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Recentemente, notícias de plágio em trabalhos acadêmicos envolvendo pessoas públicas, como o mais recente ex-ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, trouxeram à tona a discussão sobre a importância de ter cuidado e atenção ao fazer citações em trabalhos, atribuindo o devido crédito a todas as fontes consultadas. 

Com a internet fornecendo milhares de textos e outras fontes de pesquisa, o acesso à informação se torna mais rápido, mas a possibilidade de apropriação indevida do conteúdo de terceiros cresce junto, dificultando a detecção do plágio em trabalhos escolares e acadêmicos, por exemplo. O LeiaJá procurou um especialista em direitos autorais para esclarecer dúvidas sobre o que é o plágio, como ele pode ocorrer no meio acadêmico e quais as possíveis formas de detectá-lo.  

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Definição do plágio

Alexandre Henrique Tavares Saldanha é advogado e doutor em direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), além de professor da Universidade de Pernambuco (UPE) e da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Ele define o plágio como uma reprodução falsa, o ato de publicar um conteúdo alheio sem dizer que o conteúdo é de outra pessoa. 

“Se eu ao escrever um artigo científico uso trechos alheios, tenho a obrigação de dizer quem são as pessoas responsáveis por esses trechos que eu estou usando, porque o receptor do meu conteúdo precisa saber que nem tudo que eu estou oferecendo fui eu quem criou. O plágio é uma falsificação de autoria, a questão não está no não autorizar, está em não atribuir corretamente o crédito de quem é o criador”, afirmou Alexandre.

O professor lembra ainda que há diversas formas de plagiar alguém (inclusive a si mesmo) em um trabalho acadêmico. Além do plágio direto, que é a forma mais óbvia, quando uma pessoa copia e cola conteúdo alheio sem atribuir o devido crédito, existe também o plágio indireto, que segundo Alexandre Saldanha, consiste na apropriação das ideias de outra pessoa sem a citação da fonte. “Apesar de eu não estar usando as palavras específicas de determinada pessoa, eu estou plagiando, informando que determinada conclusão é minha, mas não é”, disse o professor. 

Temos, ainda, a ideia do autoplágio, que é definida, de acordo com Alexandre, como a ausência de citação a um trabalho anterior feito pelo próprio autor da obra. “Digamos que eu publique um artigo hoje e daqui a um mês eu me cito sem dizer ‘isso são palavras minhas publicadas em tal data, tal fonte’, tem essa ideia do autoplágio”, explicou o docente.

O Brasil tem uma lei específica que trata de crimes de direitos autorais (Lei nº 9610/98), mas o Código Penal, de acordo com o professor Alexandre, também prevê punições para quem infringir tais direitos, o que inclui plagiar trabalhos. “Tanto o código penal quanto a lei específica não destrincham muito bem as hipóteses de violação, cria modalidades amplas. A gente não encontra a modalidade ‘plágio’ como crime específico, mas encontra ‘violar direitos autorais’, então comete crime quem viola direito autoral. Plágio é violação de direito autoral. A partir do momento em que a gente chega à conclusão de que plágio é uma violação de direitos autorais, quem plagiar se submete a todas as consequências legais decorrentes”, explanou.

Apesar de ser crime, o plágio configura um tipo penal de menor gravidade e não pode levar à prisão, segundo o professor doutor Alexandre Saldanha. No entanto, a pessoa que incorrer nessa prática está sujeita a medidas administrativas e também poderá ter antecedentes criminais. 

“Fica basicamente resolvido por multas e direitos de resposta, a obrigação de divulgar a obrigação correta. Gera antecedente criminal, a pessoa fica com a ficha suja pelo plágio, tem um carimbo de prática de infração penal. Evidentemente teria que correr um processo penal com a decisão confirmando a violação para daí haver a ficha suja”, disse ele.

Detectando o problema

A imensa quantidade de conteúdos disponíveis na internet dificulta a tarefa de identificar trechos de trabalhos que possam ter sido plagiados, mas de acordo com o professor Alexandre Saldanha, é também a tecnologia quem ajuda, muitas vezes, a identificar tais irregularidades. 

“Existem ferramentas, algumas gratuitas disponíveis na internet, que buscam identificar o grau de plágio em um trabalho acadêmico, e aí procura saber se existem frases, trechos de determinado trabalho sem que a pessoa tenha tido o trabalho de dar o crédito, a autoria original”, contou o professor.

Entre os programas que fazem essa tarefa, alguns dos que estão disponíveis gratuitamente na internet são o AntiPlagiarist, CopySpider, eTBLAST, Plagiarisma e Plagium Online, entre muitos outros. Há também opções pagas e programas que têm versões grátis sem registro e edições premium que têm cobrança. 

Os programas que realizam buscas na internet e em bancos de dados de trabalhos acadêmicos com o intuito de detectar possíveis plágios são reconhecidos como forma eficiente de combate ao problema, quando aliadas à avaliação humana. 

Em 2010, uma proposição da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sobre plágio em escolas, universidades e comércio ilegal de monografias fez recomendações a órgãos como o Ministério da Justiça, Ministério da Educação, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), entre outros, para que escolas e universidades adotem políticas públicas que incluam a utilização de tais ferramentas e também a elaboração de bancas que realizem a verificação de trabalhos entregues pelos alunos. 

Em janeiro de 2011, baseada na proposição em questão, a Capes elaborou um documento com orientações de combate ao plágio, recomendando que as instituições de ensino públicas e privadas brasileiras “adotem políticas de conscientização e informação sobre a propriedade intelectual, adotando procedimentos específicos que visem coibir a prática do plágio quando da redação de teses, monografias, artigos e outros textos por parte de alunos e outros membros das suas comunidades”.

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Três meses após o início das regras que regulamentam o uso de patinetes elétricos em São Paulo, o número de equipamentos em circulação caiu e a Prefeitura ainda não criou as estações onde eles devem ser deixados. Enquanto parte dos paulistanos se queixa da dificuldade de encontrar os patinetes em locais que já haviam se tornado tradicionais, há quem sinta certo alívio.

Na Praça Silvio Romero, no Tatuapé, na zona leste, não havia nenhuma unidade quando o Estado visitou a área, no dia 31. Nas Avenidas Faria Lima, na zona sul, e Paulista, na região central, que há um ano estavam tomadas pelo modal, também é possível observar menor número de equipamentos. As empresas não informaram quantos patinetes circulam na capital nem qual foi a redução de equipamentos nas últimas semanas.

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O comerciante Paulo Vinícius Aires, de 18 anos, ficou surpreso com a retirada de patinetes no Tatuapé. "Sempre usei, desde o início, para ir até o Carrão. Era uma alternativa mais rápida." Na Faria Lima, o Estado encontrou dez patinetes estacionados no acesso ao metrô e outros cinco quebrados e sem bateria atrás de uma banca. O consultor de negócios Vitor Soares, de 22 anos, reclamou. "Os patinetes estão sumindo. Já me acostumei a usá-los do Metrô Faria Lima até a Avenida Pedroso de Morais, onde trabalho, mas agora tem vezes que não encontro nenhum."

Na Paulista, a situação é semelhante. Menos de dez patinetes estavam na calçada do lado oposto ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), mesmo local que já teve o dobro de unidades. "O número de patinetes por aqui caiu bastante, infelizmente. Com ele, consigo chegar mais rápido. Mas acredito que é preciso ter mais infraestrutura e respeito por parte dos usuários", avalia o garçom Leandro Henrique, de 32 anos.

Enquanto usuários já acostumados com o modal lamentam, há quem tenha ficado aliviado com a redução. "Ainda vejo crianças com o equipamento, mesmo com a proibição. É preciso reforçar a fiscalização para evitar acidentes e incentivar o uso de capacete", diz o administrador Danilo Alves, de 37 anos.

Desde que os patinetes começaram a circular no País, uma série de acidentes foi relatada. O mais grave aconteceu em setembro de 2019, em Belo Horizonte. O empresário Roberto Pinto Batista Júnior, de 43 anos, morreu ao bater a cabeça depois de cair do patinete.

Fim das operações. O sumiço de patinetes está relacionado à saída de empresas que operavam em São Paulo ou à redução da operação daquelas que continuam aqui. Procuradas, startups afirmaram que a decisão de deixar São Paulo foi tomada em razão de questões estratégicas ou de sustentabilidade financeira. Apesar de manifestar insatisfação na época da regulamentação, nenhuma operadora citou as novas regras da Prefeitura como motivo para saída ou diminuição da operação.

A Grow, dona das marcas Grin e Yellow, diz que "reduziu a quantidade de patinetes por questões estratégicas", sem dar números. "As mudanças ocorrem para que a companhia promova um ajuste operacional", afirmou, em nota. A Grow começou a atuar em São Paulo em novembro de 2018 e um ano depois fez parceria com o Rappi. Patinetes que antes levavam a marca Yellow foram substituídos pelas etiquetas laranjas do aplicativo de entregas. Em dezembro de 2019, a empresa reduziu a operação no Brasil - o equipamento foi suspenso em 14 cidades e mantido em São Paulo, Rio e Curitiba.

A Lime operou durante seis meses em São Paulo e Rio e em 9 de janeiro anunciou o fim da operação. Sem dar detalhes, a empresa alegou apenas que a decisão se trata de "estratégia global para alcançar sustentabilidade financeira e concentrar esforços em mercados com mais potencial de rentabilidade".

A Scoo também não citou números. Com exceção das Estações Luz e República, todas as outras ofertam o equipamento para aluguel. Já a Uber se prepara para começar a operar em São Paulo - a licença saiu no dia 24 de janeiro.

A Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes afirmou que a redução de patinetes está relacionada a "uma decisão de mercado das empresas".

"A expectativa é de que, juntos, mercado, sociedade, poder público e operadoras encontrem o denominador socioeconômico viável para explorar da melhor maneira o mercado", disse José Muritiba, diretor executivo da Associação Brasileira de Startups (Abstartups).

Negócio. Para o professor Paulo Furquim, coordenador do Centro de Regulação e Democracia do Insper, a criação de uma regulamentação restritiva - e não a falta de demanda - é a hipótese mais plausível para a saída de empresas de São Paulo.

"É um modelo de negócio com viabilidade econômica. O ponto principal para ele funcionar bem - tanto para a cidade quanto para a empresa - é que se tenha alguma política voltada para tornar viável e segura a utilização desse meio." Ele acredita que o compartilhamento tem potencial na cidade, por ser um opção de transporte complementar a ônibus e metrô.

Para Furquim, o poder público focou na restrição antes que o modal tivesse se popularizado. "Em Paris, por exemplo, primeiro houve a intenção de viabilizar, fazer crescer o uso até o ponto de ficar problemático, e depois autoridades vieram com medidas restritivas. Em São Paulo a gente inverteu: primeiro jogou as restrições para depois falar em criar estrutura."

Estações. As estações para onde as operadoras levarão patinetes após o uso, previstas na regulamentação, ainda não foram criadas pela Prefeitura. Segundo a gestão Covas (PSDB), a Secretaria de Transportes, por meio da Companhia de Engenharia de Trânsito, "está se reunindo com as empresas credenciadas para definir os locais". Pelas regras, os patinetes não podem ser deixados em qualquer lugar.

Já os usuários podem estacionar o equipamento em vias com ciclovias ou ciclofaixas, independentemente da velocidade regulamentada ou em vias sem ciclovias ou ciclofaixas, com velocidade menor ou igual a 40 km/h, respeitando condições como período de permanência. Da rua, o equipamento será levado para as estações.

Outro ponto ainda em análise pelo Comitê Municipal de Uso do Viário, órgão ligado à Prefeitura, é a obrigatoriedade do capacete. Em maio, decreto provisório do prefeito Bruno Covas exigiu o uso do equipamento, mas a medida foi suspensa após pedido de uma das operadoras à Justiça. Na mesma época, houve ainda apreensão de patinetes nas ruas, por parte da Prefeitura. O decreto definitivo foi publicado em agosto./ COLABOROU ISAAC DE OLIVEIRA As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A Lei de abuso de autoridade, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro em setembro, entra em vigor nesta sexta-feira (3), tornando crime, a partir de agora, uma série de condutas por parte, por exemplo, de policiais, juízes e promotores.

Associações de magistrados, de membros do Ministério Público, de policiais e de auditores fiscais foram ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedir uma liminar (decisão provisória) para tentar suspender a lei antes que entrasse em vigor, mas não foram atendidas a tempo pelo ministro Celso de Mello, relator de ao menos quatro ações diretas de constitucionalidade (ADI) que foram abertas contra a norma. Não há prazo definido para que o assunto seja julgado.

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Atendendo a alguns apelos, Bolsonaro chegou a vetar 33 pontos da nova lei, mas 18 desses vetos acabaram derrubados no Congresso. Dessa maneira, a Lei de Abuso de Autoridade passou a prever punição de multa ou até mesmo prisão para condutas como negar habeas corpus quando manifestamente cabível (um a quatro anos de prisão, mais multa) e negar o acesso aos autos do processo ao interessado ou seu defensor (seis meses a dois anos de prisão, mais multa).

Além de penas de prisão e multa, diversos pontos preveem ainda sanções administrativas, como a perda ou afastamento do cargo, e cíveis, como indenização. Para incorrer em crime, a lei prevê que as condutas sejam praticadas com a finalidade de beneficiar a si mesmo ou a terceiro, ou com o objetivo de prejudicar alguém, ou ainda “por mero capricho ou satisfação pessoal”.

Confira abaixo outros pontos que passam a ser crime, de acordo com a nova lei de abuso de autoridade:

-   Invadir ou adentrar imóvel à revelia da vontade do ocupante sem determinação judicial. Pena: de um a quatro anos de prisão, mais multa.

-  Decretar a condução coercitiva de testemunha ou investigado sem prévia intimação de comparecimento ao juízo. Pena: de um a quatro anos de prisão, mais multa.

- Dar início ou proceder à persecução penal, civil ou administrativa sem justa causa fundamentada ou contra quem sabe inocente. Pena: de um a quatro anos de prisão, mais multa.

- Grampear telefone, interceptar comunicações de informática ou quebrar segredo de Justiça sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei. Pena: de dois a quatro anos de prisão, mais multa.

- Divulgar gravação ou trecho de gravação sem relação com a prova que se pretenda produzir, expondo a intimidade ou a vida privada ou ferindo a honra ou a imagem do investigado ou acusado. Pena: de um a quatro anos de prisão, mais multa.

- Estender injustificadamente a investigação, procrastinando-a em prejuízo do investigado ou fiscalizado. Pena: de seis meses a dois anos de prisão, mais multa.

- Insistir em interrogatório de quem tenha optado por ficar em silêncio ou pedido assistência de um advogado. Pena: de um a quatro anos de prisão, mais multa.

- Manda prender em manifesta desconformidade com a lei ou não soltar alguém quando a prisão for manifestamente ilegal. Pena: de um a quatro anos de prisão, mais multa.

- Manter presos de ambos os sexos na mesma cela ou espaço de confinamento. Pena: de um a quatro anos de prisão, mais multa.

O deputado federal Charlles Evangelista (PSL-MG) quer criminalizar músicas que tenham teor pornográfico e que ofendam mulheres e à polícia. Ele criou um projeto de lei que tipifica como crime músicas com tais contextos, com pena que inclui até prisão de três a seis meses. 

O projeto de lei nº 5194/2019 foi apresentado no mês de setembro e tem como proposta alterar o artigo 287 do decreto-lei nº 2.848, de 1940. O artigo em questão está na seção sobre os "crimes contra a paz pública". O parlamentar quer adicionar a ele um trecho que reconheça como crime qualquer "estilo musical" que estimule o uso e o tráfico de drogas, armar, a prática de pornografia, pedofilia ou estupro e que contenha ofensas à mulheres e ódio à polícia.

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Em sua justificativa, Charlles Evangelista afirma haver "grande desrespeito à moral pública", quando canções com determinadas expressões são reproduzidas em ambiente público. O projeto prevê pena de três a seis meses de prisão para os autores além de multa. "A criminalização de estilos musicais nesse sentido seria uma forma de garantir à saúde mental das famílias e principalmente das crianças e adolescentes que ainda não têm o discernimento necessário para diferenciar o real do imaginário", diz o parlamentar no texto do projeto.

Pessoas com altas habilidades, comumente chamadas de “superdotados”, representam cerca de 10% do todo da população, mas apenas 0,3% são efetivamente identificadas e recebem o acompanhamento educacional mais adequado, de acordo com a professora, psicóloga e especialista em educação especial e psicologia Thiane Araújo. A declaração foi dada na Bienal do Livro de Pernambuco, realizada no Centro de Convenções dpo Estado.

Thiane Araújo trabalha no Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAHS), que presta apoio a esta população no sistema de educação do Recife. Ela explica que, apesar de não serem pessoas com deficiência, os estudantes com altas habilidades se encaixam nos grupos que têm direito ao atendimento de educação especial. Araújo ainda faz questão de destacar que, ao contrário do que se pensa, não são apenas os “alunos brilhantes” que se enquadram na superdotação. 

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De acordo com a especialista, a identificação de uma pessoa com altas habilidades/superdotação se dá através da constatação de capacidades acima da média, fácil aprendizagem e velocidade de pensamento, além de uma alta criatividade e grande envolvimento com as tarefas, que consiste não apenas em fazer algo muito bem mas no desejo de fazer bem feito e se dedicar ao acabamento do trabalho. Além do perfil de altas habilidades acadêmicas, há também outros tipos de superdotação e, segundo a psicóloga, o desafio está em identificar e apoiar o desenvolvimento dos que têm um perfil criativo/produtivo, que seria aquele ligado à dança, música, artes e outras áreas. 

            O processo de avaliação para identificação por meio dos NAAHS é feito através de encaminhamento. A partir do momento em que se suspeite que a criança ou adolescente pode ter altas habilidades, deve ser realizado um relatório pedagógico que é enviado à Gerência de Educação Especial para, aí sim, chegar ao NAAHS. Lá, os pais e a criança passam por entrevistas antes de se iniciar um processo de avaliação e observação qualitativa de até seis meses e, constatando-se a superdotação, inicia-se o processo de atendimento de educação especial. 

            Além do NAAHS, que atende crianças de 1 ano e meio a 16 anos e 11 meses na rede pública de ensino e com 20% de vagas para estudantes de escolas privadas. Thiane recomenda o acompanhamento de um(a) profissional de psicologia para melhor avaliar o desenvolvimento do fenômeno da superdotação e altas habilidades no caso particular de cada criança ou jovem. 

Acompanhamento gratuito é direito

Thiane lembra também que todo estudante com altas habilidades tem direito assegurado pela Lei 13.234 de 29 de dezembro de 2015, ao serviço de educação especial prestado gratuitamente tanto em escolas públicas quanto privadas. No entanto, explica que é comum ver escolas cobrarem taxas extras para oferecer o serviço aos estudantes, mesmo se dizendo inclusivas. 

Ela aconselha os pais ou responsáveis pelos estudantes a buscar a construção de um diálogo com a escola, mas salienta que o direito é legítimo e legalmente garantido, sendo possível partir para a briga por ele não apenas dentro dos espaços de educação mas também na justiça, através, por exemplo, de denúncias ao Ministério Público. 

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O senador Confúcio Moura (MDB-RO) criticou nesta terça-feira (1) em Plenário o excesso de regulação no Brasil. De acordo com o parlamentar, o país tem "uma das legislações mais extensas e complexas do mundo". Para ele, isso cria um Estado burocrático, incapaz de se desenvolver nos campos social e econômico.

Ainda segundo Confúcio Moura, a disposição brasileira de produzir normas legais trava o desenvolvimento do país, pois transmite uma sensação de insegurança jurídica em vários assuntos, inibindo desde o cidadão comum, o empregado e o patrão até o investidor nacional e estrangeiro.

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“Nesta terra, quer-se regular tudo, desde assuntos mais importantes e estratégicos para o país, até pequenas questões que poderiam muito bem ser solucionadas no âmbito privado das famílias e das empresas. É preciso acelerar a desburocratização e a abertura econômica para que os resultados sejam sentidos e apareçam nos indicadores. O crescimento econômico é o que importa. É preciso que as famílias e as empresas, especialmente as pequenas, enxerguem o Estado como parceiro, não como um adversário”, afirmou.

*Da Agência Senado

 

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) começou a recolher radares estáticos, móveis e portáteis nas estradas federais do País nesta quinta-feira (15) com a circulação de um ofício do diretor-geral do órgão, Adriano Marcos Furtado. O recolhimento ocorre após a publicação, no Diário Oficial da União, de despacho do presidente Jair Bolsonaro determinando a suspensão do uso desses equipamentos por tempo indeterminado.

O presidente encarregou o Ministério da Infraestrutura de fazer estudos para reavaliar o uso das máquinas. O uso dos radares, de quatro tipos diferentes, é feito de acordo com regras aprovadas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que tratam da localização dos dispositivos, estudos para instalação, sinalização, qualidade dos radares e manutenção.

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Confira perguntas e respostas sobre o tema:

Quais as diferenças entre os tipos de radar?

A resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) de número 396/2011 estabelece a fiscalização por radares dos tipos fixo, estático, móvel e portátil.

Fixo: medidor de velocidade com registro de imagens instalado em local definido e em caráter permanente

Estático: medidor de velocidade com registro de imagens instalado em veículo parado ou em suporte apropriado

Móvel: instalado em veículo em movimento, procedendo a medição ao longo da via

Portátil: medidor de velocidade direcionado manualmente para o veículo.

Como aferir a qualidade do radar?

O radar deve ser aprovado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e verificado anualmente.

Como deve ser a sinalização no local?

A sinalização na via escolhida para a instalação do radarnão pode ser insuficiente nem estar em mal estado, caso contrário estará descumprindo os princípios da visibilidade, legibilidade, manutenção e conservação.

Como os locais de instalação são definidos?

Para garantir a visibilidade dos radares fixos, o órgão de trânsito com responsabilidade sobre a via deve realizar um estudo técnico, a fim de comprovar a necessidade de controle. E esse estudo deve ser acessível à população.

Quais são as regras para uso de radares móveis em estradas?

Em rodovias e vias de trânsito rápido, a fiscalização por radar não fixo só é permitida se a via for provida de placas e onde não ocorra variação de velocidade em trechos menores que 5 quilômetros.

Há diferenças na cobrança de multas, de acordo com o radar usado?

Não. As resoluções 396/2011 (que trata da fiscalização por radares) e 619/2016 (que normatiza a aplicação de multas) não contém nenhum dispositivo que diferencia as multas aplicadas com o radares diferentes. As regras para medir a velocidade dos veículos e calcular as multas são as mesmas, independentemente do radar utilizado.

Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (11) pelo Conselho Regional de Contabilidade de Santa Catarina (CRCSC) publicou os gastos das câmaras municipais das capitais brasileiras em 2018.

O Recife figura na 6ª posição no ranking das capitais com maior gasto total dos legislativos municipais. De acordo com o estudo, lideram a lista Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA), Fortaleza (CE) e, em sexto lugar, o Recife.

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A capital pernambucana teve um gasto de R$ 146,6 milhões. A cidade tem um total de 39 vereadores e 1.637.834 habitantes. As capitais com esses maiores gastos se concentram nas regiões Sudeste e Nordeste do Brasil.

O estudo faz parte do programa Contabilizando para o Cidadão, idealizado pelo CRCSC em 2016, e avalia as despesas totais das casas legislativas municipais, os gastos anuais per capita, os gastos médios por vereador e o número de vereadores por habitantes.

Já as capitais com maior gasto anual somente das câmaras municipais são: São Luís (MA), Boa Vista (RR), e Rio de Janeiro (RJ). A iniciativa tem como objetivo fomentar a participação da sociedade no acompanhamento da aplicação de recursos públicos, por meio do aprimoramento contínuo dos instrumentos de transparência. 

Em relação ao gasto anual per capita (proporcional à população), entre as câmaras municipais das capitais do Brasil, a de São Paulo é a menos onerosa, com R$ 42,32, para 55 vereadores. Em seguida vem Belém (PA), Macapá (AP), Curitiba (PR), e João Pessoa (PB).

A pesquisa tem como base dados obtidos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e nos portais de transparência das câmaras e prefeituras municipais capitais brasileiras.

Modelo de negócios autorizado pelo governo há pouco mais de um mês, a Empresa Simples de Crédito (ESC) já conta com 25 iniciativas pelo Brasil. Por meio de lei aprovada pelo Congresso, a União legalizou a nova modalidade, que são operações de empréstimos realizadas por e para cidadãos comuns, com juros, sem regulação direta do Banco Central. O objetivo é colocar dinheiro na mão do pequeno empreendedor, que mesmo representando 99% das empresas privadas do País, tem dificuldades para conseguir capital com grandes bancos.

Foi o caso de Karolina Duarte, dona de uma confecção de roupas, que, ao tentar obter um empréstimo com um banco para investir em seu negócio, se deparou com uma taxa de juros de 7% ao mês. Frustrada, ela procurou a empresária Elaine Ferri, que se tornou uma das primeiras pessoas a abrir uma empresa simples de crédito no Brasil. As duas, que já se conheciam, realizaram a primeira operação da empresa de Elaine, a Simple Credit. O empréstimo de R$ 10 mil saiu a uma taxa de juros de 3,5% ao mês - metade do que o banco pretendia cobrar - e prazo de pagamento de dez meses.

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Esse modelo, com outras medidas no setor financeiro, se tornou uma aposta do Poder Executivo para a democratização do acesso ao crédito para micro e pequenos empreendedores. Em dois anos, mil empresas desse tipo devem injetar R$ 20 bilhões na economia, prevê o Sebrae.

Juros

Aliada a iniciativas de fintechs, as startups ligadas ao sistema financeiro, e do crédito corporativo, a entrada da ESC no mercado tem potencial de derrubar os juros pagos pelo microcrédito, afirma o ex-ministro e assessor especial do Ministério da Economia, Guilherme Afif Domingos. Hoje, a taxa está em 44% ao ano. "O microcrédito é uma coisa que se fala tanto e se consegue pouco, porque a burocracia dos sistemas torna o custo da operação insuportável", afirma Afif.

A exemplo do caso de Karolina e Elaine, a relação de proximidade entre o tomador e o cedente do crédito é considerada um trunfo para que haja mais empréstimos com menor custo. "É um processo novo e antigo ao mesmo tempo", diz Afif. "Ele remonta aos primórdios do sistema de crédito, quando era o cidadão no município que tinha uma casa bancária e emprestava para quem conhecia."

Pioneira, Elaine acompanhou todo o trâmite da elaboração da ESC no Congresso. Moradora de São Paulo e proprietária de uma empresa de cobranças, ela tinha capital guardado para investir e estava insatisfeita com o retorno da caderneta de poupança, de menos 0,5% ao mês. Na próxima operação de crédito que pretende fechar, com uma cabeleireira, planeja cobrar 3,8% de juros ao mês - mais do que o primeiro empréstimo, mas menos que o valor de mercado.

Riscos

Quanto ao riscos, como no caso de o tomador não pagar o empréstimo, a lei prevê que a ESC poderá usar o instituto da alienação fiduciária em suas operações de empréstimo, de financiamento e de desconto de títulos de crédito. No negócio entre Karolina e Elaine, a garantia escolhida foi uma nota promissória. "Se ela não pagar, executo a promissória", diz Elaine.

Pela lei sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro, a empresa simples de crédito não está sujeita a limitações à cobrança de juros previstas pela chamada Lei de Usura - o decreto, de 1933, impede a cobrança de juros que correspondam ao dobro da taxa legal (hoje, a Selic). Para Afif, é a autorregulação do mercado que pode segurar cobranças abusivas, uma vez que o risco de inadimplência é de quem empresta.

Trazer esse tipo de operação para a formalidade é um "grande ganho", diz o diretor técnico do Sebrae, Bruno Quick. As regras são "claras e transparentes", disse. Quick avalia que o surgimento das ESCs pode ser ainda uma "excelente oportunidade" para os grandes bancos, já que a movimentação deve ser feita em contas de depósito.

 

PERGUNTAS & RESPOSTAS

1. Quem pode abrir uma Empresa Simples de Crédito (ESC)?

Qualquer um pode abrir uma empresa simples de crédito, mas cada pessoa física pode participar apenas de uma ESC, e filiais não são permitidas. O dono deve registrar sua empresa em uma junta comercial, e a movimentação do dinheiro só pode acontecer por débito ou crédito em contas de depósito, não sendo possível usar o dinheiro em espécie e a troca de cheques.

2. Como funcionam os juros cobrados?

Quem decide o juro que será praticado é o próprio empresário. A primeira empresa simples de crédito emprestou a uma taxa mensal de 3,5%.

3.Quem vai fiscalizar essas empresas?

O negócio não é supervisionado pelo Banco Central, mas as operações precisam ser registradas numa entidade registradora autorizada pelo Banco Central ou pela Comissão de Valores Mobiliários.

4. Que impostos elas pagarão?

Apesar de ter "simples" em seu nome, a ESC não pode se enquadrar no regime do Simples Nacional. O regime de tributação será pelo lucro real ou presumido.

5. A quem uma ESC pode emprestar?

Uma empresa simples de crédito só pode emprestar dentro do seu município sede e aos municípios limítrofes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) avalia a entrada das empresas simples de crédito de forma positiva e diz apoiar normas que proporcionem um ambiente favorável no mercado. "Novos participantes, que atendam a segmentos específicos, contribuem para a consolidação de um mercado de crédito mais inclusivo e competitivo", informou a entidade. O Estado procurou os três principais bancos privados que atuam no País para comentar os efeitos da ESC no mercado de crédito. Itaú e Bradesco não se manifestaram.

Já o Santander afirmou ter lançado, recentemente, ofertas direcionadas aos microempreendedores individuais e para pequenas e médias empresas. "Em paralelo, no mundo digital, facilitamos a concessão de crédito para capital de giro por meio do APP Santander e Internet Banking. As soluções reforçam nosso posicionamento de acreditar e apoiar o empreendedorismo no País. A carteira de crédito do banco voltada ao segmento soma mais de R$ 35 bilhões e, nos últimos 12 meses até março, cresceu 8,7%", informou.

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Há a expectativa de que as empresas simples de crédito acabem abocanhando parte de um mercado similar de crédito, as chamadas factorings. Para o diretor técnico do Sebrae, Bruno Quick, cerca de 3 mil factorings - metade das que estão em atividade hoje - podem acabar se tornando empresas simples de crédito. "Do ponto de vista da tributação, ela se mostra mais vantajosa, mais segura e mais barata", disse Quick.

PARA ENTENDER

Por duas vezes, o Banco Central recomendou a não aprovação do modelo, vetado pelos ex-presidentes Dilma Rousseff e Michel Temer. Com ajustes no texto que trouxeram mais segurança ao negócio, a iniciativa foi sancionada por Bolsonaro.

A versão final da ESC traz uma série de restrições para que os negócios não representem um risco sistêmico ao mercado de crédito. Sua atuação está limitada ao município de sua sedes, sem possibilidade de filiais. As ESC também não são autorizadas a captar dinheiro para fazer empréstimos, limitando o capital apenas aos recursos próprios dos empresários. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A responsabilidade e autonomia dos poderes diante da proibição ou não do aborto foi levantada pelo senador Eduardo Girão (Pode–CE), em entrevista ao site do Senado. Na ótica do parlamentar, quem deve decidir sobre a causa é o Congresso Nacional e não o Supremo Tribunal Federal (STF).

O argumento surgiu porque ao mesmo tempo em que o Senado discute uma emenda à Constituição que proíbe o aborto desde a concepção, o STF analisa duas ações que liberam a prática. Girão questionou, inclusive, a decisão do Supremo que permitiu o aborto de fetos anencéfalos.

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“Foi um ativismo judicial do Supremo, é um senso comum entre os colegas que o Supremo teima em legislar no que é competência desta Casa”, diz o senador. “É o Supremo usurpando, de forma deliberada, a competência do Senado e do Congresso. A PEC da vida vem para dizer que quem legisla somos nós. Esse assunto nunca foi esquecido aqui na Casa. É algo absurdo e esperamos que o Supremo se coloque no seu lugar, sem meter a colher na competência dessa Casa”, completou.

O texto original da PEC 29/2015, que está na pauta da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), não permitia o aborto em nenhum caso. A relatora, senadora Juíza Selma (PSL-MT), alterou a proposta para incluir a permissão nos casos previstos no Código Penal (Decreto-Lei 2.848, de 1940): estupro e risco de morte da mãe. Mas também não incluiu o de feto anencéfalo, motivo de questionamento de outros senadores.

O governo Jair Bolsonaro (PSL) não pretende incluir em sua Política Nacional sobre Drogas a criação de um critério objetivo sobre a quantidade de entorpecente necessária para distinguir o usuário de um traficante. O projeto deve ser apresentado ainda neste mês de abril e está sendo discutido pelos ministro Osmar Terra (Cidadania), Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública), Damares Alves (Mulher, da Família e dos Direitos Humanos) e Luiz Henrique Mandetta (Saúde).

Atualmente, a Lei de Drogas, em vigor desde 2006, não é objetiva para enquadrar pessoas detidas com droga como traficante, que pode ser punido com prisão, ou usuário, passível apenas de penas alternativas. Na prática, quem decide pelo enquadramento é primeiro o policial que faz a abordagem e, depois, o promotor ao acusar e o juiz que vai julgar o caso. Os críticos a essa subjetividade da lei atrelam a ausência de uma quantidade determinada aos altos índices de encarceramento no Brasil.

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A posição do governo vai no sentido contrário da defendida pela Comissão de Juristas criada, em 2018, pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM). No relatório final, o grupo defendeu penas mais duras para grandes traficantes ligados a organizações criminosas, mas sugeriu a descriminalização do uso pessoal de uma quantidade de até dez doses. A definição de unidade para cada droga, propôs a comissão, seria definida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). No caso da maconha, uma unidade seria o mesmo que um grama.

O Supremo Tribunal Federal (STF) também debate o tema e agendou para o dia 5 de junho a retomada do julgamento que trata da descriminalização do porte de maconha para uso pessoal. Até agora, os ministros Gilmar Mendes, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso votaram a favor da descriminalização. Barroso sugeriu um limite de até 25 gramas de maconha para uso. O próximo voto será do ministro Alexandre de Moraes, que encomendou um estudo à polícia de São Paulo para saber o perfil dos presos por porte de maconha.

Para saber qual seria a posição do governo sobre o tema, o Estado primeiro procurou o Ministério da Justiça e Segurança Pública, comandado por Sérgio Moro. Enquanto juiz em Curitiba, o titular da Lava Jato também atuou em grandes operações de combate ao narcotráfico e chegou a condenar grandes traficantes como Luis Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

Na pasta, que abriga a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), o tema sobre a definição de um critério objetivo para distinguir usuário e traficante não é debatido. Embora o secretário Luiz Roberto Beggiora, da Senad, tenha dito ao Estado, em janeiro, que era necessário "ter algo objetivo para dar parâmetro até para a polícia trabalhar", questionada a assessoria do ministério informou que o assunto é tratado na pasta da Cidadania.

Em entrevista ao Estado, Osmar Terra, titular da Cidadania, disse já ter discutido com o ministro Moro e com Beggiora o tema. "Minha posição, e já conversei isso com o ministro Moro e com o Beggiora, não tem a menor possibilidade de isso dar resultado, estabelecer quantidade para separar traficante e usuário. Até porque isso desmoraliza a polícia, um ministro da Justiça e o governo assinarem embaixo que policial não tem competência para definir o que é um traficante", disse.

Segundo o ministro, a posição da comissão é "filosófica" enquanto a defendida por ele é científica. Para ele, a "epidemia" de consumo e tráfico de drogas é resultado da ausência, nos últimos 30 anos, de uma política rigorosa de combate às drogas. "Tem que diminuir oferta de droga na rua, não se diminui oferta colocando limite para quantidade, não prendendo traficante e liberando a droga", disse.

"É aumentar o rigor, seguir o modelo dos países em que houve redução no consumo de drogas, redução da violência. Inclusive, futuramente redução de número de apenados. Diminuindo a quantidade de droga em circulação, vai diminuir número de prisões. Primeiro vai aumentar, depois vai diminuir", explicou Terra.

Como exemplo, o ministro citou o Japão que, segundo ele, liberou o uso de droga durante a 2ª Guerra Mundial mas, ao fim do conflito, aumentou o rigor das penas com possibilidade de prisão até para usuários. Em 1954, seis após a lei entrar em vigor, contou Terra, o país asiático chegou a prender cerca de 60 mil por envolvimento com tráfico. Quatro anos depois, em 1958, completou o ministro, foram presas apenas 60 pessoas.

Descriminalização é caminho seguido no mundo todo, diz jurista

O advogado Pierpaolo Cruz Bottini integrou a comissão de juristas criada, em 2018, pelo presidente da Câmara dos Deputado, Rodrigo Maia (DEM), para modernizar a Lei de Drogas. No entendimento de Bottini, a defesa do governo pela não definição de um critério objetivo para diferenciar um traficante do usuário resulta no encarceramento em massa que abastece as facções criminosas que dominam o sistema prisional.

Sobre as afirmações do ministro Osmar Terra, que classificou como "filosóficas" e sem base científicas as propostas da comissão, Bottini afirma que o mundo todo começa a seguir o caminho da descriminalização uma vez que a guerra contra as drogas não obteve o resultado esperado.

"Você tem o mundo todo, progressivamente, adotando políticas de descriminalização do consumo e alguns países indo além e descriminalizando a própria venda. Não é uma questão filosófica, é de constatação. Você não teria um número cada vez maior de países adotando essa política se não fosse algo que deu resultado", disse.

O governo é contra a proposta da comissão em estipular quantidade e mira um plano nacional baseado na repressão.

A posição da comissão, e posso falar pela comissão porque está claro no projeto de lei, é que a repressão ao consumo ela é um caminho político criminal ruim, equivocado. Não somos nós que estamos falando, é toda comunidade internacional que estuda seriamente o tema chegou à conclusão que essa repressão produz: 1) encarceramento em massa, o que significa aumento do crime organizado. 2) Tira daqueles consumidores problemáticos, que precisam de tratamento, o acesso à saúde. Porque na medida que o Estado o considera um criminoso, ele não vai ter acesso aos serviços básicos de saúde. Você afasta ele do caminho do tratamento. O direito penal não é o instrumento para resolver problema do consumo.

O ministro Osmar Terra diz que a comissão se baseia em parâmetros filosóficos e não científicos. Tem exemplo de onde essa político deu certo?

Os exemplos são inúmeros. Uruguai, Argentina, Chile, Alemanha, Portugal, são alguns exemplos. Você tem o mundo todo, progressivamente, adotando políticas de descriminalização do consumo e alguns países indo além e descriminalizando a própria venda. Não é uma questão filosófica, é de constatação. Você não teria um número cada vez maior de países adotando essa politica se não fosse algo que deu resultado. O que está mais que provado que nao deu resultado é a politica de guerra as drogas. Você tem o Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da Colômbia, do México, uma série de autoridades que atuaram nesse setor estão defendendo abertamente a descriminalização. Não estamos inovando em nada, até o Estados Unidos, vários estados aprovaram inclusive a comercialização.

Por que defendem a definição da quantidade para distinguir traficante de usuário?

Hoje em dia se tem uma zona cinzenta. Um sujeito que porta pouca quantidade, como não tem quantidade definida em lei, fica a critério principalmente do policial definir se é uso ou tráfico. Independentemente de qualquer coisa, você pode ter uma aplicação desigual da lei. Duas pessoas com a mesma quantidade, uma ser considerada tráfico e outro consumo, que ainda é crime, mas não tem prisão. Para evitar a falta de aplicação igual da lei, e em alguns casos até um arbitrariedade, é melhor que a lei defina essa quantidade, com critério objetivo a partir de estudos científicos. São 10 doses. O que é cada dose você vai ter uma regulamentação para isso.

Além da quantidade, a comissão também propõe diminuir pena para tráfico?

O que fizemos no projeto foi dividir. Nós escalonamos, vai desde o tráfico internacional de drogas, que propomos aumentar a pena, até a compra e venda de sementes - que continua sendo crime, mas diminuímos um pouco a pena. Para ter uma pena mais proporcional, nós fatiamos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Cada vez mais tem se discutido a "humanização" do animal doméstico no Brasil. No entanto, junto com essa crescente inclusão dos pets como membros da família, um lado negativo levanta questões sobre o modo de se adquirir os pets. A venda de bichos domésticos é uma realidade no Brasil, com canis, gatis e lojas que parecem se preocupar apenas com o lucro em cima dos animais do que com a vida e as condições destes.

Em 2017, o faturamento do mercado pet brasileiro gerou um total de R$ 20,3 bilhões, demonstrando crescimento de 7,9% em comparação a 2016/2017. A maior responsável por subir a arrecadação foi a venda de alimentos voltados para os pets, que representou 68,6%. Com esses números, o Brasil figura como 3º maior do planeta em faturamentos no mercado pet.

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Em todo o mundo, os animais domésticos geraram um total de US$ 119,5 bilhões em 2017. A Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (ABINPET) mostra que o Brasil é o 2° maior do mundo em população de cães e gatos e o 4º maior do mundo em população total de animais de estimação. Esses dados são baseados no último levantamento quinquenal (5 em 5 anos) do IBGE de 2013. Segundo o órgão, são 52,2 milhões de cães e 22,1 milhões de gatos vivendo no país.

Para continuar essa crescente arrecadação, alguns locais dispensam o cuidado com os bichos e forçam os animais para reprodução, sem respeitar muitas vezes o limite fisiológico das cadelas, que muitas vezes só saem do canil fadadas a morrer.

No último dia 13 de fevereiro, a Polícia Militar Ambiental de São Paulo fechou um canil com 1,5 mil cães em situação de maus-tratos. Os animais foram encontrados sem alimentação, acondicionados em ambientes sujos, com sintomas de doenças e recebendo medicação com prazo de validade vencido.

Foto: Divulgação/Polícia Militar Ambiental

O Canil Céu Azul era usado para a reprodução e venda de cães de raça. Os bichos ficavam presos em gaiolas ou baias inadequadas. No local, que não tinha registro municipal, foi constatado pela polícia um espaço que era utilizado para a incineração de animais que vinham a óbito. Como cada estado e município pode fazer a sua legislação para organizar a comercialização dos animais domésticos, os canis no município de Piedade, interior de São Paulo, são isentos de licença de funcionamento pela Vigilância Sanitária, porém passível de registro e fiscalização do órgão responsável.

Em Pernambuco, o auxílio do Estado para a defesa do direito desses animais só se deu no dia 9 de janeiro deste ano, com a publicação da lei Nº 16.536, de autoria do deputado Joaquim Lira (PSD).

Sobre a reprodução de animais domésticos no Estado, a lei dispõe que todo processo de reprodução, desde a concepção até o parto, deverá ser coordenado por um médico veterinário com registro ativo no Conselho Regional de Medicina Veterinária. A frequência dos acasalamentos e prenhezes das matrizes dos canis e gatis dependerão do estado geral da fêmea, no momento do acasalamento ou inseminação, cuja avaliação caberá ao médico veterinário responsável do criatório. Ou seja, toda as determinações de bem estar do animal caberá ao profissional médico contratado pela empresa que é a principal interessada nos negócios gerados através dos bichos.

Goretti Queiroz é formada em jornalismo e atua enquanto ativista das causas animais há 10 anos. Foto: Rafael Bandeira/ LeiaJá Imagens

Toda e qualquer fiscalização cabe a Vigilância Sanitária do município. No entanto, a vereadora do Recife e ativista defensora dos direitos dos animais, Goretti Queiroz, ressalta que não há uma fiscalização contínua nos petshops que garanta o cumprimento das determinações, cabendo ao próprio petshop e outros locais liberados para a comercialização dos animais domésticos a própria vigilância para se adequarem às determinações do governo - isso na esfera estadual de Pernambuco.

“Nós, defensores dos direitos dos animais, destacamos que as pessoas não devem comprar animais, porque vai estar contribuindo para o comércio de exploração desses bichos”, aponta Goretti. A ativista acentua: “Quando você ver o bicho no petshop, acaba achando lindo, mas vá ver em que condições estão os pais dele”.

Após o cruzamento das raças, os frutos desses animais são adquiridos pelas lojas, onde são colocados em expositores, para que as pessoas possam vê-los e, se interessados, comprá-los. Uma das grandes lojas voltadas ao segmento, a Petland, chegou a ser acusada de más condições aos pets.

Léo Passos Carvalho divulgou em sua conta do Facebook um vídeo com o relato de um cachorro, identificado como Lulu, que estava disponível para venda em uma unidade da loja Petland de Boa Viagem, que fica na Domingos Ferreira, Zona Sul do Recife.

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No dia 10 de janeiro, Léo compartilhou que Lulu estava há sete meses vivendo num “cubículo, altamente estressado, desenvolvendo manias e tentando sair do lugar. Perguntei aos vendedores sobre a situação (do bicho) e informaram que de vez em quando eles tiram ele dali", divulgou.

Léo diz ter confirmado com os vendedores que a loja não tinha conseguido vender o animal quando pequeno e que, na época da filmagem, estavam com dificuldades para que alguém conseguisse comprar o animal, já que as pessoas costumam preferir pelo bicho mais novo.

"Pois bem, com toda essa dificuldade eles ainda cobram 4 mil pelo animal e, enquanto não vendem, o cachorro segue aí nesse espaço ínfimo, com cada vez mais chances de desenvolver danos neurológicos pelo tempo de clausura", compartilhou Léo Passos.

A loja respondeu ao LeiaJá que Lulu havia chegado na unidade com 4 meses de vida e que, na época em que o vídeo foi feito, o cão, realmente, estava com 7 meses de vida. Mas, o tempo em que o animal pode ficar disponível para venda é de 6 meses - estando o cão dentro do tempo limite. A empresa ratifica que, desde o dia 14 de janeiro, Lulu já tem um novo lar. 

A Petland também está envolvida numa outra polêmica. A rede foi acusada pela ativista animal Luisa Mell de vender cães comprados do canil Céu Azul, interditado em Piedade, interior de São Paulo. Por meio dos stories do Instagram, a ativista denuncia a Petland e ainda incentivou as pessoas a denunciarem para "acabar com a irresponsabilidade dessas grandes lojas".

Aina Bosch é formada em Medicina Veterinária pela Universidade Rural Federal de Pernambuco. Foto: Reprodução/Aina Bosch treinadora

A veterinária comportamental Aina Bosch aponta que as más condições em que os animais domésticos são obrigados a passar, seja no canil, gatil ou nas lojas onde eles são vendidos, podem repercutir para o resto da vida do bicho. “Quando esses bichos são adotados ou comprados, muitas vezes (por conta das condições anteriores), eles chegam na casa do seu tutor com muitos problemas como ansiedade, coprofagia (nome científico que se dá para o ato de comer as próprias fezes ou de outros animais), por conta do lugar pequeno em que viveu”, exclama a veterinária.

Aina aponta que não é da natureza do cachorro, por exemplo, deitar no mesmo local em que fez coco e xixi. Mas, por conta justamente do ambiente pequeno em que ele teve que viver os seus primeiros dias de vida, acaba, naturalmente, se adaptando à situação. A profissional alerta que para o animal depois desenvolver o aprendizado de onde deve fazer as necessidades, "vai ser mais difícil".

Bosch ratifica que a lei é importante para tentar garantir os direitos mínimos dos animais domésticos, “mas nós só vamos mudar a situação da comercialização dos animais através dos consumidores mais conscientes. As pessoas entenderem que devem deixar de agir por conveniência e buscarem ter mais consciência, que inclusive repercute para elas mesmas”, aponta.

Enquanto veterinária comportamental, Bosch diz que “os animais não podem ser tratados como um produto - ele é uma vida. Quem desejar adquirir algum bicho, é necessário fazer um estudo da sua procedência para a segurança dos pais desse cachorro, por exemplo, para que sejamos consumidores conscientes e agir de forma consequente”.

Posicionamento da Petland diante das denúncias

Sobre a relação da loja com o Canil Céu Azul:

A Petland sempre foi bastante criteriosa na avaliação e seleção dos criadores e há cinco anos investe recursos, tempo e pessoas com o objetivo de ser um agente de mudança para a erradicação de criadores clandestinos. Quando visitamos o canil Céu Azul, no segundo semestre de 2018, não foram encontradas irregularidades. Após a denúncia, imediatamente alocamos uma equipe para apurar a situação. Nós também estamos contribuindo com o Instituto Luisa Mell, por meio da doação de toneladas de ração, centenas de tapetes higiênicos e cercados para os animais resgatados. Também nos colocamos à disposição para ajudar na castração dos animais.

Sobre a denúncia (video) do Léo Passos Carvalho:

Assim que a informação chegou à franqueadora, apuramos o caso e tomamos as medidas necessárias para que a unidade cumprisse as regras de boas práticas determinadas pela matriz. Os filhotes só podem permanecer na loja durante seis meses, independentemente da idade com que chegaram. Após esse período, eles são doados para um tutor responsável. 

É fundamental explicarmos que os nossos processos com os filhotes seguem protocolos internacionais de qualidade. Nossos gradis são próprios para que os animais não tenham problema de patela e, além disso, drenam as necessidades dos animais. Não utilizamos jornais. Também é importante enfatizar que desde o início de suas operações no Brasil, a Petland concentrou esforços para promover a posse consciente de animais e hoje atua em seis frentes sociais, que vão muito além de simples eventos de adoção.

Após a divulgação do projeto de lei anticrime do governo federal elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, diversas entidades da sociedade civil se posicionaram sobre o teor do texto. As reações variaram de elogios a críticas, passando pela defesa de debates profundos sobre as mudanças propostas na matéria, que seguirá para avaliação do Congresso Nacional.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) informou que irá realizar um “estudo profundo e abrangente” de cada uma das medidas previstas no pacote. O presidente da entidade, Felipe Santa Cruz, defendeu que a análise do projeto deve ser realizada observando a Constituição, preservando o devido processo legal e com grande debate no conjunto da sociedade.

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“Tão forte quanto o desejo de conter a escalada da violência e da impunidade é o desejo de realizarmos tal tarefa como uma sociedade justa, democrática e moderna que reconhece a importância dos direitos fundamentais e o respeito ao devido processo legal. Não podemos cair no equívoco de supor que será possível resolver os complexos problemas da segurança pública apenas com uma canetada. É fundamental que um projeto dessa abrangência seja debatido a luz da Constituição Federal", afirmou Santa Cruz em comunicado divulgado no site oficial da OAB.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública também entendeu que a proposta merece uma “análise mais aprofundada”. O combate à lavagem de dinheiro foi pontuado como necessário, mas insuficiente para “frear a escalada do crime organizado e, principalmente, da criminalidade violenta”. A entidade lamentou que propostas anteriores, como o Plano Nacional de Segurança Pública editado pelo governo federal no ano passado, não tenham sido consideradas. E apontou lacunas no conteúdo da matéria.

“O projeto ignora temas importantes para o setor, como a reorganização federativa, o funcionamento das polícias – e suas carreiras e estruturas -, governança, gestão ou sistemas de informação ou inteligência. Também não há clareza sobre ações dos governos estaduais e da União no enfrentamento da corrupção policial, que é um dos aspectos que contribui para o surgimento de milícias”.

Elogios e críticas

A Associação de Juízes Federais (Ajufe) classificou o PL como “bastante positivo” e contemplando “diversos pontos defendidos há alguns anos pela Ajufe”. Entre eles, a prisão após condenação em segunda instância. Alguns pontos, como a mudança do papel da confissão de crime no processo legal, ainda precisam ser aperfeiçoados, acrescentou a associação. “De modo geral, o projeto formulado pelo Ministério da Justica é essencial para tornar mais efetivo o processo penal, em sintonia com a agenda de combate à impunidade”, avaliou Fernando Mendes, presidente da Ajufe.

A Defensoria Pública do Rio de Janeiro viu com “preocupação” o teor do texto. O órgão avalia que determinadas propostas vão contra princípios constitucionais como presunção de inocência, individualização da pena e e devido processo legal. “Um projeto que se propõe a aumentar a eficiência do sistema de Justiça não pode enfraquecer o legítimo e regular exercício do direito de defesa, nem esvaziar garantias fundamentais. É dever das instituições a preservação de tais pilares do Estado Democrático de Direito”, afirma a Defensoria em nota sobre o tema.

A organização Conectas Direitos Humanos, com atuação na área de segurança pública, afirmou que o projeto traz soluções “antigas” com efetividade questionável na redução da violência, como o aumento de pena, a criminalização de novas condutas e o inchaço do sistema prisional. A entidade criticou a possibilidade de o policial não ser responsabilizado por mortes em serviço. “Este pacote cria uma legitimação de mortes praticadas pela polícia, o que é muito preocupante. A polícia brasileira é uma das que mais mata e mais morre no mundo, e proposta reforça letalidade policial, de combate ao inimigo”, avalia o coordenador do Programa de Violência Institucional da organização, Rafael Custódio.

Projeto

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, apresentou nesta segunda-feira (4) o Projeto de Lei Anticrime que será enviado ao Congresso Nacional. O projeto prevê propostas de alterações em 14 leis, como Código Penal, Código de Processo Penal, Lei de Execução Penal, Lei de Crimes Hediondos, Código Eleitoral, entre outros. "O objetivo é combater de forma mais efetiva a corrupção, crimes violentos e o crime organizado, problemas enfrentados pelo país e que são interdependentes", diz o ministério.

Algumas das propostas são que as organizações criminosas mais violentas passem a ser identificadas e nomeadas em lei e o início do cumprimento de penas logo após a condenação em segunda instância.

Outra proposta é que juízes poderão reduzir pela metade ou mesmo deixar de aplicar a pena para agentes de segurança pública que agirem com “excesso” motivado por “medo, surpresa ou violenta emoção”.

Foi sancionada em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, uma lei que proíbe incentivos fiscais para empresas envolvidas em corrupção de qualquer espécie ou em ato de improbidade administrativa. O projeto já havia sido aprovado na Câmara Municipal em 2018. 

A nova legislação se aplica a empresas condenadas por decisões judiciais transitadas em julgado, ou seja, sem possibilidades de mais recursos. O projeto que originou a matéria é de autoria do vereador Daniel Finizola (PT) e já está publicado no Diário Oficial do Município desta semana.

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“Essa conquista é extremamente importante para a cidade. Pelo zelo com o dinheiro público e o estímulo às empresas a cumprirem os procedimentos legais exigidos por lei”, argumentou Finizola.

Massachusetts se somará à lista cada vez maior de estados dos EUA onde é possível se comprar maconha legalmente, mas restrita aos maiores de 21 anos.

A Comissão de Controle da Maconha deu sinal verde nesta sexta-feira para que duas lojas - situadas em Leicester e Northampton - no oeste de Boston passem a vender a maconha na próxima semana.

"Provavelmente teremos uma multidão", disse à AFP um funcionário da loja de Northampton, que já vende maconha para uso medicinal.

"Recomendo que esperem até depois do Dia de Ação de Graças", declarou o funcionário em referência ao feriado da próxima quinta-feira nos Estados Unidos.

Segundo a lei de Massachusetts, é proibido fumar maconha ao volante e em locais públicos. A venda está restrita aos maiores de 21 anos e limitada a 28,5 gramas da erva ou cinco gramas do concentrado de maconha.

Steven Hoffman, presidente da Comissão de Controle da Maconha em Massachusetts, explicou que os locais habilitados para a venda "foram submetidos a verificações exaustivas de seus antecedentes, inspeções e testes de seus produtos para garantir a saúde e a segurança públicas".

A capital federal dos Estados Unidos, Washington, e dez estados - Alasca, Califórnia, Colorado, Maine, Massachusetts, Michigan, Nevada, Oregon, Vermont e Washington - já legalizaram a maconha para uso uso recreativo.

Na maioria dos demais estados americanos a maconha é autorizada para uso medicinal.

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) disse nesta quarta-feira, 14, que, apesar de ter interesses diferentes dos de Rodrigo Maia (DEM-RJ), que tenta viabilizar sua recondução para a presidência da Câmara, não vai interferir na eleição da mesa da Casa.

"Rodrigo tem seus interesses, eu tenho os meus. Mas não vamos interferir nas eleições da mesa como um todo. Isso não é bom para o Brasil", disse Bolsonaro em entrevista à TV Record. Apesar disso, o futuro presidente avaliou que existem "outros bons candidatos se lançando" para o cargo.

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Trabalho.

Durante a entrevista, Bolsonaro evitou se posicionar sobre o futuro do Ministério do Trabalho, que pode ser fundido com outras pastas. "O importante é que a legislação trabalhista será preservada, não interessa se vai ter status de ministério ou não", assegurou o presidente eleito, que reclamou dos escândalos protagonizados pela pasta recentemente. "Esse ministério foi largamente usado para ações não republicanas ao longo dos últimos anos", disse.

Na terça-feira, 13, o ministro extraordinário da transição, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), informou que a equipe trabalha com "duas formulações" para o futuro do ministério e que pretendem chegar a uma definição ainda nesta quarta-feira.

A campanha de Henrique Meirelles (MDB) para a Presidência da República teria feito disparos de mensagens em massa pelo WhatsApp, durante o primeiro turno, para números de telefone de beneficiários do programa Bolsa Família. Os contatos dos que recebem o benefício são sigilosos e o uso deles para outros fins é ilegal. A informação é do site UOL.

Meirelles era ministro da Fazenda do governo do presidente Michel Temer antes de integrar a disputa pelo Palácio do Planalto. O emedebista contratou a empresa Deep Marketing para cuidar de parte da campanha na internet, incluindo o envio de mensagens, por R$ 2 milhões. Um dos sócios da empresa é Lindolfo Antônio Alves Neto, que também é dono da Yacows, empresa que presta o serviço de envio das mensagens pelo aplicativo e já é investigada pela Polícia Federal no caso da campanha do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) contra o PT.

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Os disparos de mensagens teriam acontecido entre 18 de setembro e 5 de outubro, sendo neste dia para uma lista de 2 milhões de contatos. O conteúdo era de uma imagem com os dizeres: "Programa Bolsa Família ainda melhor. Pró-criança: receba um benefício extra para deixar seu filho numa creche particular". A lista de contatos estava salva como "Base Comprada Bolsa Família".

Responsável pelo programa Bolsa Família, o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) negou ter forneceu dados de beneficiários a campanhas eleitorais. Henrique Meirelles, por sua vez, também disse que "não contratou disparos com 'base comprada'. Usou apenas base orgânica e do próprio partido" e que não contratou a empresa Yacows.

No próximo domingo (28), quando acontece o segundo turno das eleições, o eleitor deve estar atento ao que pode ou não ser feito na hora do voto. Apesar do ápice no uso das redes sociais e o desejo de compartilhar os momentos, uma das regras que o cidadão deve prestar atenção é sobre o sigilo do voto. Ou seja, as populares selfies estão vedadas na hora de escolher o candidato a presidente - e governador para o Distrito Federal e mais 13 Estados.

Nesta semana a Polícia Federal deflagrou a Operação Olhos de Lince, para coibir crimes eleitorais - entre eles o da violação do voto. No Recife, um eleitor foi intimado para prestar esclarecimentos por ter, segundo a investigação, publicado no Twitter uma imagem do momento em que votou para presidente no primeiro turno.

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A legislação proíbe portar celular, câmeras fotográficas ou filmadoras dentro da cabine de votação.  A pena prevista no Código Eleitoral para a conduta de violação do sigilo é de detenção até dois anos. Segundo resolução (Lei 23.554/17) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também são vedados na cabine equipamento de radiocomunicação ou qualquer instrumento que possa oferecer a divulgação do voto.

No momento em que estiver votando, o cidadão deve deixar os equipamentos eletrônicos com os mesários da seção eleitoral.

Em Pernambuco, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) vai intensificar as ações de combate as práticas ilícitas durante o segundo turno. Não apenas a questão da violação do sigilo, como também prática de boca de urna e outras atitudes que tumultuem a votação serão mais fiscalizadas pelo órgão que fez montou um esquema juntamente com Polícia Militar de Pernambuco, Polícia Civil e Ministério Público Federal e a própria PF.

“O TRE-PE não vai permitir que ações criminosas de minorias afetem o direito e o dever do eleitor de comparecer às urnas e, com tranquilidade e segurança, escolher seu candidato. Todos os juízes e presidentes de seções eleitorais estão sendo orientados para que casos como este da fotografia dentro da cabina eleitoral, bem como promoção de qualquer tumulto, vandalismo ou outros ilícitos nos locais de votação sejam objetos de prisão em flagrante”, salientou uma nota divulgada pela instituição.

Candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL) defendeu, nesta segunda-feira (22), que a política de direitos humanos seja transformada no país. Sem dar detalhes de como seria tal mudança, Bolsonaro disse que apenas assim a escalada de violência vai diminuir e o desenvolvimento econômico e social será retomado. Na ótica do capitão da reserva, as atuais leis brasileiras deixam cidadão vulnerável ao criminoso.

“A violência no Brasil já passou da linha do absurdo há muito tempo e quanto mais recuamos, mais os criminosos avançam, e eles sabem disso! Leis, normas e diretrizes colocam cada dia o cidadão mais vulnerável a quem quer praticar um crime”, comentou, em publicação nas redes sociais - locais que tem utilizado diariamente para fazer campanha.

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“Somente transformando a cultura da defesa de direitos humanos que defende somente o direito de quem não era para ter tal representatividade excessiva é que iniciaremos o verdadeiro desenvolvimento social e econômico em nosso país”, acrescentou o candidato.

De acordo com Bolsonaro, com ele na Presidência e “o Congresso e demais órgãos públicos atendendo essa demanda da população, sem dúvidas, todos ganharíamos”. Em outra ocasião, o presidenciável já chegou a afirmar que em um eventual governo dele que se for eleito não repassará verbas da União para as organizações sem fins lucrativos (ONGs) que estejam ligadas à defesa dos direitos humanos. Na avaliação dele, tais entidades trabalham com “inversão de valores” e “defendem bandidos”.

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