Tópicos | superávit primário

O Congresso deverá ter uma "super semana" de votações a partir de terça-feira. Na pauta do plenário constam 31 itens, o último o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2016. A eventual mudança dessa proposta é a maior preocupação do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que admite deixar o governo caso o Legislativo aprove zerar o superávit primário de 0,7% do PIB no próximo ano.

A pauta do plenário pode ser ampliada para 32 itens, caso a Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprove um dia antes o projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2016.

##RECOMENDA##

O projeto da LDO é o trigésimo primeiro item da pauta. Antes, os parlamentares terão de apreciar obrigatoriamente cinco vetos presidenciais, que trancam a pauta, outros 24 projetos de abertura de crédito suplementar e o Plano Plurianual (PPA) de 2016 a 2019.

Os parlamentares podem até, logo após a análise dos vetos, aprovar um requerimento de inversão de pauta para votar logo a LDO. Contudo, é possível que isso não ocorra porque tanto os projetos de abertura de crédito quanto o PPA podem ser votados logo. As propostas de crédito, geralmente, são consensuais e devem ser apreciadas em rápidas votações.

A expectativa do governo é que as votações ocorram, pelo menos, na terça e na quarta-feira. O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), já avisou que convocará novas reuniões conjuntas das duas Casas Legislativas para votar todas as propostas orçamentárias até o final do ano.

Mesmo diante da possibilidade de complicar a situação das contas públicas, o governo costurou inicialmente um acordo com Renan para "sacrificar" a votação da LDO de 2016 para ajudar na aceleração do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara. A manobra permitiria manter o Legislativo em funcionamento durante o recesso parlamentar, o que poderia levar à votação do pedido de afastamento ainda em janeiro. Mas essa manobra regimental não deve prosperar diante da reação de parlamentares contrários à estratégia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que o Brasil não vai conseguir alcançar as metas fiscais para este ano e o próximo. No relatório Monitor Fiscal divulgado na quarta-feira (7), a previsão do FMI é que o País tenha déficit primário de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 e de 0,9% em 2016.

A estimativa do FMI é que o Brasil só terá superávit primário em 2017, alcançando 0,8%, para chegar a partir de 2019 com saldo positivo de 2,5% do PIB.

##RECOMENDA##

O FMI ressalva que fez suas previsões com base no pacote anunciado pelo governo em agosto, quando o Planalto propôs orçamento com déficit para 2016. A intenção do governo é alcançar um superávit primário de 0,15% este ano e 0,7% em 2016.

O Fundo piorou ainda outros indicadores fiscais do Brasil. Para o déficit nominal, que inclui os gastos do governo com juros, a previsão do FMI é que fique em 7,7% do PIB este ano e 7,2% em 2016.

A dívida bruta, um dos indicadores avaliados mais de perto pelas agências de classificação de risco, deve subir de 65,2% no ano passado para 69,9% em 2015 e chegar a 74,5% em 2016.

O FMI usa uma metodologia diferente da usada pelo governo brasileiro para esse número e inclui os títulos do Tesouro detidos pelo Banco Central no cálculo. A estimativa dos economistas do Fundo é que o indicador brasileiro fique na casa dos 76% até 2020.

Em entrevista à imprensa, Alejandro Werner, diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental do FMI, disse que a economia brasileira pode começar a se recuperar na segunda metade de 2016, caso haja um acordo político em Brasília que dê prosseguimento ao ajuste fiscal.

Por enquanto, a credibilidade da política fiscal no Brasil está sendo posta em dúvida pelos mercados nacional e global. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse neste sábado que a meta de superávit primário para 2016 é de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB). "No rádio da Paraíba, a presidente Dilma Rousseff confirmou a meta de 0,7% do PIB para o superávit primário em 2016", afirmou, em entrevista com a imprensa, referindo-se à entrevista que ela concedeu a emissoras do Estado na manhã de sexta-feira (4). Ele continuou: "Precisamos de meta firme para manter o grau de investimento do Brasil. É preciso encontrar um meio para viabilizar isso, inclusive no Congresso."

Levy, que participa do último dia da reunião de ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais dos países integrantes do G-20, destacou que é preciso discutir se há interesse da sociedade em garantir a meta do superávit primário do Brasil. Reforçou também que a perda do grau de investimento para o País colocaria em risco empregos e ainda poderia piorar a vida dos brasileiros.

##RECOMENDA##

O diretor de Pesquisas Macroeconômicas do Bradesco, Octavio de Barros, disse nesta quinta-feira (12) que o governo deverá entregar neste ano um superávit primário da ordem de 0,7% na proporção do Produto Interno Bruto (PIB). Ou seja, a meta proposta de 1,2% não deverá ser atingida, disse o diretor do Bradesco durante o seminário "Os 100 dias do Novo Governo", realizado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef).

Mas, de acordo com Barros, o que vale é a mudança de atitude longitudinal. "Entregar a meta não nos diz nada em termos de futuro", disse. O economista defendeu a adoção da regra que atrelasse a expansão do gasto público ao crescimento do PIB. "A melhor forma de um País fazer poupança é desfazendo a despoupança do setor público", afirmou o diretor do Bradesco.

##RECOMENDA##

O Departamento Econômico do Bradesco projeta para este ano uma queda de 8% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). Segundo Barros, o problema maior do Brasil hoje é corporativo, é a parte micro que afeta as empresas . "A parte macro está endereçada. Joaquim Levy e Otacílio Godoy (ministro da Fazenda e secretário-executivo da Fazenda, respectivamente) estão gostando do trabalho e vão até o fim."

Assim mesmo o economista do Bradesco prevê uma queda de 1,5% do PIB neste ano, um déficit em conta corrente de US$ 30 bilhões e uma taxa de inflação de 8%.

Sobre o atual momento político que se volta contra a presidente Dilma, o diretor do Bradesco ressalvou que "não se pode confundir baixa popularidade com legitimidade". É bom lembrar que em 1999 FHC teve avaliação de ótimo e bom por apenas 9% da população", disse.

O economista entende que os ministros Levy e Nelson Barbosa, do Planejamento, são competentes e vão conseguir recolocar a economia a trajetória do crescimento.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou a cerca de 185 investidores na manhã desta quarta-feira (18), que o Brasil vai conseguir cumprir a meta de superávit primário de 1,2% este ano e que o crescimento econômico está desacelerando e pode ser negativo no ano passado, por conta do declínio no investimento. "A consolidação vai continuar", disse Levy, destacando que a administração de Dilma Roussef está comprometida em entregar a meta fiscal de 1,2% de superávit primário.

O ministro prometeu ter em sua gestão o maior diálogo possível com o mercado, além de transparência na política fiscal. Levy afirmou que o objetivo e criar um ambiente de confiança e que favoreça decisões de investimento.

##RECOMENDA##

Inicialmente, ele falou dos avanços na educação do Brasil, destacando que o número de pessoas em faculdade dobrou nos últimos anos. "O Brasil tem coisas que precisam ser feitas imediatamente, mas tem passado por transformação", afirmou Levy logo no inicio de seu discurso. "Há muito ainda a ser feito no Brasil, estamos longe de onde gostaríamos."

Levy fez uma apresentação de mais de uma hora na manhã desta quarta-feira para investidores e economistas, organizado pela Americas Society/Council of the Americas, pelo Brazil Investimentos e Negócios (Brain) e pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A agenda oficial do ministro nos EUA começou na terça-feira com uma apresentação fechada para cerca de 50 pessoas em Washington. Levy deve voltar ainda nesta quarta ao Brasil.

A situação fiscal do governo brasileiro anda tão ruim quanto enigmática. Diante do inesperado déficit primário em 2014 e da possibilidade de o Brasil encerrar 2015 com uma variação negativa do PIB, há quem acredite que a equipe econômica já tem argumentos para promover uma redução imediata da meta de superávit primário, de 1,2% do PIB. Uma outra parcela de economistas e especialistas em finanças públicas, no entanto, dizem que a meta é "imexível" neste momento e que, hoje, o sinal oriundo de uma redução deste valor seria "ruim".

Para o especialista em contas públicas, Mansueto Almeida, é dada a hora para a equipe econômica reduzir a meta de superávit primário de 1,2% do PIB. "Mudar faz sentido porque a situação é muito pior do que há dois meses, quando a meta foi estipulada", diz o economista, que trabalhou na campanha de Aécio Neves (PSDB) à Presidência da República. "A meta foi criada quando a projeção para o PIB deste ano era perto de 1% e quando se esperava um superávit primário de R$ 10 bilhões (e não déficit). Só isso, já dá legitimidade para o governo revisar a meta para baixo", diz Almeida. Para ele, o déficit primário "é uma herança maldita que não se conserta em um ano".

##RECOMENDA##

O consultor Raul Velloso discorda. Para ele, a meta é "imexível". "Em primeiro lugar, não dá para ter certeza que a meta não vai ser cumprida, porque o (ministro da Fazenda, Joaquim) Levy deve ter trabalhado com uma margem de manobra nas contas", afirma Velloso, argumentando que fazia isso quando trabalhou no governo federal.

Nos cálculos de Velloso, a equipe econômica conseguirá cumprir a meta fiscal se cortar em 0,1 ponto porcentual os gastos com previdência e assistência social; em 0,2 ponto porcentual as despesas com saúde e pessoal; e em 1,1 ponto porcentual o desembolso com investimentos e outras despesas correntes. Somando essa redução nas despesas com um aumento na arrecadação de 0,2 ponto porcentual, também estimado por Velloso, o governo conseguiria um superávit primário de 1,6% do PIB. Esse resultado seria, portanto, suficiente para compensar o déficit primário do governo central de quase 0,4% do PIB de 2014 e cumprir a meta de superávit de 1,2% do PIB.

Sobre as contas, Velloso faz uma ressalva: ele não considerou o impacto do racionamento de energia nem do rodízio de água. "Se acontecer, ele (Levy) vai cortar investimento, porque o ponto é que o cumprimento da meta é questão de vida ou morte", diz.

Apesar de achar "muito difícil" o cumprimento da meta fiscal, o estrategista da Fator Corretora, Paulo Gala, afirma que, "no momento, seria ruim" para a imagem do Levy reduzir a meta que ele mesmo anunciou no ano passado. A possibilidade, entretanto, pode se tornar uma necessidade no futuro. "Mais para frente e dependendo do cenário, poderemos caminhar para isso", diz Gala.

Gala afirma que "o otimismo com a nova equipe econômica (e com as medidas que foram sendo anunciadas ao longo de janeiro) está perdendo força". Isso acontece, principalmente, por causa da desaceleração da economia maior que o esperado, segundo o economista. No relatório de mercado divulgado nesta segunda-feira, os analistas de mercado passaram a prever crescimento zero para o PIB. Na semana passada, era de 0,03%. A título de comparação, no relatório de 5 de dezembro, a projeção era de 0,73%. "Os indicadores de confiança de janeiro vieram horríveis", diz Gala.

A preocupação com a falta de apoio político no Congresso é um ponto em que os economistas concordam. Na terça-feira, 10, a Câmara impôs mais uma derrota ao governo Dilma Rousseff ao concluir a votação da proposta de emenda à Constituição que torna obrigatório o pagamento das emendas parlamentares individuais, o chamado Orçamento impositivo. À primeira vista, o projeto poderá obrigar o governo a aumentar as despesas. Mas não é bem assim, dizem os especialistas em finanças públicas. "A proposta provoca mais um engessamento da gestão do que um aumento dos gastos", diz Almeida. Ele e Velloso afirmam que o governo poderia reduzir outras despesas para cumprir aquelas determinadas pelo chamado "orçamento impositivo".

A presidente Dilma Rousseff (PT) sancionou, com vetos , a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2015 . Na lei, a meta do superávit primário é R$ 55,279 bilhões ou 1% do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todas as riquezas do país.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias - que compreende as metas e prioridades da administração pública federal, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente - orienta a elaboração da lei orçamentária anual, dispõe sobre as alterações na legislação tributária e estabele a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento.

##RECOMENDA##

Para o setor público consolidado, que inclui estados e municípios, a meta de superávit primário a ser perseguida é R$ 66,325 bilhões ou 1,2% do PIB. A LDO é importante porque estabelece os parâmetros e metas que devem ser utilizados para a elaboração do Orçamento da União.

Pela lei, os orçamentos Fiscal e da Seguridade Social compreenderão o conjunto das receitas públicas, bem como das despesas dos poderes, do Ministério Público da União e da Defensoria Pública da União, fundos, órgãos, autarquias, inclusive especiais. Também estão incluídas fundações instituídas e mantidas pelo poder público, empresas públicas, sociedades de economia mista e demais entidades em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto e que dela recebam recursos do Tesouro Nacional.

A execução orçamentária e financeira, da receita e da despesa, deve ser registrada na modalidade total no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi).

O texto indica que o governo poderá usar os chamados duodécimos até que o Orçamento da União seja aprovado pelo Congresso Nacional. Isso significa que a cada mês 1/12 (um doze avos) do orçamento será utilizado para cumprir com suas obrigações.

A presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que muda o cálculo do superávit primário, tema que foi alvo de intensos debates após o governo admitir que a economia feita este ano nas contas públicas. A Lei Nº 13.053, que altera regra anterior, fixada pela Lei 12.919, foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

O texto publicado nesta terça-feira, 16, cita que a regra anterior, ou seja, a Lei 12.919, de 24 de dezembro de 2013, passa a vigorar com alteração no artigo 3º "A meta de resultado a que se refere o art. 2º poderá ser reduzida até o montante das desonerações de tributos e dos gastos relativos ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) cujas programações serão identificadas no projeto e na Lei Orçamentária de 2014 com o identificador de resultado primário previsto na alínea "c" do inciso II do ? 4o do art. 7º desta lei".

##RECOMENDA##

A nova lei entra em vigor nesta terça-feira. A decisão é assinada pela presidente Dilma Rousseff e pelos ministros da Fazenda, Guido Mantega; e do Planejamento, Miriam Belchior.

A base aliada concluiu na noite da última terça-feira, 9, a votação do projeto de lei que flexibiliza a meta do superávit primário. Com isso, deu sinal verde para que a Dilma desconte todos os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e as desonerações tributárias da economia mínima para o pagamento de juros da dívida pública.

A matéria prioridade para o Planalto, que queria evitar uma responsabilização de Dilma pelo descumprimento da meta que constava na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano, de R$ 49 bilhões.

A sessão de terça foi muito menos tensa do que as duas reuniões na semana anterior, quando manifestantes e parlamentares entraram em confronto com seguranças do Senado nas galerias e foram necessárias mais de 18 horas de discussões para votar o texto-base do projeto. As galerias foram mantidas fechadas ao público, mas do lado de fora do Congresso houve um apitaço contra as mudanças nas regras da política fiscal. Um grupo espalhou cruzes em frente ao edifício do Congresso, cada uma com nomes de parlamentares que apoiaram o governo.

A conta pela aprovação do texto já foi apresentada à presidente. Principal fiador da aprovação da mudança da meta fiscal, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), levou na quinta-feira, 11, da semana passada ao Planalto a "fatura" do PMDB do Senado na reforma ministerial para o próximo mandato da petista. Em conversa privada, ele defendeu que a bancada seja contemplada com dois ministérios de peso político, sem apresentar nomes.

Após mais de 18 horas de sessão, a oposição conseguiu adiar mais uma vez a votação do projeto de lei que flexibiliza a meta do superávit primário, a economia mínima que o governo precisa fazer para o pagamento de juros da dívida pública. Apesar disso, os aliados do Palácio do Planalto conseguiram vencer a maioria das manobras regimentais movida pelos oposicionistas e deixaram a proposta, considerada vital pela presidente Dilma Rousseff, a um passo de ser definitivamente chancelada pelo Congresso e enviada à sanção.

O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), marcou para a próxima terça-feira (9) a sessão que, segundo espera o governo, liquidará o assunto. A alteração nas regras da política fiscal, assunto sobre o qual a base e a oposição se digladiaram desde as 10 horas e 30 minutos de ontem, esteve a ponto de ser aprovada em definitivo pelo Congresso nesta madrugada. Mas, na votação da última emenda que antecedia a conclusão da tramitação, por volta de 5 horas da manhã, não houve o quórum necessário de 257 deputados para dar prosseguimento aos trabalhos. Apenas 192 marcaram presença, levando ao adiamento.

##RECOMENDA##

Para o relator do projeto, senador Romero Jucá (PMDB-RR), mesmo com mais uma postergação o governo saiu vitorioso da longa reunião realizada ontem e hoje de madrugada. "Liberamos a pauta, votamos todos os requerimentos e os destaques (espécies de emendas), a não ser um", comemorou. As mais de 18 horas de debates foram marcadas por trocas acusações e embates no Plenário Ulysses Guimarães, na Câmara. O PSDB e o DEM alegaram que a presidente Dilma "chantageou" o Congresso com promessas de emendas e pediu uma "anistia" ao Legislativo, enquanto que o PT argumentou que as mudanças nas regras da política fiscal servem para garantir os investimentos e o baixo nível de desemprego.

"Esse é o debate da eleição, quando a presidente Dilma disse que não faríamos política fiscal às custas do desemprego", declarou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). "Não queremos que o País fique com dinheiro na poupança precisando de investimentos", afirmou o senador Wellington Dias (PT), eleito governador do Piauí.

"Não podemos avalizar essa irresponsabilidade fiscal de forma alguma", rebateu o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE). "O que ela (Dilma) quer é apenas se livrar da consequência de ter infringido a lei orçamentária", acrescentou o líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes (SP). No meio da sessão, ontem, o senador Aécio Neves (MG) subiu na tribuna para atacar o projeto que altera a meta fiscal, momento no qual foi vaiado por petistas. Ao citar o decreto de Dilma editado na segunda-feira (1º) que condicionou a liberação de R$ 444 milhões em emendas parlamentares à aprovação da alteração da meta do superávit primário, Aécio disse que a presidente estava colocando o Congresso de "cócoras".

'Aperto'. Com um déficit fiscal acumulado e diante da impossibilidade de cumprir a economia mínima para o pagamento de juros da dívida pública prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) em vigor, de R$ 49 bilhões, a equipe econômica enviou ao Parlamento um projeto de lei que permite que sejam descontados da meta todos os gastos com o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) e as desonerações de impostos. Na prática, a medida abre uma brecha para que a legislação seja dada como alcançada mesmo em caso de um resultado fiscal negativo ao final do ano.

Na sessão encerrada há pouco, Renan foi o maior avalista da aprovação do texto principal do projeto no Congresso e da mobilização para deixá-lo a um passo de ser aprovado. Ele comandou as votações, que entraram madrugada adentro, e contornou a obstrução realizada pela oposição. Deixando claro ser o fiel da balança da governabilidade num tema tido como fundamental pelo Planalto, os peemedebistas esperam garantir mais espaço no novo ministério de Dilma. A meta do partido é comandar seis pastas, uma a mais do que controlam hoje. Dentre os pleitos, está na mira do PMDB manter o Ministério de Minas e Energia e emplacar um indicado na Integração Nacional.

Tumulto. Na manhã desta quarta-feira, a reunião do Congresso começou sob o clima de confronto que marcou a tentativa anterior de votação da proposta, anteontem à noite. Na ocasião, um grupo de cerca de 30 manifestantes vaiavam os pronunciamentos de governistas quando Renan, alegando que o público atuava de forma "partidarizada", determinou que as galerias fossem esvaziadas. Deputados oposicionistas correram ao local para evitar a remoção e instalou-se uma confusão generalizada, com agressões entre parlamentares, seguranças do Senado e manifestantes. O impasse fez com que Renan suspendesse a sessão, retomada no dia seguinte, mas com as galerias fechadas ao público.

Boa parte da reunião que ocorreu ao longo do dia de ontem e nesta madrugada, por sua vez, foi destinada a analisar dois vetos presidenciais que estavam trancando a pauta. A apreciação desses dispositivos, ao final mantidos, era pré-requisito para que a proposta que modifica as regras da política fiscal entrasse na pauta de votações. Depois dos vetos, os parlamentares ainda se debruçaram sobre um projeto de lei que abriu R$ 248 milhões em créditos para que a União cumpra uma decisão judicial e pague pensões a aposentados e pensionistas do Fundo Aerus, das extintas empresas aéreas Varig e Transbrasil.

Com todo esse périplo, o projeto de lei que flexibiliza a meta de superávit primário só entrou efetivamente em deliberação depois das 23 horas desta quarta-feira, após uma determinação de Renan que invalidou uma série de requerimentos da oposição que visavam atravancar a votação.

O presidente da Comissão Mista de Orçamento (CMO), deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), marcou uma série de reuniões do colegiado, a começar na segunda-feira (24), às 20 horas, para retomar a análise do projeto que altera o cálculo do superavit primário (PLN 36/14). A previsão é aprovar o texto neste mesmo dia ou na terça, nas três reuniões pré-agendadas (10 horas, 14h30 e 18 horas).

Também está marcada para terça uma sessão do Congresso Nacional para votar a proposta depois que ela passar na comissão. O presidente do Senado, Renan Calheiros, afirmou hoje que se não for possível votá-la na terça, ele marcará uma nova sessão do Congresso para o dia seguinte.

##RECOMENDA##

O esforço concentrado tem como objetivo garantir a aprovação do projeto, prioritário para o Executivo neste final de ano legislativo. O governo já está trabalhando para assegurar o quórum na Comissão de Orçamento e enfrentar os expedientes regimentais que a oposição vai usar para dificultar a deliberação. Ontem, o Planalto perdeu, por falta de quórum, uma votação que garantiria a apreciação da proposta na CMO.

O PLN 36 foi encaminhado pelo Executivo ao Congresso na semana passada. O texto autoriza um abatimento sem limite da meta de resultado primário do ano, que é de R$ 116,1 bilhões para o governo federal. Com isso, mesmo que feche as contas com deficit primário, o governo federal não terá descumprindo a meta definida pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) em vigor (Lei 12.919/13).

Mobilização

Nesta quinta, o líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), disse que os parlamentares da base estão sendo orientados para chegar a Brasília na segunda à tarde. Ele voltou a dizer que o projeto do Executivo é importante para o País, pois troca “arrocho fiscal”, defendido pela oposição, por uma mudança da meta fiscal, mantendo empregos, investimentos e a renda da população.

“Sinto que a base está convicta desse argumento e vai garantir essa importante votação para o modelo de visão econômica que estamos tocando em frente no País”, declarou Fontana.

Ele minimizou o que ocorreu na reunião de ontem, quando o governo não conseguiu votar o PLN 36 por falta de quórum entre os governistas. “O que aconteceu foi uma circunstância momentânea, muito mais da ausência temporária de três ou quatro votos da base, mas, que do ponto de vista da convicção do projeto, estão firmes”, comentou.

Maquiagem

O deputado Izalci (PSDB-DF), que integra a Comissão de Orçamento, rebateu os argumentos de Fontana. Segundo o oposicionista, as afirmações pretendem desviar o assunto mais relevante: a incapacidade do Executivo de cumprir a meta de superavit primário. “O governo cometeu, sim, irresponsabilidade fiscal. E já vem cometendo há muito tempo”, destacou Izalci. De acordo com ele, em 2013 só não houve deficit porque o governo “maquiou” seu balanço, com antecipação de dividendos das estatais e adiamento de pagamentos para este ano.

“O governo exagerou nos artifícios. Chegou esse ano e não tem mais artifícios para fazer. Eles querem anistiar a presidente Dilma, porque os crimes fiscais já foram cometidos”, argumentou Izalci. O deputado acrescentou que o governo “abusou dos gastos públicos” neste ano eleitoral.

Votação

O PLN 36 é relatado pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR). O texto chegou a ser aprovado em reunião tumultuada da CMO na terça. A decisão acabou cancelada por acordo de governistas e oposicionistas em reunião com Renan Calheiros e o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, no dia seguinte. Com isso, a comissão retomou a discussão do relatório a partir de sua leitura por Jucá, o que aconteceu na reunião de ontem à tarde, mas a oposição conseguiu obstruir a votação.

*Com informações da Agência Câmara

Em apenas dois meses, o governo reestimou uma queda de R$ 70,6 bilhões no superávit das contas públicas em 2014: a previsão de superávit primário (sobra de arrecadação para pagamento da dívida) caiu de R$ 80,7 bilhões para R$ 10,1 bilhões. Confirmada essa previsão, será o pior resultado desde 1998.

Essa piora nas contas do governo é resultado de uma mega revisão de receitas e despesas que o governo promoveu no relatório de avaliação do Orçamento, encaminhado ontem (21) ao Congresso Nacional. A revisão considerou uma queda da projeção de crescimento da economia este ano de 0,9% para 0,5%. Para 2015, a previsão de alta do PIB caiu de 3% para 2%.

##RECOMENDA##

O documento mantém a expectativa de um superávit em 2014, mas o governo terá a liberdade de fechar o ano com as contas no vermelho, se for aprovado o projeto de lei que flexibiliza a meta de superávit. O projeto não foi ainda aprovado pelos parlamentares, mas a equipe econômica já colocou na conta essa possibilidade no último relatório bimestral do ano. A previsão de um superávit de R$ 10,1 bilhões - cerca de 0,2% do PIB - funcionará na prática como meta a ser perseguida até o final do ano. Essa estimativa leva em consideração um abatimento de R$ 106 bilhões dos investimentos realizados do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e das desonerações tributárias.

O piso da meta prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) era de um superávit de, no mínimo, R$ 49 bilhões. Os dados do relatório confirmam que a equipe econômica promoveu uma grande "maquiagem" das contas em setembro, às vésperas das eleições presidenciais, como apontavam analistas de mercado.

Quando o governo divulgou o relatório de setembro, subestimou as despesas e superestimou as receitas para não ter de admitir que não cumpriria a meta. Agora, no novo relatório, reconheceu que teria de acomodar um crescimento de R$ 32 bilhões nas despesas e uma queda de R$ 38,3 bilhões nas receitas.

Com o rearranjo de receitas e despesas, o governo liberou mais R$ 10,1 bilhões do Orçamento para gastos em saúde, educação e programas sociais.

A maior revisão foi na estimativa de déficit da Previdência, cujas despesas foram represadas ao longo do ano num movimento que ficou conhecido como "pedaladas" do Tesouro Nacional. O déficit previsto aumentou em R$ 8,6 bilhões para R$ 49,19 bilhões (leia mais ao lado). As estimativas de gastos com seguro-desemprego e abono salarial aumentaram em R$ 8,7 bilhões.

Governo

A área econômica diz que a ampliação do abatimento da meta de resultado primário, em tramitação no Congresso, possibilitará a preservação dos investimentos prioritários, a continuidade da redução da desigualdade social, além de garantir a manutenção da competitividade da economia por meio das desonerações de tributos. "Sem as desonerações tributárias e os investimentos, poderá haver comprometimento das conquistas nos campos social e econômico alcançadas pela sociedade brasileira nos últimos anos", informa o relatório.

A crise internacional foi apontada como a vilã para a piora das contas do governo. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

O Diário Oficial da União publicou, nesta quinta-feira (13), o pedido ao Congresso, do presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), de tramitação em regime de urgência constitucional do projeto que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A proposta de mudança na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) não altera as regras, mas retira o limite de abatimento da meta de superávit.

A mensagem 375 será colocada na pauta para ser lida na sessão de hoje do Senado. Mesmo assim, na prática, ainda não se sabe que encaminhamento esse pedido de urgência terá. Segundo a assessoria da Mesa Diretora do Congresso, um pedido desse tipo, para uma matéria que precisa ser votada em sessão conjunta de deputados e senadores é inédito.

##RECOMENDA##

Outro problema que impede a rapidez que o Palácio do Planalto espera, é que, de acordo com a Constituição, a proposta não pode ser votada antes que a pauta do Congresso seja liberada com a votação dos 38 vetos que aguardam apreciação.

Nessa quarta-feira (12), apoiado pelo relator da matéria, Romero Jucá (PMDB-RR), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), defendeu a mudança na regra do superávit primário que, segundo ele, é "muito importante para o país", Calheiros recomendou que a proposta tramite com celeridade.

O Projeto de Lei 36/2014 retira da LDO deste ano o teto de abatimento da meta de superávit, originalmente estabelecida em R$ 116,1 bilhões. A regra atual diz que o governo pode abater até R$ 67 bilhões da meta, com base nos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e das desonerações tributárias destinadas a estimular setores da produção, principalmente o automobilístico.

O texto não estabelece um teto, abrindo a possibilidade de o governo abater da meta os investimentos no PAC, além das desonerações, o que significa mais de R$ 120 bilhões. Desse modo, o Executivo ficaria livre para manejar o superávit.

O governo federal escolheu uma plateia de empresários de todas as regiões do País para demonstrar preocupação com a oposição que o Executivo encontrará no Congresso Nacional para aprovar o projeto de lei de alteração na meta do superávit primário das contas do setor público para 2014. "Espero que o Congresso sustente a escolha de reduzir (a meta de) superávit primário. Não podemos trazer para cá a experiência dos Estados Unidos, onde o Congresso ficou meses discutindo a questão da dívida", disse nesta quarta-feira o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, na abertura do Encontro Nacional da Indústria, promovido em Brasília pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O governo não tem um "plano B" e vê com grande preocupação a resistência de parlamentares da oposição e dos aliados rebelados de sua base. Integrantes da oposição no Congresso já declararam que vão trabalhar contra a aprovação do projeto. Na última sexta-feira (31), o secretário do Tesouro, Arno Augustin, anunciou a revisão da meta diante do rombo recorde das contas públicas em setembro - o quinto déficit consecutivo no ano. Em nove meses, o déficit acumula R$ 15,3 bilhões. A meta de superávit originalmente anunciada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi de R$ 99 bilhões.

##RECOMENDA##

A meta fiscal está prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014, que prevê uma espécie de "piso" de R$ 49 bilhões para o superávit, considerando a previsão de desconto dessa meta das despesas com investimentos e as desonerações tributárias. Mas, mesmo esse piso, que considera abatimentos de R$ 67 bilhões, não poderá ser cumprido diante da forte deterioração das contas públicas, sobretudo no período eleitoral.

Mercadante defendeu hoje, no discurso no evento da CNI, que reuniu um público interessado em instrumentos de incentivo à produção, a política anticíclica para recobrar o fôlego da economia brasileira. "Das 20 maiores economias do mundo, 17 estão com déficit primário para fazer política de recuperação da economia", afirmou. "O nosso Congresso tem maturidade e sabe que precisamos continuar tendo rigor fiscal, o que ajuda a aliviar a política monetária". O ministro ainda defendeu os "gastos sociais" e a desoneração, que, segundo ele, mantém o nível de atividade e o emprego no País em um cenário de crise internacional.

O ministro disse que sempre é possível cortar gastos. "Corte em gasto público é como corte de cabelo, tem de cortar sempre. O que não dá para fazer é corte drástico, que imponha trajetória recessiva", disse. "Temos que manter emprego e renda da população. Como não dá para crescer para fora, só conseguimos crescer com mercado interno forte, que é o que está amenizando o impacto da crise internacional".

O Brasil não deve cumprir este ano a meta de superávit primário estabelecida pelo governo, por conta da economia desaquecida, afirma o Fundo Monetário Internacional (FMI), que divulgou nesta quarta-feira, 08, o relatório Monitor Fiscal, que traz estimativas sobre as contas públicas de vários países. A previsão é que o indicador brasileiro fique em 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, abaixo do objetivo de Brasília de 1,9%.

Para 2015, a previsão do FMI é de melhora no superávit primário do setor público, para 2%, seguindo uma certa recuperação da economia brasileira. Os economistas da instituição cortaram nesta terça-feira, 07, a previsão de crescimento do PIB do Brasil este ano, de 1,3% para 0,3%. Em 2015, se espera um número melhor, de 1,4%. Em 2016, o superávit primário subiria para 2,5%, de acordo com a estimativa do Fundo.

##RECOMENDA##

O Monitor Fiscal traz ainda outras previsões para indicadores fiscais do Brasil, com melhora em algumas e piora em outras na comparação com o relatório que foi divulgado em abril pelo FMI, durante sua reunião de primavera em Washington. Para a dívida bruta, a expectativa é que fique em 65,8% do PIB este ano. No relatório anterior, a estimativa era de dívida de 66,7%. Neste indicador, o Brasil tem número pior que outros países emergentes, que devem terminar o ano com índice médio de 33,7%, a metade do brasileiro. Em outros países, a previsão é que o México fique em 48,1% e a África do Sul em 47,3%. Para os desenvolvidos, a estimativa é de 80%.

O FMI estima que o déficit nominal do Brasil deve ficar em 3,9% do PIB este ano. A estimativa é pior do que a feita em abril, com déficit de 3,3%. Em 2015, o indicador deve ficar em 3,1% do PIB, pior que o déficit de 2,5% previsto anteriormente.

Nos últimos seis meses, desde que divulgou o relatório fiscal anterior, o FMI avalia que o ambiente de baixas taxas de juros e volatilidade moderada no mercado financeiro mundial levou a um declínio das pressões nas finanças públicas em vários países. "Contudo, vulnerabilidades fiscais permanecem e novos riscos apareceram", afirma o relatório divulgado nesta quarta. Para os países avançados, a recomendação é que a política fiscal seja amigável ao crescimento econômico e a geração de empregos.

Nos países emergentes, os déficits e as taxas de endividamento permanecem relativamente moderadas, embora, no geral, acima da média de antes da crise financeira mundial de 2008, ressalta o FMI. A perspectiva de elevação dos juros em países desenvolvidos aliada ao menor crescimento potencial dos emergentes demanda um reforço do ambiente fiscal para lidar com riscos.

"Nos emergentes, vulnerabilidades e riscos fiscais continuam a se acumular", afirmou em uma entrevista à imprensa nesta quarta-feira, o diretor do departamento de assuntos fiscais do FMI, Vitor Gaspar. Em alguns casos, disse ele, há riscos à sustentabilidade da dívida por conta de operações fora do orçamento público e garantias dos governos. "Muitos destes países têm em comum a necessidade de aumentar o crescimento potencial."

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu nesta terça-feira (7) a política fiscal do governo do PT. Segundo ele, foi possível fazer superávits primários maiores quando a economia estava favorável, mas foi preciso graduar o superávit diante da crise econômica. "Quando veio a crise tivemos que dar estímulo para que a economia não ficasse prostrada", justificou. No entanto, admitiu que será preciso fazer um ajuste daqui para frente. Segundo ele, o Brasil terá que perseguir uma economia de 2% a 2,5%, conforme previsto na proposta orçamentária de 2015. "Se tiver um crescimento do PIB acima de 3%, faz mais que isso", disse.

Sobre 2014, Mantega disse que é preciso esperar o desempenho do segundo semestre, que deve ser melhor e refletirá na arrecadação. Mantega lembrou que há receitas adicionais que vão entrar até o final do ano por conta dos dois Refis em andamento. "Em novembro vamos saber quanto teremos de primário. Se vamos cumprir a meta. Até lá, o que temos que fazer é tentar fazer o melhor superávit possível. Por enquanto, é prematura a revisão da meta", afirmou.

##RECOMENDA##

O ministro criticou o PSDB. Segundo ele, há um gradualismo no discurso sobre o ajuste fiscal. "Houve mudança. Estão dizendo agora que vão fazer o superávit de 3,1% do PIB ao longo dos anos. Tenho certeza que nossa política fiscal é diferente da oposição", alfinetou.

Custos de energia

Mantega também disse que o governo precisa fazer o possível para equilibrar a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). "Talvez fosse o ideal", afirmou. Ele lembrou que o governo não fazia aportes no passado, mas que, com o aumento dos custos de energia, foi preciso encontrar uma solução. O governo havia elevado sua projeção de aportes na CDE esse ano para R$ 13 bilhões, mas reduziu novamente para R$ 9 bilhões. O governo também intermediou um empréstimo privado.

Ele avaliou que a seca não deve continuar no ano que vem e vai entrar no mercado energia mais barata. "Foi a equação que encontramos. Se não repassasse (o aumento do custo) para o consumidor, vocês iriam dizer que estamos represando. Ou uma coisa ou outra", disse. O governo foi acusado de segurar os preços em alguns setores o que poderia levar a um tarifaço no ano que vem.

Inflação

O ministro ressaltou ainda que o governo do PT nunca compactou com a inflação. "Sempre fomos muito rigorosos com a inflação, porque o principal prejudicado é a população. Tanto é verdade que, este ano, estamos praticando política monetária bastante severa", afirmou. Ele também fez, novamente, críticas à política econômica do PSDB.

Mantega disse que o governo nunca flertou com a inflação e não deixou que ela ultrapassasse o teto da meta. "Só no primeiro ano do governo Lula que ultrapassou, mas vinha com a carona da inflação de 2002, de 12,5%". Fora isso, todos os anos cumprimos (a meta)", afirmou.

Para o ministro, é possível atingir uma inflação menor com taxa de juros razoável. Ele fez questão de ressaltar que o governo está praticando juro médio menor do que o dos governos FHC e Lula. "Estamos fazendo taxa de juros de 11%. Se pegarmos os juros médios, foi menor que o período Lula e que no período FHC. Nós estamos praticando juro menor, embora a Selic tenha que se alterar em função da política monetária", afirmou. "Uma pessoa física pagava cerca de 90% de juros em 2002 e hoje paga aproximadamente 30%", acrescentou.

Mantega disse que o combate à inflação tem que ser eficiente para não requerer juros tão elevados quanto no passado.

O governo Dilma Rousseff já começa a buscar alternativas para se aproximar do mercado financeiro e recuperar a credibilidade perdida na política fiscal em caso de uma eventual reeleição. Uma saída que ganha força no governo, que já trabalha em "modo transição" para um novo cenário em 2015, é adotar um discurso inédito na área fiscal, diferente daquele adotado nos últimos três anos.

Em vez de uma meta fiscal ainda mais elevada que a deste ano, que novamente não será atingida, o governo pode anunciar ainda em 2014, logo após as eleições presidenciais, que o esforço fiscal no próximo ano será menor, na faixa de 1% a 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB).

##RECOMENDA##

A ideia em gestação é anunciar uma meta menor em 2015, e crescente a partir de 2016, conforme a economia brasileira volte a crescer a um ritmo mais elevado, próximo a 3%. Essa eventual nova meta para 2015 seria inferior à banda de 2% a 2,5% do PIB prevista pelo próprio governo na proposta de Orçamento para 2015, enviada há duas semanas ao Congresso Nacional.

Segundo duas fontes graduadas do Ministério da Fazenda, a política fiscal de 2015 deve ser apresentada com um "choque de realidade". O Estado apurou que os técnicos do Ministério da Fazenda já sabem que não será atingida a meta deste ano, de poupar 1,9% do PIB para o pagamento de juros da dívida pública. Será a terceira vez consecutiva que a meta fiscal apresentada e defendida pelo governo não será cumprida.

"Isso corrói a credibilidade da política econômica como um todo, sem que nada de grave esteja acontecendo", afirmou uma fonte do alto escalão da Fazenda, em referência à ausência de sinais de uma crise na dívida pública brasileira, mesmo com a deterioração fiscal dos últimos anos.

"Será uma meta menor, mas inquestionável. Será menor porque estamos com o PIB rodando a zero e não haverá receitas extraordinárias para 2015 na mesma proporção dos últimos dois anos", disse a fonte. E repetiu ao Estado, por quatro vezes, a mesma expressão: "É preciso ser realista para que todos confiem em você". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A Secretaria do Tesouro Nacional (STN) negou, por meio de nota, nesta sexta-feira (12) que o governo avalia ou estuda a redução da meta de superávit primário. Diante das dificuldades das contas públicas, o secretário Arno Augustin tem sido questionado repetidas vezes sobre o assunto.

Fontes no governo informaram em outras ocasiões ao Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado, que, apesar do que diz o comunicado da secretaria, o debate acerca da redução da meta de superávit primário está vivo entre os integrantes da equipe econômica.

##RECOMENDA##

A nota da instituição, no entanto, é enfática na negativa. A Secretaria do Tesouro aproveitou para informar que o relatório bimestral de despesas e receitas será divulgado no próximo dia 22.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, não se comprometeu com o cumprimento da meta de superávit primário em 2014, de R$ 99 bilhões para todo o setor público. Em entrevista concedida nesta quarta-feira (3), à Globonews, o ministro destacou que o governo tem feito primários há muito tempo, mas que este ano a situação está mais difícil. "Mas faremos um primário, estaremos sempre no positivo, com alguma poupança, mas nós também temos que fazer correção de rota", disse.

Ele voltou a traçar um cenário de otimismo sobre a recuperação da economia brasileira no segundo semestre deste ano. Ele disse que o baixo desempenho da economia no primeiro semestre é consequência também do menor número de dias úteis em junho por conta da Copa, quando o comércio vendeu menos e a produção industrial foi mais baixa. "Junho foi o ápice dos feriados", justificou. Mantega destacou que a produção industrial voltou a crescer em julho. "Há uma recuperação geral, de todas as atividades", disse. "Essa recuperação deve se manter ao longo do tempo", previu.

##RECOMENDA##

O ministro disse que a indústria é o setor que mais sofre com a crise internacional, mas ele acredita que, na medida em que há uma melhora da economia internacional, haverá uma recuperação da economia no Brasil. Mantega disse que os Estados Unidos já dão sinais de recuperação e que espera que a Argentina também mostre uma evolução mais positiva. Ele ainda enxerga sinais tímidos de melhoria na Europa. "Vai haver recuperação", afirmou. "Temos certeza que a crise determina uma boa parte dos nossos problemas", afirmou.

Mantega disse também que não se pode comparar o crescimento do Brasil com outros países da América Latina que estão com uma expansão maior. "Não dá para comparar Brasil com países pequenos que são só exportadores de commodities. Mas mesmo assim todos os países desaceleraram", disse, citando Chile e México. "O Brasil mantém o vigor que outras economias não têm", continuou. O ministro lembrou que o País continua atraindo Investimentos Estrangeiros Diretos (IED). "O Brasil é um dos (países) que mais atraem e continuam atraindo IED. Os investidores acreditam no Brasil", afirmou.

O ministro ainda traçou um cenário mais benigno para inflação. "Ela está sob controle. Em julho, o IPCA veio próximo de zero. A inflação está mais calma", disse, citando o setor de alimentos. Mantega voltou a repetir que todo ano tem reajuste de gasolina, "um ou dois ao longo do ano" e que não será diferente em 2014, mesmo em ano eleitoral. "Não posso dizer quanto e quando", disse.

Com a colaboração de dividendos de companhias estatais e freio nos investimentos, o governo economizou R$ 16,9 bilhões para pagar os juros da dívida em abril. Apenas no mês passado, R$ 2,3 bilhões saíram dos cofres da Petrobrás e outras estatais para ajudar o Tesouro a fechar as contas. Por outro lado, o restante das estatais terminou o mês no vermelho, com um déficit primário que reduziu o esforço fiscal do setor público em R$ 317 milhões.

O resultado de abril ainda ficou abaixo do esperado pelo mercado, que apostava em um superávit de R$ 17,7 bilhões, de acordo com o AE Projeções. Com o desempenho do mês, no entanto, foi possível para o setor público consolidado, formado por União, Estados, municípios e empresas estatais, atingir R$ 42,5 bilhões de superávit no acumulado do ano até abril.

##RECOMENDA##

Para Newton Camargo Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, "para posar para a foto o resultado está excelente, mas se formos buscar as razões ainda enxergamos que o quadro é ruim", avaliou. "Houve uma postergação de despesas significativas com precatórios, despesa de pessoal, trabalhista. Tudo isso diminui bem a despesa do setor público, não vamos nos iludir."

O governo central, que é formado por governo federal, Banco Central e INSS, tinha uma meta parcial de superávit primário para o primeiro quadrimestre de cerca de R$ 28 bilhões, valor que foi superado ao atingir R$ 29,2 bilhões no período. No entanto, segundo analistas, só foi possível alcançar essa cifra porque o Tesouro obteve R$ 8,2 bilhões de dividendos de estatais entre janeiro e abril. Comparado ao registrado em igual período de 2013, R$ 1 bilhão, o valor é oito vezes superior.

Déficit

Com essa despesa de dividendos, as empresas estatais acumulam no ano um déficit primário de R$ 198 milhões. Somado a juros de R$ 948 milhões pagos por elas no período, as estatais registraram um rombo de R$ 1,14 bilhão até abril. Na comparação com os quatro primeiros meses de 2013, esse déficit cresceu 73,6%.

O chefe do departamento econômico do Banco Central, Túlio Maciel, classificou o quadro fiscal de abril como "resultado bom" e o dos primeiros quatro meses do ano como "favorável". "Os dados em abril deste ano estão melhores do que os observados em abril de 2013. Houve evolução favorável", frisou. Na avaliação dele, abril é um mês tradicionalmente bom para as contas públicas, apesar da polêmica sobre os dividendos. "O fato é que a meta foi atingida. Você pode ter oscilações de receitas e despesas."

Rafael Bistafa, economista da Rosenberg Associados, avaliou que os números, apesar de robustos, não convencem. "A política fiscal está muito precária e é insuficiente para reconquistar a credibilidade perdida", disse. A projeção da consultoria para o superávit primário deste ano está em 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

O economista, porém, acredita que o governo pode até entregar um resultado mais próximo da meta, de 1,9% do PIB, mas que seria "qualitativamente muito fraco". "Vai ser via receita extraordinária, como tem sido nos últimos anos, e com manobras de despesa", afirmou.

O esforço fiscal, segundo especialistas, é importante porque permite a redução do endividamento do governo no médio e longo prazos. Para este ano, a meta do governo central é economizar R$ 80,8 bilhões, equivalentes a 1,55% do PIB. Os Estados e municípios deverão fazer esforço de R$ 18,2 bilhões para, no total, o superávit primário do setor público fechar o ano em R$ 91,306 bilhões, o equivalente a 1,9% do PIB. Em abril, a dívida líquida do País permaneceu estável em 34,2% do PIB. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou nesta quarta-feira (14) qualquer mudança nos critérios de cálculo pela inflação do IPCA. "Eu desmenti a matéria", disse se referindo à publicação na imprensa sobre o assunto no mês passado. "Não havia nenhum estudo sobre mudança no cálculo do IPCA. Não há nenhuma mudança, embora alimentos estejam pressionando a inflação. É da vida", disse. O ministro afirmou que não sabe quem fez a especulação sobre mudança no cálculo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mas que não é o pensamento do governo excluir os alimentos do cálculo.

Segundo o ministro, o crescimento da economia brasileira era maior no período pré-crise, entre 2003 e 2007, quando, diz ele, a média do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do País era de 4% ao ano. "De 2008 a 2013 o crescimento foi menor, como aconteceu com os demais países", afirmou. "Mas a média (de crescimento) é 3,1%, o que é razoável. Com a retomada da economia internacional o que se espera é que a gente possa voltar gradualmente a taxas maiores", avaliou durante participação em audiência na Câmara dos Deputados.

##RECOMENDA##

Superávit primário - O ministro ressaltou que o objetivo do governo é produzir superávits primários cada vez maiores, de forma a voltar a patamares anteriores e reduzir a dívida pública em relação ao PIB. Ele lembrou que, até o ano passado, a meta cheia era de 3,1% com possibilidade de abatimento dos gastos com investimento. "Procurei não mudar a meta mesmo em momentos mais difíceis, de medidas anticíclicas, porque o referencial era cumprir uma meta mais forte. Mas, quando o crescimento é menor, também vai se arrecadar menos", afirmou.

"Agora, vislumbrando um período mais favorável, porque a economia vai crescer mais no mundo e no Brasil, podemos ambicionar aumentar a meta", disse. Ele destacou que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2015 aumenta a meta de superávit em relação a esse ano. A meta é de 2,5% do PIB, com abatimento de 0,5%. "Não pode ser menor do que 2%", disse.

Standard & Poor's - Mantega voltou a dizer que a agência de classificação de risco Standard & Poor's se equivocou ao reduzir o rating do Brasil, "embora tinha tido acesso a todas as informações das finanças públicas". Em resposta a parlamentares, o ministro disse que a avaliação da agência talvez tenha sido influenciada por um momento de turbulência, "em que todos os países emergentes sofreram problemas com câmbio".

"Isso se recompôs logo em seguida. Isso demonstrou solidez do Brasil", disse. "Nós continuamos recebendo fluxo de investimento externo direto, continuamos com investimento em título da dívida brasileira e há confiança do investidor no Brasil", defendeu. Por último, o ministro disse que a agência "tem direito" de acreditar que o governo não vai entregar um superávit primário de 1,9% este ano, embora o mesmo resultado tenha sido alcançado no ano passado. Em março, a Standard & Poor's anunciou o rebaixamento da nota de crédito do Brasil. O rating da dívida de longo prazo do País em moeda estrangeira foi rebaixado de BBB para BBB.

Páginas

Leianas redes sociaisAcompanhe-nos!

Facebook

Carregando