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O Ministério da Economia, autorizou, no último dia 13 de junho, 1699 vagas para concursos públicos importantes do Brasil. Do total de oportunidades, 1000 foram destinadas ao cargo de Técnico de Seguro Social para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), enquanto as outras 699 são para Auditor-Fiscal e Analista-Tributário da Receita Federal.

Com os certames na mira dos concurseiros, surge uma dúvida: como estudar para os concursos públicos cujos editais ainda não foram divulgados? O LeiaJá entrevistou o professor e especialista em concurso público, Abner Mansur, que reuniu algumas dicas específicas para os dois processos seletivos.

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Entenda o procedimento

Antes de começar a estudar, o professor Abner Mansur alerta que os estudantes devem antes se atualizar sobre como será o andamento do concurso ao qual estão interessados em concorrer. Isso porque, com apenas a autorização divulgada pelos órgãos responsáveis, ainda faltam etapas importantes do certame que farão total diferença na preparação, como, por exemplo, a divulgação da banca organizadora.

“Nós temos dois concursos importantes, que são concursos de carreira. O INSS faz parte das carreiras previdenciárias, enquanto a Receita Federal é o principal órgão para quem estuda para as carreiras fiscais. Então, a gente tá falando de alguém que se interessou e quer estudar, só que não sabe qual o primeiro passo. O primeiro passo é ele [o concurseiro] entender qual o procedimento dos fatos, depois da autorização abre o processo licitatório, depois vem a divulgação da banca organizadora. Com isso, o próximo passo é o edital, depois os prazos de inscrições abertas, para que venha, então, a data da prova", esclarece.

Organize as disciplinas

Para o professor Mansur, as pessoas que se interessaram em concorrer às 1000 vagas do INSS ou às 699 na Receita Federal, precisarão, antes de tudo, saber a qual cargo elas pretendem concorrer, que pode ser de nível superior ou de nível médio. Após ter em mente qual ocupação desejada e em qual dos órgãos, o concurseiro poderá avaliar e escolher quais são as disciplinas bases que devem estar no seu cronograma de estudo.

“Eu posso dizer aqui que quem vai estudar para o INSS não pode, de jeito nenhum, deixar de estudar direito previdenciário, porque em toda a série histórica de provas deste concurso, 60% das questões foram de direito previdenciário. Então, não importa qual banca vai pegar, se o concurso só sai no final do ano ou no ano que vem, a hora é de mergulhar em direito previdenciário”, afirma o docente.

Em relação à Receita Federal, que abrirá vagas para Auditor-Fiscal e Auditor Tributário, Mansur faz questão de destacar a importância de se estudar disciplinas do direito tributário e questões mais relacionadas ao contexto financeiro. “Do mesmo jeito, quem vai fazer para a Receita Federal precisa estar ligado em direito tributário, orçamento público, essas disciplinas muito importantes para a arrecadação pública. Essa é a base”

Atente-se à banca

O professor relembra que o conteúdo estudado para os dois concursos precisa ser escolhido de acordo com o perfil da banca que formulará as provas. Para Mansur, o ideal é que o candidato comece a estudar com antecedência as disciplinas bases de cada seleção, enquanto aguarda a divulgação da banca para adicionar os outros conteúdos que deverão ser priorizados na rotina de estudo.

“Começou a estudar com as disciplinas que são básicas para esse concurso? Vamos agora esperar sair a banca, porque quando sair banca, nós vamos saber 90% das disciplinas. A depender da banca, nós vamos saber também quais disciplinas elas usam para esse tipo de concurso, aí é mergulhar nessas disciplinas, valendo a pena o auxílio de um preparatório", salienta.

Ainda dá tempo se começar a preparação

Para os estudantes que estão em dúvida se ainda dá tempo de começar a estudar do zero para dois dos concursos que prometem ser concorridos, o professor afirma que é possível. Mansur destaca novamente que, para ter a firmeza de começar a estudar mesmo sem base, será muito importante ficar de olho na banca organizadora.

“Dá tempo total de começar a estudar. Vou dar uma dica interessante: o INSS tem uma banca histórica, só duas vezes não foi a Cespe e Cebraspe as responsáveis pelo exame. Já para a Receita Federal, a gente vai esperar uma novidade, porque sempre quem fez foi a Escola de Administração Fazendária, ela não faz mais, então agora será uma banca externa, e a gente tem que esperar porque vai ser algo novo", explica.

Mansur dá uma dica importante para quem iniciará os estudos: “a dica é que todos preparatórios vão ter uma base histórica daquele concurso, quem vai começar agora, vai procurar um lugar que tenha responsabilidade de ensinar com afinco, aquilo que tu tem certeza que vai ter na prova e trabalhar, de forma direcional, o que a gente imagina que pode cair. Então, procurando uma ajuda profissional e começando agora, fazendo exercícios de acordo com a banca, sem dúvida nenhuma nós vamos ter uma pessoa que terá condições de tirar uma nota boa. Dá sim para começar 'zerado'”, garente.

Rotina de estudo

Mansur, que trabalha diariamente na preparação de estudantes para os concursos públicos, deu uma dica muito importante que deverá ser a base de toda a rotina de estudos dos candidatos. De acordo com o professor, a preparação para as provas não deve ser focada em horas de estudos. O foco deverá ser o próprio conteúdo, a compreensão profunda da disciplina e a capacidade de resolução de questões.

“Nós não fomos treinados para estudar, para saber tanto conteúdo de uma vez só. O concurso público costuma cobrar, em cada disciplina, a ementa toda daquele assunto que a pessoa muitas vezes precisa de uma graduação inteira para debater e aprender, você precisa daquilo tudo para resolver as questões na hora da prova”, ressalta.

De acordo com o docente, o segredo para ter uma rotina de estudos perene, contínua, sem grandes desvios e sem perder o foco, é priorizar o conteúdo para além do tempo de dedicação. “A pessoa que não é disciplinada, terá muitas dificuldades de cumprir metas de horário, são metas muito pesadas. Esqueça o horário, ela deve cumprir metas de conteúdo, ela vai pegar a disciplina que é importante, vai destrinchar em tópicos e estudar", aconselha.

“Vamos dizer que vai ficar 15 tópicos da disciplina e o estudante vai começar a estudar aqueles tópicos um a um. O  segredo é: eu só avanço com o tópico dois, quando eu me sinto confortável com o tópico um, não importa quanto tempo vai demorar, esse é o brilho, a beleza de estudo por edital, é estudar sem pressão" continua Mansur.

De acordo com o método do professor, nenhum conteúdo deverá ser esquecido, de maneira que durante a imersão no novo assunto, o estudante deverá seguir realizando questões do tópico  anterior, ao qual ele já havia apreendido os conceitos e adquirido domínio.

“Faça a quantidade que você puder de exercícios de provas antigas da internet, contanto que você se sinta confortável para passar para o próximo tópico quando já tiver ultrapassado a média de 70% de acertos. Se a cada 10 você fizer pelo 7, num momento pré-edital, não dá para dizer que você dominou o conteúdo, mas dá para dizer que você já pode acrescentar o segundo tópico. Se você fez 10 questões do tópico um e você já está acertando mais de 7, agora você vai fazer 5 questões do tópico um e 5 do tópico dois, tentando manter a média de 7, isso sempre após o estudo teórico", salienta.

O professor finaliza com a importância de estudar com foco na absorção do conteúdo e não no tempo de preparo para a seleção. “Nessa rotina, a preocupação não é em quantas horas a pessoa passou lendo, o foco aqui é em ir matando conteúdo por conteúdo, esquecendo do futuro. Eu sempre digo: o concurseiro tem que se apaixonar pela matéria e não pelo concurso. Todos os concursos vão abrir da carreira que você quer, daqui para lá se preocupe com o conteúdo e não com a banca, ou com o salário, a hora é de se apaixonar pelo conteúdo", diz Mansur.

O paraense, Henrique Franco, de 23 anos, emocionou os seguidores no Instagram ao divulgar um vídeo no qual homenageia sua mãe, Roseane Ieda, de 46 anos, durante a sessão de fotos que tirava para sua formatura. O filho retira a beca para mostrar que vestia por baixo o uniforme de trabalho da mãe, que por anos administrava um pula-pula em uma praça.

No vídeo, Franco conta que trabalhou durante toda a sua formação abrindo um pula-pula na Praça do Imperial, na cidade de Castanhal, no Pará, para arrecadar o dinheiro suficiente para custear suas necessidades durante a formação como educador físico, na Universidade Federal do Pará (UFPA), além de sustentar a família com essa renda.

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“Não poderia deixar de homenagear essa mulher que é a minha rainha. Que sempre foi mãe e pai, que tem um papel mais do que fundamental na minha vida, na minha formação, sempre batalhou muito. Sempre fez de tudo pela gente, para mim e minha irmã, nunca teve vergonha, tudo que eu sou hoje é graças a senhora e pela senhora, eu te amo muito. Eu tenho muito orgulho da mulher que a senhora é e foi batalhando, trabalhando duro lá na praça, que hoje eu estou formando, te amo”.

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Com a aproximação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2022, previsto para os dias 13 e 20 de novembro, muitos estudantes se questionam se ainda há tempo para se dedicar à preparação, o que focar ou os conteúdos que devem ser priorizados nesses meses que antecedem a aplicação da avaliação, que a principal porta de entrada para o ensino superior e programas estudantis.

Ao LeiaJá, professores das disciplinas cobradas no Enem listam os assuntos que ainda podem ser estudados e revisados dentro do prazo para a realização da prova. Confira:

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Linguagens ( Professora Nathália Feitosa)

- Gêneros textuais

- Arte Contemporânea

- Modernismo

Inglês (Professor Fred Fonseca)

- Gêneros virtuais (fanfic, e-mail e Wiki)

- Polissemia

- Tempos perfeitos simples e contínuos

- Insistir na variação linguística

Espanhol ( Professora Bruna Lima)

- Conjunções

- Palavras homônimas

- Artigos 

- expressões idiomáticas

Geografia (Professor Luiz Felipe - Gallo)

Geografia Física

- Cartografia, Hidrografia, Geologia, Geomorfologia e Climatologia

Geografia Humana

- Geografia Agrária, Urbanização, População, Industrialização e Blocos Econômico

História

Professor João Pedro Holanda:

História do Brasil:

- Brasil Colonial e Imperial (Formações econômicas e Sociais) 

- Brasil Republicano (processo de modernização do Brasil, revoltas e autoritarismo)

História Geral:

- Idade Antiga: imperialismos e legados culturais 

- Idade Média: Teocentrismo e sociedade feudal 

- Idade Moderna: ascensão e crise do Antigo Regime

- Idade Contemporânea: expansão do capitalismo e seus conflitos

Professor Mardock:

- O mundo clássico e o legado dos Gregos e Romanos na cultura e na politica

- Revolução Industrial: o cotidiano nas fábricas e seus efeitos no mundo do trabalho

Brasil Colônia: sua sociedade e economia 

- As Revoluções Burguesas: a valorização da razão e seus efeitos no mundo

- A 2° Grande Guerra e seus efeitos no desenvolvimento tecnológico e político.

Sociologia (Professor João Pedro Holanda)

- Sociologia Política (Democracia, Cidadania, Movimentos Sociais) 

- Sociologia da Cultura (Etnocentrismo, Diversidade e Relativismo Cultural) 

- Sociologia do Trabalho (Sistemas Produtivos, Mundos do Trabalho sob o capitalismo)

Filosofia (Professor Pedro Germano)

Filosofia medieval (patrística e escolástica) 

Filosofia moderna (a crise da razão em Nieztsche) 

Filosofia contemporânea (o existencialismo em Sarte) 

Filosofia Pós- Moderna (Poder e discurso em Foucault) 

Filosofia Pós- Moderna e o abandono das totalidade

Biologia (Professor André Luiz)

- Ecologia: revisar conceitos básicos , fluxos de matéria ; energia e toxinas , relações ecológicas , biomas e poluição

- Citologia: revisar parede celular , membrana plasmática , citoplasma com organelas , mitões e meiose

- Programa de saúde: revisar conceitos básicos e as doenças ( viroses ; bacteriose ; protozoose e verminoses) 

- Origem da vida e bioquímica: revisar abiogênese e biogênese, experimentos de Redi e Pasteur, hipóteses sobre a origem da vida

- Fisiologia: revisar os sistemas digestivo, respiratório , circulatório ,excretor , nervoso e endócrino

- Genética e biotecnologia: revisar conceitos básicos em genética , 1 e 2 lei de Mendel e em biotecnologia, revisar clonagem , células tronco, OGM , transgênicos

Química (Professor Valter Júnior)

- Ligações covalentes

- Forças intermoleculares

- Ácidos e Bases de Arrhenius

- Introdução a química orgânica ( classificação de carbonos e cadeia) 

- Estudo dos Hidrocarbonetos

Física ( Professor Gustavo Pereira)

- Leis de Newton

- Termofísica

- Resistores

- Mecânica

Matemática (Professor Ricardo Rocha - Ricardinho)

- Probabilidade

- Análise combinatória

- Estatística

- Áreas das figuras planas

- Volume

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Aproveitar as oportunidades que surgem é fundamental para aqueles que sonham em passar em um concurso público. É necessário ficar atento às vagas que aparecem e principalmente garantir uma boa preparação para as etapas dos exames.

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Márcia Pessoa, diretora da plataforma de estudos voltada para concursos CEJURNORTE, afirma que concurso público é estratégia, e que uma estratégia de estudos é fundamental para um concurseiro que deseja obter sucesso. “O segredo é ter uma estratégia de estudo. É saber o que estudar, o que priorizar, é saber seguir a estratégia de estudo. Controle emocional, rotina, constância, disciplina e foco são os grandes segredos de alcançar aprovação”, disse a diretora.

Para Márcia, o essencial para um concurseiro que pretende alcançar seus objetivos é acreditar no processo. “Eu repito isso aqui de forma constante, a gente precisa acreditar. Não é fácil, é uma caminhada árdua, uma caminhada demorada, as frustrações fazem parte dessa trajetória, mas você precisa acima de tudo acreditar em você, acreditar no seu projeto e confiar que você é capaz e que vai chegar sua vez”, comentou.

Márcia também disse que contribuir na educação e poder fazer a diferença na vida dos alunos é gratificante. “Isso me move diariamente, poder fazer a diferença, poder ajudar, poder durante esse processo todo, que não é fácil, mostrar minha experiência para contribuir com eles, dividindo experiências, dividindo a luta, dividindo as dificuldades que todo concurseiro passa. É muito gratificante para mim poder contribuir com a realização de sonhos”, contou a diretora.

Raquel Melina, advogada e estudante de concurso, disse que o seu concurso dos sonhos hoje é a Defensoria Pública. Para ela, a melhor forma de estudar para um concurso público é em um local com ambiente propício. "Não em casa, pois tem muitas distrações. Uma biblioteca, uma cabine de estudos, procurar amizades que também estudem para concursos. Cada um vai ter seu jeito”, comentou a estudante.

 Sobre o quesito “fator psicológico”, a advogada disse que é bem difícil. Além da cobrança pessoal, existe também a cobrança externa de amigos, familiares e conhecidos. Porém, uma dica dada por Raquel foi o exercício físico. “Você tem que buscar a tranquilidade de um algum lugar e fazer um exercício físico também, é um clichê, né? Mas é exatamente isso. O clichê existe justamente porque funciona -  procurar atividades que te fazem bem além do estudo e manter uma tranquilidade, entender que é um processo demorado, mas tentar ser feliz de alguma forma”, afirmou a advogada.

Ramon Mesquita, advogado e estudante de concurso, afirma que o seu sonho é o Ministério Público do Pará. Segundo ele, a seleção é uma das mais difíceis do Brasil. Assim como Raquel, ele acredita que o exercício físico é a principal forma de conseguir ter uma mente saudável durante o processo de estudos para concurso. “Praticar um esporte é o que está me mantendo mais adaptado nessa rotina, que é estressante, complicada, mas eu tenho uma rotina de exercícios junto com os estudos que me garantiu uma possibilidade de manter esse ritmo”, disse Ramon.

Para o advogado, o segredo para obter sucesso está na resiliência. Segundo ele, com planos, metas e horários bem executados é possível chegar ao sucesso.

Ramon também afirmou que um dos principais benefícios de passar em um concurso público, além da estabilidade, é a possibilidade de fazer mudanças estruturais e sólidas na sociedade. “Com seu cargo você consegue buscar modificações dentro de uma sociedade, com alguma dificuldade que você está vendo no local. Pessoas vulneráveis especialmente, e tentar corrigir aquilo que dentro da população seria o anseio principal”, comentou o advogado.

Concursos públicos abertos no Pará

1) O Ministério Público do Estado do Pará tornou público o edital nº 1/2022 do VI concurso público para o provimento de cargos efetivos de nível médio e superior. A empresa selecionada para organizar, planejar e realizar o concurso público foi a CONSULPLAN. As provas estão previstas para serem aplicadas no dia 14 de agosto de 2022, nos períodos da tarde para nível superior, e período da manhã para nível médio/técnico. As inscrições podem ser feitas no próprio site da empresa www.consulplan.net, das 14 horas do dia 23 de maio às 16 horas do dia 23 de junho de 2022.

2) A Marinha abriu vagas para tenente com salário de até R$ 9 mil. As inscrições começam no dia 4 de julho, com oportunidades em 13 áreas. Os candidatos devem possuir a altura mínima de 1,54m e máxima de 2m, e devem também possuir menos de 35 anos (completados até 30 de junho de 2023). A taxa de participação é de R$ 140,00 e as inscrições devem ser efetuadas no site www.inscriçao.marinha.mil.br, entre os dias 4 e 17 de julho de 2022.

3) O Exército abriu 167 vagas para diversas áreas. Os editais do concurso do Exército para admissão aos cursos de formação de oficiais e de capelães já estão disponíveis. As inscrições começam às 10 horas do dia 14 de junho e se encerram às 15 horas do dia 5 de agosto, e podem ser efetuadas pelo site www.esfcex.eb.mil.br.

4) Processo seletivo da Receita Federal abre vagas para perito. As inscrições começam no dia 26 de maio e seguem até o dia 15 de junho, e podem ser feitas tanto de modo presencial quanto on-line. No caso da inscrição presencial o candidato deverá comparecer ao setor de Protocolo da Alfândega de Belém, na avenida Marechal Hermes, nº 901, bairro Umarizal, de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h. Já nas inscrições on-line, o candidato deve solicitar a abertura de processo digital para juntada de documentos pelo e-mail peritos.pa.alfbel@rfb.gov.br, em seguida completar o cadastro pelo site www.gov.br/receitafederal.

5) O Ibama divulga processos de seleção para o Prevfogo. A meta do processo seletivo Ibama é contratar novos funcionários temporários que ocupem as posições de Brigadista, Chefe de Esquadrão, Chefe de Brigada, Supervisor de Brigadas Estadual e Supervisor de Brigadas Federal. As inscrições se iniciam no dia 30 de maio se estendem até o dia 10 de junho de 2022.

Por Caio Brandão e Rodrigo Sauma (sob a supervisão do editor prof. Antonio Carlos Pimentel).

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O governo japonês abriu inscrições para os programas de bolsas de estudos de 2023 do Ministério da Educação, da Cultura, dos Esportes, da Ciência e da Tecnologia do país. Os candidatos selecionados terão a oportunidade de estudar em universidades japonesas como alunos de graduação, escola técnica ou curso profissionalizante, ou, ainda, de serem admitidos como alunos de pesquisa e conduzirem um projeto de mestrado ou doutorado no país.

A bolsa é integral e inclui o pagamento de passagem aérea, isenção de taxas escolares e ajuda de custo mensal. O programa prevê, ainda, um curso de língua japonesa durante o primeiro ano. Para residentes no Distrito Federal, no Goiás e em Tocantins, as inscrições devem ser entregues para a embaixada do Japão, presencialmente ou por correio. Residentes em outras localidades deverão procurar o consulado do Japão na região.

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Neste mês está aberta a inscrição para o programa de pós-graduação. Os estudos no Japão terão início em abril de 2023, com duração de dois anos.

Os candidatos devem cumprir uma série de requisitos, como escolaridade, proficiência em língua inglesa ou japonesa e idade máxima de 34 anos em abril de 2023. A seleção é composta de análise documental, provas escritas e entrevista. Em uma fase posterior, a documentação é enviada ao Japão para análise do ministério japonês.

No caso das bolsas de graduação, escola técnica e curso profissionalizante, serão aceitos candidatos com ensino médio concluído até março de 2023 e com até 24 anos de idade em abril de 2023. As inscrições abrem no dia 1º de junho e se encerram no dia 24 do mesmo mês. Todas as bolsas possuem requisitos para inscrição.

Informações adicionais estão disponíveis no site da embaixada e dúvidas podem ser esclarecidas no e-mail oferecido pela embaixada: cultural.japao@bs.mofa.go.jp.

A exatos seis meses para o primeiro dia de aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2022, previsto para os dias 13 e 20 novembro, os candidatos começam a intensificar os estudos. Nesta contagem regressiva para o exame, professores dão dicas ao LeiaJá dos assuntos que ainda dá tempo de estudar. Confira: 

Espanhol (Kilza Pascoal)

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Interpretação textual;

Falsos cognatos;

Expressões idiomáticas

Inglês (Fred Fonseca)

Gêneros textuais (Letra de música, propaganda, charge e tirinha);

Linking words;

Tempos simples e contínuos;

Variação linguística

Linguagens (Nathália Feitosa)

Gêneros textuais;

Modernismo;

Variação linguística

História (Cristiane Pantoja)

Idade Moderna (a partir do século XVIII);

Idade Contemporânea

Sociologia (Cristiane Pantoja)

Sociologia brasileira

Geografia (Hugo Andrade)

Movimentos Migratórios;

Globalização e Blocos econômicos;

Geopolítica mundial;

Industrialização

Física (Bárbara Cavalcanti)

Potência;

Energia;

Calor e fenômenos térmicos

Química (Josinaldo Lins)

Estequiometria; 

Propriedades dos Compostos Orgânicos;

Química Ambiental;

Equilíbrio Químico

“São quatro dos conteúdos mais cobrados ao longo dos anos no ENEM”, salienta o docente.

Biologia (André Luiz)

Genética;

Fisologia;

Citologia

Matemática (Ricardo Rocha)

Porcentagem;

Proporcionalidade;

Probabilidade;

Função

Sociedades médicas brasileiras esperam que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decida ainda este ano manter proibida a importação e venda de cigarros eletrônicos no Brasil. Em 2009, a agência publicou resolução proibindo os chamados Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs), que agora passam por processo de discussão e atualização de informações técnicas. 

A Anvisa está na fase da Tomada Pública de Subsídios, aberta a receber informações técnicas a respeito dos cigarros eletrônicos. “Esperamos que até o fim do ano tenhamos essa decisão. Mas o nosso papel agora é entregar à Anvisa todas as evidências científicas comprovando os malefícios do cigarro eletrônico”, disse Ricardo Meirelles, da Associação Médica Brasileira (AMB).

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A AMB, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e entidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), têm se unido em torno da proibição do comércio dos cigarros eletrônicos. Essas entidades alertaram a Anvisa sobre os prejuízos desse aparelho e têm lutado contra a informação falsa dos fabricantes, que afirmam que o cigarro eletrônico é alternativa mais saudável ao cigarro convencional.

“Vários estudos comprovam que os Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs) causam danos à saúde. Eles podem causar irritação brônquica, inflamação em quem tem doença pulmonar obstrutiva crônica (Dpoc). Essas pessoas não podem usar o cigarro eletrônico de maneira nenhuma”, afirmou Meirelles.

Aristóteles Alencar, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, explicou que esses aparelhos produzem partículas ultrafinas. Essas partículas conseguem ultrapassar a barreira dos alvéolos do pulmão e caem na corrente sanguínea, provocando inflamação. “Quando essa inflamação ocorre no endotélio, que é a camada que reveste internamente o vaso, pode dar início a eventos cardiovasculares agudos, como o infarto e a síndrome coronariana aguda, a angina do peito”.

Esse tipo de cigarro, chamado de vapers pelos fabricantes, na intenção de desassociar à figura do cigarro, contém uma série de substâncias nocivas e cancerígenas. Eles trazem, em sua composição, substâncias como nicotina, propilenoglicol e glicerol, ambos irritantes crônicos; acetona, etilenoglicol, formaldeído, entre outros produtos cancerígenas e metais pesados (níquel, chumbo, cádmio, ferro, sódio e alumínio). Para atrair consumidores, são incluídos aditivos e aromatizantes como tabaco, mentol, chocolate, café e álcool.

“O efeito protetor que se atribuía ao cigarro eletrônico não existe. Em países que liberaram esses produtos há crescente aumento de doenças cardiovasculares na população abaixo de 50 anos”, disse Alencar. “Diferente do cigarro convencional, que demora às vezes 20 ou 30 anos para manifestar doença no usuário, o cigarro eletrônico tem mostrado essa agressividade em menos tempo”, completou.

Outra substância perigosa encontrada em muitos desses cigarros é o tetrahidrocarbinol, ou THC. “É a substância que leva à dependência do usuário da maconha”, explicou Meirelles. Segundo ele, os DEFs também podem conter óleo de haxixe e outras drogas ilícitas.

Jovens e propaganda

Adolescentes são alvos das fabricantes de cigarros eletrônicos. O design dos aparelhos e as essências oferecidas são pistas de que, apesar de indicarem o produto apenas a adultos, buscam chamar a atenção de jovens. A adoção de sabores mais infantis, a aplicação de cores na fumaça e até mesmo o design de alguns modelos não são atraentes ao público adulto.

“A estratégia do sabor, por exemplo. Por mais que digam que não é um produto para criança, eu não conheço um adulto que use o sabor algodão-doce. Ele é bem caracterizado com essa ideia da juventude”, afirmou Sabrina Presman, da Associação Brasileira de Estudo de Álcool e Outras Drogas (Abead).

Ela também cita a semelhança do aparelho com itens de uso diário de um estudante, como canetas ou pen drives. “O próprio formato do cigarro eletrônico se confunde com as coisas do jovem. Ele é mais moderno e muitos pais não conseguem identificar o que é caneta, o que é lápis e o que é cigarro”.

Paulo César Corrêa, coordenador da comissão de tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), destacou que esses produtos são apresentados com slogans que tratam o cigarro convencional como ultrapassado e nocivo. A ideia é afastar essa má publicidade dos cigarros eletrônicos. Segundo ele, existem evidências de que há três vezes mais chances de pessoas que nunca fumaram passarem a fumar regularmente cigarros convencionais depois de usarem esses aparelhos.

Corrêa também alertou sobre a estratégia da indústria de cigarros eletrônicos em vender uma informação de que esse tipo de produto é menos nocivo que o cigarro convencional e que, portanto, trocar para os cigarros eletrônicos seria uma alternativa mais saudável. Ele, no entanto, alerta: cigarros eletrônicos não são apenas feitos de vapor e água.

“Ainda que não tenhamos a descrição completa dos riscos epidemiológicos, as evidências já existentes permitem dizer que o produto é extremamente perigoso e danoso à saúde individual e à saúde pública”.

Cigarro eletrônico

Os cigarros eletrônicos são aparelhos alimentados por bateria de lítio e um cartucho ou refil, que armazena o líquido. Esse aparelho tem um atomizador, que aquece e vaporiza a nicotina. O aparelho traz ainda um sensor, que é acionado no momento da tragada e ativa a bateria e a luz de led. Mas nem todos os cigarros eletrônicos vêm com luz de led.

A temperatura de vaporização da resistência é de 350°C. Nos cigarros convencionais, essa temperatura chega a 850°C. Ao serem aquecidos, os DEFs liberam um vapor líquido parecido com o cigarro convencional.

Os cigarros eletrônicos estão em sua quarta geração, onde é encontrada concentração maior de substâncias tóxicas. Existem ainda os cigarros de tabaco aquecido. São dispositivos eletrônicos para aquecer um bastão ou uma cápsula de tabaco comprimido a uma temperatura de 330°C. Dessa forma, produzem um aerossol inalável.

“Esses aparelhos expõem o usuário a emissões tóxicas, muitas das quais causam câncer”, explicou Cláudio Maierovitch, da Associação Brasileira de Saúde Coletiva.

Outro tipo de DEF se parece com um pen drive. São os sais de nicotina (nicotina + ácido benzóico). Esse tipo de cigarro provoca menos irritação no usuário, facilitando a inalação de nicotina. E, assim, provoca maior dependência. Os usuários desse aparelho têm pouca resposta ao tratamento convencional da dependência da nicotina. “Usar um dispositivo desse com 3% a 5% de nicotina equivale a fumar de dez a 15 cigarros por dia. Dispositivos com 7% de nicotina equivalem a mais de 20 cigarros por dia, cerca de um maço de cigarros”, disse Meirelles.

Entre a rotina do trabalho, filhos, de 22 e 15 anos de idade, e neto, Nadja Sauma do Nascimento, de 45 anos, prepara-se para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2022, o primeiro da sua vida.

Cotidianamente, os estudos se iniciam por volta das 4h30 da manhã, antes da saída para o trabalho, e são retomados horas após a chegada em casa. "Eu chego em casa do trabalho por volta das 18h30, 19h. Me organizo e vou para o quarto com o meu neto, de cinco anos, e estudo até umas 22h", conta a reportagem.

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A operadora de jogos online mantém os estudos sem o auxílio de cursos preparatórios e, devido ao tempo fora da sala de aula, conta que sua maior dificuldade é na disciplina de matemática, presente no segundo dia de aplicação do exame. “Eu estou um pouco enferrujada em matemática. Então, eu já estou providenciando um reforço para resolver algumas questões desse matéria", relata.

Nos planos de Nadja está uma vaga no curso de farmácia. Com a primeira experiência na avaliação, motivada pelo desejo de ingressar em uma instituição de ensino superior, o nervosismo encontra espaço durante a preparação. No entanto, ela não deixa de acreditar no resultado positivo no Enem. "Estou nervosa, mas espero que eu me dê bem. Estou me esforçando e no final vai dar tudo certo".  

Mulheres no Enem

Na última edição do Enem, dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que as mulheres foram maioria durante a realização do exame em 2021. Ao todo, 61% dos participantes eram do gênero feminino, contra 39% de inscritos homens.

Mesmo sendo maioria, as mulheres apresentaram um desempenho menor nas edições da avaliação de 2017, 2018 e 2019, quando comparado ao sexo masculino. Essa diferença, de acordo com a socióloga Martha Borges, tem relação, muitas vezes, às responsabilidades impostas desde cedo aos estudantes, como também, à sobrecarga materna.

"É importante destacar que ainda temos um machismo estrutural bem forte que nos coloca em uma posição de desvantagem em diversas esferas. Muitas vezes, as adolescentes precisam se dedicar aos afazeres domésticos e, até mesmo, aos filhos, colocando assim, os estudos e a carreira em segundo plano", aponta.

E complementa: "Vale salientar também que, diante da quantidade de mães solos e únicas responsáveis pelas questões financeiras, emocionais e educacionais dos filhos, há uma sobrecarga feminina. Não é fácil administrar as demandas do trabalho, casa, filhos e estudos. É preciso olhar com mais cuidado para essas mães".

 

A Prefeitura do Recife anunciou que autorizou o início dos estudos técnicos para estruturação de edital para construção de 44 novas creches na rede municipal de ensino. De acordo com a gestão municipal, a iniciativa é uma parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Ainda segundo a prefeitura, o valor dos contratos é de aproximadamente 1,5 milhão. A estimativa de custeio, inicialmente, era de cerca de R$ 2,75 milhões. A previsão para conclusão dos estudos, de responsabilidade da FGV Projetos, Dal Pozzo Advogados e Faccio Arquitetura, é até o final de 2022.

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As novas unidades ou reformas de creches já existentes será realizada por empresa concessionária, que também ficará responsável pela conservação dos imóveis durante a vigência do contrato. O projeto faz parte do Programa Infância na Creche, que prevê a abertura de 7 mil novas vagas até 2024 e ampliação das vagas na pré-escola.

Quando Hussein obteve permissão para ir trabalhar em Israel, esse palestino de Gaza não hesitou nem por um segundo em interromper os custosos estudos que estava prestes a terminar para poder, finalmente, ganhar a vida.

Ter a possibilidade de trabalhar fora deste enclave bloqueado por Israel desde 2007 é como se "os portões do paraíso se abrissem diante de mim", afirmou o jovem mestrando em relações públicas no pobre território palestino.

"Não trabalho há anos e tenho US$ 3.500 de dívidas para pagar meus estudos", acrescenta este pai de três filhos, que prefere omitir seu sobrenome por se sentir, assim como os demais palestinos, envergonhado por ter de aceitar pequenos trabalhos em Israel para ganhar a vida.

Depois de deixar as salas de aula da Universidade da cidade de Gaza há alguns meses, Hussein é entregador em Yafa, um bairro de Tel Aviv. Para ele, esse emprego é uma oportunidade de melhorar a renda de sua família e, posteriormente, de retomar os estudos.

A Faixa de Gaza, um minúsculo território com mais de 2 milhões de habitantes arrasado por guerras, tem uma taxa de pobreza de cerca de 60% e um desemprego endêmico que oscila em torno de 50%.

A renda por habitante se situa em torno de US$ 1.400 por ano, segundo dados oficiais.

- Reabertura -

Mahmud, de 40 anos, foi contratado por um restaurante de Herzliya, uma cidade litorânea ao norte de Tel Aviv, depois de anos trabalhando para organizações internacionais em Gaza. Estas últimas estão entre os empregadores mais desejados por seus salários elevados.

Sua licenciatura em serviço social não lhe serve de nada no estabelecimento onde trabalha agora, mas esta não é a prioridade no momento. Fazendo muitas horas extras, pai de três filhos pode ganhar até 550 shekels (US$ 170) por dia, além de comida e hospedagem, números que estão muito longe dos padrões de Gaza.

Em Israel, a maioria dos trabalhadores de Gaza ganha entre 250 e 700 shekels (US$ 78 e US$ 218) em agricultura e construção, muito mais do que se ganharia em Gaza, embora não disponham de seguridade social.

Desde o bloqueio de Gaza por parte de Israel, decorrente da chegada do movimento islâmico Hamas ao poder na Faixa de Gaza, "não há mais oportunidades de trabalho", lamenta Mahmud.

Antes de 2007 e do bloqueio israelense, cerca de 120.000 habitantes de Gaza trabalhavam em Israel.

Em 2019, Israel voltou a conceder permissões para homens casados com mais de 26 anos que atendam a certos critérios de segurança.

Nos últimos meses, após quase um ano e meio de fechamento da passagem fronteiriça de Erez, no norte de Gaza, devido ao coronavírus, as autoridades israelenses emitiram 12.000 autorizações. A maioria dela tem seis meses de duração, renováveis.

Desde então, o estacionamento do posto de controle de Erez, entre Gaza e Israel, está lotado de táxis e micro-ônibus esperando por eles.

- Sem proteção social -

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Gaza, Sami al-Amsi, diz que Israel pode conceder permissões para mais palestinos deste território em um futuro próximo. Embora veja isso como uma boa notícia, também pede que a proteção social seja garantida nos contratos.

Hoje, os habitantes de Gaza estão cobertos contra acidentes, apenas se seu empregador concordar em pagar pelo seguro, o que raramente acontece, diz a organização israelense Kav LaOved.

Há algumas semanas, um homem de Gaza foi atropelado por um veículo em seu local de trabalho em Israel. Mas "sua família não recebeu nenhuma indenização", lamenta Al Amsi.

Isso não assusta Adham, um homem de 35 anos com três diplomas em saúde pública e ciência da computação.

"Não tenho exigências, poderia trabalhar em um restaurante, supermercado, ou numa fábrica", garante.

Abu Oday, que recentemente solicitou uma permissão de trabalho, também não.

"Trabalho há 15 anos como jornalista freelancer", diz o fotojornalista de 38 anos, que prefere se apresentar sob pseudônimo. "Mas não consigo pagamentos decentes, salvo quando há uma guerra", acrescenta.

O mundo mudou, mas a escola permaneceu com os mesmos métodos de ensino, currículos rígidos de conteúdos e uma rotina pouco atraente para a parte dos estudantes. Na tentativa de mudar essa realidade e incentivar a permanência dos jovens na escola, o Ministério da Educação (MEC), propôs o Novo Ensino Médio, modelo que terá início neste ano de 2022 e oferecerá um aprendizado alinhado ao mercado de trabalho. 

Segundo o levantamento da organização Todos Pela Educação, os números de evasão escolar no Brasil cresceram 171% em 2021 em comparação com o ano de 2019, o que demonstra uma necessidade antiga, mas ainda atual, de re:ver o caminho percorrido pela educação básica. De acordo com o Secretário Executivo do MEC, Victor Godoy,  o novo modelo terá o papel de fazer o ensino médio ficar mais próximo das necessidades dos alunos.

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“Há aspectos que irão preparar o estudante para lidar com o planejamento de estudos em sua jornada escolar e profissional ao longo da vida. Dentre as expectativas, está a ampliação da implantação do ensino profissionalizante, tornar o ensino médio mais atrativo, reduzir os índices de evasão escolar e melhorar os índices de qualidade na educação brasileira”, afirma Godoy.

Para esclarecer o que será o Novo Ensino Médio e como ele funcionará, o LeiaJá responde a algumas dúvidas. Confira:

O que é Novo Ensino Médio 

É um novo modelo de aprendizagem no qual o estudante terá acesso aos conhecimentos essenciais em conjunto com uma formação técnica e profissionalizante. Para isso será implementada uma nova organização curricular, permitindo ao aluno a escolha de quais campos do conhecimento ele pretende se dedicar, conquistando, ao final da sua formação, o certificado regular acompanhado de um certificado de curso técnico ou profissionalizante.

Mudança na carga horária 


Com a iniciativa, a carga horária mínima será ampliada das atuais 800 horas para 1000 horas anuais, chegando a 3000 horas ao fim do ensino médio. Dessa forma, os estudantes terão que dedicar mais tempo aos estudos, ou seja, em vez de 4 horas de aulas por dia passarão a ser 5 horas. 

Essas horas serão distribuídas ao longo dos três anos, em cerca de 60% para os conteúdos essenciais, no caso 1800 horas-aulas, e outros 40%  para os itinerários formativos que irão ocupar 1200 horas-aulas.

Conteúdos 

O componente curricular será composto pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e pelos itinerários formativos. Segundo o MEC, não haverá exclusão de disciplinas mas sim a reformulação das mesmas em quatro áreas de conhecimentos, assim como já é feito no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), são elas: 

- Linguagens e suas Tecnologias

- Ciências Humanas e Sociais Aplicadas

- Matemática e suas Tecnologias

- Ciências da Natureza e suas Tecnologias

Já os itinerários formativos, que terão duração de 1200 horas, dizem respeito a um conjunto de unidades curriculares que serão ofertadas segundo a escolha das respectivas instituições de ensino, cada uma deverá oferecer ao menos duas formações, obrigatoriamente. Esses itinerários podem aprofundar os conhecimentos das quatro competências da BNCC ou proporcionar uma formação técnica e profissional (FTP). 

O grande diferencial é que o estudante terá autonomia para escolher a qual itinerário irá se dedicar durante seu ensino médio, havendo um alinhamento dessa formação com suas próprias aptidões como indivíduo e pretensões profissionais.

Como será implementado 

O Novo Ensino Médio será implementado de forma progressiva e tem início neste ano de 2022 para as escolas públicas e particulares. Confira o cronograma disponibilizado pelo MEC: 

1) No ano de 2022: implementação dos referenciais curriculares no 1º ano do ensino médio.
2) No ano de 2023: implementação dos referenciais curriculares nos 1º e 2º anos do ensino médio.
3) No ano de 2024: implementação dos referenciais curriculares em todos os anos do ensino médio.
4) Nos anos de 2022 a 2024: monitoramento da implementação dos referenciais curriculares e da formação continuada aos profissionais da educação.

O que pensam os professores e alunos 

O LeiaJá também conversou com alguns professores que atuam no ensino médio para saber suas opiniões e interrogações sobre o novo modelo. Segundo a professora de língua portuguesa e redação, Beth Andrade, a medida torna a educação mais próxima das necessidades reais dos estudantes atuais.

“É possível perceber que é consoante ao que o Enem vem trabalhando há muitos anos, vai existir essa linearidade com o exame que o aluno estuda o ensino médio inteiro para prestar lá no final e seguir na carreira. Além disso, dá um direcionamento também ao aluno, faz a escola ficar mais interessante, ficar mais conectada com a realidade da vida de cada estudante”, ressalta. 

O Novo Ensino Médio é uma mudança complexa, que precisa do envolvimento de todas as partes que compõem o sistema educacional, desde os órgãos responsáveis até os alunos e professores que irão vivenciar essa transição no dia a dia. Para a professora Beth Andrade, a ideia é positiva, mas existem ressalvas.

“Na teoria, é uma mudança muito atrativa para professores e alunos, porém, na prática, a gente tem o receio se isso realmente irá funcionar em todas as escolas, inicialmente causa um espanto em caso de não haver o suporte adequado", revela Beth Andrade.

A professora ainda ressalta a preocupação com as desigualdades existentes entre as escolas. "Tem o desafio da falta de investimento na formação dos professores e na infraestrutura para suporte desse aumento de carga horária e, consequente, aumento do tempo dos alunos na escola. É preciso haver uma formação assertiva, unânime, existe uma discrepância entre a rede pública e privada, o que é um dos maiores desafios", explica.

O professor de história Everaldo Chaves também demonstrou uma expectativa positiva para o Novo Ensino Médio. “Acredito que a mudança será válida, tornando o ensino básico mais próximo dos anseios dos estudantes, ao mesmo tempo em que gera uma maior autonomia pedagógica e possibilita um protagonismo para os discentes", diz. 

Para o professor,, o desafio também será a preparação de todas as partes para esse novo modelo. “O maior desafio será a adaptação, sem dúvidas. Toda mudança gera uma relativa insegurança junto à comunidade educacional. Para tanto, se faz necessário todo empenho das escolas e poder público para a formação de todos os agentes envolvidos, possibilitando a criação de novas habilidades no menor tempo possível", explica Everaldo.

Com um currículo mais atual, que qualifica o jovem para o mercado de trabalho e ainda oferece uma formação mais alinhada ao Enem, o Novo Ensino Médio é um desafio para todos, inclusive para os estudantes.

Segundo a aluna Alice Padrão, que irá iniciar o 1º ano em 2022, a mudança traz expectativas mas também receios. “Espero que este Novo Ensino Médio venha a melhorar a vida dos estudantes, estimulando eles a gostarem de estudar e se dedicarem ao assunto que têm preferência, mas não deixando de lado as outras matérias. Eu estou bastante receosa sobre esse novo ensino médio pois com ele vem diversas outras mudanças.”, explica. 

Alice ainda destaca suas dúvidas sobre essa nova estrutura: “Para mim seria ótimo ter mais aulas e aprofundar certas matérias que tenho maior afinidade e que vão me preparar para o curso que eu escolher na universidade. Porém, ao mesmo tempo, não sei se diminuir a carga horária de certas matérias (mesmo aquelas que eu não preciso tanto) sejam o ideal a se fazer”, finaliza a estudante.

Uma meta pode ser definida como os passos ou tarefas que devem ser realizados um a um até que uma pessoa consiga alcançar seu objetivo final. No caso dos estudantes, o sonho é conquistar uma vaga na universidade ou dar início a uma nova caminhada profissional, como no caso de concursos públicos. Para alcançar esses objetivos, nada melhor do que um planejamento realista e organizado. 

Para o professor de linguagens Felipe Rodrigues, a definição de metas tem um potencial de trazer motivação e amadurecimento aos candidatos: “As metas são capazes de fazer com que uma pessoa supere suas próprias limitações, existe uma questão psicológica de autoavaliação e autoconhecimento que permite ao estudante observar sua evolução e somar valores e conhecimentos que vão aproximá-lo do seu sonho.”

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Porém, por mais que as metas sejam fundamentais, é comum que com o entusiasmo da entrada de um ano novo o estudante crie planos de estudo pouco realistas e se frustre ao longo do caminho por não conseguir atender a essas expectativas. É o que vivencia Maria Eduarda, estudante que se dedica ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

“O Enem é uma prova extensa, são 90 questões por dia, o que para mim foi muito cansativo. Quem, assim como eu, já fez a prova e não conseguiu o resultado esperado, acaba sentindo uma pressão para no ano seguinte não deixar passar nenhum  assunto e conseguir aprender o máximo que puder. Porém, diante de tanto conteúdo e outros compromissos fica bem difícil.”, explica. 

A estudante ainda conta ao Vai Cair No Enem um pouco da sua rotina de estudos para 2022: “Como eu estudo em escola integral, tenho como meta usar os intervalos para estudar na biblioteca e também os finais de semana para me dedicar ao meu próprio plano de estudos para o Enem.”

Além do caso de Maria Eduarda, existem muitos estudantes que possuem uma rotina ainda mais difícil, como pessoas que trabalham, que possuem filhos e outras obrigações que acabam por ocupar boa parte das suas horas. Para ajudar esses candidatos, a reportagem conversou com os professores Felipe Rodrigues e Everaldo Chaves, além do coordenador pedagógico Marcos Nascimento, que ofereceram algumas dicas para os estudantes criarem metas realistas e eficazes de estudo, confira: 

Defina sua meta principal 

Antes de delimitar as metas mais específicas de estudo é preciso que o estudante tenha bem claro qual objetivo maior irá motivá-lo a enfrentar toda essa maratona de conteúdo. Pode ser entrar em uma universidade pública, passar em um concurso público, melhorar as notas de ciências exatas no exame seguinte, entre outras motivações. O importante, segundo o professor de história Everaldo Chaves, é poder visualizar esse ponto de chegada:

“Os obstáculos fazem parte, cada estudante tem sua própria realidade, daí a importância de ter sempre seu sonho em vista. A escolha de uma meta serve como uma bússola para o aluno, que irá nortear sua preparação até a chegada das provas.”, afirma.

Criar um cronograma realista 

Essa parte é fundamental, já que boa parte das frustrações dos estudantes são ocasionadas por planejamentos que não levam em conta suas dificuldades e limitações diárias. Confira o que os professores dizem a respeito:

“A realidade é o que tem mais peso, não adianta o estudante definir um cronograma distante da sua vida diária. Mesmo que ele perda em termos de quantidade de conteúdo, é fundamental compreender sua rotina antes de definir a quantidade de horas, prazos e assuntos. Então se ele trabalha, seu plano de estudo deve girar em torno das horas vagas e do final de semana.”, esclarece o professor Felipe Rodrigues. 

Segundo o professor Everaldo Chaves, uma meta precisa ser executável: “Uma boa meta de estudos é aquela plausível de ser cumprida. Não adianta criar metas mirabolantes. O aluno precisa respeitar os seus limites e ser consciente com o que for traçado como meta pedagógica, tais como carga horária semanal, bateria de questões, revisão teórica, monitoria e aulas.”

Priorize assuntos

Em meios aos compromissos diários, é impossível estudar todo o conteúdo programático de um processo seletivo. Nesse momento, o que os docentes recomendam é analisar os assuntos e priorizar no cronograma aqueles mais cobrados e que possuem maior peso na nota final. “Todos os conteúdos são importantes, contudo é mais inteligente avaliar quais conhecimentos específicos são mais prováveis estatisticamente de cair na prova", explica o coordenador pedagógico Marcos Nascimento.

Segundo Felipe Rodrigues, ter como meta estudar exatamente todos os assuntos pode causar bastante frustração e ansiedade. O ideal é adquirir o máximo de repertório possível.

“É um desafio, o estudante não vai saber de tudo na hora da prova, assim, a dica é ter os mecanismos necessários para erradicar falhas, para manusear os assuntos e através da interpretação usar a interdisciplinaridade para conseguir marcar as questões. Existem sim, assuntos chaves que devem ser priorizados", diz o docente.

Estabeleça prazos

Por mais que pareça trazer pressão, a definição de prazos é fundamental para que o candidato não se perca em meio a uma extensão de conteúdos e assim deixe assuntos importantes pendentes. Com a organização de datas delimitadas para aprender determinado tópico, é bem mais fácil manter o compromisso e seguir o cronograma.

“Prazos são fundamentais para que todo o conteúdo previamente planejado seja realmente contemplado. No entanto, os prazos podem e devem ser flexíveis, afinal ajustes e adequações são, por vezes, necessários.”, afirma o professor de história, Everaldo Chaves.

Já o professor de redação Felipe Rodrigues explica que no dia a dia os prazos são essenciais para que as metas sejam cumpridas: “O mercado de trabalho exigirá de todos a adequação aos prazos e à avaliação. Então já nos estudos o estudante deve se avaliar, ver seus pontos fracos e fortes, o que deve melhorar dentro de sua realidade de estudos. É sim, uma boa ideia estabelecer prazos semanais, ver o que ele conseguiu assimilar e assim ir seguindo a sequência dentro do cronograma que ele mesmo criou.”

Persistência

Os professores deixaram, ainda, uma mensagem sobre perseverança aos estudantes, já que mesmo com o planejamento perfeito, não será fácil manter o foco ao longo das dificuldades que aparecem no dia a dia. Segundo Everaldo, a resiliência é indispensável:

“Acredito que o estudante precisa ser resiliente. As frustrações fazem parte do processo, afinal nem sempre os nossos desejos acontecem, daí a importância da resiliência. O estudante determinado entende que por mais decepcionante que as falhas sejam, o foco e reavaliação das metas garantirão seu sucesso futuro.”

Segundo Felipe, é normal não cumprir todas as metas, o importante é não desistir e abrir mão dos estudos: “Não é derrota não seguir o cronograma de forma perfeita, mas é bastante frustrante passar um dia sem produzir nada, sem adquirir nenhum conhecimento, nem que seja a leitura de um mapa mental de assuntos estudados em determinado dia. Mesmo que não seja possível cumprir a meta principal, sempre é possível aprender, nem que seja por filmes, séries e atividades mais leves.”

Dois estudos do Reino Unido publicados nesta quarta-feira (22) mostraram que as infecções com a variante Ômicron de Covid-19 têm menos probabilidade de resultar em hospitalização em comparação com a variante delta, confirmando a tendência observada pela primeira vez na África do Sul.

Os estudos preliminares, um da Escócia e outro da Inglaterra, foram recebidos com cautela pelos especialistas que, no entanto, destacaram que qualquer vantagem teórica nos resultados ainda pode ser revertida pelo caráter altamente infeccioso da nova cepa, que ainda pode causar casos graves em geral.

"Estamos dizendo que isso se classifica como uma boa notícia, porque essas são as primeiras observações, são estatisticamente significativas e estamos mostrando um risco reduzido de hospitalização", declarou Jim McMenamin, co-autor da pesquisa escocesa.

O estudo escocês examinou os casos de Covid-19 registrados em novembro e dezembro e os agrupou de acordo com a variante que os produziu: delta ou Ômicron.

Assim, descobriu que "a Ômicron está associada a um risco dois terços menor de hospitalização por Covid-19, em comparação com a variante delta", ao mesmo tempo que mostra que a vacina de reforço oferece proteção adicional substancial contra a infecção sintomática.

O estudo foi pouco abrangente e não havia pessoas com menos de 60 anos internadas na época, mas os autores afirmam ter ajustado essas limitações por meio de métodos estatísticos.

A segunda pesquisa, inglesa, constatou que houve uma redução de 20 a 25% nas visitas hospitalares por Ômicron em comparação com a variante delta, e uma redução de 40 a 45% nas hospitalizações de uma noite ou mais, ou "admissões".

O estudo escocês analisou apenas as admissões, o que pode explicar em parte as diferenças observadas.

Azra Ghani, do Imperial College London, co-autor do estudo inglês, disse em um comunicado: "Embora a redução do risco de hospitalização com Ômicron seja reconfortante, o risco de infecção continua extremamente alto".

"Somando a dose de reforço, as vacinas continuam a oferecer a melhor proteção contra infecção e hospitalização", acrescentou.

Nenhum dos estudos foi ainda revisado por pares, mas aumenta as evidências crescentes sobre os resultados da doença por Ômicron.

Não está claro se a diminuição da taxa de gravidade dos casos de Ômicron se deve às características da variante ou se é mais fraca quando aparece em populações com maior imunidade por infecção anterior e por vacinação.

Penny Ward, professora de medicina farmacêutica do King's College London, que não faz parte da pesquisa, afirmou que "a notícia não minimiza a extraordinária proliferação desta variante na população, e o fato de que mesmo se uma pequena parte da população precisar de cuidados hospitalares por covid, isso pode levar a grandes números se a taxa de infecção na comunidade continuar aumentando".

Ao mesmo tempo que a variante Ômicron do coronavírus avança pelo mundo, pesquisas tentam medir o quanto as vacinas usadas até agora são capazes de proteger a população. Os estudos, ainda preliminares, mostram que a nova cepa pode escapar parcialmente de uma primeira barreira de proteção oferecida pelos imunizantes. E sugerem um caminho: doses de reforço.

Considerada uma variante de preocupação pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a Ômicron foi identificada na África do Sul em 24 de novembro. Até esta quarta-feira, já estava em 57 países, incluindo o Brasil. O temor tem relação não só com o número de mutações, mas com a localização dessas variações dentro do vírus. Das 50 alterações genéticas na cepa, 32 estão na proteína spike, aquela que permite a entrada do vírus nas células humanas. Grande parte das vacinas usa a proteína spike para induzir a resposta imune - por isso, alterações nessa parte do vírus preocupam tanto.

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As primeiras pesquisas para testar o impacto da variante na proteção das vacinas ainda são preliminares, não foram revisadas por outros cientistas e coletaram poucos dados. Esses estudos são realizados em laboratório: cientistas analisam a interação entre amostras de sangue de vacinados (com anticorpos) e a nova variante. As primeiras conclusões são de que há queda na capacidade da vacina de produzir anticorpos que neutralizam a Ômicron - o que os cientistas já esperavam.

Segundo uma pesquisa realizada na África do Sul com 12 pessoas, houve declínio de 41 vezes nos níveis de anticorpos neutralizantes contra a nova variante em vacinados com a Pfizer. O estudo, do Instituto de Pesquisa em Saúde de Durban, também apontou que a proteção parece ser maior entre os que já tinham se infectado antes de tomar a vacina. Para Alex Sigal, virologista que conduziu o estudo, os dados trazem boas notícias, apesar de ser preocupante a queda de anticorpos. Ele temia que as vacinas pudessem não fornecer proteção contra a variante. Havia o risco de que a Ômicron tivesse encontrado uma nova "porta" para entrar nas células - o que tornaria os anticorpos de vacinas inúteis.

Outra pesquisa preliminar, do Instituto Karolinska, na Suécia, e da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, mostrou que a redução na capacidade de neutralização dos anticorpos é variável. Em algumas amostras, quase não houve diminuição e, em outras, houve queda de 25 vezes em relação ao "vírus original". "A neutralização não é completamente perdida, o que é positivo", afirmou Ben Murrell, do Karolinska, nas redes sociais.

Insuficiente

Nesta quarta, um novo estudo, realizado pela Pfizer e pela BioNtech, indicou que, com um esquema de duas doses, a quantidade de anticorpos neutralizantes contra a variante Ômicron diminui, em média, 25 vezes em relação aos produzidos contra o vírus original. E "duas doses podem não ser suficientes para proteger contra a infecção" pela nova variante, conforme informaram as empresas. A pesquisa analisou 39 amostras.

Essa queda em anticorpos neutralizantes era esperada pelos cientistas - justamente por causa do número de mutações da Ômicron - e deve ocorrer com outras marcas de vacinas. Mas as últimas pesquisas não significam que as vacinas são ineficazes contra a Ômicron. Especialistas ponderam que os anticorpos analisados até agora em laboratórios não são a única barreira. As vacinas também induzem outros tipos de resposta imune, como as células T, que matam células infectadas e são importantes para evitar que uma pessoa infectada adoeça. "A Ômicron escapa mais do que as outras (variantes). Mas, provavelmente, ainda vamos ter proteção em termos de hospitalização, de doença sintomática", diz Cristina Bonorino, imunologista e membro dos comitês científico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI). A expectativa é de que a vacinação evite a forma grave da covid-19, mesmo com a Ômicron. Cientistas, no entanto, só poderão confirmar isso com análises no mundo real.

Nesta quarta, a Pfizer anunciou que vacinados "devem estar protegidos contra formas graves", já que o mecanismo de ativação de células T não parece ter sido afetado pelas mutações da Ômicron. "Sabemos que temos uma proteção clínica (com as vacinas), mas não em relação à infecção e transmissão", diz o virologista Fernando Spilki, da Universidade Feevale e coordenador da Rede Corona-ômica.Br, do Ministério da Ciência eTecnologia.

Reforço

"Está claro com os dados preliminares que a proteção é aumentada com uma 3.ª dose da nossa vacina", disse Albert Bourla, CEO da Pfizer. Ele também disse que é possível que a população venha a precisar de uma 4.ª dose.

Na mesma linha, o cientista Xiangxi Wang, pesquisador principal do Laboratório de Infecção e Imunidade do Instituto de Biofísica da Academia Chinesa de Ciências, afirmou nesta quarta que uma 3.ª dose da Coronavac, desenvolvida pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, produz anticorpos capazes de reconhecer a Ômicron. Ele citou uma triagem de mais de 500 unidades de anticorpos neutralizantes obtidos após a 3.ª dose. "Cerca de um terço apresentou grande afinidade de ligação com a proteína spike das cepas de preocupação, incluindo a Ômicron", afirmou. Segundo o Butantan, os cientistas ainda vão testar a capacidade de neutralização desses anticorpos contra o vírus para confirmar a eficácia.

"Dar a terceira dose é o que temos agora", afirma Jorge Kalil, imunologista da Faculdade de Medicina da Faculdade da Universidade de São Paulo (USP). Ele lembra que o desenvolvimento, a testagem e a aprovação de uma vacina completamente adaptada à Ômicron podem levar meses.

Uma vacina adaptada da Pfizer estaria disponível "até março", segundo a farmacêutica. A AstraZeneca informou que a plataforma de vacina desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford "permite responder rapidamente a novas variantes que possam surgir". A Johnson & Johnson informou que está testando amostras para medir a atividade neutralizante da Janssen contra a Ômicron. Paralelamente, a companhia busca uma vacina específica para a variante "e irá desenvolvê-la, conforme for necessário", afirmou.

"Se não vacinarmos, vão surgir variantes que escaparão da vacina. Por enquanto, quem se vacinou está razoavelmente protegido e quem não se vacinou deve se vacinar, mesmo tendo tido a doença", acrescenta Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A Universidade de Cambridge, na Inglaterra, está com inscrições abertas para a bolsa global de estudos Gates Cambridge, financiada pela Fundação Bill e Melinda Gates. No total são 55 bolsas integrais disponíveis, distribuídas para cursos de mestrado, doutorado e pós-doutorado (PhD). O prazo para se candidatar depende do curso e área pretendida, podendo ser até 2 de dezembro de 2021, ou 6 de janeiro de 2022.

Para se candidatar a uma das oportunidades, o participante deve cumprir certos critérios iniciais, como possuir um histórico acadêmico excelente, comprometimento em querer melhorar a vida das outras pessoas e capacidade de liderança, além de apresentar as razões pelas quais ele deve ser selecionado, por meio de uma carta de motivação.

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Os interessados em conseguir a bolsa de estudos devem enviar ainda a proposta de financiamento, sendo obrigatório que os candidatos ao PhD enviem a proposta do projeto de pesquisa. Também é necessário enviar uma carta de referência escrita por alguém que conheça o trabalho e as aspirações do candidato. As instruções para se inscrever estão disponíveis no site do programa.

O processo seletivo será feito em duas etapas, sendo a primeira uma análise curricular, de caráter eliminatório. Os candidatos selecionados para a etapa seguinte serão chamados para uma entrevista, onde eles poderão apresentar suas propostas e ideias, além de dissertar sobre seus planos acadêmicos e de carreira profissional e a importância da bolsa para isso. Os blocos de entrevistas são divididos em quatro áreas: artes; ciências biológicas; ciências físicas; e ciências sociais. O resultado dos aprovados está previsto para ser divulgado a partir de março de 2022.

Mais informações podem ser obtidas no portal do programa da Universidade.

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