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A palavra diálogo foi a mais latente durante o discurso da presidente Dilma Rousseff (PT), nesta sexta-feira (21), durante sua passagem pelo Recife. Iniciando uma agenda estratégica para a reconquista da popularidade no Nordeste, onde nas últimas pesquisas ela obteve apenas 10% de avaliação positiva, Dilma garantiu que “apostava no Brasil” e, por isso, estava se “abrindo para o diálogo”. Além disso, ao participar da terceira edição do Dialoga Brasil, ela também destacou a necessidade que o país cresça igualitariamente. 

“A gente só avança com respeito, tolerância e a vontade de escutar a voz do outro. Você não precisaria dialogar se todos pensassem a mesma coisa. É justamente o que nós estamos fazendo: abrindo o diálogo”, observou Dilma Rousseff, ao usar o microfone logo após o governador Paulo Câmara (PSB), que foi vaiado por petistas. Segundo ela, o “diálogo faz a gente pensar” e desde 2003, quando Lula assumiu a gestão federal, se “pensa muito” no governo. 

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Para a presidente, a edição do Dialoga acontecer em Pernambuco tem um quê de “especial”. “Aqui as pessoas lutaram pelo Brasil. Daqui saíram pessoas que pensaram e sonharam o Brasil. Grandes políticos. Estou me referindo a Arraes, a Eduardo Campos e a Lula”, frisou, lembrando da diversidade do estado.  

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Fazendo um passeio sobre as áreas da saúde, educação, segurança pública, desenvolvimento social e cultura, a presidente pontuou a fala de cada ministro e defendeu um governo sem diferenças. “O governo não é um governo paternalista, que vai achar que ele vai resolver os problemas sozinhos. Se as pessoas, as regiões são diferentes, as oportunidades para todas elas devem ser iguais”, pontuou. “O papel do governo é reduzir a diferença (entre as classes) e a garantir que todos partam de uma base igual. Daí o porquê que nós fizemos alguns programas. (...) Igualdade de oportunidades é a palavra que explica o governo do presidente Lula e o meu governo”, acrescentou a presidente.

Indagando os presentes sobre o que os unia, a petista ouviu palavras soltas como a opção pelo diálogo, o amor, a expressão popular, o projeto político e democracia. Colocando seu posicionamento, Dilma expôs dois itens como principais. “Acredito que todas essas coisas nos unem. Aqui estamos fazendo um dialogo. Mas não são só elas que nos unem. De tudo isso, a gente tira o seguinte: aqui tem pessoas que tem um compromisso com o nosso país e com o nosso povo”, pontuou.

Contando ter encontrado com a chanceler da Alemanha, Angela Markel, nessa quinta-feira (20), a presidente alertou que “apostava no Brasil” como maior potencia econômica do que o país alemão. “Se você perguntar para mim: em quem que você aposta como sendo a economia mais forte? Eu aposto neste país [o Brasil]. Onde nós não temos intolerância, não fazemos perseguição religiosa e temos essa imensa alegria de viver, brigar e lutar pelo que nós queremos como as riquezas que temos e vamos ter sempre como é o caso do petróleo e da Petrobras”, cravou. “Aposto no Brasil e aposto mesmo, pois acho o povo brasileiro capaz de todas as transformações. Vamos daqui para frente superar as dificuldades e alumiar a luz do fim do túnel com a nossa esperança e capacidade de construir um país para todos”, finalizou, otimista.  

Reunião com empresários

Antes de seguir para o Dialoga Brasil, no fim da tarde a presidente se reuniu com empresários pernambucanos na sede da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe). A discussão no local girou em torno do Plano de Exportação e de Logistica Nacional. Sem o acompanhamento da imprensa, o encontro durou mais de duas horas. 

"A presidente pôde transmitir de forma direta que as políticas de resposta ao período de crise têm excessos, na medida em que criaram um custo fiscal ao governo", revelou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Experior, Armando Monteiro (PTB), que também já foi presidente da Fiepe. "Os subsídios e as desonerações tiveram custo fiscal muito alto ao Tesouro e agora não se pode manter esses incentivos", completou.

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O túmulo onde estão enterrados os ex-governadores Eduardo Campos e Miguel Arraes tem sido o foco das atenções nesta quinta-feira (13), no cemitério de Santo Amaro, em bairro homônimo, no Recife. A data tem sido de homenagens por marcar o primeiro ano do falecimento de Campos, após um acidente aéreo no litoral de São Paulo, e dez anos da morte do seu avô. 

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Além dos líderes políticos e personalidades conhecidas, populares que admiravam os dois se revezam diante dos túmulos. “Perdi um filho quase na idade dele [de Eduardo Campos] e a morte dele me doeu igualmente. A mãe é quem sente mais do que qualquer pessoa”, frisou a aposentada Maria Moura, de 81 anos. Ela mora no Alto Santa Terezinha e disse ter ido ao cemitério escondido dos familiares só para visitar o local. 

>> Da tragédia ao recomeço: um ano sem Eduardo Campos

Alunos da Escola Estadual Ginásio Pernambucano também aproveitaram o dia para homenagear Eduardo Campos, com a banda marcial da unidade que tocou o hino nacional em frente ao túmulo do ex-governador. “Nada mais justo do que a gente vir aqui hoje. Eduardo foi um dos governadores que mais investiu em educação e um grande propulsor da música nas escolas”, disse o regente do grupo e professor de música, Waldirei Rodrigues. 

“Uma vez, quando estávamos na inauguração de uma EREM pouco antes dele deixar o governo, ele perguntou se a tuba era um instrumento pesado e pediu para tocar. Nós deixamos. Foi engraçado, ele não aguentou muito o peso”, acrescentou o professor, integrante do Ginásio Pernambucano desde 1990. 

Sempre rodeado de pessoas, mas sem tumulto, o túmulo onde Campos e Arraes estão enterrados está repleto de flores. Desde as coroas grandes, até uma singela rosa depositada unicamente no local. Fotografias e cartazes com uma das últimas frases dita pelo líder socialista: “Não vamos desistir do Brasil”. 

Antes de seguirem para os compromissos oficiais, o governador Paulo Câmara e o prefeito do Recife, Geraldo Julio, visitaram, na manhã desta quinta-feira (13), os túmulos dos ex-governadores Eduardo Campos e Miguel Arraes, e do jornalista Carlos Percol, no cemitério de Santo Amaro. Hoje completa um ano do acidente aéreo que matou Campos e Percol. O falecimento de Arraes completa dez anos.

Câmara e Geraldo fizeram orações e deixaram flores no local, acompanhados pelos secretários estaduais Danilo Cabral (Planejamento e Gestão) e Mário Cavalcanti (Casa Militar), além do secretário de Governo do Recife e presidente estadual do PSB, Sileno Guedes.

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"Hoje é um dia de refletirmos sobre tudo que aconteceu. Temos que refletir, ainda, sobre o que Eduardo e Arraes queriam que fizéssemos pelo nosso Estado. Em um momento tão difícil para o Brasil, é importante lembrarmos dessas duas pessoas, que tanto trabalharam e que nos inspiram a continuar trabalhando por um Pernambuco melhor", pontuou Câmara. “Tudo aquilo que Eduardo queria para o Brasil continua nos inspirando e nos emocionando. Eduardo era um grande amigo, uma grande pessoa e a saudade é muito grande. Mas a vontade de acertar é maior ainda", complementou.

Geraldo Julio ressaltou a liderança que Eduardo e Arraes exerceram. "Pessoas que nos ensinaram a fazer política de verdade: uma política de frente para o povo e com o povo. Uma política que olha sempre para os que mais precisam, de forma honrada. Eles concentraram todas as suas energias para construir um mundo mais justo e com menos desigualdade. Também estou aqui como amigo dos dois", salientou.

Ainda nesta quinta, às 16h, no Palácio do Campo das Princesas, Paulo assinará decreto dando o nome de Eduardo Campos ao Instituto de Gestão de Pernambuco. Na mesma ocasião, será afixada uma placa fazendo referência ao dia em que Campos deixou o Governo de Pernambuco para concorrer ao Palácio do Planalto. Às 20h, o chefe do Executivo pernambucano estará na missa em memória de Eduardo e Arraes, na paróquia de Casa Forte.

Antes, às 19h, o governador e o prefeito cumprimentam a família de Carlos Percol, na Igreja dos Manguinhos, nas Graças, onde será rezada uma missa também às 20h.

Com informações da assessoria.

Há exatamente um ano a morte do ex-governador Eduardo Campos abalou o Partido Socialista Brasileiro (PSB). Aquele 13 de agosto, além de tristeza para sete famílias, trouxe também frustração ao projeto de ascensão política de um partido que dava os primeiros passos firmes para um possível, e posterior, comando do país. A partir do desaparecimento do líder, como os socialistas costumam dizer, 'um desafio maior se iniciava': o de encontrar um novo norte e recomeçar sobre os mesmos (ou novos) conceitos.

A escolha da ex-senadora Marina Silva para disputar à presidência da República no lugar de Campos, os imbróglios em torno de Roberto Amaral, a escolha precoce da nova Executiva Nacional, o início do processo de fusão com o PPS e o recuo dele marcaram as movimentações da legenda nos últimos 12 meses.  

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Sob o comando da mesma linhagem desde 1993 – quando o avô de Eduardo Campos, Miguel Arraes, assumiu a presidência do partido – o PSB precisou, neste um ano, reaprender a andar já que Campos era dono de uma percepção política ímpar e centralizadora, como alguns pessebistas revelaram ao Portal LeiaJá.   

“O PSB passa por um processo de reorganização e reaprendizado. Todos têm esta noção. A responsabilidade de todo mundo aumentou (sem Eduardo Campos)”, observou o prefeito do Recife, Geraldo Julio. “O que nós fizemos neste ano sem ele foi mudar a forma de gestão do PSB. Nós tínhamos uma gestão muito centralizada em Eduardo, ele era nossa grande referência nacional. Hoje estamos com lideranças médias e que gerenciam o partido de forma horizontal”, acrescentou conjecturando o secretário-geral do PSB e presidente nacional da Fundação João Mangabeira, Renato Casagrande.

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Entre essas novas “médias lideranças” do PSB, a maior apreensão era de que houvesse uma grande dispersão do partido, o que visivelmente não aconteceu. “O partido, no primeiro momento que perde a sua grande liderança, corre sempre um grande risco de dispersão ou de desentrosamento. Mas nós estamos 100% dedicados a cuidar do partido. Felizmente foi um primeiro semestre de muitas reuniões, discussões e debates. O PSB está unido na responsabilidade de seguir a história de Eduardo”, avaliou o vice-presidente nacional do PSB e ex-deputado federal, Beto Albuquerque (RS).

Apesar da visão positiva de Albuquerque, algumas lideranças, como Roberto Amaral – que assumiu a presidência do partido logo após a morte de Campos –, protagonizou imbróglios internos e terminou sendo isolado dentro do PSB. Posicionamentos dele, como ficar contrário ao apoio da legenda a Aécio Neves no segundo turno das eleições em 2014, foram encarados como divergentes a “linha Eduardo Campos”, o que ocasionou o desembarque de Amaral do cargo de presidente do PSB e a eleição de Carlos Siqueira para substituí-lo. 

"A escolha de Siqueira foi para o amadurecimento de outros quadros, para que se possam inaugurar novas lideranças. Eles (Paulo Câmara, Rodrigo Rollemberg, Geraldo Julio e Beto Albuquerque) podem se firmar como lideranças, apesar das incertezas, e colocarem o partido para frente", avaliou o presidente do PSB em Pernambuco, Sileno Guedes. 

Eduardo Campos e o recuo da fusão com o PPS

Se o ex-governador Eduardo Campos teria ou não recuado com o processo de fusão entre o PSB e o PPS, nunca saberemos. Mas o certo é que, de acordo com líderes da legenda, as articulações para a junção dos dois partidos foi iniciada por ele com a projeção de dois cenários: a vitória nas eleições para presidente da República e uma reforma política mais ampla. 

Apesar da frustração dos dois cenários, o processo de fusão foi ensaiado e entusiasmado por socialistas, como o vice-governador de São Paulo Márcio França, no entanto não vingou. Após divergências internas e a rejeição da proposta por alguns diretórios, inclusive o de Pernambuco, a ideia excluída dos planos do PSB.  

“A fusão nasceu de uma articulação que iniciou com ele ao imaginar primeiro uma reforma política no país e a possibilidade completa de ganhar as eleições, o que não aconteceu. Neste novo cenário não valia a pena (a fusão). Se ele estivesse aqui estaríamos numa situação diferente, com a presidência da República com certeza. Projetar isso neste momento é impossível”, detalhou Sileno Guedes.

Para Renato Casagrande, Eduardo teria prezado pela união do partido diante do processo de fusão. “Não podemos dizer se ele tinha recuado, mas ele teria trabalhado pela unidade partidária como nós fizemos. Nós avançamos naquilo que era preciso avançar, estamos mantendo o assunto em aberto”, observou o secretário-geral do PSB. 

O PSB em Pernambuco e a ausência de Eduardo Campos

Casa política de Campos, o PSB de Pernambuco era o que mais sofria influência do ex-governador. Apesar de não presidir a agremiação no estado, todas as decisões políticas passavam pelo crivo do Palácio do Campo das Princesas, onde ele permaneceu por sete anos e quatro meses. 

No comando estadual desde 2011, Sileno Guedes pontuou que dentre as características de Eduardo a que mais sente falta é a agilidade na contextualização e decisão das questões partidárias.

“São tantas coisas (que fazem falta), mas, sobretudo, o time dele é a falta mais latente. Ele tinha um sentimento muito aguçado para tomar decisões e dar encaminhamento. Eduardo era muito preciso, todos nós que ficamos por aqui temos a necessidade de ouvir mais e falar menos”, observou.

O futuro do PSB e a hereditariedade de Campos

Mesmo com a ausência do líder maior, o PSB tem boas perspectivas para os próximos anos. De acordo com o presidente nacional da legenda, Carlos Siqueira, a expectativa é “continuar crescendo” e ter bons resultados nas próximas eleições. “Continuamos crescendo sobre a inspiração das ideias e do brilhantismo de Eduardo. O PSB não parou. Temos perspectivas muito boas para as eleições de 2016 e 2018. Ele (Eduardo Campos) continua mais presente do que nunca no nosso partido”, ressaltou. 

Segundo Siqueira, apesar do crescimento, Pernambuco continua sendo um dos estados mais expressivos da legenda. O que na ótica socialista deve ser perpetuada pela hereditariedade política de Eduardo Campos, apostada em João e Pedro Campos, filhos do ex-governador.

Recentemente Pedro foi anunciado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Guilherme Uchoa (PDT), como o filho que dará “continuidade à obra de Eduardo”. E João é apontado nos bastidores como possível candidato a um cargo eletivo em 2018. 

Veja o trecho de um pronunciamento de Pedro Campos no dia 11 de agosto deste ano:

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Pedro e João se tornaram interlocutores da família em eventos públicos desde a tragédia há um ano. Os dois subiram em palanques pelo estado para reforçar as campanhas de Marina Silva à presidência da República e de Paulo Câmara ao Governo de Pernambuco. Depois do período eleitoral ficaram imersos a um silêncio que é quebrado durante as homenagens prestadas ao pai, inclusive, com análises políticas da conjuntura nacional.

 

A vereadora dissidente do PSB, Marília Arraes, usou a rede social nesta quinta-feira (28) para criticar uma possível homenagem ao ex-governador e primo, Eduardo Campos. Na postagem no Facebook, a parlamentar alega que os “donos do PSB” querem mudar o nome de uma ferrovia que é intitulada de Miguel Arraes, pelo nome do ex-governador. 

Com o título “Em respeito à história”, Arraes conta que há uma lei, já sancionada, que autoriza a estrada levar o nome de seu avô. “O governador Miguel Arraes já dá nome ao trecho da Ferrovia Transnordestina entre o Recife e a cidade de Estreito, no Maranhão, por força de uma lei de autoria do deputado Gonzaga Patriota, sancionada em 2011”, inicia a vereadora na postagem.

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Logo em seguida a parlamentar faz duras críticas ao PSB. “Passando por cima disso, os novos DONOS do PSB - amparando uma ideia da sombria figura do deputado Heráclito Fortes (que, hoje em dia, é do PSB do Piauí), um dos mais nefastos exemplos de políticos na história do Brasil - querem dar à ferrovia o nome do ex-governador Eduardo Campos, que merece ser homenageado, sim. Mas não desta maneira, fazendo-se esquecer a grande luta de Miguel Arraes, desde a década de 1980, até seus últimos anos de vida, para que a Transnordestina saísse do papel, como uma forma de integrar e desenvolver o Nordeste”, disparou.

Seguindo as alfinetadas a vereadora fez reflexão a maneira de agir do partido. “Tudo isso nada mais é do que uma forma de agir bastante peculiar da nova aglomeração em que se tornou o PSB: fingir que a história não aconteceu”, cravou Marília Arraes. 

 

Nos últimos 25 anos o Partido Socialista Brasileiro (PSB) foi marcado por mudanças de lideranças e ideologias. Este ano, a agremiação está prestes a protagonizar mais uma modificação estrutural e pragmática com a fusão (ou incorporação) ao Partido Popular Socialista (PPS). O “novo PSB”, como vem sendo denominado por alguns líderes, deve estar oficializado em setembro, no entanto, até lá muitas águas devem rolar sob a ponte PSB-PPS. Entre elas, as marcas históricas da legenda socialista que integram uma “metamorfose ambulante” de ideologias, aliados, ascensão e queda.

Criado para seguir uma linha política à esquerda e com uma carga mais acadêmica, a primeira grande mudança da legenda desde a redemocratização veio a partir de 1990, com o ingresso do ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes. Ele atraiu consigo uma carga de ideais políticos mais populares, quebrando o retrato elitizado da sigla. “Com a chegada dele que o partido começou a escrever a formação da sua base, Arraes foi o encontro do PSB diretamente com o povo. Foi nessa época que o partido criou os segmentos sociais e populares”, lembrou o presidente do PSB estadual de Pernambuco, Sileno Guedes, em entrevista ao Portal LeiaJá

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Sob a presidência nacional de Arraes (1993 a 2005) o PSB, apesar de pequeno, tinha uma identidade mais definida e no hall de aliados estavam apenas legendas como o PT, PCdoB e PDT. O quadro começou a mudar em 2005, quando o ex-governador Eduardo Campos passou a comandar a agremiação. Naquele ano foi autorizada a adesão dos socialistas aos palanques do PSDB e PMDB, principais aliados da legenda atualmente. 

De acordo com uma fonte socialista com influência durante o comando de Arraes e Campos, o PSB registrou nos últimos anos um crescimento mais amplo e uniformizado em todo o país, entretanto ficou descaracterizado. “O partido se tornou o quarto maior do Brasil, mas ficou com uma menor identidade de esquerda e passou a ser mais centro-esquerda. Esse foi o preço do crescimento”, observou em reserva, à reportagem do Portal.

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Com a abertura, a legenda passou a se portar com mais flexibilidade, abandonando algumas teses de esquerda. “Com a liderança de Arraes, por exemplo, dificilmente a bancada do PSB votaria a favor do Projeto de Lei 4330, que regulamenta a terceirização no Brasil”, contextualizou a fonte. 

Para conquistar a colocação de quarta maior sigla, o PSB precisou alçar voos mais ousados. O primeiro aconteceu com o lançamento da candidatura de Antony Garotinho à presidência da República em 2002. Já o segundo, foi justamente protagonizado por Campos ao desembarcar da base aliada do PT, em 2013, e se lançar na disputa pelo Palácio do Planalto contra a afilhada política do ex-presidente Lula (PT), a presidente Dilma Rousseff (PT). 

A alternativa foi sem sucesso, com a morte do pernambucano em agosto do ano passado. Episódio que também acarretou o início de uma queda do partido e uma nova reorganização interna. A presidência da legenda, por exemplo, passou a ser ocupada pelo também pernambucano Carlos Siqueira. A escolha, segundo Sileno Guedes, foi na expectativa de que sejam forjados, sob a liderança de Siqueira, novos protagonistas nacionais como Campos. "A escolha de Siqueira foi para o amadurecimento de outros quadros, para que se possam inaugurar novas lideranças. Eles (Paulo Câmara, Rodrigo Rollemberg, Geraldo Julio e Beto Albuquerque) podem se firmar como lideranças, apesar das incertezas, e colocar o partido para frente", observou. 

Carlos Siqueira é quem tem conduzido o processo de fusão junto ao PPS. A mudança é vista, por alguns, como uma forma de recuperar forças e o protagonismo. “Nosso compromisso é com o Brasil, que está numa situação grave. A fusão vai agregar força política capaz de oferecer uma alternativa diferente, de esquerda e democrática. Talvez os grandes partidos não tenham tantos bons nomes para lançar candidatos como nós temos”, salientou o dirigente.

O posicionamento, no entanto, não é unanime já que o processo não é tão positivo para muitos diretórios, inclusive, o de Pernambuco. “É uma posição que pode avançar e vá recebendo argumentos ou até mesmo ser modificada, mas agora o nosso sentimento é de muita preocupação em garantir a identidade do partido e a capilaridade que o partido tem hoje no país inteiro”, destrinchou Sileno Guedes. 

Ao que se aparenta, o posicionamento do dirigente pernambucano seria possivelmente acompanhado por Miguel Arraes, caso tivesse vivo. “Não creio que Arraes fosse discutir uma fusão com o PPS, este assunto já foi tratado e ele esteve contra. Isto porque na visão dele, o PPS havia nascido para ser um braço do PSDB e de lá para cá ele continua com o mesmo perfil”, afirmou reservadamente uma fonte pessebista.

A decisão concreta sobre a fusão entre o PPS e o PSB só será consolidada em junho, durante o Congresso Nacional das duas legendas. Até lá estão agendadas diversas reuniões para definirem o espaço de cada agremiação no novo contexto político. 

 

 

A um ano e sete meses do pleito eleitoral de 2016 as articulações e especulações para as disputas municipais nas principais cidades de Pernambuco estão a todo vapor. Nos bastidores conta-se, por exemplo, que o advogado Antônio Campos (PSB) pretende disputar a Prefeitura de Olinda. Em entrevista exclusiva ao Portal LeiaJá, o irmão do ex-governador Eduardo Campos confirmou a pretensão de “entrar mais ativamente para a política”, mas não deu detalhes se isso aconteceria já no próximo ano. 

Detentor do legado do irmão e do avô, Miguel Arraes, durante a entrevista Campos avaliou a atual gestão de Olinda, destacou a falta que Eduardo faz ao atual cenário político brasileiro e comentou sobre o governo de Paulo Câmara (PSB). 

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Além de advogado, o socialista também é escritor e curador da Feira Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto), que acontece anualmente em Olinda. Nesta quinta-feira (12), ele inaugura a Casa da Leitura e do Livro Infantil de Olinda (CASA CLILO). A instituição sem fins lucrativos vai funcionar no Largo do Amparo, em frente ao Clube Vassourinhas.

Confira a íntegra da entrevista:

LeiaJá (LJ) - Como irmão de Eduardo Campos, a responsabilidade com a política é maior ou não? Sente-se sucessor ou herdeiro político do irmão?

Antônio Campos (AC)- O legado dele e de meu avô, Miguel Arraes, para falar dos que partiram, pertence à Nação, ao povo de Pernambuco, tamanho o volume de obras, realizações e gestos que desafiam o tempo. Ao povo, pertence este legado. 

LJ – Durante os últimos anos o senhor atuou mais nos bastidores da política e após a morte de Eduardo Campos afirmou que poderia entrar na vida política com mais ênfase. Pretende iniciar a vida pública disputando a prefeitura de Olinda?

AC - Poderei entrar mais ativamente na política, sim, me espelhando nesses dois (Eduardo Campos e Miguel Arraes) símbolos da vida pública do Brasil. Pretendo defender seus princípios, porque vejo neles um projeto de Nação.  

LJ - Como o senhor avalia a atual gestão de Olinda?

AC - Irei dialogar sobre isso com a população e as lideranças locais, mas Olinda precisa de um planejamento estratégico e de uma gestão moderna e agressiva na captação de recursos e na prestação de serviços à população.  Agregar o conceito de smart city ao de Patrimônio Cultural e Histórico da Humanidade.  

LJ - Defende a tese de que o PSB deve lançar candidatura própria na cidade?

AC - Creio que é assunto a ser discutido no PSB. Defenderei candidatura própria numa frente partidária.

LJ - Pretende abrir uma frente de diálogo com partidos com o PCdoB e o PT que já se colocaram na disputa?

AC - Sou um homem de diálogos e estarei sempre aberto a conversas em prol da boa gestão política para a cidade. 

LJ - Já se passaram quase sete meses da morte do ex-governador Eduardo Campos, como é que o senhor avalia a desenvoltura do PSB após a perda do líder?

AC - O PSB nacional continua firme em seus propósitos. O Brasil, como já anunciava Eduardo, enfrenta uma grave crise política e econômica. Ele queria unir o Brasil e liderar uma nova agenda para o país.  

LJ - Muitos socialistas estão criticando as posturas do presidente da legenda e a falta de espaço no governo Paulo Câmara. Como o senhor avalia isso?

AC - Paulo Câmara reúne boas qualidades, teve uma boa escola e é um homem inteligente. As escolhas dele, certamente, possuem embasamentos e motivações.  

LJ - A liderança de Campos na atual conjuntura do país, faz falta? De que forma?

AC - Faz muita falta nesta hora, eu diria, quase agônica de incertezas, em que vemos o nosso país em um delicado momento de crise e insatisfação geral.

LJ - Sobre as investigações do acidente do ex-governador: após a divulgação do laudo da Anaac, a família se contentou com as justificativas ou vão querer apurar mais o caso?

AC - Continuamos acompanhando, de perto, o trâmite das investigações. Recentemente, estive em São Paulo, onde fui ao Ministério Público Federal localizado no município de Santos.

LJ - O senhor vai inaugurar uma instituição sem fins lucrativos na cidade, não é? Qual será o mote da instituição? Onde funcionará?

AC - Ali, outro assunto não se discutirá, senão o primado do saber, do aprendizado, do amor à leitura, da inteligência e da cultura voltada para a comunidade local e moradores dos arredores. Em funcionamento desde 2012, a Casa Clilo funciona no Largo do Amparo. Hoje (12), no aniversário de Olinda, daremos início às atividades da Casa em 2015.

O prefeito de Paulista, Júnior Matuto (PSB), tem chamado a atenção nos últimos dias pela nova tatuagem que andou exibindo nas redes sociais. O socialista gravou o rosto dos ex-governadores de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) e Miguel Arraes (PSB), nas costas. Falecido em agosto do ano passado, Campos era aliado do prefeito, que justificou a tattoo como uma forma de homenagear o padrinho político. 

"Posso estar onde for, mas não me esquecerei da gratidão a esses dois homens que fazem política voltada para os menos favorecidos", afirmou o gestor. Matuto era compactador de carro de lixo quando, segundo ele, os ex-governadores o convidaram para ingressar na política. Eleito em 2009 para gerir a cidade da Região Metropolitana do Recife (RMR), o socialista diz copiar o estilo de gestão de Campos. "Ele fez não só por mim, mas pelo Estado", cravou.

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Ainda na tatuagem, Júnior Matuto traz estampada uma de Bertolt Brecht abaixo das imagens dos líderes. “Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis”. A tatuagem foi feita no último sábado (31).

 

O pedido pela revisão da Lei da Anistia marcou, nesta segunda-feira (15), as homenagens aos 35 anos do retorno do ex-governador, Miguel Arraes, a Pernambuco após o exílio político durante a Ditadura Militar. Durante a cerimônia, no Instituto Miguel Arraes, na Zona Norte do Recife, foram relembrados momentos como a chegada do ex-governador ao estado, após residir 14 anos na Argélia. Ele foi deposto em 1964, após o Golpe de Estado.

O governador de Pernambuco, João Lyra Neto (PSB), relembrou os legados do líder político e pontuou que ele fez o Brasil ter outro olhar para o povo pernambucano. "Ele foi um dos políticos mais importantes do século XXI. Ele fez com que Pernambuco e o Braisl voltasse o seu olhar para a população mais pobre. Ele contribuiu muito para a nossa história", frisou o gestor.

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O presidente da Comissão da Memória e Verdade Dom Hélder Câmara, Fernando Coelho, foi um dos parlamentares, da época, a receber o ex-governador no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, e a participar da votação que concedeu a Anistia para os exilados. Ao relembrar os fatos, Coelho disse ter assistido momentos marcantes. “Foram dois dias de votações tensas no Congresso. A anistia não foi um ato de liberdade do governo. Nas oito sessões nunca ouve acordo entre as bancadas, o clima era de grande confronto”, afirmou o ex-deputado. 

Para ele a revisão da Lei é uma questão de justiça. “Nosso objetivo não é apenas de ordem acadêmica ou cultural. Mas para que venha se fazer justiça”, disparou ao lembrar que os torturadores da época também foram anistiados, o que, segundo Coelho não deveria ter acontecido. 

O presidente da Comissão também recordou como foi receber Miguel Arraes junto com Jarbas Vasconcelos e Marcos Freire. “Nunca vi nada igual ao que aconteceu naquele dia. Lembro como hoje de tudo. Antes de Arraes descer do avião, fomos pedir ao comandante brigadeiro da época para que ele liberasse o autofalante, sabíamos que Arraes chegando ao Brasil ia querer falar, mas não conseguimos. Arraes desceu e falou, nós fizemos uma ladainha. Os mais próximos iam repetindo o que era dito e assim sucessivamente”, contou. 

Ao ouvir os relatos de Fernando Coelho, o neto de Miguel Arraes, advogado Antônio Campos, solicitou que o ex-parlamentar documente em artigo tudo o que viu durante a votação da Lei da Anistia para reforçar o pedido de revisão no Congresso. Para Campos, se faz necessário que o Congresso Nacional e a Justiça reveja a legislação. “A luta de Anistia, que é de preservação da história, ainda continua. A revisão da Lei é para se fazer justiça. A anistia do povo brasileiro vai se completar quando se tiver uma boa educação, se ela vier para fortalecer a democracia”, argumentou.

Segundo o advogado, as dividas do regime militar com a família de Arraes foram pagas pelos pernambucanos que o reelegeram governador.  “A concessão da anistia e o reassentamento funcional dele, como servidor público, foram importantes para a vida de Arraes. O grande projeto político dele era de formatar a nação brasileira sem copiar modelos estrangeiros e criar uma identidade nacional”, frisou. 

Para o secretário estadual da Criança e da Juventude, Pedro Eurico, a Anistia mútua não deve ser admitida. “Não há possibilidades de se perdoar aqueles que praticaram um crime em nome do Estado. Estamos preocupados com as futuras gerações. A tortura continua nas delegacias da vida, aqueles que praticaram este tipo de ato devem ser enquadrados de acordo com a Lei”, corroborou. 

Homenagem a Eduardo Campos

Antes da cerimônia foi inaugurado no Instituto Miguel Arraes o Centro Cultural Eduardo Campos, em homenagem ao ex-governador falecido no dia 13 de agosto, após um acidente aéreo no litoral de São Paulo, em Santos.  

A vereadora Marília Arraes (PSB) desafia, em vídeo que circula nas redes sociais, o candidato da Frente Popular a governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), a divulgar uma foto trabalhando com o ex-governador e avô dela Miguel Arraes. Câmara, de acordo com Marília, tem explorado no guia eleitoral a imagem do líder pernambucano, falecido em 2005. A socialista dissidente condena o ato. 

"É agora estão explorando a imagem de Miguel Arraes. Paulo Câmara te desafio a mostrar uma foto sua trabalhando com Miguel Arraes ou então entregando um panfleto dele em campanha. Estou esperando", diz a parlamentar no esquete. o vídeo, divulgado pelo candidato a deputado federal Dilson Peixoto (PT), tem 14 segundo e é inspirado nos desafios que estão viralizando nas redes sociais. 

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Na última semana a socialista questionou o uso exacerbado da imagem do primo, o ex-governador Eduardo Campos (PSB), nas propagandas. Ela considerou a atitude como "um desrespeito" à família do ex-governador falecido no mês passado. 


 

 

A vereadora do Recife, Marília Arraes (PSB), rebateu, nesta sexta-feira (5), o questionamento do candidato a vice-governador pela Frente Popular, Raul Henry (PMDB), sobre que “autoridade” ela teria para criticar o uso exacerbado das imagens do ex-governador Eduardo Campos, falecido no último dia 13, durante a campanha eleitoral da chapa. Henry chegou a afirmar que a parlamentar “deixou Eduardo quando ele mais precisava”.

Alegando “estranheza” pelas críticas do peemedebista, a prima de Campos insinuou a falta de conhecimento do candidato quanto ao emprego verbal das palavras. “Utilizou de forma equivocada a palavra autoridade”, disparou a socialista.

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Reforçando que não via razão para eleger o candidato Paulo Câmara (PSB), Marília se defendeu e registrou esperar que o debate eleitoral se restrinja ao “campo de ideias”. “Minha crítica foi pessoal, por acreditar que alguém faleceu merece respeito e descanso. Afinal, quem pode dizer qual seria a vontade de Eduardo agora? Paulo?”, ironizou. “E, são também críticas políticas. Uma vez que não vejo avanços democráticos a serem conquistados utilizando imagens emocionantes do ex-governador Eduardo, ou até mesmo de seu funeral”, acrescentou.

Relembrando campanhas realizadas em 2006 e 2010, Marília afirmou que a inclusão do PMDB e do DEM na Frente Popular foi “uma das adesões mais vergonhosas” para a política estadual. “Isso mostra a pura intenção do poder pelo poder e do parasitismo político. (...) Raul mostra-se um verdadeiro poliedro – um homem que definitivamente tem vários lados”, observou. 

“Tenho memória boa e acompanho a política desde cedo. Lembro bem do deputado Raul, do seu companheiro Jarbas, do deputado Mendonça, entre outros integrantes da extinta União por Pernambuco, quando tentaram levar à lama a imagem de Miguel Arraes, meu avô, chamando-o de ladrão e também de senil; e rotulando Eduardo Campos, meu primo, de ladrão dos precatórios. Foi à campanha mais suja e baixa que já presenciei em meus 30 anos de vida”, contou Arraes. “Quero esclarecer que Miguel Arraes e Eduardo Campos NÃO eram ladrões, nem corruptos, nem tampouco incompetentes”, defendeu. 

 

O irmão do ex-governador Eduardo Campos, Antônio Campos, enalteceu, em carta, nesta quinta-feira (14), a trajetória política e o legado que a família dele ofereceu ao país com a liderança de Eduardo e do avô deles, Miguel Arraes. No texto, o advogado deixa claro que indicará a candidata à vice, Marina Silva, para a sucessão do irmão da disputa e afirmou que esta seria a vontade do pernambucano.

“Tenho convicção que essa seria a vontade de Eduardo”, cravou. “Como filiado ao PSB, membro do Diretório Nacional com direito a voto, neto mais velho vivo de Miguel Arraes e único irmão de Eduardo externo a minha posição pessoal que Marina Silva deve encabeçar a chapa presidencial da coligação Unidos Pelo Brasil liderada pelo PSB”, completou. Antônio foi o único que externou, até agora, um posicionamento sobre a disputa política. 

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Citando o próprio Eduardo Campos no início da carta, Antônio contou que a perda afetiva do único irmão não é maior do que a do líder. Para ele, Eduardo foi um “político de talento e firmeza de propósitos”. “Desde 2013 vinha fazendo o debate dos problemas e do momento de crise por que passa o Brasil, querendo fazer uma discussão elevada sobre nosso país. Faleceu em plena campanha presidencial, lutando pelos seus ideais e pelo que acreditava”, ressaltou o irmão do candidato. 

Antônio Campos lembrou ainda a coincidência de Campos e Arraes terem falecido no mesmo dia. “O meu avô Miguel Arraes foi preso e exilado, não se curvando à ditadura militar. Eduardo Campos continuou o seu legado com firmeza de propósitos, tendo trazido uma nova era de desenvolvimento para Pernambuco.  (...) Ambos faleceram, no dia 13 de agosto... Não vamos cultivar as cinzas desses dois grandes líderes, mas a chama imortal dos ideais que os motivava”, garantiu.

Veja o texto na íntegra:

 “NÃO VAMOS DESISTIR DO BRASIL”

A minha perda afetiva do único irmão é imensa, mas é grande a perda do líder Eduardo Campos, político de talento e firmeza de propósitos.

A nossa família tem mais de 60 anos de lutas políticas em defesa das causas populares e democráticas do Brasil. O meu avô Miguel Arraes foi preso e exilado, não se curvando à ditadura militar. Eduardo Campos continuou o seu legado com firmeza de propósitos, tendo trazido uma nova era de desenvolvimento para Pernambuco. Desde 2013 vinha fazendo o debate dos problemas e do momento de crise por que passa o Brasil, querendo fazer uma discussão elevada sobre nosso país. Faleceu em plena campanha presidencial, lutando pelos seus ideais e pelo que acreditava. 

O mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar e de correr o risco para viver os seus sonhos pessoais e coletivos. Ambos faleceram, no dia 13 de agosto, e serão plantados no mesmo túmulo, no Cemitério de Santo Amaro, em Recife, túmulo simples, onde consta uma lápide com a frase do poeta Carlos Drummond: “ tenho duas mãos e o sentimento do mundo”. Essas sementes de esperança e de resistência devem inspirar uma reflexão sobre o Brasil, nesse momento, para mudar e melhorar esse país, que enfrenta uma grave crise, sendo a principal dela a crise de valores. Não vamos cultivar as cinzas desses dois grandes líderes, mas a chama imortal dos ideais que os motivava. 

Como filiado ao PSB, membro do Diretório Nacional com direito a voto, neto mais velho vivo de Miguel Arraes, presidente do Instituto Miguel Arraes – IMA e único irmão de Eduardo, que sempre o acompanhou em sua trajetória, externo a minha posição pessoal que Marina Silva deve encabeçar a chapa presidencial da coligação Unidos Pelo Brasil liderada pelo PSB, devendo a coligação, após debate democrático, escolher o seu nome e um vice que una a coligação e some ao debate que o Brasil precisa fazer nesse difícil momento, em busca de dias melhores. Tenho convicção que essa seria a vontade de Eduardo.

Agradeço, em nome da minha família enlutada, as mensagens do povo brasileiro e de outras nacionalidades.

Antônio Campos

Advogado e escritor 

Recife, 14 de agosto de 2014."

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O candidato à presidência pelo PSB, Eduardo Campos, vítima de um desastre aéreo na manhã de ontem (13), foi um dos políticos mais expressivos da política pernambucana. Neto do também ex-governador Miguel Arraes, Campos faleceu três dias depois de completar 49 anos, e deixa esposa e cinco filhos.

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Desde cedo envolvido na política, o filho da Ministra do Tribunal de Contas da União, Ana Arraes, começou como presidente do Diretório Acadêmico da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde se formou como economista. Além de governador de Pernambuco por dois mandatos consecutivos, Eduardo também foi deputado estadual, deputado federal e Ministro de Ciência e Tecnologia. 

Confira no vídeo acima a matéria completa.

O sepultamento do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, será no Cemitério de Santo Amaro, área central do Recife. A informação foi dada pelo irmão do presidenciável, Antônio Campos.

O corpo do ex-governador será enterrado no mausoléu da família, onde foi sepultado o corpo do avô de Campos, Miguel Arraes, falecido em 2005. Arraes também governou Pernambuco e morreu justamente no dia 13 de agosto.

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Uma comitiva já está a caminho de Santos, no Litoral de São Paulo, onde aconteceu a queda do jatinho, para trazer a Pernambuco o corpo de Eduardo. Ainda não há uma data definida sobre o enterro.  

A notícia da morte de Eduardo Campos nesta quarta-feira (13), decorrente de um acidente de avião em Santos, carrega uma coincidência envolvendo o seu avô. É que Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco, faleceu no dia 13 de agosto de 2005. 

A assessoria do PSB confirmou que a aeronave estava a serviço do partido. O vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, falou com o LeiaJá emocionado e confirmou que Eduardo Campos estava no avião que caiu. Segundo informações de fontes próximas ao governador, ele estava acompanhado da mulher e do filho, mas a informação ainda não foi confirmada.

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Há 50 anos as principais avenidas das capitais políticas do Brasil – nos estados do Rio de Janeiro, Pernambuco, Minas Gerais e Brasília – estavam começando a ser inundadas por militares que tomariam, entre os dias 31 de março e 1º de abril de 1964, o governo do presidente João Goulart (Jango) e dos governadores estaduais, entre eles o de Pernambuco, comandado à época por Miguel Arraes. Com a promessa de restaurar a democracia, segundo os militares, ameaçada pelo comunismo cubano, a tropa comandada pelo general Olímpio Mourão Filho, saiu de Minas Gerais em direção ao Rio de Janeiro, dando início ao que culminaria no golpe de estado, proporcionando ao país os 21 anos de repressão, censura e cerceamento da liberdade.

Jango enfrentava uma forte oposição conservadora, por causa da afeição com os movimentos sociais reformistas e a defesa pela participação trabalhista na construção da democracia. Em 64, os militares não estavam sozinhos na intenção de depô-lo. Vários parlamentares, em sua maioria da UDN e PSD, e até governadores-conspiradores apoiavam o golpe, entre eles Carlos Lacerda (RJ). Além destes, o movimento também contou com o apoio da CIA, que treinou a maioria dos oficiais, a partir de uma operação intitulada por “Grande Irmão”.

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“O João Goulart começou a implantar uma série de reformas, abrangendo a área educacional, urbana, política, tributária e, entre outras, uma reforma agrária, que era a grande discordância entre o congresso e as forças armadas do país. Estas atitudes eram vistas como propensas a instalação de ‘uma nova Cuba’. Outro agravante foi que muitos militares tiveram problemas de promoção e salários atrasados. Antes do golpe, houve a revolta dos marinheiros no Rio de Janeiro, contra as condições do trabalho e os salários atrasados. Este foi quase o estopim, para o Golpe. Às vésperas, no dia 30 de março, Jango se reuniu com generais das Forças Armadas e auxiliares onde fez um discurso forte, criticando o auxílio das forças estrangeiras”, contextualizou o pesquisador dos períodos da Ditadura Militar e responsável pela distribuição dos arquivos da época no Acervo Público de Pernambuco, Diogo Barreto. 

A série de ações do presidente, de 1961 a março de 1964, foi sepultando pouco a pouco o seu mandato. Após a deposição, Jango, em busca de segurança, viajou do Rio, onde se encontrava no momento do golpe, para Brasília, e em seguida para Porto Alegre, onde Leonel Brizola tentava organizar a resistência aos militares. Apesar da insistência de Brizola, Jango desistiu de um confronto militar com os golpistas e seguiu para o exílio no Uruguai. O presidente só retornou ao Brasil para ser sepultado, em 1976.

Em Pernambuco, o então governador Miguel Arraes passou a noite, daquele 31 de março, reunido no Palácio do Campo das Princesas com seus assessores e secretários, buscando uma forma de se livrar do golpe. A maioria dos aliados políticos de Arraes o aconselharam a sair da capital e seguir para a região que hoje está localizada a cidade de Palmares, na Mata Sul, no entanto o governador decidiu que resistiria até o fim, enviando apenas a esposa, Madalena Arraes, e os filhos para a casa de familiares no interior do estado. Na manhã do dia 1º de abril, o Campo das Princesas já estava rodeado de militares. A tarde, após uma negociações sem êxito, o governador foi escoltado, dentro de um fusca, para seguir ao exílio. Primeiro Arraes foi para o arquipélago de Fernando de Noronha, e, depois, seguiu para a Argélia, retornando ao Brasil, em 1978. 

“Arraes lutou até o último momento e falou que não sairia o Palácio e a polícia diz que vai invadir e tirar ele a força, naquele momento ele diz ‘eu não vou obedecer a ordens, porque entrei pela porta da frente pelas mãos do povo e ei de sair também pela porta da frente, pelas mãos do povo, é um mandato democraticamente construído’, mas os militares disseram ‘a democracia vai ser restaurada’”, contou Barreto. 

Assim como Arraes, o então prefeito do Recife, Pelópidas Silveira, foi deposto e preso para que se evitasse a continuação do governo pró-comunismo no estado. Silveira e Miguel Arraes eram adeptos ao Movimento Cultural Popular (MCP) e engajados com artistas e escritores como, Abelardo da Hora, Hermílio Borba Filho e Ariano Suassuna. 

O governo de Pernambuco, após a deposição de Arraes, é interinamente assumido por Augusto Lucena, enquanto as primeiras leis do governo militar vão aparecer, e o primeiro governador pró-ditadura, que assume o Campo das Princesas, é o de Paulo Pessoa Guerra, em 1966. Guerra já começa a fazer realizações baseado no governo de Castelo Branco. 

Os anos mais duros

O golpe militar de 1964 desencadeou uma violenta repressão no país. Os anos, até 1985, são intitulados, pelos que viveram à época, como os “mais duros”. Os militares iniciaram uma intensa luta contra os setores politicamente mobilizados à esquerda no espectro político, como a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), as Ligas Camponesas e grupos católicos como a Juventude Universitária Católica (JUC) e a Ação Popular (AP). 

Milhares de pessoas foram presas de modo irregular e a ocorrência de casos de tortura foi comum, especialmente no Nordeste. Um dos exemplos marcantes da história em Pernambuco foi o fuzilamento dos dois jovens Jonas Albuquerque e Ivan da Rocha, no primeiro dia do regime. Ambos participavam de manifestações no Recife, em frente à Faculdade de Direito. 

Com o passar dos anos a repressão foi se unindo a censura. Os brasileiros começaram a ser coagidos, de maneira mais eficaz, após o início da elaboração dos Atos Institucionais (AI). Eles passaram a reger o país quando os militares decidiram suspender a Constituição, e colocarem em prática uma legislação para beneficiar a ditadura e deixar ainda mais difícil a vida dos brasileiros, principalmente aqueles que se posicionavam a favor do retorno da democracia ou da instalação do comunismo no país. 

De acordo com Diogo Barreto, apenas cinco AI’s são relembrados pela população. “No total foram 17, mas apenas cinco são lembrados. Todos implantados sem que fossem aprovados pelo Congresso”, afirmou o historiador. Completando que “em 1967, unindo todos os Atos, foi aprovada a Constituição a favor dos militares, recebendo uma emenda em 1969, com o mais forte, o AI-5”. 

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A revolta do povo contra a ditadura

A revolta da população contra a Ditadura Militar começou imediatamente após o golpe, em abril de 1964. A UNE, CGT e a JUC endossaram mobilizações intensas pelo país. Em 1966, centenas de estudantes iniciaram viagens Cuba, onde eram treinados pelo Partido Comunista, com o intuito de organizarem mobilizações e guerrilhas armadas. 

Um dos atos, talvez o principal, foi Passeata dos Cem Mil. O ato aconteceu em junho de 1968, no Rio de Janeiro, e contou com a participação de artistas, intelectuais e outros setores da sociedade brasileira. Um dos motivos da Passeata foi o assassinato do estudante Edson Luiz, de 18 anos. O secundarista foi morto com um tiro à queima roupa após uma reunião no restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro. 

“Desde 64 eles começaram a criar a sua resistência aos dispositivos do golpe, mudanças que começaram a acontecer. Os estudantes, após a morte de Edson Luiz, saem novamente às ruas com cartazes dizendo ‘a ditadura matou um estudante e se fosse o seu filho, o que você faria?’, então de certa forma jogam a sociedade de vez contra o regime”, pontuou o pesquisador. “Por isso que elas partiram com tudo para cima dos estudantes e foi aí que veio o AI -5 para sepultar qualquer forma de subversão”, acrescentou.

Com o objetivo de divulgar as ideias e histórias do ex-governador Miguel Arraes, foi lançado na manhã desta quinta-feira (27), o portal do Instituto Miguel Arraes (IMA). A divulgação do site foi feita no bairro do Poço da Panela, Zona Norte do Recife, durante evento em memória dos 50 anos do Golpe Militar no Brasil.

O endereço eletrônico possui um acervo de documentos sobre Arraes e conta também com a biografia do político, os relatos sobre o exílio na época da Ditadura, artigos, notícias e fotos do ex-governador.

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A divulgação do portal foi feita pelo presidente do conselho deliberativo do IMA e irmão do governador do Estado, Antônio Campos, que frisou a importância da criação da entidade para a viúva de Arraes. “Sei minha avó o quanto isso lhe marcou e o quanto foi importante para construção deste instituto. Hoje lançamos um portal da internet, e voltar nesta casa para mim sempre é uma grande emoção de conviver não só com a memória do meu avô, mas a casa de Madalena e de Miguel Arraes de Alencar”, relembrou.

Ainda enaltecendo o avô, Campos afirmou que Arraes “era marcado por um grande sentimento de justiça que marcou ele e a sua trajetória” e resumiu a relevância de onde morou seu avô, como uma residência de aprendizado. ”Essa casa é onde aprendi que a coragem é a grande mãe de todas as virtudes”, pontuou.

Presença do governador – Entre os presentes na solenidade passaram pelo local a viúva de Arraes, Madalena Arraes, amigos, admiradores e o neto e governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).  O socialista compareceu ao evento com o filho casula, Miguel Campos e a primeira-dama Renata Campos. À tarde, por volta das 17h, o presidenciável palestrará no Congresso Estadual da União de Vereadores de Pernambuco (UVP), em Gravatá. 

A vereadora licenciada Marília Arraes (PSB), secretária municipal de Juventude e Qualificação Profissional, se defendeu das críticas que vem recebendo do projeto de lei que pretende mudar o nome dos logradouros públicos. A ideia é alterar a denominação que fazem referência a lideres da Ditadura Militar no Brasil.

“Eu acho que estão deturpando (o projeto). As pessoas sequer leem antes de opinar. Dizem que tem muito mais o que fazer. Não é ter questão do que fazer ou não. Primeiro que vereador não tem competência e orçamento para construir creches e escolas, e acredito que a maioria das pessoas sabem disso. O que a gente quer é que a memória seja preservada. A verdade seja dita. E as pessoas tenham consciência do que foi a Ditadura Militar e que nunca mais aconteça, e que não seja um episódio da história banalizado”, relatou a pessebista ao Portal LeiaJá. Ela é neta do ex-governador Miguel Arraes, que foi exilado na época do regime militar.

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De acordo com a secretária, os logradouros que tiverem seu nome alterado terão também uma placa informando a antiga denominação. “A gente escutou as pessoas dizerem que não vai ser lembrado (os antigos nomes). A gente quer lembrar sim. (...) Eu ressaltou que minha posição não é de apagar a história, muito pelo contrário, acho que a gente não lembrar o que aconteceu, não marcar tudo que aconteceu, ai sim a história vai ser apagada”, disse.

Em sua opinião, as famílias que sofreram com a ditadura não querem morar na rua que lembram dos torturadores do regime militar. “Eu tenho um amigo que não sofreu com a ditadura. Ele é de esquerda e a rua que ele mora é Castelo Branco (primeiro presidente da época da ditadura militar). Ele disse que não quer morar na rua que tenha esse nome. (...) Estou falando de um regime de tortura, que agravou a saúde mental e física das pessoas. É por isso que não concordamos que essas pessoas sejam homenageadas”, frisou a parlamentar.

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Com discurso político correndo nas veias de forma hereditária, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), prestigiou nesta segunda-feira (16), o início do tombamento do acervo de seu avô e ex-governador Miguel Arraes, no Poço da Panela, Zona Norte do Recife, onde o político morava. Rodeado de amigos, políticos e familiares como a viúva Madalena Arraes, o socialista relembrou os trabalhos realizados por Arraes, emocionou-se assim como sua prima e Secretária de Juventude e Qualificação Profissional da Prefeitura do Recife, Marília Arraes, e mostrou o desejo de fazer política de outra maneira.

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O irmão do governador e presidente do Instituto Miguel Arraes, Antônio Arraes, descreveu a influência do avô. “Arraes foi um dos que primeiro denunciou no exterior o início das grandes torturas no país. Ele foi à testemunha viva da operação Condor que eliminou diversos líderes de esquerda do Brasil e do exterior. Arraes sobreviveu há mais de dez tentativas de assassinatos, ele teve mais de dez conversas com Fidel Castro, conheceu dos coronéis do Sertão do Francisco a três vezes pessoalmente, Padre Cícero”, relatou o neto. 

Também enaltecendo os trabalhos do avô, Eduardo Campos brincou relembrando das reuniões a portas fechadas que sempre Pedro Eurico deixava vazar algumas coisas, emocionou-se quando o poeta Antonio Marinho recitou alguns poemas, e frisou a parte política reforçando seu desejo de ser candidato em 2014 comentando em seguida o aniversário de Arraes que deveria ser comemorado nesse domingo (15), caso estivesse vivo. 

“Comemorar o aniversário de meu avô com vocês é uma alegria e emoção muito grande, e a certeza que nós vamos saber cuidar não só desta memória, mas, mais do que a memória, é cuidar desses valores que ele representou na vida brasileira, e poder levar esses valores para a construção de uma sociedade bem diferente desta que a gente vive aqui”, pontuou, dando os parabéns à ‘Mada’ como chama Madalena que também fez aniversário no último dia 14.

O governador relembrou ainda a importância de disponibilizar os documentos de Arraes para pesquisas, e contou um encontro casual que teve no exterior com um embaixador, em que recebeu alguns documentos da participação de Miguel Arraes em denúncias sobre a Ditadura Militar. “Foi ele quem fez a denúncia no Tribunal de empresas e do governo autoritário na ação repressiva, às empresas com sede na Europa, para alertar a sociedade europeia do que estava acontecendo naquele momento”, relatou Campos. 

Para a viúva de Arraes, Madalena Arraes, o ato representa um reconhecimento amplo dos trabalhos do ex-governador por parte do Estado. “É um trabalho que está sendo feito aqui de preservação de memória com toda a documentação do que ele fez e é significativo com a quantidade de documentos disponível para pesquisas”, disse ressaltando ser importante também para as investigações dos crimes políticos da época da Ditadura. “É muito importante, por isso tem que ser preservado”, completou. 

Acervo – Na residência onde morou o ex-governador, local onde funciona o Instituo Miguel Arraes, é possível lembrar a memória física deixada por ele, como por exemplo: 270 mil itens formados a partir da década de 30, quando Arraes entrou no serviço público e passou a arquivar livros, documentos e correspondências relacionadas à sua atividade. 

O acervo é composto por correspondências, livros, jornais, revistas, manuscritos, fotografias, filmes, DVDs, CDs, estudos sobre os mais variados assuntos, teses, monografias, entre outros documentos que registram a trajetória política de Miguel Arraes, dentro de um contexto regional e nacional e entre esses documentos alguns são inéditos. 

Tombamento - O documento que pede a abertura do processo de tombamento foi enviado pelo Instituto Miguel Arraes, que é detentor do acervo e pede pelo seu tombamento. Todo o acervo encontra-se devidamente guardado e catalogado. Entre eles, há 86 mil cartas que foram produzidas durante o exílio de Arraes e que contêm análises da situação política do Brasil.

Segundo o secretário de Cultura, Marcelo Canuto, membros da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) irão analisar os materiais do acervo e posteriormente produzir um laudo. “Qual a importância dos filmes, das cartas (...) isso aí será catalogado tudo em um laudo e depois, será levado ao Conselho Estadual de Cultura e o Conselho aprovando, entregará ao governador para fazer o decreto definido”, explicou, acrescentando que o processo levará alguns meses por ser um trabalho técnico, porém, o cuidado com os pertences permanece com a família, sendo esta obrigada a vender apenas para o Estado, caso assim queira. 

O processo de tombamento é o pontapé inicial das comemorações do centenário de Miguel Arraes que será comemorado em 2016

O Governo de Pernambuco iniciará, na próxima segunda-feira (16), às 8h, o processo de tombamento do acervo particular do ex-governador Miguel Arraes. A cerimônia que oficializa o processo vai acontecer no Instituto Miguel Arraes, na Rua do Chacon, Poça da Panela, onde o ex-governador residia. A solenidade deve contar com a participação do governador Eduardo Campos, do secretário de Cultura, Marcelo Canuto, do secretário da Casa Civil, Tadeu Alencar, entre outras autoridades e familiares.  

Com 270 mil itens, entre livros, cartas, discursos, recortes de jornais, fotografias do acervo particular, imagens em VHS, DVD’s, projetos, teses e monografias, o acervo começou a ser formado a partir da década de 1930, quando o ex-governador Miguel Arraes ingressou no serviço público e passou a arquivar uma infinidade de documentos, entre eles, 3,5 mil cartas recebidas e enviadas a familiares, líderes políticos, religiosos e intelectuais, a exemplo de Luís Carlos Prestes, Fidel Castro, João Goulart e o Papa João Paulo VI, Caetano Veloso, Geraldo Vandré e Carlos Drummond de Andrade, todas escritas durante o exílio, que perdurou por 14 anos, entre 1965 e 1979.

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Do período em que passou exilado na Argélia e na França, o acervo conta com aproximadamente 86 mil itens guardados durante anos em Paris e repatriado há dez anos. Esses documentos são inéditos e contêm detalhes históricos de um período pouco documentado, incluindo pontos de vista dos perseguidos pelo Regime Militar.

Chamam a atenção no acervo cerca de mil discos de vinil, 200 CDs e aproximadamente cinco mil horas de gravações em DVDs e VHs. Além de obras de arte ofertadas por artistas e líderes ao ex-governador, assinadas por Cícero Dias, Abelardo Da Hora, Guita Charifker, José Cláudio, além do seu filho, Maurício Arraes. O Instituto Miguel Arraes também guarda presentes recebidos por líderes mundiais, tais como Fidel Castro, Salvador Allende e Óscar Monteiro.

Para Marcelo Canuto, o tombamento do acervo físico deixado pelo ex-governador Miguel Arraes é essencial para se preservar um importante momento da recente história política brasileira. “No exílio, ele extrapolou seu território. Pedir a guarda desses documentos é também auxiliar gerações futuras a compreender a história de Pernambuco e do Brasil”, destacou o secretário.

O Instituto Miguel Arraes foi criado logo após a morte do ex-governador, em 13 de agosto de 2005, pela viúva do ex-governador, Magdalena Arraes, familiares e colaboradores. A partir do início do processo de tombamento todo o acervo passa a ter garantida sua preservação. Hoje, boa parte dos documentos encontra-se em processo de digitalização, o que assegurará a preservação.

*Com informações da Assessoria de Imprensa

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