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Seios expostos, bandeira LGBT em uma das mãos e um megafone na outra, a ativista transsexual Indianara protagoniza em Cannes um documentário sobre sua luta pela causa no Brasil.

Apresentado na seção de cinema independente ACID, "Indianara" acompanha a trajetória da carismática ativista carioca, em suas ações militantes e também em sua vida pessoal, ao lado do marido.

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Os diretores do filme, a francesa Aude Chevalier-Beaumel e o brasileiro Marcelo Barbosa, a descobriram em uma manifestação, quando ela citou os quase 200 transsexuais mortos em um ano. Aquela imagem os impactou.

Os cineastas admitem que no início, Indianara, de 48 anos, não estava convencida de querer participar do projeto, mas eles o viam como uma "emergência".

"Ela estava cansada, fisicamente, mentalmente. Ela já não se via na luta por muito mais tempo", diz Barbosa, em entrevista à AFP.

A perseverança dos cineastas finalmente fez a ativista aceitar, especialmente porque ela sabia que sua vida poderia se tornar um "exemplo para as próximas gerações".

As filmagens foram feitas ao longo de dois anos, entre as manifestações contra o ex-presidente Michel Temer em 2016 e as eleições presidenciais de 2018 que levaram Jair Bolsonaro ao poder.

Durante este período, filmaram os violentos protestos contra Temer, reuniões de militantes e, sobretudo, a Casa Nem, uma residência ocupada no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, que acolhia principalmente membros LGTB em situação de vulnerabilidade, e da qual Indianara foi uma das criadoras.

- Um "corpo-museu" -

A luta de Indianara para defender as minorias é refletida em seu corpo. Um "museu-corpo", diz Chevalier-Beaumel.

"Um corpo que carrega todas as lutas, que carrega também sofrimento, cicatrizes...", acrescenta a diretora.

"Tem muito essa consciência do registro de sua luta e quer deixar coisas para outras gerações", explica. Por isso, finalmente concordou em ser gravada.

Em 14 de março de 2018, tudo mudou. A vereadora negra Marielle Franco, que lutava pelos direitos dos negros, das mulheres e da comunidade LGBT, foi morta a tiros no centro do Rio de Janeiro.

Foi um duro golpe para o país, e também para Indianara. "Ela também se sentiu ameaçada, pensando que seria a próxima", confessa Chevalier-Beaumel.

Com ajuda financeira, instalou em sua casa um sistema de câmeras de segurança. "Mais ela não deixa de andar na rua, não deixa de ir às manifestações, não deixa de sair à noite", esclarece a diretora. "Não quer que isso mude sua rotina".

O documentário também mostra o cotidiano da militante transexual com seu parceiro, Maurício, um ex-militar conservador e muito católico. Apesar das diferenças abismais que os separam, eles se amam, insistem os cineastas.

Esta relação particular pode representar uma "mensagem de esperança", de que existe um "diálogo possível" em uma sociedade totalmente dividida após o triunfo de Bolsonaro.

O filme concorre à Queer Palm, que premia o melhor filme com tema LGBT.

Indianara planejava estar em Cannes para a apresentação do filme, mas uma condenação pela justiça francesa em 2008 a impediu de viajar para La Croisette. Na França, ela foi condenada por proxenetismo e passou vários anos na prisão.

Para os diretores, a ativista virou a página desses fatos, que segundo eles também aconteceram numa tentativa de proteger pessoas com problemas.

"Dei à luz um varão". "Melhor para ele". Este eloquente diálogo entre uma mãe e sua vizinha faz parte do melodrama "A vida invisível de Eurídice Gusmão", em que Karim Ainouz denuncia o patriarcado no Brasil.

Em seu terceiro longa-metragem apresentado em Cannes, Ainouz volta à temática que mais o emociona: as mulheres, uma forma de homenagear sua mãe, que o educou sozinha, e a sua avó que viveu 108 anos e a quem consagrou seu primeiro trabalho.

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Baseado no romance homônimo de Martha Batalha, "A vida invisível de Eurídice Gusmão" narra a trajetória de duas irmãs cariocas nos anos de 1950, cujos sonhos são soterrados pelo peso de uma sociedade machista.

O destino traça caminhos muito distintos para Eurídice e Guida, mas as duas almas gêmeas compartilham a frustração de não poderem se realizar e a dor incomensurável de viverem separadas no Rio.

Eurídice, determinada a ser pianista, lutará durante anos para ser aprovada em um conservatório, embora seu pai e seu marido não sejam capazes de entender por que uma mulher não quer ficar em casa para cuidar da família. Guida é atingida pela desgraça ainda muito jovem, precisando formar uma família menos convencional.

O filme marca a estreia das protagonistas, Carol Duarte e Julia Stockler, no cinema.

- Dar esperanças -

"O livro de Batalha me marcou", explicou à AFP Karim Ainouz após a projeção nesta segunda-feira de seu filme na competição na seção "Um certo olhar".

"Minha mãe era solteira e, jovem, eu me dei conta de como foi duro para ela. Eu tinha a impressão de que as coisas haviam mudado nos últimos 30 anos para as mulheres, mas com tudo que está acontecendo agora politicamente no mundo e no Brasil vejo que regredimos", acrescentou.

No Rio de Ainouz nos anos 1950, uma mãe solteira não pode sair do país com seu filho pequeno porque a autorização do pai é indispensável. Uma jovem esposa que não quer se precipitar em ter filhos vive constantemente com medo que seu marido a engravide. Uma esposa já mais velha se cala quando o patriarca da família humilha sua filha.

O filme se trata de uma "denúncia do patriarcado e do dano que pode causar", resume Ainouz. "Mas quero evitar apresentar as personagens como vítimas e explorar suas possibilidades de resistência", afirma.

"Isso é o mais importante do cinema de hoje em dia: mostrar que é preciso resistir e dar esperanças".

Potente em sentimentos, o filme reforça visualmente seu caráter melodramático com uma grande densidade de cores e uma atuação mais característica do teatro.

Sua inspiração: as primeiras telenovelas dos anos 1970. "Tenho recordações maravilhosas daquelas séries, de seus atores que vinham em sua maioria do teatro. Mas até agora eu sentia um certo pudor na hora de retomar seu estilo: tem que ser muito cuidadoso para não fazer um filme sem graça".

Ainouz diz ter perdido o medo a deixar os sentimentos aflorarem.

"As telenovelas têm a força de chegar a um grande público e não é coincidência que se goste tanto delas no Brasil", conclui.

Por trás dos flashes e do tapete vermelho, o Festival de Cannes esconde uma realidade menos glamourosa: decolagens de jatos privados, enormes iates no porto e quilos de comida no lixo, um "imenso desperdício" para as associações ecológicas.

"Sem dúvida resta muito trabalho por fazer na organização do festival para que se torne mais ecológico", lamentou o diretor francês e ativista Cyril Dion, que fez um apelo ao mundo do cinema para que lute pelo meio ambiente.

Durante 12 dias, a cidade se prepara para receber cineastas e estrelas de todo o mundo, mas a Associação para a Defesa do Meio Ambiente e da Natureza (ADEN) afirma que por trás da imagem glamourosa, o grande festival também provoca uma poluição desmedida.

"Durante o festival, a população triplica. Todas as pessoas se deslocam. Os profissionais e artistas vêm de avião ao aeroporto de Cannes e Nice, fileiras de carros, geralmente precedidos por motos com sirenas, os transportam aos hotéis para evitar engarrafamentos, iates imensos na baía deixam os motores ligados o dia inteiro para ter energia elétrica", afirma a presidente da associação, Geneviève Huchet.

A equipe técnica troca o tapete vermelho três ou quatro vezes ao dia, milhares de papéis impressos são distribuídos - e que muitas vezes acabam no mar -, completa a ativista, que denuncia um "consumo frenético". Em 2015, de acordo com os últimos dados disponíveis, o festival gerou 1.900 toneladas de lixo, segundo a ADEN.

- DiCaprio e os iates -

Os ativistas criticam a pompa que cerca as diversas estrelas que viajam a Cannes.

"Antecipam as demandas das estrelas, imaginam seus desejos de pedir flores, às vezes de mudar a decoração da suíte, imaginam o que gostariam de comer, mesmo quando não será consumido e acabará no lixo", insiste Huchet.

Em alto mar, os fogos de artifício lançados dos iates ao fim das festas geram uma poluição de partículas finas com elementos que caem no mar. Também provocam uma poluição luminosa que perturba as aves marinhas.

Mas o pior de tudo são os jatos que sobrevoam a região a partir do início do festival e durante todo o verão.

O aeroporto de Cannes registrou no ano passado 1.700 pousos e decolagens de aviões de negócios durante o mês de maio, ou seja, 54 por dia, e mais de 2.000 em pleno verão.

O nível de ruído pode superar 80 decibéis dependendo da aeronave. Normalmente o som ambiente, exceto em eventos aeronáuticos, é inferior a 50 decibéis, recorda a Associação de Defesa contra a Poluição Sonora (ADNA).

"As estrelas são muito boas, mas com seus jatos barulhentos arruinam nossa vida. Não podemos ficar com as janelas abertas durante o período", lamenta Albert Dauphin, seu presidente.

Além disso, os moradores encontram querosene nos jardins devido à combustão incompleta das pequenas aeronaves que sobrevoam a zona urbana.

"Muitas estrelas se mostram como defensores do meio ambiente e depois, na realidade, há alguns paradoxos", declarou o prefeito de Cannes, David Lisnard, que nega uma tolerância especial com os famosos.

Se o ator Leonardo DiCaprio, grande defensor do meio ambiente e também adepto dos iates, "jogar óleo de seu barco na baía de Cannes será multado como os outros", afirma.

O lendário ator francês Alain Delon, sete vezes em disputa em Cannes, mas nunca premiado, receberá neste domingo (19) uma Palma de Ouro Honorária, apesar dos protestos de associações feministas que o acusam de violência de gênero.

O ícone do cinema francês receberá este prêmio pelo conjunto de sua carreira das mãos de sua filha Anouchka.

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O prêmio provocou polêmica antes mesmo do início do festival. Um grupo de feministas acusou o ator de ser "racista, homofóbico e misógino", de acordo com os termos da associação americana Women and Hollywood, baseando-se em declarações que ele fez no passado.

Uma petição com mais de 25.000 assinaturas pediu aos organizadores do concurso que "não o homenageassem".

"Não deve haver homenagem aos agressores", reagiu o coletivo francês Osez le Féminisme. "#MeToo não nos ensinou nada? Exigimos que o Festival de Cinema de Cannes se recuse a homenagear um agressor misógino".

No jornal francês JDD, o ator acusou seus detratores de "inventarem declarações".

"Eu não sou contra o casamento gay, eu não me importo: as pessoas fazem o que querem. Mas eu sou contra a adoção por duas pessoas do mesmo sexo (...) Eu disse que tinha batido em uma mulher? Sim. E eu teria que acrescentar que recebi mais golpes do que dei. Nunca assediei uma mulher em minha vida".

"Querem me colocar o rótulo de extrema direita porque eu expliquei que era amigo de (Jean-Marie) LePen desde o Exército. Não, eu sou de direita, ponto final", continuou.

Denunciando uma "polícia política", o diretor geral do festival, Thierry Frémaux, defendeu o ator: "Alain Delon tem o direito de pensar o que pensa", afirmou, estimando que "é difícil julgar com a perspectiva de hoje coisas feitas ou ditas" no passado. "Nós não estamos lhe dando o Prêmio Nobel da Paz", disse.

Embora tenha aceitado receber esta Palma de Ouro Honorária, o ator, de 83 anos, manteve uma relação de altos e baixos com o Festival de Cannes.

- "Nunca mais" -

Ele esteve em La Croisette pela última vez em 2013, para a exibição de uma cópia restaurada de "O Sol por Testemunha" de René Clément, "seu mestre absoluto", depois de ter apresentado em 2010 uma versão restaurada de "O Leopardo".

Antes, porém, recusou-se por 10 anos a colocar os pés no festival, indignado por não ter sido convidado, como Jean-Paul Belmondo, para as comemorações do 50º aniversário da mostra, em 1997.

Em 1961, pisou no tapete vermelho pela primeira vez com "Que alegria de viver!", de René Clément, em competição, retornando em 1962 com "O Eclipse" de Michelangelo Antonioni, Prêmio do Júri. Em 1963 esteve de volta com "O Leopardo" de Luchino Visconti, vencedor da Palma de Ouro.

Mas em 1976, quando apresentou "Cidadão Klein" de Joseph Losey, o filme não foi bem recebido, o que irritou o ator.

Em 1990 esteve em competição com "Nouvelle vague" de Jean-Luc Godard, quando se reconciliou com La Croisette.

Depois se seguiram anos de tensão, que inclusive o levaram a dizer em 2006 que "nunca mais" subiria a escadaria do Festival.

Um ano depois desta declaração, voltou a Cannes, convidado para a 60º edição do Festival. "Somente os imbecis não mudam de opinião!", declarou na ocasião.

Marina Ruy Barbosa poderá se dedicar aos compromissos fora do set de filmagem ao final da novela "O Sétimo Guardião" com mais tranquilidade. A atriz esbanjou elegância nesta sexta-feira (17), na França, durante sua passagem pelo Festival de Cinema de Cannes.

No tapete vermelho do evento, a ruiva surgiu deslumbrante de vestido longo e com um acessório de parar o trânsito, ou melhor, a conta bancária. Segundo especialistas, Marina ostentou no seu pescoço um colar de diamantes e esmeraldas avaliado em aproximadamente R$ 3 milhões.

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A joia da grife suíça Chopard deixou os fãs de Marina boquiabertos. Após publicar na internet uma foto do look completo, a jovem recebeu comentários bem-humorados. "Esse colar resolveria minha vida", brincou uma seguidora do Instagram. 

Veja:

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Incansável em seu combate contra o ultraliberalismo, o diretor britânico Ken Loach apresenta "Sorry We Missed You", nesta sexta-feira (17), em Cannes, e pode se transformar no primeiro cineasta da história a conquistar três Palmas de Ouro.

Três anos depois de ser coroado na Croisette com "Eu, Daniel Blake", Loach conta a história de Ricky e Abby, pais de dois filhos e que, apesar de trabalharem incansavelmente, não conseguem uma vida melhor.

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Cansado de rodar de emprego em emprego, Ricky decide comprar uma van para trabalhar como transportador por conta própria, embora ligado a uma agência. Um novo trabalho baseado em um "contrato zero horas" que terá repercussões desastrosas em sua família.

Em uma alusão direta à "uberização" da sociedade, ou à terceirização dos empregados, o cineasta britânico tenta mostrar a precariedade do mercado de trabalho atual, onde não é necessário que "um patrão use o chicote, porque o trabalhador explora a si mesmo".

E essa situação de insegurança no trabalho faz a extrema direita crescer, alerta o diretor.

"Se não resolvermos isso, a extrema direita continuará avançando, porque as pessoas ficarão cada vez mais infelizes, mais indignadas, sem esperança. Terão cada vez mais medo", declarou Loach na coletiva de imprensa do filme na quinta-feira.

"A extrema direita se expande pelo medo", enfatiza.

Ele também ataca as mudanças climáticas. "Tudo que se compra é entregue usando energias fósseis, e elas destroem o planeta", apontou.

- Cidadania de Cannes -

Com "Sorry We Missed You", Loach, de 82 anos, mostra um de seus trabalhos mais "poderosos, com cenas que tiram o fôlego", segundo o crítico David Rooney, do veículo especializado The Hollywood Reporter.

Para Lee Marshall, da revista Screen, "estamos diante de um dos melhores filmes britânicos" e, para Carlos Boyero, do El País, "é um filme verdadeiro e excitante".

Junto com seu roteirista habitual, Paul Laverty, Loach volta a situar sua história em Newcastle, no nordeste da Inglaterra, um "microcosmo com uma tradição de luta", segundo ele.

Grande assíduo da Croisette, onde participou mais de uma dúzia de vezes, Loach brincou que deveria receber a "cidadania de Cannes".

Com sua outra Palma de Ouro por "Ventos da liberdade" em 2006, ele faz parte do seleto grupo de cineastas que têm dois grandes prêmios, incluindo o austríaco Michael Haneke, o sérvio Emir Kusturica e os irmãos belgas Luc e Jean-Pierre Dardenne.

Nesta 72ª edição do festival, um dos mais ambiciosos dos últimos anos, grandes pesos-pesados da Sétima Arte competem pela cobiçada Palma de Ouro.

Os Dardenne, também presença constante no concurso, estão de volta aos holofotes de Cannes com "O jovem Ahmed".

O cineasta espanhol Pedro Almodóvar, com "Dolor y gloria", aspira pela sexta vez a sua primeira estatueta.

Curiosamente, o diretor espanhol já perdeu duas vezes para o veterano britânico. Foi em 2006, quando Almodóvar apresentou o filme "Volver", e em 2016, com "Julieta".

  Conhecido por interpretar uma drag queen na novela A Força do Querer, na Globo, o ator Silvero Pereira ‘arrasou’ nesta quarta-feira (15) ao aparecer vestido de mulher no Festival de Cannes. Além do vestido longo, ele aderiu a peruca, maquiagem e acessórios.

Silvero foi ao festival representando o longa ‘Bacurau’, do pernambucano Kleber Mendonça. O filme concorre à Palma de Ouro, premiação máxima da competição. Em seu Instagram, Silvero explicou a razão por optar pela vestimenta. “Desde pequenininho usei, ESCONDIDO, lençóis como vestido e toalhas como peruca HOJE escolhi essa vitrine pra dizer do medo que sofria e da coragem que construí no meu corpo, na minha força interior!”, escreveu.

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Nos comentários, os fãs elogiaram a atitude: "brilha muito e brilha mais!"; "D I V A da diversidade"; "Arrasou !!! Parabéns, lindo como sempre', escreveram. 

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Desta vez o protesto não aconteceu no tapete vermelho, mas sim no próprio filme. O diretor Kleber Mendonça Filho apresentou nesta quarta-feira (15), em Cannes, "Bacurau", uma produção em que há muito sangue e grande carga política.

A história se passa num futuro muito próximo, na localidade sertaneja de Bacurau, que some do mapa. Os celulares param de funcionar, deixando os moradores isolados. Os assassinos têm carta branca para matar todo mundo.

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O terceiro longa-metragem de Mendonça, codirigido por Juliano Dornelles, seu diretor artístico até agora, compete pela Palma de Ouro, três anos depois de participar do festival com "Aquarius".

Na época, o cineasta protagonizou ao lado do elenco um protesto no tapete vermelho para denunciar "um golpe de Estado" contra a ex-presidente Dilma Rousseff.

"Este ano não terá protesto" contra o presidente Jair Bolsonaro, disse à AFP Mendonça horas antes da estreia. "O filme é suficiente".

- "Índios" com olhos azuis -

"Bacurau", carregada de cenas truculentas e uma estética inspirada nos filmes de faroeste dos anos 1970, pode ser encarado como um tributo às comunidades do interior do Brasil, que nesta produção não se deixam intimidar pelo grupo de assassinos americanos que trabalham para as autoridades locais.

"A diferença em relação aos westerns tradicionais é que os índios eram filmados de longe, só era possível ouvi-los gritar", explicou Dornelles. "Em Bacurau os índios são os louros com olhos azuis, mas nós nos aproximamos deles e os fizemos falar".

Com a participação de Sônia Braga -protagonista de "Aquarius", e do alemão Udo Kier-, Mendonça afirmou que esta produção serve "para suportar a loucura que está acontecendo agora" com Bolsonaro.

O diretor lembrou que o roteiro foi escrito anos antes do atual presidente brasileiro assumir o cargo.

Dornelles reconheceu que o roteiro original tinha muito mais humor. Mas os acontecimentos no país acabaram convertendo o filme numa história "muito mais séria".

Mendonça acrescentou: "Por exemplo, o Rio agora vive um momento deprimente, a nível municipal, estadual e federal. As pessoas estão se mudando para Recife (sua cidade natal) como se fossem refugiados e os estamos acolhendo, porque de alguma maneira continuamos protegidos cultural e politicamente".

- A poção mágica do Astérix -

Apesar disso, os diretores se deixam levar atrás da câmara pelos caminhos da imaginação. Convertidos em resistentes, os habitantes de Bacurau contra-atacam a sangue frio graças a uma potente droga que os impede de sentir medo para ser tão sanguinários como seus agressores.

"É como a poção mágica do Astérix!", disse Dornelles.

"Bacurau" foi exibido no segundo dia do Festival de Cannes, após a sessão de abertura com "Os Mortos Não Morrem", de Jim Jarmusch. Ambos filmes têm em comum o fato de terem a trama centrada em cidades do interior, cujos habitantes lutam com determinação contra invasores, que no caso da produção americana são zumbis.

A produção brasileira e "Dor e glória", de Pedro Almodóvar, são os único filmes ibero-americanos na competição oficial.

Curiosamente, Almodóvar e Mendonça foram os dois últimos cineastas ibero-americanos a concorrer à Palma de Ouro, ambos em 2016. Mas o prêmio ficou com "Eu, Daniel Blake", do britânico Ken Loach, que retorna à competição com "Sorry we missed you".

O segundo dia do Festival de Cannes teve looks incríveis e até mais uma presença brasileira no tapete vermelho: Isis Valverde. A atriz foi conferir o filme Les Miserábles, e apostou em um longo branco da grife Azzuro.

Alessandra Ambrósio novamente tirou o fôlego de quem a viu no tapete vermelho, em um vestido vermelho com uma fenda poderosa na perna.

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Com um terninho Chanel clássico, Selena Gomez chamou a atenção mais uma vez no evento também, já que no primeiro dia do festival, terça-feira, dia 14, ela derrubou queixos com um conjunto branco Louis Vuitton.

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Com os cabelos desgrenhados e vestindo camisa laranja, o ator americano Bill Murray, que interpreta um policial no filme "Os mortos não morrem", de Jim Jarmusch, divertiu os fotógrafos nesta quarta-feira (15) com suas poses divertidas no Festival de Cannes.

Reclinado como se fosse um modelo em um ensaio sensual, o ator, de 68 anos, fez uma série de poses para os fotógrafos, que acabaram aplaudindo o comediante.

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Durante coletiva de imprensa de apresentação do filme, ao lado dos companheiros de elenco Tilda Swinton, Chloë Sevigny e Selena Gomez, Murray também fez alguns dos comentários mais divertidos.

Perguntado quais filmes de terror o apavoravam, o ator respondeu: "Cannes me dá medo". E quando seu interlocutor garantiu que na Croisette não havia zumbis como no filme em que atua, Murray respondeu: "É o que você diz".

O comediante também ironizou os riscos de ser ator, arriscando a vida a cada dia, e deu como exemplo chegar "a este edifício (do Palácio dos Festivais) hoje", em alusão às fortes medidas de segurança.

Depois, Murray recorreu à poesia, ao relacionar a profissão de ator às mudanças climáticas.

"Quando não estou trabalhando, sou preguiçoso (...) Sou uma pessoa melhor quando trabalho em um filme", disse. "Este é o meu pequeno bloco de gelo onde eu me encontro e espero que não derreta", completou.

Os distúrbios de 2005 na França explodiram nos subúrbios em que ele cresceu: agora, o diretor Ladj Ly, que começa a ser chamado por alguns de "Spike Lee francês", apresenta seu olhar sobre esta juventude revoltada no Festival de Cannes.

"Tudo que há neste filme é baseado em experiências pessoais", Ly, de 39 anos, em referência a seu primeiro longa-metragem, "Los misérables", exibido nesta quarta-feira e que disputa a Palma de Ouro.

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Para Ly, o subúrbio nos arredores de Paris em que ele vive é seu cenário: Montfermeil, perto de Clichy-sous-Bois, epicentro da revolta urbana que explodiu em 2005 na França, depois que dois adolescentes morreram eletrocutados durante uma fuga da polícia.

A onda de violência, com um pano de funo de pobreza e desemprego, algo sem comparações no país desde maio de 1968, foi o tema escolhido pelo diretor autodidata, filho de pais malineses.

"Durante cinco anos, filmei tudo o que acontecia no bairro, sobretudo os policiais. Eles chegavam, eu pegava minha câmera e registrava, até o dia em que filmei um verdadeiro confronto", explicou Ly.

"Los misérables" narra a história de três agentes durante os distúrbios de 2005 e complementa seu curta-metragem de mesmo nome, indicado no ano passado para o César, a premiação do cinema francês.

"Os subúrbios são barris de pólvora: há clãs e, apesar de tudo, tentamos viver juntos para que não aconteça o caos. É o que mostro no filme, como cada um administra seu dia a dia para seguir adiante", completa o cineasta, que lembra ter sido revistado pela primeira vez pela polícia quando tinha 10 anos.

Ly, que destaca a irritação dos jovens que se sentem abandonados pela sociedade, evita cair no maniqueísmo e demonizar as forças de segurança.

"Os policiais também estão em modo de sobrevivência, também vivem na miséria", afirma.

O bairro do diretor, de 5.400 habitantes e com índice de desemprego de 40%, também é sede da escola de cinema que ele fundou com o coletivo artístico Kourtrajme, formado por figuras como o artista urbano JR, criado na mesma região.

A matrícula é gratuita e para as 30 vagas disponíveis em cada especialidade - roteiro, direção e pós-produção - a escola recebe mais de 1.500 candidaturas, a grande maioria de moradores dos subúrbios das grandes cidades da França.

Ly quer demonstrar que "é possível fazer filmes sem montanhas de dinheiro" e compartilhar conhecimentos e contatos com quem "não tem nenhum".

"Estas são portas que não se abrem para quem vem de certas classes sociais", afirmou poucos dias antes do festival.

Ly estudou na prestigiosa faculdade de cinema Femis, em Paris.

Ao mesmo tempo, o diretor acredita que o "cinema está começando a se abrir à diversidade".

"Porque também se trata disso: estou cansado de que os outros contem nossas histórias em nosso lugar".

Ladj Ly poderá contar sua história no maior festival de cinema do mundo, evento em que seu filme disputará a Palma de Ouro ao lado de pesos pesados como Quentin Tarantino, Terrence Malick, Pedro Almodóvar e Ken Loach.

Após terem tomado distância em edições passadas, Hollywood e Cannes voltam a andar de mãos dadas este ano na Croisette, com a presença de Quentin Tarantino e Jim Jarmusch, em um ambiente competitivo entre os festivais de cinema.

O fato de Cannes ter obtido "Rocketman", a biografia sobre Elton John, apresentada fora de competição, "foi uma boa jogada e um passo importante porque a Paramount era historicamente um dos estúdios mais relutantes em levar filmes para o festival", explicou Christian Jungen, jornalista suíço e autor do livro "Hollywood in Cannes".

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Outros grandes estúdios também estão presentes, como Universal, com "The Dead Don't Die", de Jim Jarmusch, com um elenco de estrelas, com Bill Murray, Tilda Swinton e Adam Driver; bem como Warner, com a exibição em 4k de "O Iluminado", de Stanley Kubrick.

Com Jarmusch e Terrence Malick ("A hidden life"), Tarantino será o grande protagonista de Hollywood com seu filme "Era uma Vez em Hollywood", com Leonardo DiCaprio e Brad Pitt. Sua presença também permite que Cannes "comemore sua própria história gloriosa, 25 anos depois da Palma de Ouro de 'Pulp fiction'", segundo Jungen.

Sem esquecer Sylvester Stallone, que irá ao festival para apresentar os primeiros minutos de "Rambo V" e uma versão restaurada de seu primeiro trabalho, de 1982.

- A crítica implacável de Cannes -

Thierry Fremaux, delegado do Festival de Cannes, quis ressaltar o apoio dos estúdios de Hollywood ao apresentar em abril a programação dos filmes selecionados, com palavras de agradecimento em particular a Jim Gianopolus, chefe da Paramount.

Em 2001, como presidente da Fox, Gianopolus permitiu que Cannes fizesse a estreia de "Moulin Rouge".

Os estúdios retornavam assim à maior mostra de cinema do mundo depois de vários anos difíceis. Por exemplo, com grandes produções, muitas vezes fora de competição, como "Matrix Reloaded" e o quarto filme de Indiana Jones.

Mas alguns desses filmes deixaram Cannes com um gosto amargo, sendo alvos de críticas ferozes, como foi o caso de "O Código Da Vinci" e Han Solo: Uma História Star Wars, o spin-off da saga "Star Wars" apresentado no ano passado.

Outra dificuldade acrescentada a Hollywood é o fato de Cannes acontecer em maio, muito antes do Oscar no final de fevereiro.

Neste sentido, Veneza e Toronto têm a vantagem de acontecerem em setembro, além de serem festivais que têm ganhado peso aos olhos dos produtores e distribuidores americanos, especialmente para filmes autorais.

- "Obsessão com o Oscar" -

Sintoma desta evolução: Veneza acolheu nos últimos anos "Gravidade", "La La Land: Cantando Estações", "A forma da água" e "Roma", todos posteriormente recompensados com o Oscar de melhor filme e/ou diretor.

No ano passado, "Infiltrado na Klan" ganhou o Grand Prix de Cannes e, em seguida, o seu diretor, Spike Lee, conquistou o primeiro Oscar de sua carreira.

Mas é preciso voltar a 2012 para encontrar outro filme presente na Croisette e recompensado pela Academia: "O Artista", com cinco prêmios Oscar, incluindo de melhor filme e diretor.

Fremaux criticou recentemente em entrevista ao jornal francês Le Monde, a "obsessão generalizada com o Oscar", sublinhando que "o projeto de Cannes é o cinema mundial, a direção e os autores".

Cannes também trava uma queda de braço com o Netflix, ausente da competição oficial desde o ano passado, devido a uma nova regra que obriga os filmes selecionados serem exibidos nos cinemas franceses.

Em contrapartida, a Berlinale e Veneza decidiram acolher a plataforma on-line, com o caso emblemático de "Roma", de Alfonso Cuarón, Leão de Ouro na Mostra e vencedor de 3 Oscar, incluindo de melhor diretor e melhor filme estrangeiro.

A Netflix também não estará presente no Marché du Film de Cannes, um dos maiores eventos anuais da indústria cinematográfica.

Em Cannes, Netflix aparecerá apenas com o filme "Wounds", que será apresentado na seção independente Quinzena dos Realizadores.

Com cineastas consagrados e estrelas planetárias, o Festival de Cannes começa nessa terça-feira (14) com uma grande aposta para se reafirmar como o maior evento de cinema do mundo, atraindo de Quentin Tarantino a Pedro Almodóvar e com a participação de "Bacurau", de Kleber Mendonça Filho.

No olho do furacão por sua queda de braço com a Netflix - excluída do festival desde 2018 - e em parte questionado por competições de menor perfil nas últimas edições, o festival selecionou nesse ano pesos pesados: Terrence Malick, Ken Loach, os irmãos Jean Pierre e Luc Dardenne e Abdellatif Kechiche, que junto a Tarantino somam 7 Palmas de Ouro.

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Diego Maradona, Selena Gómez, Iggy Pop e Bono serão protagonistas do tapete vermelho, pelo qual mais um ano vão desfilar as estrelas do cinema mexicano, especialmente o oscarizado diretor Alejandro González Iñárritu, presidente do júri do festival.

Um filme de terror-comédia vai abrir a competição: "Os Mortos Não Morrem", do cineasta americano Jim Jarmusch, com Bill Murray, Adam Driver e Tilda Swinton em uma cidade em que os mortos saem das tumbas para atacar os vivos de forma selvagem.

- Almodóvar: de novo aspirante -

Recém-terminado e incluído no último minuto, "Era uma Vez em Hollywood", com Leonardo DiCaprio e Brad Pitt é a volta de Tarantino a Cannes, onde há 25 anos o diretor ganhou a Palma de Ouro com "Pulp Fiction".

Outro frequentador do festival, mas que o prêmio escapou por cinco vezes das mãos, é Pedro Almodóvar, que tentará ganhar mais uma vez com "Dolor y gloria", seu filme mais autobiográfico protagonizado por Antonio Banderas com participação de Penélope Cruz.

Também volta à competição o brasileiro Kleber Mendonça Filho, com seu filme "Bacurau" codirigido por Juliano Dornelles e interpretado por Sonia Braga. No filme, um diretor de cinema viaja para o interior do país para rodar um documentário e se dá conta que os habitantes escondem segredos perigosos.

Ao apresentar há três anos "Aquarius", o diretor protagonizou um grande protesto no tapete vermelho contra o então presidente Michel Temer.

Curiosamente, Almodóvar e Kleber Mendonça Filho foram os últimos cineastas iberoamericanos a concorrer à Palma de Ouro, ambos em 2016.

Cuarón e García Bernal

No total, 21 filmes competem no festival, entre eles "O Jovem Ahmed" dos irmãos Dardenne e "Sorry we missed you", de Ken Loach.

O americano Terrence Malick vai apresentar seu filme ambientado na Segunda Guerra Mundial, "A Hidden Life", e o canadense Xavier Dolan vai competir com o drama "Matthias e Maxime".

Quatro mulheres competirão pelo prêmio máximo, todas elas pela primeira vez, como a austríaca Jessica Hausner.

À margem da competição, a Croisette vai receber Diego Maradona, personagem de um documentário dirigido pelo britânico Asif Kapadia, diretor do filme sobre a vida de Amy Winehouse.

Gael García Bernal vai apresentar "Chicuarotes", catalogado como uma "imersão profunda na sociedade mexicana". Seu compatriota Alfonso Cuarón, triunfante após o sucesso mundial de "Roma", vai apresentar uma versão restaurada de "O Iluminado".

DiCaprio e sua namorada argentina

A Argentina poderia ganhar uma Palma de Ouro de melhor curta-metragem com seus dois filmes selecionados para a competição: "Monstruo Dios", de Agustina San Martín, e "La siesta", de Federico Luis Tachella.

Fora da competição, o argentino Juan Solanas vai apresentar "Que seja lei", documentário sobre o movimento feminista que lutou pela legalização do aborto, e o chileno Patricio Guzmán apresentará "A Cordilheira dos Sonhos", que explora a relação de seus compatriotas com os Andes.

Uma biografia sobre Elton John ("Rocketman), um documentário sobre mudanças climáticas produzido por Leonardo DiCaprio ("Ice on Fire") e um filme independente protagonizado pela namorada do ator, a argentina Camila Morrone, também estão no programa do festival, que termina em 25 de maio.

A Led Zeppelin deve lançar seu documentário oficial no Festival de Cannes, na França, entre os dias 14 e 25 de maio. A produção, escrita e dirigida pelo britânico Bernard MacMahon, é uma homenagem ao 50º aniversário da banda ícone do rock mundial e pretende mostrar toda a trajetória do grupo.

Ainda sem título, o documentário terá entrevistas exclusivas com os membros originais vivos, o vocalista Robert Plant, o guitarrista Jimmy Page, e o baixista John Paul Jones, além de arquivos raros com depoimentos do baterista John Bonham, falecido em 1980.

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Após o anúncio do projeto, Jones deu entrevista para a revista americana Variety, onde disse ser a hora certa para a banda contar a própria história "Acho que o filme realmente dará vida à história", comentou. "Quando vi o que Bernard fez com o visual e o som de seu último documentário ["The American Epic"], sabia que ele era uma pessoa qualificada para contar nossa história", complementou Page à publicação.

por Rodrigo Viana

O longa Bacurau, filme do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho acaba de ganhar seu primeiro teaser. A prévia do longa, que conta também com a direção de Juliano Dornelles, foi publicado, nessa sexta (10), na internet.

O filme é uma mistura de aventura e ficção científica e foi gravado no sertão. A trama fala sobre um pequeno povoado que sofre com a morte de uma moradora muito querida, Dona Carmelita. Após sua morte, a comunidade também desaparece dos mapas.

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Gravado no sertão do Seridó, divisa do Rio Grande do Norte com a Paraíba, o filme é uma co-produção Brasil Brasil-França e tem autoria e direção divididos entre Kléber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Bacurau está concorrendo à Palma de Ouro, em Cannes. O festival acontece na França, entre os dias 14 e 25 de maio.

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Esses são os 21 filmes em competição a partir de 14 de maio pelo prêmio máximo do Festival de Cannes:

- "Os Mortos Não Morrem" de Jim Jarmusch (Estados Unidos), filme de abertura. Com Bill Murray, Adam Driver, Tilda Swinton e uma horda de zumbis liderados por Iggy Pop e Tom Waits.

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- "Dor e glória" de Pedro Almodóvar (Espanha). Retrato de um diretor melancólico encarnado por Antonio Banderas, junto a Penélope Cruz. Filme mais autobiográfico do cineasta espanhol.

- "O Traidor" de Marco Bellocchio (Itália). Baseado na história do primeiro arrependido da máfia siciliana. Coproduzido pelo Brasil.

- "The wild goose lake" de Diao Yinan (China). Filme sobre a relação entre um líder de uma banda em busca de redenção e uma prostituta.

- "Parasita" de Bong Joon Ho (Coreia do Sul). Uma família no desemprego se interessa pelo ritmo de vida de uma família riquísima, até que seus destinos se cruzam.

- "O Jovem Ahmed" de Jean-Pierre e Luc Dardenne (Bélgica). Sobre a radicalização de um adolescente.

- "Roubaix, une lumière" de Arnaud Desplechin (França). Inspirado em um fato real, sobre um grupo de policiais. Com Léa Seydoux ("A Vida de Adèle").

- "Atlântico" de Mati Diop (França/Senegal), ópera prima. Em um subúrbio de Dacar, os trabalhadores de uma obra decidem deixar o país em busca de uma vida melhor.

- "Matthias e Maxime" de Xavier Dolan (Canadá). Dois amigos de vinte anos começam a se sentir atraídos um pelo outro.

- "Little Joe" de Jessica Hausner (Áustria). Sobre a manipulação genética em um futuro próximo.

- "Mektoub my love: Intermezzo", de Abdellatif Kechiche (França). Segunda parte de "Mektoub my love: canto um", na competição da Mostra de Veneza em 2017, uma ode ao amor e ao desejo que segue um grupo de jovens nos anos 1990.

- "Sorry we missed you" de Ken Loach (Grã-Bretanha). A luta diária de uma família contra a precariedade na Inglaterra.

- "Os Miseráveis" de Ladj Ly (França), ópera prima. A violência policial em um subúrbio de Paris, onde vive o diretor.

- "A hidden life" de Terrence Malick (Estados Unidos). A história de Franz Jägerstätter, objetor de consciência austríaco que foi executado pelos nazistas.

- "Bacurau" de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles (Brasil). Um diretor viaja para o interior do Brasil e se descobre que os habitantes escondem segredos perigosos. Com Sonia Braga.

- "La Gomera" de Corneliu Porumboiu (Romênia). Um policial romeno chega à ilha canária de La Gomera para ajudar um delinquente a escapar da prisão.

- "Frankie" de Ira Sachs (Estados Unidos), com Isabelle Huppert e Marisa Tomei. Três gerações participam de uma experiência de um dia: uma viagem para a cidade portuguesa de Sintra.

- "Portrait de la jeune fille en feu" de Céline Sciamma (França). Uma pintora do século XVIII recebe a encomenda de fazer o retrato de casamento de uma jovem.

- "It must be heaven" do palestino Elia Suleiman. Relato autobiográfico sobre o exílio do diretor de sua Palestina natal.

- "Era uma vez em Hollywood", de Quentin Tarantino (Estados Unidos). Novo filme do diretor que revisita a Los Angeles de 1969 através da história de uma estrela de televisão e sua dublê para cenas de ação, com Leonardo DiCaprio e Brad Pritt.

- "Sibyl" de Justine Triet (França). Uma escritora convertida em analista decide voltar a escrever e encontra inspiração em uma jovem que lhe faz revelações.

Após terem tomado distância em edições passadas, Hollywood e Cannes voltam a andar de mãos dadas este ano na Croisette, com a presença de Quentin Tarantino e Jim Jarmusch, em um ambiente competitivo entre os festivais de cinema.

O fato de Cannes ter obtido "Rocketman", a biografia sobre Elton John, apresentada fora de competição, "foi uma boa jogada e um passo importante porque a Paramount era historicamente um dos estúdios mais relutantes em levar filmes para o festival", explicou Christian Jungen, jornalista suíço e autor do livro "Hollywood in Cannes".

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Outros grandes estúdios também estão presentes, como Universal, com "The Dead Don't Die", de Jim Jarmusch, com um elenco de estrelas, com Bill Murray, Tilda Swinton e Adam Driver; bem como Warner, com a exibição em 4k de "O Iluminado", de Stanley Kubrick.

Com Jarmusch e Terrence Malick ("A hidden life"), Tarantino será o grande protagonista de Hollywood com seu filme "Era uma Vez em Hollywood", com Leonardo DiCaprio e Brad Pitt. Sua presença também permite que Cannes "comemore sua própria história gloriosa, 25 anos depois da Palma de Ouro de 'Pulp fiction'", segundo Jungen.

Sem esquecer Sylvester Stallone, que irá ao festival para apresentar os primeiros minutos de "Rambo V" e uma versão restaurada de seu primeiro trabalho, de 1982.

- A crítica implacável de Cannes -

Thierry Fremaux, delegado do Festival de Cannes, quis ressaltar o apoio dos estúdios de Hollywood ao apresentar em abril a programação dos filmes selecionados, com palavras de agradecimento em particular a Jim Gianopolus, chefe da Paramount.

Em 2001, como presidente da Fox, Gianopolus permitiu que Cannes fizesse a estreia de "Moulin Rouge".

Os estúdios retornavam assim à maior mostra de cinema do mundo depois de vários anos difíceis. Por exemplo, com grandes produções, muitas vezes fora de competição, como "Matrix Reloaded" e o quarto filme de Indiana Jones.

Mas alguns desses filmes deixaram Cannes com um gosto amargo, sendo alvos de críticas ferozes, como foi o caso de "O Código Da Vinci" e Han Solo: Uma História Star Wars, o spin-off da saga "Star Wars" apresentado no ano passado.

Outra dificuldade acrescentada a Hollywood é o fato de Cannes acontecer em maio, muito antes do Oscar no final de fevereiro.

Neste sentido, Veneza e Toronto têm a vantagem de acontecerem em setembro, além de serem festivais que têm ganhado peso aos olhos dos produtores e distribuidores americanos, especialmente para filmes autorais.

- "Obsessão com o Oscar" -

Sintoma desta evolução: Veneza acolheu nos últimos anos "Gravidade", "La La Land: Cantando Estações", "A forma da água" e "Roma", todos posteriormente recompensados com o Oscar de melhor filme e/ou diretor.

No ano passado, "Infiltrado na Klan" ganhou o Grand Prix de Cannes e, em seguida, o seu diretor, Spike Lee, conquistou o primeiro Oscar de sua carreira.

Mas é preciso voltar a 2012 para encontrar outro filme presente na Croisette e recompensado pela Academia: "O Artista", com cinco prêmios Oscar, incluindo de melhor filme e diretor.

Fremaux criticou recentemente em entrevista ao jornal francês Le Monde, a "obsessão generalizada com o Oscar", sublinhando que "o projeto de Cannes é o cinema mundial, a direção e os autores".

Cannes também trava uma queda de braço com o Netflix, ausente da competição oficial desde o ano passado, devido a uma nova regra que obriga os filmes selecionados serem exibidos nos cinemas franceses.

Em contrapartida, a Berlinale e Veneza decidiram acolher a plataforma on-line, com o caso emblemático de "Roma", de Alfonso Cuarón, Leão de Ouro na Mostra e vencedor de 3 Oscar, incluindo de melhor diretor e melhor filme estrangeiro.

A Netflix também não estará presente no Marché du Film de Cannes, um dos maiores eventos anuais da indústria cinematográfica.

Em Cannes, Netflix aparecerá apenas com o filme "Wounds", que será apresentado na seção independente Quinzena dos Realizadores.

O filme "Sem seu sangue", da brasileira Alice Furtado, foi selecionado para a mostra Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes.

A mostra independente e não competitiva, que acontecerá entre 15 e 25 de maio, exibirá 24 longas-metragens, com 16 cineastas selecionados pela primeira vez.

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"É uma bela descoberta, um filme que, com toques do gênero fantástico, explora o desejo feminino", afirmou a organização sobre o filme brasileiro.

Um dos destaques da mostra será "The lighthouse", do americano Robert Eggers, que foi revelado pelo filme "A Bruxa".

O novo filme de Egges, com os atores Robert Pattinson e Willem Defoe, é uma história "hipnótica e de alucinação" ao redor de dois guardas que trabalham em um farol no início do século XX.

A Quinzena dos Realizadores homenageará este ano o consagrado cineasta americano John Carpenter e também receberá Robert Rodriguez, que exibirá o filme "Red 11", criado com 7.000 dólares, o mesmo orçamento do famoso "El Mariachi", de 1992. Rodriguez revelará os segredos da produção durante uma aula.

‘Bacurau’, nova produção do pernambucano Kleber Mendonça foi selecionado para competir no Festival de Cannes, que acontece de 14 a 25 de maio, na França. O autor de ‘Som ao Redor’ e ‘Aquários’, volta ao festival em busca da ‘Palma de Ouro’, premiação máxima da competição. Seu novo projeto tem direção conjunta de Juliano Dornelles.

Na descrição de seus diretores, “Bacurau é um filme de aventura ambientado no Brasil “daqui a alguns anos”. O longa foi rodado no Sertão do Seridó, divisa do Rio Grande do Norte com a Paraíba e as filmagens duraram dois meses e três dias, com uma equipe de 150 pessoas. Assim como em ‘Aquarius’, a aclamada atriz Sônia Braga também faz parte do elenco.

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Para Kleber Mendonça Filho, “Esse é um trabalho de anos, feito com os colaboradores próximos de sempre e alguns outros novos. Creio que esse filme é o resultado da nossa relação com os filmes e as pessoas que amamos e que nos formaram, com Pernambuco, com o Brasil e com o mundo. E incrível poder voltar a exibir um filme no Palais em Cannes, três anos depois daquele momento sensacional com Aquarius!”.

‘Bacurau’ representa o Brasil na premiação máxima, junto com “O traidor”, de Marco Bellocchio, um thriller de máfia que tem coprodução do cinema brasileiro com a Itália.

*Com informações da assessoria

O Festival de Cinema de Cannes divulgou nesta segunda (15) o poster oficial de sua próxima edição, que ocorre entre os dias 14 e 25 de maio. O cartaz exibe uma foto da diretora Agnès Varda, que morreu em março.  

A imagem foi feita durante as filmagens de seu primeiro filme, o drama 'La Pointe-Courte' (1955). Agnès foi uma das poucas mulheres a fazer parte da nouvelle vague, movimento praticamente dominado por homens. Em sua carreira, dirigiu 46 filmes. 

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Por André Filipe

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