João Amoêdo (Novo), que declarou patrimônio de R$ 425 milhões ao TSE. Mais da metade do valor declarado é composto por aplicações em renda fixa. Também há 13 imóveis, entre apartamentos, casa, salas comerciais, terreno e até uma embarcação avaliada em R$ 4,1 milhões.

 

Dos candidatos à Presidência da República que declararam a posse de bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o postulante do PSOL, Guilherme Boulos, é o que se coloca como o mais pobre. Nas informações do registro de candidatura, disponibilizadas através do DivulgaCand, Boulos diz ser dono de um patrimônio com apenas R$ 15.416,00. O valor é descrito como o estimado por um veículo automotor, mas sem especificar se trata-se de carro, caminhão ou moto. 

Diante de concorrentes milionários, o mestre em psiquiatria na Universidade de São Paulo (USP) e filho de médicos conceituados, que inclusive são professores da USP, tem menos bens do que a candidata do PSTU, a sindicalista Vera Lúcia, que declarou ser dona de um terreno no valor de R$ 20 mil. E perde apenas para o deputado Cabo Daciolo (Patriota), que afirmou não possuir nenhum patrimônio, apesar de em outras eleições ter listado posses. 

##RECOMENDA##

Questionado pelo LeiaJá sobre as informações apresentadas, Boulos disse, através da assessoria de imprensa, que “a declaração de bens do candidato é esta mesma que está no TSE”. 

Desde que se colocou como presidenciável, o fato do psolista ser o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) tem pesado. Ao ser indagado se o candidato tinha casa própria ou morar em um assentamento, a assessoria informou Boulos já residiu em uma ocupação em Osasco, na Grande São Paulo, mas hoje vive em uma casa comprada conjuntamente com os sogros e o pai. 

“Guilherme reside em um casa no bairro do Campo Limpo, periferia sul da cidade de São Paulo. A casa foi adquirida em um esforço conjunto e familiar de Guilherme, sua companheira, seus sogros e seu pai. Este último ficou responsável perante a instituição financeira que financiou a compra do imóvel e por este motivo o mesmo está em seu nome e declarado no IR [Imposto de Renda] dele”, afirmou, em nota. 

Esta é a primeira eleição que Guilherme Boulos participa e, ao contrário da maioria dos outros candidatos, não tem declarações anteriores já apresentadas à Justiça Eleitoral. 

LeiaJá também

--> Boulos diz que não pratica demagogia ao defender o MTST

--> Não temo ser o candidato que defende ocupações, diz Boulos

O ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, candidato do MDB à Presidência da República, informou possuir um patrimônio total de R$ 377 milhões ao Tribunal Superior Eleitoral. Ele é o segundo mais rico na disputa, atrás do candidato do Partido Novo, o engenheiro João Amoêdo, que declarou ter R$ 425 milhões no próprio nome.

Os dados constam na declaração de bens fornecida por Meirelles, ao solicitar nesta quarta-feira, 15, o pedido de registro de candidato à sucessão do presidente Michel Temer, padrinho político de sua candidatura. O prazo se encerra às 19 horas desta quarta-feira.

##RECOMENDA##

O emedebista possui R$ 283 milhões em ações e R$ 58 milhões em fundos de investimento e um apartamento avaliado em R$ 21 milhões, além de R$ 6,8 milhões depositados em conta corrente no exterior. Os bens não aparecem detalhados na página oficial da Justiça Eleitoral.

Em 2002, Meirelles elegeu-se deputado federal pelo PSDB em Goiás. Ele declarou ter um patrimônio de R$ 45 milhões, em valores nominais da época, com uma série de investimentos nos Estados Unidos, onde ele morava.

Entre os bens, estavam um Porsche Boxster 1997, então avaliado em R$ 66 mil, um apartamento nas imediações do Central Park, em Manhattan, estimado em R$ 15 milhões, além de R$ 23 milhões aplicados em ações de empresas de capital aberto na Bolsa de Nova York.

No Brasil, ele tinha principalmente imóveis, como um apartamento à beira-mar em Ipanema, no Rio, e outro no bairro de Higienópolis, em São Paulo.

Meirelles é ex-ministro da Fazenda no Governo Temer e ex-presidente do Banco Central no Governo Lula. Na iniciativa privada, foi também presidente mundial do BankBoston e foi conselheiro da J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, na qual trabalhou no projeto do Banco Original.

O candidato do partido Novo a presidente da República, João Amôedo, declarou à Justiça Eleitoral R$ 425 milhões em bens. Ele é, até o momento, o candidato ao Palácio do Planalto mais rico dos seis com pedido de registro de candidatura já formalizados na Justiça Eleitoral.

No total, 13 chapas concorrem à sucessão de Michel Temer e devem solicitar o registro até esta quarta-feira, 15. Somados, os outros cinco candidatos que já informaram seu patrimônio ao Tribunal Superior Eleitoral possuem R$ 3,1 milhões.

##RECOMENDA##

Os bens mais valiosos do candidato são aplicações financeiras, imóveis, objetos colecionáveis (obras de arte e joias), embarcações, automóveis, quotas de empresas e ações. Ele possui uma aplicação de renda fixa de R$ 217 milhões. A Justiça Eleitoral não detalhou os bens dos candidatos neste ano. Uma das empresas da família dele é a Fina Participações, holding com sede em São Paulo. Outra, é a CSA Fomento Comercial, também registrada em São Paulo.

Candidato a vice na chapa dele, o professor e cientista político Christian Lohbauer, informou possuir bens avaliados em R$ 4,1 milhões. Os outros cinco vices, juntos, somam R$ 8,1 milhões.

Fundador do partido Novo, Amoêdo é engenheiro e administrador de empresas e fez carreira no setor financeiro, tendo começado no Citibank. Amoêdo foi vice-presidente do Unibanco, fez parte do conselho de administração do Itaú-BBA e até o ano passado era conselheiro da João Fortes Engenharia.

Neste ano, ele poderá financiar a própria campanha até o limite de R$ 70 milhões no primeiro turno. Ele também poderá bancar mais R$ 35 milhões no segundo turno, caso avance na disputa.

Com base na lei eleitoral, o presidenciável está apto ainda a distribuir a outros candidatos, como doação, valores até o limite de 10% de seus rendimentos no ano anterior. Ele prega que os partidos não usem recursos públicos.

O candidato do PSDB à Presidência da República nas eleições 2018, Geraldo Alckmin, aumentou seu patrimônio em 29% nos últimos quatro anos, conforme dados declarados à Justiça Eleitoral nesta quarta-feira (8) pela campanha tucana. O valor dos bens registrados em nome do ex-governador de São Paulo passou de R$ 1,069 milhão, em 2014, para R$ 1,379 milhão neste ano.

Candidata a vice-presidente na chapa de Alckmin, a senadora gaúcha Ana Amélia (PP) teve um salto ainda maior: de 101%. Ela declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possuir atualmente R$ 5,1 milhões em bens, o dobro da eleição anterior. Em 2014, quando disputou e perdeu a campanha ao governo do Rio Grande do Sul, a senadora havia informado a posse de bens estimados em R$ 2,5 milhões.

##RECOMENDA##

A coligação Para Unir o Brasil, formada por PSDB, PTB, PP, PR, DEM, Solidariedade, PPS, PRB e PSD, entregou a documentação dos candidatos ao TSE e aguarda o julgamento do pedido de registro.

A declaração de bens é um requisito legal e deve ser apresentada pelos candidatos com base nos dados informados à Receita Federal anualmente.

Como o jornal O Estado de S.Paulo revelou, o TSE e o Fisco vão monitorar neste ano declarações de políticos que informem quantias altos em dinheiro vivo, como forma de combater o caixa 2 nas campanhas eleitorais. Nem o tucano nem sua vice declararam possuir quantias em espécie. Os patrimônios de ambos são compostos, principalmente, de imóveis, previdência privada e aplicações financeiras.

Além deles, outras três chapas também solicitaram registro da candidatura ao Palácio do Planalto nas eleições 2018. O prazo se encerra no dia 15, próxima quinta-feira.

A primeira foi do PSOL, formada por Guilherme Boulos e sua vice, Sonia Guajajara. Líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Boulos não declarou ter imóveis em sua primeira disputa eleitoral. Ele informou possuir R$15.416, equivalentes ao valor de veículos, sem especificação. A vice disse possuir R$ 11 mil aplicados na caderneta de poupança.

O candidato do Patriota, deputado Cabo Daciolo, não declarou bens. Em 2014, quando se elegeu pela primeira vez deputado federal pelo Rio, o ex-bombeiro declarou possuir um carro modelo Nissan Versa, avaliado em R$ 40 mil. A vice dele, Suelene Balduino, do mesmo partido, informou ter R$ 201 mil de patrimônio.

A candidata do PSTU a presidente, Vera Salgado, listou à Justiça Eleitoral a posse de um terreno estimado em R$ 20 mil. O vice dela, Hertz Dias, também do PSTU, declarou ter um apartamento de R$ 100 mil.

A juíza da 14ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo Alessandra Barrea Laranjeiras determinou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Eduardo Tuma (PSDB), chefe da Casa Civil do governo Bruno Covas (PSDB), para obter dados referentes ao ano de 2012. Investigado por enriquecimento ilícito, o patrimônio de Tuma saltou de R$ 89 mil, em 2012, para R$ 2 milhões em 2016, segundo o Ministério Público.

Tuma já prestou esclarecimentos no Ministério Público Estadual. Ele diz ter recebido um empréstimo de seu pai no valor de R$ 920 mil antes de 2012, por meio do qual comprou um apartamento.

##RECOMENDA##

O tucano ainda disse que em 2013 recebeu um novo empréstimo do pai, de R$ 440 mil, cujo destino não foi especificado. O secretário é filho de Renato Tuma, que foi chefe da pasta de Administração na gestão do prefeito Celso Pitta, em 1998.

Segundo as investigações, na eleição de 2016, Eduardo Tuma ainda afirmou ter usado R$ 673 mil em recursos próprios para sua campanha. Para a Promotoria, considerando o salário de R$ 12 mil como vereador, em quatro anos ele teria ganhado R$ 576 mil.

O Ministério Público afirma ser "gritante" a evolução patrimonial do tucano no período considerando que não há indicações de que os valores sejam fruto de outras atividades econômicas.

As investigações sobre Tuma foram embasadas também em relatório do Conselho de Controle de Atividades Econômicas (Coaf), que identificou movimentações consideradas incompatíveis com seu patrimônio. Entre elas, diversos depósitos sem identificação da origem.

Ao determinar a abertura dos dados bancários do chefe da Casa Civil a juíza afirmou considerar "a quebra de sigilo bancário e fiscal, medida excepcional, entretanto, ao se recusar a apresentar a sua declaração de bens, o investigado reforça a suspeita de cometimento do ato de improbidade administrativa, concedendo azo ao deferimento da quebra do sigilo".

"Nesse ponto, o deferimento, ainda que parcial do pedido, é de rigor. Em relação ao investigado de Renato Tuma, não há nos autos informação de que tenha o Ministério Público tenha solicitado, no bojo do inquérito civil instaurado, as declarações de renda. Assim, forçoso concluir que por se tratar de medida drástica que sacrifica o direito individual em prol do interesse público, deve-se oportunizar, primeiramente, ao investigado, que presente espontaneamente as declarações, sem que haja a intervenção do Poder Judiciário, neste primeiro momento", anotou Alessandra Barrea Laranjeiras, da 14.ª Vara da Fazenda da Capital.

Defesa

Com a palavra, Eduardo Tuma:

"Minha evolução patrimonial desde 1.1.2013, data em que assumi o mandato de vereador, está plenamente comprovada como lícita em minha declaração de imposto de renda e movimentação bancária. Questionado, já apresentei ao Egrégio Ministério Público do Estado de São Paulo, espontaneamente, minhas declarações de imposto de renda e minha movimentação bancária desde o início de meu mandato de vereador. Inclusive, autorizei expressamente o acesso aos meus sigilos fiscal e bancário a partir de 2013. Como acontece na declaração de qualquer brasileiro, meu patrimônio em 31.12.2012 está regularmente declarado na declaração de imposto de renda do ano calendário 2013, entregue espontaneamente ao Egrégio Ministério Público do Estado de São Paulo. O ano de 2012 antecede meu mandato de vereador. Aguardo serenamente as apurações, pois nada tenho a dever."

Um turista brasileiro de 17 anos foi denunciado por ter gravado as iniciais de seu nome em uma parede interna do Coliseu de Roma, nesta segunda-feira (16).

O adolescente foi flagrado por policiais e responderá em liberdade por "dano agravado" ao patrimônio público. Ele tentara gravar suas iniciais no monumento mais visitado da Itália com uma pedra.

##RECOMENDA##

Também chamado de "Anfiteatro Flavio", o Coliseu começou a ser erguido sob o império de Vespasiano, em 72 d.C., mas foi concluído apenas oito anos depois, quando Roma era comandada por Tito.

A arena era usada para combates de gladiadores e espetáculos públicos, e estima-se que sua capacidade original era de 50 mil a 80 mil pessoas.

Da Ansa

A antiga estação de trens da Rua Doutor Torres Neves, no centro de Jundiaí, foi destruída por um incêndio na tarde desta segunda-feira (9). O fogo consumiu o madeiramento do telhado, janelas e parte de uma parede, que cedeu. A Guarda Municipal da cidade paulista afirma que, logo ao visualizar a fumaça por meio do monitoramento por câmeras, acionou o Corpo de Bombeiros.

A Prefeitura de Jundiaí, por meio da Unidade de Gestão de Cultura (UGC), afirma que o imóvel pertence ao Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit), órgão responsável pela conservação do local e vinculado ao Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil. A reportagem contatou o órgão e aguarda retorno sobre a situação do edifício.

##RECOMENDA##

A estação foi inaugurada em 1868 para atender à Estrada de Ferro Santos a Jundiaí, mas foi desativada após a construção de um novo terminal a 800 metros de distância do local, cuja construção foi iniciada em 1870.

A "Estaçãozinha", como era conhecida, atendia aos barões do café, fazendeiros e população que seguiam do centro de Jundiaí para o interior do Estado ou capital.

Nesta terça (19), o projeto Provocações Urbanas vai discutir a relação entre a arte de rua e o patrimônio histórico das cidades. O debate com o tema 'Como preservar sem criminalizar?', vai reunir membros da sociedade civil no INCITI, localizado no Bairro do Recife, às 19h.

O tema surgiu após a Polícia Federal ter deflagrado, no início deste mês de junho, a Operação Grapixo, que reacendeu o debate em torno da conservação de equipamentos tombados e educação patrimonial, bem como da atuação de grupos que dialogam com vertentes da arte urbana como o graffiti. O objetivo da roda de diálogo proposta é discutir as diversas perspectivas da arte e sua relação com a cidade.

##RECOMENDA##

Na roda, estarão Stilo Santos, grafiteiro e articulador social do coletivo Pão e Tinta; Cristiana Tejo, curadora e crítica de arte; Fernando Augusto Lima, chefe do escritório técnico do IPHAN em Olinda; Rebecca França, grafiteira e historiadora (Coletivo das Vadias); além dos pesquisadores do INCITI, Natan Nigro, Alex Oliveira, Renata Paes, e Lenne Ferreira, mediando o debate. 

Serviço

Provocações Urbanas - Patrimônio e Arte Urbana - Como presevrar sem criminializar?

Terça (19)  | 19h

INCITI (Rua do Bom Jesus, 191 - Bairro do Recife)

Gratuito

[@#relacionadas#@]

Documentos da Receita Federal, anexados em ação no Supremo Tribunal Federal (STF), mostram que o patrimônio declarado do senador Aécio Neves (PSDB-MG) triplicou entre 2014 e 2016. O avanço foi de R$ 2,5 milhões em 2015 para R$ 8 milhões em 2016. A informação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo Estadão/Broadcast.

De acordo com os documentos da Receita, Aécio vendeu para sua irmã, Andrea Neves, cotas da Rádio Arco Íris em outubro de 2016, pelo valor de R$ 6,6 milhões, em 48 parcelas. Nos documentos fiscais de Andrea, que também teve sigilo fiscal levantado por determinação do STF, está declarada a aquisição das cotas da rádio.

##RECOMENDA##

Nos documentos também é possível verificar que as cotas vendidas para Andrea por R$ 6,6 milhões foram compradas por Aécio de sua mãe, em 2012, pelo valor de R$ 700 mil.

A quebra de sigilo fiscal do tucano foi determinada em dezembro do ano passado pelo ministro Marco Aurélio Mello, do STF, por meio de ação cautelar que tramita junto de inquérito que investiga se Aécio teria pedido R$ 2 milhões a Joesley Batista, da JBS.

Em nota divulgada na manhã desta terça-feira, 13, a assessoria do senador afirmou que a informação divulgada sobre o "salto no patrimônio" é "falsa e absurda", afirmando que "não houve qualquer aumento no seu patrimônio", mas sim uma valorização.

O advogado de Aécio, Alberto Zacharias Toron, afirmou, também por meio de nota, que um exame "minucioso" do Imposto de Renda do senador "não aponta qualquer irregularidade". Segundo a defesa, a declaração das cotas da rádio seguiu as normas da legislação, e a venda por R$ 6,6 milhões foi feita com base no critério de valor de mercado. Toron também afirma que o pagamento das quotas ainda não foi integralmente quitado.

"A negociação das cotas da emissora em 2016 pelo valor de mercado demonstra o zelo do senador, uma vez que o levou ao pagamento de impostos muito mais altos. Se as cotas da empresa tivessem sido negociadas em 2016 pelo mesmo valor de 2010 (R$ 700 mil), poderia haver a interpretação de que a Receita Federal havia sido lesada numa negociação familiar, uma vez que, se vendesse suas cotas pelos mesmos R$ 700 mil reais, ele não recolheria nenhum imposto, pois sua mãe já havia recolhido ganho de capital", diz a defesa.

Batizada de “As Galerias”, a lanchonete fundada pelo imigrante cubano Fidélio Lago, está em atividade no bairro do Recife Antigo há 89 anos. Com uma freguesia fiel e a cada dia conquistando novos clientes, o estabelecimento hoje está localizado na Rua da Guia, 183, em esquina com a Praça do Arsenal. Mas o atual proprietário, Jorge Henrique dos Santos, neto de Fidélio, explica que o seu maior desejo é retornar ao primeiro endereço, onde tudo teve início, em 1928, “O desejo da empresa hoje em dia é se instalar naquele local, de onde nunca deveria ter saído”, contou. 

Todos os detalhes dessa história você confere no vídeo a seguir: 

##RECOMENDA##

[@#video#@]

A família Bolsonaro se posicionou sobre a matéria divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo que causou muita polêmica nesse domingo (7). A reportagem revela que o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) e seus três filhos Flávio, Eduardo e Carlos – respectivamente deputado estadual, deputado federal e vereador – são donos de 13 imóveis com um preço de mercado orçado em ao menos R$ 15 milhões. 

O primeiro a se manifestar por meio de suas redes sociais, Flávio Bolsonaro pediu para que fossem atrás dos corruptos. “O problema não é quem declara o patrimônio alcançado licitamente, mas sim quem esconde o seu em nome de laranjas ou em malas de dinheiro. Vão atrás dos corruptos, p...”, disparou. 

##RECOMENDA##

Já o vereador Carlos Bolsonaro falou que só “miram” em seu pai. "Eles estão se cagando cada dia mais e danem-se os outros candidatos envolvidos em escândalos que afundam o país. Só miram Bolsonaro, e o pior, requentando legalidades. A graninha não declarada deve compensar e os envolvidos nos escândalos devem estar cobrando ação ferrenha”. 

Por sua vez, o deputado Eduardo compartilhou uma parte de um documento do Ministério Público Federal no qual o então procurador-geral da República Rodrigo Janot arquivou, em 2015, denúncia contra as suspeitas sobre os bens de Jair. “Quem tem mais moral, o Ministério Público ou a Folha de S.Paulo? Nas palavras de Janot havia ausência de elementos indiciários mínimos que apontem para a prática de ilícitos penais do parlamentar”.

Ele pediu que as contas dos outros pré-candidatos fossem investigadas. “O negócio era tão fajuto que nem um processo foi aberto para averiguar - mas a Folha S.Paulo, isenta como sempre, jura que tem coisa aí. Agora aguardo a Folha de S.Paulo investigar a evolução patrimonial dos demais presidenciáveis, vai fazer esses R$ 15 milhões super inflados virarem troco de bala e com sérias suspeitas de ilícitos, aposto”, criticou.

Jair Bolsonaro não comentou o assunto, mas compartilhou no seu Facebook um vídeo antigo no qual também fala sobre o arquivamento da denúncia. De acordo com o parlamentar, não houve “indícios mínimos” que apontasse para qualquer ato delituoso. “A esses que tentam denegrir a minha imagem, não vão conseguir me colocar na vala comum dos demais que estão por aí”, avisou. 

Em meio à estagnação econômica e crise política, parlamentares ainda acham espaço para contemplar um prosaico sanduíche. Coronel Augusto (PR), deputado federal por São Paulo, quer elevar a patrimônio cultural o Bauru - combinação de pão, carne, queijo e tomate, criada em 1937 em um tradicional restaurante da capital paulista. A julgar pela importância de seu projeto, em uma escala de 0 a 10, o deputado daria nota "5, para o povo de Bauru", e "0", por exemplo, aos olhos de um paulistano, para quem a lei federal, se aprovada, "não é relevante".

O deputado explica que existe uma categoria de patrimônio cultural voltada só aos tradicionais pratos do país, que abarca, por exemplo, a feijoada e o queijo minas. "O Bauru é conhecido internacionalmente. É um orgulho para os bauruenses. temos uma festa viva Bauru. 100 mil pessoas que passam por aqui anualmente para comparecer e atende a 15 entidades filantrópicas do município".

##RECOMENDA##

O parlamentar alega que o projeto ajuda a "projetar a cidade nacionalmente" e estimular a economia da cidade. "Depois, possibilidade de captar recursos junto ao Ministério do Turismo e ministério de Cultura para fazer outros eventos. Com a declaração de patrimônio cultural isso ajuda a obter apoio do Ministério da Cultura".

De 0 a 10, em uma escala de importância da proposição, Coronel Augusto põe seu projeto no meio do caminho. "depende do ponto de vista. Para a cidade do bauru, uma prioridade 5". "Mas na mesma semana de Bauru, apresentei 21 projetos na área de segurança, incluindo agravamento de quem pratica crime de aborto. Atuo mais na área de segurança", justifica.

Na justificativa do projeto de lei, o deputado conta a história do lanche, inventado dentro do Ponto Chic, fundado em 22 de março de 1922.

O dono da receita, Casimiro Pinto Neto, era conhecido como "Bauru" entre seus colegas na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo de São Francisco.

Diz a história que foi em 1936 que, atrasado para um jogo de sinuca, ele pediu para um funcionário da casa montar o sanduíche pela primeira vez. "Era um dia que eu estava com muita fome. Cheguei para o sanduicheiro Carlos e falei para abrir um pão francês, tirar o miolo e botar um pouco de queijo derretido dentro. Depois disso o Carlos já ia fechando o pão eu falei: "calma, falta um pouco de albumina e proteína nisso".

Eu tinha lido em um opúsculo livreto de alimentação para crianças, da Secretaria de Educação e Saúde, escrito pelo ex-prefeito Wladimir de Toledo Pisa, também frequentador do Ponto Chic, que a carne era rica nesses dois elementos. Então, falei para botar umas fatias de rosbife junto com o queijo. E já ia fechando de novo quando eu tornei a falar: falta vitamina, bota aí umas fatias de tomate. Este é o verdadeiro Bauru", disse Casemiro em depoimento publicado enquanto vivo. Ele morreu em dezembro de 1983, aos 69 anos", consta em depoimento do próprio Casimiro juntado à Justificativa do projeto de lei.

Investir o valor que seria usado na entrada para a compra de um imóvel e morar de aluguel pode, no longo prazo, ser um bom negócio. Uma simulação feita, a pedido do Estado, pelo Guia Bolso revela que quem optar por esse caminho pode dobrar o patrimônio num período de 15 anos.

Na simulação, foi considerado um imóvel de R$ 300 mil. Se o interessado em comprá-lo tiver, por exemplo, R$ 150 mil para dar de entrada e estiver disposto a assumir um financiamento de 15 anos, com parcelas que começariam em R$ 2.183 e terminariam em R$ 841 mensais, ao final desse período, o comprador desse imóvel teria um patrimônio de R$ 302 mil, isto é o equivalente ao próprio valor imóvel. A simulação não considera, porém, a valorização do imóvel nesse período.

##RECOMENDA##

A outra alternativa seria o investidor optar por morar de aluguel. Neste caso, a simulação considerou o valor mensal da locação de R$ 1.500. Se o investidor colocasse a diferença entre o que desembolsaria pela parcela do financiamento (R$ 2.183) e a despesa com o aluguel (R$1.500) numa aplicação que pagasse o equivalente a 100% da taxa do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), o seu patrimônio acumulado após 15 anos, seria o dobro do valor do imóvel, mais de R$ 658 mil.

"Se for muito importante para a pessoa adquirir uma residência própria e ela tiver disciplina para guardar, o recomendado é poupar e postergar a compra", afirma o sócio do aplicativo de finanças pessoais Guia Bolso e responsável pela simulação, Thiago Alvarez.

Juntar primeiro o dinheiro para depois comprar o próprio imóvel foi a estratégia adotada pela analista financeira Ana Paula Ramos, de 26 anos. Ainda na adolescência, ela decidiu que gostaria de morar sozinha quando estivesse na universidade. Assim, a jovem começou a poupar aos 15 anos e, a partir dos 18 anos, Ana Paula conseguiu um emprego em tempo integral e passou a poupar de 30% a 50% da renda mensal.

Depois de sete anos juntando dinheiro, a analista deu entrada em um apartamento com 30% do valor total e financiou o restante. Para os especialistas, o ideal é ter de 50% a 70% do valor do imóvel em mãos, para não pagar uma quantia muito expressiva de juros.

"O meu financiamento vai até 2026, mas como posso abater o valor com o saldo do FGTS de dois em dois anos, devo acabar antes disso", afirma Ana Paula. Para ela, esperar mais tempo para comprar o próprio imóvel não era uma opção e ela não teria aplicado o dinheiro guardado.

Contramão

Apesar de ser mais interessante primeiro fazer uma poupança para assim reduzir a parcela financiada na compra do imóvel, Alvarez, do Guia Bolso, observa que algumas pessoas optam por financiar grande parte do valor porque não conseguem fazer uma poupança prévia. "Nesses casos, vale a pena porque, do contrário, dali dez anos, essa pessoa terá destinado o dinheiro a outras despesas, já que não tinha o compromisso com as parcelas", argumenta.

Esse é o caso do analista de controle de qualidade André Olívio, de 27 anos, que decidiu comprar um apartamento logo depois de terminar o financiamento de um carro. Embora o ele consiga guardar uma parte considerável da renda, prefere assumir o compromisso do financiamento de um imóvel. Além de julgar ser um ativo seguro e com bom retorno. "Alguns colegas compraram imóveis e em quatro anos o valor dobrou. Então eu comecei a procurar uma boa opção e dei 20% de entrada, para financiar o restante."

Despesas

Para quem não precisa adquirir um imóvel para morar, mas ainda assim prefere investir no ativo, os especialistas afirmam que a falta de planejamento financeiro para o período posterior à aquisição do imóvel pode ser tornar um problema, já que a pessoa passa a assumir compromissos com IPTU e condomínio. Caso demore para alugar o imóvel, é preciso estar preparado para arcar com essas despesas fixas.

A profissional de marketing Ieska Tubaldini, de 27 anos, planeja, por exemplo, comprar um imóvel em dois anos para obter rendimentos com o aluguel. "Uma casa me dará uma sensação de segurança que nenhum outro tipo ele investimento daria", diz. Alexandre Prado, professor do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), orienta os interessados em acumular patrimônio que diversifiquem os investimentos. "Para ter uma boa rentabilidade e diluir riscos, o ideal é ter de 30% a 40% do investimento em imóveis", recomenda o professor do Creci.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Arqueólogos e defensores do patrimônio do enclave palestino da Faixa de Gaza conseguiram frear a destruição de um assentamento de 5.000 anos de antiguidade, mas o futuro deste testemunho excepcional do passado é incerto.

Tell es-Sakan é um local único, afirma o arqueólogo palestino Moain Sadeq, "talvez a única cidade cananeia fortificada do sul da Palestina", ocupada sem interrupção desde 3.200 a 2.000 antes de Cristo.

Desde a sua descoberta acidental em 1998, as escavadeiras deixaram marcas nos perímetros de Tell, uma colina criada artificialmente pelas ocupações humanas sucessivas, que se remontam à Idade do Bronze.

Há algumas semanas, máquinas destruíram boa parte das escavações realizadas entre 1999 e 2000 por Sadeq e seu colega francês Pierre de Miroschedji. O objetivo: construir moradias destinadas aos funcionários do território governado pelo movimento islamita Hamas.

As obras pararam graças à mobilização de arqueólogos, professores universitários e de simples amantes de um patrimônio devastado pelas guerras, pressão demográfica e pela indiferença. Mas por quanto tempo? Essa é o questionamento em um território castigado por guerras, pobreza e pelo bloqueio de Israel e Egito.

Essa é a terceira vez desde 1998 que destroem o local, conta Sadeq, professor da Universidade do Catar. A primeira serviu ao menos para revelar a existência da jazida arqueológica. Quando as escavadeiras começaram a demolir a torre de casas em 1998, os arqueólogos localizaram vestígios antigos e pararam as obras.

Mas os arqueólogos fugiram com a segunda intifada (2000-2005) e as explorações ficaram paralisadas. Tell es-Sakan, de 300 metros de diâmetro, não chama a atenção ao profano em meio a uma paisagem de dunas. Mas a areia esconde "uma jazida muito importante, imponente, com (vestígios de) fortificações, de casas. É uma cidade e não uma pequena cidade", afirma Sadeq.

Estrategicamente situada na via comercial costeira que une Egito e a antiga região de Canaã, e, mais além, Síria e Mesopotâmia, foi testemunha de uma época em que as cidades se desenvolveram.

Os vestígios mais antigos, os restos das casas de barro, a cerâmica e os fragmentos de badulaques revelam as relações estreitas com o Egito 1.000 anos antes da construção das pirâmides.

Habitantes se mobilizam

Os próprios moradores têm um vínculo especial com Tell es-Sakan. Vão ao local às sextas-feiras, dia de descanso semanal. As crianças brincam na areia, os jovens praticam motocross. Eles têm uma vaga ideia do que esse espaço significa, embora nenhum cartaz os recorde.

Eles mesmos deram o sinal de alarme quando as pás mecânicas voltaram recentemente, afirma Jean-Baptiste Humbert, diretor do laboratório de arqueologia da Escola Bíblica francesa de Jerusalém. O fizeram nas redes sociais e os especialistas reagiram.

Olhando as fotografias, Sadeq considera que os danos são "muito, muito importantes". "As estruturas das casas antigas, partes dos muros foram destruídos. O desmonte levou o mobiliário", sem que se saiba para onde, disse.

Humbert, que colaborou com a paralisação das obras no fim dos anos 1990, compareceu ao local no âmbito de uma missão apoiada pela França.

Sua avaliação e mobilização deram resultado: as autoridades promotoras do programa imobiliário aceitaram pará-lo, contou à AFP Jamal Abu Rida, responsável dos serviços arqueológicos de Gaza. Os terrenos são propriedade da autoridade arqueológica e "ninguém tem o direito de se livrar deles", afirmou.

'Caçadores de borboletas'

O conflito de interesses entre arqueólogos e agentes imobiliários é frequente. "Quando estamos na jazida, nós, os arqueólogos, somos como caçadores de borboletas: 'que local extraordinário, 3.300 anos antes de Cristo, de influência egípcia'. E as autoridades de Gaza nos olham e dizem: 'vocês sabiam que desde a guerra de 2014 ainda há milhares de pessoas para serem realojadas? O que é mais importante?'", resume Humbert.

O Hamas é acusado de não cuidar do passado e do patrimônio, em particular quando não é islâmico. "Há uma crise de moradia (...) 2,05 milhões de pessoas em Gaza", acrescenta Amal Shmalee, porta-voz da autoridade que lançou as recentes obras. Por enquanto em Tell es-Sakan estão paralisadas, mas "não estou certo de que dure", afirma Sadeq, preocupado.

Localizada no bairro do Espinheiro, a casa onde morou o compositor Lourenço da Fonseca Barbosa, o Capiba, abriga um grande acervo do artista. Na última semana, um vídeo circulou nas redes sociais e mostrou que o espaço estaria à venda. Após um grande apelo da sociedade civil, a Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE) acatou o pedido para tombamento da residência.

A Fundação de Cultura do Estado fará um levantamento histórico e cultural do espaço. A presidente do órgão, Márcia Souto, ressalta a importância e valor imaterial do imóvel. “O imóvel servirá para salvaguardar a memória artística pernambucana, através da arte deste ícone da nossa cultura, Capiba”, afirma.

##RECOMENDA##

O levantamento feito pela fundação será encaminhado para o Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural, que emitirá o parecer definitivo sobre o tombamento. Atualmente, a residência está em processo de desapropriação pelo Governo de Pernambuco

Fundado pelo aviador e inventor Alberto Santos Dumont em setembro de 1907, o Automóvel Clube do Brasil chega aos 110 anos com desafios. O principal é recuperar o histórico prédio, sede da instituição ao longo de quase todo o século 20 e desde 2004 sob posse da prefeitura do Rio.

O suntuoso casarão no centro carioca foi inaugurado em 1860, com um baile que contou com a presença do imperador d. Pedro II. Era casa do barão de Barbacena. Projetado pelo arquiteto Manuel José de Araújo Porto-Alegre, tornou-se sede do Automóvel Clube em 1908. Nas décadas seguintes acolheu grandes bailes e discursos históricos - como o último do então presidente João Goulart, pouco tempo antes de os militares tomarem o País.

##RECOMENDA##

Após ser ocupado por um bingo - fechado em 2003 - o prédio, tombado pelo patrimônio histórico, foi adquirido pela prefeitura. Foram aventados vários projetos: de museu do samba a clube de jazz. Nada saiu do papel e o prédio se deteriorou. Pichações e rachaduras podem ser vistas da rua.

Dentro, conforme testemunhas ouvidas pela reportagem, é pior: parte do assoalho foi arrancada, há paredes sem reboco e vidros quebrados.

Em 2016, a prefeitura decidiu abrir chamamento público em busca de interessados em assumir, mediante concessão, o imóvel. O Automóvel Clube, instituição que foi reorganizada nos últimos 20 anos, foi o único interessado. "Apresentamos um projeto de recuperação, com patrocinadores da indústria automobilística, de R$ 30 milhões", afirma o empresário Ariel Gusmão, presidente do clube.

Pelo projeto, seria necessário um ano para resolver os problemas estruturais e, em seguida, quatro para implementar um museu do automobilismo no casarão. "Nele, estariam instalados originais ou réplicas dos principais veículos que já venceram provas automobilísticas no País ou pelo País." Ele também quer instalar ali uma faculdade de Engenharia e Design Automotivo e uma orquestra. À reportagem, o governo carioca disse que a concorrência pública para escolher o projeto de recuperação ainda não foi aberta.

Comemorações

Nos próximos 12 meses, Gusmão e a equipe ainda pretendem realizar eventos. "Gostaríamos, por exemplo, de promover uma prova automobilística com carros antigos no Autódromo de Interlagos, se possível no aniversário de São Paulo, em 25 de janeiro." Também prevê uma exposição, ainda sem local ou data, com 110 veículos - um representando cada ano de 1907 até agora. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Olinda ostenta vários títulos, entre eles o de Patrimônio Cultural da Humanidade, 1ª Capital Brasileira da Cultura e também o de 'cidade-dormitório'. Este último, conferido pelo julgamento popular, parece estar sobrepondo-se aos demais em virtude de medidas do poder público que visam ordenar o Sítio Histórico do município. Proibições de funcionamento de bares e uma regulamentação para apresentações artísticas têm implementado uma nova cultura às ruas da cidade alta, antes abundantes em gente, música e boemia: a cultura do 'não pode'.

Como se não bastassem os diversos equipamentos culturais olindenses fechados, ou esperando por reformas há anos, agora, a aplicação de leis como a 4849/92 (Lei de Uso e Ocupação do Solo de Olinda), tem sido feita com mais rigor, retirando as mesas e cadeiras de bares que as colocavam na calçada e proibindo a música ao vivo no Sítio Histórico. As medidas encontram apoio em alguns moradores, que reclamam o sossego em suas residências, mas despertam a preocupação em outros, que temem pela morte da vida boêmia e cultural da cidade. As duas maiores vocações de Olinda - sua cultura viva e sua ocupação predominantemente residencial - estão em rota de colisão. 

##RECOMENDA##

[@#galeria#@]

A aposentada Maria Alice dos Anjos vive no Sítio Histórico há 45 anos e apoia o ordenamento. Ela diz não ser "contra os bares" mas, sim, "contra a perturbação" e acredita que o público frequentador de Olinda não entende os limites de uma área residencial: "A história é que aqui 'pode tudo'. O povo acha que tem que ter bagunça". Alice acredita também que falta no poder público um posicionamento mais específico para tratar as questões locais: "O que falta é a gestão sentar com as pessoas pensantes desta cidade e trazer benefícios reais para ela".

Alice foi uma das pessoas contrárias ao projeto Viva Olinda, proposto por artistas e empreendedores locais como resposta ao cada vez maior esvaziamento da cidade. O evento fecharia a Rua do Amparo, aos sábados, para a realização de diversas atividades culturais. Diante da recusa de um grupo de moradores, a proposta foi discutida pela SODECA (Sociedade em Defesa da Cidade Alta), grupo formado por moradores do Sítio Histórico. Edmilson Cordeiro, conselheiro da SODECA, diz que é preciso haver um meio termo entre as diferentes opiniões sobre a movimentação cultural em Olinda, mas reconhece que "existem abusos".

Edmilson revelou que, em alternativa ao Viva Olinda, a prefeitura municipal se propôs a retomar o Arte em Toda Parte, evento realizado por mais de dez anos em que os ateliês abriam suas portas e eram realizadas exposições e diversas atividades culturais em todo a cidade alta. A condição é que sua execução respeite "as condições de mobilidade em todo o Sítio Histórico, bem como a preservação do sossego e qualidade de vida de todos que nele habitam". O projeto ainda não tem data definida para acontecer.

Vocação ameaçada

Uma das vocações mais naturais do Sítio Histórico de Olinda, a de berço da cultura, se vê ameaçada perante tantas regulações. A proibição dos ensaios do sanfoneiro Benedito da Macuca - mestre da cultura popular nordestina com 56 anos de carreira - na calçada de sua própria residência, na Rua do Amparo, é prova disso. Há 18 anos, Seu Benedito tocava sua sanfona, todas as quintas, sentado à sua porta, para ensaiar o seu ofício. Acabava acompanhado de maneira espontânea por outros músicos e por um público que não conseguia resistir à beleza do momento. Nem ao balanço do forró. Mas ele também foi impedido de tocar sua sanfona, segundo uma notificação da Prefeitura, tendo sido, inclusive, ameaçado de ter seu instrumento de trabalho apreendido.

"A gente sempre tocou aqui, com a rua cheia, e nunca teve essa proibição tão drástica assim", lamenta Anísia Gomes, esposa e produtora do músico. Ela explica não haver outro lugar para os ensaios de Benedito e reclama do tratamento dispensado pelo fiscal: "Ele não estava falando com um maloqueiro, Benedito é reconhecido como mestre da cultura nordestina", desabafa. "Eu acho que cultura popular é cultura de rua. Se eu fosse um governante eu apoiaria e daria o incentivo. Tem que ver qual é o tipo de cultura que Olinda merece. Vamos deixar Olinda perder o título de Capital da Cultura para virar esse cemitério?", complementa a produtora.

Na terça (29), a proibição à sanfona de Seu Benedito da Macuca foi retirada, porém, tamanho o estresse da situação, o mestre acabou tendo problemas de saúde. Após um infarto, ele se diz não estar em condições de voltar a tocar: "Hoje eu não tô bem. Fico de madrugada ali em cima, sono não tenho, acabou. Vou começar a cantar, devagarzinho pra não perturbar ninguém, quando chega, esqueci a letra da música." Ele conta das viagens que já fez espalhando o nome do seu Estado e sua cultura pelo Brasil afora: "Em 1980 eu já tava espalhado. Naquela época eu tinha raiva e não infartava", brinca.

Sítio Histórico X dormitório

As opiniões se dividem entre os que residem no Sítio Histórico, ou ainda que têm raízes nele. É o caso do arquiteto e urbanista Natan Nigro. Nascido e criado no lugar, ele ainda possui familiares residentes na Cidade Alta. Natan é a favor da limitação de horários para a música: "Sou a favor de limites sim, pois vivemos em uma área predominantemente residencial e não impor limites de horário para estabelecimentos que podem trazer algum grau de perturbação na vizinhança pode provocar os conflitos, exatamente o que estamos observando em em Olinda hoje". Mas observa: "Nós temos também uma legislação, ao meu ver, ultrapassada e que não corresponde às demandas  e anseios da sociedade hoje. Ela, do ponto de vista da preservação é interessante e eficiente, porém para a vida na cidade, sua cultura e suas especificidades, essa lei hoje é um agente delimitador para a cidade."

Já o artista plástico Raoni Assis, também nascido e criado em Olinda, morador e ex-proprietário da Casa do Cachorro Preto - fechada no último mês de junho a mando da Prefeitura por conta da execução de música ao vivo - diz ter lembranças de uma Olinda bastante diferente da atual: "Olinda pra mim sempre teve essa cara boêmia. Meus pais sempre gostaram de sair na noite. Sempre teve essa movimentação noturna. É uma característica da cidade. Acho estranho pensar numa Olinda sem as cadeiras nas calçadas e sem os noctâmbulos. Não sei de onde tiraram essa ideia da ‘paz dos mosteiros da Índia’. Mas não é o que eu tenho na memória".  

Nota oficial

Procurada pelo LeiaJá, a Prefeitura de Olinda se manifestou através de uma nota enviada por sua assessoria. O órgão não foi claro quanto ao questionamento colocado sobre como pretendia realizar a manutenção do Sítio Histórico para que este não corresse o risco de ter sua cultura de rua extinta, mas afirmou que "a atual gestão tem se debruçado com muito empenho na valorização da cultura da cidade. A propósito, reuniões estão sendo realizadas pela prefeitura com todos os segmentos que compõem o Sítio Histórico para dialogar, de forma democrática, sobre o uso e ocupação do solo dentro dos preceitos embasados na harmoniosa convivência entre o poder público e a sociedade. A legislação sobre o tema também está sendo atualizada, de modo a ocorrer uma necessária flexibilização."

Leia a íntegra da nota enviada pela Prefeitura de Olinda:

"Em relação ao texto que circula nas redes sociais acerca da interdição de alguns estabelecimentos comerciais no Sítio Histórico, no último fim de semana, esclarecemos que a Prefeitura de Olinda não teve qualquer participação na decisão. A medida foi adotada pelo Corpo de Bombeiros Militar, uma vez que os pontos comerciais não apresentaram o Atestado de Regularidade (AR), que é expedido pelo referido órgão para funcionamento.

Ressaltamos que o Governo Municipal já está iniciando um diálogo com o comando do Corpo de Bombeiros Militar para tratar do assunto, no sentido de avaliar prazos para que cada ponto comercial possa ter um tempo necessário para se enquadrar às normas legais e de segurança para clientela.  Aproveitamos para informar que a atual gestão tem se debruçado com muito empenho na valorização da cultura da cidade.  A propósito, reuniões estão sendo realizadas pela prefeitura com todos os segmentos que compõem o Sítio Histórico para dialogar, de forma democrática, sobre o uso e ocupação do solo dentro dos preceitos embasados na harmoniosa convivência entre o poder público e a sociedade. A legislação sobre o tema também está sendo atualizada, de modo a ocorrer uma necessária flexibilização.

Num claro sinal de preocupação com as manifestações culturais, a prefeitura realizou o maior e melhor Carnaval dos últimos tempos. O evento foi descentralizado - beneficiando também a população de diversos bairros-, valorizando todos os ritmos locais, como: coco, maracatu, caboclinho, samba, além do tradicional frevo. Uma Base Comunitária Móvel de Videomonitoramento operada pela Guarda Municipal foi ativada desde as prévias para prevenir à ocorrência de distúrbios nas ladeiras da cidade e permaneceu durante os festejos carnavalescos, interagindo com a Polícia Militar. Entre os dias 18 de julho e 03 de agosto, equipes da Secretaria Municipal de Patrimônio e Cultura (Sepac) realizaram escutas e pesquisa de opinião em seis comunidades do município a fim de levantar propostas para o Carnaval de 2018.  

O Conselho Municipal de Cultura elegeu uma nova diretoria, equipamentos culturais passam por manutenção, o Museu do Mamulengo foi devolvido à população, entre outras providências.  A 38ª celebração das Águas de Oxalá, que marca a união do candomblé com o catolicismo, foi um evento que merece registro, sobretudo, pelo clima de paz estabelecido na lavagem das ruas da cidade alta."

[@#relacionadas#@]

Páginas

Leianas redes sociaisAcompanhe-nos!

Facebook

Carregando