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A ocupação dos prédios de escritórios deve aumentar em 2024, de acordo com consultorias imobiliárias. Muitas empresas estão demandando áreas adicionais para suas sedes, seja porque fizeram mais contratações nos últimos meses ou porque estão cortando os dias de home office dos funcionários.

Segundo a CBRE, 90% dos prédios de escritórios tinham fluxo de pessoas acima de 50% da capacidade do local em 2023, enquanto em 2022 eram apenas 69% dos imóveis nessa situação. "Esse aumento recente na ocupação dos escritórios é bastante significativo e tende a continuar porque existe uma demanda reprimida por espaço", afirmou o vice-presidente da CBRE, Adriano Sartori.

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Ele apontou que há casos de empresas optando por manter o home office porque não têm onde acomodar todos os funcionários que foram contratados mais recentemente. Na outra ponta estão as companhias que pretendem reduzir o home office porque sentiram perda de produtividade ou de engajamento com os funcionários remotos. "A grande maioria dos CEOs com quem conversamos diz que prefere o expediente presencial full", disse Sartori.

A opinião é compartilhada pelo sócio-diretor da consultoria Binswanger, Marcio Kawashima. "Ao longo do segundo semestre de 2023, a demanda por escritórios aumentou bastante porque os funcionários estão passando menos dias em casa. A frequência no trabalho presencial tem aumentado", disse.

Isso não quer dizer que o trabalho híbrido vai acabar, ponderou Kawashima, mas a previsão é que os dias de expediente em casa serão reduzidos. "São muitos os casos de empresas que avaliam ter perdido capacidade de interação com o home office e que isso tem representado menos produtividade e inovação", contou. "O modelo híbrido vai permanecer, mas em modelo reduzido, de um ou dois dias na semana", estimou.

Itaú Unibanco revê política de home office

O Itaú Unibanco - maior banco da América Latina - anunciou no segundo semestre de 2023 uma nova diretriz que estabelece um mínimo de dias presenciais para as suas equipes e que será implementada em duas fases: 4 dias por mês desde setembro e 8 dias por mês a partir de fevereiro.

"O objetivo é promover um ambiente de trabalho produtivo, flexível e acolhedor, aproveitando o melhor dos dois mundos: a praticidade, a autonomia e o foco do home office aliados às oportunidades de interação com o time no presencial", disse a diretora de Recursos Humanos do Itaú Unibanco, Tatyana Montenegro. "A mudança também fortalecerá nossa cultura, integração de novos colaboradores e colaboração entre os times e áreas parceiras", completou.

Dos 85 mil funcionários da instituição financeira, 42% atuam o tempo todo no presencial, com atendimento ao público ou funções que dependem de apoio físico dos escritórios ou agências. Os outros 58% estão no modelo híbrido, seja com uma escala pré-definida ou com a obrigação de comparecer um mínimo de dias aos escritórios.

Para abrigar todas as equipes, o banco inaugurou recentemente a sexta torre do Centro Empresarial, na zona Sul de São Paulo. O novo edifício foi batizado de Torre Jabaquara e tem 19 andares, sendo que 11 deles são para áreas de trabalho.

Reaquecimento em vigor

O mercado de escritórios já mostrou um aquecimento importante no terceiro trimestre, de acordo com as pesquisas mais recentes. O saldo entre áreas alugadas e devolvidas (a chamada absorção líquida, no jargão do mercado) foi de 51 mil m² no terceiro trimestre de 2023, , de acordo com pesquisa da consultoria imobiliária JLL.

O número equivale a sete campos de futebol e representa o maior nível de atividade desde a chegada da pandemia, no início de 2020. No acumulado do ano, a absorção líquida foi de 64 mil m². Isso mostra que o ano começou com poucos negócios, refletindo as preocupações de empresários com a troca de governo, mas passou por um reaquecimento nos meses mais recentes.

A tendência guarda suas particularidades. A maior ocupação dos escritórios está sendo observada principalmente por empresas do setor financeiro e de serviços. Já no segmento de tecnologia, o home office é mais popular.

Segundo a JLL, o setor financeiro respondeu por 42% da área alugada nos edifícios paulistanos no terceiro trimestre. Por exemplo: a HDI Seguros fechou contrato por uma área de 2,7 mil m² no prédio Ceab, na Barra Funda; e a XP Investimentos ficou com mais 2,3 mil m² no São Paulo Corporate Towers, onde já estava presente. A XP é uma das empresas que devolveu áreas locadas depois que a pandemia começou, mas voltou a requerer espaços nos últimos meses. Procura, a XP não concedeu entrevista.

Construtoras e incorporadoras admitem que o mercado para venda de studios pode ser mais difícil em regiões da cidade de São Paulo mais distantes de linhas de metrô, faculdades, hospitais e outros polos de atração de público para moradia e ressaltam que a legislação turbinou os lançamentos.

Nos últimos cinco anos, até setembro de 2022, foram lançadas 60.796 unidades de studios com até 30 metros quadrados na capital, com 46.423 vendidas, segundo o Secovi.

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Entre 2018 e 2022, de janeiro setembro de cada ano, os lançamentos de studios somaram 35.757 unidades, enquanto as vendas totalizaram 32.821 unidades. "Percebemos que o que foi lançado foi vendido", diz Ely Wertheim, presidente executivo do Secovi-SP. Mas ele admite que, dependendo localização, nem todo empreendimento vai ter o mesmo desempenho de vendas.

O executivo atribui o aumento da oferta de studios ao "equívoco" do Plano Diretor. A legislação restringiu uma vaga de garagem por unidade em empreendimentos próximos a estações de trem, metrô e corredores de ônibus.

Com isso, as incorporadoras passaram a incluir studios sem garagem nos projetos para conseguir oferecer uma vaga a mais para os apartamentos maiores. Outro benefício dado aos empreendedores por ter studios no projeto é o fato de este tipo de imóvel não ser considerado pela legislação como área construída, o que permite melhor aproveitamento do terreno.

O resultado de tantos estímulos foi o aumento de lançamentos. Em 2016, os studios respondiam 12% do total lançado. Neste ano, a fatia subiu para mais de um terço (34%) dos novos produtos, aponta levantamento da DataZAP+.

"Chegamos a essa mega oferta de compactos porque o Plano Diretor induziu as construtoras a fazer studios", afirma o vice-presidente de operações da construtora Mitre, Rodrigo Cagali.

Localização

O foco da empresa sempre foi apartamentos maiores. Mas, por conta dos benefícios, foram incluídos os compactos nos projetos. Dos R$ 4 bilhões de Valor Geral de Vendas (VGV) lançados em 2020, 2021 e 2022, 20% são imóveis compactos. "É bastante coisa, mas estamos bem vendidos e não temos dor de cabeça."

Cagali diz que o bom desempenho está atrelado também à localização. Ele está preocupado com o risco de uma grande oferta, pois outras empresas lançaram studios em regiões sem vocação para esse imóvel.

Tellio Totaro Jr., superintendente de Incorporação da EZtec, concorda. No entanto, acredita que num horizonte próximo há mercado satisfatório para lançamentos de imóveis compactos. "Continuamos com bom volume de vendas e não temos sentido queda na demanda", diz Totaro Jr. Nos últimos três anos, a empresa lançou 1,6 mil studios e já vendeu 60% deles.

"Hoje não sinto uma superoferta de compactos porque muitos empreendimentos não foram entregues", diz o diretor de vendas da Cyrela, Orlando Pereira. Em sua opinião, há risco de ter uma superoferta nos próximos dois anos.

No momento, ele diz que a sua empresa está na "contramão do mercado". Neste ano, vendeu 1,7 mil studios de quase 2 mil lançados no Brooklin, Moema, Perdizes e Jardins.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Começaram a aparecer na capital paulista os primeiros sinais de descompasso entre a oferta e a demanda para venda e locação de studios e apartamentos compactos na cidade de São Paulo. Esse movimento trouxe à tona a discussão se estaria se repetindo hoje o "boom" que houve no passado com flats e salas comerciais, que frustrou investidores.

Levantamento feito pelo Zap+, a pedido do jornal O Estado de S. Paulo, mostra que entre o primeiro trimestre de 2019, antes da pandemia, e o terceiro trimestre deste ano, a procura para compra de apartamento do tipo estúdio, de até 30 m², e com um dormitório, de até 50 m², caiu 52%, enquanto a oferta cresceu 55%.

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A base de dados foi anúncios e buscas pelos imóveis nos três portais da empresa - ZAP Imóveis, Viva Real e OLX Brasil.

"Está muito mais difícil vender esse tipo de imóvel", afirma a economista da DataZap+ e responsável pelo estudo, Larissa Gonçalves.

Em suas contas, a liquidez na compra e venda de compactos caiu 83% entre janeiro de 2019 e setembro deste ano e está no nível mais baixo do período em análise. A liquidez leva em conta a relação entre a demanda e a oferta registrada nos portais, desconsiderando anúncios repetidos.

Para impulsionar as vendas, já há construtoras que correram para fechar parcerias com empresas especializadas em locação desses studios por temporada. Um ano e meio atrás, a Mitre, por exemplo, se antecipou aos concorrentes e fechou acordo com a Atlântica Hotéis.

Foi a forma de sinalizar rentabilidade atraente aos investidores - a maior fatia de compradores desse tipo de imóvel - para concorrer com o juro, que hoje é de 13,75% ao ano.

Também há incorporadoras, como a Cyrela, que avaliam a possibilidade de retirar studios de novos projetos para evitar risco de mega oferta.

Locação

O levantamento aponta também que há dificuldade para alugar esses imóveis, mas no passado a situação foi pior.

No auge da pandemia e do home office, quando os paulistanos procuravam mais espaço para morar e até migraram para o interior, a locação de compactos ficou quase parada. Entre o terceiro trimestre de 2021 e primeiro deste ano, a liquidez caiu 84% em relação a janeiro de 2019.

Mas a partir de abril deste ano, iniciou-se uma recuperação e a relação entre demanda e a oferta de locação fechou setembro com recuo de 70% ante janeiro de 2019.

"No momento, já existe uma tendência um pouco mais positiva para locação", diz Larissa.

A reação pode ser efeito do redirecionamento dos compactos para o aluguel de temporada ou uso pelo próprio do dono.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A pandemia do coronavírus (Covid-19) prejudicou diversos setores comerciais, e o mercado imobiliário também sentiu o impacto da crise sanitária, que está prestes a completar um ano. No início de 2020, muitos economistas apontavam o crescimento na venda de residências no Brasil, mas o surto do novo vírus fez com 86% dos clientes adiasse os planos de comprar ou alugar uma casa, como aponta a pesquisa do grupo Grupo Zap Viva Real, que entrevistou mais de 3 mil pessoas em regiões metropolitanas.

Para lidar com a crise, a empresa imobiliária Bossa Nova Sotheby’s International Realty investiu em ferramentas tecnológicas que possibilitou aos colaboradores acessar o sistema de informação dos clientes e produtos de qualquer lugar. "Antes da pandemia, já trabalhávamos com a assinatura digital de contratos, e isso já nos permitiu ter mais um facilitador na hora de fechar os negócios", comenta o CEO da companhia, Marcello Romero, 43 anos, de São Paulo.

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A empresa também concentrou o marketing nas plataformas digitais, com vídeos, e tours virtuais dos imóveis, pois, desta maneira, o catálogo fica visível e livra os clientes do risco de contaminação. Além disso, para lidar com o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), a companhia precisou realizar negociações entre locador e locatário para estabelecer um valor que seja viável para ambas as partes. "Temos auxiliado nossos clientes, principalmente nos imóveis onde temos administração da locação, visto que, na medida que chega o período de renovação, essa conversa vem à tona para que a negociação seja feita", destaca Romero.

Em 2021, a taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), que são os juros básicos da economia, foi mantida em 2% pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). O valor é o mais baixo dos últimos 20 anos. De acordo com o economista e gestor imobiliário Ricardo Paulo, isso possibilita aos bancos oferecerem taxas baixas nos financiamentos de casas e apartamentos. "Isso também auxilia as construtoras nos empreendimentos, já que as taxas são mais acessíveis para a população de alta e baixa renda", indica.

Segundo o economista, o baixo valor da taxa Selic também contribui para que investidores internacionais cheguem ao Brasil. Outro ponto, é que os construtores e as imobiliárias realizam promoções constantes para reduzir o estoque de imóveis, que foi acumulado nos anos anteriores. "Este ano será muito bom para a venda e compra de imóveis, principalmente para investidores, que poderão adquiri-los para colocarem em locação", prevê Paulo.

O gestor imobiliário alerta que os proprietários devem entender que 2021 não é um ano ideal para realizar reajuste dos alugueis. "O IGP-M, no meu ponto de vista, não corresponde com a realidade vivida na pandemia até agora. É preciso conversar e entender que os salários da grande maioria do povo brasileiro não sofreram reajustes nem de 5%, então, não é cabível reajustar os aluguéis em 24%", calcula.

Paulo acredita que o mercado imobiliário terá um grande crescimento, caso boa parte da população receba a vacina do coronavírus até junho de 2021, mas o cenário ainda é de incerteza. "Uma boa parte da população aproveitou o recebimento dos salários para tentar segurar as contas. Como foram obrigados a ficarem em casa, aproveitaram para poupar e agora pretendem realizar seus sonhados investimentos na casa própria, seja para investimentos ou para uma nova moradia", finaliza.

O mercado imobiliário na cidade de São Paulo voltou a crescer em julho, confirmando as expectativas de empresários que apontavam para uma recuperação rápida dos negócios após o encolhimento nos primeiros meses de pandemia.

As vendas de apartamentos novos atingiram 4.341 unidades em julho, número 45,5% superior ao de junho e 21,1% acima do registrado no mesmo mês do ano passado. Os dados são de levantamento do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) antecipado ao Estadão/Broadcast.

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Esta é a primeira vez desde março em que o setor tem crescimento na comparação anual. As quedas foram de 13,8% em março, 27,7% em abril, 26,7% em maio e 56% em junho. Antes da pandemia chegar, as vendas estavam em alta.

No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em julho, foram vendidos 47.237 apartamentos novos na capital paulista, alta de 19,3% ante os 12 meses anteriores. Isso significa que o mercado ainda carrega expansão, mesmo com o freio na quarentena.

"O resultado das vendas de julho é absolutamente surpreendente", celebrou o economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci. "Essa alta ficou acima do imaginado."

Na sua avaliação, a recuperação rápida do mercado imobiliário reflete alguns aspectos positivos do ambiente econômico a despeito da crise, como a manutenção da inflação baixa e dos juros dos financiamentos no menor patamar da história - fatores que aumentaram o poder de compra dos consumidores.

Médio e alto padrão

A recuperação das vendas de imóveis novos no mês de julho na cidade de São Paulo pode ser percebida em todos os segmentos. A melhora abrange desde as residências com valor "mais em conta", enquadradas do Minha Casa, Minha Vida (rebatizado de Casa Verde e Amarela), até os empreendimentos de médio e alto padrão.

Nos meses anteriores, apenas as unidades de valor mais baixo estavam escoando bem, segundo Petrucci. "Fico feliz de ver uma melhora generalizada", afirmou.

Levantamento do sindicato mostrou que, das 4.341 unidades vendidas em julho na capital paulista, 42% foram econômicas e 58% de médio e alto padrão. A velocidade de vendas no primeiro tipo foi de 11,8%, e no segundo, 13,8%. A velocidade de vendas é um indicador de liquidez medido pela relação entre a quantidade de unidades vendidas no mês diante do total de unidades que estão no estoque mais as que foram lançadas no período.

Petrucci disse que os imóveis com mais área, mais quartos e, consequentemente, de maior valor também tiveram liquidez elevada.

Isso pode estar relacionado à mudança no comportamento dos consumidores, que passaram a priorizar moradias mais amplas e confortáveis, com opções de lazer e home office, já que há uma tendência de se passar mais tempo em casa.

"Os lançamentos para acompanhar essas novas demandas ainda vão chegar ao mercado. Mas pode ser que o consumidor esteja comprando mais aqueles produtos do estoque que já têm algumas dessas qualidades desejadas", afirmou.

Aproveitar o momento. O servidor público Victtor Victoria, de 31 anos, realizou o sonho de adquirir a casa própria na semana passada, quando fechou o contrato para aquisição de um apartamento com dois dormitórios no bairro Bela Vista, no centro de São Paulo. Ele vive de aluguel desde 2018, quando se mudou para a capital, e diz que aproveitou os juros baixos para financiar o imóvel.

"Eu tinha dinheiro investido principalmente em Tesouro Direto, que estava dando pouco retorno, e resolvi retirar para o apartamento, para aproveitar essa taxa baixa de juros", diz. "A parcela também ficou com um valor próximo do aluguel, o que deixou o pagamento mais acessível", conta o servidor.

Construtoras reforçam o otimismo para os próximos meses, e acreditam que será uma boa oportunidade para escoar uma demanda reprimida nos últimos anos, em que era mais difícil comprar um imóvel.

"Havia uma demanda que vinha sendo reprimida desde a crise de 2015. Nós não tivemos uma recuperação forte, em que ainda não recuperamos a média de consumo de unidades novas que se esperaria para São Paulo", afirma Mauro Teixeira Pinto, sócio-diretor da TPA. "O comprador tem hoje uma janela de oportunidade interessante, porque o preço dos imóveis ainda não subiu."

Teixeira Pinto também destaca que a parcela de investidores no setor de imóveis cresceu, fenômeno também impulsionado pela baixa taxa de juros. "O aplicador ficou sem alternativa e começou a investir em imóvel. Isso também influenciou aquela pessoa que tinha dinheiro aplicado e estava na dúvida se ia comprar um imóvel para si", diz.

A incorporadora RNI fez em junho o lançamento RNI Nova Jaçanã, na zona norte de São Paulo, e já vendeu cerca de 50% das unidades até agora. O diretor de marketing, vendas e incorporação da construtora, Henrique Cerqueira, acredita que parte do sucesso nas vendas também se deve ao atendimento digital para fechamento de contratos e busca por imóveis.

"Quando você junta o desejo de ter um imóvel e um meio digital em que o cliente não precisa se expor na frente de um corretor para mostrar o contracheque ou ter o crédito negado pelo banco, isso tudo ajuda muito na hora de efetivar a compra", afirma.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Ter um apartamento ou uma casa de luxo é o sonho de muita gente! Adquirir uma residência com padrão mais elevado tem muitas vantagens, indo além de um espaço amplo e elegante.

O mercado imobiliário de residências de luxo cresce a um ritmo de 20% ao ano, segundo o Sindicato de Habitação do estado de São Paulo. É importante ressaltar que é necessário procurar ajuda de uma boa imobiliária para realizar a escolha de um  luxuoso apartamento à venda em São Paulo, para evitar dor de cabeça.

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Segurança para a sua família

Morar em imóveis de luxo é garantir a segurança e proteção da sua família. Essas residências possuem portaria 24 horas, além de câmeras de segurança, guardas, entre outros recursos.

Conforto e elegância

As casas de alto padrão são amplas, tornando o ambiente confortável. Além disso, o espaço possibilita uma diversidade de decoração que deixa o ambiente elegante.

Outro fator são as vistas, que costumam ser excelentes. As casas de alto padrão costumam ser projetadas para que a vista agrade os moradores, uma vez que geralmente as sacadas são grandes e há janelas enormes.

Lazer

Além disso, condomínios de luxo possuem uma área de lazer para os moradores, contribuindo para o lazer e qualidade de vida das pessoas. Piscinas, áreas gourmet e quadra de esportes são atrativos para as famílias, principalmente aquelas que possuem crianças.

Vizinhança

Luxuosos condomínios à venda em São Paulo também são procurados por pessoas que querem ter vários vizinhos, criando uma boa relação de convivência.

Esses condomínios tem uma ótima localização,cercada de empresas, hospitais, shoppings, facilitando o deslocamento dos moradores.

Valorização

Por ser feito com bons materiais, ter uma localização excelente e outros fatores, um apartamento de alto padrão é valorizado. Isso porque, apesar da crise, o mercado imobiliário desse tipo de imóvel está crescendo, como já foi dito acima.

Quando os filhos saírem de casa, o apartamento amplo pode ficar muito vazio. Mas, a venda ou aluguel de uma residência de alto padrão gera um bom retorno financeiro.

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Viu como um apartamento de luxo tem mais vantagens do que você imagina? Se você tem poder aquisitivo necessário e se sempre sonhou em morar em uma casa dessas, realize o seu sonho!

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Após amargar uma longa crise, o mercado imobiliário do Rio começa a esboçar uma reação. A estimativa do setor é fechar 2019 com R$ 3 bilhões em valor geral de vendas (VGV) de lançamentos na capital. O montante está longe da média de R$ 10 bilhões registrada nos anos de boom do setor, de 2011 a 2013, mas corresponde ao dobro do total registrado em 2017, fundo do poço do mercado carioca. A melhora gradual é puxada pelo segmento de imóveis de alto padrão.

"No fim de 2018, vimos uma luzinha no fim do túnel. Agora já é um farol. Vemos uma retomada no segmento de imóveis com valor superior a R$ 1,5 milhão. É um público que tinha recursos ou parte dele, mas ainda não se sentia confiante para concretizar a compra do imóvel", diz o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), Claudio Hermolin.

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O alto padrão representa uma fatia de 20% do mercado imobiliário do Rio. O restante se divide entre imóveis de R$ 240 mil a R$ 1,5 milhão e os populares, como Minha Casa Minha Vida. A faixa mais impactada pela crise é a do meio, formada por compradores de classe média que dependem da retomada do emprego e da estabilidade da renda para se comprometerem com um investimento mais robusto.

A expectativa é que esse público só comece a reagir no segundo semestre de 2020, já que depende da melhora da economia real. "Se você está desempregado e volta ao mercado formal, não vai fazer um investimento no mercado imobiliário logo de cara", pondera Hermolin.

Lançamentos

Dados do Secovi Rio, que reúne empresas do setor de habitação, indicam um crescimento contínuo no número de imóveis negociados na capital fluminense desde 2017. De janeiro a agosto desse ano, a alta foi de 13%, com um total de 30,7 mil imóveis (entre lançamentos e imóveis antigos).

O total de lançamentos no 1º semestre foi o maior desde 2015, segundo a entidade. Ao todo, 10.489 imóveis foram lançados, contra 8.390 no mesmo período do ano anterior e apenas 4.514 nos primeiros seis meses de 2017. Em 2011, auge do setor, o Rio chegou a contabilizar 22 mil lançamentos de janeiro a junho.

"Mesmo com a oferta aumentando, estamos vendendo mais. Não vamos voltar a viver um período como o de 2009 a 2014, mas finalmente começa a haver uma retomada da confiança. 2020 será melhor", diz o vice-presidente do Secovi Rio, Leonardo Schneider. Ele menciona mudanças na legislação municipal do Rio e a queda dos juros básicos - impulsionando a diversificação de investimentos e reduzindo o custo do financiamento imobiliário - como fatores favoráveis ao setor.

As análises dos especialistas sobre a situação do mercado imobiliário do Rio destacam sempre a grave crise econômica do Estado, hoje em regime de recuperação fiscal, após ser atingido em cheio por casos de corrupção. Outro fator é a derrocada do setor de óleo e gás em função da crise da Petrobrás e dos preços mais baixos das commodities. Hermolin, da Ademi, acredita que a retomada dos leilões de petróleo, de investimentos das petroleiras, além da negociação de ativos da estatal no Rio, são sinais positivos para a economia e a geração de emprego e renda. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O presidente Jair Bolsonaro publicou nesta quinta-feira, 26, em sua conta oficial no Twitter dados de um estudo do Ministério da Economia que mostra que o mercado imobiliário voltou a evoluir positivamente no segundo trimestre de 2019.

No mês de junho, foram lançados 16.298 novos imóveis, "o segundo maior resultado da série histórica iniciada em janeiro de 2014" comemorou Bolsonaro.

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Mais cedo, Bolsonaro tuitou também sobre o Dia Nacional do Surdo. Declarou que o governo tem "buscado valorizar cada vez mais os deficientes auditivos, dando atenção especial ao grupo, incluindo tradução em libras em nossas lives e eventos, e conhecendo melhor as demandas".

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) encerrou janeiro com variação positiva de 0,76%, divulgou hoje (30) Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado representa um recuo de 0,13 ponto percentual em relação ao verificado em dezembro (0,89%).

O índice deste mês, no entanto, ficou acima do registrado em janeiro de 2017, quando a variação foi 0,64%. Em 12 meses, o IGP-M acumula queda de 0,41%. O índice é utilizado como base de cálculo para renovações de contrato de aluguel.

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Os três indicadores que compõem o IGP-M tiveram variação positiva em janeiro na comparação com o mês anterior. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) teve alta de 0,91%. A taxa é 0,33 ponto percentual menor que a verificada em dezembro (1,24%). O item Bens Finais variou 0,64% no mês. Em dezembro, ele estava em 0,48%. De acordo com o Ibre/FGV, a aceleração se deve ao comportamento do subgrupo alimentos in natura, que passou de -1,87% para 3,21%. O grupo bens intermediários variou 1,05%, e o de matérias-primas brutas, 1,08%.

Terceiro componente do IGP-M, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) variou 0,56% ante 0,3%, em dezembro. Das oito classes de despesa que formam esse índice, quatro tiveram alta nas taxas em janeiro em relação ao mês anterior. O destaque foi o grupo alimentação, que passou de 0,13% para 1,11%.

Tiveram acréscimos também os subgrupos educação, leitura e recreação (de 0,87% para 1,46%), transportes (de 0,78% para 0,92%) e comunicação (de -0,19% para 0,26%). Os grupos que apresentaram decréscimo foram vestuário (de 0,61% para -0,28%), habitação (de -0,06% para -0,17%), saúde e cuidados pessoais (de 0,44% para 0,40%) e despesas diversas (0,18% para 0,17%).

O IGP-M é composto ainda pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que passou de 0,14% em dezembro para 0,28%. O item que teve maior peso no resultado foi a alta nos preços de materiais, equipamentos e serviços, com variação de 0,59%. No mês anterior, a taxa foi 0,22%. O custo da mão de obra registrou leve alta de 0,03%. Em dezembro, o índice ficou em 0,07%.

O preço de venda dos imóveis residenciais prontos caiu 17%, já descontada a inflação, durante os anos de crise - entre 2014 e 2017 -, segundo o Índice FipeZap, feito com base no mercado de 20 cidades. Descontado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estimado para o ano passado em 2,78%, a queda no valor dos imóveis foi de 3,23% de janeiro a dezembro.

Segundo analistas do mercado imobiliário, a queda nos preços foi acentuada por dois motivos principais: a forte piora do mercado de trabalho a partir de 2015, quando o aumento do desemprego fez com que o consumidor adiasse a compra do imóvel ou não conseguisse mais arcar com seu financiamento, e a piora significativa na concessão de crédito.

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Depois de um bom tempo com os preços subindo, é natural ter uma desaceleração, explica o economista da Fipe, Bruno Oliva. "Apesar de algumas boas notícias nos últimos meses, tanto da economia quanto do mercado imobiliário em especial, os indicadores ainda são muito tímidos, a demanda permaneceu baixa em 2017 e o consumidor, cauteloso."

Em dezembro de 2014, mais de 33 mil imóveis foram financiados para compra, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Em novembro de 2017, o dado mais recente, foram pouco mais de 8 mil.

O economista-chefe do Secovi-SP (sindicato do setor), Celso Petrucci, lembra que a reação do mercado imobiliário em 2017 foi sentida só a partir de julho. "As baixas expectativas do consumidor fizeram com que o começo do ano passado fosse muito parecido com 2015 e 2016, quando o setor desabou."

Em termos reais, o valor médio por metro quadrado dos imóveis prontos, de R$ 7.632, é o mesmo que em 2011, aponta o FipeZap. Dos mercados pesquisados, o do Rio de Janeiro é o que tem o metro quadrado mais caro, R$ 9.811. Em seguida, aparecem São Paulo (R$ 8.745) e o Distrito Federal (R$ 8.238).

Ao mesmo tempo, o Rio foi a cidade em que os preços de venda mais caíram no ano passado, variando -4,45%, sem considerar a inflação do período.

Para o vice-presidente do Secovi-Rio, Leonardo Schneider, após uma forte valorização, o mercado da cidade passa por um processo de acomodação. "Até o começo do ano passado, muitos proprietários ainda estavam resistentes em reduzir o valor de venda na expectativa de conseguir manter a valorização que tiveram até 2011. Essa resistência parece ter acabado."

A radialista e professora da rede pública Nayara Alves da Silva, de 49 anos, acompanhou na prática essa variação dos preços dos imóveis no Rio. Após vender um apartamento em Botafogo, na zona sul da cidade, que tinha se valorizado mais de 300% em seis anos, ela comprou um imóvel menor em janeiro de 2017.

"De uma hora para a outra, não conseguia comprar mais nada no meu antigo bairro. Consegui encontrar um imóvel no centro, por R$ 427 mil, depois de pesquisar bastante e pechinchar. O preço era alto, mas estava caindo. Se tivesse comprado o mesmo apartamento um ano antes, pagaria R$ 500 mil. Hoje, ele seria ainda mais barato do que na época em que comprei."

Para este ano, o economista da Fipe avalia que a tendência é que a desaceleração dos preços dos imóveis se mantenha. "Ainda que haja a melhora esperada para a economia e um aquecimento do mercado, esse movimento dificilmente vai ser forte o bastante para causar um grande impacto nos preços dos imóveis em 2018", diz Oliva.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

As empresas de construção que desenvolvem moradias populares, enquadradas no Minha Casa, Minha Vida, têm puxado a recuperação do mercado imobiliário. Direcional, MRV e Tenda responderam por dois terços dos lançamentos e das vendas do terceiro trimestre entre as 11 incorporadoras listadas na Bolsa. Juntas, as três lançaram empreendimentos com valor de vendas estimado em R$ 2 bilhões, um crescimento de 55,5% na comparação anual. As vendas no período totalizaram R$ 2,1 bilhões, avanço de 23,5%.

"O protagonismo da faixa popular na recuperação acontece sobretudo por causa do crédito. Os empreendimentos mais baratos, do Minha Casa, Minha Vida, têm acesso a crédito mais em conta. Os juros altos no passado recente praticamente inviabilizavam o financiamento", diz Pedro de Seixas, pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV) e especialista em negócios imobiliários.

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Em São Paulo, imóveis com preços até R$ 240 mil lideraram em quase todos os indicadores de agosto, aponta o Secovi-SP (entidade do setor). No País, dados da Abrainc (associação de incorporadoras) mostram que as vendas de imóveis novos do Minha Casa, Minha Vida até agosto somaram 41,7 mil unidades, 23,6% mais que no mesmo período de 2016. Foram 33,4 mil lançamentos, alta de 13%.

O copresidente da MRV, Eduardo Fischer, reitera a perspectiva de mais lançamentos e vendas em 2018. Ele também avalia que há boa disponibilidade de recursos para financiar a compra de imóveis com juros baixos, ao contrário do restante do mercado. "As sinalizações do governo são de que a habitação popular é prioridade."

Já a Direcional avalia que ainda existe grande diferença no desempenho de cada ramo. Tanto o médio quanto o alto padrão sofrem com distratos, juros altos e baixa demanda. Diante disso, a companhia abandonou novos projetos nesse mercado. Mas no de moradias populares, a trajetória continua positiva.

No grupo das empresas focadas tanto no médio quanto no alto padrão - Cyrela, Even, Eztec, Gafisa, PDG, Rossi, Rodobens e Tecnisa - o resultado na Bolsa foi mais modesto. Os lançamentos atingiram R$ 1,27 bilhão, alta de 4,6%. Já as vendas subiram 42,4%, para R$ 1,39 bilhão. As incorporadoras conseguiram aumentar lançamentos e vendas no terceiro trimestre, além de diminuir o tamanho do rombo financeiro, o que sinaliza uma inflexão no mercado imobiliário após anos de crise.

Sair do vermelho, entretanto, é algo esperado só para meados de 2018, segundo empresários. Eles avaliam que o setor ainda depende de um avanço mais consistente da economia brasileira e da confiança dos consumidores para impulsionar as vendas e reduzir os estoques. O vice-presidente de Habitação Econômica do Secovi-SP, Rodrigo Luna, ressalta que o crescimento do setor depende da volta do emprego e da retomada da renda. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A proposta do governo para regulamentar os distratos (quando se desiste da compra ou venda de um imóvel na planta) está na reta final. A minuta da Medida Provisória, obtida pelo 'Estado', estabelece, entre outros pontos, regras para os casos que envolvem consumidores inadimplentes.

As empresas poderão reter uma parte do que foi pago pelo cliente a depender da quantidade de meses em que ele ficou sem pagar as parcelas. De acordo com a minuta, a incorporadora poderá ficar com 50% dos valores pagos pelo consumidor que estiver inadimplente por mais de seis prestações mensais e 30% nos casos em que os atrasos forem de três até seis prestações mensais. Nos dois casos, a empresa terá de comprovar que o cliente foi notificado a pagar a dívida e teve prazo de dez dias para quitá-la. O valor retido não pode ultrapassar 10% do valor do imóvel.

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No caso de distrato por iniciativa do comprador (mesmo que ele esteja com as prestações em dia), a regra será de retenção de 50% dos valores pagos pelo cliente, limitado também a 10% do valor do contrato.

Na quinta-feira (3), representantes do governo e do setor imobiliário se sentarão mais uma vez na busca de entendimento para fechar o texto. Ainda estão sem consenso o prazo que as empresas terão para devolver o que foi pago em caso de distrato, descontada a multa (se 90 ou 30 dias) e a multa que terão de pagar se não entregarem os imóveis dentro do prazo - se 0,5% ou 0,25% do valor do imóvel ou do que foi pago pelo consumidor.

"As discussões continuam e queremos chegar a um bom termo para dar mais segurança jurídica às empresas e maior proteção ao comprador", afirma José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic). Dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) mostram que, de cada 100 imóveis vendidos, 40 foram devolvidos dos últimos 12 meses terminados em junho.

Como informou a reportagem há um mês, a regra geral de multa para os distratos permitirá exceções para os imóveis enquadrados em programas de habitação de interesse social, como o Minha Casa Minha Vida. A incorporadora poderá reter até 30% do que foi pago pelo cliente, limitado a 5% do valor do imóvel desse tipo de empreendimento.

Em todos os casos, além da retenção de parte do que foi pago pelo consumidor, as empresas também poderão ficar com os custos da corretagem, que podem chegar a 6% do valor do imóvel. "Essa proposta ainda está desequilibrada prejudicando o consumidor e favorecendo as empresas", afirma Cláudia Almeida, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Ela afirma que embora o setor imobiliário tenha cedido um pouco nas exigências, permitir que construtoras e incorporadoras retenham até 16% do valor do imóvel (juntando o limite de 10% das prestações que foram pagas mais o custo da corretagem) ainda é "abusivo".

Em duas situações, o consumidor ficará livre de pagar multa: se achar um comprador substituto ou se desistir da compra, num prazo de até sete dias corridos, depois de ter assinado o contrato em um estande de venda fora da incorporadora.

Disputas

Sem regulamentação, os distratos têm sido fonte de longas disputas judiciais entre compradores e construtoras. Em 2016, foi assinado um acordo no Rio entre representantes do governo federal, do setor imobiliário, dos Procons e da Justiça para deixar mais claro os direitos e deveres de consumidores e empresas e evitar que os casos fossem parar na Justiça.

Embora não tenha força de Lei, o acordo embasou a proposta que está sendo editada agora. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Conta de luz, condomínio e gás encanado de graça por dois anos a partir da entrega das chaves. Joias e carros como itens de permuta para reduzir até 70% do valor total do apartamento. As incorporadoras estão se esforçando para atrair o consumidor e desovar o estoque de imóveis novos que, segundo dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), chegou a 118,7 mil unidades em fevereiro. Esse patamar é equivalente a 17 meses de vendas. No ano anterior, o nível correspondia a 16,6 meses de comercialização.

Agora, para alavancar as vendas, as empresas passaram a assumir diversos custos que antes eram repassados aos consumidores. No Feirão Caixa da Casa Própria, realizado neste último final de semana em São Paulo (e que ocorrerá até o dia 25 de junho em outras 13 cidades do País), construtoras como MRV, Tenda e Econ ofereceram aos clientes entrada zero, isenção da taxa do ITBI, da corretagem e dos documentos para formalizar a escritura, além de descontos que chegavam a até R$ 30 mil para algumas unidades.

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A estratégia agradou a alguns clientes. Com R$ 22 mil para sacar do FGTS, o casal Zesérgio Marques e Vionei Soares viu uma oportunidade para, enfim, sair do aluguel. Na barganha com uma corretora da incorporadora Plano & Plano durante o Feirão, o benefício foi um trunfo para obter um financiamento mais favorável de um apartamento enquadrado no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). "Não nos planejamos, mas conseguimos fechar pagando prestações equivalentes ao valor do nosso aluguel atual", afirma Vionei.

Especialistas alertam, entretanto, que ter mais dinheiro poupado pode garantir melhores condições de financiamento. Fundador do Canal do Crédito, que compara diferentes condições de financiamento, Marcelo Prata recomenda que o consumidor já tenha pelo menos 50% do valor do imóvel no ato da compra.

Além disso, afirma Lucas Vargas, presidente da VivaReal, muita gente pensa que o preço é a principal variável para decidir sobre a compra, quando, no entanto, o prazo da compra deveria ser determinante. Uma operação mais longa, quitada em cinco anos ou mais, pode diluir os custos adicionais, como impostos e manutenção, explica. "A pessoa não pode correr o risco de não conseguir arcar com despesas no futuro", alerta.

Mimos

Sem poder contar com as linhas de crédito subsidiadas oferecidas pelo MCMV, oferecer presentes ou realizar feirões com descontos agressivos é a estratégia das empresas que vendem apartamentos acima de R$ 240 mil.

A incorporadora Setin, por exemplo, garante dois anos de isenção de IPTU, condomínio, água e luz para a linha Downtown, focada no Centro de São Paulo. Uma vez por semestre, a Even realiza um saldão, com descontos de até 40% dos seus imóveis.

Mas são os imóveis de alto padrão, novos ou usados (acima de R$ 2,5 milhões) os que apresentam os piores resultados de vendas nesse momento de recessão econômica e incerteza política. Sem querer se identificar, uma corretora que trabalha com a venda deste tipo de imóvel nas zonas oeste (Jardim Europa) e sul (Brooklin e Morumbi) da capital paulista afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que a estratégia das construtoras e das incorporadoras para tentar alavancar as vendas é aceitar a permuta de bens nas negociações. Os valores variam de 30% a 70%, e são aceitos de veículos a joias.

A construtora Cyrela, por exemplo, passou a aceitar recentemente permutas de 30% para todos os seus empreendimentos, muitos deles localizados nos bairros de Moema, Campo Belo e Itaim.

Limite

A permuta é uma alternativa de flexibilizar a negociação em um mercado que já vem trabalhando com preços no limite dos custos. Exemplo disso são os dados de abril do índice Fipezap, que mostram que o valor dos imóveis residenciais ficou estável na comparação com março (-0,01%) e teve leve alta no acumulado dos últimos 12 meses (+0,69%).

"Os preços caíram relativamente pouco perto do tamanho da crise no mercado imobiliário", diz Eduardo Zylberstajn, pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O início de cada ano registra aumento na procura de imóveis para aluguel na cidade de São Paulo. Isso se deve especialmente à busca de estudantes do interior paulista ou de outros estados que vão começar a estudar em universidades paulistanas e precisam de um lugar para morar ao longo dos próximos anos.

Levantamento da Lello, imobiliária e administradora paulistana, aponta que locação de imóveis para estudante provoca um aumento de 30% a 35% do volume de contratos de aluguel fechados de janeiro até março.

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Segundo a administradora, a maior parte dos estudantes vem do interior paulista, e as regiões preferidas são aquelas próximas a universidades, Bairros como Vila Buarque e Higienópolis, Centro e Liberdade, Vila Mariana e Vila Clementino, entre outras. Há também aumento da procura na região do ABC.

Os tipos de imóveis mais procurados normalmente são apartamentos de um ou dois dormitórios, situados próximo a estações de metrô e com bom estado de conservação. “Além da localização, imóveis mobiliados, por exemplo, favorecem de forma significativa na hora da escolha”, diz Roseli Hernandes, diretora de Locação de Lello Imóveis.

Ela explica que as unidades com esse tipo de perfil, disponíveis para locação e situadas em regiões próximas às faculdades, costumam ser alugadas mais rapidamente nesta época do ano.

“O fechamento dos contratos de locação pode ser agilizado quando os pais dos estudantes concordam em ser fiadores e apresentam as condições necessárias para a aprovação da ficha. Mas outra modalidade muito utilizada é o seguro-fiança”, conclui a diretora da Lello.

A perspectiva de que a economia brasileira vai trilhar um caminho de estabilização no ano que vem deve injetar algum ânimo no mercado imobiliário. Para especialistas e profissionais da área, mais consumidores podem voltar a fazer planos para comprar um imóvel. Dois fatores vão pesar a favor de quem está em busca da casa própria: os preços devem continuar relativamente estáveis e o custo do crédito deve baratear por causa da redução da taxa de juros.

Os dois lados da equação - compradores e corretores/imobiliárias - estão com expectativas semelhantes sobre o rumo dos negócios em 2017, segundo uma pesquisa do portal imobiliário VivaReal obtida com exclusividade pelo Estado.

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Praticamente o mesmo porcentual nos dois grupos (58% e 59%) projeta um aumento da flexibilização das negociações no ano que vem, o que pode se traduzir em mais descontos no valor de venda dos empreendimentos. Para 76% dos consumidores, o preço do metro quadrado está muito elevado, impressão compartilhada por 51% da ponta vendedora.

"Em outras épocas, a percepção dos corretores em relação à necessidade dessa flexibilização era bem menor, mas a queda da procura forçou essa postura", afirma Lucas Vargas, presidente do VivaReal.

No lado do crédito, uma projeção da Abecip, associação das instituições financeiras que emprestam com recursos da poupança, aponta que a possível aceleração no corte dos juros pelo Banco Central vai tornar mais baratos os financiamentos e estimular o mercado.

A estimativa mais otimista mostra um aumento de 11% nas concessões, para R$ 50 bilhões. Neste ano, a projeção é que o mercado encerre com R$ 45 bilhões liberados para compra e construção de imóveis, segundo Gilberto Abreu, presidente da Abecip. O volume representa uma queda de mais de 60% ante o praticado em 2015.

Duas medidas recentes foram tomadas para tentar desafogar o crédito. O teto máximo do Sistema de Financiamento Habitacional (SFH), que dá acesso a juros menores, foi elevado de R$ 750 mil para R$ 950 mil no Distrito Federal e Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Nos demais Estados, o limite foi de R$ 650 mil a R$ 800 mil. Os limites estavam inalterados desde 2013.

Também foi permitido o financiamento de imóveis de até R$ 1,5 milhão pelo SFH, mas a medida foi limitada a um ano de duração e também não prevê o uso do FGTS para compor o valor de entrada do imóvel ou abater o financiamento.

Nas contas do coordenador do Núcleo de Real Estate da USP, João da Rocha Lima Jr., tanto o aumento do teto do SFH como a ligeira melhora da demanda dos consumidores não devem ser suficientes para provocar grande pressão no preço dos imóveis.

Segundo ele, com uma projeção de alta de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017, o valor do metro quadrado pode ter apenas uma leve alta.

A opinião é compartilhada pelo pesquisador Eduardo Zylberstajn, coordenador do índice de preços FipeZap.

"Talvez os preços terminem 2017 com um viés um pouco maior de alta, mas ainda perdendo para a inflação", afirma. "Existe uma demanda constante por moradia apesar de todos os problemas da economia. Não é que os anos dourados voltarão, mas pode ser um ano mais positivo", completa.

Três indicadores do mercado mostram que o preço dos imóveis ficou praticamente parado e variando menos do que a inflação em 2016. Na Abecip, o Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial, recém-lançado, mostra recuo médio de 2,3% em nove regiões do País.

Outros dois indicadores, o FipeZap, do site Zap e da Fipe, e DMI, ligado à plataforma VivaReal, mostram avanço de 0,45% e 1,45%, respectivamente, em 2016. Estas pesquisas são baseadas em anúncios na internet. Mesmo que os resultados pareçam divergentes, eles caminham, na verdade, para a mesma direção (leia mais na pág. ao lado).

Aluguel

O horizonte de retomada do mercado imobiliário é um alerta para quem ainda depende do aluguel. Tradicionalmente, o mercado de locação de imóveis tende a mudar seus preços mais rápido do que o de venda.

"Nos sinais iniciais de retomada, o aluguel volta a subir", diz Vargas, do VivaReal.

No atual ciclo, isso foi benéfico para o consumidor porque os preços de aluguel caíram antes do valor de venda começar a ceder. Mas, quando a situação se inverter, quem está à procura de uma unidade para locar vai sentir esse efeito primeiro.

Dados do VivaReal mostram que a zona sul da cidade de São Paulo lidera em ofertas de locação de até R$ 2 mil. São mais de 14 mil unidades disponíveis em bairros como Morumbi, Jardim Marajoara e Vila Andrade, a maioria entre 50 e 70 metros quadrados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A crise prolongada da economia brasileira continua provocando depreciação do mercado imobiliário brasileiro. O preço médio anunciado dos imóveis residenciais em 20 cidades brasileiras ficou estável na comparação de junho com maio.

Os dados fazem parte de pesquisa divulgada nesta terça-feira, 5, pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) com base nos anúncios do site Zap Imóveis. O resultado indica uma queda real nos preços, uma vez que a inflação do período é estimada em 0,38%, conforme projeções do boletim Focus, do Banco Central.

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No acumulado do primeiro semestre, os preços médios anunciados dos imóveis nas 20 cidades tiveram alta de 0,03%. Já no acumulado dos últimos 12 meses encerrados em junho, houve queda de 0,02% - este é o menor patamar já registrado pela pesquisa desde o início de sua série histórica. Tendo em vista que a inflação esperada para o período de 12 meses é de 8,88%, segundo o boletim Focus, do Banco Central, é possível afirmar que o preço médio anunciado dos imóveis apresentou queda real de 8,17%.

Regiões

Entre as cidades e regiões acompanhadas pela pesquisa, oito tiveram queda nominal dos preços em junho em relação ao mês anterior: São Paulo (-0,04%), Rio de Janeiro (-0,30%), Distrito Federal (-0,10%), Recife (-0,22%), Porto Alegre (-0,02%), Florianópolis (-0,09%), Niterói (-0,07%) e Goiânia (-0,78%).

Apenas cinco cidades registram evolução mensal dos preços em um patamar acima da inflação esperada para junho: Belo Horizonte (0,40%), Salvador (0,47%), Fortaleza (0,80%), Vitória (0,53%) e Contagem (1,48%).

Em junho, o valor médio do metro quadrado anunciado das 20 cidades foi de R$ 7.635. O Rio de Janeiro se manteve como a cidade mais cara do País (R$ 10.251/m2), seguida por São Paulo (R$ 8.630/m2), Distrito Federal (R$ 8.578/m2) e Niterói (R$ 7.442 /m2).

O desconto médio praticado nas transações imobiliárias realizadas nos últimos 12 meses atingiu a marca de 8,8% ao fim de 2015, o maior patamar já registrado na série histórica do Raio-X FipeZap. O indicador vem subindo desde março de 2015, quando estava em 6,8%. Já em dezembro de 2014, o desconto médio estava em 6,9%.

Desde fevereiro de 2015, também cresceram as transações com desconto. Com isso, em dezembro, apenas 22,1% das compras reportadas nos 12 meses anteriores foram realizadas pelo preço originalmente pedido pelo vendedor. Em outras palavras, o preço de venda foi menor do que o anunciado em 77,9% das transações. Já em igual mês de 2014, o indicador estava em 70,8%.

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Os resultados da pesquisa reforçaram a expectativa de queda futura dos preços. Cerca de 58% dos entrevistados que pretendem adquirir um imóvel declararam que aguardam redução nos preços ao longo de 2016. Na pesquisa do terceiro trimestre, o resultado estava em 61%. A variação média esperada dos preços para os próximos 12 meses passou a ser de baixa de 7,3% no quarto trimestre de 2015, frente expectativa de queda de 7,2% nos três meses anteriores.

A perspectiva de que os preços devem ficar iguais ficou em 24% dos entrevistados, de 23% na comparação trimestral, enquanto a ideia de que os preços devem aumentar avançou para 18%, de 15%. Vale ressaltar que, nos três meses finais de 2014, 44% apontavam queda de preços, 30% acreditavam numa estabilidade de valores e 26% projetavam elevação.

A percepção sobre os preços começa a afetar também as perspectivas de longo prazo do setor, segundo a pesquisa. Quando perguntados sobre as expectativas para os próximos 10 anos, apenas 30% dos que pretendem adquirir um imóvel declararam aguardar um crescimento dos preços acima da inflação. Este foi o menor patamar já verificado no Raio-X FipeZap.

Apesar disso, a maior parte ainda qualifica os preços atuais como "altos" ou "muito altos": 78% dos que responderam pretender adquirir um imóvel nos próximos meses classificaram suas percepções em uma dessas categorias. No terceiro trimestre, o resultado estava em 76%. Entre aqueles que adquiriram imóveis, o porcentual de entrevistados que classificaram os preços nas duas categorias passou para 64% no quarto trimestre, de 58% no terceiro.

A intenção de compra de imóveis subiu para 43% no quarto trimestre de 2015, frente a 40% nos três meses até setembro, quando registrou o menor patamar já registrado pela pesquisa Raio-X FipeZap, cuja série histórica teve início no quarto trimestre de 2013. Em igual período do ano passado, o indicador estava em 48%.

Mesmo diante desses resultados, cabe notar que o porcentual de investidores no mercado imobiliário residencial permaneceu praticamente constante ao longo do quarto trimestre de 2015, respondendo por cerca de 40% no acumulado em 12 meses. Para a pesquisa foram entrevistados 2.820 pessoas entre os dias 7 e 27 de janeiro.

Pouco mais de três anos após o fechamento do Playcenter, o conjunto de terrenos que abrigava o tradicional parque na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, começa a ganhar novos contornos. Duas torres residenciais já foram entregues, há o projeto de construção de outros dois prédios comerciais e, em breve, serão iniciadas as obras da nova sede do Colégio Renascença.

Como lembra o empresário Marcelo Gutglas, criador do parque, quando o Playcenter abriu, em 1973, ocupava uma área de 30 mil metros quadrados. "Com o tempo, fomos crescendo e adicionando outros lotes", diz. "No auge, nos anos 1990, chegamos a 200 mil metros quadrados. Mas todos os lotes sempre foram alugados. Se somarmos os proprietários, devia ser algo em torno de 25 pessoas." No fechamento do parque, em 2012, a área total ocupada era de 85 mil m².

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A valorização da Barra Funda fez com que empreendedores imobiliários fossem rápidos em negociar o destino do endereço marcado pelas atrações do parque. Os dois primeiros prédios, residenciais, acabam de ser entregues - com preço de R$ 8 mil o m². Da incorporadora PDG, eles têm apartamentos de três e quatro dormitórios, respectivamente com 93 e 112 m² cada unidade.

O diretor de incorporação da empresa, Mauricio Salles, conta que o terreno foi adquirido ainda em 2010 - dois anos antes do fechamento do parque, portanto. Ele diz que a Barra Funda tem "localização estratégica".

"O bairro reúne diversos fatores que justificam uma tendência a médio e longo prazo de elevação dos preços. É uma região com grande potencial de adensamento e verticalização na cidade, tem localização privilegiada no contexto urbano e está em processo de qualificação dos padrões de ocupação", diz Salles. "A região ainda é beneficiada pela Operação Urbana Água Branca. Boa parte da cidade atualmente tem mais restrições para construção."

Mudança. Com expectativa de iniciar as obras ainda neste ano, o Colégio Renascença vai transferir sua sede, hoje no bairro de Santa Cecília, região central de São Paulo, para o lote de 20 mil m² onde antes ficava o estacionamento do parque. Pelo cronograma, a construção do prédio para a escola judaica deve levar 18 meses. Concluída, a escola deverá ter capacidade para 1,2 mil alunos, ante os 800 da unidade atual.

"Procuramos um espaço que se adequasse à proposta pedagógica da escola, em um projeto de modernização e próximo da comunidade", afirma o professor João Carlos Martins, diretor do colégio. "O prédio atual é bom, mas precisa de adequações frente às demandas cotidianas."

O educador mostra empolgação com as possibilidades do amplo lote. "A excelência do terreno possibilitou um projeto arquitetônico ousado, discutido em detalhes com especialistas, para atender às necessidades e aos desafios de educar a geração atual", diz.

Comercial. Também estão previstas para o terreno duas torres comerciais, com 27 andares cada, do Brasília Square Offices, consórcio formado pelas empresas EBI, Vivere Incorporações Imobiliárias, Alimonti Comercial e Construtora e MC Construtora. Os responsáveis pelo empreendimento não quiseram falar sobre o projeto para o terreno da Barra Funda. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A reviravolta que ocorreu no mercado imobiliário nos últimos cinco anos fortaleceu um departamento que costumava ficar em segundo plano dentro das incorporadoras. Numa época em que vender imóveis está cada vez mais difícil e os estoques de apartamentos encalhados não param de crescer, o corretor passou a ser uma figura central.

A área de vendas começou a ganhar vida própria dando origem às chamadas "houses", as imobiliárias das próprias incorporadoras.

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Foi o que Benx, empresa de incorporação residencial do grupo Bueno Netto, decidiu fazer no início deste ano, criando a Bem Imobiliária. A área de vendas que até o ano passado tinha apenas três pessoas, agora conta com um grupo de dez executivos que comandam um time de 150 corretores autônomos exclusivos da casa.

"Cerca de 70% de tudo o que o grupo vende hoje já vem da nossa imobiliária", diz Fernando Stucchi, diretor financeiro da Benx Incorporadora.

Segundo ele, o projeto da imobiliária começou a ser desenhado no segundo semestre do ano passado para entrar em operação neste ano. "Nossos corretores são treinados para vender nosso produto, e por isso o resultado da venda acaba sendo mais efetivo." A empresa continua recorrendo às grandes imobiliárias, mas em casos mais específicos.

O que a Benx está fazendo agora as gigantes do setor já fazem há mais tempo. É o caso de Cyrela, Gafisa, MRV que contam com verdadeiros exércitos de corretores para vender seus produtos no mercado, principalmente os que estão em estoque.

Entre as incorporadoras de capital aberto, a Eztec começou a investir em uma imobiliária própria em 2006. "Por muito tempo, ela respondeu por 50% das nossas vendas", diz Emílio Fugazza, diretor financeiro e de relações com investidores da empresa.

"Hoje, é o veículo de vendas mais importante da companhia." Segundo ele, a house da Eztec responde por 100% das vendas dos imóveis prontos e por 80% dos lançamentos. A incorporadora tem mais de 1 mil corretores de imóveis autônomos cadastrados.

"Com a deterioração do cenário econômico de maio para cá, o cliente está com mais receio de fechar a compra do imóvel e nossa abordagem tem, inegavelmente, precisa ser mais pragmática", diz Fugazza. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Os plantões de vendas de imóveis devem continuar pouco movimentados, pelo menos, até meados do ano que vem, de acordo com empresários e analistas ouvidos pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. A retomada de lançamentos e do comércio de unidades novas só deve vir com uma recuperação de cenário macroeconômico, quando a oferta de financiamento for ampliada e os consumidores se sentirem mais seguros frente às oscilações de renda e emprego. Até lá, a estratégia das incorporadoras é evitar riscos e adotar uma postura mais cautelosa, concentrada principalmente na geração de caixa e redução de unidades em estoque.

"Para o setor melhorar, temos de ver uma reversão no pessimismo dos consumidores em relação a esse conjunto de fatores, seja com um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), queda no desemprego ou controle da inflação", afirmou o analista Marcelo Motta, do JPMorgan. "O caminho mais lógico é que, em algum momento, quando as medidas do governo surtirem efeito, os juros comecem a recuar, o que pode melhorar as expectativas econômicas", acrescentou.

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Confiança e crédito são frequentemente citados como os principais fatores para o desenvolvimento do mercado imobiliário no Brasil. Desde o ano passado, entretanto, os consumidores têm se mostrado cada vez mais hesitantes em se comprometer com uma compra tão grande quanto um imóvel ou um processo tão longo quanto um financiamento imobiliário, diante de um cenário de recessão econômica e inflação em alta

Neste ano, as dificuldades do setor foram acentuadas com a escassez de financiamento. Para intensificar o combate à inflação, o Banco Central se apoiou num acentuado ciclo de elevação da taxa básica de juros, a Selic, que já está no patamar de 13,75%. O problema é que o rendimento da poupança, principal fonte de recursos para o crédito imobiliário, se tornou relativamente baixo em comparação com outros investimentos, levando a saques líquidos seguidos das cadernetas.

Vale lembrar também que o próprio enfraquecimento da economia fez com que os brasileiros tirassem dinheiro para pagar contas e outras obrigações. Na primeira metade de 2015, o total líquido resgatado da aplicação foi de R$ 38,542 bilhões, com um total de R$ 6,261 bilhões só no mês de junho. Nos dois casos, foram os maiores volumes dos últimos 20 anos para os períodos (mês de junho e primeira metade do ano), desde quando a instituição começou a compilar as informações disponíveis até hoje, em 1995.

Sem "funding", a Caixa Econômica Federal, que encabeça essa linha de crédito, e outras instituições elevaram os custos dos empréstimos e restringiram a oferta. Para Jorge Rucas, diretor de Negócios da João Fortes, há poucas soluções para a falta de crédito imobiliário: a redução da Selic após uma melhora da economia ou o crescimento da participação de bancos privados. Já o papel das incorporadoras é "fazer uma análise profunda do crédito dos clientes e firmar parceria com bancos comerciais, para amenizar a situação do crédito", avalia.

As medidas do governo para ajustar as contas federais são consideradas essenciais para a retomada do crescimento, mas algumas delas têm efeitos negativos no setor de imóveis, tornando ainda mais árida a situação no curto prazo. "Apesar do entendimento da importância dos ajustes, algumas medidas podem pressionar ainda mais as margens das empresas ou elevar os preços no futuro", afirmou Renato Ventura, diretor executivo da Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc).

Entre os "efeitos colaterais" está a revisão na política de desoneração da folha de pagamento da construção, que pode aumentar os custos da incorporação. O presidente do Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo), Claudio Bernardes, afirmou em entrevista recente ao Broadcast que a medida poderia inviabilizar o lançamento de alguns projetos imobiliários.

Para Bernardes, as empresas não devem conseguir repassar todo o custo adicional para os preços dos imóveis e garantir, ao mesmo tempo, uma margem mínima de ganho sobre novos projetos. "Chega uma hora que a margem de lucro é tão pequena, por causa dos contínuos aumentos de custos, que não vale mais a pena operar", disse.

Estoques

A pressão sobre as margens tende a acentuar a estratégia atual das incorporadoras, que já têm lançado poucos empreendimentos novos e se concentram na venda de estoques. Segundo Eduardo Muszkat, diretor executivo da incorporadora You,Inc, o volume de lançamentos deve ser reduzido para "adequá-lo a uma velocidade de vendas menor". Já analista sênior de Relações com Investidores da Trisul, Michel Christensen, citou ainda que o mercado tende a realizar "ajustes na estrutura de despesas ante a geração de receita".

O período até a reação poderá ser marcado também por campanhas de descontos, principalmente, nas vendas de empresas mais endividadas, que precisam de capital no curto prazo para saldar suas obrigações. Para Marcelo Motta, do JPMorgan, PDG e Rossi são casos que exemplificam os problemas decorrentes do alavancagem elevada. No fim do primeiro trimestre, a PDG tinha um índice de dívida líquida sobre patrimônio de cerca de 120%, enquanto a Rossi estava em um patamar de 110%.

Essas empresas devem perder espaço no mercado, pois precisam trabalhar para pagar dívida e acabam se concentrando apenas em acelerar as vendas. "A estabilização nesses casos deve ser, no mínimo, mais demorada", acrescentou o especialista.

No segmento de imóveis mais populares, há também a vulnerabilidade de companhias que trabalham com a faixa 1 do Minha Casa Minha Vida, a exemplo da Direcional. O risco para essa categoria é o atraso de pagamentos às incorporadores participantes do programa e o ritmo de contratações de novas obras. O lançamento da terceira fase do MCMV está prometida para agosto, mas a expectativa é que o programa só volte a ganhar força em 2016.

Na contramão do resto mercado, há as empresas, como a MRV, que trabalham com imóveis mais populares e tem funding de crédito oriundo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). "O setor de baixa renda tem liquidez e demanda, o que garante um bom momento do segmento, mas também pode sofrer com um futuro aumento do desemprego. É preciso acompanhar de perto as pressões", disse Gabriel de Gaetano, analista do Besi Securities.

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